Imperador de Areia

8 Capítulo 8 - Perdoar


Notas iniciais
esse capitulo promete deixar mta gente sem ar... boa leitura...

Gaara cumpriu todas as suas obrigações, fez as vistorias no exército e tudo estava arrumado, programado e pronto, assim ele tomou uma decisão, iria adiantar a sua partida em apoio ao país vizinho.

—Mas senhor, e seu lua de mel?

—Da minha casa cuido eu. –respondeu Gaara ao seu estilo mais grosseiro ao general.

—Está bem, avisarei as tropas.

—Ótimo. –o ruivo deu as costas e se afastava do armazém, mas ainda pode ouvir os comentários.

—Com aquela beldade tão novinha ele deve estar é cansado da lua de mel, não está mais dando no coro. –o general ria.

Gaara que já estava com o sangue fervendo nas veias pelo o ocorrido da manhã com a esposa, ficou ainda mais irritado, ainda mais enfurecido e estava louco pra matar alguém, assim aliviaria a sua frustração, quanto mais raiva, mais sua sede de sangue e de guerra.

Ele passou a mão pela espada em sua cintura e respirou fundo, não podia matar um de seus homens ao seu bel prazer, mesmo que quisesse muito, por isso apressou os passos e foi pra casa, precisava de um banho geladíssimo.

O ruivo começou a subir as escadas, mas foi interrompido por sua empregada.

—Senhor Sabaku?

—O que é Lira?

—Senhor, me desculpe me meter, mas a senhora Sabaku está bem?

—Deve estar, eu a deixei pela manhã e já está na hora do jantar, não a vi o dia todo, porque pergunta?

—Ela ficou trancada no quarto o dia todo, tentei falar com ela, mas ela não abriu a porta e nem respondeu quando eu chamei, e como vocês... bem discutiram de manhã... Não sei, talvez tenha acontecido alguma coisa...

—Eu não a matei se é o que está pensando.

—De forma alguma pensei nisso senhor, e nem queria me meter, mas me preocupei, ela sempre anda pela casa, nós diz o que preparar pras refeições, no entanto hoje ela não apareceu pra nada, então me perdoe se me intrometo.

—Está tudo bem Lira, vou dar uma olhada nela.

Gaara terminou de subir as escadas e entrou no quarto, a porta não estava trancada, mas entendeu que pra Lira era como se estivesse, ela nunca iria invadir o local sem permissão.

Ino estava sentada na cama, seu rosto ainda marcado pelo sangue que lhe correu da boca ao pescoço, e as lágrimas secas sob seus olhos deixavam a cena bem pior, seu corpo parecia só um involucro vazio.

Ela não se moveu, não disse nada, continuou calada, olhando pro nada enquanto seus dedos mexiam uma ampola vermelha com detalhes dourados, fazendo o líquido dentro mexer.

Gaara conhecia aquela ampola, sabia o que tinha dentro do vidro e seu coração falhou uma batida, ela não iria mesmo tomar aquilo, iria? Ele olhou pra ela, viu seus olhos iluminados pela mesma raiva, porém pareciam mortos e soterrados por aquele ódio, se sentiu culpado, destruído e muito irritado consigo mesmo, jamais queria causar a ela aquele sentimento, não queria que ela descobrisse a amargura do ódio, isso não combinava com ela, era algo que ele deveria carregar sozinho.

Ele se aproximou da cama e pegou o vidrinho das mãos dela, sem que ela dissesse nada, apenas parou os movimentos dos dedos, ele olhou o liquido, parecia ser a dose certa, não faltava nada, então ele enfiou a ampola no bolso.

—No que estava pensando? –ele perguntou a ela.

Mas ela não respondeu, continuava vazia, quase como se não possuísse mais alma. Morta ela não estava, então talvez tivesse tomado tão pouco do veneno que acabou tendo uma reação, mas quando ele segurou o braço dela, ela virou a cara pra ele imediatamente, fuzilando ele com o olhar, mesmo que seu corpo se retraísse pelo toque. Estava ela com medo dele, mesmo não querendo demonstrar?

—No que estava pensando, você não ia tomar isso, não é?

—Eu queria, queria muito o fazer, pensei muito nisso, então me dei conta, você pode transformar minha vida no inferno que for, mas a sua também não está sendo fácil, então porque acabar com seu castigo?

