Imagine
18 Me fale quais as consequências, Blue.
Notas iniciais
A reforma do quarto vazio já havia começado. Mary, Regina, Emma e Henry se dividiram em diferentes tarefas para que o quarto ficasse pronto a tempo da chegada do bebê.
Emma não fazia questão de nada especial, para a loira bastava um berço e uma cadeira, mas Regina queria que aquele ambiente fosse perfeito.
Henry, com a ajuda de Regina, pintou as paredes do quarto em um tom azul bem claro, quase branco, imitando a cor do céu logo pela manhã, a pedido de Emma e Mary pintou diferentes tipos de pássaros em uma das paredes a contra gosto de Regina.
O berço que Emma encomendou já havia chegado juntamente com os armários, trocador, poltrona, cortina, tapete, abajur e cômoda que Regina fez questão de comprar. Toda a mobília era de muito bom gosto e poderia estar estampando qualquer revista refinada de decoração por aí.
O quarto estava ficando exatamente como Regina imaginou e Emma estava encantada com o que via a medida que os móveis eram colocados nos lugares que a prefeita planejou.
Mary Margareth não podia estar mais feliz com a decisão da filha de ficar na casa de Regina. Ela tinha certeza que a criança seria muito bem cuidada e cresceria feliz ali com elas e Henry. Esperava que, em algum momento, a prefeita revelasse todo seu amor que sentia para a filha e elas finalmente pudessem ser uma família.
–Emma, está maravilhoso! Digno de um príncipe ou de uma princesa! -Disse Mary Margareth.
–Está mesmo! Regina fez essa mágica!- Disse com os olhar voltado para Regina. -Se dependesse de mim...
A morena sentiu seu rosto corar, ela nunca sabia como reagir quando Emma a elogiava.
–Regina, por falar em mágica... -Lembrou Mary. -Como está a mina?
–A todo vapor, Mary! Mas eu não sabia que você tinha interesse em deixar Storybrook. Pensei que com a chegada do seu novo neto, vocês..
–Não! -Cortou Mary. -Nós não temos a menor intenção de deixar Storybrook. Eu só perguntei porque.. enfim, curiosidade, não é?! -Mary forçava um sorriso. Mary nunca soube ser uma boa mentirosa e Regina podia reconhecer suas expressões como ninguém.
Emma deu de ombros mas Regina desconfiou que Mary escondia alguma coisa delas.
–Bom, se está tão curiosa posso lhe adiantar que irei me reunir com a fada azul para os últimos detalhes.
–Ahn! E você acha que vai funcionar? -Se preocupou Mary.
–Quer dizer, a mágica vai mesmo voltar?
–Trabalhamos duro durante meses para que dê certo. Eu não vejo porque dar errado...
Emma parecia distraída e alheia ao assunto.
–Regina, eu me lembrei de uma coisa já há alguns dias, mas eu sempre esqueço de te perguntar. Por acaso Gold foi me visitar enquanto eu estava inconsciente?
Regina não havia mencionado a visita de Gold para Mary Margareth e não queria ter que explicar o que presenciou. A morena estava desconfiava de Gold desde o dia que eles se encontraram no hospital e queria ter tido tempo para investigar o homem sem levantar suspeitas, mas infelizmente ainda não tinha nenhuma informação.
–Desculpe não ter mencionado isso antes, Emma. Gold esteve no hospital sim.
–E por que você não me contou nada? Regina, ele não tentou fazer nada com o meu neto, né? — Mary mostrou um desespero que Regina não esperava. Sua reação exagerada chamou a atenção da prefeita de que ela poderia ter algum envolvimento com a visita inesperada de Gold ao hospital. Claro que Regina não achava que Mary faria algum mal a criança ou a Emma, mas imaginou que ela poderia saber mais sobre o assunto.
–Ei, se acalme, eu não permitiria que ele fizesse alguma coisa! Mas eu realmente ainda não sei porque Gold foi visitar você, Emma... Mas pretendo descobrir.
–E como você pretende fazer isso? -Perguntou Mary interessada.
–Tenho meus métodos, querida, não se preocupe!
–Regina, eu perguntei se Gold esteve no hospital mesmo porque eu tive uma sensação estranha em um determinado momento. Eu não sei explicar, mas de alguma forma, eu senti que havia magia lá, e era diferente da minha. Foi estranho, senti uma energia dentro e fora de mim. Eu achei que pudesse ter sido você, mas você não tem mais mágica, não é?
