Imagine

4 Acho que me sinto livre.


Notas iniciais
Quero agradecer a todas que estão acompanhando a fic é quem a favoritos tb!! Isso faz mta diferença para escrever... Quem escreve sabe o que eu estou dizendo, dá ânimo! E para quem não comenta, Ahhh, deixa uma opinião para eu saber o que vocês acham tb! Espero que gostem! BjO.

Regina bateu algumas vezes na porta do quarto de Emma em vão. Queria chamá-la para jantar.

Henry havia acabado de chegar e estava faminto. Seria uma ótima oportunidade de todos se juntarem a mesa.

A morena pensou diversas vezes se deveria fazer isso ou não, porém, delicadamente, abriu a porta do quarto de visitas e se deparou com Emma deitada, de roupa e tudo, dormindo em cima da roupa de cama.um suspiro longo saiu dos pulmões da prefeita.

Regina ficou ali alguns instantes observando a loira e os elogios a ela voltaram a ecoar em sua mente. Sorriu sozinha ao se lembrar das palavras de Emma. Então lembrou-se da garçonete intrometida, que não tinha nada que dizer que elas pareciam um casal, mas se perguntou se elas realmente pareciam um casal ou só se era falta de ar fresco na cabeça da loba.

Regina admitiu para si que muitas vezes imaginou como seria fazer sexo com outra mulher, mas um relacionamento de verdade iria muito além do que ela já havia fantasiado.Pensou que Emma nunca a olhou com essas intenções, e sentiu vergonha de si por cogitar a possibilidade.

Admirou o corpo esguio de Emma estirado na cama. A pele tão clara destacava os cabelos que formavam ondas perfeitas caindo sobre seus ombros e costas. Mesmo estando grávida de 3 meses, a loira mantinha a forma, apenas uma pequena barriga começava a sobressaltar. Estranhamente, Regina achou aquela cena sexy.

–Mãe? O que você está fazendo?

–Henry, que susto, meu filho! -A prefeita deu salto e levou as mãos à cabeça ao se dar conta que foi flagrada espiando a mãe biológica de seu filho e nem tinha uma explicação que fizesse sentido.

–Eu vim chamar Emma para jantar e cheguei aqui e ela estava dormindo.

–Ahn. Entendi.

Com o barulho na porta do quarto, Emma acabou despertando do cochilo.

–Nossa, desculpem, eu dormi muito?

–Só por uns 2 dias, mas você não perdeu nada, mãe.

Emma olhou assombrada para Regina e pulou da cama.

–Henry! -Repreendeu Regina. — Está tudo bem, Emma. Foram só algumas horinhas. Fome?

–Morrendo! -A loira pousou as mãos sobre a barriga. -E você, moleque, vai me pagar pelo susto!

–Você devia ter visto sua cara, mãe.

Henry gargalhava da situação. Regina, que também sorria, não podia deixar o filho pregar aquelas peças e tentou se manter firme, mas não conseguiu negar que foi realmente engraçado.

–Ei, você também está achando graça do susto que eu levei, Sra Prefeita?

–Não me coloquem no meio, eu apenas vim te chamar para jantar!

–Nada disso, mãe. Ela estava parada na porta do seu quarto, igual uma estátua, quando eu cheguei, e também quase morreu do coração quando eu apareci.

Regina corou imediatamente ao ser deletada para Emma, afinal, o que a loira poderia pensar que ela estava fazendo ali? Para alívio de Regina, Emma começou a rir também.

–Então quer dizer que a senhora prefeita anda me espiando?

Regina perdeu a fala e só conseguiu repetir o que já havia dito.

–Eu estava apenas te chamando! Acho que da próxima vez, vou deixá-la dormir e acordar com fome no meio da madrugada!

–Falando nisso, o que teremos para nossa ceia de hoje? O cheiro está delicioso!

–Peru com arroz e nozes!

–Mãe, isso não é comida de Natal?

–Não, Peru é um prato feito para ser comido em família, por que serve muitas pessoas. Como hoje é a nossa primeira refeição em família aqui, achei que seria uma boa ideia. Você gosta, Emma?