Ela nunca se calava, ela tinha que o afrontar, mas desta vez ele não se deu ao direito nem de ficar nervoso, era o que ele merecia pela crueldade que lhe fizera, e ele sabia que ela tinha razão, que ela também sentia o quanto tudo aquilo mexia com ele, então apenas a suspendeu da cama, sem por muita força, quando ela estava de pé, ele viu a marca roxa escura no braço que ele segurara mais cedo, e foi como um tapa na cara dele, não como sabia que tinha sido o dela, mas lhe atingiu de forma ardente e presente.

—Vá tomar um banho, depois vamos jantar.

—Estou sem fome.

—Se ficar sem comer por mais tempo vai acabar não me dando meu castigo e teria sido melhor tomar o veneno, assim sofreria menos. –ele disse firme, a trazendo até a porta do banheiro.

Ele soltou o braço dela e eles voltaram a se encarar por alguns instantes, depois ela entrou no banheiro e fechou a porta, enquanto ele ia para perto da sacada. Gaara ficou ali um tempo, olhando pro céu, pro horizonte, mas nada lhe acalmava o coração, sentia ele disparado e doendo muito, enquanto sua mente repetia a cena de Ino caída, depois seus rosto com sangue e lágrimas secos.

Tinha presenciado aquilo tantas vezes, tinha se martirizado tantas vezes por não conseguir evitar o sofrimento que sua mãe sempre passara, e agora era ele próprio que cometia um ato tão selvagem e destruidor.

Sem pode mais com aquilo, Gaara saiu do quarto e foi pra um cômodo no fim do corredor, lá tinha uma sala, esta sim ficava trancada, sempre, ele pegou a chave no bolso e abriu, revelando o antigo quarto de sua mãe, sua sala de estar, banheiro e closet. Ele fechou a porta atrás de si e caminhou pelo quarto, se sentou na cama e encarou um porta retrato ao lado da mesa de cabeceira, nele estavam sua mãe, e seus dois irmãos em volta dele e era a última lembrança que afirmava que um dia ele já soubera sorrir.

Ele ficou olhando a foto, observando os semblantes de sua família e não conseguia entender porque acabaram tendo suas vidas destroçadas, chegando até ali.

Pensou em Temari, em como a irmã, mesmo guerreira e gostando de lutar, era infeliz por saber que grande parte das guerras por tratados eram uma grande farsa e maldade, em como ela sofria por um amor impossível e tão dolorido; pensou em Kankuro, estava perdido em algum lugar, pra sempre, sem ter nenhuma noticia, isso se ele não estivesse morto, porque quando foi expulso de casa era um pré-adolescente sem dinheiro que odiava as batalhas; e por fim pensou na mãe, no olhar meigo, porém assustado que ela trazia no rosto, pensava em como ela pudera aguentar calada tudo o que acontecia.

Quanto mais pensava, mas Gaara sentia ódio de seu pai, se é que era possível o odiar ainda mais, ele já tinha toda a cota possível do terrível sentimento, porque odiava a maioria das coisas, e odiava com vontade, com força, entretanto o que mais doía nele era saber que carregava bem mais do que uma certa semelhança física com aquele homem, que destruiu a sua vida, ele começava a parecer cada dias mais com ele na forma de agir, de pensar e de ser.

Com certeza queria não ter aquele legado, queria ser alguém diferente, mas não dava pra ser uma pessoa diferente se assumia a rotina e a vida de seu pai.

O ruivo deixou seu copo cair pesado sobre a cama, o porta retrato de lado e ficou encarando o teto, sentindo uma forte dor invadir seu peito, as lágrimas de Ino lhe faziam sangrar, e ele entendeu que por mais que não pudesse amar Ino, não podia odiá-la e não podia deixar que o ódio e amargura continuassem a viver e a crescer dentro dela.

Por mais que tentasse, seu destino estava traçado, era um Sabaku e pronto, mas não tinha que levar Ino a mesma desgraça, não tinha que deixar ela se transformar, porque ela era a única pessoa boa e honesta de verdade que ele já conhecera, então estava na hora de resgatá-la, e depois, a simples ideia de vê-la morta por sua culpa era inaceitável, e uma culpa que ele não poderia suportar, quando se juntasse as outras que seu coração carregava.

Ele se levantou, respirou fundo e decidiu o que tinha de fazer, colocou o vidro de veneno feito com dedaleira por uma bruxa andarilha muito conhecida sobre a escrivaninha da sala de estar e saiu dali, trancando a porta como sempre.

No quarto, Ino terminava de se pentear, seu rosto estava limpo, com a mesma placidez de sempre, mas sua boca estava marcada e seus olhos iluminados.

