Imperador de Areia

28 Capítulo 28 - Confuso


Notas iniciais
desculpem pela demora, ñ consegui postar domingo... mas agora vai... boa leitura...

Gaara estava arrumando as malas quando Hinata adentrou o quarto, estava usando um vestido azul escuro de alças largas, acima dos joelhos, ajustado ao seu corpo, sandálias pretas rasteiras e os cabelos caídos sobre os ombros.

—Posso falar com você um segundo? Sei que já deu o assunto por encerrado, mas juro que não vou tomar seu tempo e nem quero te aborrecer.

Ela parecia uma criança, mas tinha um corpo muito bonito de mulher, e olhava pra Gaara com tanto cuidado, que ele viu que ela não tinha culpa de nada e se fizesse mal a ela, seria a pior pessoa do mundo, porque Ino ainda era rebelde, mas ela, parecia um anjo de bondade.

—O que quer Hinata? –ele só não abandonou a voz seca e rude.

—Gaara, eu sei que algo muito sério aconteceu ontem entre você e a Ino, por isso está me levando junto com você, mas acho que não devia fazer isso. Ino é sua esposa, é a melhor pessoa pra ocasiões como essa, é mais apresentável, bonita e merece muito mais. Se a deixar aqui fará muito mal a ela.

—Ino sabe o que fez e sabe que tem conseqüências, sendo assim, apenas faça o que eu pedi, está bem? E acredite, estou fazendo essa escolha sabiamente, porque você é a melhor escolha pro que eu quero e preciso no momento, e pare de se por abaixo dela, vocês são iguais perante mim e perante a posição que ocupam, tirando um ou outro detalhe.

—É difícil não se achar menos do que ela, ela é perfeita, corajosa, linda...

—Você é corajosa por estar aqui mesmo sabendo que não sou uma boa pessoa, é delicada, bondosa, obediente e é muito bonita; ao seu modo, é mais bonita que ela, depende de quem olha, então para com isso.

—Obrigada Gaara, você é muito bom pra mim. Acho que devia ir com ela, mas se sua vontade não concorda, farei o que me pede.

—Fico satisfeito. Agora arrume suas coisas.

Ela saiu do quarto, e viu Ino parada a porta, observando enquanto eles estavam lá dentro, e como a porta não estava fechada, ela pode ouvir tudo.

—Eu sinto muito, queria que fosse você. -disse Hinata.

—Não sinta, será como deve ser. –ela disse sem emoção.

Gaara viu as duas conversando na porta, sabia que a loira estava ali, sabia quando era observado, e por isso escolhera as palavras a dedo pra dizer o que queria a Hinata, e sabia que ela estava sentida por ouvir que ele achava a outra mais bonita que ela, porque até então sempre tinha dito o contrario, mas de qualquer forma não mentira, Hinta poderia ser até mais bonita, dependia de quem a olhasse, e no caso Gaara não achava quando a via, apenas via uma garota, só isso, não sentia o desejo abrasivo que tinha por Ino.

—Ino, venha cá. –ele ordenou.

Ela revirou os olhos, odiava ter de ser submissa a ele, e deveria ser, ele poderia perder o controle de novo e ela não podia por a vida dentro de si em risco, por mais que ela ainda se sentisse perdida no que fazer em relação a isso.

—Enquanto estiver fora, os empregados terão uma folga. Um mutirão vai começar na cidade e me pediram dispensa das obrigações pra ajudar. Você e Temari podem dar conta da casa.

—Sim, meu senhor. –ela disse sínica, mas sem estar abalada.

—Quero também que cuide de Laica, ninguém mais o fará, estarão ocupados.

Ela nem respondeu.

—O mais importante, não quero que saía do palácio em hipótese nenhuma, nem mesmo na varanda, entendeu?

—Me quer prisioneira aqui?

—Entenda como quiser. Não saia do palácio a não ser pra alimentar a Laica, esqueça o jardim, e se me desobedecer, pagará um preço muito caro.

—Até quando vai agir assim? Até quando vai tentar se aproximar mais de seu pai?

Ele trincou os dentes e ela percebeu, ele ainda abominava aquela idéia, mas o que ela podia fazer ou dizer de diferente disso, ele estava mesmo agindo como o outro.

—Isso não é da sua conta, apenas obedeça. –ele soltou a voz ainda com o maxilar apertado.

—Isso não é justo.

Ele não respondeu, seus olhos opacos e gelados atravessaram ela, que se calou, era inútil discutir, e um aperto se apossou do coração dela, não queria nem imaginar a reação dele quando soubesse que tinha um filho, mas o pior era pensar qual seria o destino daquela criança, e se perguntou o que fariam consigo e com o bebê se pra completar se tratasse de uma menina.