–Opa! To dentro! E para mim não tem essa de comida de Natal. Eu mesma nunca comi peru no Natal. No orfanato a ceia era só com frango.

–Então espero que aproveite hoje!

A prefeita começou a se preocupar quando percebeu o quanto estava se acostumando facilmente com aqueles novos momentos em família, mesmo que a família dela não fosse exatamente a mais tradicional de todas. Para ela, a companhia do filho e a presença de Emma não só enchiam a casa, como também o seu coração.

Se Emma nunca comemorou um Natal decente, rodeada de sua família e pessoas que ela amasse, Regina tampouco. Na época em que viveu na Floresta Encantada, não havia essa tradição, e quando era apenas ela e Henry, o garoto mal conversava com ela durante a ceia, apenas abria os presentes sem muita vontade e se trancava no quarto.

As duas mulheres tinham muito mais em comum do que apenas o que estava diante delas.

–Henry, como foi o final de semana com os seus avós?

Regina gostava de escutar sobre o dia de Henry e também contar um pouco do seu e naquele instante, se esqueceu completamente que mencionar os pais de Emma, podia não ser uma boa ideia.

–Er, eles estão preocupados com você, mãe. -Respondeu Henry para Emma.

–Deveriam ter se preocupado antes de fazer o que fizeram.

–Eu sei, também acho. Mas deve haver algum outro jeito, ficar sem falar com eles não deve ser a melhor a solução.

–Para mim, é, Henry. Eu entendo que você não tem nada a ver com isso e aliás, nem deveria se meter nesse assunto.

–Emma, eu acho que eu concordo com Henry. Mais cedo ou mais tarde você terá que encará-los e conversar com eles.

–Que seja mais tarde então.

Emma estava irredutível, não queria falar sobre seus pais e nada do que dissessem iria fazê-la mudar de ideia.

–Ah, Henry, tenho uma coisa para te mostrar!

Emma se levantou e pegou de cima do balcão da sala uma foto.

–Isso é meu irmão?

–Ou irmã, Henry. Acredita que Emma não quer saber o sexo?

–Por hora, ele é só uma azeitoninha.

–Que horror, Emma! Não chame a criança assim!

–Que legal! Adorei conhecer você, azeitoninha!

–Pronto! Agora vocês vão ficar chamando essa pobre criança de azeitona!

–A vovó também me perguntou se você já soube o sexo.

–Henry! -Repreendeu Emma.

–Tudo bem, tudo bem, mãe. E vocês, como foi o dia de vocês?

–Ah filho, a prefeitura me encheu de documentos. Pelo menos tenho uma boa notícia, parece que a mina vai ser restaurada!

–Wow! Você não me contou isso, Regina!

–Sim, não tive a chance no shopping!

–Peraí... Vocês foram ao shopping? Quer dizer, Emma Swan foi ao shopping?

–Você não conhece a sua mãe, Henry?! Alguma vez Regina não conseguiu exatamente aquilo que queria?

Várias coisas se passaram na cabeça da prefeita ao ouvir Emma. Se tudo fosse simples assim, se ela realmente conseguisse tudo que queria. Regina sempre esteve acostumada a perder. Perder foi a razão pela qual Regina criou Storybrook, perder foi a razão pela qual ela adotou Henry, perder foi o que levou ela a se aproximar de Emma, perder foi o que finalmente fez com que ela talvez ganhasse pela primeira vez na vida.

–O dia de vocês parece ter sido bom. Sabe, fico feliz em ver vocês duas se dando tão bem.

As duas mulheres sorriram para o filho. No fundo, elas apenas não admitiam em voz alta aquilo que ambas concordavam.

–Bom mãe, o peru estava ótimo, mas eu ainda preciso fazer tarefa, entrar no computador e dormir. Não é fácil estar no primeiro colegial!

–Imagino, Henry... Muitas responsabilidades, não é?! -Ironizou Emma enfatizando a palavra muitas.

–Não mãe, a parte das responsabilidades eu tiro de letra. Difícil mesmo é o assédio! — Disse enquanto subia as escadas para seu quarto.

