Imperador de Areia

31 Capítulo 31 - Quebrando uma promessa


Notas iniciais
esse cap promete, então respirem fundo antes de lerem... boa leitura...

Depois de alguns dias, Ino estava passando muito mal, à noite o cheiro de flores do jardim inundava o quarto e ela se sentia muito enjoada, e vomitava a noite inteira, porém aquela noite as coisas estavam muito piores.

Temari já havia voltado pra casa dela com seu marido, Hinata estava dormindo, assim como Gaara e Kankuro, mas ela continuava a vomitar sem parar e precisava de ajuda.

Pensou na morena de olhos cristalinos, mas Hinata não saberia esconder nada de Gaara se fosse preciso, e apenas algumas palavras fariam ela dizer tudo o que o ruivo quisesse, ela era frágil, Temari não estava mais lá, e nem Shikmaru, nenhum dos dois poderiam fazer nada por ela naquele momento, até mesmo porque ela não poderia os chamar, então lhe restou apenas Kankuro.

Tinha que dizer tudo de uma vez ao marido, mas cada vez que chegava perto disso perdia a coragem, tinha medo da reação do outro, mesmo que eles não estivessem mal. Só que bem não estavam também, Gaara estava um pouco diferente a observando sempre, sem nada pra dizer, só a fitava com cautela e parecia tentar ver alguma coisa.

De vagar ela foi até o quarto do moreno e bateu de leve, logo ele abriu sonolento.

—O que aconteceu? –ele indagou vendo que era ela e parecia tão mal como semanas antes quando a viu desmaiada.

—Estou passando muito mal, não quero ficar sozinha, tenho medo de que algo aconteça.

—Certo, eu já vou lá no seu quarto, deixa só eu pegar uma camiseta.

Foi então que ela se deu conta de que ele estava só de calças e corou, estava sem graça, ele sorriu divertido pela situação, se ela soubesse que ele não tinha interesse nenhum, em mulher nenhuma, iria era rir de ficar encabulada por ainda não ter percebido isso.

Ela foi indo na frente e ele foi pegar a camiseta, encontrou com ela no quarto, correndo pro banheiro, ele nem se vestiu, foi atrás dela, ela debruçou sobre o vaso sanitário e vomitou, ele segurou os cabelos dela com uma mão e com a outra lhe enlaçou o corpo pra mantê-la de firme de pé, e deixou ela vomitar.

Depois que o enjôo passou, ele ajudou ela a se limpar, e a acompanhou até a cama, ajeitando ela sobre os travesseiros fofos atrás da cabeça.

—Vou preparar um chá pra você, algo que pare os enjôos um pouco.

—Há algumas ervas lá em baixo.

Ele fez que sim com a cabeça e saiu, ela ficou ali, sentindo o corpo mole, fraco, e sem saber se era sono ou se tinha desmaiado, ela só recobrou a consciência ao ouvir a voz de Kanlkuro lhe chamar.

—Acho que acabei pegando no sono. –ela disse esfregando os olhos.

—É, você tem mesmo que descansar, mas primeiro vamos tomar esse chá, você está muito fraca.

—Obrigada.

Ela tomou o chá e voltou a se deitar.

—Ino, eu sei que está tentando e que está preocupada com razão, mas sua barriga está começando a ficar maior, Gaara vai ficar mais bravo por não saber do que por saber, ele não gosta de segredos.

—Toda vez que vou tentar contar algo acontece e eu perco a coragem. Sei que será inevitável... –ela acariciou a barriga já mais crescida. –Mas e se ele não gostar da ideia e fazer mal a esse bebê?

—Pelo amor, você acha mesmo, depois de todo esse tempo, que Gaara realmente é feito de areia, por acaso? Gaara é a pessoa mais humana e sensível que eu já conheci. Ele tentou se endurecer tanto que conseguiu interpretar bem um papel, mas por dentro ele sofre muito, ele ama muito, ele sente tudo muito.

—Tem razão, estou sendo muito tola. Jamais poderia pensar algo assim, por mais que ele já tenha me feito mal, ele pediu perdão, ele tentou mudar e está tentando. Me desculpe, estou sendo uma boba.

—Não é assim também. Eu soube o que ele fez a você, como consumou o casamento de vocês, sei que a trancafiou, a agrediu, e isso é muito motivo pra ter medo, mas Gaara já não se vê e não age da mesma forma de antes, e como você mesma disse ele pediu perdão, e pra ele fazer algo assim com certeza se arrepende de mais de tudo o que fez, e eu também sei que ele andou bondoso, carinhoso e generoso com você depois.

—Está certo em tudo. Eu vou dizer a ele amanhã, doa a quem doer.

—E não se preocupe, eu vou estar do seu lado, não vai ter que se preocupar com nada.

Ela sorriu e ele sorriu de volta.

