Imagine

27 Essa menina é especial!


Notas iniciais
Ain gente mais linda (q eu não conheço, mas acredito que todas as minhas leitoras sejam lindas) meu coração, que já é fraco, hj se derreteu com mais uma recomendação maravilhosa! Obrigada Aline Swan Mills, hoje o capítulo é dedicado a você! Espero que vcs gostem da explicação de como Regina é a mãe da Patinha! Se ficarem com dúvidas, podem perguntar tb! Acho que já somos todos uma família, não é? Se quiserem, me adc no tt para falarmos sobre a fic ou qualquer outro assunto @liliporai Amo vocês e obrigada por tanto carinho! BjO


–Emerald, minha bebê mais adorável! -Disse Zelena acariciando sua filha. -Robin! Venha aqui!

–O que foi, Zelena? -Respondeu o ladrão com uma aparência cansada, segurando uma lanterna fornecida pelo hospital para que pudessem, ao menos, iluminar o quarto.

–Segure Emerald um pouco, eu preciso me levantar dessa cama, estou cansada de ficar aqui deitada o tempo todo, acho que vou visitar minha irmãzinha no quarto ao lado... -Provocou a ruiva.

–Não, você não precisa fazer isso. Deixe elas em paz.. -Disse pegando a filha dos braços de Zelena enquanto a ruiva se apoiava para levantar da cama.

–Você ainda defende ela, Robin? -Perguntou manhosa. -Eu te dei um filho, esqueceu? E olhe como é linda, Emerald é perfeita.

–Com certeza ela é, Zelena! Saiba que eu não estou defendendo Regina, só acho que devemos deixá-la em paz, afinal ela me liberou para estar aqui com você!

–Hunf! -Deu de ombros. -Não fez mais do que a obrigação dela. Robin, Regina está com Emma agora, ela nunca amou você, benzinho!

O loiro se calou pois, além de não querer discutir com a ruiva, no fundo ele também sempre soube que havia algo de errado na relação que ele teve com Regina, alguma coisa sempre impediu que a morena se entregasse completamente a ele. Em alguns momentos, Robin acreditou que Regina só era uma mulher insegura que sofreu muito no passado, mas hoje ele vê que o motivo da falta de entrega sempre foi a loira que ela costumava dizer que a irritava.

–Amor? Acho que precisamos trocar Emerald!

–Você me chamou de amor? -Perguntou Zelena sorridente.

O loiro levantou o vestidinho verde que sua filha vestia para cheirar sua fralda e se certificar que precisariam da ajuda da enfermeira para a primeira troca de fraldas. Zelena observava atentamente o que Robin fazia, e então a ruiva se deu conta em algo inusitado nas costas da sua filha.

–Robin, levante o vestido dela para mim novamente!

–O que aconteceu? O que ela tem?

–Vamos, anda logo! -Pediu impaciente.

Assim que Robin subiu a roupinha de Emerald, Zelena não podia acreditar no que estava vendo. A sua filha tinha a mesma mancha de nascimento que a dela, no mesmo local. Uma macha de tom claro, quase imperceptível, com o formato de uma fruta arredondada e suas bordas levemente curvadas.

–O que há de errado com ela, Zelena? Por Deus, me fale!

–Veja! -Apontou a manchinha na criança e Robin pareceu não entender qual era o problema em uma pequena mancha comum, ele mesmo tinha algumas escondidas em seu corpo. -Agora, olhe nas minhas costas! -Pediu.

Robin ajudou Zelena a abrir o avental de hospital que vestia e ficou atônico com o que viu. As manchas eram exatamente iguais. O loiro voltou a checar a mancha de sua filha e, mais uma vez a de Zelena e, então, teve certeza de que se tratava de manchas idênticas.

–Incrível Zelena! -Constatou abismado.- Deve ser hereditário!

–Hm...Talvez...Mas eu não sei se meus pais tinham uma mancha, minha querida irmã roubou tudo de mim, se esqueceu?

–Amor, eu não conheci Cora, mas posso lhe assegurar que Regina tem essa mesma mancha no mesmo local também!

