Imagine
19 Foi só um beijo!
Notas iniciais
Regina voltava para a casa preocupada com as consequências que ouviu se caso algo saísse errado, martelavam em sua consciência. Pensou diversas vezes em desistir de trazer a magia de volta, provavelmente os riscos para que isso fosse possível não valeriam a pena.
Os cidadãos de Storybrook não sabiam como seria o processo de trazer a mágia de volta e, como prefeita, Regina não podia causar um caos generalizado na cidade se os fizesse entender o risco que iriam se expor. Por outro lado, ela não poderia simplesmente desitir da ideia sem explicações, agora que todos esperavam por aquilo. Qualquer decisão que tomasse, os riscos eram altos e a prefeita sabia que iriam pedir sua cabeça.
Precisava conversar com Emma e ouvir a opinião dela. A prefeita achava a loira inteligente e gostava de saber o que ela achava das propostas de Regina relacionadas à prefeitura, além do mais, Emma ainda era xerife da cidade e estaria a par da situação de qualquer maneira.
A morena entrou em sua casa e Emma não estava. A prefeita estranhou por não ter nenhuma chamada perdida em seu aparelho celular. A loira não costumava sair sem dizer nada ou sem deixar algum recado avisando para onde ia.
Regina tentou ligar para Henry para saber alguma noticia da loira, e o garoto também não atendeu o telefone.
A prefeita estava com a cabeça quente e realmente sentia que precisava conversar com alguém naquela hora. Queria esvaziar a cabeça das preocupações que sentia. Voltou para seu carro e decidiu dar uma volta pela cidade para ver se alguma boa ideia ou até mesmo uma resposta do que deveria fazer, surgisse durante o trajeto. Enquanto dirigia, a prefeita tentou, várias vezes, ligar no celular de Emma mas o aparelho estava desligado o tempo inteiro.
Regina dirigia rápido pela cidade e sua mente trabalhava na mesma velocidade e, de repente, viu, quando passava próximo ao píer, aquele homem de roupas pretas novamente. Ela tinha certeza que era o mesmo homem que estava no estacionamento do hospital. Instintivamente, virou o carro na primeira rua que conseguiu e deu a volta no quarteirão o mais rápido que pôde. Refez todo o trajeto anterior, com os olhos bem atentos, numa velocidade bastante lenta, na tentativa de ver aquele vulto novamente. Mas não tinha mais ninguém. Aquilo intrigou a prefeita e, dessa vez, ela não estava sob efeito de remédios, não podia estar ficando maluca agora e começar a ter alucinações.
Sempre que Regina pensava na possibilidade de abrir as portas de Storybrook para que todos sejam livres, ela era tomada pelo medo de ter Hook de volta. A morena estava sob pressão intensa nas últimas horas e preferiu atribuir aquela visão ao estresse que sentia naquela noite. Provavelmente sua cabeça cansada projetou aquele vulto para confundir sua atenção e ou desviar o foco do que era realmente importante.
Chacoalhou a cabeça para os lados, tentando esquecer o que viu e depois o que não viu e, seguiu seu caminho sem rumo algum. Passou em frente ao Granny's e, para sua sorte, viu os Charmings ali dentro. Não era exatamente com quem ela queria conversar sobre seus medos e angústias para o futuro, mas eles poderiam ser suficientes para ela naquele momento.
Estacionou seu Mercedes na rua e caminhou até chegar na lanchonete.
–Regina! Como foi a reunião com Blue? Era hoje, não? -Perguntou Mary.
A morena ainda tinha mais essa desconfiança para lidar, Mary Margareth nunca havia se interessado tanto pelos assuntos da prefeitura como nos últimos dias. Nem mesmo quando precisou se interessar, quando assumiu a prefeitura em seu lugar, Mary implorou pela volta de Regina ao cargo. Agora a volta da magia para Storybrook e tudo que envolvesse o assunto estava sendo o maior interesse da mulher mais nova. Mary chegou a ligar para Regina para perguntar como exatamente aquilo aconteceria, tamanha sua ansiedade.
