Imperador de Areia

15 Capítulo 15 - Ódio


Notas iniciais
qdo comecei escrever essa historia, ela já era bem diferenhte das demais q eu já escrevi e escrevo, pq apesar de adorar um drama e um suspense, nunca meus personagens eram ruins, apenas tinham atitudes erradas, mas no caso do Gaara, acho q ele tem atitudes erradas, mas tem um lado ruim sim, por isso esse cap. pode chocar um pouco, assim como o próximo q será postado em breve... é apenas uma explicação pro que virá... boa leitura...

Ino passara o resto da noite e ficara até a hora do almoço chorando naquele cubículo estranho e fétido do porão, mas depois disso não tinha mais força pra chorar e nem mais lágrimas a derramar.

Nem uma gota de água foi dada a ela, nem uma misera migalha de alimento, a garota estava fraca, por dentro e por fora, seu corpo estava exausto e sua mente já não trabalhava mais, porque havia se cansado de se perguntar o porque.

Ela via a luz do sol entrar pela janela, sentia seu corpo suado, o calor abafado e mofado do lugar lhe empreguinavam a pele, mas ela só ficou deitada, encolhida, sobre o colchão sujo de poeira.

Ino não suportava mais aquele lugar fechado, então criou coragem e se levantou, andando até a janela, esta era muito antiga, de ferro e estava toda enferrujada, não conseguiu abri-la e não tinha forças pra insistir, então deixou seu corpo cair de novo sobre a espuma velha do colchão, levantando muita poeira, sujando ainda mais sua pele macia e sua roupa delicada.

Ali ela ficou, enquanto Gaara terminava de almoçar e via Temari adentrar o palácio.

—Boa tarde imperador.

—O que veio fazer aqui Temari?

—Temos alguns assuntos pendentes pra resolver. –ela jogou um bloco de papeis sobre a mesa a frente dele.

—Mais problemas. –ele resmungou se erguendo. –Vamos pro escritório.

—Certo.

Temari saiu atrás do irmão, olhou a sua volta, procurando por Ino, onde a garota se metera? Não a vira se afastar de Gaara nem um segundo durante aquele tempo, onde estaria?

O ruivo sentou confortavelmente em sua cadeira, e olhou os papeis, enquanto Temari o aguardava de pé, ainda pensando em Ino.

—Está de brincadeira comigo, não está? –ele disse frio depois de ler os papeis por cima.

—Acha mesmo que sou mulher de piadas?

—Um contrato de casamento? Nem em sonho.

—Você viu a quem se refere?

—Isso é ainda mais assustador, o que aquela família quer entregando uma filha a mim? Isso não está me cheirando bem.

—Isso me cheira a poder em abundância. Se essa aliança se firmar Gaara, você será o imperador de metade da nação, sabe o que isso significa?

—Significa que nem estou dando conta de Suna, imagina juntar outra cidade, não isso não dará certo.

—Você sempre quis poder e mais poder, o que há de errado, é o casamento?

—Claro que é o casamento, acha mesmo que quero outra menina infantil e irritante por aqui?

—Então é isso, brigou com a Ino? Onde ela está?

—Onde deveria estar desde o começo disso tudo. –ele disse desviando o olhar da irmã.

—O que fez com ela Gaara? –indagou Temari franzindo o cenho.

—Isso não é da sua conta, aliás, nem me arrumar outro casamento é da sua alçada.

—Sou membro honorário de seu exército e busco paz pra seu império, e essa aliança, feita pelo casamento, é uma das melhores chances que teremos de diminuir as guerras.

—Deixa sua cunhada escutá-la, tentando arrumar uma nova esposa para mim... –ele apelou pra amizade que se formara entre a irmã e sua primeira esposa.

—Estou falando como sua capitã e não como sua irmã, sabe disso, e depois Ino tem que entender que você tem obrigações e...

—Esse é o problema, ela não entende, mas vai entender a partir de agora. –ele disse seco e Temari se calou, observando o irmão com cuidado.

—O que está fazendo com ela Gaara? –indagou Temari mais uma vez, depois de um longo tempo.

—Ino tem que entender que a vida dela se foi, agora vive minha vida.

—Não, ela vive a vida de vocês, por mais que concorde que você tem suas obrigações, isso não excluiu a parte que ela tem nisso e depois Gaara, aquela garota te ama, então o que está fazendo, me diga.

—Me ama?! Sei... –ele disse com escárnio.

—Ela quase morreu por ver você ferido, estava disposta a dar o próprio sangue a você, cuidou de você e o entendeu todo esse tempo, agora me diz que não o ama? Em que planeta você vive Gaara, como pode ser assim? Ela é sua esposa e você nem a tocou.

—Como sabe disso? –ele indagou irritado.