********

Regina caminhava com Henry ao seu lado em passos firmes no escuro pelos corredores da maternidade em direção ao quarto de Emma. Nervosa, pensou em como tentaria explicar para a loira o que estava acontecendo sem que ela se apavorasse completamente e resolvesse sair dali para buscar a filha. Regina faria isso por ela, a morena ansiava pelo coração do capitão sendo esmagado por suas mãos há muito tempo.

A volta da magia em Storybrook mexeu com os sentidos da prefeita, talvez fosse a falta dela durante esses anos todos que quase a fez lançar bolas de fogo dentro da maternidade contra uma pobre enfermeira desavisada e, se não fosse por Emerald ter apagado as luzes da cidade, provavelmente a enfermeira estaria carbonizada. Regina estava realmente disposta a qualquer coisa para resgatar a sua menininha das mãos de Hook e buscaria ele até o inferno se fosse necessário. Seus velhos tempos de rainha má estavam de volta e Henry parecia assustado com a fúria de sua mãe.

–Mãe, você enlouqueceu? Quase matou aquela enfermeira!

–Ela merecia mesmo a morte... A morte não Henry, ela merecia coisa pior!

–E agora? O que você vai fazer?

–Não queira nem saber! -Respondeu rangendo os dentes de raiva.

–Você está me assustando, mãe! Está tudo bem com você?

–Não se preocupe comigo, Henry! Agora eu preciso que você fique com a sua mãe e não saia de perto dela enquanto eu vou atrás daquele imbecil para trazer sua irmã de volta!

–T-Tá! -Respondeu Henry se tremendo de medo.

Henry tocou a maçaneta da porta do quarto de Emma e, silenciosamente, girou o objeto até que a porta se abrisse, revelando Emma, no escuro, dormindo tranquilamente, para o alívio de Regina que não precisaria dar explicações a loira naquele instante.

–E agora, mãe? Ela está dormindo! O que eu devo fazer? -Cochichou.

–Você vai ficar aqui com ela e não vai sair de jeito nenhum e se qualquer pessoa aparecer aqui, você deve me ligar, ouviu?

O garoto balançou a cabeça positivamente para a sua mãe, ele iria obedecer o que ela havia mandado. Antes de Regina desaparecer em sua fumaça, Henry a chamou pela última vez.

–Eu estou feliz... Por vocês, sabe? Eu sempre soube que vocês ficariam juntas!

–Eu realmente a amo, filho! Eu amo tanto sua mãe, você e sua irmã que eu não sei nem o que eu sou capaz de fazer para protegê-los!

–Mãe... -Alertou Henry. -Foi uma longa caminhada para você chegar aqui, por favor, não faça nenhuma besteira!

–Já disse que não se preocupe comigo, eu apenas vou me certificar de trazer sua irmã de volta!

–Eu te amo, mãe!

Regina desapareceu em sua fumaça roxa se concentrando exclusivamente no amor que sentia pela bebê que desejava encontrar.

****

O temporal estava forte e os trovões e raios não pararam de cair do céu, obrigando Mary a se esquivar cada vez mais da chuva que a molhava. David se aproximava dirigindo seu veículo e conseguiu ver sua esposa do lado de fora da loja de Gold sendo encharcada pela chuva forte.

O príncipe parou o carro e sinalizou com os faróis chamando a atenção da morena que, com bastante dificuldade, conseguiu reconhecê-lo parado para que ela entrasse no carro e se sentiu aliviada por vê-lo bem, finalmente.

–Regina? -Pulou Mary ao se deparar com a prefeita simplesmente aparecendo na sua frente.-Quase morro do coração! Como veio parar aqui?

–Vamos entrar no carro ou você quer ficar aqui tomando chuva para sempre?

As duas entraram no carro de David. Mary beijou o marido com entusiasmo para cumprimentá-lo, fazendo Regina revirar os olhos no banco de trás.

–Ei, vocês dois! Basta! -Disse Regina constrangida. -O que estão fazendo aqui?

–Regina, Hook... Ele... -Mary nervosa, tentava buscar palavras para contar para a morena ainda sobre a volta de Hook.