Gaara foi até ela e sentiu a língua coçar, não sabia se conseguiria, eram palavras difíceis de mais e ele nem sabia se conseguia pronunciá-las, mas tinha que ter forças, tinha que conseguir, era a única forma de salvá-la da morte.

Ele virou o banco em frente a penteadeira que Ino estava sentada, fazendo ela ficar de frente pra ele, depois encarou os olhos dela e inspirou todo o ar que conseguia, enchendo seu pulmão e sua garganta pra dizer:

—Sei que não resolve nada, mas mesmo assim queria pedir que me desculpasse. –ele disse com um único fôlego, encarando os olhos dela, que se arregalaram.

—O que foi que disse? –ela disse após alguns instantes que ela não conseguiu assimilar o que ele dissera, porque só poderia estar ouvindo mal.

—Você me ouviu bem. Você não sabe quem eu sou, muito menos quem minha mãe foi, não deveria ter lhe castigado por ter tido o único julgamento que dá pra se prever quando se olha pra mim e minha família.

—Está me pedindo desculpas? -ele continuava confusa.

—Eu entendo que você não vai aceitar e que de nada adianta palavras depois de um ato concreto, mas é o que eu posso fazer, já que não posso voltar no tempo, mesmo assim, eu estou pedindo, pelo menos assim você fica sabendo que nunca foi minha intenção fazer o que eu fiz, foi um ato impensado e incontrolável pela raiva do momento.

Ela ficou encarando ele e não soube dizer o que ele pretendia com aquilo, como sempre seu rosto não demonstrava nenhuma expressão, mas sua voz estava mais calma e pareceu menos fria e arrogante.

Ino sabia que tinha passado dos limites ofendendo a mãe dele da qual ela nada sabia, deveria ter deixado a briga só no nome dos dois, e mesmo que ele tivesse passado muito da conta em seu ato, estava ali, lhe pedindo desculpas, de uma forma desajeitada, provavelmente nunca feita antes, então ela o encarou sem entender, porque pedir perdão a ela? Será que era só medo dela tirar a própria vida? E se fosse, porque temeria isso, ele a queria longe, não era?

Como sempre ela tinha várias perguntas sobre o modo misterioso e intrigante de ser e de agir de Gaara, mas não pode continuar a odiá-lo, nenhum monstro séria capaz de pedir perdão, nenhum monstro seria capaz de um gesto como aquele, então Gaara viu o brilho de raiva se apagar dos olhos dela, e eles se tornaram plácidos, calmos e bondosos novamente, o que o deixou mais aliviado.

—Está errado, eu sou capaz de lhe perdoar.

Ele encarou ela sem entender, como ela poderia?

—Eu posso lhe perdoar porque você sabe que errou e se redimi, isso faz de você um verdadeiro imperador, um governante justo, agora consigo entender porque todos o aclamam. –ela continuou após alguns momentos.

—Está bem então... Agora venha, vamos comer, já estão preocupados com você.

Ela viu que ele lhe estendia a mão, e mesmo ainda meio assustada com tudo, ela segurou a mão dele e se levantou, assim os dois desceram para jantar.

Naquela noite nada mais foi dito, ele foi para o banho depois que jantou e ela foi se deitar, estava muito cansada pelo dia tumultuado e estressante.

Na manhã seguinte, Gaara deitado, sem conseguir dormir durante a noite, pensando sobre o dia anterior, pode ver pela janela uma tempestade de areia se formando ao longe, tampando o céu do sol da manhã.

Era uma nuvem de areia enorme, como ele jamais tinha visto em todo os seus anos pelo deserto, e ele ficou assustado. A nuvem se aproximava de pressa, e ele viu que ela era capaz de levantar os cactos espaços pelo caminho.

—Minha nossa! –ele disse dando um pulo da cama.

Ino acordou com o movimento e viu que Gaara se vestia as pressas.

—O que houve?

—Olhe pela janela.

Ela fez isso e se assustou com o céu arenoso e os ventos fortes que começavam a açoitar o Oasis.

—Onde você vai com um tempo desse?

—Tenho que dar um jeito de proteger meu povo, as cabanas vão ser arrastadas e as casas não vão suportar.

—Então o que pretende. –ela indagou começando a se vestir também.

—Há um porão aqui no castelo, vou trazer todos pra cá, é a única edificação capaz de aguentar uma avalanche de areia.

—E os cavalos?

—Eu não sei. –ele disse ficando desesperado.

Ela se calou e acabou de se vestir junto com ele, então os dois correram escada a baixo, encontrando os empregados aflitos.

—Lira, Cardel, arrumem velas, lanternas e juntem com os outros no porão, vou tentar levar todos pra lá.