–Sim, Mary, me reuni com Blue mais cedo e posso afirmar que foi tudo bem. O plano já está traçado. -Respondeu vagamente.
–Ahn.. Fico feliz! Quando vocês pretendem fazer isso?
–Eu não sei exatamente, depende do serviço dos anões. Por que tanto interesse?
–Nada... Ainda é só curiosidade!
Regina concordou com a cabeça e pegou o cardápio para escolher alguma coisa para beber. Sua ideia de contar com eles para uma ajuda ou uma opinião sobre o que fazer, acabava de ir por água baixo. David talvez teria algo a acrescentar para ajudar Regina, mas ela não confiava em Mary até que descobrisse exatamente o que ela estava planejando, portanto, tampouco poderia dizer algo para David.
–Regina, nós já vamos. Estávamos de saída, está tarde e Neal esta com Bella até agora! Nos falamos amanhã, ok? Mande um beijo para Emma!
A prefeita queria tanto que Emma lhe dissesse o que fazer. Regina queria que Emma estivesse ali naquele momento e até pensou em perguntar se David e Mary tinham notícias de Emma, mas não quis parecer relapsa e achou melhor não dizer que não fazia ideia onde a loira se meteu. Tentou, mais uma vez, chamar o celular de Emma e quando ouviu a caixa postal do celular da loira, resolveu deixar um recado.
–Emma.. Oi! Eu só estou ligando para avisar que eu dei uma saída. Quer dizer, eu estou no Granny's. -Se arrependeu imediatamente do que falou, Emma associava o Granny's a Ruby e, mesmo sem dizer uma só palavra, Regina notava como Ruby incomodava Emma. -... Seus pais também estavam aqui comigo... -Disse tentando passar confiança, e percebeu o ato falho que cometeu falando no passado, o que significaria que agora ela estava sozinha lá. Não era mentira, ela estava mesmo sozinha, mas não queria que Emma pensasse bobagens. -... Bom, de qualquer maneira, onde você se meteu? Me liga quando pegar o recado!
Regina desligou o aparelho e se sentiu uma idiota. Mas que raios ela estava falando? Se ela pudesse, teria delatado a mensagem estupida que deixou. Lamentou.
–Whisky prefeita? -Perguntou Ruby se debruçando sob a sua mesa.
–Não, Srta Lucas, agradeço mas hoje eu não vou beber whisky.
–Já sei! Você prefere um orgasmo na balada, certo!?-Provocou a garçonete num tom carregado de malícias.
A prefeita levou alguns segundos para entender o que a mulher disse e esforçou-se para lembrar que aquele era o nome da maldita bebida que tomou antes de beijar Ruby no Habbit Role.
–Não, Srta Lucas. Aquela bebida, certamente, não foi feita para pessoas como eu. Pode me trazer uma cerveja, por favor!
–Wow! Gostei de ver, prefeita! Acho que eu nunca vi você tomar cerveja.
A morena realmente não tomava cerveja desde antes de adotar Henry. Na verdade, ela não tomava nada derivado de cevada, se considerava refinada demais para isso. Regina era, ainda, acostumada aos costumes de rainha. Ela se portava como tal e fazia questão de não deixar a pompa cair em hipótese nenhuma. As vezes ela se cansava de se conter o tempo inteiro mas era assim que fora criada por sua mãe e não sabia ser diferente.
–Aqui está sua cerveja. Se eu não estivesse trabalhando, com certeza tomaria uma com você!
–Eu não me lembro de ter feito o convite! -Respondeu secamente.
Ruby ficou um pouco jeito com a resposta de Regina mas a garçonete não se deixava intimidar por palavras, Ruby era uma menina ousada que não temia ir atrás do que queria, sua personalidade fácil era uma afronta para a contida de Regina.
A garçonete respirou fundo e se juntou à mesa. A prefeita lançou um olhar irritado e sem paciência para que Ruby saísse dali.
–Qual é, Regina? -Perguntou baixinho Ruby. -Outro dia mesmo a gente se beijou e agora você me trata desse jeito?