–Ele está em Storybrook, Regina! -Finalizou David num golpe só.

–E agora me digam algo que eu ainda não saiba! -Resmungou. -Vocês sumiram e, francamente Mary, você ficou o dia todo fora, e descobriram só isso que eu mesma fui capaz de descobrir sem ter que sair do hospital?

Regina estava inconformada que os dois haviam desaparecido e não falaram o que estava acontecendo. Eles deveriam ter confiado nela nessa altura, ela já havia dado provas suficientes que não era mais a mesma pessoa do passado. Ela amava Emma e daria sua vida se fosse preciso para salvá-la.

–Regina, sinto muito por não falar nada antes é que... Espera! Você já sabe?-Perguntou Mary assustada quando associou as palavras da prefeita.

–É claro que eu sei!

–E o que você está fazendo aqui, Regina? -Questionou David desconfiado.

–O mesmo que vocês deveriam estar fazendo. -Regina não queria contar tudo que sabia, até que o casal revelasse o que estava escondendo. A prefeita sabia exatamente como jogar com eles para que eles falassem.

–Certo, então eu acho que devemos entrar e falar com Gold, vocês concordam? -Perguntou David.

Regina estava curiosa, tentando entender porque eles estavam tentando bolar um plano para entrar na loja de penhores.

–David... Eu não sei... Pode ser perigoso agora que a magia voltou.. O que você acha Regina, devemos colocar Gold contra a parede e forçá-lo a...? -Mary não teve coragem de dizer o restante da frase, mas a sua vontade era de forçar o feiticeiro a desfazer todo o acordo, esquecer aquilo, nem que para isso ela própria ficasse devendo um favor para Gold.

–Mas que raios vocês estão falando? Por que vamos perder tempo com Gold se estamos procurando por Hook com a criança?

O casal pareceu aterrorizado com a nova informação. Eles não podiam imaginar que Hook já havia conseguido pegar a criança. Mais do que nunca, eles precisavam tomar uma atitude.

–Nós não podemos mais perder tempo, vamos! -Disse David.

–Vamos para onde? O que vocês estão fazendo?

David trocou um olhar confidente com Mary, já era hora de falar a verdade para Regina. Eles não conseguiriam enfrentar Gold sem a ajuda de seus poderes mágicos de qualquer maneira.

–Regina... Hook fez um acordo com Gold!

Regina arqueou a sobrancelha para Mary.

–E esse acordo envolvia a minha neta. -Disse David.

–Oh! Eu ganhei uma neta? -Interrompeu Mary emocionada, quase se esquecendo do perigo que a criança estava correndo nas mãos de Gold.

–Basta, Mary! Isso não é hora de passarinhos e flores... Fale de uma vez, David! -Regina só precisava ouvir a confirmação do que já estava imaginando.

–Tudo bem, amor. -David colocou a mão nas pernas da morena que estava no banco do passageiro e voltou sua atenção para Regina. -Hook prometeu entregar seu primeiro filho para Gold em troca do Jolly Roger e, aparentemente, aquela mão também fazia parte do acordo. -Finalmente falou.

–Desgraçado! -Rosnou Regina. -Desde quando vocês sabem de tudo isso? Vocês só podem ter enlouquecido achando que enfrentariam Gold sem a minha ajuda, porque não me contaram antes? -Perguntou Regina revoltada. A morena não estava nada calma e seu coração saltava fora do peito, sua vontade era de matar Gold por propor um acordo daqueles, e quanto Hook, a prefeita queria transformar em alguma coisa que ela pudesse pisar em cima e esmagar.

–Sabemos desde... Desde sempre, eu acho. Por isso expulsamos Hook! Regina nós achamos que se Emma não soubesse... Se Hook estivesse fora da cidade... Eu não sei! -Mary tentou explicar suas razões já com a voz embargada e o desespero aparente.

–Chega!- Gritou. -Vocês são dois idiotas! Não conhecem Gold? O acordo só não teria valor se vocês tivessem matado o pirata miserável, mas já que vocês deixaram esse imbecil com vida, eu mesma terei o prazer de pisar em sua cabeça.