—Mas será que vai caber?

—Nem se for pra se amontoarem terão de caber, é a única forma de escaparmos vivos dessa tempestade. Eu vou buscar o povo.

—Vou com você.

—É perigoso, prefiro que desça com os empregados.

—Você não vai conseguir reunir todos a tempo.

Ela estava determinada e ele sabendo que ela tinha razão, então apenas deu um sinal afirmativo com a cabeça.

—Gaara, tem aquele sótão no armazém aqui do castelo, vou levar os cavalos pra lá. –disse Shikamaru segurando uma lanterna.

—Tente salvar o máximo deles, mas se a tempestade se aproximar de mais, venha pra cá.

O Nara concordou e correu para fora, enquanto Gaara e Ino iam pelo outro lado, também correndo.

Os dois batiam nas casas e mandavam o povo para o castelo, enquanto alguns soldados se juntavam a eles pra avisarem e reunirem o pessoal, que pegavam algumas coisas mais importantes antes de abandonarem suas casas.

O ruivo estava aflito, iriam perder tudo com certeza, nem fazia ideia do prejuízo que seria, de como iria afetar os lagos e riachos, mas tinha que deixar todos a salvo. Ele encontrou com Temari no meio do caminho, e mandou ela e os demais que ela abrigava dentro de sua casa, irem para o castelo, e assim eles foram.

A areia grossa começava a invadir a cidade, Gaara via a cidade vazia enquanto corria para o palácio, e sentia os ventos fortes baterem contra seu corpo, que tentava resistir.

Ele adentrou a sala de estar de sua casa, ajudou algumas crianças que caiam pelo caminho, e as levou junto com os pais para o porão que estava apeado de gente. A luz ainda conseguia ficar acessa, a tempestade começava a ficar mais forte, e as velas já iam sendo acesas.

—Gaara, apenas algumas baias ficaram cheias, mas a maioria está a salvo, os danos a eles serão mínimos no sótão.

—Foi uma ótima ideia Sahikamaru.

—Melhor foi a sua, aqui estarão todos a salvo.

—Como vai fazer quando a tempestade acabar? -indagou sua irmã que se aproximava.

—Não me faça perguntas difíceis Temari, vamos pensar em sobreviver primeiro.

Eles sentiram o palácio trepidar, com certeza a tempestade já estava sobre eles, varrendo a cidade.

—Por onde vim, a cidade estava vazia. -disse Gaara observando as pessoas a sua volta.

—Parece que estão todos aqui mesmo. –disse Temari concordando com o irmão.

—Espera. –ele disse se sobressaltando. –Onde está a Ino?

Gaara, Temari e Shikamaru olharam em volta e não virão a moça.

—Não, ela não pode estar lá fora. –disse o ruivo nervoso.

—Não, ela deve estar por aqui.

Mas ela não se manifestou e todos olhavam em volta a procura da primeira imperatriz.

—Ino. –gritou Gaara, mas não houve qualquer manifestação, até que uma mãe, que olhava seus filhos parou chocada.

—Kayla... –chamou a mulher olhando os outros quatro filhos. –Kayla, cadê você?

Não houve resposta, Ino e a tal menina estavam perdidas em algum lugar da tempestade que sacolejavam seus corpos e suas almas.

—Eu tenho que encontrá-las.

—Está louco? Se sair daqui agora vai morrer.

—Elas são minhas responsabilidades. –brigava Gaara com a irmã. –Não posso deixar Ino morrer e perder essa menina, ela tem sonhos sabia?

—De nada vai adiantar sair daqui, só vai piorar as coisas. –Shikamaru e Temari seguravam o ruivo.

Ele tentou se livrar dos dois sem sucesso, ouviu os barulhos de vidros e madeiras se quebrando, enquanto seu coração também se partia, não poderia perder Ino agora, não quando fora capaz de lhe pedir perdão para a salvar, não podia perder a garotinha que várias vezes via brincando pelas ruas e dizia que seria uma forte guerreira e aprenderia a ler.

A agonia e o medo se instalou no coração de cada pessoa ali, enquanto Gaara parecia fora de orbita sem conseguir pensar, então ele se sentou, baixou a cabeça e pensou:

“Por favor, meu Deus, se o senhor existe, por favor, proteja elas, por favor, as salve... Não quero que faça nada por mim que não mereço, só quero que as deixe bem, a salvo, por favor, por favor...”

Ele continuou de cabeça baixa e a pedir que elas se livrassem do destino que lhes parecia certo.

Notas finais
mais um, espero q continuem gostando e cometando... até o proximo...