Immortal
24 Quando O Furacão Se Aproxima...
Notas iniciais
O menino jazia sobre a cama, o suor descendo corriqueiro por seus traços infantis e aparentemente doloridos. Debatia-se com afinco, à mercê de um dos muitos pesadelos que vinha tendo rotineiramente, aumentando ainda mais o desconforto do enfermo e perturbado garoto.
Ele arfava, ardendo em febre, o frio exclusivo de seu corpo se traduzindo em transpiração por conta da elevada temperatura de sua pele, fazendo-o tremer com relativa força durante o conturbado e difuso sono.
Suas posições eram inconstantes, mudando com incômoda frequência, e sua respiração dificultosa e alta quase chegou a abafar o leve rugido da porta se abrindo.
O homem alto, de olhos e cabelos castanhos, entrou no quarto do filho, alarmado pelas constantes febres e tremores de seu garoto, verdadeiramente preocupado com a integridade da superficial saúde de Logan, tão frágil que a qualquer momento parecia prestes a se estilhaçar.
Sentou-se no leito do filho, passando a mão firme por sua testa em brasas, focado nos pequenos olhos fechados que se contraíam com regularidade, ainda incomodados pelas imagens de seu perturbado sono.
Passou os dedos pelas grossas gotículas de suor, considerando se deveria despertá-lo ou não. Uma nova convulsão chegou como que para responder aquela dúvida, encerrando-a. Sacudiu o filho com zelo e firmeza, disposto a despertá-lo de seu novo pesadelo, imaginando se era chegada a hora de chamar por alguma intervenção médica...
...Até que os olhos de seu filho se abrissem num brilho exótico e assustado, e o grito que saiu dos lábios infantis prenunciou a lancinante e repentina dor que se alojou no abdômen do pai.
Olhou na direção da região que agora pulsava pela agonia, e percebeu garras saindo de ambas as mãos dos filhos e penetrando em sua própria carne. Logan também fitava, horrorizado, as estranhas garras que cortaram o pai, sem saber se aquilo era parte do pesadelo ou se havia de fato acordado.
– O que é você? – o pai perguntou com certa acusação, um filete de sangue escapando pelo canto da boca, uma linha rubra ofuscando a palidez de sua pele.
Charles Xavier afastou-se um pouco das memórias agora reveladas de Logan, percebendo-o retesar à medida que o professor ia mais a fundo em sua mente, explorando cada canto de suas memórias que se abriam com uma facilidade antes inexistente.
– Relaxe, Logan – a voz calma do professor desprendeu-se num tom tranquilizante, massageando de leve as têmporas do mutante sobre seus dedos, visando acalmá-lo – Eu vou avançar alguns anos, tudo bem? Agora respire fundo e tente não pensar em nada. Esvazie a mente, Logan, concentre-se apenas no ato de inspirar e expirar.
O mutante acolheu a recomendação da forma mais imediata que pôde, respirando fundo, fazendo o possível para acatar as instruções do professor. Não entendia por que Charles agora era capaz de ver o seu passado com tanta facilidade, mas decidiu ignorar essa dúvida por ora... Por mais que seu instinto fosse ansiosamente voraz, preferiu manter a pergunta para si até que houvesse comprovado todo o passado que Eve lhe contara.
Deixou-se embargar pela calma o máximo que foi capaz, e nisso sua mente mais uma vez se abriu à passagem de Xavier, completamente passiva ao poder telepático que prometia finalmente dar as respostas que tanto buscou, dessa vez com maiores detalhes.
Já era um homem feito.
Seu corpo ganhara os generosos músculos que se manteriam constantes ao longo de sua vida, e sua mente adquirira o hábito do frio planejamento, borbulhando de inúmeras ideias que iam rumo a uma única direção, focadas num intuito que muitos julgariam insano, mas que já se desenrolava à sua frente sem grandes problemas.
Estava, afinal, na Casa Branca, e encarava o rosto lívido do presidente há apenas poucos metros de distância, separados por um mísero corredor e muitos seguranças...
...Que, na realidade, nada significavam!
Logan deu o primeiro passo, sem desviar os olhos do político de alto escalão em momento algum, e logo as explosões vieram em sua direção, os tiros enchendo-lhe os ouvidos à medida que seus estrondos se unificavam num insuportável estouro.
