Immortal

31 Longas Noites E Dias Frios


Notas iniciais
Gente! Queria começar me desculpando pela demora, minha intenção era terminar a fanfic nas férias, mas por motivos de saúde realmente não foi possível, tô mais fodida do que os Starks nas mãos de George R. R. Martin =P Só consegui escrever esse capítulo bem aos poucos, e provavelmente será assim com o próximo também, porque há mais de um mês que eu tô zoada e não melhoro -_-" Mas já sabem, né, alguma hora sai! Este é o penúltimo capítulo da fic, pessoal, e já vou avisando que o nível de glicemia aqui tá alto! É LoVe pra tudo quanto é canto, então caso você sofra de diabete, é por sua conta e risco, ehsuehuseh!

Os últimos raios de sol encobriam-se nos vastos limites do horizonte, ainda fulgurando parcamente a porção oeste do Instituto Xavier em suas últimas aparições luminescentes. O elegante túmulo de Charles refletia a luminosidade escassa, no final de sua potência, dando ainda mais beleza à ênfase de suas nuances.

Eve caminhava vagarosamente até o túmulo, envolvendo os braços em torno do próprio corpo como se sentisse frio, nos olhos carregando as lembranças de seu conturbado convívio com o pai, o luto umidificando as íris verdes a cada novo passo para mais perto do corpo enterrado de Charles.

Ajoelhou-se diante do suntuoso sepulcro, finalmente permitindo-se levar pelas lágrimas que até então conteve, os soluços agora fluindo com verdadeira violência à medida que a tristeza a carregava para aquele velho e conhecido vazio da perda, da solidão, da angústia. Apoiou a testa nos antebraços, notando o quão incontrolável era o sacolejar de seu corpo ante aquela autêntica e genuína dor.

A amplitude de sua angústia criou uma manifestação inconsciente de seu poder, e uma forte rajada de vento bateu em seu corpo e alçou várias folhas secas do chão, arrastando-as em pleno ar e sumindo na imensidão de árvores conservadas do Instituto.

Tocou com suavidade o alto relevo que formava com perfeição o perfil do rosto de seu pai, aguardando impotente até que as lágrimas finalmente ficassem mais escassas em seus olhos. O pranto ainda se alongou por vários minutos a fio, sem que Eve pudesse realmente impedi-lo ou mesmo controlá-lo. Sentia-se arruinada por dentro, como a mesma garotinha de anos atrás que descobriu ser a assassina de sua própria mãe, ainda em busca de uma redenção que temia não existir.

Acariciou o frio mármore do túmulo, os dedos trêmulos tocando a fiel representação dos traços diminuídos de Charles, e as palavras recusaram-se por um longo momento a sair de seus lábios.

– Me desculpe! – sussurrou, a voz tão desamparada e sincera quanto seu magoado olhar – Eu queria ter conseguido consertar tudo, queria ter dito... – hesitou, novos soluços embargando seu desabafo – Ter dito que, apesar de todos os desentendimentos, eu ainda acreditava que podia voltar a ser sua filha! Que sempre admirei seu trabalho, mesmo que fingisse desprezá-lo... Que todo meu descaso com você sempre foi na verdade ciúme egoísta. Ciúme por saber que você se engajava em projetos muito mais grandiosos do que apenas sua filha, que você era igualmente importante pra outras pessoas... Agora é muito tarde pra remorsos, eu sei, e sinto muito por isso! – fechou os olhos, afastando o cabelo do rosto enquanto curvava-se sobre si mesma numa postura disforme – Você, melhor do que ninguém, saberia o que fazer a respeito da GlobalGen... da Praga... – secou o rosto, sentindo-o ligeiramente inchado, e só então conseguindo frear as lágrimas. Respirou fundo, meneando a cabeça. Trouxe o elemento terra aos domínios de seu comando, fazendo gavinhas adornarem o túmulo e florescerem numa exuberante moldura – Adeus, pai. – beijou de leve a região calva de sua pequena escultura, levantando-se em seguida num movimento rápido e desviando o olhar, não sabendo mais como lidar com aquela despedida ao último membro de sua família. Venceu, aos poucos, os metros até a Mansão, dando aos pés a velocidade de passos derrotados.

A porção interna do Instituto exalava um aroma de morte.

