Imagine
5 Mas que droga, foi só um beijo.
Notas iniciais
–Esse filme é mesmo ótimo! Que bom que você me esperou chegar para assistirmos. Ai!
–O que foi? Você se machucou?
–Ai, ai! Cãibra, cãibra!!
–Onde, pelo amor de Deus?
Emma contorcia o rosto enquanto apontava, com dificuldade, a ponta dos pés com a mão.
As duas dividiam o sofá da sala e Regina se apertou num cantinho enquanto Emma estava esparramada do outro lado, com os pés já quase tocando suas pernas. Regina ficou aflita durante o filme todo com a possibilidade de Emma resolver apoiar de uma vez os pés em cima de sua coxa e ela não saber o que fazer.
Em um ato de impulso, Regina colocou suas duas mãos nos pés doloridos da loira e apertou para massageá-los, a fim de diminuir a dor da cãibra.
–Obrigada! Essas cãibras ainda vão me matar qualquer dia...
–Não seja exagerada, Emma!
–Nunca tive umas tão fortes assim, nem quando estava grávida de Henry.
–Você deveria comer mais bananas, elas ajudam a diminuir as cãibras.
–Ou então você poderia sempre me fazer massagem quando elas vierem porque alivia bastante.
A loira realmente estava aprendendo como lidar com Regina. Ela era capaz de conseguir qualquer coisa da morena. Se mencionasse dor, fome, ou o bebê, sabia que Regina amolecia e finalmente deixava de lado o papel de controladora e assumia a mulher atenciosa. Emma se divertia.
É claro que Regina adoraria passar o dia fazendo massagem em Emma, se a loira desejasse, mas tocá-la sempre seria uma tortura ainda maior.
Sempre que podia, Regina mantinha uma distância física segura de Emma.
–Você tem as mãos boas, sabia? -Falou sério.
Regina corou com o comentário e sentiu-se infantil por ter deixado seu pensamento fluir sem censura.
–É sério! Que tal se você fizesse essa massagem nas minhas costas? Elas estão doloridas.
Regina apenas olhou para Emma, não sabia o que responder ou que deveria fazer. Suas mãos queriam tocá-la, mas sua consciência lhe dizia o contrário. Ela não deveria querer se aproveitar da confiança que Emma depositou nela e se chutou mentalmente por sempre optar pela consciência e deixar seu desejo de lado quando se tratava da loira.
–Tudo bem se você não quiser fazer, Regina. Eu já te dou muito trabalho, nem deveria ter pedido isso.
–Não. Vamos lá, vire-se.
Emma abriu aquele sorriso de lado que Regina passou a adorar e depois disso foi impossível voltar atrás na decisão de se torturar. A prefeita só não estava preparada para o que estava por vir.
Emma tirou a blusa de uma só vez, ficando apenas de sutiã bem diante de Regina no sofá no meio da sala.
Ela nunca havia se sentido atraída por qualquer outra mulher antes e talvez não soubesse nem o que fazer se fosse realmente fazer sexo com alguma.
Para Regina, estar tocando Emma e ter que lidar com tantos desejos e pensamentos confusos era muito difícil. Além de todas as barreiras que Regina construiu, a insegurança de não saber ao certo o que fazer com outra mulher também exigia para que ela mantivesse a postura e claro, a distância.
Regina fez o que pode para não olhar diretamente para os seios da loira, mas mesmo assim, não deixou de notar como eles eram enchiam perfeitamente o sutiã. Certamente, aquela era uma cena que a prefeita gostaria de se lembrar mais vezes, ao mesmo tempo que, não poder fazer nada, a incomodava.
Tratou de logo afastar qualquer pensamento que ela não deveria ter e se concentrar no que, de fato, deveria fazer, a massagem nas costas de Emma.
