Imortal
5 Um plano, uma armadilha
Chegamos ao salão de festas e eu fiquei maravilhada. Estava completamente lindo; Aquele pessoal da decoração sempre caprichava nas festas. Era admirável! Não é à toa que sempre as mesmas pessoas ficavam responsáveis pela decoração.
_ Oi amiga! – Lauren veio correndo em minha direção.
_ Lau! – Gritei e a abracei.
_ Que vestido maravilhoso!
_ Ah, obrigada! Meus pais que trouxeram para mim... Mas, o seu também está maravilhoso! – Eu disse.
Estávamos eu, Lauren, Phillipe e Stephan conversando na entrada quando eu disse:
_ Gente, eu já volto.
Saí em busca de Jason. Eu precisava saber onde ele estava. Rodei no meio de todo mundo até que alguém me cutucou, do nada.
_ Me procurando?
_ É, eu estava.
_ O que deseja?
_ Meu pai me mandou uma mensagem, mas eu não tenho certeza de que é real. Eu acho que tem alguma coisa acontecendo e eu estou ficando com muito medo de saber o que pode ser... Principalmente se for o que eu estou pensando.
_ Eu estou de olho em você, não se preocupe. Qualquer perigo, eu te aviso. E evita andar sozinha, tudo bem? Qualquer vacilo pode destruir tudo.
_ Pode deixar, não vou andar. Te vejo depois.
Voltei para o meu grupinho e tentei esconder a tensão, e só para variar, não consegui. Stephan percebeu e por isso me puxou para dançar.
_ Vai te ajudar a relaxar.
_ Ah, espera então. Vamos pegar um drink, vai ficar mais fácil relaxar assim, não acha?
Fomos até a mesa de bebidas e então eu peguei um coquetel cor de rosa e Steph pegou um azul. Bebemos tudo primeiro e depois fomos para a pista de dança.
_ Eu tenho vergonha Steph.
_ Não se preocupe.
_ Não quero pagar mico.
_ Ei. – Stephan tirou uma mecha de cabelo do meu rosto. – Fecha os olhos e confia em mim.
Ele passou as mãos pela minha cintura e começou a se movimentar. A música era lenta, daquele famoso estilo para dançar juntinho.
Eu realmente fechei os olhos e deixei Steph me conduzir.
Eu não sabia dançar muito bem, por isso evitava fazê-lo. Geralmente eu ficava sentada e conversando com as pessoas, e não dançando; Mas dessa vez eu senti uma segurança e um conforto que já não sentia desde quando havia sido juntada à alma de outra garota, que ironicamente deveria ser morta.
_ Steph, preciso ir ali.
_ Não é muito seguro você andar sozinha, é?
_ Não, não é. Mas relaxa. Só vou encontrar com Lauren.
_ Você quem sabe. Qualquer coisa eu estou ali, bebendo algo.
_ Tudo bem. – Dei um selinho nele e sai.
Procurei por Lauren e quando a encontrei, ela estava em um momento super fofo e romântico com Phil, por isso eu não atrapalhei e saí de fininho.
Fui para o banheiro ver a maquiagem e pensar um pouco no que poderia fazer. Olhei-me no espelho, apoiei na pia e fiz uma retrospectiva da minha vida desde o momento do acidente.
Eu fiquei mal e tive umas crises estranhas. Depois eu descobri que Carl me quereria. Carl era um bruxo e poderia se materializar para mim em qualquer momento. Sem contar que era do mal, ou seja, as trevas circundavam seu mundo.
Jimmy na verdade não era quem havia pensado. Ele nem era Jimmy mesmo, e até então só estava aqui para me capturar e me colocar em um caminho mortal e completamente irreversível. Ele era Jason, um cara com a função de me seguir. Era do mal e pela lógica eu não deveria nunca confiar nele. Mas, as coisas mudaram e ele disse que mudou de planos e seguiu um caminho diferente daquele que lhe havia sido imposto. Tecnicamente eu não deveria confiar cegamente nele, porque eu não tinha a certeza se ele estava falando a verdade. Eu esperava que sim; E agora ele estava ao meu lado e me protegia.
E Stephan? Meu garoto, que só queria me proteger de tudo que pudesse me fazer mal, apesar de constantemente morrer de ciúmes e comprometer todo o tipo de proteção que ele pretendia me oferecer.
Eu não sabia o que fazer e nem por onde começar. Definitivamente o meu mundo estava se desmoronando aos poucos.
