Imperador de Areia
36 Capítulo 36 - Eu te amo
Notas iniciais
—Ino...
A voz dele saiu melodiosa, quente, mais ainda assim firme como um comando, ele era realmente imperativo por natureza, e aquilo a trouxe a consciência de novo.
—O que faz aqui? –ela perguntou dando um passo pra trás.
Com certeza odiava causar medo nela, mas o que ele fizera pra provar que ela não precisava ter medo dele? Não era o que ele queria desde o começo, ser temido por ela?
—Eu precisava falar com você. -ele disse enquanto se xingava mentalmente.
—Falar comigo? –ela estreitou os olhos. –Agora você quer falar?
—Ino eu atravessei o deserto pra dizer o que vim dizer, preciso só de um minuto.
—Não Gaara, não vou te dar nem mais um segundo do meu tempo, já o perdi de mais com você, vá embora. –ela observou o rosto dele marcado e vestígios de sangue em seu pescoço, ficou pensativa quanto ao que teria acontecido, mas se aquietou, não iria perguntar.
—Eu entendo que esteja chateada e...
—Chateada Gaara? Eu estou uma fera! Você desejou e tanto fez que conseguiu, eu te odeio, te odeio com todas as minhas forças!
Ele recebeu aquilo como um soco na boca do estômago, mas reparou que ela desviara o olhar, ela nunca desviava o olhar, será que o odiava tanto assim?
Sheiky e Laica relincharam e saíram a galope por entre as árvores, então Gaara aproveitou a confusão e se aproximou um pouco da loira.
—Não lhe culpo nem um pouco por me odiar, mas eu não passei por tudo o que passei pra te encontrar aqui e ir embora sem dizer o que vim dizer. Ino eu...
—Cala a boca, eu não quero te ouvir. -ela ergueu a voz, ressentida -Cansei de perder meu tempo, cansei de me ferir por dentro. Todas as vezes que te ouvi, eu te perdoei, fiz tudo por você, e o que eu ganhei em troca? Me diz Gaara, o que eu ganhei? Vá embora.
Ele respirou fundo e baixou os olhos, ela encarou o gesto dele e reparou que ele estava diferente, aquilo era vergonha?
—Não precisa acreditar no que eu tenho a dizer, não precisa responder, basta que me ouça.
—Você nunca me ouviu, nunca, porque tenho que fazer isso agora?
Ele não tinha resposta, pela primeira vez em seus vinte e três anos de idade, Gaara Sabaku não tinha uma resposta, e era a única vez que realmente precisava de uma.
—Vê, você concorda comigo, então adeus Gaara, volte pro seu Oasis, pra sua mulher e me deixe em paz.
Ela deu as costas pra ele e foi caminhando pra beira do riacho, dando graças a Deus por sua barriga de cinco meses ser ainda bem pequena e seu vestido, tipo bata, ser bem solto e não denunciar sua condição.
—Hinata não é mais minha esposa. –ele disse de onde estava.
Ino estancou, continuou de costas, mas aquilo a pegou de surpresa.
—Hinata está casada com Naruto, ambos vivem no Oasis e me ajudam nas mudanças que estou fazendo por lá.
—Mas como? –ela se virou pra ele atônita.
—Antes do pai dela assinar o contrato eu dei um jeito de acrescentar uma cláusula que ele não percebeu, Hinata se livraria do casamento depois de alguns meses, tempo suficiente pros outros acordos celebrados terem validade, e depois ela seria livre, então dei um jeito dela encontrar aquele loiro meio cabeça de vento, e agora eles estão em Suna, tomando conta de algumas coisas por lá. Ela e Kankuro estão abrindo uma escola.
Ela não soube o que dizer. Haviam se passado apenas dois meses, será que tanta coisa assim mudara? Será que Gaara mudara tanto assim?
—Parabéns pra ela, fico muito feliz.
—Ela vai agradecer, tenho certeza.
—Ah sim, a sua imperatriz perfeita. -ela tinha um tom de deboche.
—Pensei que gostasse dela...
—Eu gosto, é minha amiga, mas sempre será o oposto de mim, exatamente como você gostaria de ter uma esposa. -ele percebeu que aquilo ainda doía nela.
—Eu também pensava assim, mas mudei de ideia depois que conheci você. –ela não respondeu, onde ele queria chegar? –Você mudou muita coisa Ino, inclusive minhas vontades. –ele disse se aproximando mais dela.