A morena ainda achava aquela paixão completamente fora da realidade, Regina conhecia bem e atribuía esse sentimento novo a sua carência afetiva. Era Emma era quem estava ali o tempo todo para ouvi-la, acompanhá-la durante as refeições, fazer comentários engraçados durante os filmes... Desta forma, Regina acreditava que era uma fase de encantamento pelo simples fato de ter uma (atraente) boa companhia.
–Ahn, isso é bom. Mas acho que você ficaria mais confortável se sentasse em cima de mim ao invés de ficar aqui do lado, você vai ficar com dor nas costas também. Aliás, se quiser, eu posso fazer uma massagem em você depois também.
–Não!
Emma se assustou com a resposta rápida de Regina.
–Não, não precisa. Eu vou sentar em você, como me sugeriu.
Regina não poderia nem pensar em deixar Emma massageá-la.
Talvez a prefeita não conseguisse se controlar com as mãos da loira deslizando sobre a sua pele.
Regina se sentou sobre Emma com o maior cuidado do mundo, se posicionou de forma que não apertasse a barriga da loira e não incomodasse o bebê.
Carinhosamente começou a apertar as costas com a palma das mãos. A prefeita então fechou os olhos e começou a pensar nas atividades chatas da prefeitura. Tentou a todo custo, enganar a sua mente e desviar a atenção do que estava acontecendo, mas os gemidos que Emma soltava a traziam de volta para a realidade de que aquilo estava realmente acontecendo.
Era muito para Regina ter que aguentar. Ela precisava dar um jeito de parar com aquilo.
–Posso te confessar uma coisa, Regina?
O coração da morena saltou em seu peito.
–As vezes eu sinto falta de Hook.
E então, Regina se desfez em mil pedaços.
–Na verdade, não do Hook em si. Não tem perdão para o que ele fez comigo. Sinto falta de ter alguém me tocando, me dando carinho.
Regina continuava de olhos fechados, apenas escutando o que Emma dizia enquanto massageava cada vez mais forte as costas da loira, a medida que sua tensão aumentava.
–Será que se meus pais não tivessem banido ele, Hook teria ficado? Eu não estaria te dando tanto trabalho, não é?
A prefeita não tinha coragem de fazer qualquer pergunta ou dizer alguma coisa. Preferiu manter-se em silêncio, já estava no seu limite físico inclusive.
–Regina, a verdade é que eu estou com tesão!
Regina parou o que fazia com as mãos. Respirou fundo e tentou ignorar o que acabou de ouvir, mas não conseguiu. Emma parecia esperar que ela tivesse alguma coisa para falar. Mas que diabos Regina deveria respondê-la?
–Eu acho que você poderia tentar sozinha, não há nenhum problema com isso..
A prefeita pareceu manter o controle do que disse e até que se saiu bem. Ainda sentada sobre o corpo alvo e descoberto da loira, Regina não conseguia mais massageá-la, precisava urgente sair dali e talvez até precisasse de um banho frio.
–Eu já tentei sozinha. Não deu certo.
Emma virou o pescoço para cima e tentou buscar o olhar de
Regina, que desviava a todo custo.
–Emma, eu... eu... Bom, eu acho que você deveria tentar sair, arrumar algum encontro, um namorado, sei lá.
Sugerir aquilo machucou a prefeita, foi tão difícil de dizer, mas o que Emma esperava dela?
–É, talvez você tenha razão.
Emma pareceu desapontada com a sugestão que ouviu e se sentou no sofá de frente para Regina. A loira estava disposta a continuar aquele assunto, para desespero da morena.
De repente, Emma mudou sua expressão, e um sorriso enorme apareceu. Emma tinha os olhos brilhando e quase fechados, tamanho seu sorriso.
–Azeitoninha!
Regina observou Emma colocar as mãos sobre a barriga.
–Ei, azeitoninha deu o primeiro chute!
Regina se emocionou, seus olhos se encheram de lágrimas e a vontade que ela já sentia de tocar a barriga de Emma, agora era ainda maior. A prefeita jamais colocaria suas mãos ali sem que Emma pedisse, além do mais, ela não queria se apegar aquela criança e muito menos tocar a pele da loira.
