Imperador de Areia

17 Capítulo 17 - Um amigo


Notas iniciais
desculpem a demora, como eu disse na resposta de alguns reviwes hj, meu pc deu pau, queimou o carregador (é um noot viu...) e ñ deu pra eu postar nd esse fds... então um cap. delicioso pra vcs, espero q gostem... boa leitura...

A loira estava deitada na cama, uma camisola vermelha e leve não deixava nada a desejar naquele belo corpo, já não marcado pelo ato desesperado dele, então ele se aproximou de vagar e acariciou os cabelos dela, sentindo o delicioso perfume deles.

Nunca pensou que seria capaz daquele gesto, mas nunca pensou que seria capaz de tomar uma mulher a força, por isso atos impensados e inimagináveis tinham de se realizar pra se compensarem.

Ela acordou preguiçosamente e sorriu por sentir o carinho tão familiar, seu pai inúmeras vezes lhe acordara daquela forma, mas ao abrir os olhos, a pessoa que lhe encarava era bem diferente, ele estava mesmo sendo carinhoso com ela?

Não, aquilo não seria suficiente pra curar sua alma tão atormentada e machucada, mas era algo que a deixava melhor, afinal, ele estava tentando se redimir, sem admitir, é claro, mas já era um excelente começo.

—Bom dia. –ele disse meio desconfortável, não sabia como fazer aquilo.

—Bom dia.

—Toma café comigo? –ele fez uma pergunta, mas pra ela soou mais como uma ordem, assim como tudo o que ele dizia a ela.

—Pode ser. –ela disse depois de pensar um pouco.

—No meu quarto? –ela ficou receosa, olhar aquela cama a deixava muito abalada, mas depois de tanto tempo e vendo ele se esforçando pra se aproximar poderia valer à pena.

—Está bem.

—Ótimo, vou te esperar lá. –ele ainda deslizou as mãos pelos longos fios dourados e perfumados algumas vezes, e acabou saindo deixando-a sozinha.

Ino se olhou e se perguntou o que havia mordido o ruivo que o transformara da noite pro dia, mas então se deu conta de que era sempre assim, primeiro se odiavam, depois se amavam, era sempre uma oscilação e com certeza era por conta dos conflitos dele.

Pensou em até quando as coisas seriam daquela forma, e como sempre não tinha resposta, assim resolveu dar mais uma chance a ele, ele não poderia mais causar mal pior do que já tinha causado, e depois, iria pra guerra de novo, só Deus pra dizer se ele voltaria ou não, e nem mesmo no seu momento de mais profundo ódio Ino desejava sua morte.

Ela penteou os cabelos, escovou os dentes e deixou pra se vestir depois, foi pro quarto dele e viu a mesa posta pro café, observando ele colocar uma rosa em um castiçal no centro da mesa.

Os dois se olharam e então se sentaram, sem nada pra dizer, e comeram também em silêncio, até que ele resolveu dar a noticia de Laica.

—Ino, tenho uma noticia pra te dar...

—O que é? –ela indagou aflita imaginando mil coisas.

—Se lembra da nossa visita ao mercado?

—Claro que sim, Sheiky e Laica aprontaram bonito.

—É sobre eles mesmo que quero falar. Acho que os dois aprontaram bem mais do que poderíamos imaginar...

—Como assim?

—Eu e Shikamaru andamos dando uma analisada na sua égua e acredito que ela esteja prenha.

—Mais o Shika cuidou dela sempre, a manteve afastada... -ela não entendia e em meio a confusão, não se deu conta de como chamara seu amigo.

Ouvir ela chamar o moreno pelo diminutivo de seu nome, como só ouvira de sua irmã, há muito tempo, cortou seu coração, arrepiou sua alma, e fez sua cabeça latejar ainda mais que de costume, não suportava aquilo, não suportava ver que ele sempre seria o homem que Ino iria querer, calmo, tranquilo, gentil e atencioso com tudo.

Ela observou a expressão dele se fechar, se dando conta do que havia dito, ficou receosa, se encolheu, esperava que ele a pegasse de forma rude pelo braço, gritasse e a chacoalhasse, mas não viu nada disso quando ele voltou a falar.

