Imagine

14 Regina, eu estou grávida!


Notas iniciais
Oie! Nesse capítulo mais um pouquinho de flashbacks (em itálico) e o final das cenas no passado agora também estão marcadas para não ter confusão! Espero que gostem! BjO e obrigada para quem está acompanhando!

*** 6 meses antes*****

O tilintintar dos saltos de Regina quebraram o silêncio que fazia dentro delegacia. Emma tratou logo de limpar as lágrimas que escorriam de seu rosto. Se ajeitou na cadeira, se colocando numa posição como se estivesse, de fato, trabalhando. Ajeitou o cabelo e esperou a morena entrar. Soube que Regina estava entrando apenas pelo som de seus sapatos no corredor.

–Srta Swan. -Cumprimentou Regina.

–Oi Regina. -Respondeu Emma sem demonstrar muito ânimo. -Precisa de alguma coisa?

–Sim, preciso conversar com você. Esta muito ocupada?

Regina tentou buscar os olhos de Emma, que desviava o olhar para algum lugar longe dali. A morena, muito observadora, conseguiu perceber as lágrimas escondidas de Emma. Não lhe interessou perguntar o motivo, o que entristecia a loira pouco importava para ela. Sentiu apenas curiosidade em saber o que poderia causar tristeza para Emma, que ao seu ver, levava uma vida excelente, diferente da dela própria. Emma não precisava acordar todos os dias com o fardo de saber que seu namorado havia engravidado sua imã maluca. Esse sim, seria um bom motivo de lágrimas, mas Regina estava aguentando firme e mantendo o seu relacionamento, mesmo que lhe custasse assumir esse bebê.

A morena, como previsto, escolheu manter o profissionalismo e não se intrometer na vida de Emma. Imaginou que já deveria ser castigo o suficiente para a loira ter Mary Margareth como mãe, a mulher, provavelmente, a enchia de perguntas o tempo inteiro. Regina optou por seguir adiante com assuntos realmente relevantes para a cidade, sem dar atenção a Emma..

–Não, estou com tempo. Podemos falar.

Regina nunca havia prestado atenção em Emma, mas naquele momento, tentando adivinhar o que a loira escondia, conseguiu enxergar algo além da beleza óbvia da loira. Não que nunca tenha reparado como era bonita, afinal não era a toa que Henry estava se tornando um belo rapaz, provavelmente, herdou os bons genes da mãe, porque certamente, Neal não fazia jus a beleza de seu filho, mas hoje, Emma estava especialmente linda. Os olhos que lembravam duas esmeraldas e o sorriso bobo, típico da loira, estavam com um significado totalmente diferente para Regina. Antes a irritavam, hoje, misteriosamente, a encantavam.

A prefeita se esforçou para se lembrar quando foi a última vez que Emma a provocou e elas brigaram mas não conseguiu se recordar de nenhuma data ou sequer algum motivo.Estranhou o fato de não saber quando que Emma deixou de ser insuportável. Tinha ainda alguns pontos que deixavam a desejar, obviamente. Regina escorregou os olhos na pilha de papéis desorganizados que estavam em cima de sua mesa na delegacia e, mentalmente, pontuou uma das coisas que Emma deveria melhorar. Apesar do fato de Emma sempre lhe entregar relatórios perfeitos, ela deveria ser mais organizada. A loira também precisava ser mais responsável em relação a Henry. Essa história de se alimentar igual uma criança era um péssimo exemplo para o filho, que sempre justificava que Emma permitiria que ele comesse tal coisa, Regina tinha o dobro de trabalho. E lá estava, ao lado dos papéis bagunçados, a caixa de rosquinhas. A loira também precisava escolher melhor seus relacionamentos, não que Regina tivesse alguma coisa a ver com isso, mas um pirata de passado duvidoso, que passa lápis nos olhos desde sei lá quando, não era exatamente a melhor companhia para seu filho.

Emma era realmente muito bonita para ter algum tipo de relação com Hook. Emma era cheirosa, Regina conseguia sentir seu perfume a metros de distância é sempre sabia quando ela estava chegando. Enquanto o pirata carregava por aí uma pança de rum, Emma exibia um corpo escultural, e disso Regina podia falar com propriedade. A morena se lembrou da vez que viu a loira de calcinha. Achou um absurdo alguém atender a porta trajando uma calcinha vermelha, que tipo de pessoa faz isso, afinal? Emma Swan era esse tipo de pessoa, o tipo completamente irresponsável. Irresponsável mas adorável.

