Imortais | Fatais

1 Prefácio | Parece piada de mal gosto


Não havia exatamente um motivo para aquilo, era o que os especialistas na TV estavam dizendo, apesar de muito incomum, a morte era a única despida de qualquer conceito pré concebido.

Essa morte é diferente, tá tão na cara que chega a ser cômico.

Por isso toda aquela comoção poderia ter sido resumida a uma hashtag nas redes sociais ou algo do tipo.

Uma pessoa tinha morrido. Apenas isso. Ainda assim, era o assunto mais comentado no mundo.

Por favor, superem a aversão de vocês as demonstrações de afeto.

Mas as pessoas na TV não iriam superar. Não com menos de um mês destrinchando aquela morte em específico.

Afinal, não era todo dia que um Avatar morria. Morria não, era assassinado.

Não havia muitos detalhes, mas havia muita especulação.

A imprensa ultimamente só trabalha com especulação...

Alguns especulavam que a rixa divina tinha finalmente partido para as vias de fato e feito sua vítima. Outros apontavam motivos para outros onze avatares, que variavam de prints de tweets com ameaças a rumores e fotos tiradas de aparentes hematomas que poderiam de agressões físicas.

Os canais que não teorizavam sobre o assassinato destrincharam os significados dos memoriais criados pelo país. Das fotos aos cartazes e as vigílias aos poemas e ações que tinham disparado nos mercados mundiais desde que a manchete tinha saído.

Avatar da deusa Juno é encontrado morto.

Enquanto continuava a ler matérias que diziam a mesma coisa que as pessoas nos canais de TV, o rapaz começava a montar sua lista de possíveis suspeitos.

Ele não precisava realmente fazer aquilo tudo naquele momento, mas até a chegada de um sacerdote para o ajudar, não tinha mais nada com o que se ocupar, então, estava… trabalhando.

Na TV, o letreiro de break news interrompeu o falatório dos tais especialistas, um comunicado de lamentação pela morte da divindade e de que haveria uma investigação paralela à da polícia e todo aquele falatório de que estavam todos muito abalados e que não invadissem a privacidade dos sacerdotes e superiores, e que não acreditassem em fake news.

Por um par de segundos, ele ponderou não procurar pelos rumores escabrosos em respeito a deusa, mas seus dedos já digitavam o nome dele na barra de pesquisa.

E então a notificação do e-mail que esperava chegou, com indicações de como proceder – como se precisasse delas, trabalhava naquele ramo desde o início da adolescência. – e o horário da chegada de alguém para lhe ajudar. Voltou a procurar pelos links recentes envolvendo o nome de Juno, e céus, pobre Avatar, tinha lidado muito bem com os destemperos da deusa.

Ergueu novamente os olhos para a TV, onde o comissário de polícia responsável estava dando uma coletiva, garantindo que seus homens estariam em conjunto com a investigação interna.

Então teve que rir, pura e simplesmente pela maneira irônica que o universo tinha de fazê-lo trabalhar em equipe, pois era muito claro que tudo seria uma constante briga de egos, além de parecer com o início de uma piada de humor duvidoso.

Um policial, um sacerdote e um atirador se encontram num aeroporto…

Notas finais
Comentários, teorias e sugestões são sempre bem vindos