Imperador de Areia

16 Capítulo 16 - Dor


Notas iniciais
sem comentários iniciais... boa leitura...

—Agora é tarde.

Essa foi a última coisa que ele disse antes de tomar o corpo de Ino nas mãos, e nos modos que ele queria. Ela sentia medo, sentia repulsa, e as lágrimas lhe corriam pelo rosto, mas ele não ligava pra nada disso.

Ino usava um vestido roxo, de alças finas, na altura dos joelhos e seus tamancos brancos já tinham ficado pelo chão. Gaara estava sobre ela, e baixou as alças de seu vestido, com uma mão, e ele tinha força e habilidade suficientes pra que com apenas a outra segurasse as mãos dela sobre sua cabeça.

Estava sentado sobre ela, com as pernas nas laterais de seu quadril e lhe mordia e experimentava a pele de seu pescoço, sua orelha, e agora apertava seus seios com uma das mãos, e apertava tão forte que ela sentia dor.

Ino queria gritar, queria resistir, mas não podia, ela estava com muita dor, na alma, e não podia dizer nada, fora ensinada que aquilo poderia acontecer, que em algum momento aconteceria, ela só não achou que iria ser verdade.

Gaaara havia sido tão gentil em seu primeiro beijo, havia gostado tanto que ele a tocasse, chegara ate deseja-lo, nunca pensou que a primeira vez que estivesse na cama com ele seria daquele jeito, e isso lhe doía mais que a dor física naquele momento.

Ele estava tomado pelo ódio e pelo desejo de poder, estava completamente fora de si, só queria provar pra ela que a teria como e quando quisesse, e queria saber se ela não mentira, se ainda era virgem, porque a ideia de ser traído lhe era repugnante e inadmissível.

O imperador soltou as mãos dela, e viu ela chorar, mais isso não o abalou, ficou esperando por ela o empurrar, mas ela não o fez, apenas fechou os olhos e se agarrou a cama, controlando a ânsia de se rebelar.

Ele ficou em duvida, não esperava que a garota teimosa e birrenta simplesmente aceitasse aquela situação, mas não era hora de pensar nisso, suas mãos tinham mesmo era que lhe tomar o corpo e saciar a ânsia de provar cada pedaço de seu corpo.

—Sabia escolha. –ele disse sínico ao ver que ela realmente não faria nada para impedi-lo.

Naquele momento qualquer coisa que ela fizesse para o afastar teria apenas alimentado aquele sentimento desprezível, ele queria que ela pagasse, por isso nem se importou que ela mantivesse os olhos fechados, tomou seus lábios com fúria, os mordendo e invadindo sem qualquer tipo de sentimento a não ser o desejo insano e primitivo.

Ela se agarrou mais forte aos lençóis, aquilo doía de mais, de todas as formas, sua boca estava inchada e seus seios provavelmente teriam hematomas depois, mas ele tinha pressa, queria chegar logo ao fim e descobrir o que tinha de descobrir.

Gaara rasgou o vestido dela, abocanhou seus seios e tirou a calcinha dela, depois foi a vez de sua própria camisa, pra em seguida apertar as pernas torneadas e belas que ela tinha em suas mãos firmes. Ele ficava excitado com aquilo, seu ódio, único parceiro que tivera a vida toda, deixava que ele ficasse mais interessado, e foi com esse sentimento que ele mordeu o corpo dela, enquanto tirava sua calça junto da cueca.

Ino viu ele abrir as pernas dela com tanta força que pensou que fosse arrancá-las, com a mesma força ele a penetrou de uma vez, arrancando um urro abafado dos lábios dela, que trincava os dentes e aumentava o choro, nunca pensou que pudesse doer tanto.

O som vindo da garganta abafada dela só o deixou mais apressado, queria ouvir de novo ela gritar, preferia que fosse seu nome, que fossem gemidos de prazer, mas desde que soubesse que ela o sentia dentro de si lhe bastava naquele momento.

