Imortal

4 Enfim, a festa


Terminei de me arrumar, peguei o celular e desci com Jason.

_ Muito obrigada mesmo.

_ Precisando, só me gritar.

_ Literalmente?

_ Sim, eu posso te ouvir.

_ Puxa, que legal!

Saí, tranquei a porta, e, magicamente Jason desapareceu.

Continuei meu percurso, que por sinal não era consideravelmente grande, e cheguei à casa, maravilhosa e aconchegante, de Stephan.

_ Chegueeeeeeei. – Dei um berro e uma risadinha.

_ Ah, pensei que você não vinha mais! – Steph disse parando sedutoramente na porta.

_ Claro. – Ri. – O quê nós vamos comer?

_ Eu fiz lasanha.

_ Hum, o cheiro está maravilhoso.

Entrei, tirei o agasalho e deixei em cima do sofá. Fui para a cozinha e Stephan já estava lá, me esperando.

_ Não vou comer muito; Tenho que estar perfeita hoje à noite.

_ Você já é perfeita. – Stephan me deu um beijo na testa.

_ Coloca um pouco de lasanha para mim? E ah, obrigada amor!

_ Claro. Esse pedaço está bom? – Ele apontou com a espátula.

_ Pode ser.

Stephan colocou o pedaço de lasanha no prato e me entregou. Cortou seu pedaço e sentou de frente para mim.

Eu estava bem quieta, pois não parava de pensar nos meus pais que ainda não haviam chegado, e não tinham hora para chegar. Eles estavam definitivamente correndo risco sem saber e a última coisa que eu queria no mundo era que eles se machucassem por minha culpa. Eu morreria por eles... De verdade, eu não estou brincando.

_ Ei, o que foi? – Stephan perguntou.

_ Ahn? – Pisquei e olhei para ele.

_ Você está muito calada.

_ Ah, só estou pensando no baile. – Dei uma risadinha falsa e sem jeito.

_ Car, o que está acontecendo?

_ Meus pais Steph...

_ O que têm eles?

_ Ainda não chegaram! – O desespero começou a sobressair em minha voz.

_ Eles te avisaram que atrasariam?

_ Meu pai me mandou uma mensagem.

_ Ah, então relaxa meu amor.

Fiquei calada e apenas terminei de comer. Não queria ficar rendendo o assunto e nem pensar em qualquer possibilidade de que meus pais estariam em perigo.

Stephan se levantou para lavar os pratos e eu encostei do lado da pia, de braços cruzados e cabeça baixa.

_ Car, não se preocupa...

_ Mas é que o Jason disse que...

_ Espera ai. – Stephan me interrompeu e fechou a cara. – Quem disse?

_ O Jason.

_ Carollyne, você quer mesmo acreditar nesse imbecil?

_ Stephan, mas o que ele disse realmente faz sentido.

_ E o que ele disse? – Stephan estava parado, ainda com a cara fechada e me observando.

_ Carl vai querer usar qualquer pessoa que tem ligação comigo. Ele vai querer me afetar e lógico que os alvos principais são todas as pessoas que eu amo.

Stephan riu.

_ Carollyne, Carl não é disso.

_ Stephan, você está percebendo como está agindo? – Eu balancei a cabeça negativamente, estreitei os olhos e desencostei da pia. – Você sabe que Jason está certo, mas não dá o braço a torcer porque está morrendo de ciúmes.

_ Claro que não!

_ Não? No começo você mesmo me disse que Carl era perigoso. Agora não é mais? Para de ser imaturo Stephan. Não é um joguinho! Para de colocar suas emoções e sentimentos no meio, porque isso vai nos atrapalhar.

_ Carollyne...

_ Quer saber? Fica ai com as suas hipóteses. E não precisa vir atrás de mim porque como você mesmo disse, ninguém corre riscos, então eu não preciso mais da sua proteção, posso cuidar de mim mesma.

Virei as costas e saí pisando duro; Peguei meu agasalho e abri a porta encarando o vento e o tempo, que de repente fechou e escureceu, parecendo guardar mágoas, trevas e muita vingança. Não preciso dizer que a minha sensação não foi uma das melhores.

