Imperador de Areia

5 Capítulo 5 - Confusão e medo


Notas iniciais
qualquer cometgario seria spoler, então boa leitura...


Gaara e Ino desceram para o jantar, como sempre, Gaara mal tocou a comida, mas bebeu dois copos de vinho com muito bom grado.

Enquanto jantavam, um homem de meia idade, forte, de barba por fazer, cabelos levemente grisalhos e olhos azuis escuros adentrou o palácio, vestindo roupas negras, acompanhado de dois soldados.

—Sr. Sabaku, sinto lhe interromper o jantar, assim como sua lua de mel, mas creio que é meu dever avisá-lo do que está pra acontecer.

Gaara baixou a cabeça e revirou os olhos, será que não teria só um dia de paz?

—Vá com os soldados ao meu escritório, lhe encontro em seguida. –disse o ruivo com sua voz grave e ressoante, erguendo a cabeça e dando o comando.

O homem fez que sim com a cabeça e se retirou, enquanto Gaara bebia mais um copo de vinho e se virava para Ino.

—É melhor não esperar, vai ser uma conversa muito longa.

Ele afastou a cadeira da mesa e caminhou até o escritório, deixando Ino um pouco desapontada, esperava ter mais algum tempo com ele naquele dia, ainda mais depois do beijo que haviam trocado, mas não cabia a ela querer nada, de modo que terminou de comer e subiu para seu quarto, queria se certificar que nada mais havia ficado espalhado pelos cômodos da casa.

Gaara foi para seu quarto quando faltava pouco pro dia amanhecer, a conversa foi verdadeiramente longa e só serviu para que tivesse mais problemas e mais dor de cabeça, no entanto, se sentia um pouco melhor na presença de Ino, que assim como na noite anterior estava linda, com uma camisola rosa clara, deitada levemente sobre a cama dele.

O ruivo se sentou ao lado dela na cama, depois de retirar os sapatos e ficou encarando a mulher ao seu lado, ainda pensava no beijo que trocaram mais cedo, algo saiu de seu controle, jamais beijara uma mulher daquela forma, jamais sentira um calor perturbar seu estomago quando esteve com uma mulher, e não entendia aquela situações.

Fora delicioso o beijo, o toque, o calor, entretanto, ele não podia aceitar aquilo, não poderia admitir que estava gostando dela, que a via e sentia de um modo diferente, porque se assim fosse ele estava amolecendo, estava deixando alguém quebrar sua carcaça de areia, e ele não podia permitir tal coisa, sem contar que mais cedo ou mais tarde ele teria de se casar de novo, não porque gostava da ideia, mas porque já tinha certos contatos que que se tornariam vantajosos e indispensáveis, por isso, não poderia se apegar a nenhuma de suas esposas.

Gaara tirou a camisa e jogou em algum canto do quarto, se recostou nos travesseiros e fechou os olhos, como sempre o sono não vinha, mas ele se mantinha ali quieto, sentindo o perfume floral de Ino lhe entrando pelas narinas, o deixando ao menos um pouco relaxado.

A Yamanaka se mexeu na cama e foi de encontro ao corpo de Gaara, e mesmo dormindo, seu cérebro reconheceu aquele perfume, o calor que aquele corpo emanava e por isso ela se sentiu bem , protegida, calma, e se aninhou em seu peito.

O ruivo viu ela se ajeitando em seu peito, sentindo as mãos delicadas sobre si e não pode deixar de sentir aquele calor de novo, fazendo que ele tomasse uma decisão, deveria mantê-la longe, deveria fazer com que ela parasse de ser tão corajosa e sentisse medo dele, só assim a afastaria e se protegeria dos sentimentos inoportunos e estranhos que ela lhe causava, o problema é que ele não sabia como afastá-la, tão pouco queria mesmo isso, o que lhe causava muito tormento, pensar e sentir aquelas coisas lhe deixava confuso e isso nunca fora uma qualidade em uma batalha.

O dia começava a amanhecer e a tranquilidade do ambiente tomou conta de Gaara, fazendo com que ele dormisse por alguns minutos, até que seu sonho de sempre começou e o despertou, mas ele se manteve no mesmo lugar, até o sol preencher todo o céu, quando ele não aguentou mais e resolveu se levantar.

Ele saiu de vagar da cama e foi tomar um banho, deixando a loira ainda adormecida sobre a cama. Quando ele terminou o banho, Ino já havia acordado e olhava o céu na sacada, se espreguiçando, com um belo sorriso no rosto.