Ela rezou pra que aquilo acabasse ali, mas descobriu que era só o começo.

Gaara se arremetia forte dentro dela, lhe dilacerando por dentro, fazendo-a ter de conter ainda mais os gritos, enquanto ele aumentava a velocidade e continuava a tomar seu corpo daquela forma bruta.

A vontade de morrer voltou à mente dela, nunca pensou que seria tão humilhada e machucada, de maneiras que nem podia descrever, enquanto ele se sentia mais lascivo em machuca-la, em a ter sob seu domínio, por isso continuava a penetrando de modo bruto e doloroso. Sabia que seu ápice logo chegaria, então voltou a lhe tomar a boca, mordendo seu lábio com tal fúria que o partiu, o gosto metálico só avivou mais a sensação prazer, fazendo que um liquido quente invadisse o interior dela.

Ele jogou o corpo suado e ofegante na cama, ao lado dela, e ficou olhando por teto, enquanto sua respiração não voltava ao normal; ela continuou pregada ao lençol, estava completamente desolada e com dores em partes de seu corpo que ela nem sabia existir.

Olhando para o teto ele começou a perceber sua respiração se desacelerar, passou a língua pelos lábios secos, e voltou a sentir o gosto de sangue, isso lhe deu um arrepio, já não era tão saboroso quanto a alguns segundos. Se sentou, respirou pesadamente, passando as mãos pelos cabelos, sua cabeça estava doendo tão intensamente que mal conseguia enxergar, era sempre difícil conter os estragos que aquele quantidade de ódio correndo pelo corpo causava

Quando a vista se firmou, olhou pro lado, observando a mulher ao seu lado por completo. Ino não chorava mais, seu rosto ainda estava repleto de tristeza e dor, haviam marcas vermelhas pelo corpo dela, algumas começando a se arroxear, então o sangue dela manchando o lençol, em uma quantidade maior do que deveria, o fazendo se dar conta de como a machucara.

Ino olhava pro nada, seus olhos incrivelmente opacos nem piscavam, suas unhas cravadas na cama não maneiravam a pressão, e ela sabia que ele a observava, se sentiu envergonhada, ele tomara seu corpo, mas mesmo assim ela se sentia exposta de mais, então aliviou as mãos e puxou um outro lençol na cama desarrumada, cobrindo o corpo e se virando de costas pra ele.

Gaara se dava conta do que acabara de fazer, e isso o atingiu de uma maneira que nada nunca o atingira, ele havia jurado ser diferente, sempre quis se afastar da pessoa que lhe causou um mal sem fim, no entanto tudo o que fazia, todas as decisões que tomava, só o aproximava cada vez mais de ser exatamente como ele. Cada vez mais se via como um monstro, um homem de areia, e se perguntou de que valia viver se só fazia as pessoas sofrerem.

Por anos ele vira seu pai abusar de sua mãe de todas as formas possíveis, sempre com a maior crueldade possível, e acabara de impor a Ino o ato mais selvagem e depressível que podia pensar, simplesmente porque deixou seu ódio o dominar por causa de um ciúme que nem devia existir. Ela havia implorado, havia jurado e ele não atendeu ela, ele não sabia controlar sua fúria e agora nada poderia fazer pra mudar aquilo.

Ficou observando a mulher ao seu lado, a mesma que ariscara a própria vida pra ajudá-lo a fazer sua obrigação de cuidar daquele povo, a mulher que ficou do seu lado e foi capaz de mentir por ele enquanto delirava de febre, era a mesma mulher que queria dar o próprio sangue afim de mantê-lo vivo, a mulher que ele batera, humilhara, trancafiara e rejeitara inúmeras vezes, sem que saísse de perto dele, sem que o julgasse e no fim ela ainda fora capaz de amá-lo.

Que tipo de monstro esqueceria tudo aquilo e faria mal a pessoa que mais te faz bem? Que tipo de ser desprezível usava um ato para gerar bons frutos como punição?