Ela deu as costas pra ele foi pro seu quarto, Gaara terminou de arrumar suas coisas e foi pro escritório, os papeis do contrato de casamento dela estavam jogadas pelo chão, marcadas pela vazão de ódio dele na noite anterior, as anotações haviam sido destruídas, então ele juntou as folhas brancas de papel e socou em uma gaveta da escrivaninha, levantou as poltronas e chamou Temari.

—O que quer?

—Arrume essa bagunça, isso está parecendo um chiqueiro.

—Está bem.

—Onde está o Nara?

—Ele está tomando banho, já pode andar então vai descer um pouco.

—Quando ele descer pede pra me encontrar nos estábulos, preciso falar com ele.

—Como quiser.

Gaara deu as costas pra ela e começou a se afastar, mas sentia a respiração de Temari preencher o lugar, ela estava angustiada, queria dizer alguma coisa, e isso se confirmou quando a voz cautelosa dela o parou.

—Gaara, posso só falar com você um minuto?

—Todo mundo quer falar hoje. –ele disse seco, se virando pra ela.

—Porque não disse a ela porque não pode sair de casa? Seria melhor do que fazê-la pensar...

—Não importa o que eu diga a ela, todas vocês estão certas, eu sou o que sou e pronto, e é melhor ela sentir que é um castigo, assim pensa duas vezes antes de me desobedecer.

—Ela pensaria muito mais em não desobedecer se soubesse que está cuidando dela. Eu não sei o que se passou ontem, mas não devia agira assim, vai acabar perdendo ela de novo, e desta vez pode não conseguir trazer ela de volta.

—Tentando mantê-la perto de mim agi como um tolo, achei que poderia ser bom, ser humano, achei que poderia gostar dela e gostar de vê-la me amar, mas de nada adiantou, ela desconfiou de mim sem motivo nenhum.

—Me desculpe, mas ela não é de fazer escândalo por motivo nenhum, ela está muito chateada com tudo isso Gaara, e eu sei que ela pensa que Hinata passou a ser sua preferida e que vai acabar em seus braços.

—Se ela pensa isso é porque tenho razão, ela não sabe nada sobre mim, nunca esteve ligada a mim realmente, mas isso não importa mais, se é o Gaara de areia que ela quer, é o que ela vai ter, e não diga nada a ela sobre o motivo dela ficar aqui, entendeu?

—Farei como quiser, mesmo que não concorde, nunca desobedecia uma ordem, certo?

—E deve continuar assim e proteja ela, não saia daqui e não deixe ela fazer nenhuma besteira.

—Você pode dizer o que quiser, pode agir como um monstro e ainda sentir ódio, mas não é mais o mesmo, isso você jamais será, e se fosse mesmo o mesmo imperador de areia de antes, não pediria pra cuidar dela.

—Eu só estou...

—Não, não diga nada, não minta pra mim a essa altura do campeonato. Você está sentindo coisas horríveis, eu o conheço, então não fale, o que sai de sua boca é só parte desse sentimento, sei que acredita nele, mas sei também o que realmente se passa no fundo do seu coração –ela ergueu a mão o fazendo parar. –Vá na sua viagem, de resto é melhor falarmos depois, assim todos estarão de cabeça fria. –ela sorriu de canto e saiu do aposento, deixando ele pensativo.

Mais tarde, Gaara e Shikamaru foram pros estábulos, ficaram lá por várias horas a fio, sem que ninguém soubesse do que falavam, e como falavam. Podiam ver de longe os dois gesticulando e falando sem parar, pelo visto era algo muito importante, só pegaram fôlego na hora do jantar, quando Temari disse que a refeição seria servida.

—Onde está a Ino? –indagou o Nara se pondo a mesa.

—Ela não quer jantar. –disse Temari.

—Como não quer? Ela está maluca? –indagou Hinata se sobresaltando.

—Porque esse desespero, com certeza morrer de fome ela não vai. –disse Gaara.

Hinata encarou o ruivo, já vinha pensando em dizer a ele sobre a gravidez de Ino desde o café da manhã, mas não conseguia dizer, isso era uma coisa só dos dois e achava que não deveria se intrometer.

—Eu vou levar comida pra ela. –disse Hinata simplesmente, ajeitando um prato.

Gaara encarou a pequena notável, e estreitou os olhos, algo estava acontecendo, ela parecia preocupada de mais pra apenas uma refeição que a loira não queria, mas não disse nada, apenas observou ela levar uma bandeja escada a cima.

Hinata bateu na porta do quarto e depois entrou, Ino estava caída no chão, quase inerte.

—Ino. –ela se sobressaltou e deixou a bandeja de lado pra correr até a outra.

—Hina, me ajuda a levantar. –pediu a loira.

—O que houve? –indagou a morena enquanto sustentava a outra, tentando colocá-la na cama.

