Imagine
28 E foram felizes para sempre
Notas iniciais
A prefeita nunca deu muita atenção ao que foi previsto para a criança branca ou de que ela poderia ser capaz de fazer com seus poderes até aquele momento, talvez por não acreditar que haveria algum ser que pudesse alcançar a perfeição e tamanho equilíbrio ou talvez por simplesmente não acreditar que dois polos significativamente opostos fossem capaz de nutrir um amor tão forte e verdadeiro capaz de gerar a Criança Branca.
Regina costumava acreditar que os poderes mais inabaláveis que poderiam existir eram os sórdidos poderes do Dark One, oriundos de magia negra. Certamente, ela estava enganada.
Regina voltou para o hospital carregando a pequena bebê apertada contra seu corpo, a morena
sentia as lágrimas arderem presas em seus olhos, a dor da tristeza de ter que reconhecer que o pirata era o amor verdadeiro de Emma era devastadora. Aquela criança só poderia ser a criança da Lenda Branca se fosse fruto de um amor verdadeiro e para ela fazia todo o sentido que Hook e Emma fossem realmente os opostos destinados a completar um ao outro, pois, o mundo de contos de fadas não costumava reservar finais felizes para rainhas malvadas. Regina sentiu medo por achar que sempre seria a segunda opção de alguém mas ser a segunda opção de Emma era uma dor que beirava o insuportável. Pensou que se Hook tivesse alguma chance de ficar em Storybrook, mais cedo ou mais tarde, a loira reataria com ele afinal essas eram as duas almas opostas da lenda e deveriam sempre estar conectadas e juntas para sempre, enquanto o maldito destino estivesse novamente zombando de sua cara.
A morena temia a reação de Emma quando a loira soubesse a verdade sobre a filha e sobretudo, sobre a lenda envolvendo o amor verdadeiro. Felizmente, Henry não havia ligado e isso significava que, provavelmente, Emma ainda estaria dormindo.
A morena surgiu no meio de sua fumaça roxa dentro do quarto e encontrou com Henry que ainda estava aguardando por ela ansiosamente ao lado de sua outra mãe, como Regina havia recomendado. Regina respirou fundo e tomou coragem para entregar a menininha, que ela já sentia como sua, de volta à mulher que lhe deu à luz mais cedo.
Emma se moveu na cama e após uma longa espreguiçada tranquila, abriu os olhos encontrando Regina, Henry e sua bebê.
–Tive a impressão de ter dormido por horas. -Disse Emma.
Regina optou por não contar sobre o sequestro da criança naquele instante, não queria deixar Emma nervosa antes que pudesse dar de mamar pela primeira vez e tampouco queria lidar com o fato de ter que ser ela a responsável por informar a Emma que sua filha era a criança de uma lenda que ninguém mais acreditava ser real e, pior, lidar com o fato de que Hook era o seria amor verdadeiro.
A morena olhou para Henry e trocou com ele um olhar confidente, implicando que o garoto não deveria dizer nada sobre sua ausência horas antes.
–Acho que esta gracinha já está com fome, Emma...-Disse Regina com o intuito de distrair a loira.
–Amelia.
–Amelia? -Perguntou Regina surpresa com a escolha.
–Aham. Ela tem cara de Amelia, você não acha?
–Amelia é perfeito! -Respondeu Regina olhando tristemente para a criança.
Regina entregou a bebê para a loira e Emma não teve dificuldade para fazer com que Amelia mamasse pela primeira vez e, tampouco, precisou fazer uso das parafernálias que a morena havia comprado para auxiliar naquele momento, a garotinha mamou até se sentir completamente satisfeita e adormecer nos braços de sua mãe, para orgulho de toda a sua família.
Henry estava encantado com a sua pequena irmã e não via a hora de voltar para casa com ela para que pudesse aproveitar ainda mais o seu tempo com ela enquanto Regina desconfiava que Emma pudesse voltar atrás na decisão de ficarem juntas quando soubesse a verdade sobre Amelia.
–Regina, você já foi conhecer a sua sobrinha? -Perguntou Emma referindo-se à Emerald.
–Hunf, a pivete não gostou de mim... -Respondeu visivelmente sentida.