Sangue esguichou de seu corpo, e o fato de poder curar-se instantaneamente não fez com que a dor fosse menor em nenhum momento. Mas tudo se resumia apenas à dor instantânea, e logo que a integridade de seu organismo voltava a se firmar, toda a aflição retrocedia como se jamais houvesse existido.
O mutante foi atingido à queima roupa por oito seguranças de semblante impassível, oito pares de olhos dispostos a matar, dezesseis olhos focados e astutos de pistoleiros, que jamais se desviariam do alvo. Foi apenas quando, em perfeita sincronia, os guarda-costas fizeram uma breve pausa para recarregar, que Logan deu enfim início à sua própria investida.
Liberou as garras, alcançando logo dois dos pistoleiros que estavam à frente, ambos os golpes no peito, um deles tão certeiro que o mutante foi capaz de sentir o último pulsar do coração atingido bem sobre sua tríade de garras. Os outros seis, desconcertados, hesitaram ao se dar conta não só da inexplicável cura de seu alvo, como também da arma que ele carregava como um prolongamento do próprio corpo.
Urrou, dominado pelo êxtase de seu intuito, atingindo o pescoço da terceira vítima, arrancando-lhe a cabeça sem o menor indício de dificuldade. Antes que caísse, sangue jorrou num forte jato das carótidas do cadáver, atingindo o rosto de Logan, que já se virava para os olhos arregalados que o encaravam, embasbacados, sem reação. Em resposta à apatia do oponente, este arrecadou três cortes extremamente profundos e paralelos em seu ventre, e logo a vida e o medo se esvaíram daquele olhar, antes assustados.
Os seguranças restantes perceberam que a surpresa repentina de seu colega de trabalho o levara à morte imediata, despertando os demais para a vigência do que deveria ser feito. Com as mãos levemente trêmulas, dedicaram-se a recarregar as pistolas, dando aos movimentos uma urgência preocupada, temerosa ao vislumbrar as capacidades sobre-humanas do invasor.
Antes que pudessem terminar, Logan ainda foi rápido o bastante para mais um ataque, aumentando a contagem daquela carnificina com o novo corpo, o homem morto com um brutal golpe que começou em sua virilha e terminou na altura de seu tórax.
Restavam agora apenas três. Menos da metade do que havia há cerca de um minuto, e bem menos do que Logan gostaria que existisse.
As armas, já recarregadas, voltaram a bradar suas explosivas vocalizações ofensivas e estridentes, as fatais balas voando impassíveis pelo recinto, várias acertando a mira, contudo com efeitos limitados, sem o potencial mortífero perante a mutação daquele que atingiam, certas de seu rumo.
A rajada fez com que Logan se desequilibrasse, e seu corpo tombou, carregado pela inércia dos projéteis que o alcançaram. O mutante deslizou pelo piso, arquejando com dificuldade por conta de uma das balas que parecia ter atingido em cheio um de seus pulmões.
Aproveitou a proximidade com um dos homens do presidente, lacerando profundamente a perna esquerda do segurança, escutando de imediato a grito agoniado que veio junto ao golpe incisivo. A artéria femoral foi completamente rasgada, e mais sangue se juntou à poça rubra e viscosa que agora dominava o piso antes requintado e perfeitamente limpo da sala da presidência.
O segurança atingido caiu, perdendo mais sangue do que seu organismo seria capaz de repor, e logo já estava doentiamente pálido com a quantidade do vital líquido drenado. Morreria em apenas alguns minutos, já incapacitado naquela pequena guerra em que apenas um mutante era o adversário.
Logan levantou-se, afinal recomposto do desconcertante tiro que por um tempo realmente doloroso o impediu de respirar, o olhar novamente focado nas últimas e insignificantes vítimas que barravam seu caminho até o presidente.
Os dois últimos seguranças, teimosos, ainda persistiam em proteger a figura mais importante do país, a figura que os Estados Unidos idolatravam naquele posto do mais venerado ofício, tão importante para cada um dos habitantes como o próprio símbolo de seu exacerbado nacionalismo. O mutante precipitou-se, as mãos a postos, voando de encontro à carne do inimigo com uma rapidez notável. As garras convergiram uma em direção à outra, ambas chegando à barriga do homem e dilacerando o segurança ao meio, rasgado de modo que apenas a sua coluna vertebral se mantivesse íntegra.