“Como ela consegue sorrir mesmo com tudo o que tem acontecido em sua vida?”

Ela se virou ao perceber que era observada e ainda sorrindo disse:

—Bom dia. Não vi quando foi se deitar, senhor.

Um arrepio de repugnância tremeu a espinha de Gaara, não gostou nenhum pouco de ver ela o chamando daquele modo, assim como não gostava quando sua irmã dizia, parecia que elas estavam falando com o tirano comandante do exército enquanto ele matava a sangue frio as demais pessoas a sua volta.

—Eu disse que seria uma conversa longa. –ele disse seco.

—Espero que ao menos tenha sido produtiva.

—De certa forma... –ele disse gélido, andando pelo quarto parecendo procurar alguma coisa.

Ela resolveu se calar, pelo visto ele sempre acordava de mal humor, então se sentou na cama, passou as mãos pelos cabelos e o dividiu em mexas, começando a fazer uma trança, mas sentiu um objeto estranho emaranhado nos fios dourados e mexeu até cair em cima da cama uma cornetinha de ouro com um pingente, do mesmo material de um crucifixo, no centro havia um rubi.

—O que é isso?

—Onde achou? –perguntou Gaara vendo o objeto na mão dela e o pegando.

—Estava emaranhado no meu cabelo. -ela olhava o objeto com curiosidade.

Ele não respondeu, apenas colocou a corrente no pescoço, seu amuleto da sorte.

—Como isso foi parar no meio do meu cabelo? –ela pensava alto enquanto terminava a trança, achando estranho ele carregar um símbolo como aquele consigo, não parecia fazer sentido, afinal ele era descrito como a encarnação do próprio mal, então porque confiaria em um amuleto? Ainda mais um que lembrava um sacrifício por um bem maior.

Gaara fora para o closet se trocar e ficou calado, não queria que ela soubesse que havia dormido em seu peito por algumas horas, isso demonstraria uma proximidade, um cuidado, e era tudo o que ele não queria que ela sentisse.

Ele acabou de se vestir e voltou pro quarto, mas ela já havia entrado no banheiro, então ele saiu, descendo pra pegar a correspondência e tomar café.

Gaara sentia a cabeça latejar mais do que o normal, e apesar de ter uma dúzia de analgésicos no armário do banheiro, nenhum deles fazia mais efeito, então tinha de suportar a dor, mas não precisava suportá-la com o sangue limpo, assim serviu um copo de uísque sem gelo e tomou em um gole só, pondo o copo sobre a mesa da sala de estar, enquanto Ino descia as escadas e via a cena.

Ela pensou em dizer alguma coisa, mas percebeu que os olhos dele estavam ainda mais apagados que antes, enquanto ele esfregava as têmporas e se encaminhava para a sala de jantar, onde o café iria ser servido.

Ino comeu em silêncio, olhando pra Gara vez ou outra e em uma dessas vezes ela percebeu um leve tremor na mão dele, então ele apertou o punho e os olhos, depois continuou com o que fazia, até engolir uma xícara de chá.

Ele não esperou que ela terminasse, apenas se levantou e saiu da sala, o que deixou Ino aflita, tinha alguma coisa errada com ele, então depois de comer ela o procurou pela casa toda, mas não o encontrou, apenas viu a porta do escritório dele fechada e a voz dele ecoou em sua mente dizendo que aquela era uma área proibida.

Ela ainda ficou parada do lado de fora pensando se devia ou não entrar no escritório e por fim decidiu dar um tempo a ele, havia prometido se comportar, e se ele não a queria por perto, não podia impor sua presença, sendo assim achou melhor ir cavalgar um pouco.

A loira foi até os estábulos e eram acomodações enormes, baias que se perdiam das vistas e ela ficou impressionada, estava tudo cheio.

—É para o exército.

Ino se virou e viu o moreno da tarde anterior. Desta vez ele vestia uma camisa verde, calças azuis escuras e botas pretas.

—Todos estes cavalos?

—Sim, um cavalo pra cada soldado, todos cuidados pelos estábulos do imperador.

—Minha nossa, deve ser mais de mil baias.

—Na verdade são duas mil e três baias, apenas uma fica vazia, ou melhor, ficava.

—A quem pertence a baia?

—Agora a senhora, mas antes era da princesa de Suna, Temari.

—Ela perdeu o cavalo? –indagou Ino surpresa, achou que a montaria de Temari na viagem fosse sua companheira a anos.