–Ele chutou depois que você fez a massagem em mim, acho que ele gosta de você, Regina!
–Foi apenas coincidência, Emma.
–Não, eu acho que ele gosta mesmo, olha, coloca a sua mão aqui, vamos ver se ele chuta de novo.
Emma puxou a mão de Regina para sua barriga. A prefeita ainda estava tentando se acostumar com a presença de Emma vestindo apenas sutiã quando ela sentiu, diretamente contra sua mão, um chute bem forte.
A prefeita olhou nos olhos de Emma, buscando uma confirmação, e a encontrou de boca aberta acenando positivamente com a cabeça, confirmando que ela também havia sentido aquilo. O bebê tinha, realmente, chutado a mão de Regina.
–Viu? Ele gosta mesmo de você! E também gostou da sua mão!
Emma não era do tipo ingênua, por Deus, ela estava grávida, deixando Regina ficou confusa se havia realmente alguma malícia da parte da loira naquele fim de noite maluco. Regina teve muita dificuldade para pegar no sono.
A barriga de Emma já estava tomando uma certa forma, e aqueles que eram mais atentos, já poderiam desconfiar que ela carregava uma nova criança. Já passava da hora de contar para Storybrook que a cidade receberia um novo cidadão e que a Floresta Encantada conheceria seu mais novo príncipe.
As pessoas comentavam o sumiço de Hook e aquilo irritava e frustrava Emma. Todos desconfiavam que os Charmings estavam envolvidos até o pescoço nisso e por esse motivo que a xerife não falava mais com os pais.
Assim que chegou na delegacia pela manhã, Emma deu de cara com seu pai parado ali na frente. Ela suspirou e seguiu adiante seu caminho, tentando ignorar a presença dele.
–Emma, espere!
A loira ignorou.
–Emma, preciso falar com você!
–Algum problema em que eu possa ajudá-lo, David?
–Pára com isso. Me escute, por favor. Eu e sua mãe estamos arrasados com a sua mudança e todo esse afastamento, por favor, Emma!
A loira continuava a ignorá-lo.
–Você pensa que foi fácil para algum de nós dois? Pensa que não sofremos?
–Eu não quero saber o que vocês se sentem. Não vai mudar o que aconteceu.
–Tudo o que eu e sua mãe fizemos foi para te proteger!
Emma se virou e lançou um olhar furioso para David.
–Chega! Não me diga mais isso! Eu não aguento mais vocês escolhendo o que é melhor para mim. Eu cansei de ouvir essa mesma desculpa para tudo que vocês fazem. Eu não quero mais ser protegida! Não assim, mas pelo visto vocês não conseguem parar de se intrometer.
David ficou de queixo caído. Nunca imaginou escutar sua filha falar daquele jeito.
–Agora com licença que eu preciso começar a trabalhar.
–Ei, eu também trabalho aqui, esqueceu? Achei que você precisava de um tempo sozinha e te dei, mas eu também preciso voltar a trabalhar. Além do mais, você vai precisar de ajuda por aqui daqui para frente.
Emma não teve outra opção senão ceder. Era verdade, David também trabalhava na delegacia e mais cedo ou mais tarde, ela sabia que ele voltaria.
David estava feliz por ter conseguido entrar, de alguma forma, de volta na vida de Emma. Não fazia o seu tipo desistir fácil e a loira sabia exatamente com quem ela estava lidando.
Emma não queria ficar perto de David o dia inteiro, então encontrou o que fazer na rua.
–Estou indo buscar Henry na escola, qualquer coisa, basta me ligar.
–Tudo bem.
–Mãe! Você veio me buscar? Tá tudo bem?
–Hey moleque. Tudo certo, só estava com saudades, você quase não aparece em casa mais.
–Ah sim, eu sei. Mas eu gosto de ficar na casa do vovô e da vovó.
