Imagine
3 Por que você acha que somos um casal?
Notas iniciais
Regina passou o dia na prefeitura, assinando alguns documentos, lendo algumas correspondências de moradores insatisfeitos em Storybrook, o mesmo pedido de sempre, as pessoas queriam poder ir e vir livremente. Resolveu algumas questões burocráticas referente a mina, que de acordo com alguns engenheiros, ainda podia ser reativada, salvando Storybrook de qualquer ameaça, caso conseguissem ter de volta o pó de fada.
Hora ou outra, a prefeita pensava em Emma. Queria saber se ela estava bem ou se precisava de alguma coisa. Olhou para o aparelho celular diversas vezes, mas não ligou para a loira.
seu orgulho e sua mágoa falavam mais alto.
Emma, do outro lado de Storybrook, na delegacia, passou boa parte do dia vomitando. Pensou diversas vezes em ligar para Regina, apenas para saber como ela estava ou saber o que estava fazendo, mas não o fez. Teve um dia sem quase nenhuma ocorrência, com exceção de um furto no celeiro.
Emma não conseguia entender como alguém rouba um cavalo em Storybrook e acha que não será descoberto, alguém iria vê-lo. Ela não precisava ser uma boa xerife para solucionar isso, sua experiência dizia que bastava alguns dias e o próprio bandido iria aparecer em cima do cavalo e Emma estaria de olhos bem abertos nesse período.
A loira começou a estranhar o fato da prefeita não ter ligado para ela durante o dia inteiro, pode-se dizer que ela estava começando a se acostumar com a atenção que recebeu de Regina e não tê-la, começou a fazer falta. Resolveu ir tomar um chocolate quente no Granny's, ignorando completamente o fato de que o leite a faria vomitar ainda mais.
Regina queria se distrair e parar de pensar que algo ruim poderia estar acontecendo com Emma e o bebê e resolveu sair para tomar um chocolate quente no Granny's, ao invés de pedir por telefone, como de costume.
–O casal do momento chegou! -Exclamou Ruby, chamando a atenção de todos na lanchonete.
Emma parou na porta da lanchonete, antes mesmo de pisar dentro e olhou para o lado, sem entender de quem a garçonete se referia, já que ela estava ali sozinha. Se deparou, alguns passos atrás dela, com Regina.
–Srta Lucas, acho melhor que a senhorita não diga mais nada se não quiser fazer parte da história dos 3 porquinhos se tornando um dos leitões. Em apenas um estalar de dedos eu posso torcer sua calda. Você é quem sabe.
Ruby engoliu seco as palavras que disse e também o riso que insistia em escapar.
–Emma. -Cumprimentou Regina friamente passando pela loira sem lhe demonstrar qualquer sentimento.
–Oi Regina. -Respondeu e sem ter a chance de dizer mais nada, a prefeita continuou caminhando sozinha em direção a uma mesa sem olhá-la diretamente.
–Problemas no paraíso... -Provocou Ruby baixinho ao notar a tensão entre as duas mulheres.
–Cala a boca, Ruby. -Pediu Emma.
–Mas que mal humor vocês duas! Vamos lá, Emma, o que vai ser?
–Nada, perdi a vontade.
–Okay. Com licença.
–E então senhora prefeita, o que vai querer? -Perguntou Ruby.
–Nada, perdi a vontade, srta Lucas.
–Okay. -Respondeu Ruby. -Com licença.
Ruby atravessou o salão mais uma vez e voltou até a mesa de Emma, se debruçou sob ela e disse baixinho:
–Olha, acho que você deveria ir lá falar com ela. Não é do meu feitio me meter na vida alheia, mas, eu não sei o que rola ai entre vocês duas, mas claramente você é a menos orgulhosa, então faz um favor para si mesma e vai lá conversar e resolver o que quer que seja.
Emma ficou irritada com a atitude ousada da garçonete, mas também ficou curiosa. Queria saber em qual momento Ruby pensou que elas pudesse, ser um casal. E além do mais, Emma não gostava de Regina, pelo menos não daquele jeito. Emma gostava de meninos, ou ao menos, pensava que gostava.