Stephan estava agindo como um imbecil, e se ele não queria concordar com Jason, eu não iria mais querer a ajuda dele. A única forma que eu tinha de proteger todos, era me tornando vulnerável, e sem Stephan no caminho, isso seria mais fácil... Bem mais fácil. Na verdade, se eu parasse para pensar direito, eu não poderia contar com a ajuda de ninguém, porque pela lógica, todos que ajudassem iriam me proteger, e assim se tornariam vulneráveis também. Eu realmente acho que só eu já estava bom o suficiente, mais ninguém precisava se ferir porque eu queria fugir do meu próprio destino.

Continuei andando de volta para casa, e tive mais uma vez, a estranha sensação de estar sendo seguida.

Ao chegar em casa e deitar na cama, decidi que iria ao baile normalmente, mas esconderia a minha real intenção: Ser isca fácil para Carl. Jason estaria lá e Stephan também, então essa não seria uma tarefa muito fácil de ser concretizada, e eu precisava obter muito sucesso, aliás, total sucesso.

Olhei no relógio; Duas horas da tarde. Eu podia dar uma descansada e começar a me arrumar as quatro da tarde. Quisera a sorte que eu acordasse com meus pais escandalosos chegando em casa... Pelo menos eu torcia para que isso acontecesse; Eu precisava que isso acontecesse.

Dormi facilmente enquanto tentava pensar em uma maneira inteligente e fácil de me entregar.

A hora pareceu voar, pois meu celular despertou insinuando que já era hora de acordar, e eu parecia estar dormindo à apenas dez minutos ao invés de duas horas.

Assim que levantei, dei de cara com a decepção: Nenhum sinal dos meus pais. Enquanto arrumava a roupa, ligava o tempo todo para o celular do meu pai até cair na caixa postal. Tomei meu banho e continuei ligando e então a campainha tocou. Desliguei o telefone e saí correndo, apesar de estar de salto, com a esperança de que fossem meus pais super atrasados.

_ Achei que vocês não vinham... – Eu disse abrindo a porta.

Mais uma vez, decepção. Era Stephan.

_ O que você quer? – Eu fui hostil.

_ Me desculpar e te levar para o baile.

_ Entra. – Fiz sinal com a mão.

Subimos para o meu quarto e enquanto eu terminava de me arrumar Stephan dizia:

_ Olha Carollyne, eu realmente fui estúpido. É lógico que você está certa, Carl é perigoso. Eu só quero que você entenda que não pode confiar completamente no Jason, porque pode ser um truque dele.

_ Eu sei Stephan.

_ E olha, presta bem atenção... Eu não quero, e nunca quis te perder. Vou te proteger mesmo que você não queira, mesmo que você me expulse da sua casa, da sua vida.

_ Tudo bem Steph. Mas olha, acho bom você saber que Jason vai estar no baile também, e que estará me protegendo, tanto quanto você.

Ele fechou a cara, mas logo cedeu:

_ Tudo bem. Mas eu não confio cem por cento nele, se lembra disso.

_ Tá, eu vou me lembrar.

_ E seus pais não chegaram?

_ Ainda não, e não consegui falar com eles...

_ Talvez eles encontrem a gente lá.

Enquanto eu tentava aceitar essa possibilidade meu celular tocou.

_ Uma mensagem! Do meu pai! Ufa!

_ O que diz?

_ “Filha, mil desculpas pelo atraso. Nosso vôo vai sair agora, então não espere por nós; Pode ir para a festa, e nós nos encontramos lá. Beijos.”

_ Bom, pelo menos sabemos que está tudo bem.

_ Hum, não sei não...

_ O que?

_ Por que meu pai não atendeu quando liguei?

_ Talvez ele não tenha ouvido. Pode estar no silencioso.

_ Não sei... Isso está muito estranho para mim... Mas, então vamos?

_ Já está pronta?

_ Sim, agora estou.

_ Está linda!

_ Obrigada! – Dei um sorrisinho enquanto descia a escada.

Saímos na noite estrelada e fomos em direção à festa de formatura do colégio. Ainda sim eu estava preocupada, estava tudo muito esquisito e eu não estava com um bom pressentimento, o que indicava que alguma merda estava por acontecer.