–Henry, não minta para mim, eu sei que você não tem aparecido muito por lá também, o que está acontecendo?
Henry não costumava mentir, por isso quando fazia, não conseguia disfarçar. O garoto sabia que estava com o rosto corado por ter sido pego e viu que não adiantava mais tentar esconder. Ainda que estivesse envergonhado, resolveu contar.
–Ah, tá bom! É que eu estou namorando!
–Sério? Que legal, Henry! Por que não me contou?
–Porque agora você e minha mãe são inseparáveis e eu tenho a impressão que você não vai querer guardar esse segredo dela, não é?
–Moleque, eu tenho certeza que sua mãe vai entender. Você não é mais criança, a gente já esperava que um dia você fosse aparecer com alguma namoradinha.
–Então... É que..
Os dois são interrompidos por um dos amigos de Henry, que os alcança esbaforido.
–Oi Henry! Procurei por você por toda a parte na saída da escola...
–Mãe, esse é Philipe...
–...Philipe, essa aqui é a minha mãe, Emma Swan.
–Wow! Se soubesse que era sua mãe não teria interrompido, foi mal Henry! Prazer Sra Swan.
–Olá Philipe, não tem problema você nos interromper, o Henry tava apenas contando sobre a namoradinha dele, você a conhece? Ah, e por favor, me chame de Emma.
Os dois meninos coraram e Emma ficou sem entender o que estava acontecendo ali. Se arrependeu de ter falado sobre a namorada de Henry com algum de seus amigos, e se o garoto não soubesse que Henry namorava? E se aquilo fosse algum tipo de segredo ou uma missão nova. O garoto era crescido, mas as vezes se comportava como uma criança ainda.
–Emma, eu vou deixá-los à sós. Mais tarde nos falamos, Henry. Desculpa mesmo!
–Filho, desculpa! Eu acho que falei demais, não é?
–Ai mãe, não, está tudo bem... É que...
–Sorvete?
–Você não está seguindo as recomendações da minha mãe de novo? -Perguntou o garoto.
–Estou Henry, mas a azeitoninha parece gostar de porcarias, o que eu devo fazer? Negar os desejos da pobre criança?
–Tá bom, mãe. Vamos lá comprar sorvete!
–Mas não conta nada para sua mãe, não quero que ela fique chateada. Hoje ela me mandou...
–Já sei, banana, sanduíche integral de atum e suco de maçã, acertei? -Interrompeu Henry.
–Sim, ela mandou para você também?
–Aham, a minha sorte é que Philipe adora comida saudável e eu dou meu lanche para ele e ele compra alguma coisa gostosa na cantina da escola para mim.
–Henry, às vezes acho que sua mãe tem razão, eu sou um péssimo exemplo para você!
Os dois riam e caminhavam tranquilamente enquanto tomavam um sorvete enorme a caminho de casa.
–E então? O que você vai fazer hoje, Henry?
–Vou para casa de Philipe.
–Ah, não vai ver sua namorada?
–Philipe é meu namorado, mãe.
Emma perdeu a fala. Claro que ela não tinha nada contra, apenas não podia estar mais despreparada para receber aquele tipo de notícia. Se perguntou por que não desconfiou de nada antes. Tentou relembrar se Henry deu algum sinal de que isso estava por vir mas não conseguiu se lembrar de nada que indicasse que seu filho era gay. Será que ela não prestou atenção suficiente para ter percebido isso?
Regina certamente teria notado algo durante a infância, mas por que nunca comentou nada sobre isso? Emma pensou quantos anos ela perdeu longe de Henry e aquilo não tinha mais volta.
Emma sentiu o peso do filho estar namorando com um rapaz e até entendia por que o garoto se sentiu inseguro para contar a ela. Questionou-se se deveria ou não contar logo para Regina. Ela tinha certeza que Regina amava Henry e que pouco importava com qual sexo ele se relacionava, mas achou que a prefeita também poderia se sentir mal por nunca ter percebido nada. Será que elas haviam falhado como mães?
