Imagine
22 Swan, em breve seremos nós três.
Notas iniciais
Finalmente tudo parecia estar certo para liberar a magia por Storybrook. Blue mandou avisar que Tinker já estava trabalhando para transformar os diamantes em pó e que aquilo não deveria levar muito tempo, então Regina deveria estar a postos para ser solicitada a qualquer momento do dia ou da noite.
Um mês havia passado desde a confissão de Regina e a morena já tinha perdido as esperanças de ser feliz ao lado de Emma. Talvez tenha se precipitado ao se declarar ou, talvez, simplesmente não era para ser, como todos as outras vezes que estava apaixonada. Não era para ser. "Menina boba, o amor é fraqueza." Ao contrário do que sua mãe pensava, dessa vez, Regina não se sentia fraca. O amor que tinha por Emma a fazia uma mulher melhor, mais decidida e pés no chão. Se sentia uma mulher infinitamente mais forte por amá-la incondicionalmente.
Sentada sozinha na poltrona do quarto que seria destinado ao filho da loira, Regina observava os móveis vazios e tentava se recordar de memórias que nunca viveu.
–Mãe? Posso entrar? -Pediu Henry a olhando pela fresta aberta que havia na porta do quarto.
–Claro, filho. Entre!
O garoto passou pela mãe e deu um beijo em seu rosto antes de se juntar a ela.
–Eu sinto muito! -Falou de cabeça baixa.
–Sente muito pelo que, filho?
–Minha mãe... Emma.
–Ah meu filho, não se preocupe, eu ficarei bem! Sempre fico, não é? -Forçou um sorriso e acariciou o queixo do filho.
–Mas dessa vez eu sei que é diferente para você.
Regina precisou segurar a vontade de chorar. Era mesmo diferente e ela mal sabia se aguentaria mais algum segundo sem notícias de Emma.
–Eu sei que você a ama. Ama tanto que deixou ela ir. -Disse Henry.
–Mas é isso que devemos fazer quando amamos alguém, Henry. Eu não posso obrigar a sua mãe a ficar.
–Ela só está confusa, mãe. Eu sei disso. Ela também te ama!
–Henry, por isso eu não queria que você se envolvesse nessa história, não queria que você se machucasse ou se iludisse, caso as coisas não fossem bem.
–Mas você é quem está machucada... E eu não estou iludido, eu sei do que estou falando!
Regina balançou a cabeça para os lados, em sinal de negação. Não adiantaria de nada discutir com Henry. O menino era teimoso.
–Henry...
–Não, mãe. Comigo foi a mesma coisa. Quando Phillipe disse que estava apaixonado por mim, eu fugi, não queria mais falar com ele ou encontrar ele. Eu senti medo. Sabe por que? Porque estava apaixonado, e era por um garoto!
Regina sorriu, era a primeira vez que Henry falava sobre seus sentimentos com ela. Na verdade, ela não se recordava de nenhuma outra vez que o filho disse estar apaixonado por Phillipe, ou falado abertamente sobre o fato de ser gay. Diferentemente do que pensou, a morena ficou com o coração tranquilo em relação a Henry, sabia que Phillipe também era bom menino.
–Amor, sua mãe e eu não somos mais adolescentes como vocês... É diferente quando você é adulto, as coisas são mais complicadas e, enfim, Henry, tente entender...
–Você está errada, mãe! Você não pode desistir dela, ela só está com medo!
****
Faltava pouco menos de um mês para o final da gestação de Emma e, a loira não podia estar mais ansiosa com a chegada do filho. De volta na casa de seus pais, a loira não tirava Regina de seus pensamentos por um minuto sequer. Estava ficando doentio já, mas Emma não conseguia evitar o desejo de saber notícias da morena. Pegou sua jaqueta, mas não a vermelha que havia esquecido na casa de Regina, uma preta qualquer e, caminhou em direção à porta.
–Filha, para onde vai? -Perguntou Mary
–Dar uma volta, preciso sair de casa um pouco.
–Tudo bem, por favor, ligue se precisar de alguma coisa.-Pediu Mary angustiada.
–Ei, está tudo bem, ainda falta quase um mês.
Emma odiava mentiras, mas sabia que não poderia contar a verdade para sua mãe. Certamente, a mulher iria tentar impedí-la de fazer o que estava prestes a fazer.
Ligou seu fusca e saiu em disparada em direção ao píer. Tinha pressa, queria acabar com isso de uma vez por todas. Ela iria se encontrar com ele.
*****
Emma caminhava, quase que escondendo sua barriga com o casaco, em passos largos e firmes. Estava decidida, cansada.