A loira se levantou da cadeira e tirou o casaco. Regina não deixou de notar os braços que Emma escondia debaixo de uma jaqueta horrenda. Definidos. Torneados. Bonitos também. A morena se lembrou de adicionar aos defeitos de Emma, o péssimo gosto para se vestir. A loira se vestia como se tivesse indo em algum tipo de festa infantil, aquelas botas coturnos e jaquetas de couro, apesar de caírem muito bem em seu corpo, eram ridículas para alguém da idade dela que se apresentava como xerife da cidade.

–Bom Swan, precisarei da presença de alguém da delegacia em alguns dias a partir da próxima semana. Peço que você organize com David para que algum de vocês esteja a minha disposição o tempo que for necessário.

A loira confirmou o pedido da prefeita, sua função, afinal de contas, era obedecê-la. Regina era, além de prefeita, sua chefe. Emma recebia ordens e se reportava diretamente para a morena.

–Eu mesma irei, Madame Prefeita. O que devo fazer?

–Apenas me acompanhar. -Regina ainda não estava segura em revelar detalhes sobre a mina, apesar de estarem com a documentação em dia, completamente legalizada para o serviço, a prefeita não tinha certeza que o plano de implodida a região daria mesmo certo. Decidiu que o melhor a fazer seria revelar para Emma apenas no dia que o serviço fosse ser executado.

–Te acompanhar? A última vez que eu chequei, Storybrook não era um local perigoso para que a prefeita precise andar com segurança reforçada.

Regina se esforçou para não ser grossa com Emma. Ela já estava cansada de brigar com a loira, e, a pedido de Henry, ela precisava deixar a impetuosidade de lado.

–Srta Swan, eu não lhe devo explicações das minhas solicitações e nem mesmo da forma como trabalho. Ao contrário de você, que deve apenas acatar com as minhas ordens..

Emma levou as mãos para cobrir o rosto. Regina ficou confusa com a cena e preferiu observar o que a loira estava fazendo antes de continuar a falar qualquer coisa. Sem mais nem menos, Emma começou a emitir pequenos soluços, com o rosto coberto pelas mãos, como se estivesse... chorando?! Emma Swan, a Salvadora, resolveu ter uma crise de choro só porque a prefeita não achou necessário responder o que ela queria saber? Aquilo era muito estranho e não fazia sentido para Regina.

–Srta Swan? -Chamou Regina. Emma a ignorou completamente mas a voz de Regina pareceu surtir um efeito negativo e a loira aumentou o volume dos soluços e agora estava claro que ela realmente estava chorando. -Swan? -Chamou Regina mais uma vez em vão.

Regina começou a ficar nervosa com aquilo. Mas que diabos estava acontecendo ali? A morena não sabia lidar com pessoas chorando ao seu lado, Henry, quando criança, não costumava fazer manha, e as poucas vezes que tentou, Regina simplesmente o ignorou. Dessa forma o garoto nunca mais tentou chorar para conseguir alguma coisa. Agora Regina tinha uma mulher adulta, que ela não fazia ideia das razões que a deixaram naquele estado, chorando compulsivamente na sua frente e ninguém, além dela, para fazer alguma coisa. Pensou seriamente em deixar o local e voltar em outro momento. De nada adiantaria ela ficar e tentar conversar com Emma de qualquer forma.

–Emma? -Chamou, pela última vez, um pouco mais alto.

A loira então, tirou as mãos do rosto, destampando os olhos chorosos e levantou o olhar para a prefeita. -Me desculpe. Eu... Eu.. Não sei o que deu em mim. -Justificou completamente sem jeito. Emma estava bastante envergonhada e a morena percebeu isso pelo tom de sua voz e a forma como ela não sabia lidar com as mãos ao tentar falar alguma coisa.

Agora que Emma a encarava, Regina não sabia mais o que fazer ou o que falar. Será que ela deveria puxar uma cadeira ao lado da loira e se sentar ao lado dela? Talvez um abraço? Não.Regina não faria nada disso. Pelo menos, não com Emma.