—Porque eu sei. Vi você na noite de núpcias, esqueceu? E depois duvido que vocês tenham tido alguma oportunidade. Seja lá o que estiver fazendo Gaara, PARE!

—Acha mesmo que pode entrar aqui e me dar ordens? Você não é ninguém pra dizer o que devo fazer e o que devo levar em conta, você...

—Eu sou uma zero a esquerda, eu já entendi. Eu não posso falar de amor porque nem soube resolver o meu, mas fique sabendo Gaara, que isso não te faz melhor do que eu, pelo contrario, eu sofri sim, ainda sofro por amar alguém que não deveria, mas pelo menos me deixei sentir alguma coisa, e você? Você foge de tudo, foge do que sente por ela e sabe o que isso vai causar? Ódio dela por você, o mesmo ódio que mamãe tinha de nosso pai.

—Eu jamais serei como ele.

—Você já é como ele, e pior, age exatamente como ele agia com nossa mãe, ou pensa que não sei que aquele machucado na boca da Ino antes da tempestade foi causado por sua mão?

Gaara olhou pra Temari enfurecido, aquelas palavras estavam lhe tirando da racionalidade e do modo dele pensar normalmente, e ele não gostava disso, não gostava de sentir o coração disparar e sua consciência reclamar. Ele não tinha coração e não tinha consciência, então era bom aquilo acabar logo.

—Saia daqui. –ele ordenou.

—Acha que pode afastar todo mundo até quando Gaara? -ele se recusou a responder. -Tudo bem, eu vou embora, você é o chefe e tem o poder de dar ordens, mas fique sabendo que sua mente não vai se afastar e o sentimento de culpa também não.

Ele se ergueu nervoso e Temari o encarou desafiadora, os dois trocaram faíscas no olhar e então ela saiu, acabaria indo mais longe do que deveria e queria contra seu irmão, o irmão que jurou proteger a beira do tumulo de sua mãe.

Ino pode ouvir a discussão deles do sótão, o aposento era bem acima do escritório e eles estavam muito alterados, e o que ela ouviu a fez sorrir, Temari não a odiava e podia conhecê-la melhor que a si mesma, no entanto repensou tudo o que sentia e parou se perguntando como pudera acabar amando alguém como Gaara, e a reposta foi que ela amava Gaara e não o imperador Sabaku, por esse ela sentia ódio, nojo e medo, no entanto ela tinha que aceitar, os dois eram a mesma pessoa vivendo dentro de um mesmo corpo, o difícil era saber quando um começava e o outro acabava.

Já era noite e Gaara subiu ao sótão, abriu a porta de vagar e viu Ino sentada no colchão, a camisola leve lhe grudando no corpo sujo e ele sentiu raiva de si mesmo, Temari tinha razão, ele já havia visto aquela cena há muitos anos atrás, com outra pessoa, que chorava desesperadamente a cada segundo, enquanto Ino estava cansada de ter pena de si, e agora o encarava, mesmo sem se mover.

Ele colocou uma jarra de água e uma bacia no canto do sótão, e depois ficou de pé na frente dela, queria a tomar nos braços e levá-la dali, mas não poderia fazer isso, não queria parecer fraco na frente dela, não iria voltar atrás na sua palavra, então apenas deu as costas pra ela e voltou a fechar o cômodo, voltando pro seu quarto.

A loira estava morta de sede, via a água reluzir dentro da jarra, mas ela não conseguia sair do lugar, não consegui tirar da frente de seus olhos os olhos verdes dele, tão frio, tão nebulosos, só conseguia pensar que ali morava um monstro.

A noite foi passando, e ele como sempre não dormia, então foi tomar um banho, sentia nojo de si mesmo, se sentia sujo, e deixou a ducha molhar seu corpo com o liquido gelado, mas suas mãos ainda pareciam sujas de sangue, seu peito também e a vontade de chorar era crescente.

“O que eu estou fazendo? O que há de errado comigo, porque não consigo matar esse monstro de areia dentro de mim?”

Jamais conseguiu saber, apenas sabia que era assim, nascera pra ser assim, não era forte o suficiente pra acabar com aquilo, de modo que sentou no chão frio e ficou lá por horas, tentando esvaziar a cabeça.

Enquanto isso Ino conseguiu beber um pouco de água e lavou o rosto na bacia, depois foi até a janela e ficou vendo a lua crescente pela janela, toda vez que olhava pra lua na sua casa, vendo ela crescer aos poucos ela ficava feliz, era um novo ciclo que se iniciava e aquilo a enchia de esperança, mas ali, em Suna, presa naquele cômodo, ela só pensava que era só mais um ciclo de agonia e tristeza, enquanto ela sentia vontade de nunca ter nascido.

Ela voltou a se deitar e acabou pegando no sono, estava muito cansada, aquele dia tinha sido longo de mais, e não teve sonhos, apenas um sono pesado e profundo.