—Agora durma, descanse bastante, tenha bons sonhos, amanhã cuidaremos disso. –ele beijou a testa dela.

Ela deitou tranqüila na cama e logo pegou no sono, ele deixou ela confortável, pegou a camiseta que acabou não vestindo e foi saindo, fechou a porta atrás de si e foi pro seu quarto.

O que ninguém percebeu era que Gaara ouvira vozes no quarto ao lado e vira Kankuro sair do quarto da sua mulher sem camisa, e um sorriso besta nos lábios, o deixando com o sangue fervendo e as idéias mais loucas e mirabolantes em sua mente.

Na manhã seguinte, Gaara tomava café com Hinata, ela percebeu que ele estava distante, com os olhos bem apagados e com a cabeça vagando por algum lugar desconhecido, sem nem ao menos lhe dizer bom dia.

Algum tempo depois, Kakuro desceu com Ino, os dois se olhavam cúmplices, apreensivos, rondando Gaara com alguma coisa, e o ruivo foi ficando cada vez mais aflito e enraivecido, eles com certeza estavam lhe escondendo algo muito grave, e ele estava doente pensando no que seria.

Todos tomaram café, em silêncio, e depois o ruivo foi pro escritório. Se sentou na sua cadeira alta e confortável e ficou olhando pela janela, imaginando quando fora que aqueles encontros fortuitos haviam começado, o que eles falavam, e pior, o que faziam.

Gaara imaginava uma maneira de ter certeza de tudo, havia os observado de perto e muito atentamente a semanas, mas só conseguia pensar em como se enganara tanto com Ino, ou quando fora que ela mudara tanto, e pior, quem era de fato seu irmão, ou melhor, o que acontecera com seu irmão naquele tempo afastado pra lhe apunhalar daquela forma?

Seus pensamentos foram interrompidos por uma batida na porta, ela estava aberta, e quando virou a cadeira pra porta, pode ver os donos de seus pensamentos bem a sua frente.

—Gaara, preciso falar com você, pode ser? –indagou Ino com os olhos aflitos, ela estava amedrontada, e se tinha medo dele era porque algo o deixaria muito irritado, porque ela só tinha medo dele quando ele sentia aquele ódio descomunal.

—O que é? –ele indagou sem emoção, só com a voz fria.

Ela olhou pra Kankuro, que segurou a mão dela e fez sinal positivo com a cabeça.

—Eu falo, pode deixar. –ela disse baixo pra Kankuro, segundos depois.

Aquilo só estava deixando Gaara mais irritado.

—Tem certeza?

—Tenho. –ela disse mais firme.

Kankuro fez que sim com a cabeça e deixou os dois ali, dando as costas em seguida, ela respirou fundo, e deu um passo a mais pra dentro.

—Tenho algo que preciso te contar. –ela disse de vagar, escolhendo as palavras.

Ele se levantou, não conseguia mais ficar sentado, ele era inundado por sentimentos conflitantes novamente.

—Conta então.

Ela o viu a sua frente, de pé, alto, forte, com os olhos frios, distantes, como duas jades, e seu coração apertado de aflição.

—Eu sei que somos casados há um tempo razoável, que esperam que eu seja sempre a imperatriz, principalmente depois do que houve na tempestade de areia, mas...

—Nunca vai esquecer que foi heroína por um dia. –ele disse azedo, como se ela realmente quisesse gloria.

—Não fui nada, só ajudei uma menina, estou é falando como o povo nos vêem.

—E como exatamente eles nos veem, Ino? Será mesmo que não sabem que meus casamentos são uma farsa?

—SeuS CasamentoS? Porque está falando isso?

—Oras, meus dois casamentos são uma farsa, você não acha?

—Não, eu não acho. Sou sua esposa de fato. Você não acha? -ela retribui a pergunta no mesmo tom amargo que ele usava.

—O que é uma esposa Ino? Sei que sabe a resposta pra essa, aquela sua mãe maluca deve ter feito você repetir isso um milhão de vezes.

—Minha mãe nunca foi santa, mas você não pode falar assim dela, tudo o que ela fez comigo foi por sua causa, pra lhe agradar.

—Isso, isso mesmo... –ele disse dando com os braços e aumentando um pouco a voz. –Vamos culpar o imperador de areia por toda a desgraça do mundo, porque ele sempre quis se casar, sempre esperou ansioso pelo dia que tomaria uma menina mimada e infantil pra acabar de criar num casamento sem cabimento nenhum.

—Me desculpe se é infeliz com essa obrigação que lhe deixaram, mas eu não posso fazer nada pra mudar isso.

—Tem razão, a culpa não é sua, nunca é, você faz tudo corretamente, perdão, eu havia me esquecido. –ele disse sínico.

—Olha aqui Gaara, eu...