–Ei, volte aqui, me responde uma coisa.
–O que foi, Emma?
–Por que você acha que somos um casal?
–E não são? Vocês tem um filho juntas, se odiavam tanto que saía até faísca quando chegavam perto uma da outra, trocam alguns olhares que meu Deus do céu, e agora você simplesmente se muda para a casa dela. Emma, por favor, vocês são um casal sim!
Emma, que ouviu tudo atentamente, começou a rir, chamando a atenção de uma Regina irritada do outro lado da lanchonete.
–Não... Eu e Regina... Nós não... Eu não!
–Tudo bem, Emma. Que seja, apenas resolva isso porque ninguém merece aguentar Regina de mal humor.
–Ruby, me trás um chocolate quente, por favor. Ou melhor, dois chocolates.- Pediu Emma e deu uma olhadinha para a prefeita, indicando que o outro chocolate seria para ela.
–Tudo bem, já trago os chocolates.
Emma respirou fundo e se levantou, caminhou até a mesa de Regina e puxou uma cadeira de frente para prefeita.
–Eu comi uma banana, tomei suco de uva e por menos que eu gostasse, eu também comi uma barrinha de cereal hoje. -Disse sorrindo.
–Que ótimo, Emma. Vejo que está começando a amadurecer.
–Depois eu vomitei umas três vezes. Sem contar as duas que foram antes do lanche.
–O melhor a fazer é informar ao Dr. Whale. Ele certamente poderá te orientar melhor o que fazer.
Regina estava completamente fria, insensível, não olhou para Emma nenhuma vez enquanto respondia.
–Obrigada por ter preparado a sacola hoje de manhã.
–Eu apenas estou cuidando dessa criança que não tem culpa de nada.
–Eu sei.
–Sabe mesmo? -Regina começou a ficar irritada e seu tom de voz tranquilo mudou completamente, era ameaçador. Emma apenas se calou.
Ruby logo chegou trazendo o chocolate quente para elas.
–Srta Lucas, eu não me lembro de ter pedido chocolate.
–Não, prefeita, a senhora não pediu. Emma foi quem pediu os dois.
Regina olhou para Emma que confirmou o que Ruby dissera.
–Não creio que tomar essas duas jarras imensas de leite com chocolate vão ajudar seus enjoos, Swan.
–É só uma. A outra é para você.
–Pensa que pode comprar meu perdão com um chocolate quente, Srta Swan?
–Não, isso é apenas o agradecimento pela minha comida da tarde. O seu perdão ficará para hoje depois do expediente.
–O que você está dizendo?
–Estou te convidando para ir ao shopping comigo, eu preciso comprar umas roupas e acho que eu não saberia fazer isso sem ajuda.
Regina sorriu e a expressão irritada deu lugar para uma afeição mais acolhedora, deixando Emma mais segura.
–E então, topa?
Regina quis negar o pedido de Emma, a morena ainda estava magoada. Mas suas palavras saíram de uma forma que ela não esperava.
–Tudo bem, Swan. Te pego as 18h na delegacia.
–Estarei esperando.
–Mas não pense que será fácil conseguir meu perdão.
Emma apenas sorriu. Deu um último gole em seu chocolate, tirou algumas moedas do bolso, colocou no balcão e antes de sair se virou para Regina e disse:
–Eu darei um jeito!
Assim que Emma saiu da lanchonete, Regina colocou um sorriso no rosto e Ruby não deixou de notar a mudança na morena.
–Perdeu alguma coisa por aqui, Srta Lucas?
–Não, senhora prefeita. Estava apenas me perguntando se o chocolate estava do seu agrado.
–Ah, sim. Obrigada. Na verdade, há tempos não tomava um chocolate tão gostoso, vocês mudaram alguma coisa na receita?-Respondeu divagando.
–Não, igualzinha a dos últimos 30 anos, mas imagino que o de hoje tenha sido mais gostoso mesmo... -Disse entre os dentes com um riso abafado.
–O que você quer dizer com isso, srta Lucas? -Perguntou Regina voltando ao seu tom ameaçador habitual.