–Sim, Emma... Você está certa. De algum jeito você conseguiu sentir Gold ali por causa da magia dele. De algum jeito aquele desgracado conseguiu manter seus poderes, mas certamente estão enfraquecidos, mas como ele é o único que tem esse recurso por aqui, o miserável esta em vantagem!
Mary não parecia surpresa com a informação de que Gold continuava com seus poderes. Regina fingiu não prestar atenção, mas começou a observar Mary mais atentamente para ver se ela descobria o que a morena sabia e não estava dizendo.
–Acho que agora, mais do que nunca, essa mina tem que render bons frutos! -Concluiu Emma.
O clima antes leve e descontraído, se tornou pesado e sombrio com a preocupação das três mulheres. Saber que Gold era o único que tinha poderes às colocava em desvantagem e ninguém sabia o que se esperar do Dark One.
–E você já pensou no que vai acontecer se Hook voltar, Emma? -Perguntou Mary.
Emma deu de ombros. — Ele é o pai dessa criança...
Sempre que Regina estava superando o fato de Emma estar esperando um filho do pirata, alguém fazia o favor de lembrá-la. Regina só queria esquecer que aquele infeliz passou pela vida de Emma. A morena acreditava que ações valiam mais do que palavras e o fato de Emma ter escolhido criar aquela criança em sua casa era um passo enorme, mesmo sem saber se a loira a amava de volta. Regina faria qualquer coisa para fazê-los feliz e estava se acostumando a conviver com aquele tipo de amor unilateral que inventou.
**** 6/7 MESES ANTES*****
–Crocodilo! -Girtava e batia na porta da loja de Gold. -Abra essa porta!
Magicamente a porta foi aberta para que ele pudesse entrar. Desconfiado, Hook deu alguns passos e logo encontrou com Gold, que parecia esperar por ele.
–Não ficou satisfeito? -Perguntou o mais velho.
–Mas é claro que não! Essa não é minha mão, tire de mim!
–Eu não posso, já esgotei minha mágica ao trazer seu querido navio de volta para Storybrook, aliás, se eu fosse você, não perderia mais tempo em tentar convencer Emma a dar um passeio de barco esta noite!
–Seu maldito! Você fez de propósito! Crocodilo desgracado! Tire isso de mim!
–Já disse que não consigo. Tic, tac, tic, tac... seu tempo está correndo..
–Vamos logo! Você sabe que não posso controlá-la se ela for diretamente na sua cara também.
–Você não faria isso, querido! Não que não seja do seu feitio, mas você não perderia a sua única chance de se livrar dela.
–O que eu devo fazer com isso agora? De que me adianta ter essa mão?
–Aqui, realmente ela não tem tanta utilidade se você não planeja atacar ninguém, mas assim que você cruzar a barreira dos mundos, as suas duas mãos ficarão exatamente iguais.
–E por que eu acreditaria em você dessa vez?
–Porque você não tem outra opção! Aliás, tic-tac. -Olhou no relógio.- Você não vai perder suas duas últimas horas discutindo comigo, não é?!
Hook não se deu conta do tempo passar e saiu correndo da loja de penhores na tentativa de achar Emma e Henry para levá-los embora.
Ele não poderia ficar preso em Storybrook para sempre mas também não poderia partir sem Emma. O moreno pensaria depois no que fazer com aquela mão descontrolada. Naquele momento, ele apenas desejava que a mão não assustasse a loira.
O casal Charming, que estava logo atrás de Hook, conseguiu ouvir toda a conversa do capitão com Gold. Finalmente descobriram que os planos de Hook envolviam levar Emma para fora de Storybrook.
O casal não estavam dispostos a perder a filha mais uma vez, muito menos agora, que estava grávida.
Os Charmings tinham que segurar Hook em terra firme por mais duas horas até o seu meio de fuga, Jolly Roger, desaparecer completamente.O melhor que podiam fazer era tentar atrasá-lo ainda mais, já que contavam com a vantagem de que o capitão estava com uma mão descontrolada e ainda precisava encontrar Emma.
–Hey, Hook! — Chamou David.
O pirata se assustou ao se dar conta que o casal estava logo atrás dele e tentou correr para fugir de vista. David foi mais rápido e agarrou o pirata pelas costas. Os dois homens caíram no chão e David encurralou o moreno contra o asfalto.
–Onde você vai levar Emma? -Gritou e obteve o silêncio do capitão como resposta.
–Eu vou perguntar só mais uma vez, para onde você pretende levar a minha filha?
Hook não conseguia se mover poder se mover e se viu rendido. Mary assistia a cena de longe.
–Embora desse lugar. — Respondeu contrariado.