Eve levou as mãos ao rosto, protegendo o nariz dos odores insuportáveis que invadiram suas narinas no instante em que ela adentrou o Instituto, a dura realidade golpeando-a num único e brutal movimento. Logan mantinha uma postura séria e controlada, parecendo imune à atmosfera nauseante que o cercava, seus amendoados olhos refletindo a infelicidade da cena que acompanhava. Hela suprimiu consecutivas ânsias de vômito, evitando ao máximo respirar aquele cheiro que ficaria eternamente gravado em sua memória.

Logan estava na companhia daquilo que restara de Ororo, sua vitalidade vibrante e bela agora convertida em morbidez apática, incompatível com sua antiga força. Os olhos de Tempestade, afundados em órbitas desidratadas, focavam-se enevoados em Wolverine, que a encarava com indiscutível consternação. Seu timbre, enfraquecido pela Praga, soou baixo e desfalecido.

– Não nos resta muito tempo, Logan... – ela avisou aquilo que soava óbvio, segurando o braço do mutante num aperto incerto e desprovido de força. Cada piscada de suas pálpebras era mais pesada do que a última, e Logan perguntou-se internamente quanto tempo mais demoraria para que elas se fechassem de vez, sem mais volta – Você e Eve são a única esperança dos mutantes agora! Os únicos que podem lutar por nós...

– Eve e eu temos um plano. Vamos comparecer pela manhã a uma assembleia em Washington para discutir sobre a GlobalGen e a participação do governo na empresa. Não se preocupe, nós vamos dar um jeito nisso! – consolou-a, correspondendo de leve ao fraco aperto dos dedos femininos que rodeavam sua mão.

– Já é tarde demais para alguns, mas vocês dois ainda podem salvar outros mutantes, podem alertá-los dos perigos que rondam nossa comunidade...

– Já fizemos isso. E vamos continuar até que tomem alguma providência – Eve disse ao se aproximar, obrigando-se a ignorar o nauseante perfume que se desprendia de Tempestade em seus últimos momentos, condenada a cada vez mais definhar.

– Que bom! – tentou sorrir, mas o gesto foi fracassado, apesar de sincero – Charles tinha muito amor por você, Eve, embora seu jeito de demonstrar fosse um pouco desajeitado. Sei que ele estaria muito orgulhoso dos dois.

Eve assentiu, percebendo a umidade querer retornar aos olhos no mesmo instante, a lembrança de seu pai levando o seu emocional a frangalhos, assim como o arrependimento de nunca ter permitido a reaproximação dos laços que há muito rompera com ele. Logan pousou uma mão solícita no ombro da mulher, acariciando-o quase imperceptivelmente ao reconhecimento da angústia que percebia concentrada no belo rosto.

– Como estão os outros? – ela criou coragem para a pergunta, talvez pelo próprio toque acolhedor que sentia de Logan.

– Não muito melhores do que eu... – respondeu, infeliz – Hank está fazendo o possível para ajudar os alunos e deixá-los o mais confortáveis possível, mas... – tossiu fracamente, e um fétido ar de morte escapou em frouxas rajadas de seu hálito – Mas Hank também está mal... Não há muito mais a fazer por nós, eu acho...

– Talvez eu possa tentar mais uma vez! – Eve prontificou-se, uma esperança medrosa fazendo sua frequência cardíaca se elevar. Seus olhos trocaram o tom esverdeado pelas tonalidades roxas e suaves que, de tão profundas, pareciam percorrer o infinito. Segurou ansiosamente a mão caída de Tempestade, mantendo no pensamento uma silenciosa prece para que desta vez fosse capaz. O lilás em seus orbes se sustentaram por mais tempo do que na sua última tentativa, contudo afastaram-se, recuando após novas interferências ao verde, este triste e enraivecido – Merda! – praguejou, profundamente irritada com a ineficácia atual de sua mutação.

– Não se preocupe, Eve – Ororo soltou o ar que inconscientemente estocara por vários segundos nos pulmões, seu tom também decepcionado – Seu poder de cura ainda está focado em você, talvez até mesmo contra a Praga. Você não deve forçá-lo. Deixe que ele retorne naturalmente! – aconselhou, recordando com um calafrio o dia da morte de Charles, em que Eve quase fora destruída pela própria mutação.

– Precisamos ir... – Wolverine limitou-se a dizer, a voz baixa e acalentadora como poucas vezes usava.