Na real, eu estava confusa desde quando tinha passado pela junção de almas, que até então eu nem sabia que existia; E parando para pensar, eu queria o abraço aconchegante do meu pai e o sorriso contagiante da minha mãe, e esta é a parte na qual eu também me sinto culpada. Eu não tive coragem de contar para os meus pais com medo da reação deles, mas talvez, se tivesse contado, eles não estariam fora da cidade. Automaticamente não estariam correndo tantos riscos e eu não estaria tão preocupada porque até então meus pais tinham “sumido”. Digo entre aspas porque eu não tinha certeza absoluta se aquela mensagem era verídica. Havia probabilidades de eles estarem nas mãos de Carl, e esse era meu maior medo.
Eu estava me expondo demais, correndo riscos demais, e mesmo assim não conseguia pensar em um jeito de não machucar pessoas que eram inocentes. Qualquer um que fosse próximo a mim, era vítima do vilão, e isso estava completamente errado.
Eu já não estava mais com tanto medo da morte, porque talvez eu já tivesse completado a minha missão. O único medo era perder alguém que não tem culpa de nada. E por isso eu acabei tomando uma decisão que poderia ser considerada estúpida por todos e que para mim, não faria muita diferença. Era o que eu tinha que fazer.
Saí do banheiro e fui atrás de Jason; E para constar, não foi tão difícil encontrá-lo, já que ele estava com todas as suas atenções voltadas para mim.
_ O que você quer Carol?
_ Jason, eu preciso te dizer uma coisa...
_ O que houve? – O coração dele batia tão rápido que quase pulava pela boca; Eu conseguia ouvi-lo bombear o sangue quente pelo corpo de Jason.
_ Não estou com bons pressentimentos, e é por isso que eu decidi... Vou me entregar. Vou dar um jeito de fazer isso o mais rápido que conseguir, porque não posso machucar ninguém. Não quero envolver inocentes na lista de morte de Carl. Só eu já basto.
_ Carol, você está doida? – Jason arregalou os olhos e quase berrou.
Ele segurou meu braço e eu percebi que não ia conseguir fugir dele, afinal, ele era um bruxo, um homem, e pelas leis da natureza, era mais forte que eu.
Abaixei a cabeça e depois de alguns segundos levantei rindo:
_ Realmente, onde eu estou com a cabeça? Acho que essa história toda está me deixando paranóica! Eu não vou me entregar... Claro que não.
_ Acho bom você não fazer isso mesmo. De verdade Carollyne; Você não pode abrir uma brecha, porque Carl é mil vezes mais esperto que todos nós.
_ Relaxa, não vou vacilar. Então, você pode fazer um favor para mim? Ache o Stephan e vocês dois, me encontrem no jardim daqui a 10 minutos, acabei de formular um plano.
_ Que plano?
_ Lá eu te conto, ok?
_ Tudo bem, mas cuidado.
Não, eu não tinha nenhum plano, e pela primeira vez eu tinha conseguido ser muito esperta. Eu enganei Jason facilmente. Agora eu ia para o jardim e precisava atrair Carl. Eu só não sabia como o faria.
Quando cheguei ao local marcado, eu estava terrivelmente aflita e tentando raciocinar em meio ao turbilhão de pensamentos que corriam soltos pela minha mente.
_ Você não deveria estar sozinha. – Uma voz estranhamente sedutora saiu do escuro.
_ Em? Quem está ai? – Me Virei para ver se via algo ou alguém, e nada.
_ Ora, ora... Não está me reconhecendo?
_ Jason, para de brincadeiras; Não é hora para isso.
_ Não minha querida, não é o estúpido do Jason. Sou eu. Como você pode me confundir tão fácil assim? – O homem velho saiu de trás dos arbustos; Mas antes de olhá-lo eu já havia reconhecido a voz e o jeito sarcástico de falar... Era Carl.
_ O que você quer em?
_ Mas você já sabe, por que pergunta?
_ Por que você está aqui?
Carl não respondeu ao certo a minha pergunta, e na verdade me fez uma pergunta que mudaria todo o rumo da história daqui para frente.
_ Talvez você queira saber onde estão seus pais, não?
Gelei. Um calafrio súbito me subiu a espinha e eu quase cuspi o medo e o choque que sentia. Eu não queria ouvir as próximas palavras e eu tinha aflição em saber que infelizmente o que eu não queria que acontecesse, havia acontecido.
Devido à reação, fiquei paralisada e arregalei os olhos, engolindo em seco o espanto, e apesar de tentar não demonstrar meu desespero, não consegui, e para não piorar a situação, fiquei calada.