A loira ficou ainda mais bonita com os olhos úmidos. Suas pupilas estavam grandes e os seus olhos ganhavam um tom de esmeraldas escuras. A morena sentiu vontade de se perder ali dentro por alguns instantes. O olhar da Emma era intenso e Regina sentiu como se a loira a penetrasse, como se conseguisse enxerga-lá completamente nua, o olhar de Emma expunha as fraquezas e medos da morena. Num ato rápido, Regina quis se cobrir e cruzou os braços em frente de seu corpo.

Regina tratou logo de se livrar dos devaneios, sua mente estava confusa e ela atribuiu ao cansaço que sentia. A morena só queria voltar logo para casa e poder ficar com seu namorado que a esperava.

–Você está bem? -Perguntou tocando o ombro nu de Emma.

O toque na pele de Emma fez Regina se arrepiar como se uma corrente elétrica estivesse passado entre elas. Assustada, a morena tirou as mãos dali. Pensou se Emma também tinha sentido aquilo, mas achou que seria bobagem perguntar alguma coisa.

Assim que pousou sua mão de volta ao lado de seu corpo, imediatamente, o calor da loira fez falta em sua mão. Nunca havia sentido nada parecido com nenhuma outra pessoa. Estranhou, ainda mais, o fato de querer tocá-la mais uma vez só para que, por alguns segundos, possa sentir aquilo novamente.

Tentou se lembrar se, em outras vezes que tocou Emma, havia sentido a mesma coisa e então se entristeceu por perceber que não conseguiu se recordar de ter tocado a loira alguma outra vez. Concluiu que aquela era a primeira vez, em anos, que tocou no corpo da loira .

–Eu acho que sim. Estou bem sim, obrigada. — Respondeu a loira.

Regina já se preparava para dar uma desculpa qualquer e sair dali o mais rápido possível. Aquilo tudo era muito estranho muito novo para prefeita. Certamente ela não iria encontrar alguma resposta para a sensação que Emma estava causando nela em nenhum livro de magia ou coisa do tipo, Regina precisava pensar e descansar para que aquele pesadelo passasse de uma vez, e então, Emma se pôs a chorar mais uma vez..

–Mas que raios está acontecendo aqui, Swan?- Perguntou nervosa. Mais nervosa em não saber lidar com o que sentia do que com o fato de Emma estar chorando novamente.

–Regina, eu não sei... -Respondeu..

Emma abriu os braços, como se pedisse para que Regina a envolvesse num abraço fraternal. A morena se lembrou da corrente que sentiu ao tocar o ombro de Emma e sentiu medo do aconteceria se a abraçasse. Ponderou por poucos segundos se deveria seguir adiante com aquilo, mas ver Emma praticamente implorando um pouco de carinho, sabe-se lá o motivo, era extremamente adorável e portanto, irrecusável.

A morena olhou para os lados certificando-se que realmente não havia ninguém que pudesse fazer aquilo em seu lugar. Também queria garantir que não havia ninguém para testemunhar aquilo. Regina abriu os braços e envolveu Emma em seu corpo.

Ter Emma em seus braços pareceu a coisa mais certa que Regina fez nos últimos... talvez, 30 ou 40 anos. Ela nem soube direito há quanto tempo ela não se sentia segura de alguma coisa como ela estava enquanto Emma a abraçava.

Regina não se preocupou em entender mais nada, só queria continuar ali, no calor daquele abraço por, pelo menos, mais duzentos anos. Seu coração acelerou e ela podia sentir, junto à seu peito, os batimentos de Emma também. O cheiro que exalava dos cabelos da loira deixaram Regina em transe e o corpo quente de Emma pareceu confortar todas as mágoas que Regina carregava. Ela não queria e não conseguia se soltar dali e mesmo sem saber por que chegou naquele momento, a morena agradeceu mentalmente pelas lágrimas de Emma.

–Me desculpe mais uma vez.... Você veio até aqui e eu não deixei você falar até agora... -Emma disse de forma completamente retraída e sem jeito..

Regina não se lembrava mais um motivo que a levou até a delegacia senão o fato de ter que estar ali naquele exato momento para que pudesse abraçar Emma e sentir o que sentiu. Regina pensou no que poderia ter passado na cabeça de Emma, se perguntou se ela havia sentido as mesmas coisas também. A morena se deu conta que Emma poderia não ter sentido absolutamente nada daquilo e se desesperou com a ideia de que aquilo tenha sido mais alguma brincadeira do estupida do destino, ou talvez algum castigo cármico pelo passado e achou melhor ir embora antes que a situação se agravasse ainda mais e que não tivesse mais volta.