Queria ter, ao menos, a chance de tentar ser feliz. Ela avistou ele de longe e conforme se aproximava, sua imagem ficava mais nítida e consequentemente seu coração mais acelerado. Sentiu seu corpo se arrepiar, sentiu frio numa tarde ensolarada. Na verdade, Emma sentia medo do que enfrentaria.
Seguiu adiante e só parou quando pôde alcançar o ombro do homem com um toque suave de sua mão, lhe chamando a atenção.
–Aye, love. Você finalmente veio! -O homem se virou com um sorriso que a enojou.
Aquele homem se debruçou nela numa tentativa de alcançar seus lábios. Lábios estes, que ela já havia reservado para outra pessoa. Emma o empurrou com violência, o afastou de perto dela e do seu bebê.
–Eu só queria ver você e.. ele -Disse apontando para a barriga de Emma.
–Não se aproxime de mim!
–Swan, em breve seremos apenas nós três.
–Jamais seremos nós três, Hook!
Era a primeira vez que a Emma via Hook desde que ele foi embora. A loira ainda não tinha se acostumado com a presença da segunda mão do homem. A loira o encarava e tentava reconhecer alguma familiaridade com o homem que namorou, com quem fez um filho. Não encontrou nada que se assemelhasse as recordações que tinha. Hook estava completamente diferente, não precisava de muito tempo ao lado dele para perceber o olhar malicioso e o timbre egoísta em sua voz.
–É ela, não é? -Perguntou o pirata.
–Ela o que?
–Foi ela quem fez isso com você, não foi? Regina!
Emma ficou transtornada. Hook não tinha o direito de falar nada de Regina. Ele não fazia ideia do que estava provocando na loira.
–Nunca mais mencione o nome dela! -Gritou. -Nunca mais, ouviu?
–É claro que foi ela... Sempre foi ela, não é mesmo, Swan?
Sua obsessão por saber se ela estava bem durante esses anos todos, seu desespero em salvá-la o tempo inteiro. Tudo sempre foi para ela!
–Cala a sua boca!
–Eu nunca tive tanta importância assim para você, não é?!
Mas ela sim, Regina sempre foi importante! -Ironizou. -Mas ela não conseguiu tudo. Você deixou o melhor para mim! -Hook apontou para a criança que Emma carregava em seu ventre.
A loira sentiu uma fraqueza e achou que pudesse desmaiar a qualquer momento. Era verdade, Emma já havia se entregado a aquele amor muito antes de dividir a casa com ela, e, pudesse, teria feito aquele filho com Regina também.
Há um mês que Emma não conseguia ser feliz, há um mês Hook a infernizava com ameaças e aquilo terminaria hoje. Hook não iria mais ameaçá-lá, chega! Ela não podia mais ficar em silêncio depois de saber que Regina a amava também, ela precisava correr para os braços da morena e corresponder todo o amor que foi oferecido a ela.
–O que você quer de mim?
–Quero que você admita que eu estou certo! Me fale de uma vez que você ama Regina mas que eu sou o pai do seu filho!
–Pare de me infernizar, Hook! Suma da minha vida!
–Bem que eu queria não ter voltado, Swan, mas aquele crocodilo maldito me trouxe e eu vou ficar até essa criança nascer!
–E por que ele faria isso?
–Então você ainda não sabe porque eu fui embora? Seus pais não disseram?
Emma não fazia ideia do que Hook estava falando.
****8 MESES ANTES****
Hook lamentava a perda de seu navio e, dessa vez, não haveria mais magias ou acordos que pudessem trazê-lo de volta, estava tudo perdido para sempre. Não estava nos planos dele deixar Storybrook em terra firme, muito menos ir parar no mundo real sem memória.
Os Charmings o seguravam e não havia nada que ele pudesse fazer para fugir do controle deles.
Já na linha da cidade, os pais de Emma ainda estavam furiosos com o egoísmo de Hook. Não entendiam como ele havia topado acordo com Gold, afinal, o Dark One nunca esquece seus acordos e sempre volta para cobrar sua parte. Mais cedo ou mais tarde, ele seria cobrado por isso e Emma era quem pagaria o alto preço da burrice do capitão.
–Vá embora! Chega para você! -Exclamou David jogando o moreno com força para o limite da cidade.
Emma e Regina chegaram no mesmo local para procurar por Henry e os amigos do clube do livro, e acabaram presenciando a cena. Sem saber o que estava acontecendo, Emma correu de encontro a Hook.
–Não! O que você está fazendo? -Perguntou Emma.