Antes que Emma tivesse a chance de dizer qualquer coisa para confortá-la por perceber que a morena parecia estar chateada, Zelena invadiu o quarto que estavam como um furacão, assustando a todos, incluindo Amelia, que começou a chorar na presença da ruiva.
–Irmãzinha, me responda...
–Boa noite para você também, irmãzinha! -Falou Regina irritada.
–Deixamos as formalidades para outro momento, agora eu preciso saber...-Abriu o avental que vestia.
–Wow, Zelena! -Interrompeu Emma tampando os olhos com as mãos. -Por favor!
–Ah, não tem nada aqui em baixo que você não tenha também, Salvadora, não se preocupe!
–O que você está fazendo aqui, afinal? -Questionou a prefeita.
Zelena se virou de costas para as duas mulheres com o avental parcialmente aberto na parte da frente expondo boa parte de seu corpo.
–Olhe! -Pediu Zelena.
–Eu não sei o que aconteceu com você naquele hospital psiquiátrico, Zelena, mas certamente você não está em condições de sair de lá. Vista-se imediatamente! -Exigiu Regina completamente constrangida por ter seu filho e Emma presenciando a mulher quase nua em seu quarto.
–Não, irmãzinha, não canse a minha beleza ainda mais. Olhe aqui! -Apontou a manchinha em suas costas.
Regina se aproximou das costas de Zelena, ainda meio desconfiada do que ela poderia estar aprontando, mas então constatou que havia uma mancha nas costas da ruiva, apertou os olhos para se certificar de que não era nenhum dos truques da bruxa e quase caiu para trás quando constatou que a mancha era verdadeira, exatamente como a que havia em suas próprias costas.
Emma, ainda deitada na cama, forçou o olhar para tentar enxergar o que Zelena estava mostrando. O coração da loira saltou pela boca quando viu claramente a mancha idêntica à que havia nas costas de Amelia.
–Regina... -Chamou Emma assustada.
–Espere, Emma! -ignorou Regina -Não é possível, essa mancha...
–Sim, irmãzinha, agora confirme para mim que nós somos uma família só, eu você e mamãe! -Enfatizou a palavra mamãe, reforçando a lembrança de que a ruiva fôra abandonada.
–Regina... -Chamou Emma e mais uma vez foi ignorada por Regina que buscava palavras para responder a Zelena. A morena não sentia a menor vontade de dizer aquilo, no fundo, sempre a viu como uma maluca e não queria admitir que elas poderiam mesmo serem irmãs de sangue.
–Ah, vejo que você está feliz com a novidade, mana! -Ironizou a ruiva. -Porque vai que você ainda tinha alguma dúvida do nosso parentesco, não é?! Aposto que você vai ficar radiante quando souber que Emerald tem a mancha também!
–Regina! -Gritou Emma.
A morena se virou para a loira e a viu desembrulhando a criança da manta que a cobria, Emma parecia nervosa e aflita e aquilo assustou Regina.
–O que foi Emma?
Zelena presenciava toda a cena, estava realizada por poder, finalmente, ser reconhecia como herdeira de Cora, por, finalmente, ter encontrado um lugar que pertencesse numa vida tão solitária.
–Amelia. Ela tem também... -Começou a dizer de forma desajeitada. -Quer dizer, eu vi, assim que ela nasceu, eu não deixei de notar essa manchinha nas costas dela e me chamou a atenção porque eu não tenho nenhuma marca no corpo.
Regina estava transtornada com aquilo, era muita coisa acontecendo de uma só vez para que ela pudesse pensar e associar tão rápido. A emoção de se dar conta de que aquele bebê nos braços de sua amada era também sua filha, invadiu seu corpo e aqueceu seu coração como nunca antes. Regina se sentiu completa pois, finalmente, ela havia conquistado o que sempre desejou: uma família que a amasse.
–Mãe? -Chamou Henry.
–Eu sei, filho. Já sei. -Respondeu Regina.
A morena tirou o terno risca de giz que vestia, abriu os botões de sua camisa social e finalmente mostrou suas costas para que Emma pudesse ver.
–C-como? Como é possível? Você é...?
–Sim, Emma! -Regina respondeu com os olhos emocionados fechando sua camisa novamente. -Amelia é minha filha biológica também!
