Imagine

17 Você já contou para ela, mãe?


Notas iniciais
Ain, gente linda!! Como eu posso agradecer vocês pelos comentários fofos, divertidos, engraçados, sugestões, críticas, etc que vcs deixam para mim todos os dias? E mais, como agradecer por vocês continuarem acompanhando a história?? Não tenho palavras para isso... Gostaria apenas de retribuir o amor! Espero que gostem (do capítulo)! BjO

–Emma, vamos logo! Já estamos atrasadas! -Chamou Regina.

–Ei, calma ai! -Gritou Emma do andar de cima da mansão. -Já estou indo.

A prefeita estava ansiosa para a primeira consulta depois do acidente de Emma. Ela esperava, finalmente, que Emma tivesse alta. Os últimos dias depois da saída da loira no hospital foram muito difíceis para Regina. A mina exigia sua presença a todo instante, algumas vezes por conta de diamantes que não eram mágicos, outras envolvendo algum acidente com anões e até mesmo, com cidadãos curiosos que queriam entrar de qualquer jeito para ver a mina. Regina se dividia entre cuidar de Emma e estar presente para o trabalho. A loira precisava de cuidados específicos com remédios nos horários certos, repouso, e a alimentação deveria seguir o cronograma exato que o médico havia passado. Não estava sendo nada fácil de conciliar tantas responsabilidades ao mesmo tempo. Ainda tinha Henry, que não se mexia nem para fritar o próprio ovo no café da manhã, completamente dependente de Regina.

–Ei, está tudo bem. Fica tranquila! -Disse Emma dando um beijo na testa da morena que a aguardava por ela na sala. -Vamos!

Regina tinha o semblante preocupado, pensava em milhões de coisas ao mesmo tempo. Leroy não parava de ligar no seu celular e Regina não estava com cabeça para lidar com o trabalho enquanto dirigia até o hospital junto com Emma..

–Você deveria atender o telefone.

–Agora não dá.

Emma deu de ombros. A loira estava animada e tinha uma aparência ótima, nem parecia que há poucos dias estava internada.

–Eu teria prefiro cisne. -Disse Emma olhando para sua barriga.

–O que?- Regina prestava atenção na direção.

–Eu disse que eu teria preferido cisne. Para ele. -Apontou. -Patinho me lembra a história do patinho feio... Ele também existe, Regina? -Perguntou em tom de brincadeira.

–Emma, eu falei a primeira coisa que me veio na cabeça. Você deveria desconsiderar o que eu disse. -Pediu Regina. -Ah, e não, o patinho feio não veio na maldição, só trouxe os bonitinhos. -Respondeu com um certo deboche na voz.

A morena se deu conta que Emma ouviu tudo que ela disse enquanto dormia. Só não estava segura até onde a loira se lembrava. Regina quase se declarou para ela no dia do acidente. Lembrou que se não fosse Gold entrar no quarto, provavelmente teria confessado seu amor pela loira. Agradeceu mentalmente por não ter conseguido falar, mas mesmo assim, lembrava que falou o suficiente para que Emma, se conseguisse lembrar, poderia facilmente deduzir o restante do discurso da prefeita naquele dia.

–Eu não vou desconsiderar o que escutei, se você falou é porque queria que eu soubesse... Além do mais, o patinho aqui gostou do apelido novo. -Disse Emma com um sorriso. -Ele sempre gosta de tudo que você faz!

Aquelas falas dúbias de Emma deixavam Regina ainda mais ansiosa a respeito do que ela se lembrava. Mas Regina não iria perguntar nada para ela, a morena queria poupar a loira de ter que falar sobre aqueles momentos, deve ter sido horrível para ela. Se ela realmente escutava tudo, provavelmente se recordava de Gold se aproximando dela, de Mary Margareth e David quase que armando um funeral e Regina não queria que Emma revivesse nenhum daqueles momentos.

A loira já estava deitada na maca do hospital, aguardando o médico voltar com o equipamento necessário para o exame. Emma também iria ver o bebê mais uma vez naquele dia.

–E então, não querem mesmo saber o sexo? -Perguntou Whale.

–Não! -Respondeu Regina. -Emma já disse que não quer saber o que é.

–Parece que tem alguém que finalmente também acha legal esperar para saber.

–Não Emma, eu acho uma loucura não se preparar, mas se é assim que você prefere...-Respondeu Regina.