Afinal, bastava apenas um.
O último segurança encarou a fundo o invasor, atordoado. Parou de investir por meio de balas, percebendo que prosseguir naquela abordagem de nada adiantaria. O homem de traços endurecidos correu na direção do mutante numa investida desesperada, um urro de guerra gorgolejando por sua garganta conforme vencia distância, ciente de que aquela provavelmente seria a última corrida de sua vida.
Estava absolutamente certo.
O guarda-costas projetou a coronha da arma de modo a mirá-la na direção do pescoço de Logan enquanto corria vigorosamente ao seu encontro. Tencionou o ataque de misericórdia, porém foi surpreendido pela desconcertante rapidez do mutante, que atingiu o pulso que antes segurava a pistola, cortando fora a mão do homem. Ele, à semelhança do último, gritou com terror, fitando horrorizado o toco sangrento que agora tinha no lugar dos cinco dedos. Logan segurou com firmeza a cabeça do último segurança e a estralou para o lado, quebrando o pescoço do oitavo homem.
Virou o rosto repleto do sangue alheio para o presidente, e percebeu que o ambiente cheirava à morte. Olhos assustados e intensamente azuis o encaravam por detrás de uma majestosa mesa, engolindo em seco por saber que seria o próximo...
O mutante se aproximou sem qualquer cerimônia diante da ilustre presença, e quando estava perto o suficiente para se apoiar no tampo da mesa em que o próprio presidente se escorava, recolheu as garras, atraindo uma expressão confusa e levemente esperançosa dos olhos azuis.
– Eu não quero machucá-lo, senhor! – Logan falou, dotado de um inconveniente respeito após gerar tantas mortes por suas próprias mãos.
– O que quer então, mutante? – perguntou com admirável coragem, impondo-se fracamente ao comando de uma voz que prometia falhar.
– Tratar de negócios... – avisou, o rosto coberto de sangue agora repuxado num breve e insolente sorriso, tão cheio de ferocidade como cada pequeno traço do curioso mutante.
Xavier deu um novo minuto de folga à turbulenta mente do mutante, que lhe confiava suas memórias mais íntimas e esquecidas sem qualquer restrição ou barganha. O professor sentiu-se extremamente empático à situação de Wolverine, perguntando-se em alguns momentos até que ponto lhe faria bem conhecer um passado que parecia tão áspero e pouquíssimo cordial. Talvez a ignorância, por mais desconcertante que pudesse ser, parecia uma alternativa mais afável em meio a tantas farpas.
Nesse pequeno meio tempo de descanso, Logan permaneceu exatamente na mesma posição, o rosto rígido evidenciando seu descontentamento com o que via através de olhos internos. Veias sobressaltavam-se ao longo de sua pele como uma forma a mais de confirmar a tensão em seu corpo, mas o mutante nada disse. Apenas aguardou a nova intervenção do professor, ansioso por dar um fim concreto àquelas sessões.
Pela última vez Charles adentrou naquela mente, desconfiando sabidamente de que jamais o faria de novo. E, de fato, nunca mais tornou a fazer.
Logan caminhava confiante pelos corredores da GlobalGen, carregando junto a si uma prancheta com dados da última coleta que arrecadaram como cobaias, lendo brevemente os perfis resumidos que ali se descreviam. O jaleco, de uso obrigatório naquelas instalações, deixava-o com ares acadêmicos que não faziam jus ao seu físico notadamente atlético.
Em relação ao andamento anônimo da empresa, tudo corria de acordo com o plano, melhor ainda do que Logan poderia supor! Contudo, as pesquisas ainda avançavam a passos mais lentos do que permitia sua estreita e rasa paciência, e a demora em resultados pela cura que buscava já começava a irritá-lo profundamente...
Na equipe da GlobalGen (ou Double G, como era mais informalmente chamada pelos seus integrantes), achavam-se as personalidades mais ilustres na área de manipulação genética, mas nem mesmo munidos de todos os recursos possíveis, as brilhantes mentes pareciam avançar em suas pesquisas...