–Como? Quer dizer... Regina? Por favor, me ajude a entender o que está acontecendo aqui! -Emma parecia assombrada com o que ouvia.
–Zelena, saia daqui! Eu preciso conversar com a minha família! -Ordenou Regina que não se sentia confortável em falar sobre o fato de que Amelia era a Criança Branca com a irmã estando presente. Aquela informação deveria ser protegida a qualquer custo e deixar Zelena saber disso poderia ser extremamente arriscado.
–Mas eu não vou sair de jeito nenhum, afinal, eu também faço parte dessa família Regina e isso você não pode tirar de mim, irmãzinha.
–Regina? -Chamou Emma nervosa por alguma explicação que fizesse sentido.
Regina bufou mas precisou começar a contar para a loira sobre a Lenda da Criança Branca, Henry e Zelena também ouviam tudo atentamente. O fato de Amelia ser tão poderosa q ponto de escolher sua carga genética era uma grande novidade a todos, inclusive para Regina que não aguentou segurar sua emoção enquanto falava sobre a Lenda.
Ao final, Regina concluiu que o destino não estava pregando peças nela durante a sua frustrada vida amorosa e familiar, mas sim, desde sua tenra idade, o destino estava apenas a guiando no caminho certo, durante esses anos todos, ele garantiu que ela encontrasse com a Salvadora para que, inevitavelmente, se apaixonassem mutuamente gerando Amelia como fruto desse amor verdadeiro entre duas pessoas tão opostas. Regina aí se deu conta do tamanho do poder que sua filha possuia ao escolhê-la como mãe. Amelia, a criança Branca, fôra destinada, exclusivamente, para fazer o bem e emanar o amor com a sua luz. A morena não podia desejar um final mais feliz do que aquele que recebeu encontrando seu lugar no mundo ao lado de Henry, Amelia e Emma, as três pessoas que resumiam todo o seu universo.
***** 1o MÊS DE ANIVERSÁRIO DE AMELIA
–Emma, nós vamos nos atrasar! Você sabe que eu detesto atraso, vamos logo!
A loira, de forma desajeitada, desceu as escadas da mansão que dividia com Regina, ela trazia consigo um envelope contendo os documentos dos primeiros exames de Amelia.
–Pronto, podemos ir agora. -Respondeu Emma.
As duas mulheres estavam indo até o cartório alterar a filiação da bebê que quando nasceu, acabou sendo registrada sem o nome do pai e agora elas queriam adicionar o nome de Regina no registro da criança.
–Olá Emma! Bom dia, prefeita! -Disse o anão atrás do balcão de atendimento. -Estava esperando por vocês.
–Ótimo, já está pronto? -Perguntou Regina ansiosa.
–Sim, prefeita, aqui está. Gostaria que confirmassem as informações e eu mandarei imprimir para vocês, enquanto isso, deixe-me analisar os exames de DNA. Sabe como é a burocracia, não é?!
–Está tudo bem, Doc. Aqui está tudo que temos referente a Amelia e Regina.
Emma lhe entregou o envelope e recebeu do anão um papel, ainda sem carimbo oficial, para conferir se estava conforme ela desejava. Enquanto checava o que estava escrito algo chamou a atenção da loira.
–Regina?
–Algum problema, Emma?
–Por que o sobrenome de Amelia é Swan Mills e não ao contrário? -Perguntou Emma em um tom divertido.
–Ah, porque achei que soa melhor assim, Srta Swan. -Respondeu com um certo desdém.
–Por que "Srta Swan" agora? -Emma perguntou aparentando cansaço.
–Já lhe disse, eu não gosto de dar intimidade para os funcionários da prefeitura.
–E se eu resolvesse te roubar um beijo aqui mesmo? -Perguntou jogando seu corpo para cima do da morena. Regina ficou encurralada entre Emma e o balcão atrás dela e a presença da loira tão perto assim era sempre desconcertante para a prefeita, ela ainda não havia aprendido a dizer não e então se deixou levar até Emma tocar seus lábios nos dela num beijo apaixonado. As duas foram interrompidas pelo anão que coçou a garganta sem jeito, e então se viraram para o homem.
–Está tudo certo aqui, obrigada Madame. -Lhe entregou de volta o envelope com os documentos. -E com o registro? Tudo certo também?
