Immortal

13 Um Barril Cheio De Pólvora E Um Fósforo Riscado!


Notas iniciais
Eu merecia um prêmio por conseguir postar rápido estando tão atolada, hehehe! Espero que estejam gostando da fic! =]

Magneto cambaleou alguns passos ao longo do acampamento em que se abrigava a Irmandade, incapaz até mesmo de andar com estabilidade por conta das pernas que bambeavam em fraqueza exponencial. Pôde sentir mais um fiapo de sua preciosa vida lhe abandonar de súbito, a mão extremamente idosa e trêmula quase não sendo capaz de segurar-se no tronco de uma árvore ao seu lado e impedir sua queda.

Seus olhos estavam nitidamente mais afundados e uma ligeira opacidade dava lugar ao antigo brilho indomável que sempre lhe dera um aspecto ameaçador. Mas que agora haviam se perdido na expressão cheia de dor que marcava a face idosa, tão idosa como se a pele do homem não passasse de um fino pergaminho prestes a se romper.

Desde que fizera o pronunciamento em rede nacional, sabia ter envelhecido mais por conta de seus últimos... ofícios...

Mas ao menos sabia ter conquistado o efeito que tanto almejara! O medo parecia ter se instalado em meio à comunidade humana, e a raça inferior denominada Homo sapiens finalmente seria colocada em seu devido lugar – o lugar do extermínio, aquele que pertencia aos humanos por direito.

O mutante respirou fundo, reiniciando a árdua caminhada até sua cabana. Mística prostrou-se rapidamente ao seu lado ao percebê-lo, fornecendo apoio ao corpo que a cada minuto perdia um pouco mais da destreza que antes lhe era tão natural. O olhar da mulher era frio e distante, visivelmente irritado com a situação daquele que tanto admirava e que, seguindo aquele curso, em breve seria reduzido a mero pó. Magneto aceitou a ajuda de bom grado, despejando o próprio peso sobre o corpo azul-escamoso da mutante.

– Não me olhe assim, querida! – tentou soar firme, mas a voz falhada e fraca o impediu daquele intuito.

– Se continuar com isso, vai se matar! – o timbre de Mística saiu tão rouco quanto seco, acusando-o por algo que era naturalmente óbvio, mas que parecia escapar ao bom-senso de Magneto.

– Não se preocupe. Eu tenho um plano! – seus passos vacilaram ao lado do ritmo contido de Mística.

– Você devia ter usado a garota de novo. Ela morreria no seu lugar! – lamentou, como se já tivesse usado aquele argumento infinitas vezes.

– Vampira não é uma opção dessa vez, minha querida, eu já lhe expliquei isso! Para ter sucesso no que eu estou fazendo, ela precisaria sorver o meu poder continuamente, e eu morreria mais rápido do que se eu mesmo me sujeitasse ao que está sendo feito, como é o caso. É da Eve que eu realmente preciso! Só ela pode reverter o que eu comecei...

Mística manteve-se em completo silêncio, limitando-se a carregar a carne fraca de Magneto pelos poucos metros que faltavam, mas que pareciam arrastar-se em meio à lentidão com que avançavam. A mutante simplesmente não podia acreditar que toda a desenvoltura de Magneto meramente se perdia conforme os eventos irremediáveis que desencadeara cobravam o seu preço cruel.

Afinal alcançaram a cabana, agachando-se ligeiramente para ultrapassar a entrada, e assim que vislumbraram o seu interior, perceberam a imagem de Xavier encarando-os com os cotovelos apoiados sobre os braços da cadeira de rodas, suas mãos cruzando-se em frente ao próprio rosto de ar preocupado.

– Ora, parece que temos visita... – comentou junto à tentativa de um sorriso, e novamente Charles surpreendeu-se com a imagem acabada de seu amigo de longas datas.

– Quer que eu o mande de volta ao seu lugar? – Mística perguntou, já estreitando os ameaçadores olhos de íris amareladas em direção ao professor, preparada para um possível confronto com o telepata.

– Deixe-nos a sós, Mística... – Magneto ordenou, vendo-a obedecer à contragosto após um instante de hesitação, retirando-se da cabana com um último olhar indisciplinado e inconformado. Magneto sentou-se próximo a Xavier, imaginando o tipo de sentimento do professor ao seu respeito – Eu sabia que cedo ou tarde você viria, Charles.

– A sua declaração pública foi no mínimo perturbadora, Erik... – avisou, esforçando-se para não manter o foco de sua atenção na aparência extremamente abalada de Magneto, quase indistinguível aos seus olhos – O que você pretende dessa vez?

– Nada que você possa impedir, meu velho amigo. O que está feito está feito! – suspirou de forma cansada, a aparência cada vez mais frágil dando a Erik um aspecto que se traduzia em morte – Você não pode fazer nada, mas há uma Xavier que sim...

– Você quer o poder de cura da Eve... – concluiu o evidente, contudo ainda sem compreender os motivos que o levaram a precisar da mutação de sua filha – O que você fez? – insistiu na pergunta, cada vez mais preocupado não só com a saúde do mutante, mas também com todos que poderiam sair prejudicados com as consequências que certamente adviriam de seus atos.

Erik, antes de sequer conseguir responder, contorceu-se sobre o próprio corpo numa agonizante crise de dor que o fez estremecer em completa aflição. Charles testemunhou, num único milésimo de segundo, vários anos serem agregados ao mutante à sua frente, agora aparentando ainda mais fragilidade nas extensas e recém-formadas rugas de sua pele solta. Os olhos ganharam uma coloração doentia, como se estivessem dominados pela catarata, e a voz que saia com dificuldade de seus lábios pregueados soaram ainda mais fracas, perdendo o pouco orgulho que existia em seu timbre quase irreconhecível. O professor reparou que cada porção do amigo estava, no mínimo, cinco anos mais frágil do que quando entrara na cabana, cada respiração um pouco mais dificultada do que a última, o corpo parecendo entrar num estado inicial de caquexia.

– Eu fui muito além do que devia, Charles. – levantou lentamente os olhos, fitando o cadeirante, e pela primeira vez, Xavier viu o medo desconcertar seus olhos azuis e embriagados pelo cansaço – Desencadeei eventos de inimaginável magnitude, e que agora estão completamente fora do meu controle. – o mutante ilustrou, retirando o capacete vermelho de bordas douradas num convite para que o professor visse com os próprios olhos o que Magneto fizera, num gesto de evidente desespero à própria saúde, sem vislumbrar qualquer outra escolha para si ao submeter seus planos ao conhecimento de Xavier, como se implorasse por socorro.

Charles precisou de alguns poucos minutos para interpretar a mente do outro mutante, e ao finalmente fazê-lo, seus olhos se arregalaram em perplexidade, totalmente perturbados pelo conjunto de memórias que acabara de presenciar.

– Você tem que reverter isso, Erik! – Xavier falou, sua voz temperada pelo pânico das implicações que a loucura de Magneto resultaria, não imaginando que sua obsessão o levasse a caminhos tão longes. Caminhos esses tão longínquos que Charles temia serem irreversíveis...

– Creio não possuir o conhecimento para tal, meu amigo. E muito menos tempo...

Notas finais
Não me xinguem pelo suspense, é mais forte do que eu... =P Vou me despedir com palavras de pura sabedoria para que vocês tenham um momento de reflexão: "Manda esse treco de volta senão o bicho pega!" x]