Imediatamente Emma pensou em seu bebê. Ela não queria falhar com esse também. Prometeu a si mesmo que estaria sempre presente e prestaria mais atenção para não ser pega de surpresa.
Desde que soube que estava grávida, Emma sabia que com esse filho tudo seria diferente, ela iria criá-lo desde pequeno e amá-lo. Ela só não esperava ter que fazer isso sozinha e tinha consciência de que não podia morar para sempre na casa de Regina e muito menos contar com a presença dela para ajudar a criar essa criança também. Apesar de saber que Regina era uma excelente mãe e seria ótimo que ela pudesse estar por perto.
A prefeita já havia feito muito por Henry, e Emma já acumulava uma dívida eterna com ela por isso. Seria exigir demais da mulher que a ajudasse a cuidar dessa nova vida também.
Além do mais, Regina não parecia querer manter muito contato com o bebê. Sempre se mantinha distante e fria, quase que indiferente. Emma não entendia, mas não ousava perguntá-la o por que de agir daquela forma. Ela entendia que a prefeita havia se comprometido a ajudá-la durante esse período, mas nunca falou nada sobre depois que a criança nascesse.
Muitas vezes Emma desejou que Regina quisesse colocar a mão em sua barriga, a azeitoninha parecia mesmo gostar dela. Toda vez que ouvia a voz de Regina, a criança acordava e começava a se mover, era divertido. A loira queria poder compartilhar esses momentos com a prefeita.
No meio da madrugada, Regina acordou escutando gritos vindo do quarto de Emma. A loira pedia por socorro.
Desesperada, ela se levantou e correu para saber o que estava acontecendo.
A prefeita encontrou Emma dormindo um sono pesado e turbulento. Ela se chacolhava na cama e sua testa estava molhada. Parecia estar sonhando com algo que a aterrorizasse.
De repente, Emma chamou o nome de Regina.
A prefeita concluiu que o melhor que pode fazer é acordar Emma e livrá-la daquele pesadelo.
–Emma! Emma...- Tenta de forma suave apenas chamando pelo nome.
Regina coloca a mão sobre o ombro da loira e imediatamente Emma aperta forte os dedos de Regina, fazendo o coração da morena acelerar.
–Ei, eu estou aqui! Acorde Emma!
A loira continua dormindo e repetindo baixinho o nome da prefeita.
–Regina... Regina... Não me deixe sozinha.
–Eu estou aqui, não vou a lugar nenhum. — Respondeu sabendo que Emma continuava a sonhar enquanto ainda apertava sua mão.
A mão da loira estava molhada e Regina estava angustiada ao vê-la sofrer e chamar por ela.
–Vamos lá, acorde! Eu estou aqui!
–Regina... -A loira estava se acalmando e sua voz era mais tranquila e suave, como se pudesse ouvir que Regina estava ali, ao lado dela.
–Eu amo você, Regina.
As palavras saíram sem mais nem menos da boca de Emma e a prefeita ficou em silêncio por alguns segundos para poder processar o que estava escutando.
Regina desejou não estar ali, pois aquelas palavras, seriam motivo de mais ilusões, de mais sonhos que jamais iriam se concretizar. A prefeita sabia que Emma gostava dela e era recíproco o sentimento de amizade e carinho que tinham, mas isso é muito diferente de um amor. Regina estava segura que Emma não a amava. Ela não podia amá-la, a rainha má não era digna de amor e muito menos, do amor da salvadora.
Regina mantinha firme os pés no chão e tentava não fugir da realidade que se encontrava. Emma só aceitou ficar na sua casa pois não tinha outro lugar para ir. Emma estava apenas sonhando e poderia ter falado qualquer outra coisa que não fizesse sentido nenhum, assim, como aquelas 3 palavrinhas não faziam.
A loira parecia mais calma. Não gritava, não se movia, apenas dormia tranquilamente agarrada na mão de Regina.