–Nada, senhora prefeita. Nada. Com licença.
Às 18h pontualmente, Emma estava em frente à delegacia esperando por Regina. A loira já estava cansada e tudo que ela mais queria era voltar para casa, tomar um banho e poder dormir. O dia não havia sido nada cansativo, mas qualquer atividade que ela fizesse, ela precisava dispor de muita energia e se cansava fácil. Se perguntou se ela realmente aguentaria trabalhar até o final da gestação.
As calças apertavam a barriga e até mesmo respirar era um esforço grande, a blusa justa a incomodava e tirava a mobilidade, os pés de Emma começaram a inchar naquele dia, talvez por ter passado tantas horas sentada. Ela queria arrancar as botas e poder trabalhar de chinelo o restante do dia. Comprar roupas seria uma tarefa cansativa, porém necessária, não apenas para que tivesse roupas para vestir, mas sim pois, sentia que estava em débito com Regina.
Emma estava no primeiro trimestre da gestação, e sabia que, obviamente, engordar era uma das mudanças em seu corpo, mas não imaginava que aquilo também afetaria sua auto estima.
Seus seios estavam imensos e doloridos, as mamas estavam completamente diferentes de como costumavam ser e ela começou a envergonhar-se de seu corpo, preferindo se esconder dentro de casacos fechados e blusas escuras.
Enquanto olhava alguns cabides de roupa, Emma não conseguia se decidir o que levar. Pensou em comprar uma calça nova, umas 3 blusinhas para poder variar com a calça e talvez um casaco que de fato, ela pudesse fechar.
Regina torceu o nariz para tudo que a loira escolheu, deixando Emma frustrada.
–Emma, você deve escolher roupas que poderá usar durante toda a gestação. Isso aqui vai te servir mais uns 2 meses no máximo.
–Eu não entendo, Regina. Esses já são os maiores tamanhos da loja!
–É por que nós não estamos escolhendo na loja certa. Você não tem que comprar o maior tamanho da loja.
–Não espere que eu vá comprar vestidos estampados longos e blusas que deixem a barriga à mostra ou algo do gênero, por que definitivamente eu não vou.
Regina caiu no riso. Como uma mulher que viveu a maior parte da sua vida em Boston, cercada de lojas e opções, poderia pensar que vestidos longos e tops eram as únicas opções para mulheres grávidas.
–Querida,é claro que não. Eu já conheço você o suficiente para saber que você não usaria nada do tipo. Mas existem opções, sabia?
Emma continuava confusa e frustrada. A última vez que ela passou por isso, ela não precisou se preocupar com o que vestir, de qualquer forma, as roupas da detenção eram folgadas o suficiente para os 9 meses da gestação.
A loira não teve uma mãe que a ensinasse esse tipo de coisa ou alguém que pudesse prepará-la para quando passasse por isso.
Regina pediu que fossem a uma loja de roupas especializadas para gestantes.
Emma não queria de jeito nenhum usar roupas de gravida, mas havia prometido para Regina que iria conseguir o seu perdão, e aquela parecia uma boa oportunidade para angariar isso.
Emma acabou se surpreendendo com as opções que existem para as gestantes. Nada daquelas roupas horrorosas que ela estava imaginando eram usadas. Ao contrário,havia muitos modelos de calças jeans e camisetas para todos os gostos. As calças jeans tinham um corte moderno, as blusas eram ótimas e os casacos não eram para gordos, e sim para mulheres grávidas, e este pequeno detalhe parecia fazer uma diferença enorme quando estavam no corpo.
Regina escolheu algumas calças e pediu que Emma provasse.
As calças vinham com uma faixa de elastano, que traziam segurança para a barriga além de deixar as costas confortavelmente retas.
–Regina, podemos escolher uma e apenas levar?
–Como assim? Você não quer provar?
Emma estava constrangida, não queria ter que experimentar alguma coisa na frente de Regina. Podia ser uma bobagem, uma infantilidade até, mas a loira estava adiando aquele momento simplesmente porque estava envergonhada das novas formas de seu corpo.
