Imperador de Areia

1 Capítulo 1 - Antes de você


Notas iniciais
Mais uma louca aventura q quero dividir com vcs... Boa leitura...

—Vamos, levante-se, hoje é o grande dia.

—Já vou mamãe, só mais alguns minutinhos.

—Nada disso, ainda temos muita coisa pra fazer, logo a casa estará cheia e você terá suas obrigações.

—Está bem, já vou, já vou. –disse a garota se sentando na cama emburrada.

—Isso mesmo, vá se banhar e depois desça, temos muitos preparativos.

A mãe saiu do quarto e a menina continuou sentada na cama pensando porque não podia dormir pra sempre.

Ela se levantou e foi para o banheiro, se olhou no espelho e encarou a imagem nele. Os seus cabelos loiros despenteados, os olhos claros meio opacos, a boca fina bem desenhada, o corpo modelado pelas montarias e pela bela genética que tinha, tudo em perfeita ordem de beleza, mesmo tendo acabado de acordar, no entanto queria nunca ter despertado pra aquele dia.

“Grande dia... Só se for pra ela.”

Ela pensava emburrada. Poderia ser o grande dia pra sua mãe, que logo se livraria dela, mas para si era o dia do juízo final, o dia em que sua vida terminava, porque ela poderia querer tudo, menos se casar com o homem que escolheram para si.

Sua casa era em um vilarejo longínquo e sua família tinha um bom numero de posses, o lugar era tranquilo e a menina sempre se deu muito bem com o lugar e as pessoas ali, no entanto, nem tudo foram flores e nem tudo é calmaria, por isso, fora escolhida para ser dada como noiva a um jovem guerreiro que agora era dono de um império.
Todos naquele vilarejo e em qualquer lugar conheciam esse imperador, ele era severo, rude, e não tinha piedade. Como já era tradição na família dele, por todo lugar que passava ele deixava um rastro de destruição e morte, lavando o chão com o sangue dos inocentes ou não.

Por todos os seus feitos e pelo seu gênio ele ficou conhecido como o “homem de areia”, e diziam que ao invés de um coração, ele tinha uma tempestade de areia como das noites frias, dentro de si.

Sim, esses boatos eram verdadeiros, seu exército deixava amostras disso por aí e por mais medonho que pudesse parecer isso, não era dele que ela tinha medo, não era por ser assim que ela não queria se casar, mas sim porque ela tinha um bom coração e acreditava que pudesse existir amor pra se casar.

Mas o que está feito, está feito, e ela tinha de cumprir seu destino, não iria desonrar sua família e muito menos os pôr em perigo de morte por quebrar um acordo firmado a anos, quando ela era apenas um bebê e o jovem imperador só um moleque de fraldas.

Ela foi tomar seu banho, estava um dia quente, o céu tilintava de um azul celeste que podia ofuscar, e se não fosse a brisa fresca, aquilo seria um inferno escaldante.

Terminou o banho, se vestiu e desceu, seus pais estavam a mesa da cozinha, sua mãe dava algumas ordens para os preparativos do casamento, enquanto seu pai tomava café em silêncio, o que ela sabia significar algo errado. Pai e filha sempre foram muito unidos, ela o conhecia melhor que ele mesmo e ele o mesmo sobre ela, eles se entendiam com um olhar e se uniam pra fugir das broncas da mãe que achava tudo impróprio a uma menina noiva.

Contra a vontade de sua mãe, seu pai lhe ensinara a montar, lhe ensinara a domar e sem que a mãe soubesse, eles tinham um lugar pra se afastar e pensar. Um pequeno bosque com um riacho a alguns quilômetros dali.

—Bom, minha filha, ainda temos que por muita coisa no lugar, o seu vestido deve receber os últimos ajustes, a cabeleireira vem te arrumar as duas, o jardim está com uma caixa de abelhas, ainda temos que mandar alguém ver isso, as flores vêem...

—Isso tudo é mesmo necessário? Não pode ao menos deixar a menina comer em paz? –disse o pai dela com sua calma habitual, mas parecendo cansado.

—E você quer que o noivo chegue aqui e diga que não sabemos nem arrumar um casamento descente? Ele é um imperador e nós prometemos nossa filha, tudo tem que estar direito.

—Estamos mandando nossa filha pro abatedouro e você quer servir o vinho junto com o sangue dela? Pelo amor de Deus. –disse o pai dela com a voz grossa e embargada, ela jamais vira o pai daquele jeito.

—O que quer que eu faça? Não posso mudar isso, e depois é melhor que ela se case com ele, ao menos terá uma vida confortável.