—Ele me disse, só que é provável que tenha ocorrido naquele dia.

Gaara fizera uma força sobre humana pra engolir o ódio e a ideia insana de tomá-la com força e a fazer se arrepender do dia que nasceu, pra que nunca mais repetisse aquilo. Nunca havia tentado refrear aquelas sensações e desejos, foi a primeira vez que ele controlou o seu instinto assassino, não era fácil, mas de repente se tornou possível.

—Então ela e Sheiky...

—É vão ter um filhote.

Ela queria saber o que exatamente aquilo significava, queria pensar se ficava feliz, mas não conseguiu, sua mente fora invadida por entender porque ele estava se controlando, porque não dissera nada sobre o Nara e como ela fora capaz de o perdoar tão facilmente, porque não sentia mais ódio e nem magoa por ele.

—Com certeza a cria será um belo animal, teremos que ver como faremos, porque ela é minha e sua... –ele continuou, não queria ficar em silêncio, não queria pensar nela e em Shikamaru, não queria dar vazão a sua raiva que queria o dominar, então precisava levar o assunto a diante.

—Bom, a cria não vai a lugar nenhum, pode ser o próximo cavalo do imperador, oras. Sheiky não vai ser eterno.

—Não sei se um animal desse porte deveria ser apenas treinado pra guerra...

—Se for tão difícil de se domar como os pais, vai ser um excelente animal, e vai ser útil só pra isso.

—Acho que você tem razão.

Ela piscou várias vezes e ficou de boca aberta, até recobrar a lógica de seus pensamentos.

—Disse que estou certa de uma decisão que estamos tomando juntos?

—Não sei por que esse espanto todo, você é minha esposa, não? –ele disse encarando bem fundo os olhos dela.

Ela ficou calada por um bom tempo, não recusou o olhar dele, mas não entendia nada, estava cansada daqueles altos e baixos.

—Porque me trata assim Gaara? Porque primeiro me odeia, depois é gentil? Eu não entendo. Você não me deixa te odiar, mas também não me deixa te amar.

Ele baixou o olhar, se ele tivesse a resposta pra aquilo, evitaria todos os problemas da sua vida.

—Eu não entendo você, juro que queria, mas não te entendo. -ela sentia uma angustia crescente dentro de si, era tão difícil ter aquele conflito dentro de si.

—É melhor pararmos por aqui. -ele se ergueu da mesa.

—Você sempre foge de conversar comigo, nunca me deixa saber nada sobre você, qual é o problema, tem medo de mim? -ela também ficou de pé o encarando

—Tenho. –ele disse imediatamente, encarando ela de novo. –Meu Deus, como eu tenho. Nunca quis admitir que eu era capaz de sentir algo diferente de ódio, mas Deus sabe como tenho sentido medo, medo de você, de mim perto de você, do que eu sou ou não sou. Você veio pra minha casa, entrou na minha vida e desde então fez uma bagunça em tudo. Eu não respondo essas perguntas por que não sei quais são as respostas.

Ela o encarou atônita, nunca o vira parecer tão exposto e por mais que sua voz e seus modos ainda fossem controlados como sempre, pelo hábito de querer parecer frio e intocável, ela podia ver como os olhos dele estavam mais nebulosos e ainda mais cheios de mistérios, mais isso não deixava de demonstrar a luz da verdade daquelas palavras

—Não queria te ver assim por mim.

—Agora é tarde. Você queria uma resposta antes de levantar daquela cama, e a resposta é que eu senti ciúmes, assim como senti agora, pelo simples fato de não conseguir te odiar, por mais que eu tente.

Ele estava completamente abalado, já não se sentia assim, fraco, impotente, há muito tempo, tinha se tornado dono de si, das respostas e de suas vontades, no entanto, já não tinha certeza de nada, já não sabia como lidar com aquilo, então precisava de um tempo. Pegou uma roupa sobre a cama passou a se vestir.

—Não, espere, não fuja mais de falar comigo.

—Eu não fujo, você já deveria saber disso, mas preciso pensar um pouco. –ele disse colocando uma camiseta.

—Gaara...

—Por favor, Ino, tudo isso já foi longe de mais, não espere mais de mim por hora.