As duas mulheres arregalaram os olhos com o que escutaram de seu filho.

–Henry Mills, você está namorando? -Gritou Regina.

O filho voltou até a sala de jantar e apareceu só com a cabeça.

–Não, já estou noivo! Vamos nos casar! Boa noite!

–Eu realmente não sei com quem ele aprendeu a ser assim! Esse menino adora me provocar.

Emma já estava deitada em sua cama com a foto da sua azeitoninha no criado ao seu lado. A loira não se cansava de olhar para a imagem. Acariciava a foto com a ponta do dedo indicador e sorria até pegar no sono com o cheiro do perfume no pijama de Regina que estava vestindo.

Regina não conseguia dormir, girava de um lado e de outro na cama até finalmente desistir de tentar.

Sua mente já começava a dar os primeiros sinais de tortura, com a ideia de que Emma e o bebê iriam embora quando a criança nascesse. Nesse momento, se deu conta que a traição de Robin já não tinha tanta importância assim. A chegada da criança e de Emma encheram seu coração de alegria e amor, fazendo todo o sentimento ruim que ela nutria por ter sido duramente traída, se esvaísse e não fosse mais digno de sua atenção.

A prefeita sentiu medo ao pensar como será quando Emma for embora, quando a criança nascer e elas forem morar em outra casa. Teve medo de se apegar ainda mais ao bebê e não ter a chance de poder criá-lo.

Pensou se a distância física também poderia afastá-las novamente, Regina não estava preparada para perder mais uma vez, logo agora que ela estava descobrindo como era ganhar. Emma poderia ficar o quanto quisesse, poderia criar essa criança lá, a casa era espaçosa o suficiente para recebê-las. Henry certamente ficaria feliz. Regina não via motivo nenhum que fizesse com que Emma precisasse ir embora, apesar do pequeno deslize em observá-la dormir, a prefeita estava disposta a dar total privacidade para que Emma se sentisse completamente a vontade na casa. Por outro lado, sabia que estava fora de seu alcance fazer com que ficassem lá. Esse tipo de iniciativa e vontade teria que partir da loira.

Regina já tinha tantos planos para um futuro que morava apenas em sua imaginação.

Mary Margareth não aguentava mais ficar sem notícias de Emma. A loira já estava no final do quarto mês de gestação e desde que reencontrou sua filha, nunca ficou tanto tempo longe dela. Snow decidiu que já era hora de resolverem essa situação, ela queria fazer parte da vida do neto e, em hipótese nenhuma, queria afastar Emma.

Mary foi até a prefeitura conversar com Regina antes de tentar se reaproximar de Emma. Pedir ajuda a Regina, depois de todos os anos, a fez pensar que era incrível como o destino gostava de brincar com a vida delas.

Mary sabia exatamente quais os erros cometeu que levou Emma a sair de sua casa e preferir estar perto de Regina.

–Regina, como está Emma?

–Está bem, fique tranquila.

–Como ela está lidando com tudo o que aconteceu?

–Você quer dizer com o fato de você ter banido Hook de Storybrook? -Disse ironicamente.

–É, mas não exatamente isso, porque isso, nós duas já sabemos como ela está lidando...

Mary Margareth estava derrotada, tinha a cabeça baixa, estava com um aparência fatigada, aquilo poderia ser um prato cheio para o divertimento de Regina, mas não, a prefeita sentiu pena da mulher. Ela já esteve do outro lado, se lembrava exatamente como era sentir a rejeição de um filho. Tratava-se de uma dor tão grande que ela não desejava nem mesmo a Mary.

Os pais de Emma só pensaram em protegê-la. Afastar Hook não era a primeira opção do casal, as medidas extremas só foram tomadas quando houve a real necessidade de fazê-lo.

Quando Emma escolheu ficar perto de Regina, não foi surpresa para os Charmings. Eles sempre souberam que a filha tinha algum tipo de ligação com a prefeita, mesmo que sem saberem definir o que era que as ligava.

Mary não falava sobre isso com a filha, mas durante todos esses anos observou a relação das duas mulheres. Nunca conseguiu entender o que elas tinham uma com a outra, mas o sentimento entre elas era visível para qualquer um.