—Não, ela cuida dele sozinha, gosta de se sentir livre e gosta de montar.

—E será que posso montar o meu cavalo.

—Vou preparar pra senhora.

—Obrigada, senhor...

—Nara, Shikamaru Nara, a seus serviços, senhora Sabaku.

—Não, por favor, me chame de Ino. –ela disse depois de passar o mal estar que aquelas duas últimas palavras lhe causavam, não estava pronta para ser senhora, muito menos uma Sabaku.

Ele sorriu de canto e concordou com um aceno.

—Como quiser.

Ele saiu pra pegar o cavalo e ela continuou a andar pelas baias, até se deparar com o único cavalo negro por ali, e logo ela soube, aquele era o Sheiky, o cavalo de Gaara. O animal relinchou pra ela, então ela continuou parada, encarando o belíssimo animal que tinha a sua frente, observando a crina mediana, os músculos aparentes, o focinho largo e desenhado, e jamais vira outro animal como aquele, tão belo quanto aquele, e de vagar ela esticou a mão. Ele pareceu recusar, virou a cara e chegou pra trás na baia, mas ela ainda tentou mais um pouco, se apoiando na porta baixa do local e esticando a mão.

Sheiky observava tudo com cuidado, imaginava quem era aquela que queria se aproximar, mas sentia o perfume dela, a calma e bondade que ela tinha no olhar, e que queria lhe tocar, por fim ele só ficou quieto e sentiu a mão delicada lhe tocar a pelagem, a fazendo sorrir, enquanto o animal baixava a cabeça de vagar.

Com cuidado ela abriu a baia e deixou o animal passar de vagar por ela, com certeza era um dos maiores cavalos que ela já vira, e era intimidador, mas ela continuou a se aproximar e de novo ele permitiu que ela o tocasse. A cena era assistida por Shikamaru, Gaara e Temari que chegavam ao estábulo e os três estavam abobalhados com o acontecido.

Ino pegou as rédeas e ofereceu ao cavalo sorrindo, esta não fez menção a recusar, então de vagar ela colocou as rédeas nele, ainda assim ela não conseguiria subir sem a cela, procurou então alguma por ali, mas não achou, então suspirou resignada, o cavalo pareceu ver a frustração dela, por isso baixou um pouco a cabeça pra que ela subisse e ela voltou a sorrir, montando em seguida.

Com ela sobre o animal, ela acariciou o pescoço dele, assim como sua crina, e de vagar ele começou a andar pelo estábulo, até que estancou na frente de Gaara, que estava sério e de braços cruzados, e por um segundo Gaara pensou ver Sheiky lhe dirigir um olhar de desculpa, mas foi despertado por Ino pulando no chão e segurando as rédeas do cavalo.

—Me desculpe, eu não devia ter feito isso, mas me deixei levar... É um cavalo como eu nunca tinha visto... Me desculpe, não vou fazer de novo, não vou mais...

Gaara ergueu a mão, fazendo Ino estancar a torrente de palavras que despejava sobre ele, então ela baixou a cabeça e Temari e Shikamaru se aproximaram do ruivo.

—O cavalo da senhora está pronto. –disse o Nara trazendo o cavalo branco.

—Obrigada. –ela disse sem animo. –Gaara...

—Vá cavalgar. –ele disse pra ela, pegando as rédeas da mão dela e saindo com o cavalo, Temari foi atrás dele.

—O que me deu na cabeça? –Ino se perguntou em voz alta.

—Foi muita coragem, Ino. -disse o Nara, que ficou com ela.

—Foi é burrice. –ela exclamou. –Ele vai ficar furioso.

—Acho que ele está mais é intrigado, jamais alguém conseguiu isso que acabou de conseguir, e sabe o que mais? Agora a gente tem certeza, você possuiu um coração bom e generoso.

—De que adianta isso se vou desonrar minha família quando Gaara me mandar de volta?

—Deveria ter mais fé em si mesma, e depois, se não tivesse um coração bom, não conseguiria se aproximar dele assim.

Ela ergueu os olhos e viu a sinceridade no rosto do moreno lindo a sua frente.

—Obrigada. –ela suspirou, olhava para o caminho pelo qual o ruivo passara.

—Não se preocupe, ele só está assustado.

—Não, o cavalo está bem, só ficou simpático porque...

—Eu não falava do cavalo, falava do imperador. –Shikamaru sorriu e saiu, deixando Ino sozinha com seu cavalo.