—Não Ino, olha aqui você. Eu não sou idiota garota, não sou nenhum paspalho que não consegue ver as coisas, então é melhor você começar a agir corretamente, porque eu já estou com a minha paciência no limite.

—Quando é que sua paciência não está no limite? Você acha que tem o peso do mundo sobre os ombros, mas quando foi que você teve que realmente se levantar de manhã e pensar se teria algo de comer, se estava doente ou não, se teria alguém por perto pra te salvar, te ajudar? Você nasceu rico, poderoso e sempre teve tudo o que muita gente leva uma vida pra conseguir, a começar pelas pessoas de seu povo. Enquanto você está aqui, sentado nessa cadeira luxuosa, olhando a vista de seu palácio, os seus homens, que fazem a sua fortuna, estão em casas de pedra sem segurança nenhuma, em tendas sobre a areia gramada, com o risco das tempestades e de passarem necessidade por estarem isolados do mundo, já que o comercio daqui é pobre, não tem recursos pra se manter. Você nunca teve que passar necessidade, e ai, porque você, e só você, fica remoendo seus fantasmas, acha que pode pisar e agredir todo mundo?

—Quem é você pra falar isso? Você não é tão diferente de mim não. Só está casada porque pertence a uma família com algumas posses e com certo poder, acha que já sofreu muito por isso? Ah, eu me esqueci, seu calvário sou eu, a razão do tormento mundial, vamos me crucificar mesmo, assim você fica livre pro que e pra quem você quer, certo?

—Pra quem eu quiser? O que quer dizer com isso? –ela o viu sorrir sinicamente. –Pelor amor de Deus, o que essa sua cabeça maléfica criou? -ela estava ficando assustada.

—Criou? Criou? –ele abriu ainda mais o sorriso sínico.

Ela parou e ficou olhando pra ele, tentando entender, achou que o ciúme de Shikmaru havia passado e sendo assim não havia mais ninguém pra ele mistificar alguma coisa.

—Você é louco, só pode. Vivendo em um mundo de fantasias na sua cabeça doentia.

—Você acha que é melhor do que eu, mas está muito enganada, porque se eu tenho meus fantasmas você também tem os seus, e só pra constar, você não é a rainha da verdade, não é diferente de mim na sua origem e se realmente acredita que eu quebro com minha palavra, saiba que a sua de nada está valendo também.

Ela se enfureceu, eram acusações de mais, e mentir ela nunca havia mentido, era por não conseguir isso, por não conseguir o trair que estava ali agora, queria contar tudo pra ele, não esconder nada e deixar que ele ajudasse na escolha do caminho de seu filho, mas ele só conseguia ver o que ele queria e jamais deixaria de ser um monstro egoísta.

—Minha palavra não vale nada? Tudo bem, pode não valer, mas ao menos jamais prejudiquei ninguém e consigo te enfrentar, e ai nós somos muito diferentes, porque sua palavra, se vale mesmo, só serve pra derrubar sangue, pra manchar famílias, assim como a sua própria.

—Minha família é podre mesmo, não vale nada, mas pelo menos nós assumimos, não precisamos fingir, como você faz. Sua mãe é tão boa, a culpa é minha? Certo, então me responde, porque ela te batia pra decorar regras de boas maneiras, porque te deixava de castigo quando não vestia o que ela queria, porque te prendia em casa quando não recitava as receitas que ela pedia? Me diz, porque? Mães de verdade, que podem sentir algo de verdade por seus filhos, não os castigam, cuidam deles.

—Como a sua fez? Nossa, ela cuidou tanto de vocês... –ela falou sarcástica. –Cuidou tanto que deixou o filho virar esse monstro, deixou Temari ser abusada pelas ordens de seu pai que a maltratava, deixou Kankuro ir embora sem jamais ir atrás dele... Isso foi muito zelo, parabéns pra ela. Grande mulher... Corajosa...

—Quem é você pra falar da coragem da minha mãe? –ele estava muito nervoso agora, jamais permitiria que ninguém desonrasse a única pessoa boa de verdade naquele mundo. –Você não sabe tudo o que ela passou, tudo o que...

—Não sei? Você está maluco mesmo. Você me trancafiou naquele porão, me bateu, me estuprou, sempre me tratou mal, acha mesmo que não sei o que ela passou? Mas sabe a diferença, Gaara, eu jamais vou deixar você fazer tudo isso enquanto eu aceito de bom grado. Ela apanhava porque gostava, porque poderia ter enfrentado seu pai, poderia ter feito alguma coisa digna pra cuidar de vocês, poderia ter sido alguém e não um mero fantoche.

Ele soltava fogo pelas ventas, aquele era o maior e mais forte sentimento de ódio que já havia lhe apossado o coração, nem pelo seu pai sentiu tamanho ódio, porque ele jamais falou mal de sua mãe, pelo contrário, ele sabia que era muito ruim pra ela, mas não se arrependia do que fazia e continuava a intimidando, por isso ela enfrentara tanta coisa.