—Pare onde está, eu conheço esse seu joguinho. Se aproxima, se faz de bonzinho, me usa e depois me joga fora, me machuca, por dentro e por fora, e eu não vou mais deixar isso acontecer. -ela queria tanto acreditar, mas isso só lhe causava mais dor.
—Eu te juro nunca mais deixar isso acontecer! –ele disse tão firme que ela se assustou. –Jamais vou te machucar de novo e jamais vou dizer que te quero comigo de novo, porque o que eu quero não tem mais importância. Eu aprendi da pior maneira possível que tenho mesmo um monstro terrível dentro de mim, no entanto não tenho que me sucumbir a ele.
—Enquanto você viver do passado não vai se livrar disso.
—O passado está morto e enterrado, desta vez pra sempre! Achei o diário da minha mãe. –ele disse a última parte de forma triste, estava superando aquilo de vagar, mas não se arrependia de ter a verdade.
—Eu sinto muito. –foi só que ela conseguiu dizer depois de alguns momentos de silêncio, não haviam palavras corretas para expressar o quanto ela sentia.
—Eu também senti, mas agora não mais, estou feliz de finalmente viver algumas verdades. Meu pai era um carrasco, um filho da puta desalmado, mas minha mãe era uma víbora também, ela selou o próprio destino. Sei que todas as pessoas no mundo que eu deveria desconfiar, não acreditei na única que foi sincera comigo o tempo todo... Você. –ele tocou o rosto dela com a ponta dos dedos.
—Porque faz isso Gaara, por quê? –ela disse com os olhos cheios de água, depois de encarar os olhos dele, tão reluzentes, o brilho que ela vira por tão pouco tempo voltara aos olhos dele. –Porque age como um monstro e depois como um ser tão doce, porque me deixa confusa, porque me maltrata e me fere tanto? -ela lutava contra o instinto de acreditar e amar aquele homem, isso era tão doloroso.
—Eu não sei Ino, não sei mesmo porque eu te machuquei tanto, quando o que eu queria era o contrário. Aquele ódio que vivia dentro de mim simplesmente era o que me movia, o que parecia ter sentido, como se fosse a única coisa que me completava, e na minha loucura de não querer amar de novo, acabava te machucando, acabava te afastando, mesmo quando a verdade era que eu só queria ter uma vida boa com você.
—Eu não aguento mais isso Gaara, juro que não aguento, eu estou cansada de mais de lutar isso sozinha, de acreditar em você e só me arrepender. -as lágrimas e a voz dela demonstravam o quanto ela estava cansada de lutar.
—Eu sei, eu sei... –ele disse se desesperando por vê-la chorar. –Eu sei que de nada vai adiantar, ainda assim quero que saiba que eu me arrependo de tudo o que fiz. Eu me sinto péssimo pelas minhas escolhas, principalmente de ter lhe tomado a força, e vou entender se nunca me perdoar, ainda assim preciso dizer: me perdoe Ino, me perdoe por todo o sofrimento que eu lhe causei, por cada ferida, em todos os sentidos, por cada gesto grosseiro, por cada palavra atravessada e por todas as vezes que lhe magoei.
—Eu já lhe perdoei de mais, todas às vezes foram mentira.
—Não, não foram Ino. Pra mim não foram, mas eu não sabia como agir, eu não sabia como mudar.
—Você será sempre o imperador, será sempre superior e nada além de seu ego será importante.
—Você é mais importante que tudo Ino. Mais importante que minha vida.
—Eu quero muito acreditar, mas como posso? –ela parou a frase no meio, ao ver Gaara se ajoelhar na frente dela.
Por toda sua vida Gaara jamais se curvou diante de alguém ou alguma situação, ele fora preparado para jamais demonstrar fraqueza ou ser subjugado, logo, se ajoelhar era algo que o fazia ser menos, ser dominado, e foi a forma mais direta que achou de demonstrar a Ino o quanto ela era importante pra si, ele já não se importava em parecer pequeno na frente dela, queria que ela entendesse o quanto ela lhe ensinara, lhe mudara.