–Não, Regina! Nós vamos resolver isso de outra maneira, vamos pensar juntos e..

–E o que Mary?- Interrompeu Regina de forma irônica. -

Enquanto estamos aqui batendo papo, esses dois idiotas estão com a minha filha lá dentro fazendo sabe-se lá o que. Eu estou indo!

–Sua filha? -Perguntou Mary.

Regina ignorou, ela mal pensou no que estava dizendo e, mesmo não querendo deixar suas emoções transparecerem, ela deixou escapar que já considerava a criança sua filha.

–Vocês estão esperando o que?

Os Charmings queriam bolar um plano melhor do que invadir a loja de penhores e resgatar a criança, eles sabiam que seria perigoso até mesmo para Regina. O casal não deixou de perceber o quanto a prefeita estava irada, e eles só a viram daquela maneira quando a mulher foi apelidada de rainha má pelas atrocidades que costumava cometer. Em sua época imperiosa, Regina não permitia que ninguém entrasse em seu caminho, agia de forma impetuosa e destemida, exatamente como estava agindo naquele momento e os Charmings temiam que a morena não conseguisse se controlar e fosse responsável por uma tragédia.

A morena estava decidida a não esperar nem mais um minuto esperando o casal se decidir e desceu do carro, caminhou sob a chuva sem se importar se ficaria molhada e foi até a porta da loja de penhores, torceu sua mão e a porta magicamente se abriu para que ela entrasse.

Regina estava ciente que não sentia tamanha raiva desde do tempo que ainda era a rainha da Floresta Encantada. A morena sabia exatamente o que estava fazendo ali e mais, sabia exatamente como recuperar a sua filha, estava disposta a matar sem misericórdia quem tentasse impedí-la.

–Rumplestilkin! -Gritou rangendo os dentes de raiva assim que colocou o pé dentro do local.
Hook foi o primeiro a aparecer em frente à antiga rainha e, Regina sem hesitar, o atirou contra a parede oposta onde ele estava apenas com o estalar os dedos, sem se dar o trabalho de olhar para o pirata. Seu olhar era fixo adiante e refletia toda a fúria que sentia por terem lhe tirado a garota. Enquanto não pegasse sua filha nos braços, Regina não sairia daquela loja.

A prefeita seguiu adiante em passos firmes e largos, deixando Hook amarrado na parede sendo sufocado por seus poderes mágicos agonizando pela sua vida. A morena nem se incomodou em exterminar Hook naquele instante, queria fazê-lo sufocar até que sentisse suas entranhas queimando por dentro com a falta do ar, queria que ele caísse desacordado antes de pisar no capitão. Não virou para assistir a cena porque, naquele momento, ela buscava o grande armador do circo, Gold.

Destemida, Regina chamou mais uma vez o feiticeiro pelo nome que atendia na floresta encantada, em referencia aos velhos hábitos e acordos que o homem costumava fazer em seu tempo mais ativo na forma de Dark One.

–Dearie, eu estava mesmo esperando sua visita! -Ironizou Gold, enfezando ainda mais Regina. -Oh! O que você fez com o capitão? -Perguntou ao se deparar com o homem atrás dela grudado contra a parede sacudindo os braços por socorro. Gold sorriu e ignorou o que viu.

–Onde está a menina?

–Calma, você sabe que as coisas não funcionam assim, Regina.

–Eu sei exatamente como elas funcionam, Rumplestilkin! -A morena torceu a mão e uma das prateleiras cheias de coisas antigas foi para o chão, quebrando todos os objetos causando um estrondo no local. -Onde ela está? -Perguntou olhando ao redor e buscando algum vestígio da criança.

O barulho dos objetos quebrando despertou a bebê que estava escondida na sala de trás da loja, onde Gold costumava usar como escritório e Regina conseguiu ouví-la chorar, identificando exatamente o lugar que ela estava. A morena caminhou em direção à porta de onde vinha o choro, mas foi impedida por Gold se colocando no caminho.

–Você não tem permissão para entrar ali!

–Saia da minha frente, Gold! Eu vou pegar a menina e farei imediatamente!