Ele trocou a calça e saiu calçando os sapatos, estava atordoado e precisava por a cabeça no lugar, sabia que sozinho não conseguiria, com ela seria ainda mais impossível, pensou na irmã, mas essa com certeza estava com raiva dele também, além dela sempre retornar ao passado. Precisava falar com alguém que o conhece o suficiente pra entendê-lo, mas que não aliviaria pro seu lado só porque estava se sentindo perdido, logo só lhe restou uma opção.

—Imperador, o que faz aqui? –indagou Shikamaru abrindo a porta da sua casa depois das batidas insistentes.

—Podemos conversar?

O Nara ficou intrigado, o que Gaara estava fazendo ali e querendo conversar? Mas apenas o mandou entrar, se estava ali, a coisa era muito séria.

—O que quer conversar?

—Sobre sua doce amiga. –ele disse meio sínico.

—Ino...

—Exatamente.

—O que foi que aconteceu?

—O pior! Aconteceu o pior. Eu destruí o resto de vida e dignidade que ela tinha, e não sei como lidar com isso. -ele tinha amargura transbordando da voz.

—Eu não estou entendendo nada Gaara, fala com calma.

—Se lembra do motivo pelo qual matei meu pai?

—Quem poderia saber e esquecer?

—Pois bem, acho que acabarei morto nas mãos de meu filho.

—Você não... –Shikamaru se ergueu com raiva.

—Adoraria dizer que não, mas eu fiz.

—Seu idiota, como pôde? –Shikamaru simplesmente se esquecera que aquele ali era seu imperador e senhor, estava fulo da vida.

—Não sei. Quando dei por mim tinha feito. Fui tomado pelo ódio naquele dia do estábulo e ela não moveu nenhum dedo, nada. Ficou inerte e chorou em silêncio.

—Você deveria morrer Gaara, deveria sim pagar pelo o que fez.

—Acha que não estou pagando? Minha cabeça vai explodir Shikamaru, o remórcio está me consumindo. Cada vez que olho pra ela queria ter coragem de por fim a minha vida.

—Ela é a garota mais doce, ingênua e bondosa que já existiu sobre a terra, foi capaz de aprender a amar um cretino como você, e é assim que a trata? -Shikamaru tinha perdido toda a calma.

—Acha que estou feliz com tudo isso? –ele agora se exaltou também. –Eu odeio olhar pra ela e saber que fiz um mal tão grande aquela alma, estou me sentindo um lixo, por isso estou aqui, não sei o que há comigo. Não quero ser esse mostro, mas não sei como arrancá-lo de mim, não quero amá-la, mas não sei como não me apaixonar por ela. Que droga, eu só não devia ter sentimentos e pronto, mais de uma hora pra outra parece que sinto todos os sentimentos do mundo e mais um pouco! –ele gritou.

Shikamaru percebeu como ele estava perturbado, como estava se sentindo mal, confuso, e arrependido, se lembrou da bondade dele como imperador, do menino travesso que fora antes de tudo acontecer, e sabia que Gaara tinha alma, coração, e consciência, só que haviam sido soterrados depois da tempestade de sua vida.

O Nara se sentou ao lado do amigo, e respirou fundo, depois disse:

—Tenho uma surpresa pra você Gaara, você a ama.

—Como posso amá-la e fazer ela sofrer? Não posso amar ninguém.

—Você pode sim, e não tem como evitar, essas coisas simplesmente acontecem. Ela não teve medo de você, ao mesmo tempo em que não te odiou, ela simplesmente tenta entender você, e é a única que pode. Ino não sabe nada sobre o que você passou, mas consegue ver além da máscara de areia que você criou, e sabe o que isso fez? Fez você encarar ela e ver ela como a mulher linda e especial que ela é.

—Ver você falar assim dela me deixa possesso de raiva e fúria.

—Eu amo aquela menina Gaara, porque eu a vejo como uma irmã que não tive. Quando coloquei os olhos nela, soube que ela era uma alma especial, e não consegui não gostar dela, ninguém consegue, mas não a amo como homem a uma mulher, pelo simples fato de meu coração tem uma dona única, e tudo o que você diz sentir pela Ino, todos os sentimentos e confusões, eu também senti e sinto pela sua irmã, a diferença é que eu jamais poderei ter Temari, enquanto Ino será sempre sua esposa. O ciúme é normal, temos medo de perder aquilo que amamos, e temos a estranha mania de fazer essas mesmas pessoas que amamos sofrerem, pelo simples fato de sermos seres humanos.

