Imagine

15 Robin, acho que você deveria ir para sua casa.


Notas iniciais
Oie! Aqui estamos de volta com mais um capítulo! Espero que gostem! BjOO


Desde que Emma beijou Regina na prefeitura a morena estava num excelente humor. Há semanas que ela andava mais paciente com todos que se aproximavam, e claro, estava muito mais atenta também. As pessoas ao redor começaram a notar a diferença no comportamento da prefeita e a cidade começou a comentar qual seria o motivo do bom humor da prefeita, mas ninguém ousou questionar a morena, com medo de de despertarem, novamente, a fúria de Regina.

Emma estava maior do que imaginou que ficaria e ainda faltavam dois meses para a a criança nascer. Começou a ficar difícil fazer algumas coisas sozinha, como por exemplo, calçar os sapatos, carregar sacolas de compras ou até mesmo dirigir o fusca. Regina a achava cada vez mais maravilhosa e adorava poder estar presente para ajudar Emma com as atividades corriqueiras do dia-a-dia.

Emma começou a estranhar sua forma física e Regina sempre estava lá para lembrá-la de que aquilo seria passageiro e que a loira continuava linda e não deveria se preocupar com aquela besteira. A morena continuava sendo discreta em relação a seus sentimentos profundos pela loira, mas estava muito mais aberta e censurava muito menos suas atitudes e comportamento próximo a loira. Emma gostava de provocá-la com bobagens iniciando pequenas discussões com Regina, mas, com o passar do tempo, a morena se acostumou com o humor da loira e, sempre que podia, aproveitava-se das situações para levar Emma para cama. As noites de sexo casual aumentaram para quase todos as noites que Henry não estava em casa ou quando tivesse ido dormir antes delas.

Nada poderia estragar aquela tarde, absolutamente nada. Exceto Mary Margareth. A morena intrometida sugeriu que Regina fizesse um chá de bebê surpresa para Emma.

Regina tentou, de várias formas, recusar a sugestão. Mary, insistente como era, sutilmente, lembrou a prefeita quem era a culpada por ela não ter tido o seu próprio chá de bebê quando estava grávida de Emma, já que tinha que se preocupar em fugir de uma certa rainha que a perseguia para matá-la.

A morena já andava pensando em um presente para a criança, queria escolher algo que fosse único e especial. Andou por toda a loja de departamento infantil e não encontrou nada que fizesse jus ao que ela esperava poder presentear. Quando pensou em desistir e voltar num outro dia, Regina viu um lindo móbile de berço. O objeto tinha lindos unicórnios azuis de cristal pendurados por um fio quase imperceptível, dando a impressão de que o animal realmente estava voando.Os unicórnios remetiam ao seu mundo, ao mundo que deveria ter sido também de Emma e agora dessa criança. O mundo onde Regina era uma rainha e Emma uma princesa. A morena não teve dúvidas e comprou o presente para entregar no tal de chá de bebê que faria na sua casa. Era um móbile encantador!

Os unicórnios eram criaturas dóceis e amigáveis, e apesar de realmente existiam de verdade na Floresta Encantada, eram extremamente raros de serem vistos, pois somente quem tivesse o coração puro e a alma bondosa conseguiria ver algum. O animal também tinha a missão de levar boa sorte para o resto da vida de quem o tocasse. Regina nunca tinha visto um daqueles.

Graças a ajuda de Henry e Phillipe, a casa de Regina estava toda decorada com balões altos de gás hélio, faixas coloridas saudando a chegada de uma nova vida, docinhos enfeitando uma mesa temática, e um bolo de brilhar os olhos feito de pasta americana, que ela mesmo fez questão de preparar.

Antes de Emma voltar para casa, Regina se surpreendeu como a sua casa ficou diferente com aquelas coisas.

A morena estava acompanhada de David, Mary, Henry e Phillipe. Mesmo todos tendo confirmado a presença, Regina não estava segura que as pessoas iriam aparecer em sua casa, ninguém, com poucas exceções, gostava muito da prefeita. Ela não queria que a festa para Emma e o bebê fossem um fracasso por sua falta de simpatia com os moradores de Storybrook.