–Bom, se é assim, eu não direi nada. Apenas posso lhe assegurar que você terá um bebê forte e saudável, Emma! Parabéns! Mesmo com tudo o que você passou, o bebê está indo muito bem! -Finalizou o médico.

–Eu sabia que o patinho era assim, esperto e corajoso! -Disse Emma enquanto descia sua blusa para cobrir a barriga.

–Patinho? Desistiu das comidas? -Questionou Whale achando graça no apelido escolhido.

–Não... Esse apelido foi Regina quem escolheu enquanto eu estava internada. Por mim, ele seria abobrinha, ou quem sabe até chuchuzinho.

Regina torceu o nariz para o que escutou. Ela ainda detestava se referir ao bebê com esses nomes horrorosos. Por um instante, ficou feliz em chamar a criança de patinho ao invés de chuchuzinho. Se Emma tivesse dado esse apelido, definitivamente Regina não iria chamá-lo assim. Iria ignorar até que a criança crescesse mais um pouco e mudasse de apelido.

–Sei... Me alegra saber que a prefeita esteja ajudando com isso também. Aposto que Regina tem ajudado com todo tipo de coisa, não é Emma?! Eu sei como as mulheres ficam nessa fase, acredite. Vem cada louca aqui.. Mas você parece ótima, Emma, sempre bem tranquila é bem humorada! -Whale ironizou. As duas mulheres entenderam o que o médico quis dizer.

–Calado Frankstein! -Regina cortou irritada.

Emma realmente estava ótima, e não só sexualmente falando, como o médico sugeriu, Emma havia se recuperado totalmente e estava apta para seguir adiante para o final da gestação normalmente. Regina não podia ficar mais contente com a notícia.

–Regina... -Chamou Emma. -Eu estava pensando...

A morena, dirigindo de volta para casa, começou a prestar atenção em Emma, já que ela parecia estar querendo falar algo sério. Regina já sabia que não falaria não. Sua resposta para Emma era sempre sim. A loira era dona de todos os sims que saiam da boca da prefeita.

–O que você esteve pensando, Emma?

–Eu não sei... Depois desse acidente, eu percebi como qualquer deslize pode fazer tudo dar errado.

–Isso se chama responsabilidade!

–Ah, Regina! Sem sermão! Eu sei. Não é sobre isso que eu vou falar...

–Então o que você quer falar.

–Você não precisa me responder nada agora...

–Vamos Emma! Fale de uma vez, estou ficando nervosa com essa enrolação!

–Eu estive pensando naquele quarto vazio da sua casa... -Emma olhou nos olhos da prefeita. -O Patinho poderia dormir lá.
Emma estava sem jeito, Regina percebeu que a loira estava buscando as palavras certas para falar sobre aquilo. Emma tinha aqueles olhos pidões derretendo o coração da prefeita.

Regina sentiu seus olhos encherem de lágrimas, mas ela não deixou que elas escorressem em seu rosto, controlou sua respiração que começou a falhar com a emoção, e pela primeira vez, em muito tempo, sentiu seu coração bater. Regina não se lembrava mais como era aquela sensação. Desde Daniel, não fazia diferença se Regina havia tirado ou não seu coração do corpo. Ela sentia da mesma forma com ou sem ele, mas não naquele dia. Pela segunda vez na vida de Regina, Emma Swan fazia seu mundo ir de pernas para o ar. Dessa vez, Regina não afastaria Emma e a criança de sua vida. É claro que ela responderia que sim para a pergunta de Emma. Desde que desejou a loira, tudo que ela mais queria era também a presença daquela criança em sua vida. Ela já o amava quase que na mesma intensidade que amava Henry.

–Eu não preciso de tempo para pensar nessa resposta, é claro que sim!

Emma abriu um sorriso largo, daqueles que Regina sentia vontade de parar tudo o que fazia e agarrá-la para um beijo. A prefeita, ainda contida, não fazia nada do que sentia vontade. Ela e Emma não tinham nada oficial, apenas algumas noites de sexo casual. Não trocavam beijos ou andavam de mãos dadas.Elas ainda seguiam aquelas regras infelizes de Regina.

O pedido de Emma nada tinha a ver com um relacionamento que a loira vislumbrasse com Regina. Mas para a prefeita, era uma esperança. Regina nunca gostou de sentir esperança por alguma coisa, porque sua experiência lhe mostrou que a esperança sempre acabava machucando. Regina não estava acostumada a ganhar e se esforçava para não se esquecer disso quando pensava em Emma.