Regina sabia que de todas as pessoas no mundo, a única que ela não poderia, em hipótese nenhuma, se apaixonar era Emma Swan.

–Acho melhor eu voltar num outro momento, Emma. Robin está me esperando em casa, e... É melhor eu ir andando.

Ela não costumava chamar Emma pelo primeiro nome. Se chutou mentalmente por isso. Regina estava confusa, e queria ir embora. Precisava ver Robin, beijá-lo, fazer amor à noite inteira com o namorado, e voltar a ser quem sempre foi. Esquecer-se completamente daquela cena.

Deu meia volta e caminhou em direção à porta de saída da delegacia.

–Regina, eu estou grávida! -Disse Emma interrompendo o tilintar dos saltos altos de Regina.

A morena parou de caminhar por alguns segundos mas não se virou para olhá-la nos olhos, e então continuou a caminhar até sair dali.

**** FIM DO FLASHBACK******

Regina acordou e colocou e a primeira coisa que fez foi buscar por Emma na cama. Assustou-se quando seu braço encontrou a cama vazia. Emma não estava lá. A loira sempre dormia mais que Regina, então, seguramente, se levantou depois que Regina pegou no sono e voltou para seu quarto, deixando a morena sozinha.

Mal humorada, o dia não havia começado nada bem para a prefeita, foi se vestir. Colocou sua saia, sua camisa azul escura, seu casaco e suas meias calças, tudo perfeitamente engomado, como ela gostava, mas naquela manhã, até isso a incomodou. Regina encontrou uma dobra mal passada na gola de sua camisa. Arrancou a peça de seu corpo com raiva, sem se preocupar em abrir cada um dos botões, arrebentou a costura que segurava os botões e se livrou da peça o mais rápido que conseguiu, atirando-a para bem longe. A camisa, toda rasgada, acertou diretamente a maldita poltrona da noite anterior. Ainda estavam bem vivas em sua memória as lembranças da mais um sexo casual que ela havia desfrutado e também, que a loira havia saído de seu quarto no meio da madrugada como se a morena estivesse pagando pelo sexo, motivo que lhe rendeu um péssimo início de dia logo na primeira hora da manhã. Aquela manhã de fúria, além de destruir qualquer memória boa da última noite, ela também destruiu uma das blusas favoritas de Regina.

Sem paciência para fazer o café da manhã, passou direto pela cozinha e caminhou para a porta de saída. Queria começar logo o seu dia de trabalho e focar em algo que realmente valesse a pena.

–Mãe? -Chamou Henry.

–Estou atrasada, o que foi? -Respondeu Regina de longe.

–Nada.

Regina detestava quando o filho fazia esse tipo de coisa. Por que ele chamaria por ela se não fosse nada. A morena deu meia volta e foi irritada até a cozinha.

–O que foi, Henry?

–Não era nada, mãe.

O garoto estava sentado na mesa, ainda de pijama e não havia nada na sua frente, nem mesmo os talheres para o café da manhã. Regina entendeu o que o garoto queria. Bufou.

–Sabe, você e sua mãe precisam aprender a fazer as coisas. -Disse abrindo o armário da cozinha e tirando um prato fundo. -Eu não posso atender os caprichos de vocês na hora que querem. -Abriu a gaveta de talheres e puxou uma colher dali de dentro. -Aliás, eu posso não estar mais aqui para atendê-los e então? -Abriu a geladeira e retirou o leite. -O que seria de vocês? -Fechou a geladeira com a ponta dos pés e começou a despejar o conteúdo no prato. -Vocês vão morrer de fome, por acaso? — Pegou a caixa de cereal em cima do balcão e caminhou em direção ao filho.

Colocou o leite servido no prato, a colher e o caixa de cereal de frente para Henry. Regina não tinha uma expressão simpática parecia estar brincando, a morena estava com mãos na cintura esperando que o filho a respondesse.
–Responda Henry, vocês vão morrer de fome quando eu não estiver aqui?

–Er... Obrigado? -Tentou forçar um sorriso amarelo sem ter que responder aquela pergunta.

–Henry, eu falo sério! -Disse ainda irritada. -Você realmente precisa aprender a fazer as coisas sozinho. Eu não aguento mais ter que servir você e sua mãe como se fossem duas crianças!

–Mas eu ainda sou uma criança, mãe! -Respondeu Henry fazendo um charminho para Regina.