Um alívio lhe tomou quando ouviu a campainha tocar pela primeira vez. Alguns convidados não tinham desistido! Regina recebeu o médico de Emma, que carregava um embrulho com papel infantil nas mãos. Depois de Dr Whale, a campainha não parou mais de tocar e quando Regina se deu conta, a casa já estava lotada de convidados esperando para surpreender Emma.

–Regina, devo confessar que você fez um ótimo trabalho aqui. -Disse Mary Margareth.

A morena se encabulou ao receber o elogio, afinal, ela não tinha gostado da ideia da festa e agora estava até se divertindo com os convidados.

–Obrigada, mas você guardar suas palavras para Henry e Phillipe, eles é que, fizeram todo o trabalho pesado de hoje!

–Eu tenho certeza que ela vai gostar. -Disse Mary após alguns segundos de silêncio. -Eu queria poder ter feito isso por ela.

David avisou que Emma estava chegando. A loira chamou o pai pelo rádio da delegacia para informá-lo que já tinha finalizado tudo por lá. Imediatamente, todos se colocaram em suas posições.

–Surpresa! -Emma escutou um grito em coro quando acendeu a luz da sala.

A loira, assim que conseguiu enxergar o que estava acontecendo, abriu um sorriso largo que era capaz de iluminar toda a cidade. Seus olhos brilhavam e a alegria de vê-la tão contente foi suficiente para que Regina quase quisesse agradecer Mary pela sugestão.

A loira cumprimentou a todos e recebeu, pelo menos, uma sacolinha com embrulho infantil de cada um dos convidados, ao final do dia ela já acumulava uma pilha imensa de presentes ao lado da mesa. A festa estava lotada de convidados e a loira se esforçava para dar atenção a todos que foram vê-la e celebrar a chegada de seu filho. Para muitos ali, era a primeira vez que Emma falava sobre a gravidez. Regina estava responsável pela comida e bebida da festa, a morena ficava de olho se não estava faltando nada na mesa ou se algum convidado precisava de algo.

–Emma, você precisa comer alguma coisa. -Lembrou Regina trazendo uma fatia de sanduíche natural nas mãos. A loira estava sem se alimentar desde o horário do almoço, acumulando 6 horas de jejum. A criança, nessa fase, não pode ficar sem receber alimento.

–Oh Regina, coloque ali na mesa, eu já pego. -Responde enquanto conversava animada com Bella.

–Filha, será que podemos conversar? -Pediu Mary.

A loira não queria ser desagradável com a mãe. Naquela altura, ela já sabia que a ideia de surpreendê-la havia sido de Mary.

–Tudo bem. Com licença, Bella.

Mary puxou a filha para o andar de cima da casa, onde não havia nenhum convidado. Regina tinha acabado de subir para buscar outra toalha para o banheiro de visitas, pois a anterior havia sujado de molho.

Emma não sabia o que estava fazendo ali ou porque Mary a arrastou até o corredor dos quartos.

–Qual é o seu quarto? -Perguntou a mãe olhando para as 5 portas fechadas que havia ali.

–Aquele ali.- Apontou Emma para a última porta.

–E Henry, onde dorme?

–Ali. -Apontou Emma para a porta oposta a dela.

–Regina? -Perguntou.

–O que você quer saber?

–Vamos, me responda! -Pediu com carinho.

–Tudo bem. Este.-Apontou a porta de frente para elas. -Antes que você pergunte, aqui é o banheiro de visitas e aquela porta ali é um quarto vazio, tem só umas caixas, acho que não é de ninguém.

Mary Margareth sorriu e levou a filha até a porta do quarto vazio. Sem pestanejar, a mulher rodou a maçaneta e abriu a porta. As janelas do lugar davam de frente para a macieira de Regina e certamente, era o quarto mais iluminado da casa. Tinha até uma sacada, igualzinho o da prefeita. A morena só não colocou Henry para dormir ali com medo de que, quando criança, ele pudesse cair.

–Perfeito! -Exclamou Mary.

Emma olhou a mãe com curiosidade.-Perfeito?