Regina estava de cabeça quente e não estava em seus planos lidar com a carência de Ruby. Na verdade, Ruby não significava nada para ela e pouco importava se a garçonete estava esperando uma ligação até hoje ou um anel de noivado, ela não teria nenhum dos dois. Aquele beijo foi uma das coisas mais estupidas que Regina já havia feito e se arrependia amargamente por ter feito aquilo. Se deu conta que também não poderia mais frequentar a única lanchonete da cidade por causa de Ruby.
–Srta Lucas, será que você não vê? -Perguntou completamente irritada e sem pensar muito. -Foi só um beijo!
Assim que terminou de falar, se deu conta. "Foi só um beijo." Ela não deveria ter dito isso, justamente ela, que não beijava as pessoas e dizia que era só um beijo como se fosse qualquer coisa. Normalmente, os beijos de Regina tinham alguma importância. Mas aquele, realmente não teve importância nenhuma para a morena, a não ser a dor de cabeça que causou com Emma, e Regina acabava de deixar isso bem claro. Exatamente como Emma fez com ela.
Regina teve a confirmação, vinda dela própria, que, aquele dia, foi realmente só um beijo sem importância para Emma também. Além de irritada, Regina ficou triste com a constatação.
Ruby se levantou da mesa e voltou para o seu balcão. Exatamente a mesma atitude de Regina alguns meses atrás. Ruby provavelmente estaria chateada e triste também, ela era só uma menina e não merecia ouvir as palavras de Regina. Já era tarde demais para voltar atrás.
Depois de algumas cervejas a mais, Regina não podia dizer que estava sóbria. A morena não se intimidou em chamar Ruby outras vezes para anotar e trazer os seus pedidos. A garçonete fez questão de ir e voltar da mesa da morena com o nariz apontado para o teto.
A prefeita estava tendo um dia difícil e não tinha companhia para poder conversar então preferiu, uma única vez, deixar de se controlar tanto e beber cerveja até não aguentasse mais. E depois da segunda garrafa, Regina já não achava mais que aquele tipo de bebida não fosse adequado para uma rainha como ela, muito pelo contrário, a cerveja se tornou uma ótima opção .
A morena precisou ir ao banheiro diversas vezes. Regina detestava banheiros públicos, mas naquela noite, isso não tinha a menor importância. A morena estava lavando as mãos no banheiro da lanchonete, ainda bastante embriagada, observava com dificuldade a sua imagem refletida no espelho. Seus reflexos estavam lentos e alterados, a morena sentia seu corpo sendo puxado para um lado e depois para o outro. No começo achou a sensação de embriaguez divertida, depois começou a se irritar, até que, ao final se sentiu enjoada. O vai e vem de Regina foi interrompido por um puxão violento e quando a morena se deu por si, suas costas estavam coladas contra a parede fria do banheiro e, a sua frente, um corpo a apertava enquanto sentia uma língua explorando o interior da sua boca. De olhos ainda fechados, pedia mentalmente para que quando os abrisse, por favor, que Emma estivesse a sua frente.
E então, lentamente, abriu um olho e depois o outro. Forçou para conseguir focar a imagem, e finalmente viu a loira, que não saia de seus pensamentos, ali na sua frente. Emma encarava Regina por trás dos ombros de Ruby, que era quem, de fato, beijava Regina.
Assim que Emma soube que Regina a viu ali, se virou e caminhou, em passos largos, para fora da lanchonete. Regina, ainda com Ruby em seus braços, tirou os braços da morena de sua cintura e a atirou para longe, desesperada, correu atrás da loira.
**** 6/7 MESES ANTES***
A hora corria e Hook tinha apenas uma última hora para executar seu plano e não havia encontrado Emma em nenhum lugar. Não estava nos planos do capitão o incidente com os pais da loira, fazendo com que ele se atrasasse ainda mais.
Maldita hora que Emma não atendia o aparelho celular, o capitão não entendia porque ela havia lhe dado um daqueles se não servia de nada.
Hook não tinha um plano B ou algo do tipo, em caso da sua ideia principal falhar, ele apenas contava com o seu plano A e a confiança que sentia no amor de Emma.