Amar Emma foi tão fácil para Regina, se encantou com os olhos esmeraldas e com os lábios rosados. Depois conheceu o olhar penetrante e o sorriso meigo, daqueles meio de lado que faziam com Emma conseguisse tudo de Regina. E então, se deparou com o jeito distraído e ao mesmo tempo durão que a loira fazia questão de exaltar. Regina já estava entregue e então foi a vez de Emma entregar todo o seu corpo para morena.

Regina atravessou uma barreira que ela jamais acreditou que seria capaz, experimentou todo o prazer que poderia ter com uma mulher na cama, recebeu na mesma proporção que deu. Foi tão fácil se apaixonar por cada pedaço de Emma. A loira ainda trazia um bônus, um filho. Uma criança que a prefeita nunca vai poder gerar por conta própria. Emma além de tudo, carregava um sonho para Regina.

Tudo parecia fácil se Regina não tivesse sofrido tanto em seu passado. Expressar o que sentia por Emma era uma tarefa que talvez a prefeita nunca estivesse apta a realizar, desconfiada do que o destino separava para ela, Regina tentava manter os pés no chão.

Ao ouvir a resposta de Regina, Emma apoiou sua mão na perna da prefeita no caminho de volta para casa.

****7 MESES ANTES*******

Hook ainda não havia se acostumado a ter as duas mãos e aquele membro novo lhe causava uma estranheza e até mesmo um desconforto, diferentemente de como achou que seria.

Durante séculos desejou se vingar de Gold por ter lhe cortado os pulsos e sonhava com o dia que poderia ter, novamente, suas duas mãos. Mas Hook não imaginava que se sentiria esquisito, como se aquilo não o pertencesse mais. Por precaução, assim que saiu da loja de penhores de Gold, preferiu guardar seu antigo gancho no bolso do casaco que vestia.

O capitão tinha todo o plano traçado em sua mente para irem embora dali. Hook deixou um único elemento elemento para última hora: convencer Emma a embarcar com ele nessa jornada. Parecia estar tranquilo quanto a isso, estava seguro de que Emma não deixaria seu final feliz passar, ela mesmo já havia dito que o amava. Mesmo com o tempo curto que lhe restava, Hook estava confiante que durante o encontro com a loira, tudo seria acertado e eles partiriam juntos, conforme planejado.

Gold utilizou a pouca magia que tinha para encantar o navio do pirata onde quer que estivesse, e trazê-lo até Storybrook para o capitão. Gold sabia que seu esforço valeria a pena quando tivesse a sua parte do acordo em mãos. Com um pouco de falta de pratica e dificuldade, conseguiu atracar o Jolly Roger no píer de Storybrook, porém, o feitiço duraria apenas até meia noite daquele mesmo dia. Gold explicou que Hook deveria deixar a cidade e cruzar a barreira oceânica dos contos de fada antes desse horário. Se conseguisse fazer isso, poderia ficar com o seu estimado navio para sempre. Hook seria o primeiro habitante da cidade a ter acesso livre, poderia entrar e sair quando quisesse, sem sofrer as consequências disso. O capitão se animou com a novidade mesmo não tendo a menor intenção de colocar suas botas no chão daquela terra novamente.

Hook acreditou que havia feito um belo acordo ao trocar seu primeiro filho pelo seu navio e ter sua mão em seu corpo.

Ele estava seguro que finalmente havia enganado o crodocodilo. Hook não era um homem ruim, um pouco egoísta talvez, mas não trocaria seu primeiro filho, caso tivesse um, por alguma coisa, mesmo que isso significasse não ver o Jolly Roger nunca mais. O parte do plano de Hook que era deixar Stoybrook para sempre foi omitida para Gold. Desta forma, o capitão acreditava que Gold nunca mais o encontraria para que ele pagasse sua parte do acordo. O moreno pretendia passar anos a bordo navegando pelos mares dos contos de fada com Emma e não tinha planos de ter filhos com ela. Hook pensou que o crocodilo estava ficando gagá para propor aquele acordo, que certamente, só beneficiaria a ele mesmo.

O capitão costumava ser bastante habilidoso com as duas mãos antes de ter que substituir uma delas por um gancho, e não via a hora de mostrar para Emma o que aquele membro seria capaz de fazer por ela.