...Até que Logan, no comando das diretrizes da empresa, decretou que passariam a usar cobaias mutantes, e em apenas alguns meses, os estudos avançaram em compensação a todos os anos em que se mantiveram parados.
A cada dia transcorrido, sentia que de fato se aproximavam com relevância de seu intuito.
Era apenas uma questão de tempo para que o mutante se livrasse daquela doença que o marcava, que o fizera anormal com poderes que ele jamais havia desejado. Uma aberração, como vira nos olhos de seu pai em seus últimos momentos de vida, quando ambos descobriram a real essência do franzino menino.
Os mutantes cobaias, engaiolados em suas respectivas jaulas de diminutas dimensões, pareciam patéticos aos olhos de Logan. Acuados como meros animais assustados, jamais encarando ninguém diretamente nos olhos, sempre submissos dentro de seus medos e tão perdidos quanto sua própria coragem, esta subjugada por completo nas dependências silenciosas da GlobalGen.
De súbito, enquanto caminhava distraído, uma mão idosa ultrapassou as grades da gaiola e segurou a canela esquerda de Logan, o rosto igualmente velho e imundo direcionado ao carcereiro. Suas íris tinham a característica cor da cegueira, de um completo azul tão claro quanto possível. Um olhar de relance poderia confundir com o branco.
O prisioneiro parecia de todo cego, porém Logan não teve a menor dúvida de que era visto pelo inusitado olhar...
...Indubitavelmente observado como jamais fora em toda a sua vida.
Ele perdeu-se naquele breve instante, sem reagir, alarmado e bestificado pela intensidade com que era preso naquela alucinada contemplação.
– Isso não vai acabar... – o homem de longa barba grisalha avisou, os joelhos ralados servindo-lhe de apoio sobre o piso áspero junto com a mão esquerda livre, enquanto a direita aumentava de forma surpreendente o aperto que destinava à canela de Logan – Você espera que acabe, mas não vai! – repetiu, a voz rouca e frágil vibrando num cântico desafinado, dona de uma desconcertante autoridade.
– Me solte, mutante! – bradou, mantendo apenas para si o arrepio interno que aquela figura lhe trouxe, aflorando diversos sentidos de autopreservação que, para aquele homem, eram praticamente inexistentes justamente por conta do seu poder curativo.
– A Cura será só o começo! O começo de muito do que ainda está por vir. O começo do fim!
Logan sobressaltou-se à menção do nome do projeto, ajoelhando-se diante da gaiola para poder encarar mais completamente o prisioneiro feito de cobaia. Tremeu por dentro ao notar os vazios olhos acompanharem aquele movimento em total sincronismo.
– Como você sabe da Cura? – rugiu, segurando com força o braço que ainda se projetava para além das grades – Isso é altamente sigiloso! Como você soube?
– Eu vejo, Logan. – falou com displicente serenidade, notando os dedos do mutante se afrouxarem de surpresa sobre sua pele ao ouvir o próprio nome vindo de bocas desconhecidas – Meus olhos são cegos para o presente, mas estão vivos para o futuro. Eu vejo. Depois da Cura haverá apenas sangue e guerra... Mutantes serão dizimados por algo mais letal e cruel do que a própria morte. Nossa raça será restringida ao que sobreviver da História, caso seja conveniente registrar tamanha covardia. Seremos reduzidos ao pó, e este lugar será o vento que vai varrer os mutantes para longe da existência...
– Você não passa de um mutante velho e ensandecido! Não sabe o que diz. – Logan afirmou com uma certeza mais categórica do que realmente sentia, ainda assustado pelo vasto leque de informações que o prisioneiro demonstrara em tão poucas palavras trocadas.
– Você está obcecado por algo que vai sair de seu controle, que vai trai-lo. Da Cura, a GlobalGen partirá para a Praga, que se arrastará pelos continentes à velocidade do vento, e ninguém que carregar a mutação em seu DNA terá chance de sobreviver. – comentou num tom profético, a rouca voz mais convincente do que Logan gostaria – Eu vejo, e você também verá!
Ao dizê-lo, o mutante prisioneiro transportou através do contato, ainda firme, toda a sua clarividência a respeito daquele futuro que prometia apenas mortes, barbáries e atrocidades contra todos os mutantes.
E Logan viu.
