Imagine

2 Venha, o café já está na mesa.


Notas iniciais
Resolvi postar mais um, heheh! Espero que gostem, se sim, irei continuar a fic! bjO.

A prefeita chegou em casa e antes de correr até seu guarda-roupas, pensou no que poderia fazer para que Emma almoçasse, afinal, ela precisava manter a promessa de que cuidaria do bem estar de Emma e do bebê e isso incluía alimentá-la corretamente. Conhecendo a loira, Regina sabia que teria que ser bastante criativa para que a fizesse comer, nada muito diferente do que ela já estava acostumada a fazer com Henry. A única diferença era que ela obrigava seu filho a comer o que quer que ela tivesse preparado, infelizmente ela não podia obrigar Emma.

–Vamos pedir alguma coisa no Granny's? -Sugeriu Emma se jogando no sofá e abrindo Zíper da calça novamente.

–Você enlouqueceu de vez?

–O que há de errado com o Granny's, Regina?

–Por acaso, no Granny's tem uma salada verde para entrada, filé mignon recheado com legumes e batatas assadas ao forno e quem sabe uma sobremesa?

–Er... Acho que não, por que?

–Por que é exatamente isso que tem de errado lá. Eu vou preparar seu almoço e me certificar que essa criança coma direito, espero que você goste de filé mignon.

–Ahn, tá bom, não é meu prato favorito, mas...

Regina virou o pescoço e encarou furiosa interrompendo o que Emma ia dizer.

–Mas eu vou adorar comer o seu filé mignon com legumes ao invés do lanche de queijo grelhado do Granny's. -Continuou Emma com um sorriso amarelo completamente forçado, mas o suficiente para Regina seguir satisfeita seu caminho até a cozinha.

Regina terminou de jantar mas não se levantou da mesa enquanto não estivesse segura que Emma estava satisfeita. A loira havia comido tudo que a prefeita lhe serviu, mesmo que ainda preferisse ter comido o sanduíche de queijo do Granny's.

Enquanto terminava de arrumar a cozinha, Regina pensou como era bom ter uma companhia para jantar, além de Henry. O garoto, agora bastante crescido, passava mais tempo com os avós do que com ela própria. A prefeita sentia-se sozinha naquela casa enorme, por isso, se ocupava com os afazeres da prefeitura o máximo que podia.

Aquela era uma noite especial para a prefeita, ela se esforçava para que Emma conseguisse se sentir em casa e ficasse a vontade. Emma, de alguma forma, mexia com ela, mas não negativamente, surpreendentemente, Emma mexia com a prefeita positivamente, de tal forma que, às vezes Regina não sabia nem o que fazer para tentar agradar a loira.

–Regina, eu queria te agradecer por tudo que tem feito por mim, por nós, na verdade.

A prefeita gelou com as palavras de Emma. A morena tinha certeza que Emma havia desistido e resolvera voltar para casa dos pais. Sem entender por que o sentimento de medo e de solidão a atingiram, ela se virou para a loira, trazendo uma expressão derrotada no olhar.

–Emma, não tem por que agradecer. Eu disse que te ajudaria e é exatamente o que eu estou fazendo, não é?

–Sim. Quer dizer, você não precisava fazer nada disso...- A loira dizia enquanto se apoiava em uma das banquetas da cozinha.

–Mas é claro que precisava, se tem uma coisa que seus pais me ensinaram é que família a gente não deixa para trás, Emma. E você, bem, você é família.

Naquela altura, Emma já estava sentada na banqueta com o zíper da calça aberto, apenas observando Regina secando suas mãos no pano de prato após terminar de lavar a louça.

–Acho que sim. Mas eu não quero atrapalhar você, não sei. Você deve ter uma rotina e eu, bem, eu estou essa bagunça. -Disse enquanto puxava um riso que chegou fácil para a morena que a ouvia.

–Pois eu estou começando a não me incomodar com bagunça.

Imediatamente a morena se arrependeu do que disse, sentiu seu rosto corar e desviou o olhar, causando um silêncio constrangedor entre as duas. Regina tratou logo de mudar de assunto antes que a situação ficasse ainda mais embaraçosa.

–Venha, vamos lá em cima para ver o que eu tenho que pode servir em você.

Emma não queria e não podia continuar negando a ajuda de Regina, mesmo não se sentindo a vontade para aceitar as roupas da prefeita, ela acabou concordando em ir até o quarto da morena.

Regina colocou todas as peças que pareciam boas opções para Emma em cima de sua cama e pediu que Emma provasse algumas coisas que tivesse gostado.

–Regina, eu não queria ter que fazer isso...

–Emma, já conversarmos sobre isso, suas calças não estão nem fechando mais.

–Que droga! Está bem, eu experimento.

–Ótimo!

–Amanhã, pode ser?