Delicadamente, a prefeita, retirou sua mão dos dedos firmes de Emma. Sentou ao lado dela na poltrona e observou Emma dormir. Queria se certificar que a loira dormiria bem antes de voltar para seu quarto.
Na manhã seguinte, Regina estava um caco, mas foi a primeira a se levantar para preparar o café da manhã para Emma, já que Henry não estava em casa.
Depois de assar os pães, colocar a mesa, resolveu bater algumas frutas para a vitamina de Emma. Enquanto esperava o líquido ficar pronto, se apoiou no balcão da cozinha e acabou cochilando em pé.
Emma havia acabado de descer e encontrou Regina cambaleando no balcão, prestes a cair. Imediatamente a loira correu até ela e a segurou antes que encontrasse o chão, fazendo-a acordar com o susto.
–Meu Deus, Regina! Você está bem?
Emma segurou a prefeita pela cintura, e antes de acordar, Regina lançou seus braços ao redor do pescoço de Emma. As duas mulheres estavam posicionadas como, ao final de uma uma valsa romântica, quando os casais apaixonados estão prestes a se beijar. Em momento algum Emma soltou Regina ou a colocou de volta em seu eixo.
–Eu acho que eu cochilei enquanto esperava a vitamina.
As duas se olhavam profundamente, como se vissem muito além dos olhos. Emma tinha os olhos esmeraldas, agora bem escuros, fixos nos lábios vermelhos e carnudos da prefeita.
Regina, que olhava profundamente Emma, umedeceu os lábios, como se esperasse o que estava por vir. Elas ficaram em silêncio por alguns segundos que duraram uma eternidade.
Regina não teve coragem de se mover e Emma apenas puxou o corpo leve de Regina para mais perto de si, diminuindo o espaço entre elas.
A distância física que as separava de um beijo era mínima, mas a barreira emocional entre elas ainda deveria ser quebrada. Emma fechou os olhos e seus lábios encontraram com os da prefeita. Não se sabe quem beijou primeiro, simplesmente aconteceu.
–O que você pensa que está fazendo? -Perguntou Regina irritada.
–Eu, eu não sei. Desculpe Regina. Eu pensei que você quisesse.
–Como assim pensou que eu quisesse?
–Eu não sei, Regina! Mas que droga, foi só um beijo, pelo amor de Deus!
–"Foi só um beijo!" "Foi só um beijo!"- Repetia ironicamente.
–Já disse, eu sinto muito.
–Vamos, tome logo sua vitamina que temos que ir fazer o ultrassom.
–Você não vai se sentar para tomar café?
–Não hoje.
Regina deixou Emma sozinha na cozinha e subiu as escadas em direção ao seu quarto. Ela precisou parar para tomar fôlego e tentar se recompor do beijo que trocou com Emma.
Aquilo pegou a prefeita completamente desprevenida, ela simplesmente se deixou levar e agora teria que encarar as consequências de seu ato. Se amaldiçoou mentalmente quando se deu conta que Emma não deu a menor importância para o beijo.
Regina odiou o fato como Emma lidou com a situação, "foi só um beijo". Ela repetia mentalmente a fala da loira a fim de tentar fazer sentido. Não era "só um beijo", era tudo que Regina esperava, era tudo que ela mais queria fazer. E quando finalmente acontece, Emma diz que foi "só um beijo", como se aquele beijo da prefeita tivesse sido igual qualquer outro.
Regina não saía por aí beijando outras pessoas, trocando saliva como se fosse um mero acaso. Um beijo era algo íntimo e a prefeita só reservava esse momento quando soubesse que as duas pessoas estivessem preparadas e, melhor ainda, estivessem seguras de seus atos para aquele momento. Não que a prefeita fosse recatada ou algo assim, claro que ela já saiu com outras pessoas que não tivessem importância nenhuma, mas ela valorizava o beijo, nunca se referiu a algum beijo que deu como "só um beijo".
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