Regina precisou ser paciente e atenta, mas conseguiu perceber que havia algo errado com Emma, diferente das outras vezes que a loira estava apenas fazendo birra, agora ela parecia sincera e realmente chateada por ter que provar aquelas peças.
–Emma, algum problema?
A morena não queira se intrometer, ela sabia que se Emma quisesse falar sobre aquilo, já teria mencionado algo, mas Regina não podia deixar quieto. Emma estava linda, não só por estar grávida e aquilo, por si só, ser lindo para Regina, mas Emma continuava a ser uma mulher linda e extremamente atraente.
Emma podia não notar, mas, por onde passava, atraia a atenção de homens e até mesmo de algumas mulheres, tamanha era sua beleza. O fato de estar grávida, não mudou em nada, ao contrário, agora Emma tinha os seios mais volumosos e o quadril também estava maior, destacando ainda mais a cintura fina.
Regina não deixou de notar essas mudanças na loira, apenas preferiu não comentar com ela como ela havia ganhado mais corpo nas últimas semanas.
–Não, Regina. Eu só acho que estou cansada... Podemos levar sem que eu precise experimentar mesmo?
–Emma, venha até aqui.
A morena puxou os braços da loira até o provador, a colocou de frente para o espelho. Imediatamente Emma se corou e curvou sua postura diante de sua imagem, claramente envergonhada do que via refletido ali.
–Está vendo essa mulher ai?
Emma olhou atentamente a sua figura no espelho.
–Pois bem, essa mulher ai no reflexo está formando uma nova vida dentro de si, e nesse momento, tem todo o direito de sentir o que quer que seja sem que ninguém a julgue por isso. A única coisa que essa mulher não pode sentir é que ela seja menos do que alguém por isso, por que isso seria uma mentira.Emma, não há nada de errado com você ou com o que você esteja sentindo.
Regina queria poder dizer mais. Queria mesmo dividir com Emma como ela achava a loira estonteantemente linda antes da gravidez e agora ainda mais. Queria poder olhar nos olhos de Emma e fazê-la ver tudo aquilo que ela via. Mas não o fez, apenas manteve um discurso discreto.
–Eu... Eu, eu sei que você está dizendo isso para que eu me sinta bem, e te agradeço por isso. Sério. Mas no momento, eu só consigo ver um colchão amarrado no meio refletido ali.
Ouvir Emma dizer aquilo era de partir o coração de Regina.
–Emma, se você colocar alguma dessas calças, não se sentirá tão apertada. Vamos, confie em mim.
–Tudo bem, mas você me espera aqui do lado de fora. Não virei te mostrar como ficou, entendido?
–Como preferir.
O par de calças que Regina escolheu fez com que Emma ficasse surpreendentemnfe confortável. Ela até se achou bonita dentro dele e sentiu vontade de sair do provador para poder agradecer a prefeita por não tê-la deixado desistir antes de provar as peças.
Emma guardou a calça velha dentro da sacola das roupas novas e já quis ir embora vestindo as roupas que recém comprou.
–Regina eu não tenho nem como te agradecer.
–Não há de que. Eu disse que daríamos um jeito.
–Não, não só pelas roupas. Mas por tudo. Hoje eu realmente me sentia um lixo, sabe?! Eu realmente fiquei com vergonha de você.
–De mim?
–É... Você está sempre tão elegante, tão bonita, e eu ando por aí com calças abertas...
Regina nunca imaginou que Emma guardasse aqueles elogios para ela. Ouvi-la dizê-los, foi um choque que ela preferiu atribuir aos hormônios descompensados de Emma, ao invés de ficar imaginando coisas que certamente não fariam sentido algum.
–Você está apenas passando por mudanças no seu corpo, é normal. Além dos hormônios te deixarem mais sensível também, é claro.
–Não Regina, é sério. Sempre achei você linda, tipo daquelas mulheres que não existem de verdade, que a gente só vê nas revistas, sabe?!
Regina apenas deu uma gargalhada enquanto descia do carro com algumas sacolas novas. Emma só poderia estar brincando.
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