–Como assim Emma não está aqui? A gente marcou... Para onde ela foi? -Perguntou Hook.

–Ela está com a Regina, foram procurar Henry. -Respondeu Mary.

A morena não conseguia tirar os olhos da mão nova de Hook. E vê-lo movimentá-la e utilizá-la para gesticular, era um tanto estranho. O capitão percebeu o incômodo que estava causando por não ter dito nada a respeito e tratou de se justificar.

–Ahn, — Olhou para a própria mão. -Gold me devolveu.

–Simples assim? Te devolveu? -Perguntou David franzindo o cenho, visivelmente desconfiado da justificativa de Hook. Todo mundo sabe que Gold não é do tipo bonzinho, não bastava pedir por favor para ele, você tinha que dar alguma coisa em troca.

Subitamente, o capitão começou a perder a paciência com o interrogatório dos pais de Emma. Ele sempre soube que eles não gostavam que a filha namorasse um tipo como o dele, David achava que Hook não valia nada e Mary Margareth tinha certeza que ele não poderia dar nenhum futuro para Emma. Hook sabia disso e, tentava, diariamente, provar que eles estavam errados. Queria mostrar para todos o quanto ele era um homem mudado. Um homem bom. Redimido. Pelo visto, nada adiantou todo o esforço de Hook, os pais de Emma não mudaram de opinião sobre ele e uma vontade imensa de voar no pescoço de David começou a dominá-lo. Ele precisou se controlar para não dar um soco em David. Sua cabeça não pensava da mesma forma que seu corpo queria responder. Se segurou.

–Sim. Simples assim. O crocodilo percebeu que ele mexeu com o homem errado.Algum problema com isso? -Questionou.

O casal notou a alteração no comportamento de Hook e desconfiaram que aquela mão pudesse ter alguma coisa a ver com isso.

–Fale de uma vez Hook, o que foi que ele pediu em troca pela sua mão? -Insistiu David.

Hook precisou segurar sua mão nova com a outra mão para que ela não voasse na cara de David. Tratava-se uma raiva desmedida. Sua mente não queria deixá-lo fazer aquilo, mas sua mão sim. Hook iniciou uma batalha contra ele mesmo e ele parecia estar fora de controle. A mão tinha vida e vontade própria. O capitão achou melhor sair dali antes que alguma tragédia acontecesse por culpa dele. Sem dar explicações, o moreno saiu correndo.

David e Mary Margareth trocaram um olhar cúmplice, ambos sabiam que havia algo errado e que Emma poderia correr perigo se encontrasse com Hook naquele estado. Não tiveram dúvidas do que fazer e correram para alcançar o capitão. O casal se preparou para seguir Hook, sem que ele notasse a presença deles, e descobrir o que ele havia feito de errado.

**** FIM DO FLASHBACK****

Henry estava na sala de casa jogando vídeo game esperando apenas o tempo passar até que suas mães voltassem para casa. Phillipe estava estudando para as provas que teria durante aquela semana, David estava fazendo hora extra na delegacia e Mary cuidando do pequeno Neal. O garoto estava entediado e queria sair de casa para fazer alguma coisa.

–Henry! Estamos em casa. -Avisou Regina.

O garoto foi correndo até a porta receber as mães dele que entravam em casa. Emma estava com uma barriga enorme e se movia com dificuldade, apesar de estar de alta médica há algumas semanas.

–Mãe! Que bom que vocês chegaram! — Henry abraçava as duas como se elas estivessem passado o ano inteiro fora de casa.

–O que foi, garoto?

–Nada. Eu só estava com saudades! Que tal sairmos um pouco?

–Henry, Emma ainda está de repouso, esqueceu? -Lembrou Regina.

–Não. Está tudo bem, eu acho que um passeio no parque não fará mal. O que você acha, Regina?

–Eu não sei Emma, nós acabamos de chegar em casa...

–Por favor, mãe. Por favor! -Implorou Henry.

–Tudo bem! Então vamos antes que escureça.

Regina estava sentindo falta de relaxar e passar um tempo de qualidade com a família. Desde o acidente de Emma, eles nunca mais haviam saído juntos. Nem o jantar estava sendo em família, já que Regina não queria que a loira descesse as escadas e corresse o risco de perder o equilíbrio.