Na manhã seguinte, ela foi acordada por Gaara, que estava ajoelhado ao lado dela, chamando seu nome. Ela despertou de vagar e demorou um pouco a fazer sua vista se firmar.

—Gaara... –ela sussurrou meio perdida.

—Venha, vamos sair daqui.

—Já cansou de me deixar de castigo?

—Nada mudou, mas temos um compromisso hoje e não posso aparecer com minha esposa assim.

Os cabelos sujos e emaranhados, a pele empoeirada, a falta de banho e as olheiras profundas faziam dela uma mulher bem diferente da sedutora loira que ele desejava sem poder negar.

Ela foi se levantar, mas ficou tonta, passara muito tempo sem comer nada, praticamente dois dias, então se sentia fraca, ele a ergueu com um puxão, enquanto levantava o próprio corpo e a levou pro seu quarto.

—Tome um banho e desça, daqui a pouco iremos almoçar.

Ela não disse nada, apenas fez como ele dissera.

Na mesa do almoço, eles comeram em silêncio, mas ela quase não tocou na comida, depois de tanto tempo em jejum o pouco que comera já lhe fazia mal.

—Suba e durma um pouco, no fim da tarde teremos uma festa na casa do meu general, então esteja pronta e bem vestida. –ele disse sem olhar pra ela.

—Acho melhor arrumar uma nova esposa, não sou o tipo de atriz que você precisa. –ela disse seca, encarando ele.

—Não me irrite Ino. –ele disse se erguendo estupidamente.

Ele saiu da sala e ela sentiu o peito apertar de dor, olhou as empregadas ainda ao lado da mesa e sentiu raiva, elas tinham pena dela, tinha jurado pra si mesma nunca deixar que sentissem pena dela por não saber se cuidar sozinha, mas lá estavam elas, e ela não sabia se cuidar em relação a Gaara, então ela se levantou e saiu de casa, foi até os estábulos e ficou na baia com sua égua.

—Porque ele faz isso? Porque me odeia? Temari estava certa sobre quase tudo, menos a ele me amar. –ela deixou lágrimas espessas escapar de seus olhos.

—Ino, o que houve? –indagou Shikamaru preocupado.

—Não é nada, foi só... –ela parou, não adiantaria tentar mentir, ele saberia a verdade, então ela se deixou chorar e o abraçou. –Eu o odeio Shikamaru, e ele me odeia, porque tem que ser assim?

O Nara se sentiu mal por vê-la daquela forma, se importava muito com ela e gostava muito dela, se sentia de alguma maneira ligado a ela, como se já houvessem se cruzado em um passado longínquo e devesse cuidar dela, enquanto Ino se sentia protegida com ele, sentia que poderia confiar nele, e por isso chorava.

—Não fique assim, é só uma fase, logo tudo volta a ser bom. –ele disse acariciando os cabelos dela.

—Não, não vai, nunca vai ser bom, porque ele nunca vai deixar de ser o imperador sanguinário.

—Ino, já não tínhamos mudado essa forma de pensar?

—Como pode mudar, ele me trancafiou no sótão, nunca tem um gesto de boa vontade comigo, como posso acreditar que ele não é o que parece ser.

Shikamaru sentiu raiva de Gaara, primeiro Temari havia deixado aquela casa enraivecida e sofrendo pelo modo do irmão tratá-la, agora era Ino, aquilo aborrecia o moreno profundamente.

—Ele te machucou?

—Ele sempre me machuca, porque eu me importo e gosto dele, enquanto ele só faz me odiar.

—Então pare de chorar, ele não merece teu sofrimento, e se ele não se dá conta do que está perdendo com tudo isso, o azar é dele e ele deve conviver com isso.

—Estou com medo, o que vai ser de nós?

—Não pense nisso por enquanto, minha flor, só pense em sobreviver, até que possamos dar um jeito nisso. –ele disse confiante, secando as lágrimas dela com carinhos doces feitos pelos seus polegares.

—Obrigada Shika, você é a única pessoa com quem posso contar aqui.

—Eu sempre vou estar aqui pra você. –ele sorriu gentil.

Os dois ficaram se encarando e então Ino sentiu o porque havia se apegado tanto ao Nara, ele era o irmão que ela nunca teve, a família dela que vivia longe, sentiu que ela era uma irmãzinha pra ele, ele cuidava dela com tal zelo, e por isso também sorriu. Ele segurava o queixo dela com delicadeza, mantendo ela a encará-lo pra que soubesse que ele iria mesmo ajudá-la e ela estava feliz por isso.

Mas nada que é bom dura pra sempre, Gaara parou na porta da baia e sentiu o sangue arder, o coração despedaçar e uma loucura súbita tomar conta de sua mente, aquela sensação só acontecera mais uma única vez e fora há muitos anos.