– Não podemos deixá-los assim... – protestou, comovida pelo estado de Ororo.

– Vão, não se preocupem conosco! – Tempestade rebateu, parecendo cada vez mais no fim de suas já limitadas forças – Os mutantes contam com vocês agora! – a mutante encarou Hela com olhos sôfregos que beiravam o desespero – Façam o que puderem para reverter isso...! – pediu numa voz baixa e humilde de quem implora.

– É esse o plano – foi Wolverine quem respondeu, um sutil sorriso fechado transmitindo empatia e pesar, este último um tanto recorrente na comunidade mutante.

Seus passos ecoavam em indistintos ecos conforme se deslocavam rumo ao amplo espaço em que repousava o famoso jato dos X-Men. Suas passadas, quase sincronizadas, repercutiam como único som no caminho deserto da funesta Mansão, antes alegrada pelas almas joviais que a habitavam, contudo sendo agora o epicentro de todas as máculas e intempéries que ainda desencadeariam o maior holocausto mutante.

Eve caminhava alguns centímetros à frente, incomodada com o estreito nó que ainda apertava sua garganta, tornando sua respiração levemente ruidosa e dificultada. Sem qualquer palavra trocada, a mutante já se preparava para entrar no jato e concluir de uma vez aquela missão, contudo foi impedida do movimento quando Logan a segurou pelo pulso, os dedos gentis, porém firmes, obrigando-a a encará-lo.

Hela virou-se, os olhos ligeiramente aumentados por surpresa e desentendimento. Tinham pressa, afinal.

Wolverine nada disse por um momento, apenas enroscando-a num forte abraço, uma das mãos acariciando a nuca da mulher com sincera tristeza.

– Sinto muito, guria! – sussurrou novos e tardios pêsames por Charles ao encarar o enorme abismo de dor em que ela se encontrava, apertando-a ainda mais contra si como se fosse capaz de abrandar sua agonia. Sentiu o rosto da mutante afundar-se em seu peito no mesmo instante em que o corpo da mulher tremeu de leve em breves soluços. Apoiou o queixo no topo da cabeça de Eve, ainda afagando com carinho as longas mechas que caíam por suas costas, sentindo o abraço ser correspondido pela firmeza frouxa que os dedos da mulher criaram ao rodeá-lo – Nada disso foi justo... – constatou como um pensamento que saiu alto demais – Mas apesar de tudo, Eve, você não está sozinha, não importa o que aconteça... O professor não era o único que se importava com você. – seu tom de confissão a fez erguer os olhos marejados na direção de Logan, percebendo a intensidade que ofuscava o amêndoas de suas íris. Os lábios abertos tremeram brevemente, acompanhando o conciso momento de hesitação predominante em seus olhos – Eu te amo, guria! – disse por fim, sem jeito, notando de imediato o forte retesar nos músculos de Eve, que se sentiu completamente estática por vários segundos, estes intermináveis no conceito falho de temporalidade.

O mutante sentiu que os verdes olhos de Hela o observavam, intrigados, por incontáveis instantes especulativos que tiveram um sabor amargo a Wolverine. Invariavelmente recordou-se de todas as recusas recebidas por Jean, de todo o sentimento não correspondido, de todos os olhares desviados, enviesados em intenções distintas... Sentiu-se exposto e tolo, subitamente perguntando-se como os seus fracassos amorosos poderiam culminar num rumo diferente dessa vez. Deu um longo beijo na testa da mulher, já acostumado e conformado com rejeições, afrouxando o abraço e disposto a fingir que tal momento jamais ocorrera, esperando que Eve pudesse demonstrar a mesma cortesia por ele.

Ela não o fez.

– Eu também, grandão! – murmurou num tom quase inaudível, ainda fitando o homem diante de si com mais intensidade do que saberia possuir.

Logan voltou a encará-la, o semblante agora banhado em surpresa e descrença. Permaneceram naquela pequena disputa silenciosa por ainda mais tempo, apenas dedicando-se a analisar o outro na expectativa de que as palavras ditas fossem em algum momento desmentidas...

...porém elas foram apenas ratificadas ante o infindável brilho que destacava seus olhos naquele mútuo encarar – os dela, ainda úmidos, contudo repletos de um novo significado; os dele solenes, ainda conservando uma porção da prévia incredulidade.