—Ah propósito, é uma bela égua a que a senhora tem. –disse o Nara antes de sumir das vistas dela.

Gaara levou Sheiky até a sua baia e o fechou lá.

—Só ver um par de pernas bonitas e já está se engraçando né, seu traidor? –disse Gaara acusando o cavalo, que baixou a cabeça como se estivesse envergonhado. –Você que não faça uma boa batalha na próxima semana que você vai ver o que te acontece.

—Está maluco Gaara?

—Não, estou tendo uma conversinha com esse pervertidozinho aqui.

Temari teve vontade de rir, mas Gaara estava sério, encostado na porta da baia, de costas pro animal.

—No que está pensando?

—Quem é essa garota? O que ela pretende? –ele disse de uma vez, quase perdendo o controle.

—Ela é o seu pior pesadelo, ou seja, a humanidade que você tenta perder cada dia mais.

—Porque ela? Existe um zilhão de mulheres por ai, muitas delas querem ser minhas esposas, todas são como tem de ser, obedientes, submissas, mimadas, interesseiras e cruéis, doidas pra dar o golpe, então porque logo essa tem que cair na minha vida?

—Está assim porque sabe que ela tem um bom coração?

—Estou assim porque não era pras coisas estarem caminhando como estão. Eu beijei a fedelha ontem e gostei, qual é meu problema? Até meu impiedoso alazão caiu de amores por ela.

—Tudo bem, agora entendi seu estado de espírito, você a beijou e gostou... Gaara, você está gostando mais do que só do beijo, você está gostando dela. Gosta de como ela te enfrenta e de como se preocupa com você, e não tem nada de errado nisso.

—Está tudo errado nisso, e você sabe. -ambos se conheciam bem de mais, ele sabia todos os seus segredos.

—Não, eu não sei o que tem de errado nisso. –Temari desviou o olhar.

—Pare.

—Parar o que?

—Você ainda não o esqueceu, não é?

Ela não respondeu.

—Temari, ele tem que ser pagina virada na sua vida, você é a princesa de Suna, é uma guerreira, por favor, não faz isso comigo.

—Como faço pra tirar ele de dentro de mim? Eu queria não sentir mais nada, mas é mais forte que eu.

—Fácil, pense no quanto ele já te fez sofrer, no quanto tudo o que aconteceu te fez mal e no modo como seus mundos são distantes e pronto.

—Você consegue controlar o que sente pela Ino, mesmo sabendo que não deve?

—Eu não sinto nada pela Ino, só estou confuso porque estou de baixo do mesmo teto que uma mulher que deveria ser minha, mas não consigo fazer com que seja.

—Se quer se enganar, não sou eu que vou me meter. –disse Temari dando de ombros.

—Eu nem sei porque estou falando sobre isso com você, afinal, você é só uma mulher... –ele parou a frase no meio, se deu conta de que estava ainda mais parecido do que deveria com seu pai e isso estava começando a fazer mal a sua irmã.

—Sou só uma mulher o que? Complete a frase Gaara. –ela disse o desafiando.

—É só uma mulher, isso já fala por si só. –ele deu as costas pra ela e começou a andar.

—Só uma mulher fútil, frágil e imprestável? É isso o que pensa de mim Gaara? –ela gritou com amargura, fazendo Shikamaru e Ino a ouvirem. –Você é mesmo o monstro que todos dizem, e bem feito pra você, se tornou a pessoa que mais odiou, e você sabe como termina essa história.

Gaara nem se quer olhou pra trás, mas sentiu o peito arder, Temari tinha razão, ele era a copia de seu pai, e estava com medo de onde aquilo o estava levando. Por orgulho ele se mantinha daquela forma, mas estava indo longe de mais, afogando o pouco de dignidade que ainda tinha dentro de si, e então as palavras de Temari ecoaram pela sua mente, dizendo que ele conhecia o fim da história, o que o deixou ainda mais perturbado, não queria perder sua vida nas mãos de um filho que fizera sofrer, mas também não queria fraquejar naquele momento, ele tinha uma batalha pra começar e se não fosse seu sangue frio, de nada adiantaria ele seguir com seu exército, porque não teria estomago pra lutar.

Ele fechou os olhos e sentiu um desconforto na garganta, depois abriu os olhos e viu suas mãos tremerem e um novo pesadelo se instaurou em sua mente, olhava no espelho e via o reflexo de seu pai.

Notas finais
obrigada pelos reviwes, eles me ajudam a prosseguir sempre, então comentem sempre q puderem... até o proximo...