Carl deu uma risada estrondosa e medonha. Ele parecia sentir prazer em ver meu sofrimento. E mais umas vez o calafrio percorreu meu corpo.
_ Como você é tola garota! Acha mesmo que tudo ia conspirar ao seu favor sem eu sequer usufruir da vingança?
_ Mas eu não fiz nada para te irritar! Imbecil. – Eu cuspi as palavras, tentando parecer o mais forte possível.
_ Jason fez.
_ Eu não tenho culpa disso, resolva com ele.
_ Se eu fosse você não me irritava, ou seus pobres pais vão pagar o preço com a vida. Que filha ingrata você seria. Deixar seus pais morrerem no seu lugar.
_ Solta eles e eu me entrego! – Disse sem pensar duas vezes.
_ Como eu vou ter certeza de que você manterá sua palavra?
_ Simples... Não quero que você machuque ninguém no meu lugar, e disso você com certeza já sabe. Se o destino me reserva a morte, que assim seja. Ninguém tem culpa e por isso não merecem sofrer no meu lugar. Se eu tenho que morrer, tudo bem, eu vou contigo sem questionar.
_ Tenho sua promessa?
_ Com toda certeza. Estou aqui, vulnerável certo? Eu sabia que você ia me procurar, por isso vim sem Stephan e Jason.
E falando nos dois garotos, eles surgiram bem na hora e ao verem Carl comigo, saíram correndo em nossa direção. Como em um passe de mágica, Carl ficou atrás de mim e me segurou pelo pescoço. Comecei a tossir e então ele disse:
_ Nem mais um passo, ou ela morre aqui mesmo.
_ Seu canalha! Solta ela! – Stephan berrava.
_ Steph, ele está com os meus pais!
_ Não Carol, não vai com ele!
_ Meu amor, eu não posso...
_ Não!
_ Entenda. Eu amo você. – Eu disse em meio às lágrimas quentes que desciam freneticamente pelas minhas bochechas, levando junto a minha maquiagem e manchando meu vestido novo.
Pude ver seus olhos transbordarem água, e juntamente, os olhos de Jason. Isso foi uma das maiores provas de que ele realmente estava do meu lado, e que queria me proteger.
_ Carol, por favor, não faz isso. – Jason disse com um choro engasgado.
_ Jas, Steph... Por favor, entendam! É pelos meus pais... Não tem outro jeito.
_ Quanta melação, já chega vocês não acham? – Carl disse abusando de cinismo. – O amor me dá enjôos. Mas por outro lado me fascina, porque essa droga de sentimento trás muito sofrimento a algumas pessoas. Inclusive, acho que posso brincar um pouco com vocês.
_ Seu cafajeste! Cala essa boca imunda! – Stephan gritava, abafando todas as lágrimas que caiam no chão.
_ Você vai pagar por isso Carl... – Jason disse vagarosamente cada palavra.
_ Veremos, traidor estúpido. – Carl disse maleficamente e riu.
_ Por favor, me perdoem! Não tenho outra escolha. – Eu dizia em tom baixo e soluçava de tanto chorar.
Meus olhos já estavam vermelhos e inchados. Toda a maquiagem borrada. Eu definitivamente parecia um monstro... Não estava nem um pouco atrativa.
O céu se rebelava, e ficava cada vez mais fechado. As nuvens escuras insinuavam-se em uma constante movimentação acima de nós e o vento mais gélido que o normal, soprava com força e até cantarolava uma canção sombria. Bagunçava meus cabelos, embolando-os.
_ Carol, deve haver outro jeito! Não faz isso! – Jason implorou enquanto Stephan apenas me olhava e tentava segurar as lágrimas, sendo que algumas conseguiam escapar.
_ Jas, não insiste. Chegou o fim e eu irei junto com ele. Só lhe peço um favor... Expliquem aos meus pais o que aconteceu, e que infelizmente eles nunca mais me verão. E deixem claro que eu fiz isso por eles, por vocês e por mim mesma. Não usem palavras fortes, mas não dêem muitas voltas. Apenas não sejam tão óbvios, acalmem meus pais antes de dizer.
Em fração de segundos, Carl fez algo e eu senti meu corpo enfraquecer... A vista escurecer. Antes que eu desmaiasse, consegui sibilar para os dois garotos, que sofriam à minha frente:
_ Eu amo vocês. Obrigada.
E então caí desmaiada.
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