—Fiquei tonta e não consegui me segurar antes de cair.

—Você está se alimentando muito mal, não pode continuar assim.

—Me sinto enjoada, não consigo comer.

—Mas tem que forçar, pelo menos o bebê absorve alguma coisa.

O corpo de Ino estremeceu, e ela começou a chorar.

—Estou com medo Hina, o que vai ser dessa criança?

—Não pense assim Ino, um filho é um presente, não fique assim.

—Está tudo errado aqui, está tudo errado, eu preciso dar um jeito na minha vida.

—Se acalme, isso não vai lhe fazer bem. –a morena abraçou Ino. –Vai dar tudo certo, é só ter um pouco mais de paciência.

Ino se sentia muito cansada, inclusive de discutir e tentar alguma coisa, então só afundou o rosto no ombro da outra e chorou com vontade, até não ter mais forças e dormir.

Gaara estava no seu escritório já arrumado, era bem tarde, e ficou pensando na sua vida, em como as coisas estavam, e se sentia desconfortável. Andou impaciente pela casa toda, tentando se acalmar, mas não conseguia, então foi até a fonte de seus problemas e tormentos, ele foi ao quarto de Ino, e de vagar abriu a porta.

O perfume no quarto, o corpo daquela mulher linda sobre a cama, a brisa da janela, tudo era incrivelmente bom pra ele, lhe acalmava os sentidos, mas deixava sua cabeça mais confusa.

Ela dormia profundamente, mas desta vez não vestia camisola, havia dormido com a roupa do corpo, uma saia roxa, com uma blusa branca, e um casaquinho roxo, as sandálias estavam arrumadas no chão, sem desabotoá-las, o que ele soube que ela não havia tirado, alguém as tirou pra ela, o que significava que ela havia dormido de cansaço, e a julgar pela mancha em seu travesseiro, a qual ele realmente constatou que estava molhado, ela se cansara de chorar.

Pensar nela chorando, sofrendo, lhe fazia mal, mas ele não conseguia afastar o pensamento de superioridade, nem o de que ela devia ter conversado e não gritado, ao mesmo tempo, se sentia estranho por agir com ela de forma tão rude... Ele era uma confusão ambulante.

Gaara pensou em ir embora, mas seu corpo o desobedeceu, ele se aproximou mais dela, e viu o rosto dela, calmo, plácido, com marcas de lágrimas, ele se sentou ao lado dela na cama bem devagar, e ficou encarando ela por um longo tempo, observou cada curva de seu corpo, olhou bem pra cada movimento que ela fazia, sentindo o calor dela chegando até ele, e dessa vez foi um calor diferente, algo mais intenso, mais vivo, como se ela fosse duas, porque o preenchia de uma forma que fazia seu ódio fugir de dentro dele, como jamais havia acontecido. Ele não entendeu nada daquela sensação, não entendia porque se sentia mais preso a ela, e ela a si, ainda mais depois da briga monumental entre eles, ele só sabia que tinha de protegê-la mais do que nunca.

O sol começou a despontar no horizonte, o céu se pintava com as cores da aurora, e ele suspirou, teria de deixá-la, na angustia de que alguém pudesse querer o mal dela. Havia se recusado a lutar duas batalhas afim de ficar mais tempo na vila, e aquilo não era bom, porque esses aliados se recusariam a protegê-lo de se precisasse de ajuda, e os inimigos saberiam se aproveitar disso, com ela sendo a primeira esposa e sozinha na vila, seria um ótimo alvo de rapto ou algo assim, por isso ela precisava ficar na segurança do palácio sob os olhares mais atentos a fim de mantê-la a salvo.

Ele beijou de leve os cabelos dourados dela, e depois saiu, deixando um pedaço de si para trás, estava claro que não conseguia ficar sem ela, mas não sabia agir pra tê-la, e assim saiu, encontrando Hinata no corredor, que ficou observando ele em silêncio, enquanto ele saia do quarto da loira.

—Está pronta? –ele perguntou por fim.

—Estou. Fizeram as pazes?

—Não diga a ela que me viu aqui.

—Mas por...

O olhar dele a fez se calar.

—Vamos comer alguma coisa, depois partiremos.

Ela fez que sim com a cabeça e eles desceram, estava na hora de ir.

Notas finais
obrigado pela confiança de vocês em mim nesse rumo q a história tomou, como sempre digo que nada é por acaso, então continuem acompanhando... me digam a opnião de vcs, adoro ver como são diferentes e me divirto ao continuar a fic... mais uma vez me perdoe por ñ postar domingo, principalmente você Silvia, mas é que tive alguns problemas em casa e acabei atrasando, então garanto proxima postagem pra quarta feira, podem esperar... bjos e até o proximo...