O moreno olhava ao redor para garantir que não estava sendo seguido mais uma vez, e começou a suar frio ao ver Storybrook vazia, nenhum sinal de Emma ou Regina. Ele ainda tinha que lidar a mão descontrolada, que parecia não só ter vida própria, mas também interferia no humor dele, deixando-o completamente fora de si, irritado e distraído. A ideia de ficar com aquela mão para sempre, era aterrorizante para o capitão, ele não queria mais aquele membro estranho, preferia ter seu gancho de volta, nem que para isso, ele mesmo tivesse que cortá-la fora. Mas confiava que se chegasse onde Gold explicou, suas mãos ficariam exatamente iguais, como disse, por isso ainda não tinha resolvido, ele mesmo, aquele infortúnio.
Quando estava quase desistindo de buscar por Emma, Hook foi para o píer, dar uma última olhada em seu navio antes de partir. Precisava olhá-lo para tomar a maior decisão de sua vida: se seguiria seu caminho com Jolly Roger ou se seria ao lado de Emma Swan que passaria o resto de sua vida. E, antes que pudesse se sentar e apreciar o navio, avistou Mary chegando esbaforida no píer. Sua mão descontrolada sentiu vontade de estrangular a mulher simplesmente por atrapalhar interrompendo seu momento.
–Hook! -Respirou cansada. -Você não pode levar Emma embora daqui! Quer dizer, ela não pode ir.
Mary sempre preferiu tentar a velha e boa conversa ao invés de partir para o embate. Nunca funcionava com Regina, mas talvez o capitão fosse mais complacente do que sua madrasta costumava ser. De qualquer maneira, diferente de seu marido, essa era a única forma que Mary sabia resolver algum problema, conversando.
–Eu não quero mais ficar em Storybrook! Eu sou um capitão e meu lugar é navegando no oceano. Essa terra nunca foi para mim!
–Olha Killian, eu entendo isso. Eu também sinto falta de muitas coisas do nosso reino, mas nós podemos nos acostumar com essa vida também, há muitas coisas boas por aqui, você não acha? Eu me acostumei com a vida aqui e até posso dizer que gosto.
–Mas eu não sou como você! -Gritou sem paciência para escutar o que a mulher dizia. -Eu não posso mais fazer isso, e Emma não vai poder ir comigo, eu vou nem que seja sozinho!
–Killian, você deve conversar com Emma antes e,..
O homem se descontrolou, mais uma vez ,e puxou Mary de onde estava, antes que pudesse terminar de dizer, e a atirou com violência contra o asfalto.
–Não tente me impedir!
***FIM DO FLASHBACK ****
–Emma! Por favor, me escute!
–O que foi, Regina?
Emma parou em frente à seu fusca amarelo estacionado na porta da lanchonete e Regina finalmente conseguiu alcançá-la.
–Eu... Eu... -A morena nem sabia o que dizer. Ela olhava para Emma grávida, parada ali na sua frente esperando que ela lhe desse alguma resposta e ela simplesmente não tinha uma para dar.
–Você bebeu? -Emma perguntou ainda mais irritada.
A morena abaixou a cabeça e fez sinal afirmativo. Abriu sua bolsa e entregou as chaves do carro para Emma, sabia que ela as tomaria de qualquer jeito. Dessa vez, Regina não iria resistir e discutir com a loira.
–Ótimo! Agora você vá a pé para casa! -Disse Emma. -Ou peça para dormir na pensão da vovó, com certeza, estará em ótima companhia lá.
Regina não queria brigar, ela apenas queria ter alguma coisa para poder dizer para Emma. Elas não tinham um relacionamento, afinal de contas. Cobranças estava nas regras que haviam estabelecido, por que Emma estava fazendo um escândalo por causa de um beijo? A morena se lembrou que tentou ligar para Emma, não uma ou duas vezes, mas sim, muitas vezes. A loira não atendeu. E graças ao recado de voz que deixou que Emma soube onde Regina estaria.
–Ei, e você? Onde você estava? -Perguntou.