–Tudo bem, Emma. Como preferir. Separe o que você gostou que eu vou guardar o restante.

Sentada em sua cama no quarto de visitas encarando a pilha de roupas de Regina jogadas na poltrona a sua frente, a loira se perguntou por que estava seguindo adiante com aquela ideia absurda de se hospedar na casa da morena, ela poderia muito bem ir morar em algum lugar sozinha, mas a ideia de ter alguém próximo não lhe parecia tão ruim. Foi quando pensou em Hook.

Acariciou a barriga e sorriu para o bebê, como se a criança que carregava em seu ventre, pudesse vê-la.

–Nós vamos encarar isso. Eu e você, tá bom? Agora vamos experimentar alguma coisa daquela pilha ali.

O cheiro do perfume de Regina estava em todas as peças que Emma colocava em seu corpo, e em algum momento, ela começou a, de fato, sentir-se a vontade. O cheiro das roupas, o lugar, o quarto, a roupa de cama, as toalhas, o travesseiro, ela no meio daquilo tudo pareceu certo, então a loira, finalmente caiu no sono com algum dos pijamas de Regina colado em seu corpo.

Amanhecia a segunda-feira e Regina já estava acordada, preparando o café da manhã reforçado de Emma, afinal, a loira insistiu em continuar trabalhando e naquele dia, ela estaria sozinha na delegacia, portanto, precisava estar bem alimentada para aguentar o dia todo. Regina sabia que Emma passaria o dia sem comer direito, e que, em algum momento, iria comer uma porcaria qualquer no Granny's.

–Regina, que horas você acordou? Por Deus!

–Bom dia, Emma! Como você está? Vejo que meu pijama ficou ótimo em você!

–Ah sim. obrigada! É bastante confortável mesmo.

–Venha, o café já está na mesa... Mas nada de cafeína para você!

–Você está brincando, né?

–Mas é claro que não. Emma, cafeína faz mal ao neném.

–Como alguém começa o dia sem café?

–Vitamina. Ótima opção. E aqui está a sua vitamina de maçã.

Emma revirou os olhos para Regina e pegou o copo da vitamina tomando-o de uma só vez e deixando uma careta visível ao final..

A morena se sentou a mesa e Emma ficou apenas olhando.

–Você não vai comer? Assei esses pães agora.

–Não como de manhã.

–Mas deveria...

–Eu não consigo comer de manhã, oras.

–Você parece uma criança, sabia?!

–Agora entendo porque o Henry passa tanto tempo na casa dos Charmings...- resmungou Emma.

–O que disse, Emma?

Regina ouviu perfeitamente o que Emma havia dito. Diferente do habitual, não ficou enfurecida, mas sim chateada. A loira não percebeu o quanto falar da rejeição de Henry a feria.

–Hormônios! -Emma respondeu, tentando consertar a situação. -Eu não falei nada, foram os hormônios falando por mim... Olha só, vou até comer um pão, me passa a manteiga!

Emma estava visivelmente arrependida de sua falta de delicadeza, ela não queria magoar a morena, de fato, os hormônios estavam falando e agindo por ela nas últimas semanas e difícilmente ela conseguia se controlar.

As duas terminaram de comer em silêncio. Não havia mais nada a ser dito e por mais que Emma não tivesse a intenção, Regina estava magoada e a culpada era ela.

Antes que a loira saísse de casa para o trabalho, Regina a entregou uma sacola com algumas frutas, barrinhas de cereais e suco integral de caixinha.

–Isto é para quando você estiver com fome.

Emma ficou sem jeito mas pegou a sacola e agradeceu Regina. A prefeita não conseguiu olhar nos olhos da loira até que ela passasse pela porta, ela não queria ser vista fragilizada. Assim que teve certeza que Emma saiu, a prefeita deixou com que as lágrimas finalmente escorressem em seu rosto.

A prefeita estava disposta a mudar de verdade, não só pelo seu filho, mas também por ela, e agora por essa criança que estava por vir. Estar ao lado da salvadora nunca foi fácil, Emma era o oposto de tudo que Regina sempre foi, era como um martelo constante lembrando-na de tudo que ela tentava, com muito custo, deixar para trás. Esforçava-se para tratá-la bem, esforçava-se para que ela se sentisse confortável, esforçava-se para que ela se alimentasse direito, e ao final do dia, sentia que não recebia nada em troca. Emma e Henry se pareciam muito enquanto Regina, nadava na contra mão deles.

Regina podia ser muitas coisas, mas ingenuidade não fazia parte dos adjetivos atribuídos a ela. A morena sabia exatamente onde estava se metendo quando convidou Emma para ficar em sua casa, ela sabia que estava assumindo um grande risco no momento que a loira entrou pela porta, ela só não sabia que poderia doer tanto.

Notas finais
PEACE Y