–Sim! Emma, vem ver. -Caminhou até a sacada e abriu a porta. -Veja essa vista. A árvore, a luz, os pássaros... É perfeito, você não acha?

–Eu não sei o que você está dizendo!

–Eu estou dizendo que eu acho que você deveria ficar aqui quando a criança nascer. Esse quarto é perfeito para o seu filho, Emma!

Emma ficou sem reação. Concluiu que a mãe só poderia ter ficado louca.

–Veja, aqui cabe o berço e ali os armários. Você pode colocar uma poltrona de amamentação naquele canto e tomar Sol dando de mamar. -Disse a morena apontando no ar diferentes lugares do quarto. Emma não conseguia dizer nenhuma palavra.

Mary Margareth notou a confusão da filha. Ela se animou tanto com a própria ideia que não se deu conta que Regina ainda não havia contado sobre seus sentimentos para Emma. Decidiu que era sua obrigação, como mãe, tentar fazer alguma coisa pela felicidade da filha.

–Emma, deixa eu tentar explicar. -Mary puxou uma das caixas que estavam no quarto e pediu que Emma se sentasse ali para ouvi-la.

Regina estava passando pelo corredor em seu caminho de volta para a festa e estranhou ver a porta que ela sempre deixa fechada, com uma fresta aberta. Quando se aproximou do quarto para fechar novamente a porta, ouviu que havia alguém lá dentro. Não foi difícil reconhecer as vozes de Emma e Mary Margareth. Mais uma vez, Regina sentiu um arrepio gelado subir em suas costas.

–Eu não posso ficar aqui! -Disse Emma exaltada. Regina conseguia apenas ouvir algumas partes do que conversavam.

–Você já perguntou para Regina se você pode ficar? -Questionou Mary. -É claro que você sempre poderá voltar para casa, filha. Mas eu acho que você pode ser feliz aqui também... Tem Henry, Henry também mora aqui..

–Henry nunca está em casa. Acho que ele deve dormir mais na casa de vocês do que por aqui.

–Bom, que seja. Eu acho que você, Regina, Henry e esse bebê podem ser uma família!

Regina queria esganar a mulher! Como ela podia estar fazendo aquilo com ela? Ela não tinha esse direito. Mais uma vez, Regina achou que Mary estava prestes a estragar sua vida. Se isso acontecesse, com Emma, não haveria mais perdão. Regina iria buscar Mary no inferno e acabaria com a raça dela com as próprias mãos.

–Como assim uma família? Regina ama Robin. Quer dizer, eu não sei qual é a de Regina. Ela diz que não quer mais estar com ele, mas tenho certeza que é só mais uma crise de orgulho bobo dela, especialmente depois que eu prendi ele.

–Você deveria ouvir quando ela diz que não ama mais Robin, Emma.

Regina queria poder lançar uma maldição nova naquele momento e mandar todo mundo para o quinto dos infernos! Por que tinham que se intrometer em sua vida? Como se não bastasse o universo inteiro tirando sarro dela, ainda tinha que lidar com Mary Margareth que não aprendia a segurar a língua dentro da boca! Sem acesso a magia, sua vontade era gritar!

– Algumas semanas atrás Regina estava irritada, mal humorada mesmo, eu tenho certeza que foi por conta da prisão de Robin. Ela é muito orgulhosa para admitir que ainda ama ele...

Mary chacoalhava a cabeça para os lados discordando da opinião de Emma.

–Eu não sei, mas algo me diz que você está errada, Emma. De qualquer maneira, pense no que eu te falei sobre morar aqui.

–Ok.

Emma se levantava para sair do quarto. Regina percebeu a movimentação e correu o mais rápido que pode em direção ao andar de baixo, ela não podia ser vista escutando aquela conversa. Seria devastador é humilhante para a morena.

Mary chamou a filha de volta, ela ainda tinha mais um assunto para conversar com Emma.

****6 MESES ANTES****

–Mas que droga, Robin! Zelena ficará no hospital e não há nada que eu possa fazer para mudar isso!

A morena havia acabado de voltar da delegacia e entrar em casa e foi recebida pelo seu namorado cheio de questões sobre a bastarda grávida. Regina precisava descansar de todo aquele turbilhão de emoções que estava sentiu perto de Emma e Robin não estava facilitando em nada as coisas para que ela conseguisse isso.