—Escute aqui... –o pai dela estava alterado, era a primeira vez que gritava com a esposa.

—Se acalmem, por favor, isso não é necessário. –pediu a jovem. –Não precisamos brigar hoje e nos afastar mais.

O pai lhe encarou e viu os olhos suplicantes da filha, então baixou a cabeça e depois se levantou, saindo da cozinha, mas ao chegar na porta, a voz da filha lhe parou.

—Papai, termine seu café.

—Obrigado, mas estou sem fome.

Ele saiu da cozinha e ela respirou fundo, aquela história toda estava sendo pior do que ela poderia prever.

Depois do café, mãe e filha foram terminar os tais preparativos, já era fim de tarde e nada do noivo aparecer, deixando a mãe dela aflita.

—Será que ele não vem? Minha nossa, se isso acontecer...

—Calma mãe, ainda tem muito tempo para o casamento.

—Você tem uma cabeça de vento mesmo, não é menina?

Ela balançou a cabeça e desistiu de argumentar, e depois sua atenção foi desviada, um rápido cavalo galopava em direção a eles, levantando poeira e trazendo um majestoso cavaleiro, mas a surpresa foi maior quando ao parar o cavalo e descer do animal, o condutor retirou os tecidos que lhe protegiam a cabeça do sol forte e revelou uma bela cabeleira loira, olhos claros intensos e uma bela mulher.

—Boa tarde, vim a mando do Imperador Sabaku atrás da Srta. Yamanaka.

—Eu sou Ino Yamanaka. –disse a outra loira se pondo a frente da mulher.

Temari observou bem a jovem a sua frente e suspirou, não era mais do que uma menina. A garota a sua frente ainda tinha traços infantis, não era muito alta, deveria ter no máximo uns dezoito anos e com certeza tinha pureza e compaixão no olhar, o que logo acabaria vivendo ao lado de seu irmão e senhor.

—Tenho alguns recados do imperador, podemos discutir isso a sós? –ela indagou séria.

Ino analisou a mulher a sua frente e estava impressionada, ela era muito bonita, tinha uma postura invejável e uma bela espada na cintura. A Yamanaka reparou em algumas cicatrizes nas mãos da moça, o caminhar firme, o olhar perspicaz e muito opaco, com certeza ela era uma guerreira nata.

—Claro, é melhor irmos pro meu quarto, lá poderemos falar em paz.

A mãe de Ino não gostou nada de ser excluída de algo no dia mais importante de sua vida, mas não reclamou, soube de imediato que aquela cavaleira não era de ser desacatada e depois, a última coisa que queria era ir contra o pedido do imperador.

O quarto de Ino, onde ela entrou com Temari, estava todo preparado para a noite de núpcias do casal, deixando a Sabaku impressionada e enjoada. O quarto estava perfumado, haviam flores espalhadas por ele, jarras para bebidas, frutas em bandejas, flores pelos aparadores, um bonito espelho emoldurado a frente da cama, que estava com lençóis da melhor ceda branca existente, véus caiam dos batentes da cama e a vista da janela era perfeita, de fronte a uma fonte de água fresca no centro do jardim florido e bem cuidado da casa, mas toda essa beleza enojava Temari. Ino era só uma menina, estava sendo entregue em uma bandeja de prata a um homem sem coração e ainda armavam um circo pra sua primeira noite na cama com um homem.

Claro, Temari pouco se importava com a vida intima de seu irmão, sabia bem o que ele fazia com moças bonitas que eram aprisionadas, a maioria delas até o escolhia pra poder trocar uma noite de prazer por suas vidas, mas ela era acostumada com a guerra, com as coisas que aconteciam nela, enquanto Ino... Ela era diferente, tinha a bondade no rosto, a flor da juventude em seu interior e por mais que seu corpo fosse belo e bem formado, era terrível pensar que estaria sendo entregue a um homem naqueles termos.

A Sabaku também sabia que seu irmão era um homem de areia, no entanto ela o via como jamais alguém veria, no fundo ele era justo, fazia guerra porque era o tinha de fazer e esse jogo já vinha com instruções severas, por isso o irmão era tão frio e de tão habituado a situação, ficou eternamente assim.

—No que posso lhe servir? –indagou Ino.

Ino sabia muito bem em que mato estava lenhando e odiava aquilo mais do que todo mundo.

Ao contrario de sua mãe preferia morrer a ter de se sujeitar a humilhação que teria de passar só pra ter uma vida de posses e confortável, porém, sabia que essa era uma obrigação, algo que não podia recusar e mesmo tendo coragem pra acabar com sua vida, não tinha a mesma coragem de fazer isso a outras pessoas, e fugir daquele casamento colocaria a vida de todo o seu vilarejo em risco, por isso se mantinha firme e agia como sempre fora treinada pra fazer.