–Essa criança agora é minha, Hook me pagou a sua parte do acordo! -Blefou. Gold já sabia que a garota não era filha do capitão, e que, portanto não poderia ficar com aquela criança porque ela não fazia parte do acordo, mas não queria perder a oportunidade de ter em suas mãos um bebê tão poderoso como aquele.

Desde que nasceu, Gold nunca tinha lido ou ouvido falar de nenhum ser que nascesse mágico como aconteceu com aquela criança que ele teve a oportunidade de pegar. O feiticeiro fez o acordo com Hook para poder ter em mãos a filha da salvadora que, por si só, já carregava um grande título, e provavelmente, se bem instruída, seria uma bruxa muito poderosa, mas não imaginava que os poderes da garotinha, ainda recém nascida, seriam tão grandes. Aquele bebê foi capaz de, ainda na barriga de sua mãe, transformar seu dna completamente e adquirir os de Regina para si, escolhendo assim, quem seriam seus pais biológicos antes mesmo de nascer. Durante todos os meses de gestação, foi Regina quem esteve ao lado de Emma o tempo inteiro, era a morena que acariciava a barriga da loira e lhe dava amor de todas as formas que conhecia. Emma por sua vez, não demonstrava seus sentimentos para a prefeita, mas os tinha vivos e queimando como fogo dentro dela. Não foi difícil para que a bebê escolhesse quem ela gostaria que fosse sua família verdadeira. O que fazia dessa criança tão especial era o fato dela ser extremamente sensível e poder captar as emoções exteriores ao útero de Emma. O bebê já podia sentir e amava Regina reciprocamente desde do momento que Emma soube que também amava a prefeita. Para a sorte da morena, de nada adiantaria um bebê tão poderoso, fruto do amor verdadeiro, num mundo sem magia, a criança não teria conseguido se transformar no que desejava se a prefeita não tivesse restaurado a mina.

O tema já havia sido motivo de estudo para o antigo Dark One, se ele soubesse como realizar tal feito, ele mesmo gostaria ter transformado algum dos bebês que tinha em seu poder no próprio salvador que tanto desejou, mas, infelizmente para Rumplestilkin, ele teve que aguardar o fruto do amor verdadeiro de Snow e Charming, Emma Swan. Ainda muitos anos atrás, Gold já havia concluído que era impossível que alguém tivesse tal poder, pois precisaria ser muito mais do que o fruto do amor verdadeiro, precisaria ser a criança da Lenda Branca.

Regina queria pegar sua filha nos braços e ter certeza que ela estaria bem, mas sabia que Gold era capaz de se defender das suas bolas de fogo, mas se ela conseguisse ter acesso a seu coração, tudo seria mais fácil para ela. Gold não poderia impedir a dolorosa morte nas mãos da rainha.

–Me deixe vê-la, ao menos! -Exigiu Regina.

–Está bem, majestade. Pode ver a criança, mas não pense que eu deixarei que saia com ela daqui. Nós dois sabemos que o seus poderes são infinitamente mais fracos do que os meus e você não teria a menor chance...

Regina bufou e Gold, por fim, deu passagem para a morena.

Assim que a prefeita encontrou a sua menina, seus olhos se encheram de lágrimas e ela não conseguiu conter a emoção de vê-la ali, quietinha com a sua presença. Fez menção de tocar na pele macia do bebê mas Gold a impediu.

–Eu disse que você poderia vê-la, não tocá-la. Já fui bom demais com você, Regina. Agora saia da minha loja.

–Não! -Regina olhava para a criança que sustentava o olhar. Regina não conseguia simplesmente se afastar, havia algo ali, algo que a impedia de virar as costas ou sequer de bolar um plano melhor, ela queria e precisava ficar ao lado daquela menina. A garotinha então desviou o olhar e olhou para Gold, como se tentasse se comunicar com Regina e quando a morena se deu conta, o homem estava caído desacordado no chão.