Shikamaru e Ino olharam pro ruivo imediatamente, e virão os olhos dele arder em uma cólera sobre humana, e a mão dele apertar a espada na cintura com tanta força, que viram o sangue esvair de seus dedos.

O Nara se colocou na frente de Ino e encarou o ruivo nos olhos.

—Não é nada do que está pensando, Ino é minha amiga.

—Tão amiga quanto minha irmã o era?

—Não faça nada do que vá se arrepender depois Gaara, ela não entende a maldade de nada.

—Mas você sim, seu desgraçado.

—Eu entendo, mas não é esse o caso aqui.

Gaara não tinha nem o que responder, estava cego de ódio, um ódio incontrolável e Ino viu os olhos dele ficarem vermelhos, como se um fogo abrasivo e destrutivo houvesse tomado conta dele.

—Gaara, pare, você não entende. –disse Shikamaru insistindo.

O Nara havia visto aquele olhar uma vez há muito tempo e o resultado daquilo foi terrível, destruira a vida do ruivo pra sempre.

Gaara pegou a espada e foi contra Shikamaru, que ficou sem saber o que fazer, então Ino se colocou na frente do moreno e segurou a mão de Gaara no ar.

—Não, não faz isso. –ela gritou aflita.

Ele encarou os olhos dela, aquela voz lhe entrando na mente, aquele arrepio pelo toque dela, então ele olhou fundo pra ela, mas o ódio não diminuira.

—Vai chegar sua vez. –ele disse com amargor.

—Tenho certeza disso, mas não faça nada contra ele, só quer me ajudar.

—Vocês dois me apunhalam pelas costas e...

—Não diz isso, pelo amor de Deus, não diz, eu não fiz nada, nós não fizemos nada, então não diz isso. Ele ama sua irmã Gaara, e eu te amo, só estamos aqui porque preciso de alguém que não me odeie.

Ele baixou a arma, ela dissera mesmo que o amava? Estava confuso, sentia o olhar dela de suplica e não soube o que pensar.

—Ela é pra mim como Temari é pra você. –disse Shikamaru de vagar, mas firme.

Gaara sentiu as mãos pesadas, pensou que quase matara os dois, olhava pra Ino, ela já sofrera tanto nas suas mãos, já passara por tanta coisa, e ainda assim diz que o ama?

Ino pegou a espada da mão dele e olhando bem pra ele disse:

—Me perdoe, nunca quis lhe causar mal algum, mas se for pra fazer alguma coisa, faça contra mim, ele não tem nada com isso.

Ele desviou o olhar, sua cabeça parecia que iria explodir a qualquer minuto, a sua dor de cabeça costumeira estava pior que antes, pior que qualquer outra vez, por isso pegou Ino pela mão e a arrastou pra dentro, Shikamaru queria ir atrás deles, mas sabia que isso só pioraria o que o imperador sentia, então só pode pedir aos céus que cuidassem dela.

Gaara a levou para o quarto e trancou a porta, depois pegou a espada e a jogou longe de suas mãos, se a mantivesse por perto não se daria ao trabalho de falar.

—Me diga a verdade Ino, não ouse mentir pra mim, você e o Nara...

—Não, não, eu juro. Juro pela alma de meu pai. –ela disse aflita, pedindo que ele acreditasse.

—Você esteve com alguém durante esse tempo?

—Fui criada pra ser sua Gaara, e durante esse tempo, de alguma forma, eu te amei, estou confusa e com medo agora, mas eu te amei. Nunca poderia fugir de você ser o único homem da minha vida.

Ele a segurou duramente pelo braço e a encarou.

—Só tem um jeito de saber.

Ela teve medo do olhar e da voz dele, e ficou mais assustada ainda quando ele a jogou na cama e se aproximou dela com o olhar gelado.

—Eu acho muito bom você ser virgem, se não vou terminar o que comecei naquela baia. -ele disse se pondo sobre ela

—O-O que vai fazer? –ela indagou amedrontada quando o viu se aproximar mais dela na cama.

—O que deveria ter feito há muitos meses na sua cama.

Ele a segurou pelos pulsos e a prendeu sob si na cama.

—Por favor, não faça isso. -ela sentia um no se formar em sua garganta e lagrimas brotarem em seus olhos.

—Agora é tarde.

Ele mordeu o pescoço dela e ela deixou as lágrimas caírem, ela sabia que ele não ia parar, ele tinha o olhar mais demoníaco que ela já conhecera.

Notas finais
enquanto escrevia esse cap. me senti sufocada, como se cd lagrima da Ino tivesse saido de mim, por isso estou sofrendo junto com ela e o proximo cap., que ja comecei a escrever está sendo meio dificil, mas espero q vcs me digam o q estão achando da fic e o q esperam, de repente se estiver mto forte/forçado, eu posso mudar um pouco... até o próximo...