Emma deu uma encarada seria em Regina e então sorriu de lado, exatamente como os que faziam o coração da prefeita derreter.
–Sim, Doc. Pode imprimir para nós, está tudo certo!
Regina não conseguia conter a felicidade de ter o seu nome no registro da sua filha e, especialmente, o fato de Emma concordar que criança carregaria o seu sobrenome como o último nome. Amelia Swan Mills.
Antes de retornarem para a casa, Emma sentiu vontade de tomar um chocolate com canela e insistiu que Regina a levasse no Granny's. Há muito tempo que nenhuma duas aparecia por lá, Regina por se dar conta que Ruby talvez gostasse mesmo dela e Emma por simplesmente não suportar a presença da loba, mas naquele dia tudo parecia esquecido para Emma.
Assim que passaram pela porta da lanchonete, Emma segurou firme na mão de Regina, caminhando a sua frente e a morena estranhou aquela atitude mas preferiu não dizer nada. Escolheram uma das mesas e se sentaram aguardando a garçonete vir atendê-las.
–Oi. -Cumprimentou Ruby desanimada. -O que vão querer?
–Olá, Srta Lucas, Emma vai tomar um chocolate com canela e para mim, hmmm, deixe-me pensar...
–Whisky? -Interrompeu Ruby. -A senhora deveria tomar um whisky para relaxar, prefeita... -Provocou.
–Como disse? -Perguntou Regina ofendida.
–Ah, vamos lá, Regina. Todo mundo sabe que você fica muito mais divertida depois de algumas doses. -Provocou mais uma vez, se referindo a última vez que Regina bebeu e ela a agarrou.
Emma já apertava o maxilar com os dentes, estava visivelmente irritada e naquele momento achou que Ruby passou de todos os limites e não aguentou mais segurar o sentimento que guardava há meses.
–Olha aqui Ruby, já aguentei todo o tipo de provocação vinda de você, qual o seu problema, afinal?
–Xi, pega leve, xerife! Eu só estou brincando...
–Pois basta das suas brincadeiras, eu não aguento mais!
–Você não confia na prefeita quando bebe, xerife? É por isso que você se incomoda tanto com as minhas brincadeiras? Acha que ela não vai resistir?
Emma estava bufando de raiva e Regina não dizia nada, apenas segurava a mão de Emma em baixo da mesa, antes que a loira avançasse em cima de Ruby.
–É isso, não é?! Você não confia nela porque ela nunca te beijou em público, já comigo...
Emma soltou a mão de Regina e se levantou da cadeira se aproximando de Ruby com os punhos fechados, visivelmente disposta a proferir um soco a qualquer instante a partir de então.
–Emma... -Chamou Regina. -Pare! Você não precisa disso!
–Vai me bater, xerife?
–Emma! Não! Você é melhor do que isso, pare!
–Vai me bater porque não confia na sua namorada? Porque acha que vai encontrá-la me beijando se ela tomar uma dose de whisky?
Aquilo estava acontecendo tão rápido, as provocações de Ruby, a aproximação e o silêncio de Emma só podiam resultar em Emma fazendo uma grande besteira. Regina não estava disposta a deixar a loira se meter em problemas, não agora que elas finalmente haviam se acertado.
–Case comigo! -Regina falou sem pensar muito.
Emma parou imediatamente o que fazia e se virou para a morena sentada na mesa, Ruby estava de boca aberta com o que escutou.
–O que? -Perguntou Emma.
–Sim, Emma! Case-se comigo, e eu te farei a mulher mais amada desse e de qualquer reino que possa existir porque meu amor por você é grande o suficiente para isso!
–Eu.. Eu... Sim! Regina, sim, eu me caso com você! -Respondeu emocionada.
Emma foi de encontro a Regina e mesmo sabendo que a morena não gostava de demonstrações de carinho em público, ela levantou Regina da mesa e a beijou romanticamente girando a morena num forte abraço.
–Af, vocês se merecem mesmo! -Resmungou Ruby com desdém antes de sair dali.
******* 8 ANOS DEPOIS
–Amelia, já falei que você não pode sair colocando caldas nos animais, filha! Estou tão cansada de dizer a mesma coisa para você, será que não vai me obedecer nunca? -Perguntou Regina irritada trazendo um sapo colorido com uma calda imensa em suas mãos.