—Você é o ser mais importante no mundo inteiro pra mim, e de joelhos te peço perdão Ino. Me perdoe. Mas se não puder, e eu posso entender, apenas quero que veja o quanto meu orgulho não vale mais nada, o quanto minha vida sem você não tem sentido nenhum. Uma vez você me perguntou o que poderia me mudar, se nem a morte conseguira isso, bem, eu te respondo agora: você! Você é capaz de me mudar e só você, e eu precisei te perder pra entender isso, precisei sentir meu coração sangrar pra entender isso, precisei sofrer o abandono e a sua falta pra entender isso. –ele baixou a cabeça, olhando pros pés dela. –Eu sou capaz de qualquer coisa por você Ino.
Ela ficou olhando pra ele atônita, ele estava de joelhos implorando perdão? Nem mesmo em seus mais mirabolantes sonhos aquilo aconteceria, se ela contasse aquilo, ninguém jamais acreditaria, afinal ele era o imperador de areia, ou não era mais?
—Levanta, por favor. Minha mente não consegue processar isso. –ela pediu segurando a mão dele, o puxando.
Ele fez o que ela pediu, e encarou ela, devia dizer que a amava, mas como? Aquelas palavras estavam presas, e ele não achava uma forma de libertá-las, por mais que quisesse. Já fazia tantos anos que não amava ninguém, não sabia como lhe dizer.
—Ino, eu... -ele tentou mais uma vez.
—Não, espera. Eu quero tanto acreditar em você, quero tanto, mais tanto, que não consigo entender como eu posso ser assim, como ter meu ódio se esvaindo toda vez que me aproximo de você, mas Gaara, eu não sei quem você é agora, eu entendo menos ainda tudo isso. Fiquei do seu lado, tentando te amar, tentando te fazer feliz, mas você nunca me deu espaço, foi me fechando cada porta, me afastando, como posso simplesmente passar por cima de tudo e... -ela dizia mais calma, mas ele a cortou.
—Eu tinha medo do que eu sentia por você Ino, por isso nunca conversava, as nossas conversas eram meio vazias, apenas você falava, e apesar de eu sempre ouvir, achava que não devia responder, que devia me manter longe, não lhe dava as explicações que você merecia, mas só eu sei como eu queria falar do meu amor, abertamente, sim, e até o fim, só eu conheço a dor de não acreditar, que mereço ser feliz! Quando eu te olhava, eu via um espelho, com o meu próprio medo, minhas indecisões, e mesmo te amando, mesmo sabendo que tinha algo grande forte de mais dentro de mim, eu não conseguia me sentir seguro, pensando se era verdade ou mais uma ilusão.
—Não faz isso Gaara. –ela voltou a chorar. –Não diz isso, por favor.
—Isso o que?
—Não diz que me amava.
—Mas eu te amo. Eu te amo muito mesmo.
—Pare! Você não me ama, nunca me amou, se não, não teria feito tudo isso. -ela lutava contra si mesmo, seu coração acreditava, mas sua mente tentava mantê-la firme, precisava se proteger, precisava proteger aquele ser dentro de si.
—Eu nunca mentiria sobre isso Ino, eu te amo sim. Tenho toda a certeza do mundo do quanto eu te amo, e sim, seria tão bom, só eu você, mas te faço sofrer, e é sem querer. Eu tentei fugir de tudo, mais ainda não estava pronto, agora eu fujo da dor, e descobri que tenho pavor da solidão, por isso eu peço perdão, por isso estou aqui. Estou aqui, eu vim aqui, passando pelo deserto, pelo seu pai, que eu vou dizer, tem um punho muito pesado, e tudo pra te encontrar e te dizer que eu te amo! EU TE AMO! Te amo mais que minha própria vida.
—Gaara, eu tenho medo de acreditar em você. –ela disse aos prantos, sentia nos olhos dele que a alma dele finalmente não era negra como antes, que ele estava sendo tão sincero como poucas vezes fora, isso só a deixava mais desesperada, querendo se entregar a ele e aquele novo ser.
—Me diz o que preciso fazer pra você acreditar e eu farei.
—Eu não sei, eu gostaria de saber, de ter certeza, mas eu não sei como. Eu só queria que nada daquilo tivesse acontecido.