–Regina, tente me entender, eu não posso deixá-la lá. É meu filho tamém!

Regina tentava entender... Passou muito tempo tentando entender as escolhas do loiro, como Robin conseguiu seguir normalmente com a vida depois de deixá-la em Storybrook. Mas ela realmente não entendia.

A morena também estava achando aquela discussão com o namorado um absurdo. Se fosse Marian, sua falecida esposa, ela poderia aceitar, mas Robin queria que Zelena ficasse solta. Era inacreditável! O homem havia sido enganado de todas as formas e ainda assim, queria que ela conviesse em sociedade. A irmã de

Regina era maluca e deveria ficar junto com outros malucos iguais a ela. Mesmo que dependesse somente da morena, ela não mudaria a decisão de que Zelena ficaria trancada no hospital.

–Você deveria ter pensado nisso antes de fazer um filho com uma maluca, não é mesmo? -Disse arqueando a sobrancelha.

–Ei, eu não vou levar a culpa por isso! Eu pensei que fosse Marian...

Regina bufou. Ela estava sem paciência e a conversa que tentou ter com Emma na delegacia havia tirado Regina do eixo.

A ideia de chegar em casa e passar uma noite de amor com o seu namorado estava indo por água abaixo e ele era o único culpado por isso.

Regina colocou as mãos em sua cabeça que latejava e, ao piscar os olhos, se lembrou do olhar triste de Emma. Os olhos cor de esmeralda que quase despiram a alma de Regina estavam de volta em seus pensamentos. A morena sentiu uma necessidade de saber se Emma já estava melhor mas ela não podia fazer nada por isso. Lamentou.

–Não vamos mais brigar, Regina! Eu amo você. Vem aqui.
Robin puxou as mãos de Regina e a puxou para si. Acariciou o rosto da prefeita antes de beijá-la profundamente.

A morena fechou os olhos e tentou aprofundar o beijo com Robin mas o rosto de Emma foi quem saltou em sua mente. Lembrou a sensação de tocar o ombro nu da loira Emma. Aquilo ainda era totalmente descabido de sentido para ela e intrigava.

Emma estava grávida. Emma estava grávida. Por que a revelação da loira ecoava em sua cabeça e a incomodava tanto? Por que Emma quis lhe contar aquilo? Tentou afastar a imagem da loira e abriu os olhos dando de cara com Robin. Não conseguiu mais continuar e interrompeu o beijo recuando alguns passos para trás.

–Robin, eu acho que você deve ir para sua casa.-Regina estava confusa, precisava pensar no que aquilo significava.

O loiro tinha uma expressão incrédula. Eles haviam esperado tanto tempo para ficarem juntos que a atitude de Regina era lamentável para o loiro. Robin insistiu, não queria ter que ir embora por culpa de uma discussão a toa.

O arqueiro não imaginava o que estava passando na cabeça de sua namorada. Regina se perguntava a todo instante o que havia de errado com ela, por que, de repente, tudo estava tão diferente em relação a Emma.

–Por favor, Robin. Eu preciso de um tempo.-Pediu finalmente.

–Um tempo? Regina, você está terminando comigo? -Robin estava desesperado. Ele não havia deixado para trás sua vida em Nova York para nada. O loiro queria estar com Regina, ela seria a primeira opção dele se não houvesse Marian. As circunstâncias mudaram e agora ele também não poderia abandonar Zelena carregando um filho seu por 9 meses sozinha. Por que não poderia ter as duas? Ele era um homem de honra, afinal de contas.

–Eu não estou terminando com você, Robin. Estou apenas facilitando as coisas para nós dois.

–Regina... Eu não entendo...

–Eu preciso pensar. E você deveria fazer o mesmo. Não será nada fácil nossa jornada, se formos ficar juntos.

–Eu não importo se será difícil. Eu quero você! Eu vou embora, mas ficarei esperando por você.