–Crianças não fazem sexo, Henry! -Disse de uma só vez.

O garoto não sabia onde se esconder de tanta vergonha, mas agradeceu o fato de Regina sair apressada de casa e não deixar que ele respondesse. O garoto esperava qualquer coisa de sua mãe, mas não esperava que ela soubesse daquilo e, muito menos, iria mencionar a sua vida sexual no café da manhã. Henry conhecia Regina a ponto de saber que ela preferia deixar esse tipo de coisa sobre responsabilidade de Emma e o garoto agradecia por isso também. Ele odiaria ter que falar de sexo com Regina, não porque não confiava na morena, mas sim porque morreria de vergonha. Com Emma esse tipo de assunto fluía muito mais fácil, a loira parecia entender e falar a mesma língua que o filho.

Henry terminava de tomar o cereal quando Emma desceu as escadas.

–Bom dia, filho! Hm, cereal para o café? -Emma lambeu os lábios.

–Aham. -Respondeu o garoto com expressão contente no rosto.

–Onde está Regina?

–Ela já saiu. Estava num daqueles dias. Acho que se tivesse magia, hoje ela teria atirado uma das bolas de fogo em mim..

–O que você aprontou para ela dessa vez? -Respondeu Emma achando graça.

–Eu não faço ideia, mã. Eu fiquei até com medo de avisar para ela que ela estava com um sapato de cada cor.

–Você deixou a sua mãe sair de casa assim? Perdeu o juízo, Henry? Ela vai ficar ainda mais furiosa quando se der conta. -

Emma se levantou da mesa e correu para o quarto da prefeita. Procurou quais eram os sapatos que estavam sem par. Não foi fácil encontrar os sapatos certos, Regina tinha centenas de pares perfeitamente organizados na sapateira. Emma fez o melhor que pôde para não bagunçar nada.

Antes de sair do quarto com os sapatos nas mãos, ela não deixou de notar uma camisa toda jogada e largada na poltrona. Não se lembrava da camisa estar ali na noite passada.

Emma percebeu que era a mesa camisa que aquela já havia usado, quando Henry emprestou uma roupa de sua mãe. Emma desviou a peça para poder pendurá-la de volta, sabia que a prefeita detestava bagunça e então, se deu conta que a blusa estava em frangalhos, não havia restado nenhum botão costurado. Não serviria para mais nada. Era uma pena, pois a loira adorava quando a morena vestia aquela camisa.

****

–Srta Swan, o que faz aqui? Eu estou saindo para uma reunião agora.

Regina estava sentada na mesa de seu escritório. Emma sabia que Regina estava mentindo. Ela sempre sabia.

Emma já imaginava que Regina estaria furiosa, mas não sabia o motivo. Resolveu que podia provocar, ainda mais, a fúria da prefeita antes de revelar o real motivo que a levou até a prefeitura.

A loira caminhou tranquilamente pela sala sob os olhos atentos de Regina. Olhou ao redor e observou cada detalhe.

–Eu gosto da sua sala, Regina!

–Eu já lhe disse, Srta Swan. Estou de saída! Se veio até aqui fazer um tour pela minha sala, peço que volte num outro momento, que eu esteja menos ocupada, para brincarmos de guia turístico juntas.

–Não se incomode comigo. Continue o que você estava fazendo.

Regina abaixou a cabeça e voltou a atenção para os documentos que teria que assinar. Não conseguia se concentrar com Emma rondando a sala sem motivo nenhum. A loira sentou-se no sofá.

–A Srta está me atrapalhando. -Regina esticou o braço indicando o caminho da porta de saída.
Emma pareceu ignorar completamente a irritação da morena.

–Por que você insiste em me chamar de Srta Swan?

–Acredito que já falamos sobre isso. Emma, se quiser, posso te dar algum trabalho para fazer, David está cheio de relatórios para me entregar.

–Não, obrigada. Eu e o abacaxizinho queremos ficar aqui com você. Sabe, ele -Apontou para a barriga.- Detesta fazer relatórios! São chatos e não tem sentido nenhum.

–São importantes. Você sabe muito bem que eu preciso arquivar esse tipo de coisa.

–Eu gostava mais daqui quando minha mãe trocou aquele quadro- apontou uma das imagens monocromáticas penduradas na parede.- Por uma foto de um pássaro colorido. -Disse mudando de assunto.

