Imagine
6 Eu acho que ela também ama você.
Notas iniciais
–Você não vai falar comigo, Regina?
–Eu estou falando, não estou, Srta Swan?
–Não me venha com "senhorita Swan" agora!
Regina arqueou a sobrancelha e se virou novamente para Emma.
–Essa é a forma a qual eu trato as pessoas que eu não sou íntima.
–Você sabe muito bem o que eu quero dizer.
–Não sei.
–Regina, por favor, você não disse nada durante o ultrassom. A azeitoninha sentiu falta de ouvir sua voz, e quase nem se mexeu. Se bem que agora eu não devo mais chamá-lo de azeitoninha, ele já é um mamãozinho..
–Pare se referir a essa criança nomes horrorosos de comida e escolha logo um nome decente!
Regina estacionou o carro em frente à delegacia para deixar Emma.
–Eu não tive tempo de preparar o seu lanche hoje. Se precisar, me ligue que eu trago alguma coisa para você comer.
–Não se preocupe, eu vou ficar bem.
A loira desceu do carro cabisbaixa, estava visivelmente chateada. Regina olhou para o banco vazio ao seu lado e percebeu que Emma deixou cair a foto do ultrassom que acabou de fazer.
A prefeita pegou a imagem e sorriu.O bebê realmente havia crescido bastante desde a última ultrossonografia.
Ficou olhando para o bebê e imaginando como seria seu rostinho.
Lembrou-se do tamanho minúsculo que os pés terão quando o bebê nascer e do cheirinho gostoso que tem em todo recém nascido.
Acariciou a foto antes de dar um beijinho rápido na imagem.
Naquele minuto, deixou de lado a Regina que tinha que estar no controle de tudo. Já era hora de aceitar seus sentimentos e deixar as lágrimas rolarem. A morena sentiu que sua vida estava uma bagunça e ela não sabia nem como começar a ajeitar.
Ela estava perdidamente apaixonada por Emma e pelo bebê. Isso tudo era muito errado.
–Regina!
Escutou alguém batendo no vidro do carro. Ela só havia parado ali pois precisava daqueles preciosos minutos em silêncio, solidão e lágrimas, mas pelo visto, não os teria.
–Regina, abra a porta!
A morena reconheceu aquela voz sem nem precisar olhar quem era, reconheceria até mesmo no inferno. Ela não queria olhar e encarar
Mary Margareth naquela situação. Se perguntou por que o destino gostava tanto de estragar com a vida dela!
Destrancou as portas e deixou a morena mais nova entrar em seu carro.
–O que você está fazendo parada aqui?
Regina não sabia o que responder. Aquela mulher era enxerida e intrometida, a última coisa que a prefeita queria era ter que dar explicações de sua vida atordoada a Mary Margareth.
–Eu vim deixar Emma. -Respondeu com os olhos molhados.
–Está tudo bem? Por que você está chorando, Regina?
–Não se preocupe! Você quer que eu te deixe em algum lugar já que eu estou indo para a prefeitura?
–Não, obrigada. Eu só vim trazer o lanche que David esqueceu.
Mary tinha o olhar curioso em cima de Regina. Estava preocupada também com Emma. Então olhou ao redor e viu a foto do ultrassom ainda na mão de Regina.
–Esse é o meu neto?- Perguntou emocionada.
Regina confirmou com a cabeça e passou a imagem para que Mary pudesse ver.
–Meu Deus! Como está grande já! Eu nem acredito que Emma já está no quinto mês de gravidez e eu não pude estar presente.
Regina cruzou os braços e afundou a cabeça na direção do carro escondendo seu rosto triste ali no meio, ela apenas ouvia e acentia com a cabeça.
–É por isso que você estava chorando, não é? É por causa do meu neto?
Regina não respondeu.
–Regina, está tudo bem. Eu sei que deve ser difícil para você.
Regina finalmente encarou para os olhos azuis de Mary.