O homem saiu da mansão da prefeita arrasado. Regina sentiu uma ponta de alívio por ter feito Robin ir embora e uma certa estranheza também. Ela realmente havia esperado muito tempo para tê-lo em seus braços, e não sabia o que estava fazendo com ela quisesse afastá-lo.

A morena queria ouvir a voz dela naquele momento. Precisava saciar seu desejo de escutar Emma.

*****

Emma se preparava para o encontro com Hook. Diferente do que costumava vestir, a loira optou por um vestido rosa claro rodado, esperava que aquela noite fosse especial.emma estava nervosa e tinha um motivo para isso, ela dividiria a notícia de que esperava um filho com o namorado.A loira não podia prever qual seria a reação de Hook, o moreno nunca mencionou o desejo de ser pai. Emma tampouco acreditava que aquela relação com o pirata teria algum tipo de futuro, não que ela não o amasse, ela o amava da forma que entendia como era o amor.

A loira não se entregava a paixões tórridas, talvez nunca tenha vivido alguma dessas. Emma só teve um namorado, pai de Henry, e ele não estava mais vivo. Sua relação com Neal era diferente, Emma era apenas uma criança descobrindo a vida, o sexo, as aventuras, aquilo, nem de longe, foi uma paixão tórrida.

Ela acreditava que amava Neal, mas com o tempo, percebeu que se identificava com o pai de Henry e por isso, acabou passando tantos tempo com ele.

Emma sempre pensou que o amor não surge da conveniência e sim da convivência, e Neal nunca havia sido honesto com a loira, talvez, por esse motivo, ela tenha se enganado quanto a ele.

Hook era mais honesto que Neal. Nunca escondeu o passado obscuro que tinha, e a loira sabia que ele lutava diariamente para ser uma pessoa melhor, para ser merecedor de estar ao lado dela. A loira não se sentia confortável com isso, ela acreditava que Hook deveria ser um homem bom por ele, apenas por ele. No fim das contas, Emma percebia que era um relacionamento conveniente para ambos. O capitão buscava nela, a chance de redenção, e ela via nele, um possível futuro para uma família. Ela só não estava preparada para formar uma família naquele momento.

Emma estava emotiva desde que descobriu a gravidez, e, ter chorado sem motivo nenhum perante a prefeita não era um bom sinal de seu estado emocional naquela noite. Ela precisava se conter e dizer para o namorado sem causar nenhuma insegurança nele, afinal, ela contava com a segurança dele para conseguir seguir adiante com aquilo. Emma tinha consciência de sua falta de habilidade para gerar e criar um filho. Quando conheceu Henry o garoto já era criado, muito bem criado por Regina, por sinal. Pensar em ter que passar por todas as etapas era muito assustador para a loira.

–Emma, você está preparada? -Perguntou Ginny arrumando a franja desarrumada da filha.

–Acho que sim.- Mentiu.- Não tenho muita opção agora, não é?

–Filha, se ele disser alguma coisa que te chateie, qualquer coisa, você nos avise. Eu não terei nenhum problema em arrebentar a cara dele!

Emma revirou os olhos. -Não se preocupe, David. Ele não fará nada que eu não consiga resolver!
Emma ouviu seu celular tocar e, pensando que Hook havia chegado para buscá-la, correu para atender o aparelho.

Estranhou quando viu o nome da prefeita brilhar na tela de seu celular.

–Alô!

–Srta Swan?

Sim. Regina aconteceu alguma coisa com Henry?

–Não, Henry está bem, quer dizer, ele não está aí? -Perguntou em tom preocupada.

–Não aqui. Ele me disse que estaria na sua casa hoje.

–Pois eu posso lhe assegurar que meu filho não está na minha casa. Hoje ele não ficaria com você? Swan, onde está meu filho?

–Regina eu, eu não sei. Estou indo para aí e vamos procurar juntas, está bem? Em quinze minutos estarei no seu portão.

Emma desligou o telefone e pegou o casaco de couro em cima da cadeira antes de sair para a casa de Regina.

"Merda." -Pensou alto.

–Emma, o que aconteceu? -Perguntou Mary.

–Henry! Regina me ligou e disse que o menino não está lá, se ele também não está aqui, devo assumir que ele está desaparecido.