Regina decidiu que poderia tentar ajudar Snow a reconquistar a confiança de Emma, não por que concordava com as atitudes de Mary, mas sim por Emma, pelo bebê. Não fez nenhuma promessa de que conseguiria, mas garantiu que tentaria fazer a loira repensar.

–E você? Como está? Como estão as coisas com Robin?

–Ah, Robin... Não sei como eu me enganei por tanto tempo.. Eu quero dizer, ele fez um filho com a minha irmã, o que eu devo querer com um homem desses?

–Regina, por favor, ele não sabia que aquela não era Marian. Zelena foi muito ardilosa com o plano, você não deveria culpá-lo pelo que aconteceu!

–Se não fosse Zelena e fosse Marian mesmo, o que teria mudado? Só não seria tão horrível por Marian não ser minha irmã bastarda, mas não muda o fato de que Robin não se importou em me deixar para trás, ele seguiu com a vida dele. E era isso que eu deveria ter feito ao invés de ter sofrido todo esse tempo.

–Talvez você esteja certa. Como você se sente com tudo isso?

–Acho que me sinto livre!

A prefeita estava sendo honesta e liberdade era algo novo para ela.

Regina sempre viveu cheia de amarras, quando não era provinda da grande exigência sua mãe era de sua própria sede de vingança, aquelas correntes seguraram Regina durante toda a sua vida. Depois de muito tempo, finalmente a prefeita sentia que podia fazer suas escolhas por conta própria, escolher aquilo que seu coração dissesse.

A prefeita já havia encerrado o seu dia de trabalho e na volta para casa, Emma invadiu seu pensamento como um furacão, tirando um sorriso bobo de seu rosto. Regina queria chegar em casa e convidar a loira para assistirem aquele filme que elas queriam ver faz tempo.

Com o passar das semanas, o que Regina tanto temia, começava a se tornar realidade, a morena percebeu o quanto gostava e fazia questão da presença de Emma em sua vida.

Regina começou a prestar mais atenção na loira. O modo como ela movia as mãos quando estava contando alguma história, a forma que os olhos cor de esmeralda tomavam quando Emma queria alguma coisa, e até mesmo o jeito como Emma sorria graciosamente de lado quando estava agradecida por alguma coisa que a prefeita fizera. Eram apenas pequenos detalhes, mas Regina não conseguia deixar de percebê-los e passar a admirá-los. Emma estava se tornando um pesadelo delicioso.

Os dias passavam e a prefeita se deu conta que cada vez mais ela queria finalizar seu dia para poder voltar para casa e ficar com Emma e Henry, mesmo que não fosse para fazer nada, apenas conversar sobre seus dias.

As noites passaram a ter mais graça na companhia deles. Regina começou a despertar dentro de si alguns sentimentos que ela nem sabia ser capaz de reconhecer. A presença da loira definitivamente havia mudado a sua vida para melhor e seus sentimentos por Emma estavam indo além do que ela conseguia controlar.

Regina passou a ter a imagem de Emma no seu último pensamento antes de fechar os olhos para dormir e ao acordar, era a imagem daquela mulher na sua cozinha que a fazia sentir animo para o café da manhã.

No entanto, a prefeita era discreta em seu modo de agir e falar. Jamais deixou escapar qualquer coisa, tamanha a atenção que tinha quando falava com Emma. Sua postura fria e distanciamento físico da loira, além de a ajudar manter a linha escondendo o que seu coração insistia em mostrar, também a trazia de volta para a realidade.

Emma tinha Hook. Emma tinha um bebê. Emma era filha de Snow White e Charming. Emma era a salvadora. Emma jamais iria retribuir esse tipo de sentimento. Pelo menos, era isso que Regina tentava se convencer quando se dava conta da loucura que estava cometendo ao se apaixonar diariamente por Emma Swan.

Notas finais
Ah, sobre o pai: não há nenhum mistério que envolva o pai, não é nenhum bebê mágico, simplesmente Emma está sozinha pq Hook foi banido de Storybrook pelos Charmings! O que vocês acham que aconteceu?