–Como que justamente você pode saber? Sempre teve tudo, você sim, você sempre conseguiu o que queria! Você não sabe nada, Snow!
–Ah, Regina. Eu sei de muitas coisas. Talvez não saiba nada sobre magia, feitiços, portais, etc, mas se tem uma coisa que eu conheço bem é amor. Eu posso reconhecer o amor de longe.
–Ah, sim, lá vem você com essa baboseira de Charming...
Regina limpava as lágrimas e tentava se recompor para ir embora. Ela preferiria se acorrentar num calabouço com um dragão cuspindo fogo do que passar pela aquela tortura de ouvir as histórias de amor dos Charmings. Mary Margareth pareceu ignorar a cutucada de Regina.
–Você a ama, não ama?
Regina arregalou os olhos e sentiu seu rosto corar, ela não estava pronta para dizer nada do que vinha sentindo em voz alta. Era muito confuso para ela tentar lidar com aquilo sozinha, e seria muito pior se tivesse que admitir para alguém, especialmente para Snow White.
–Claro que não. Você enlouqueceu?
Regina se lembrou de observar Emma dormir. A vontade que sentiu de acariciar o rosto da loira e se aninhar na cama com ela.
–Regina... Eu conheço você. Sei que não é fácil fazê-la admitir, mas acredite, é o primeiro passo.
Ela sabia exatamente como se sentia, não precisava admitir nada. Estava apenas aprendendo a começar a aceitar.
–Eu não a amo.
Recordou-se do gosto doce nos lábios de Emma que ainda estavam bem vivos em sua boca. Sentiu vontade de entrar na delegacia e repetir por mais milhões de vezes aquele ato impensado.
Mas recordou-se também da chateação que veio depois, ao constatar que foi "só um beijo" para Emma.
–Eu acho que ela também ama você.
–O que? -Perguntou Regina desconcertada.
A morena repetiu mentalmente as 3 palavras que Emma disse dormindo. Emma disse que a amava. Maldita ilusão! Ela sabia que ter ouvido Emma dizer aquilo, seria usado de alguma maneira contra ela própria. Mas e se fosse verdade? E se Emma a amasse?
Chega! Os olhos já ardiam em lágrimas que Regina insistia em conter para não demonstrar a fraqueza que sentia diante da grandiosidade de seu sentimento. A morena não queria que Mary Margareth a visse fragilizada. O coração pulsava tão forte que Regina achou que iria sair de seu peito. Enfim, ela admitiu para si mesma e Mary Margareth estava ao lado para ouvir a confissão.
–Eu a amo!
Regina não acreditava no que tinha acabado de confessar a Mary Margareth. Ela realmente havia cometido a insanidade de, pela segunda vez, partilhar um segredo importante com Snow White.
–Fique tranquila, eu não vou dizer nada. Mas acho que você deveria dizer a ela ela.
–E o que eu devo dizer? "Emma querida, me passe o sal. Ah, eu amo você!"? -Perguntou irritada, já que reconhecia sua falta de sorte por se apaixonar justamente por uma pessoa que jamais lhe daria esse tipo de espaço em sua vida.
–Eu tenho certeza que você saberá como fazer, Regina.
Henry não estava em casa pela segunda noite consecutiva e Regina já estava começando a se incomodar com aquilo. Não estava na casa dos avós, e nem de Grace, onde costumava ir para fazer os trabalhos da escola.
–Emma, alguma notícia de Henry?
A loira sabia que Henry iria passar a semana na casa de Philipe, só não tinha encontrado a melhor forma de conversar com Regina sobre isso.
Emma tinha que ser muito habilidosa e cuidadosa para não irritar ainda mais a prefeita depois do beijo que trocaram.
–Está na casa de Philipe.-Contou sem alarde.
–E quem é este rapaz? Conhecemos os pais dele?
–Não, não conhecemos os pais, mas eu conheci o garoto outro dia na porta da escola de Henry. Parece um bom menino.