—Seu imperador pediu que eu viesse a frente pra poder me certificar que as coisas sairiam de seu agrado. É muito importante que esse casamento seja bem sucedido e que prospere... –Temari fez uma pausa, observou a garota a sua frente torcer o nariz levemente. –Algo lhe desagrada?

A pergunta tomou a noiva de surpresa, ela achou que seu deslize seria imperceptível, mas a mulher guerreira a sua frente era mais observadora e habilidosa do que ela pensava.

—Me perdoe se estou sendo desagradável, mas se não percebe já cuidaram pra que tudo dê certo. –disse Ino apontando o quarto a sua volta.

—Eu percebi, mas não é a isso que me refiro...

—Ah não? –indagou Ino encabulada, fazendo Temari rir por dentro por tamanha inocência.

—Não, eu falo dos negócios, da organização e essas coisas. No quarto de vocês pouco me importa o que farão.

—Me desculpe, eu pensei que... –ela enrubesceu mais um pouco.

—Me permite lhe chamar de Ino?

—Claro.

—Ino, esse casamento é um erro, todos sabem disso, não serei hipócrita dizendo que se sujeitando a este casamento tudo vai ficar bem, porque não vai. Eu em seu lugar já teria dado o fora daqui, mas já que ficou, entenda uma coisa, nada que acontece na vida do imperador diz respeito as outras pessoas e isso incluirá a sua mulher agora, então nada saí do palácio dele, nem mesmo para sua irmã, entende?

—Ao menos não preciso fingir então que esse casamento é uma benção, porque não é, e quanto a sua ideia, eu só fiz pensar em fugir, de uma maneira ou de outra, mas eu não posso. –Ino estava muito seria, falava com firmeza e Temari se surpreendeu, a garotinha parecia uma mulher, uma guerreira. –É a honra de minha casa que está em jogo, é o povo deste lugar, não posso ser egoísta, além do mais, amo de mais meus pais, se posso fazer algo por eles, então não vou fugir. Entendo que este homem não é nenhum ser humano normal, deve ser o próprio demônio, mas vou cuidar pra que tudo saia direito e que Deus me ajude.

—Se é assim, vou terminar o que eu vim fazer. –ela tirou uma pasta de couro enrolada e presa junto a sua espada e estendeu sobre a cama, a abrindo, revelando um belo colar, um anel e brincos enormes, tudo de rubi e diamantes, eram peças lindas que deixaram ela impressionada.

—São lindos.

—Que bom que gostou, o imperador pede que as use hoje.

—Sinto muito, mas não posso. –disse Ino dedilhando as peças.

—Como é?

—Meu pai recebeu dos meus avó uma gargantilha de cristais, brincos de brilhante e uma pulseira de ouro branco, está na minha família a gerações e eu pretendo usá-las.

—Ino, ninguém desobedece o imperador, ele...

—Ele é o amo e o senhor, eu já sei, minha mãe repete isso pra mim desde que me entendo por gente, mas ainda assim, eu ainda não pertenço a ele ainda, de tal forma que estou disposta a enfrentar esse risco.

Temari olhou nos olhos de Ino e apesar de serem levemente opacos ela pode ver que um brilho se escondia no fundo deles e que ela era uma brava guerreira sim, uma mulher forte e independente dentro do corpo de uma garota determinada e respeitável.

“Talvez eu estivesse errada.” –pensou Temari sorrindo de canto.

—Se está disposta a enfrentar meu irmão, nada posso fazer. –disse Temari guardando a pasta das joias.

—Você disse irmão? –indagou Ino surpresa e arrependida.

—Lembra quando eu disse que nada sai do palacio nem para a irmã dele? Bom, eu falo com conhecimento de causa, afinal sou Temari Sabaku, irmã mais velha do Imperador da Areia, ao seu dispor. –a mulher fez uma mesura a Ino.

—Ai, minha nossa, me desculpe, eu não sabia. Eu disse aquelas coisas sobre demônio e...

Temari abriu um sorriso sádico.

—Não se preocupe, você foi muito gentil, já ouvi coisas muito piores, além do mais, o que ele é, o que nós dois somos, por mais que você não acredite, tem suas razões de ser, porém não quero dar desculpas, porque sei bem como ele pode ser terrível.

Ino sorriu bondosa e Temari sorriu de canto, as duas estavam se entendendo muito bem.

Notas finais
Bom, cá está o primeiro cap., espero q apreciem essa nova aposta e comentem, assim vou saber o q acham... até o proximo...