Regina não falou nada. Estava chocada demais para dizer alguma coisa, jamais imaginou que o casal pudesse dar um fim ao namorado da filha. A prefeita sentiu um calafrio ao ver Emma desesperada com a possibilidade de perder o namorado, ela estava apaixonada e queria Hook fora do caminho, mas nunca faria isso em detrimento do sofrimento da loira. Preferia que ela própria sofresse do que Emma.
Hook não respondeu, apenas continuou caminhar, de cabeça baixa, rumo ao outro lado da linha.
Emma, sem entender, em pânico, correu atrás do namorado para impedí-lo de atravessar. Mary agarrou os braços da filha e a segurou junto de seu corpo, observando Hook continuar caminhando. A loira se pôs a chorar no colo da mãe.
–Hook! -Chamou Emma. -Por favor... -Pediu.
O coração de Regina se partiu em milhões de pedaços e ela desejou não ter colocado órgão dentro de seu peito novamente. Preferia não sentir nada a sentir tamanha dor.
O capitão não olhou para trás. Parou por alguns segundos antes de atravessar para o outro lado, como se estivesse em dúvida do que deveria fazer.
–Eu...eu...-Emma tomou toda a coragem que tinha, aquilo precisava ser dito, era seu último apelo para que o moreno ficasse. -Eu estou grávida! -Disse em meio a lágrimas, levando as mãos na barriga e acariciando o filho que estava por vir.
Com medo de que Hook voltasse atrás, ou revelasse sobre o acordo para Emma, David gritou:
–Vá embora! Agora!
O capitão não se virou e deu um último passo, finalmente atravessou a linha da cidade.
Emma ficou devastada. Não entendia os motivos para Hook a deixar. A loira sentiu uma forte dor no peito e achou que não fosse se recuperar daquilo tão cedo. Se jogou no chão, implorando que aquilo fosse algum tipo de sonho ruim, ou alguma coisa que não fosse de fato a realidade.
–Vem Emma. Vamos te levar para casa! -Falou Mary.
A loira levantou o olhar, estava furiosa e encarou a mãe como nunca havia feito antes.
–Não! A culpa é sua! De vocês dois! O que vocês fizeram?
David, confuso, tentou acalmar a filha.
–Nós fizemos o que foi preciso, Emma. Acredite, foi para proteger você!
–Não! Eu não quero que vocês me protejam! Me deixem em paz!
–Emma! Eu sou sua mãe! -Interrompeu Mary.
–Eu não me importo! -Respondeu.
Os pais da loira trocaram olhares e depois olharam diretamente para Regina, que , de longe, acompanhava o que estava acontecendo. A loira continuava inerte no chão.
–Acho melhor vocês darem um tempo para ela. -Sugeriu Regina.
–O que nós devemos fazer?
–Eu não sei... Mas ela precisa de um tempo para assimilar o que acabou de acontecer.
Regina se aproximou de Emma. Não disse nada, não fez nada, apenas se agaixou ao seu lado e permaneceu ali por alguns minutos, até que Emma parasse de chorar descontroladamente..
–Emma, vamos para casa, lá você pode ficar sozinha. Vem. -Disse Mary.
–Eu não vou para lugar nenhum com vocês! Vão embora! -Pediu.
Regina lamentava ver a loira tão machucada. Ela não queria fazer parte daquilo, já bastava os seus próprios dramas, certamente, sem envolver em mais essa história, não a ajudaria em nada. A prefeita olhou para Emma no chão com o coração apertado.
Henry não a perdoaria se ela fosse embora sem fazer nada. Ela não queria fazer, sabia que só iria piorar as coisas para ela mesma, mas ela tinha que fazer.
–Vem, Emma. Se você quiser, pode ficar na minha casa. -Ofereceu.
Regina nem sabia porque havia dito aquilo. Emma não aceitaria um convite desses, por mais chateada que ela estivesse com os pais, Regina não seria a pessoa que Emma procuraria o apoio que buscava.
–Está bem! -Respondeu.
Um calafrio tomou conta de Regina. Todas as sensações que Emma lhe causou mais cedo, estavam invadindo seu corpo mais uma vez. De repente, aquilo pareceu mesmo a coisa certa se fazer.
Regina ajudou Emma a se levantar e a loira caminhou de volta, sem olhar para os pais, em direção ao carro de Regina.
–Regina! -Chamou Mary. -Cuide bem dela! -Pediu segurando nas mãos da prefeita.
A morena sacudiu a cabeça afirmativamente antes de entrar no seu carro e levar Emma para casa.
******FIM DO FLASHBACK
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