–E onde você vai? E Hook? -Foi a vez de David se preocupar.

–Estou indo até a casa dela. Quando Hook chegar, por favor, peçam desculpas para ele e digam que eu ligo amanhã.

–Você não vai contar hoje?

–Pelo visto, não! -Gritou descendo as escadas do prédio.

**** FIM DO FLASHBACK****


–Mãe, você não acha que essa roupinha é muito grande para um recém-nascido? -Perguntou Henry para Regina.

–Claro que sim. Isso é para ser usado quando a criança estiver com pelo menos 6 meses! Quem deu?

–Tá vendo só, mãe?! -Virou-se para Emma. -Eu estava certo.-Concluiu. -Minha mãe achou que isso era de recém nascido! — Explicou Henry para Regina enquanto gargalhava de Emma.

A loira ficou sem jeito com aquilo e continuou abrindo as sacolas de presente ao lado da mesa.

–Henry e Phillipe, terminem de desmontar a decoração, tá? Eu vou me sentar um pouco.-Pediu Regina.

–Claro, Sra Mills. -Respondeu Philipe de forma prestativa.

Os dois garotos correram em direção à sala para terminar de organizar o que faltava enquanto Regina , que percebeu a decepção de Emma, puxava uma cadeira ao seu lado para ajudá-la com os presentes.

–Com o tempo você também vai aprender.

–Não estou tão certa quanto a isso. As vezes, eu olho para Henry e fico imaginando o que seria dele se tivesse crescido comigo. -Disse Emma com a cabeça baixa e o olhar triste.

Regina não podia negar que ela mesma já havia se perguntado a mesma coisa milhares de vezes nos momentos que sentiu raiva de Emma, mas agora era diferente, ela conhecia a loira e sabia que ela teria criado Henry tão bem quanto ela própria, se não ainda melhor.

–Vamos lá. -Disse Regina pegando uma das sacolas. -Esse aqui é.. -Procurou um nome ou um cartão para identificar que, havia dado aquele presente. -Veja, é dos seus pais, Emma!

–Uma manta branca bordada! Quanta criatividade! -Suspirou Emma guardando a manta de volta na sacola.

–Ei, você não vai ficar desse jeito, não é mesmo?

Emma deu uma longa suspirada e acariciou a barriga.

–Eu não estou pronta para fazer isso, Regina! Não estou mesmo!

–Se acalme Emma, ainda falta quase dois meses, até lá você vai aprender mais um monte de coisas. Que tal se você fizer um curso de gestante?

–Não.. Acho que não adiantaria!

–Já sei, será meu presente para você!

–Eu não sei, Regina... Você já faz muito por mim, por nós.

–Eu não importo, na verdade, eu adoraria poder te dar esse curso, tenho certeza que será ótimo. Você aceita?

–Está bem... -Respondeu sem vontade.

–Ótimo. -Respondeu Regina. -Toma, abre este. Caixa grande, laço bem feito, seguramente tem algo bom aí dentro. -Regina entregou para Emma a maior caixa que estava ali.

Emma abriu a embalagem e viu um monte de tubos grandes e coloridos, como um quebra cabeça gigante de plástico acompanhados de uma tela é um colchão fofinho.

–O que é isso, Regina?

–Isso é um berço desmontável. Sabe aqueles que você pode montar em qualquer lugar e a criança fica ali dentro com espaço suficiente para dormir, brincar, tomar sol, etc? Você já deve ter visto, são muito úteis.

–Na verdade, não. Nos orfanatos que eu passei não tinha nada disso. A gente tem que montar, é isso?

–Sim, é fácil. Olha! -Regina uniu algumas peças e passou a rede em volta, ao terminar, colocou o colchão ali dentro. -Prontinho!

–Impressionante! -Ironizou Emma. -Quem me deu isso para que eu me lembre de agradecer depois?

–Esse veio de... -Regina não queria ter que falar.

–De quem veio esse, Regina? -A loira puxou o pedaço de papel das mãos de Regina e leu o nome. -Ahn.. Ruby. -Desdenhou. -Acho que esse você pode agradecer por mim, não é?!