—Jamais ouse manchar o nome da minha mãe, porque nenhuma mulher será como ela foi.

—Nisso você tem razão. Mulheres submissas como Hinata não agüentam uma sova e um estupro sem se quebrar, e mulheres que suportam como eu, não se calam diante de tamanha crueldade. Sua mãe era uma peça única, gostava do que sofria, e quer saber de uma coisa, a sua santa mãe, morreu pelo motivo certo, porque ela traiu o seu pai.

—Mentirosa, como ousa a...

—Não é mentira, eu achei o diário dela, ela conta que tem um caso com aquele homem que você disse estar com ela quando seu pai os pegou no sótão.

Ele olhou pra ela incrédulo, com o ódio quase lhe explodindo.

—Minha mãe jamais faria uma coisa dessas, porque ela...

—Bem vindo à realidade Gaara, eu não sou a única vadia que habitou essa casa.

Ele não pensou, só sentiu a mão acertar o rosto dela em cheio, em um tapa estralado e ardido que a jogou no chão.

—Não ouse comparar você a minha mãe nunca mais, sua vadia... Você é uma vadia.

—Seu cretino. –ela disse com o rosto ardendo e os olhos em brasa de fúria, com a boca sangrando abundantemente. –Seu cretino. –ela repetiu, cuspindo as palavras. –Você é um imbecil. E eu não vou parar, nunca mais vou baixar a cabeça pra você. Ela era sim uma vadia, por isso seu pai maltratava tanto ela, batia nela por o trair na casa dele, por... –ela foi calada por outro tapa, e depois suspensa pelo braço, que ele apertava quase o quebrando.

—Você vai pagar por tudo isso Ino, eu juro que vai. –ele acertou outro tapa nela, que sentia um mal estar enorme, estava zonza pelos tapas, cega de ódio, destruída pelo amor que se findava, e preocupada pelo seu filho.

—O que está fazendo? –indagou Kankuro se metendo com Temari, ao ouvir os gritos e os sons.

Os dois irmãos tentaram tirar a loira das mãos de Gaara, mas ele jogou ela pra trás e os parou.

—Isso é assunto meu. –ele bradou.

Kankuro e Temari deram um passo pra trás, os olhos dele estavam escuros, como se uma mancha de sangue abundante se apossasse deles.

Ino olhou pra Gaara e só pensava em sair dali, não ficaria perto dele nem por um segundo a mais, e tinha que livrar seu filho daquilo a qualquer custo.

—Pare com Isso Gaara, não faça algo de que vai se arrepender. –disse Temari implorando.

—Não vou parar com nada, e saiam daqui agora.

—Gaara, você...

—Cala a boca Kankuro, se não eu te mato agora mesmo. Eu mandei vocês saírem. –ele gritou tão alto, que a voz dele pareceu tremer todas as paredes.

O moreno encarou a loira, eles não sabiam o que fazer, não iriam deixar ele continuar, mas não podiam se meter de maneira errada, Gaara iria destroçá-los se quisesse e sobraria pra Ino também.

—Pode me bater o quanto quiser Gaara, pode me matar, meu sangue não vai lavar a sua honra e nem a da sua mãe.

Ele olhou pra ela, queria avançar nela, queria matá-la e o faria, só precisava por a mão em uma espada, e por sorte a sua não estava por perto, seria mais por providencia divina mesmo que ela não estava ali, mas quando ele foi pra cima dela, os dois irmãos seguraram seus braços e ao olhar pra ela ele sentiu um mal súbito que o fez cair sentado pra trás, a cólera era tamanha que ele se sentiu mal.

Kankuro e Temari foram ver o que ele tinha, mas ele não deixou os afastou, e conseguiu se erguer, a cabeça doía tanto, mas tanto, que ele não conseguia ver nada direito, apenas foi até Ino e a encarou de perto.

—Eu jurei que você vai pagar e assim vai ser. Mas vai acontecer do jeito certo. –ele pegou ela pelo braço, ela tentou resistir, mas era inútil, a força dele era completamente desproporcional a dela e foi arrastada até o porão, ele a jogou lá dentro, e se ela não tivesse se segurado, iria ter rolado os degraus que ali tinha.

Ele deu as costas pra ela e ela se sentou nas escadas, e começou a chorar, ela tinha que sair dali, tinha que ir pra longe, e faria isso, de uma forma ou de outra, mas nunca mais iria olhar pra ele e jamais o perdoaria pelo o que fez.

Notas finais
vou apenas deixar a palavra com vcs... ainda ñ sei q dia vou conseguir postar, mas até quarta tem novo cap. e a fic começa a entrar na reta final... bjose até o proximo...