—Eu daria tudo pra voltar no tempo e não ser tão idiota, eu daria qualquer coisa pra ouvir só mais uma vez que você me ama... Meus Deus, eu daria minha vida por mais um beijo seu Ino, um beijo de amor como você já me dera, como fora o nosso primeiro... Eu seria capaz de mover a lua se isso fizesse você acreditar. –ele não conseguiu se controlar, as lágrimas correram por seu rosto. –Eu sinto muito Ino, eu sinto de verdade. –ele disse tentando controlar a voz embargada pelo nó na garganta e pelas lágrimas incessantes, e sem conseguir mais falar, apenas chorou.
Ele baixou os olhos, queria achar as palavras certas para fazer ela entender, mas simplesmente não conseguia parar de chorar, não o fazia desde os nove anos de idade, e agora chorava toda a dor e sofrimento guardado dentro de si. O ódio, a amargura, a carcaça de areia, tudo estava pra trás, mas seu coração machucado e sua alma definhada, ainda estavam ali, precisando se curar e sem ela isso jamais aconteceria. Jogara sua única chance de não ser sozinho e ter felicidade, pelo ralo, e não sabia como fazer ela ao menos acreditar em suas palavras.
Os dois ficaram chorando, não sabiam o que fazer e nem o que dizer. Ele queria que um raio caísse ali, com alguma ideia de como provar seu amor. Ela queria dizer que acreditava, que sentia a dor dele, que jamais o virá tão vulnerável e tão sincero, ainda assim ela sentia medo de ele a machucar de novo, não fisicamente, isso curaria, mas na sua alma.
—Não queria acabar com nosso casamento, queria fazer dele único. Vou mudar as leis de Suna, chega dessa coisa de ter várias mulheres mal amadas, sozinhas, chega de sofrer com casamentos arranjados, mas precisava encontrar uma maneira de fazer as coisas direito. -ele decidiu explicar a unica coisa que faltava, ela merecia toda a verdade. -Iria por fim ao nosso contrato e te pedir em casamento como se deve, por isso aquelas anotações, precisava achar uma brecha pra fazer isso. Nunca quis anular nosso casamento, nunca menti pra você... Aliás, menti sim, menti quando disse que não a desejava, mas, além disso, nunca mais Ino, e esse é o real motivo pra tudo o que viu no meu escritório aquele dia, eu devia ter lhe dito, mas aquela droga de sentimento que sempre me tomava, eu ficava completamente insano.
—Você ia me pedir em casamento?
—Eu sempre quis passar o resto da minha vida com você, só demorei de mais pra entender o porquê. Eu já te amava, só queria que confiasse em mim, e nessa loucura quebrei minha promessa de nunca mais te ferir. Você é minha esposa Ino, não sei capaz de sentir isso por mais ninguém, você é única, e eu sinto de verdade por ter perdido a chance de demonstrar isso.
Ela suspirou e correu contra ele, o abraçando forte, ele ainda se desmanchava em lágrimas de dor, arrependimento e medo, havia lhe pedido perdão, ficara de joelhos, ele não tinha mais aquela carcaça de areia o afastando dela.
—Eu quero acabar com esse monstro que pintam, eu sei que no fundo você não é assim. -ela disse contra o ouvido dele.
—Eu quero te provar que mudei, que consigo ver meus erros e estou tentando corrigi-los.
—Gaara, eu te amo tanto que não consigo te odiar. Eu queria me manter firme, longe, mas isso não me faria feliz de forma alguma. Só não quero mais ser uma prisioneira.
—Você jamais será minha prisioneira, quero você do meu lado, sem amarras, sem obrigações, só nós dois e você poderá ir e vir quando quiser, e poderá vir ver seus pais sempre que quiser, você não merece viver isolada como eu vivi.
—Jura que posso vir ver minha família?
—Sempre que quiser. Dessa vez quero que venha comigo por sua vontade, quero que venha porque te amo.
—Não vai ser fácil deixar tudo pra trás e não vou prometer ficar com você se ver resquícios do que você foi, mas estou disposta a acreditar em você, então vou pra ficar do seu lado, vou porque também te amo.
Ele a beijou com ternura, matando aquela saudade enlouquecedora que sentia dela, de seu abraço e ela nunca imaginou que poderia ter um beijo melhor do que o primeiro que haviam trocado.
—Gaara, antes tenho que contar uma coisa, algo que vai mudar tudo. -ela baixou a voz, precisava prestar atenção em cada detalhe ao lhe contar o seu segredo.