O choque foi tão grande que David afroxou as mãos que seguravam o capitão contra o chão. Com um pouco mais de mobilidade que conseguiu, Hook alcançou seu gancho guardado dentro do bolso do casaco e, num golpe desmedido de força, o infincou de uma única vez na perna de David com a intenção de tirá-lo de cima dele. O príncipe urrou de dor com o golpe e deixou seu corpo cair para o lado enquanto apertava com as mãos a ferida em sua perna. O capitão aproveitou a brecha que teve, e antes de correr dali, arrancou o gancho da perna de David, deixando o príncipe caído com uma dor ainda pior que a do primeiro golpe.
Mary correu para socorrer o marido.
–Vá atrás dele. Não deixe ele ir embora com a nossa filha. -Suplicou David.
–Não, Charming. Eu não vou deixar você aqui.
–Vá, por favor. Eu ficarei bem.
Mary tentou não olhar para traz, pensou somente em Emma e correu em direção à casa de Regina, para onde ela imaginou que o pirata pudesse ter ido para buscar Emma
****FIM DO FLASHBACK*****
–Tudo bem. Quando a hora chegar, todos sentirão seus poderes voltando, Regina.
–Muito bem, Blue. Vamos repassar os pontos, então. Não podemos deixar nada passar.
–Certo. Leroy será responsável por trazer para as fadas todos os diamantes brutos que conseguir retirar da mina. Tinker irá transformá-los os diamantes íntegros em pó e entregá-lo diretamente para mim.
–Tinker? Tinker Bell? Você delegou justamente essa função para aquela fada desajeitada? -Perguntou Regina desconfiada das escolhas e competência da fada azul.
–Não fale assim da sua fada madrinha, Regina. Tinker já provou ser capaz dessa e de qualquer outra função que for delegada.
–Tudo bem, faça como achar que deve. Apenas lembre-se que não podemos cometer nenhum erro, senão as consequências devem ser devastadoras.
A prefeita não confiava em Tinker. Sabia que se tratava de sua fada madrinha e era exatamente por essa razão que sabia que Tinker não era lá um bom exemplo de fada.
–Não se preocupe, não haverá erros, Regina.
A prefeita andava de um lado para o outro durante a conversa com a fada. Ela sabia que era sua responsabilidade cumprir a missão de trazer a magia de volta e, se algo desse errado ela não se perdoaria. Regina pensava em Emma. Aquela criança que a loira carregava significava o mundo para ela e a prefeita não estava disposta a colocá-la em risco.
–Aí vem a parte mais importante, Regina. -Alertou Blue. — Assim que o pó estiver comigo, eu precisarei da sua ajuda.
–Tudo bem. O que vai acontecer?
–Bom, o pó dos diamantes feito por Tinker entrará em contato direto com a minha energia assim que eu o pegar e, finalmente, se transformará em mágico. -Respondeu Blue.
–Sim, o pó de fada. Eu me lembro que você é a única que pode fazer isso, por essa razão preciso que seja você.
–Acontece que esse processo não é tão simples como parece. O pó deve sugar toda a minha energia para que se torne mágico, mas durante esse processo, ele vai virar uma fumaça negra poderosa e maligna que vai querer emanar desordenamente por Storybrook mas eu não terei mais forças para contê-lo.
–E o que eu devo fazer?
–Você deve usar a varinha negra para conduzir essa fumaça diretamente para o poço, Regina. É muito importante que você esteja lá para fazer isso!
–Ok. Mas por que no poço?
–Porque é lá onde acontece a magia de luz. O poço ainda tem as águas do nosso reino, e somente quando a fumaça negra entrar em contato com as propriedades mágicas dessa água que ficaremos seguros em devolver a magia certa para Storybrook. -Explicou Blue.
O plano de Regina não seria tão simples como ela pensou. A prefeita não imaginava que haveriam etapas do processo que envolvesse magia negra. Ela ainda lutava, diariamente, para se afastar completamente desse tipo de coisa. Regina conhecia o poder da magia negra, e soltá-la descontroladamente por aí, certamente era uma péssima ideia que ela não podia nem prever os danos que causaria.
–Certo! Agora eu também preciso estar preparada para o que pode dar errado. Me fale quais as consequências, Blue.
–Bom, se você não conseguir levar a fumaça para o poço como combinamos, nós entraremos numa nova era, nada será como antes.
–Teremos uma nova maldição? Uma maldição das fadas, é isso? -Regina ironizou aflita.
–Mais ou menos como uma maldição. Mas dessa vez, talvez não sobre ninguém vivo.
–Não, eu não vou permitir que isso aconteça!
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