Regina sentiu o seu rosto corar. Ela nem se lembraria mais daquele beijo estúpido que deu em Ruby se Emma não a lembrasse toda vez que encontravam com a garçonete.

Regina não entendia porque Emma parecia ficar tão irritada com Ruby. Não era a primeira vez que a loira agia de forma estranha em relação a garçonete. Certa tarde, Regina foi até a lanchonete comprar algumas rosquinhas cobertas, a pedido de Henry, e inevitavelmente encontrou com Ruby no balcão. A morena não se intimidava com a presença de Ruby e sem hesitar, pediu suas rosquinhas, pagou o que devia e foi embora, sem nenhum acontecimento especial. À noite, Emma estava devorando as rosquinhas do filho e quis saber se fora Ruby que atendeu Regina no Granny's. Quando Regina confirmou com a cabeça, a loira simplesmente largou os doces de lado e disse que perdeu a vontade.

Num outro dia, Regina estava no parque com Emma e Henry. Era uma tarde tranquila e os três aproveitavam um dia ensolarado, até que Ruby apareceu, sabe-se lá de onde, e acabou se juntando ao trio. Em menos de cinco minutos, Emma arrumou uma desculpa qualquer e voltou para casa. Quando Regina decidiu questioná-la porque ela havia ido embora antes de todo mundo, a loira simplesmente a ignorou. Emma não era mais a mesma depois de ver Regina beijar Ruby e disso a prefeita já tinha consciência.

–Emma, eu vou buscar o meu presente para o bebê!- Regina tentou mudar o clima tenso que Emma deixou no ar, ela não estava com disposição e nem com vontade de falar de Ruby.

A loira levantou os olhos para prefeita e sorriu. -Você também comprou um presente para o abacaxizinho?- Disse surpresa.

–Pode apostar que comprei!

–Você sabe que não deveria ter feito isso. Você já me deu essa festa... Como eu vou agradecer por tudo que você faz depois?

Regina arqueou a sobrancelhas e lançou um olhar cheio de malícia para Emma. De alguns dias para cá, as duas vinham conversando através de olhares quando Henry estava próximo e elas não queriam que ele soubesse o assunto. Sempre funcionava! Emma sempre sabia o que Regina estava falando e Regina sempre entendia Emma.

Daquela vez não foi diferente, Emma entendeu o que Regina gostaria como pagamento e é claro que não envolvia dinheiro. A loira correspondeu o olhar da prefeita em sinal afirmativo.

–Tudo bem, então vá buscar o presente! Eu e o abacaxizinho temos certeza que o seu vai ser muito melhor que essa porcaria aqui. -Disse encarando o berço colorido desmontável a sua frente. -Eu tenho certeza que você escolheu o presente mais legal de todos! -Adicionou.

–Não é nada demais, Emma. É apenas algo que eu achei... deixe-me ver, único, talvez até especial!

Regina subiu as escadas da mansão e foi até seu quarto para pegar a caixa que ela havia escondido em seu armário, ela queria que fosse surpresa para Emma, por isso não entregou junto com os outros convidados. Regina queria ver a expressão de Emma quando abrisse seu presente. Ela sabia que não era o presente mais caro ou mais chique, mas os unicórnios do móbile eram especiais para Regina.

Antes de descer as escadas para voltar para a sala, escutou seu filho e o namorado gritarem por ela.

–Henry! O que aconteceu, meu filho? -Perguntou.

O garoto estava pálido e visivelmente assustado. Regina olhou para Phillipe na intenção dele responder o que aconteceu, mas o garoto não conseguia abrir a boca para dizer nenhuma palavra.

–Emma... -Henry, em pânico, finalmente conseguiu dizer.

Regina correu até a cadeira que Emma estava sentada. Ao se deparar com Emma desacordada e caída com uma poça de sangue em baixo de seu corpo, derrubou a caixa que estava em suas mãos diretamente no chão. A morena se ajoelhou ao lado do corpo de Emma e deixou as lágrimas caírem enquanto acariciava o cabelo da loira. Regina sentiu medo de que nunca mais fosse ver Emma.

–Henry, ligue para o Dr Whale agora!