Emma estava tentando provocar Regina e estava conseguindo. A morena não estava no seu melhor dia e aquilo estava irritando ela profundamente. Era impossível conseguir ignorar a loira e, de fato, Regina precisava se concentrar no que estava assinando.

Regina tentou muito não levar para o lado pessoal, mas a noite passada, a saída do quarto, tudo estava muito latente na cabeça da prefeita ainda. Olhar para Emma significava lembrar da frustração e talvez até sentir-se um pouco de envergonhada.
Regina havia abaixado a guarda, convidou Emma para passar a noite com ela. Ela sabia que não deveria ter burlado as suas próprias regras.Ela havia imposto as regras por um motivo,para evitar esse tipo de situação, e a morena, no mínimo, deveria ter seguido o plano inicial.

–Srta Swan! -Gritou enquanto se levantava da cadeira. -Já chega! Peço que saia da minha sala imediatamente!

Emma se levantou do sofá. Caminhou lentamente até encurralar a prefeita contra a parede.

Regina sentiu seu corpo em brasas. Um delicioso fogo se iniciava na ponta de seus pés e seguia até o último fio de seus cabelos. A respiração de Emma estava tão próxima que ela sentia o hálito da loira entrar nas suas narinas e corromper qualquer barreira que ela estivesse criando para afastar Emma naquele momento.

Sem nem perceber, Regina foi completamente desarmada pela loira. Lançou os braços na nuca de Emma. A loira apertou a cintura da morena, uma mão de cada lado, dominando os movimentos da prefeita.

Regina apenas se deixou levar, até que Emma encontrasse seus lábios. Aquele beijo que ela tanto desejou receber quando acordou, estava recebendo agora. Estar com a loira sempre fazia sentido e parecia ser a coisa certa a se fazer.

Um beijo carinhoso, um pouco urgente, cheio de segredos e dúvidas mas, definitivamente, um beijo necessário para acalmar os ânimos da morena. Certamente, um beijo delicioso, aos olhos de Regina.

A prefeita demorou alguns segundos até tomar fôlego para dizer alguma coisa quando Emma a soltou.

–Você não deveria ter feito isso, Swan! -Disse quando se deu conta da realidade.

–Ah, e por que não?

–Porque é contra as regras! Se esqueceu?

Emma sorriu como se esperasse por aquela resposta. A loira parecia ter algo preparado para dizer, já na ponta da língua.

–Ontem você quebrou suas próprias regras, achei que elas não valiam mais.

Maldito medo! Maldita insegurança idiota da prefeita! Se Regina não tivesse estabelecido regras, talvez Emma se aproximasse mais vezes da morena. Infelizmente Regina não podia voltar no tempo e mudar o que disse.

–Ah, eu vim aqui lhe entregar isso, quase me esqueci! -

Entregou os dois pés de sapato trocados para Regina.

A morena olhou para baixo e, finalmente, se deu conta que se vestiu com tanta raiva que não prestou atenção no que fazia e saiu com os sapatos trocados. Sentiu vergonha de si. Ela jamais cometia esse tipo de erro. Imaginou se ela realmente tivesse uma reunião importante e alguém notasse que ela estava com sapatos trocados!

–Obrigada, Emma. Eu estava atrasada, acho que foi isso!

–Acho que você estava irritada isso sim, e eu queria saber o porquê? Não se divertiu ontem à noite, prefeita?

Quando o ódio de Regina estava começando a passar, a loira faz o desserviço de recordá-la da raiva que sentiu pela manhã ao se deparar sozinha em sua cama.

–Swan, além de me beijar a força, o que mais veio fazer aqui?

–Você ronca, sabia? Como um caminhão. -Respondeu divertida.

–Claro que eu não ronco! Além do mais, se eu roncasse, alguém já teria falado.

–Mas eu estou falando!

–E como você poderia saber? Não vá dizer que eu ronco tão alto que você conseguiu me escutar do seu quarto, porque se disser isso és..

Emma levou o dedo indicador ao lábio de Regina calando a morena. Regina não gostou de ter sua fala interrompida pelas mãos de Emma.

–Eu sei disso porque estava abraçada em você a noite inteira. Eu não queria sair de lá, mas precisava dormir, pelo menos, por uma hora, então, um pouco antes de você acordar, eu voltei para o meu silencioso quarto.

Regina não disse mais nada e agarrou Emma de volta para perto de si e a puxou para mais um beijo apaixonado.