Foi Eve quem tomou a primeira iniciativa de aproximar-se, buscando pela já conhecida sensação ébria que experimentava na companhia do mutante. Seus lábios se tocaram a princípio gentilmente, quase tímidos após a declaração de ambos, deslizando acanhados um sobre o outro como se fosse a primeira vez. Afastaram-se sem qualquer palavra trocada, com tudo dito através do silêncio, seus corpos agora moldando-se com maior desenvoltura no outro.

Logan pressionou a nuca de Hela, alcançando a mulher com a mesma sede e pretensão que tanto o instigavam na mutante. Eve comprimiu o próprio corpo contra Wolverine, usando os largos ombros do homem como apoio para seus braços, a pele sofrendo incessantes ondas de arrepio à medida que o beijo se aprofundava, como pequenas marolas no meio do oceano que se tornam tsunamis ao alcançar as orlas litorâneas.

Os fios pontiagudos da barba de Logan pinicavam a pele da mutante conforme seus lábios reproduziam uma coreografia nada ensaiada, porém indiscutivelmente certa. O mutante sentiu-a tremer brevemente em seus braços, e acabou por restringi-la ainda mais contra si, sentindo os batimentos cardíacos que tamborilavam indomáveis em concomitância com os seus.

A mulher deslizou as mãos pelo corpo de Logan, fazendo com que sua jaqueta de couro caísse no chão ao som de um baque leve que sequer foi ouvido. Logan puxou para baixo algumas mechas do castanho cabelo de Eve, expondo o pescoço da mulher de modo a beijá-lo numa trilha até o decote marcado. Wolverine fez a manga curta da blusa de Hela escorregar para abaixo de seus ombros, passeando os dedos pelos dois braços da mulher até encontrar suas mãos, que se entrelaçaram num gesto cálido e terno.

– Devíamos estar voando pra Washington... – Hela comentou, não realmente interessada, ao menos não naquele momento em que seu corpo se eriçava aos menores toques de Logan e nada mais tinha espaço em sua mente anestesiada.

– Acho que ainda temos alguns minutos de vantagem... – ponderou fazendo-a sorrir, em seguida alcançando os lábios entreabertos de sua guria e novamente usufruindo de seu gosto, sentindo com satisfação o arquejo prazeroso que Hela soltou em meio ao beijo.

Eve sentiu a barra de sua vestimenta ser suspensa, e logo os dedos ágeis de Logan já se ocupavam em desprender o sutiã rendado por baixo do tecido fino da blusa que a vestia, retirando o conjunto com relativa pressa em sua própria ansiedade. Beijou-a num ritmo ainda mais desenfreado, as mãos tateando com afã a extensão da pele despida e arrepiada, os seios pressionando-o contra os músculos de seu peito num encaixe que parecia sob medida.

Hela dedicou-se a desabotoar, às cegas, a camisa de seu mutante, sem ousar afastar-se dos lábios que a pediam, que levavam seu corpo a arder em brasas incendiadas. A última trinca de botões representou maior dificuldade pela pressa que agora Eve sentia, quase os arrancando do tecido. Wolverine tirou a camisa agora aberta, conduzindo a mulher com os próprios passos, que iam em direção à entrada aberta da nave.

Aconchegaram-se no frio material que servia de rampa ao embarque dos passageiros, mas que hoje se aplicava num contexto um tanto... Inédito!

O mutante posicionou-se sobre a mulher já acomodada, os lábios dedicando-se a explorar o tronco nu de Hela, descendo até o ventre arrepiado e despindo suas pernas ao deslizar o jeans em conjunto com a parte de baixo do lingerie para longe das voluptuosas coxas, que logo o enlaçaram, dando impulso para que ela novamente cortasse a pouca distância firmada. Foi a vez de Eve abrir o zíper da calça de Logan, abaixando-a primariamente com as mãos e em seguida escorregando-a com os pés. Sentiu o tecido mais fino de sua roupa íntima em estilo boxer como um último impedimento de suas cobiças, e da mesma forma retirou-a, entrelaçando suas pernas às do mutante.

Ele aprofundou seu corpo ao alcance da mulher, os dedos irrequietos subindo por suas costas à medida que sentia as coxas femininas rodearem seu quadril num enroscar abrasivo que fez multiplicar sua luxúria. Beijaram-se longamente, a respiração indomada recusando-se a preencher seus pulmões com ar, incapazes de suprir a alta demanda por oxigênio que seus corpos clamavam.