–Estava esperando mesmo essa pergunta, Regina. -Ironizou. -Você quer saber onde eu estava? -Perguntou Emma com os braços cruzados a sua frente.
–Eu imagino que deveria estar em algum lugar muito urgente que você não se deu o trabalho de me deixar uma porcaria de um recado! -Gritou Regina.
–Era um lugar importante mesmo! -Emma gritou ainda mais do que Regina. -Eu estava na merda do curso de gestante que você prometeu que ia comigo! Eu fiquei um tempão esperando você aparecer por lá! Quando eu sai, peguei seu recado e percebi que você tinha esquecido, eu estava muito brava com você, mas muito mesmo, por ter me feito fazer aquele curso sozinha, mas, mesmo assim, eu vim até aqui te encontrar para jantarmos juntas!
O curso de gestante! Era por isso que Emma estava descontrolada, não tinha nada a ver com o beijo que presenciou. Regina suspirou. A morena havia marcado a data do curso e prometeu que faria aquilo junto com Emma. A loira não queria ir, mas Regina achou que seria uma boa ideia para que ela aprendesse algumas coisas sobre a gravidez, as mudanças no corpo e se sentisse mais confiante para o parto e a chegada da criança. Conseguiu convencer Emma a ir só porque ela não teria que fazer aquilo sozinha.
Regina não tinha argumentos, aquela era uma briga perdida para ela. Era melhor que se calasse e tentasse, de algum jeito, consertar aquela noite horrorosa.
–Emma... Eu.. Eu sinto muito por ter esquecido do curso! Eu tive um dia difícil hoje, se você soubesse..
–Eu imagino, visto que você veio atrás de uma maneira de relaxar do seu dia extremamente difícil! -Emma estava furiosa.
Regina nunca tinha visto a loira daquele jeito antes. Emma mordia o maxilar com força e tinha o rosto todo vermelho de raiva, seus olhos estavam mais escuros e ameaçadores, saltando para fora do globo ocular.
Emma era sempre tão doce e carinhosa que vê-la naquele estado era intimidador até mesmo para Regina.
–Por favor, fique calma! O patinho... -Lembrou. -Você não pode ficar tão nervosa! -Pediu Regina de forma carinhosa. -Vamos embora para casa?
–Não! -Respondeu Emma sem olhá-la diretamente nos olhos. -Você vai para a sua casa e eu não vou para lá hoje.
Regina sentiu um mal estar, talvez fosse a bebida exagerada fazendo efeito, ou talvez fosse a reação para o que ouviu de Emma. A prefeita não conseguiria passar uma noite sem saber que Emma estaria no quarto ao lado, especialmente não naquela noite com a loira tão brava com ela.
–Vem, eu vou levar você para casa, você não tem nem condições de ir a pé sozinha! -Disse Emma bufando de raiva.
O caminho no carro foi silencioso. Emma dirigia seu fusca e não olhava para o lado. Regina, no banco do passageiro, sentia seu estômago embrulhar cada vez que o fusca chacoalhava. Precisou segurar firme para não vomitar ali dentro. Naquele trajeto, fez uma promessa para si mesma que nunca mais iria beber cerveja, que, de fato, percebeu que era muito refinada para isso.
–Emma..
–Entre, Regina. -Cortou.
–Eu... É..
A loira estava em pé, de frente para a porta aberta do passageiro esperando Regina, que ainda não havia levantado do banco.
–Regina, por favor! Eu estou cansada. Entre na sua casa.
–Onde você vai dormir?
Antes que Emma pudesse responder qualquer coisa, Regina atirou metade de seu corpo para fora do carro e, sem conseguir segurar mais, vomitou quase que nos pés da loira.
–Regina! -Gritou Emma!
A loira prontamente segurou o cabelo da morena para trás, para não correr o risco de sujá-lo. A prefeita não estava nada bem.
–Desculpe.. Eu.. -Tentou explicar alguma coisa.
–Vem, eu vou levar você até seu quarto.- Disse Emma.