–Se a 4 anos atrás alguém me dissesse que eu estaria morando na sua casa hoje, eu não acreditaria.

–Creio que eu também ficaria em dúvida.

–Onde foi que nós transformamos aquela relação nisso aqui?-Perguntou Emma apontando para eles três sentados tranquilamente na grama do parque.

Henry olhava para suas mães falarem com desconfiança. Um sorriso lateral surgiu no rosto do garoto, mesmo sem ele querer.

–O que foi, Henry? -Perguntou Emma, que percebeu a expressão de Henry.

–Nada, mãe... -O garoto então desviou o olhar para Regina, e a encarou com cumplicidade. O mesmo olhar que Henry fazia quando eles estavam em alguma missão e ele descobria alguma pista ou encontrava sentido onde ninguém estava vendo. Esse era olhar que Henry fazia quando sabia das coisas.

–Você não quer tomar sorvete hoje, filho? -Perguntou Regina tentando desviar a atenção de Henry.

O garoto negou balançando a cabeça de um lado para o outro.

–Mas o patinho ficou uma vontade de tomar um sorvete de chocolate. Você iria buscar para mim, garoto? -Pediu Emma.
Henry, um pouco contrariado, se levantou para ir até a sorveteria, a poucos minutos dali, deixando suas mães sozinhas.

–Pode falar agora, Regina.

Regina não esperava por aquilo.

–Falar o que, Emma?

–Vamos, eu te conheço. Sempre que você pede para Henry ir fazer alguma coisa é porque você quer me dizer alguma coisa. Ou, na melhor das hipóteses, fazer alguma coisa. -Sorriu maliciosamente.

–Não seja presunçosa, Emma! Eu não quero falar nada. Juro!

–E nem fazer? -Perguntou provocando Regina.

Emma projetou seu corpo levemente para a direção da morena, e elas estavam a poucos centímetros uma da outra. É claro que Regina queria beijá-la novamente. Desde de antes do acidente que elas não tinham feito mais nada íntimo. Regina sempre queria Emma e Emma sempre sabia. Mas ela não poderia fazer isso no meio do parque, na luz do dia, com tantas pessoas passando por lá, não conseguiria. A falta de diálogo sobre esse assunto também fazia com que Regina recuasse.

Quando Emma sentia vontade, ela atacava a morena que estava sempre pronta para recebê-la, mas nos dias que Emma estava mais distraída ou distância, Regina não sabia como agir e não fazia nada.

–Emma, aqui não...

–Por favor! Eu sinto sua falta. -Disse.

–Em casa. Em casa nós resolvemos isso, pode ser?

–Você sente a minha falta também? -A loira perguntava visivelmente sem jeito e chateada por Regina não ter virado o rosto para beijá-la.

–É claro que eu sinto, Emma! Mas aqui não é lugar para... para isso!

Regina quase cedeu aos seus desejos de beijá-la ali no meio de todo mundo depois do que escutou. Seu coração pulsava alto e desordenadamente e seu corpo ia quase que sem esforço algum ao encontro de Emma. Regina lembrou que seu filho poderia voltar a qualquer momento e tudo que ela não precisava era ele também enfiado nessa confusão que ela se meteu. A morena conseguia, ao menos, separar seus próprios sentimentos por Emma da preocupação que tinha tinha com o filho. Ela acreditava que ele também poderia se machucar se soubesse o tipo de relação que elas tinham, Regina não saberia nem explicar para Henry do que se tratava e imaginava que ele também poderia se iludir com a ideia de que suas mães estavam juntas como um casal normal. Não. Definitivamente Henry não iria presenciar aquilo.Regina reuniu todas as forças, que ela nem sabia que tinha, para conseguir impedir Emma de beijá-la.

–Tudo bem. Então me diga!

–Dizer o que? -Regina começou a demonstrar uma certa ansiedade e a insistência de Emma a deixou nervosa.

–Não sei o que. Mas você está escondendo algo!

–De onde você tira essas coisas, Emma?

–Eu sei quando você está escondendo alguma coisa da mesma forma que sei quando você está mentindo. E agora, Regina, você está fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.

–Não seja ridícula!

–Você sabe que eu tenho razão.

Regina não falou mais nada. Emma tinha mesmo razão.