Eve inconscientemente arranhou as costas do mutante quando o sentiu penetrar em si, a cadência de seus movimentos suaves e ao mesmo tempo firmes levando um incontido gemido trêmulo à sua garganta. Uma das mãos o agarrou pelos fios agora desalinhados, as bocas coladas buscando o mesmo ar escasso e preenchendo o recinto com o ruído alto da respiração de ambos, um som mesclado que parecia pertencer a uma única pessoa.

Por um exultante instante, orbes verdes e castanhos se encararam, refletindo completo fulgor e embriaguez, íris afundadas em profundo deleite e intensa cumplicidade.

E, ao menos por aquele pequeno momento, os problemas que tinham em mãos pareceram menores e um pouco mais distantes, quase excluídos em meio ao ardor que agora imperava sobre as preocupações.

Wolverine sentiu a garganta estremecer num baixo e potente rugido, seus instintos mais animalescos convertidos ao presente êxtase, o toque aconchegante do corpo de Hela abaixo do seu causando pontos inflamados por longos caminhos de seus músculos hirtos. Eve arqueou as costas para mais perto de seu mutante, sentindo seus ventres oscilarem em conjunto. Beijou a curvatura de seu largo pescoço, os lábios notando as várias veias que se projetavam em alto relevo em sua pele bronzeada.

Eve gemeu, incapaz de conter-se, deslizando o rosto pela barba de Logan e novamente encontrando seus lábios, tão cheios de sede quanto os seus. O mutante ainda rugia quando a beijou, quase bruto em seus anseios pretensos. Afundou-se sobre ela, aumentando ainda mais a pressão de seus pesados ossos revestidos em adamantium, a respiração incrivelmente forte e pesada contrastando com o silêncio prevalente no recinto. A mulher levantou um pouco mais o corpo ao senti-lo passar as mãos por sua cintura, dando espaço de bom grado às carícias urgentes de seus dedos e mantendo seus lábios tão fundidos quanto fosse possível. A mão masculina subiu até sua nuca, segurando entre os dedos quase todo o cabelo de Eve, enquanto a outra passeou por sua coxa esquerda, puxando-a até que esta se enroscasse mais intimamente em seu quadril – que ainda oscilava sobre o da mutante.

Uma fina camada de suor brotava em sua pele enquanto ainda o tinha dentro de si e, apesar do clima ameno do outono, sentia como se seu corpo estivesse prestes a explodir numa combustão interna. Interrompeu o beijo, fechando os olhos com força e perdendo-se por um instante no vasto labirinto que eram seus próprios sentimentos, totalmente ludibriados por aquele homem.

Levantou novamente as pálpebras, percebendo-se diante dos olhos castanhos de Logan fitando diretamente o seu rosto, admirando-a de uma forma totalmente nova – ainda com o resquício do animal que queria satisfazer seus mais primórdios instintos, porém agora combinado a um brilho profundo e estarrecedor, que foi capaz de tirar-lhe o ar.

"Eu te amo, guria" – a lembrança da declaração ecoou em sua mente, e, sob aquele desconcertante olhar, Eve não teve qualquer dúvida da sinceridade de suas palavras...

...Assim como não tinha dúvidas do quão recíproco era aquele sentimento.

“Cold is the night without you here

Just your absence ringing in my ears

Hard is the heart that feels no fear

Without the bad, the good disappears

Long is the road that leads me home

And longer still when I walk alone

Bitter is the thought of all that time

Spent searching for something I'll never find

Take this burden away from me

And bury it before it buries me

Many are the days I've wanted to cease

Lay myself down and find some relief

Heavy is the head that gets no sleep

We carry our lives around in our memories

Take away this apathy

And bury it before it buries me

Steady is the hand that's come to terms

With the lessons it has had to learn

I've seen the things that I must do

But Lord, this road is meant for two

So I am waiting here for you

Take my hand and set me free

Take my burdens and bury them deep

Take my burden away from me

And bury it before

Bury it before

Bury it before it buries me”

(Cold Is The Night – The Oh Hello's)

Notas finais
Espero que tenham gostado, pssual! ^^ Ah, não sei se repararam, mas mudei a capa de novo, e essa veio pra ficar x) E por favor, deixem um reviewzinho me contando o que acharam! Não custa nada e fará um bem danado pra esta autora moribunda que vos fala xP