Emma ainda estava brava, mas deixou a irritação de lado para poder cuidar da morena. Com cuidado, passou os braços nas costas de Regina e a puxou para fora do carro. Emma deu o apoio necessário para que a morena conseguisse chegar segura em seu quarto. Regina agradeceu mentalmente o fato de Henry não estar lá para vê-la naquele estado.
Emma a colocou sentada em sua cama e foi até o banheiro. A morena ouviu quando ela ligou a banheira.
–Vamos, você precisa tomar um banho. -Disse.
–Não, está tudo bem. Você pode ir agora, se quiser.
–Regina, não me irrite ainda mais. Vem logo, tire essa roupa.
Regina não queria se despir na frente de Emma. Não que fosse alguma novidade para a loira o que havia por baixo das suas roupas, mas de qualquer forma, a morena não se sentia confortável naquela situação. Arrancou os sapatos com os pés e os atirou longe. Ainda sentada em sua cama, desabotoou, com dificuldade, seu terno escuro e passou um braço seguido do outro até que ele caísse em sua cama. Regina olhou para Emma que a encarava de braços cruzados.
A loira, impaciente, se ajoelhou diante da morena e colocou a mão por baixo de sua saia até alcançar a barra de sua meia calça na cintura. Regina sentiu um arrepio com as mãos de Emma tão próximas de seu corpo. A loira então puxou de uma só vez a meia calça da morena, trazendo junto à sua calcinha. A morena só se deu conta que estava sem a peça quando a viu em cima da poltrona.
–A saia! -Disse Emma. -É de zíper. -Regina confirmou com a cabeça. -Se levante que eu abro. -Pediu.
Regina obedeceu Emma. Cruzou seus braços na nuca da loira e levantou seu corpo para fora da cama. Com o movimento, suas pernas não foram firmes o suficiente para segurá-la e seu corpo caiu em cima de Emma que a agarrou a cintiura com firmeza para que não a deixasse cair no chão.
Emma desceu o zíper da saia que vestia e imediatamente a peça solta escorregou de seu corpo.
–A sua blusa agora!-Disse Emma.
Regina vestia uma de suas camisa de botões e sabia que não conseguiria abrí-los. Emma suspirou e olhou nos olhos de Regina, que estava a poucos centímetros dos dela, e balançou sua cabeça de um lado para o outro.
Sem desviar o olhar da morena que tinha os braços em volta da sua nuca, Emma abriu o primeiro botão da camisa de Regina, e então o segundo e terceiro. As duas se encaravam e a loira não parecia mais estar tão brava como antes. Com metade da camisa de Regina já aberta, Emma puxou a barra da peça para cima e a passou pela cabeça, deixando a prefeita totalmente nua na sua frente.
Durante a intensa troca de olhares, a morena sentiu o polegar de Emma acariciando a sua pele em leves movimentos circulares, sem que ela movesse sua mão de onde estava.
Regina sentiu vontade de beijá-la e fazer amor com Emma. Aqueles olhos verdes a encaravam e as mãos estavam firmes em sua cintura. Seus rostos estavam muito próximos e bastava um pequeno passo e Regina alcançaria os lábios de Emma e mataria sua vontade reprimida.
–Vem Regina. -Disse com calma. -Eu devo te colocar no banho agora.
****
A prefeita estava com os cabelos molhados e emaranhados sem pentear, vestia sua camisola já e Emma terminava de cobrir seu corpo com o lençol.
–Emma. -Chamou. -Fique.
–Eu não posso, Regina. Eu.. Eu vou para o meu quarto.
Regina preferiu não questionar a mudança de planos da loira, estava feliz por Emma decidir não passar a noite fora.
–Por favor! -Pediu. -Não me deixe aqui sozinha!
–Eu não consigo fazer isso... Não hoje.
Emma já estava calma e não parecia sentir raiva de Regina, parecia triste. Regina se sentou na cama e pegou na mão da loira.
–Durma comigo!
Emma suspirou alto e soltou sua mão da mão de Regina.
–Com licença...- Disse e caminhou para fora do quarto.
Regina não sentia mais o efeito do álcool em seu corpo e o baque da realidade começou a aparecer. A morena afundou sua cabeça no travesseiro e chorou.
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