Dessa vez, o professor se afastou para não mais voltar, finalizando de vez o contato da mente de Logan com a sua e devolvendo-lhe a privacidade. Atormentado, Logan levantou-se de súbito, passando uma mão nervosa por seus fios castanhos e pressionando a cabeça com força, sentindo suas têmporas arderem.
Logan, num acesso inexplicável de fúria, liberou as garras ao som de seus rugidos mais revoltos, investindo contra tudo que poderia se encontrar ao seu alcance. A barraca ganhou uma tripla fenda na região atingida, e imediatamente um assovio transpassou a estrutura rompida, anunciando a passagem do vento.
– Se você não está pronto para as respostas, Logan, devia evitar fazer perguntas. – o professor disse brandamente, já acostumado à cabeça quente do mutante e à sua dificuldade de assimilar todas as feias manchas de sua história. Compadeceu-se de sua fúria, imaginando o quanto ela deveria ser angustiante – Era lá que você e Eve estavam? Na GlobalGen? – Xavier perguntou, interessado em saber mais a respeito da empresa, e aparentemente assustado por sua existência, porém não surpreso.
– Era lá... – confirmou, cansado. Tornou a sentar-se, não encontrando nenhuma posição suportável diante do enorme desconforto interno que experimentava – Não passamos muito tempo lá, mas o tempo que ficamos foi o suficiente... – empertigou-se, balançando em negativa a cabeça com incômodo ao mudar de assunto – Como foi possível acessar as minhas memórias dessa vez, professor? Antes nossas tentativas não passavam disso...
– A mente é como um novelo de lã, Logan. À primeira vista não passa de um carretel cheio de fios embaralhados, mas a partir do momento em que se encontra a ponta solta, fica fácil desvendá-la. Antes eu procurava às cegas por sua mente, dessa vez você me deu por onde começar com as informações que conseguiu a respeito do seu passado – ele explicou, parecendo ausente. Ficaram um breve instante em silêncio, ambos pensativos, até que Charles novamente falou – Se você não se incomodar, Logan, gostaria que me contasse um pouco mais a respeito dessa empresa assim que tivermos superado essa crise...
– Sua filha e eu trouxemos vários documentos dela. Pode vê-los quando quiser, professor. – disse, mais calmo, percebendo que conhecer o passado que tanto buscou durante sua vida em momento algum foi libertador, em momento algum lhe trouxe o sentimento de missão cumprida. Ao contrário, apenas serviu como um tormento extra à sua mente já carregada de tumultuadas desordens.
Eve entrou na barraca antes que Xavier pudesse demonstrar seu real interesse por aqueles documentos mencionados por Logan, seu espanto escoltando o olhar de seriedade da filha, um olhar que vacilou apenas um segundo na direção da derrotada imagem de Wolverine, mas que logo voltou aos seus.
– Eu vim me despedir. – Hela avisou bruscamente, observando o pai esboçar um olhar confuso, emoldurado por sobrancelhas que se franziam. Os castanhos olhos de Logan também foram direcionados a ela, tão surpresos quanto os de Charles – As loucuras de Magneto já são um assunto resolvido, eu não tenho mais o que fazer aqui e preciso tentar recuperar meu emprego...
– Eve, nós estamos numa situação de extrema delicadeza... – Charles interviu, interrompendo a filha – Nada foi resolvido com Erik. Ele fugiu, e agora a Fênix está no comando de tudo, tornando cada vez mais fraco o campo magnético da Terra e mais vulnerável a situação das pessoas. Estamos na iminência de uma guerra.
– Magneto fugiu? – perguntou, sem acreditar, os lábios semiabertos em desagradável surpresa. Pelo visto, a experiência de quase morrer não havia deixado o padrinho menos atrevido do que de costume.
– Fugiu. – suspirou, parecendo fatigado – E sem Erik, não há qualquer chance de resolvermos tudo de modo pacífico... Ororo foi buscar os alunos no Instituto, e amanhã bem cedo, Eve... lutaremos contra a Irmandade. – fitou-a com intensos olhos astutos, olhos pedintes – E eu preciso de você, filha, para me ajudar a enfrentar o poder da Fênix!
Hela sentou-se, aturdida por tantas informações de uma única vez.
“Até que ter um motivo pra surrar aquela ruiva não parece tão mau assim...”
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