A morena levou um susto com o que presenciou e precisou buscar apoio para as pernas que fraquejaram. Regina não teve dúvidas do que deveria fazer, era sua melhor chance de salvar a menina, retomou sua postura e se ajoelhou ao lado do corpo inerte de Gold, fechou seus olhos e lembrou de quantas vidas ela havia tirado em vão mas aquela seria diferente e então enfiou sua mão diretamente no coração do feiticeiro, atravessando sua pele e invadindo seus órgãos internos e só parou quando viu o coração pulsando em sua mão, completamente fora do corpo de Gold.

–Por quanto tempo eu desejei fazer isso com você hein, Rumplestilkin?! -Balbuciou no ouvido do feiticeiro, sem se importar com o fato de que o homem não podia ouvi-la. -Quantas vezes eu desejei ter te matado por ter arruinado a minha vida... Mas agora eu não vou recuar como das outras vezes que tive a chance, e sabe por que não? Porque dessa vez não foi a minha vida que você tentou arruinar, foi das pessoas que eu amo. E sabe o que acontece quando alguém mexe com quem eu amo? Isso! -A morena começou a apertar o órgão quente e pulsante com toda a vontade que sentiu.

–Regina, não! -Gritou Mary interrompeu ao entrar na sala e presenciar a cena.

David correu em direção a mesa onde estava a bebê e pegou no colo, protegendo a menina com o seu corpo.

–Não tente me impedir, Mary! -Respondeu Regina olhando furiosa para a mulher.

–Regina, olhe para tudo que você conquistou, olha o que você tem. Vai mesmo colocar tudo isso em risco?

–Como vocês podem ter esse sangue de barata? Esse homem tentou roubar a neta de vocês! -Gritou ainda segurando o coração de Gold.

–Eu sei, mas nós não matamos pessoas, Regina! Por favor, pare! -Pediu Mary.

Regina olhou o coração que já começava a esfriar entre seus dedos e então olhou para sua filha nos braços de David. A garota a olhava com amor, seu olhar tinha um brilho diferente de tudo que Regina já havia visto antes, era pura, inocente e não merecia assistir nada daquilo, Regina não era mais uma assassina. A morena então suspirou e, sem querer pensar muito, colocou o coração de volta dentro do peito de Gold.

Mary e David pareciam orgulhosos do que presenciaram, mais uma vez, Regina estava provando que havia mudado e deixado o passado completamente para trás. A morena esticou os braços e finalmente pegou sua filha. A chuva lá fora, aparantemente sem pressa para terminar, deu lugar ao brilho de uma linda Lua no instante que a morena abraçou a garotinha.
Regina estranhou o fato da abrupta mudança climática mais uma vez naquele dia, mas agradeceu pela luz estar de volta e ela poder admirar a criança em seus braços.

–Minha menina! Eu senti tanto medo de perder você, mas uma vez eu te fiz uma promessa que nada de ruim aconteceria e eu vou cumprir a minha palavra! Eu te amo!

–Minha neta! Ela.. Ela.. Ela é tão linda! -Disse Mary olhando a bebê nos braços de Regina.

–Tem o seu queixo, amor! -Ressaltou David.

–O de Emma! -Corrigiu Regina irritada.

Os três caminhavam para fora do escritório e não se deram conta que Gold estava acordando e, com muito esforço, chamou o nome de Regina.

–Essa menina é especial!

–Diga alguma novidade, Rumplestilkin. Melhor, não diga nada, você deveria estar morto agora.

–Eu sei, Regina! Mas foi ela. Foi esse bebê que não deixou que você me matasse para que eu morresse sozinho.

Regina arqueou a sobrancelha, aquilo era uma novidade para ela, então finalmente se virou de frente para Gold, que ainda estava no chão.

–Ela não é um bebê qualquer, não é só a filha da salvadora como eu pensei.

–O que você está dizendo sobre a minha neta? -Vociferou David.

–Ela só pode ser o que muitos dizem não existir... A Lenda, Regina!

Regina congelou e olhou para a sua filha, na tentativa de buscar alguma confirmação do que o feiticeiro estava dizendo. Ela já havia ouvido falar na criança da Lenda Branca, mas como o próprio nome dizia, todos, incluindo ela mesma, achavam que aquilo não passava de uma lenda boba e sem sentido, jamais haveria uma pessoa tão poderosa e igualmente boa na mesma proporção.