Regina vinha escondendo tantas coisas da loira, há tanto tempo, que ela nem sabia mais como que Emma não havia percebido nada antes, especialmente depois da internação. Regina não fazia ideia do que Emma ouviu ou não naquele período desacordada.

Era fim de tarde já e o parque estava ficando cada vez mais vazio. Emma precisou ir ao banheiro, mesmo Regina insistindo que ela não usasse banheiros públicos com receio de que a loira pegasse alguma doença, Emma implorou para ir dizendo que não podia mais segurar, já que o bebê ocupava um belo espaço que antes era só da sua bexiga. Henry e Regina ficaram sozinhos esperando a loira voltar antes de voltarem juntos para casa.

–Você já contou para ela, mãe?

Regina não acreditou que aquilo estava acontecendo pela segunda vez no mesmo dia. Henry não poderia estar falando o que ela achava que ele estaria. A morena estava segura de que era discreta em relação a seus sentimentos. A única pessoa que sabia de toda a verdade, além dela, era Mary Margareth. E mesmo assim, Regina nunca falou sobre o tipo exato de relação que elas tinham.

Para desespero de Regina, ela não podia simplesmente ignorar o que o filho havia perguntado ou fingir que não escutou, mas sua vontade era de fazer exatamente isso e continuar só observando o horizonte a sua frente como se nada tivesse acontecido.

–Contar o que? -Perguntou.

–Ai mãe, por favor! Sério?

O garoto fez uma expressão cansada de quem não iria descutir o óbvio. A morena teve certeza que Henry realmente sabia o que estava dizendo. Regina, dessa vez, ignorou e continuou a observar o horizonte.

–Mãe, não adianta fingir que não está me escutando porque eu sei que está! Por que você faz isso? Toda a vez que tem a chance de ser feliz com alguém, você vai e estraga tudo!

Regina estava em um silêncio mortificante ouvindo o que o filho dizia. Aquilo machucava de tantas maneiras diferentes.Eram as malditas lembranças que passavam quase vivas dentro da cabeça de Regina e ela sabia que Henry estava certo. Era ela quem sempre dava um jeito de arruinar tudo.

–Não estou dizendo isso para que você fique triste. E sim para que você faça alguma coisa, mãe!

Henry a olhou com carinho e viu sua mãe triste, os olhos já não seguravam mais as lágrimas. Então levou sua mão até o rosto de sua mãe para secar as lágrimas que escorriam contra a sua vontade de Regina.

–O que você espera que eu faça, Henry? -Perguntou com a voz embargada. Regina estava vulnerável e detestava se sentir assim, mas estava sendo sincera com o filho, ela realmente não sabia o que tinha que fazer dali em diante. Ela nunca passou daquele ponto em nenhuma de suas outras relações, todas fracassaram antes disso. Regina recorreu ao seu próprio filho, como último recurso para aliviar a dor que sentia por ser tão fraca.

–Acho que você deveria dizer o que você sente. Deveria dizer que a ama e pronto.

–E se ela não me amar de volta?

–Se ela não te amar de volta, você encontrará outra pessoa que poderá te fazer feliz. Eu sei que foi assim com Daniel, você achava que nunca mais iria amar ninguém, e olha para você agora. Mas se você não disser nada, mãe, você nunca vai saber...

–Meu príncipe!

Regina puxou o rosto do filho para perto de si e o apertou como costumava fazer quando ele era apenas um garotinho.

–O que eu faria sem seus conselhos amorosos?

–E eu concordo com a vovó, eu também acho que ela gosta de você.

Regina sabia! Ela sabia que Mary não tinha ficado de bico calado! Por isso Henry sabia também! É claro, Mary Margareth contou para o seu filho adolescente que ela estava apaixonada pela sua outra mãe! O que aquela mulher tem na cabeça? Henry não ia entender se aquela relação não fosse adiante. Regina ficou furiosa.

–Então foi a sua avó que te contou? -Perguntou apenas para escutar o que já sabia.

–Não, mãe! Para falar a verdade, eu que contei para ela!

Regina arregalou os olhos para o filho. Não era possível que ele tivesse herdado justamente esse gene da avó, fofocar seus segredos. E além do mais, ela mesmo havia contado para Mary meses atrás, seu filho não poderia saber disso antes da data que ela contou para Mary. Provavelmente o garoto estava protegendo a avó pois sabia que Regina iria esganá-la por ter contado para Henry.

–Eu não entendo. Como você soube antes que eu contasse para a sua avó?