—Por anos pensei que eu não fosse humano, acreditei fielmente nisso, mas agora me sinto muito frágil, vulnerável, e estou sem saber o que fazer.

—Por não querer ser humano, você acabou se apegando a seu único exemplo de sobre humano, seu pai, por isso se torna cada vez mais o que ele foi, mas você tem a chance de mudar, tem a chance de provar que ele estava errado e fazer tudo diferente. Olha que grande ironia do destino, você está se afastando do que ele era e do que ele fez através de uma escolha dele, de casá-lo com ela.

—Acha que já não pensei nisso? Ele deve estar dobrando de rir, aonde quer que ele esteja, rindo de mim, de controlar minha vida mesmo longe, e o pior é que o desgraçado conseguiu o que sempre quis, não nos deixar livres dele.

—Nisso você tem toda razão, ele conseguiu cumprir a promessa de permanecer pra sempre na vida de vocês.

—Na nossa, você quer dizer. Pensa que não sei que você abandonou minha irmã no dia da fuga porque ele te ameaçou com os sonhos dela destruídos e ela morta?

—Como... Como você... Ele... Nunca disse...

—Ele me confessou enquanto eu enterrava ainda mais a espada no peito dele, e depois, seria a única forma de você ter abandonado Temari, só não entendo porque ainda está longe dela.

—Por mais que seu pai esteja enterrado, as palavras dele ainda tem vida dentro de mim. Mas vamos deixar minhas relações de lado. O que vai fazer em relação a Ino?

—Quero conseguir o perdão dela, por mais que não mereça, e estou com medo do que o meu ato possa gerar.

—Acha que pode nascer mais um filho do ódio?

—Não sei, mas rezo pra que se Deus existe, ele não permita que isso aconteça.

—É engraçado ver você rezar, nunca imaginei te ver assim.

—Eu também não, mas é bom acreditar que vamos ter um amparo depois da morte, mesmo sabendo que meu lugar é no inferno.

—Você está arrependido e se começar a fazer as escolhas certas, quem sabe isso não muda?

O ruivo não disse nada, apenas pensou se poderia mesmo ser uma pessoa melhor.

—Vá pra casa agora Gaara, se desculpe com a Ino e espere, tenho certeza que ela será capaz de lhe entender, mesmo que demore um pouco.

—Espero que você esteja certo. –disse Gaara suspirando.

—Acredite, sei que estou. Ajudaria mais se contasse tudo a ela, mas se ainda não estiver pronto, só peça desculpas.

—Vou me lembrar.

—E Gaara, não há nada de errado em amar alguém, você sabe disso, porque seu amor por sua mãe nunca fez mal.

O Sabaku mais uma vez encarou o Nara em silêncio e depois se levantou, se encaminhando pra porta.

—Seja lá o que meu pai tenha dito, ele estava errado, ninguém no mundo faria minha irmã mais feliz do que você já a fez.

—Os tempos são outros e depois, não somos amigos porque você é imperador, como poderia ter alguma pretensão de me juntar a princesa de Suna?

—Deixamos de ser amigos porque deixei de ser homem e me tornei, como dizem por ai, o imperador de areia, e minha irmã jamais se sentiu princesa de Suna.

Sem esperar a resposta do outro ele saiu da casa do moreno e foi caminhando de vagar pela cidade, pensando no que diria a Ino, enquanto o outro ficou pensativo, será que Gaara tinha alguma razão? Ele preferiu não se dar esperanças, a dor de a ter perto, mas tão longe com certeza era menor que não a ter de forma alguma.

Notas finais
bem, é isso ai, eu espero q vcs tenham gostado, q ñ me matem pela demora e q continuem comentando... até o proximo... ps. eu escrevi uma OnoShot de NaruxHina, é a minha primeira one, então se puderem dar uma força e a opnião de vcs eu agradeceria mto... se chama superando a dor, basta dar uma passada no meu perfil... bjos