O ruivo engoliu a seco ao ouvir aquelas palavras, seu coração estremeceu de medo, jamais imaginou que ela tinha um segredo, e se ia mudar tudo, o que isso significava?
—Eu voltarei com você, mas nós não seremos mais apenas dois. -ela continuou ao ver que ele não conseguia dizer nada.
—Como assim? -ele franziu o cenho.
—Gaara, eu carrego a prova de você é humano, a prova do quanto fomos felizes por um tempo, eu carrego um filho seu. –ela sorriu e ele voltou a deixar lágrimas caírem, então ela pegou a mãos dele e colocou sobre sua barriga. — Nós seremos três Gaara.
As lágrimas se tornaram mais espessas, o coração dele batia acelerado, as imagens dela suja de sangue, depois de ter batido nela, a jogado contra o chão, vinham em frenesi em sua mente, aquilo lhe doía de maneiras que não podia explicar.
—Eu... Eu... Ah, meu Deus, como eu pude fazer aquilo? Eu não feri apenas você, eu feri meu filho. Eu sou um monstro pior que...
—Xiiuuu... Não faz isso com você mesmo. -disse Ino com carinho, lhe segurando as mãos.
—Eu sou um monstro de areia desgraçado, eu não podia ter feito isso, eu, quebrei minha promessa de não te machucar e fiz algo ainda mais grotesco. -ele caiu sentado, sentia um desespero enorme dentro de si. -Como eu pude ser tão terrível?
—Você não sabia Gaara, e eu também deveria ter o protegido, não te irritado ainda mais.
—Te fiz acusações sem cabimento, desconfiei de você e de meu próprio irmão, coloquei em risco a vida dessa criança, nem mesmo meu pai...
—Pare já, você prometeu deixar o passado enterrado. -ela disse firme, não ia entrar naquela espiral de novo. -Olhe pra mim. -ela ordenou, e ele obedeceu, mesmo com a visão embaçada pelas lágrimas. -Nós só daremos certo se formos fortes e se arrumarmos as coisas.
—Como posso arrumar isso?
Ela colocou a mãos deles sobre a barriga dela, e com todo o amor que possuía dentro de si disse:
—Amando. -ela sorriu. -Nós só temos que amar essa vida, e não importa o que houve antes. Você errou muito Gaara, eu sei disso, e foi por isso que eu fugi, precisava proteger essa vida, mas está na hora de esquecer a maldição Sabaku, porque como disse Kankuro, esse é o primeiro fruto de amor e não de ódio, e vai ser ele que irá limpar toda essa linhagem.
Gaara viu a intensidade que ela punha a cada palavra, o modo que o olhava e como sempre ele se viu prezo aquele olhar, aquela voz, e acreditou no que ela dizia. Ele a amava, ela o amava e aquele filho tinha sido feito em um dos momentos mais especiais de sua vida, ele seria o grande pêmio depois da tempestade.
—Eu te amo Ino. –ele acariciou a barriga dela, controlando o choro. –E seja menina ou menino, vou amar com a mesma intensidade.
—Obrigada por mudar, por corrigir seus erros, por me fazer ficar do seu lado. Agora tudo vai ser diferente Gaara.
—Sim Ino, eu juro pela minha alma que vai ser.
Ele a beijou mais uma vez, e a partir daquele momento ele jurou pra si mesmo que jamais seria como havia sido, ele não precisava mais, agora era forte porque aprendera a amar.
O pai de Ino, que havia ficado a espreita afim de proteger a filha se necessário, montou seu cavalo e olhou na direção do sol, respirou fundo e sorriu, o destino é imprevisível, mas pode ser lindo.
—E então? –indagou a esposa quando o pai de Ino entrou.
—Ela vai voltar pra Suna.
—Minha nossa... Mas Ino merece ser feliz.
—Sim, e graças a você e aquele demônio do pai dele, isso se tornou possível. Quem diria que de uma aliança de sangue iria nascer algo tão grandioso.
—Queria saber porque escolheram nossa filha, mas sabe, estou feliz por tudo ter terminado bem. Pena que ela vai embora novamente. –a mulher suspirou.
—Ele disse que ela pode vir quando quiser, isso quer dizer que podemos ir também, logo teremos um neto...
—Ou neta...
—É bom ver que no fim a paz reinou.
Os dois sorriram e se abraçaram, quem sabe os contos de fadas não existam de verdade?
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