–Mãe... Eu não sou cego, eu moro naquela casa também, não foi difícil perceber seus olhares para minha mãe e eu te conheço, né?! E também digamos que eu não sou surdo, vocês não são tão silenciosas assim depois que eu vou para o quarto!

Regina sentiu o ar falhar em seu caminho para os pulmões e engasgou com a própria saliva. Sentiu seu rosto perder totalmente a cor e achou que fosse desmaiar. Preferia ter desmaiado do que ficar ali para encarar Henry depois de saber que seu filho a escutava transar com Emma.

Ela não queria acreditar que a conversa realmente aconteceu. Como ela lidaria com aquilo dali em diante? Ela provavelmente deveria contar isso para Emma também. Mas ponderou que para contar para Emma, ela precisaria explicar como a conversa chegou nesse ponto, e isso, definitivamente, estava fora de cogitação de ser explicado. Regina carregaria mais esse fardo sozinha.

–Ei, vocês viram o por do sol? -Perguntou Emma voltando do banheiro e olhando para o horizonte. -Vocês deveriam levantar dai e olhar, porque eu acho que nunca vi um por do sol tão incrível como o de hoje.

–Mãe, eu acho que eu vou indo a pé para casa, assim eu vejo o pôr do Sol no caminho. Encontro com vocês lá.

–Ei, garoto! O que tá acontecendo? -Perguntou Emma ao ver o filho quase sair correndo quando ela voltou do banheiro. -O que foi que eu perdi aqui? -Se virou para Regina buscando uma resposta da morena.

Regina havia perdido a fala e não conseguia pensar em nada além de que Henry a ouvia transar! Ela preferiu ignorar a pergunta da loira do que dizer alguma besteira.

Emma parecia confusa com a reação de Henry e a atitude de Regina mas também preferiu não insistir naquele assunto, ao menos, não naquele momento.

–Vem, levanta daí que eu quero te mostrar um lugar. -Pediu Emma.

A loira puxava os braços de Regina, que ainda estava em estado de choque, em direção ao outro lado do parque.

–Para onde estamos indo, Swan?

–Surpresa!

Depois de atravessarem o parque e entrarem já no começo da floresta, deram de cara com um lugar que Regina nem se lembrava de ter criado.

Se tratava de um campo imenso com uma grama verde e lisa, rodeado por árvores das mais variadas flores colorindo toda a paisagem ao redor. O gramado mesclava com a areia fina e branca da pequena praia escondida ali, a vista do mar era deslumbrante. As flores e folhas, caídas das árvores, formavam um belo tapete de cores no chão.

Não havia mais ninguém, além delas duas, que pudesse testemunhar como aquele lugar era lindo.

Regina precisou tomar fôlego quando viu onde estava. Era como se estivesse ido parar num cenário de um dos seus filmes românticos favoritos, maravilhoso.A prefeita não acreditava que aquele tipo de coisa também acontecia na vida real, até se deparar com Emma.

–Vem, senta comigo naquela árvore para vermos o pôr do sol.

Emma escolheu uma árvore plantada estrategicamente de frente para o mar. Os raios de Sol refletiam na água e faziam a paisagem brilhar ainda mais. O por do Sol trocou o tom azul tradicional cor de céu por um tom alaranjado, e bem próximo a gigante bola de luz, o céu se transformava em um vermelho intenso.

Emma apoiou suas costas, com cuidado, na árvore que ela havia escolhido, enquanto Regina ainda buscava ar para conseguir lidar com aquilo. A loira, com as mãos, chamou, carinhosamente, Regina para acompanhá-la.

A morena se encaixou, meio de lado, entre as pernas esticadas da loira. Emma passou os braços em volta do corpo de Regina. A morena se sentiu confortável para apoiar o pescoço no ombro de Emma.

Com a ajuda daquele cenário deslumbrante, Regina lembrou do que seu filho falou há poucos instantes, recordou-se também das palavras de Mary, Emma também poderia estar apaixonada por ela. O pensamento fez com a prefeita se derretesse e se entregasse, com toda a intensidade, mais uma vez, ao amor que sentia por Emma.

As duas mulheres ficaram em silêncio, apenas apreciando o que elas já tinham conquistado. Assistiram, abraçadas, na mesma posição, ao mais belo por do Sol e contemplaram a natureza do ambiente ao redor.