Ino voltava a chorar baixinho, não conseguia se conformar com aquela atitude, mas de repente se sentiu tão fraca, tão indefesa, não sabia como se livrar daquela situação, estava destinada a ser um objeto na mão dele, refem de um ser tomado pela raiva e amargura.

—Ino... –ele não conseguia controlar sua voz seca.

Ela respirou fundo, contendo o choro.

—Eu lhe disse a verdade. –ela disse de vagar.

Por um segundo ele quis que sua espada estivesse ali, queria poder acabar com a própria vida, mas era covarde, era capaz de destruir a vida de todos a sua volta, mais era incapaz de se punir como deveria.

—Eu sei... –se dava conta de que não havia nada que ele pudesse lhe dizer agora.

Ela esperou que ele disse mais alguma coisa, mas ele não disse. Nada mudaria o que acontecera, ainda assim esperava que ele reconhece que aquilo foi errado.

—Eu vou tomar um banho e me preparar para a festa. –ela disse se levantando da cama, sem olhar pra ele.

—Não precisa ir. –ele disse por fim.

—Prefiro que a gente vá, assim aprendo a fazer o papel de boa esposa e boa atriz.

Ela se fechou no banheiro, o ruivo pode ver melhor a cama, havia sangue de mais, aquilo era a prova que ele buscara, mais também era a prova de quão monstruoso ele podia ser.

À noite, os dois estavam arrumados pra festa. Ela acabara pondo uma camisa de gola de padre, tapando os vestígios da boca dele em seu pescoço, e uma calça justa preta, com botas de mesma cor, a noite fazia frio mesmo, pois a areia perdia totalmente seu calor.

Nenhum dos dois conseguiu se divertir, ainda assim passaram a imagem de que tudo estava bem. Por nem um segundo ela foi mal educada ou desatenciosa com as outras mulheres, conseguiu sorrir vez ou outra, e por isso se passara como a mulher bondosa de sempre, enquanto Gaara estava calado, distante, observando as coisas, o que ninguém estranhou também.

Depois do belo teatro, eles voltaram pra casa, os dois foram para o quarto, mas ela ficou olhando pra cama, suas mãos tremiam, mesmo que os lençóis estivessem limpos e tudo estivesse arrumado, não conseguia se deitar naquele lugar, as lembranças daquela tarde eram terríveis e seu corpo estava imóvel.

—Vou mandar arrumar o quarto ao lado pra você. –ele disse depois de observá-la da porta do quarto.

—Eu... Eu...

—Não precisa passar a noite ao meu lado. –ele disse simplesmente.

Ela não disse nada, apenas ficou olhando ele sair pelo corredor, então foi se trocar, colocando uma camisola bege com o busto de renda.

Como sempre ele achou ela perfeita ao por os olhos nela, era deliciosamente linda, mas desta vez não havia desejo, apenas remórcio, seu corpo estava todo marcado, e seu olhar era dolorido.

—Pode ir se deitar. –ele disse apontando o quarto ao lado do dele.

ela apenas fez um aceno com a cabeça e começou a sair do quarto

—O que aconteceu hoje...

—Já devia ter acontecido, eu já entendi. –era a primeira vez que ela tinha a voz amarga.

—Não é isso, é que...

—Só queria saber por que teve ciúme se me odeia tanto.

—Acredita mesmo que eu a odeio?

—Porque outro motivo me trataria assim?

Ele soltou a mão dela e não disse nada, ela percebeu que a conversa já se encerrara e então saiu do quarto, deixando ele sozinho e sem saber como respondê-la.

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Algumas semanas se passaram e o casal se evitava de todas as maneiras, não haviam trocado mais nenhuma palavra desde o ocorrido, e o pior de tudo, não conseguiam esquecer ou perdoar.

Mas naquele dia não tiveram escolha, Gaara recebera uma carta o convocando pra uma nova batalha.