–E porque você acha que esta é a criança da.. O bebê da Lenda Branca?

–O que é Lenda Branca, Regina? -Perguntou Mary.

A morena não queria dizer nada antes que Gold terminasse de explicar os motivos que o levavam a acreditar que a sua filha era o ser mais poderoso de todos e igualmente bondoso, mas o homem não conseguia dizer nada, apenas sinalizava que ela deveria contar o que sabia sobre a lenda, mas Regina não conseguiu seguir e a ideia de que sua filha seria a criança da lenda Branca era perturbadora.

Gold reuniu a pouca força que lhe restava e respirou fundo para explicar.

–A Lenda Branca diz que um dia haveria de nascer uma criança com um poder muito grande. O maior poder de todos os reinos e de qualquer mundo, capaz de deter qualquer ser, mas essa criança seria igualmente bondosa, piedosa na mesma proporção de seus poderes. A Lenda também diz que essa criança deve ser fruto de amor verdadeiro. -Disse olhando para a morena que desviava o olhar. — Que o amor que une seus pais deve ser complementar, ou seja, um precisa complementar o que falta no outro, exatamente na mesma proporção. -Explicou Gold com dificuldade para respirar, seu coração doía muito e o ar lhe faltava, o homem mal conseguia pronunciar as palavras. -Os pais dessa crianças devem ser exatamente opostos e unidos apenas pelo amor verdadeiro. -Finalmente terminou com um tom de voz quase inaudível já.

–Gold, você está bem? -Perguntou Mary.

–A criança! É ela! Eu não vou resistir muito mais. Regina...

Regina estava muda, não encontrava palavras para explicar aos Charmings o que sua menina era capaz de fazer, ou que significava ser a criança da lenda. A morena viu, diante de seus próprios olhos, Gold perder toda a força que tinha e não conseguia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.

–Regina? -Chamou David.

–Ela.. Ela.. -Tentou dizer. -A filha de Emma... A nossa filha ela é o que a lenda chama de "Criança Branca".

–E o que isso significa aqui?

Gold não conseguia mais falar ou fazer nada, apenas escutou Regina se dar conta do que ele tentou explicar.

–Significa que.. -Regina se emocionou e deixou as lágrimas escorrerem em seu rosto. -Que ela é o ser mais poderoso que existe, exatamente como Gold disse mas ela é a personificação da magia branca e onde ela estiver presente, ela emanará luz e paz afastando todo o mal que possa estar por perto.
David e Mary tentaram entender o que a morena dizia, mas a imagem de Gold morrendo era perturbadora demais.

–Enquanto ela estiver aqui, Gold não poderá viver! Quero dizer, ele é o oposto dela, ele ainda é o Dark One com o coração inundado de trevas e não deve resistir muito mais tempo com ela vivendo em Storybrook. -Explicou a prefeita. -Ele irá morrer porque a luz entrará diretamente no seu coração e o queimará por completo. -Finalizou.

–Me levem para fora da cidade! -Suplicou Gold num último ato desesperado antes de morrer.

–E por que eu deveria fazer isso, Rumplestilkin? -Provocou Regina.

Gold não tinha mais forças, estava morrendo e seria apenas questão de minutos até que isso acontecesse.

–Vamos David, levante ele, eu me viro com Hook, vamos levá-los até a linha da cidade, é o certo a se fazer, nós não deixaremos que eles morram assim. -Disse Mary num ato de consciência. -E Regina, volte com a bebê para Emma, nos vemos novamente no hospital.

A prefeita preferia deixar Gold morrer ali mesmo, mas no fundo de seu coração, Regina sabia que Mary tinha razão e levá-lo para fora da cidade era a coisa certa a se fazer. Numa terra sem magia, Gold teria alguma chance de sobreviver e ficou satisfeita ao pensar que ele não poderia nunca mais colocar os pés em Storybrook enquanto a Criança Branca, sua filha, estivesse protegendo a todos.

Notas finais
Ufa! Esse capítulo foi grandinho, né? Mas não tinha como cortá-lo ao meio! 😉