–E por que eu sou a última a saber onde meu filho está?
–Ele me pediu que avisasse a você, mas eu acabei esquecendo.
–Onde você anda com a cabeça para se esquecer de me avisar uma coisa tão importante como essa, Srta Swan?
–Regina, acho que precisamos conversar.
Regina não gostava nada do tom de Emma e sentiu um calafrio subir em suas costas. Será que Mary já havia dado com a língua nos dentes?
–Aconteceu alguma coisa com meu filho, Emma?
–Ei, calma! Está tudo bem com ele.
–Então o que foi?
Emma tentava buscar as palavras certas para contar a Regina que o filho estava namorando e que se tratava de um rapaz. Emma achou melhor dizer de uma só vez.
–Henry está namorando. -A expressão de Regina foi indecifrável para Emma, era uma mistura de choque com raiva. -Com Philipe. -
Terminou de dizer, tirando todo o peso das costas de ser a única a saber daquilo.
A prefeita começou a gargalhar na sala.
–O que foi, Regina?
–Srta Swan, isso é alguma brincadeira de mal gosto?
–É claro que não. Eu não iria brincar com isso.
–E desde quando Henry gosta de garotos? -Perguntou mais para si mesma do que para Emma.
–Me responda, Swan. Desde quando Henry gosta de garotos? -Perguntou num tom de voz bastante elevado.
–Como eu posso saber, ia te fazer a mesma pergunta! Ele me contou há alguns dias, quer dizer, não faz muito tempo.
–A culpa é sua! Se eu não tivesse deixado ele passar tanto tempo com você... -Regina gritava.
A morena estava furiosa e precisava descontar em alguém a sua dor de não ter percebido que o filho era gay, de não ter estado ali para ele, pois provavelmente, ele precisou de apoio e ela não estava lá, simplesmente porque havia falhado também no quesito mãe.
A morena se sentia um lixo. Estava cansada de sempre perder, de sempre ser a ultima a saber das coisas. Estava cansada de amar e amar e amar e nunca ter sido amada.
–O que? Agora você acha que o tempo que Henry passou comigo o tornou gay? Você está de brincadeira, né? -Emma começou a se irritar também.
–Eu estou com cara de quem está brincando por acaso, Srta Swan? Qual outra explicação que você tem? Dentro da minha casa isso jamais aconteceria. Você era a heroína dele e eu era apenas a bruxa má, se lembra? É claro que ele sempre se espelhou em você! -Regina dizia com desdém de Emma.
–O que? Agora é minha culpa que o nosso filho não te contou antes por que não confia em você?
–Meu filho confia em mim! O problema é que ele quer imitar você em tudo!
–Onde você quer chegar com isso?
–A própria mãe dele, isso mesmo, a grande heroína da vida dele, beija outras mulheres como se isso não significasse nada! Você esperava que ele fizesse o que?
Emma ficou chocada com o que escutou, é claro que aquela briga idiota não tinha nada a ver com as opções de Henry. Regina ainda estava furiosa por causa do beijo delas.
A loira ficou muito chateada, como Regina poderia dizer aquelas coisas? Emma pediu desculpas por ter agido de ímpeto, mas aquilo não significava que ela tinha o hábito de beijar mulheres.
–Francamente, você joga sujo.
O fato de Henry gostar de garotos não incomodou Regina, mas ela gostaria de ter sido apresentada ao namorado, assim como Emma foi. Gostaria de ter ouvido a revelação de seu próprio filho e não receber o recado.
A prefeita sabia que nada disso era culpa da loira, mas já era tarde demais para Regina se arrepender do que falou e tentar consertar alguma coisa.
Emma subiu para o seu quarto e deixou Regina sozinha.
A morena esquentou uma lasanha que havia na geladeira mas perdeu o apetite quando foi comer. Ela estava arrasada. Se odiava por ter sido tão idiota.
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