—Vou ter de sair de viagem.

—Quando vai partir.

—Em dois dias.

—Acha que demora a voltar?

—Não sei. Provavelmente a guerra não vai estar complicada, é só pra invadirem mais território de uma vez, mas na volta vou aproveitar pra resolver algumas pendências em outra cidade.

—Que seja. –ela deu as costas e saiu, o deixando arrasado.

“Dois dias... Será que consigo trazê-la de volta em dois dias? Não posso correr o risco de não voltar deixando ela assim.”

Ele pensava em uma maneira de reconquistar a bondade e o brilho dos olhos dela, e uma maneira de conseguir chegar perto de fazer ela lhe perdoar, mais nem uma coisa e nem outra seria fácil.

Ele foi pros estábulos e encontrou Shikamaru dando uma olhada no cavalo de Ino, ele tinha com um semblante sério ao observar o animal, e quando notou a presença do imperador, o encarou de forma fria.

—O que houve? –indagou o ruivo fingindo não perceber a repulsa do outro.

—Não sei... Parece que ela está diferente. –disse Shikamaru acariciando a égua.

Gaara ficou olhando pra Laica, a égua branca era um belo animal e uma das únicas fêmeas do estábulo, tirando ela, havia apenas mais duas fêmeas, afim de evitar alvoroço na época do cio, e depois de analisar bem Gaara indagou:

—Ela tem comido mais?

—Tem sim, está mais acabrunhada, hoje de manhã quis me afastar. Ela é meio difícil de se lidar, mas nunca me afastou.

—Ela não afastaria ninguém se estivesse no cio.

—Isso que é engraçado, no cio ela só aceita maçãs, relincha muito e essas coisas, mas faz um bom tempo que isso não ocorre, será que ela está com problemas?

—Uma fêmea grávida é sempre um problema. –disse Gaara torcendo o nariz.

—Impossível isso ter acontecido, eu sempre a afasto dos outros e nun...

—Ela e Sheiky fugiram na nossa ida a vila de comércio, tiveram um bom tempo a sós. Vou buscar o Sheiky, tire ela da baia, vamos ver como reage. -Gaara o interrompeu.

O Nara obedeceu e Gaara buscou seu animal, o trazendo pra perto da égua, mas essa não permitiu aproximação, quis sair em disparada e Shikamaru teve dificuldades pra controlá-la, ela queria afastar o animal de perto dela e ele acabou ficando nervoso também.

Gaara segurou firme o seu cavalo e conseguiu o afastar, o prendendo de novo, enquanto Laica ainda quis dar trabalho, mas o ruivo e o moreno conseguiram controlá-la.

—É muito provável que ela esteja mesmo com uma cria, não é bom deixá-la no meio dos outros, ela vai ficar cada vez mais arredia.

—Vou levá-la pro galpão, lá vou poder dar mais feno e acompanhar de perto os próximos sintomas. -planejou Shikamaru.

Gaara fez que sim com a cabeça e observou com cuidado a égua ser levada. Laica e Sheiky teriam um filhote, isso era excelente do ponto de vista prático, mas era péssimo pra consciência de Gaara. Os dois animais eram ótimos, com certeza a cria seria perfeita, poderia até render muita coisa, prêmios, dinheiro e um animal excelente de guerra, mas se Laica ficara grávida naquele dia, com um macho que realmente tinha tudo pra ser escolhido, Ino também poderia estar depois dele a ter feito sua.

A ideia de um filho nascido de ato mais odioso que ele já cometera lhe embrulhava o estomago, e as palavras de Temari alguns meses antes, naquele mesmo estábulo, ecoaram na sua mente, ele havia se tornado seu pior pesadelo e sabia como acabava aquela história.

Notas finais
tenso, foi nisso q pensei quando escrevi esse cap., agora vou esperar os comentários e deixar vcs pensarem no assunto... bjos e até o próximo...