–Mamãe, foi Emerald, eu juro!
–Você e sua irmã precisam começar a me obedecer!
–Emerald disse que caldas são bonitas e combinam com sapos e eu acho que ela tem razão...
Emerald! -Chamou Regina.
A garotinha ruiva saiu de trás de um arbusto, tampando um sorriso travesso com as mãos e foi correndo até o encontro de Regina sabendo que levaria alguma bronca pela afeição séria de sua mãe.
–Eu não quero mais ver você e Amelia brincando com seres vivos!
Emerald olhou séria para Regina enquanto a escutava é assim que a morena terminou de dizer lhe abriu um sorriso simpático. -Tá bom, mamãe. Eu prometo!
A morena deu meia volta e começou a caminhar de volta para dentro do castelo e então se lembrou que precisava avisar as meninas que elas deveriam se apressar para tomar banho e se aprontar para o tradicional jantar com os avós aos sábados. Quando Regina se virou novamente, se deparou com as duas garotas com os dedinhos apontados para um coelho branco que magicamente se tornou cor de rosa. A morena bufou, deu meia volta e seguiu seu caminho de volta para dentro do castelo a procura de Emma.
Regina, como boa rainha que sempre foi, normalmente, era quem impunha as regras da família e também quem se certificava de que elas fossem obedecidas, mas, vez ou outra, precisava da ajuda de Emma, pois a loira tinha um jeito único de lidar com as meninas e nunca perdia a paciência com elas. Henry não lhe trazia problemas, ao contrário, o garoto era motivo de muito orgulho, juntamente com Phillipe, seu noivo, ajudava bastante a cuidar de suas irmãs enquanto suas mães não estavam presentes. Desde que haviam voltado para a Floresta Encantada, Henry não largava mais da espada herdada pelo avó e com o passar dos anos, a sua personalidade altruísta e força de vontade o tornou o grande Cavaleiro Branco do reino, sendo responsável por toda a segurança do castelo e da realeza que nele habitava, mesmo sendo ele próprio parte integrante dela como príncipe por sangue, Henry era o primeiro homem da linha de soldados e fazia questão de lutar contra invasores ou inimigos em caso de guerra, o garoto já era um homem formado, robusto, corajoso e ainda com o coração puro. Especialmente seu avó, David, costumava ficar de queixo caído com a habilidade do neto para lidar com a espada, Henry não fôra escolhido o Cavaleiro Branco à toa, ele era mesmo o melhor do reino.
Mary abdicou o trono para que Regina pudesse governar em seu lugar assim que se estabeleceram na Floresta Encantada, ela e David não gostavam da ideia de administrar toda aquela terra e ainda se certificar de que todos estariam satisfeitos portanto ninguém melhor do que a antiga prefeita para esta função. Emma, princesa por sangue e também rainha por casamento, nunca demonstrou interesse em assumir tal cargo, herdou o título de realeza e o aceitou de bom grado, mas a loira gostava mesmo era de seu cargo na cavalaria ao lado de Henry, mantendo os soldados na linha e supervisionando os treinamentos que o Cavaleiro Branco comandava. Durante todos esses anos de volta na Floresta Encantada, Emma não saiu do lado de sua esposa e a apoiou em todas as decisões que tomou, exceto quando a morena lhe contou sobre Emerald.
–Majestade, qual o problema? -Perguntou Emma de forma carinhosa ao ver Regina se aproximando com passos curtos e rápidos e puxou sua esposa para si.
–Essas meninas, Emma! Elas não me escutam! Agora mesmo, encontrei um sapo com calda, acredita? Conversei com elas e em menos de um minuto lá estavam elas novamente fazendo um pobre coelho ficar completamente cor de rosa! -Explicou. -Não sei mais o que fazer. -Desabafou.
–Cor de rosa? -Emma torceu o nariz. — Qual o problema dessas meninas para transformarem o bichinho em cor de rosa? Eu preferia azul...
Regina se desvinculou dos braços de Emma de forma abrupta e irritada, mas a loira a puxou de volta para perto de seu corpo, quase a beijando.
–Você deveria se preocupar menos, elas são ótimas meninas! -Disse Emma.
–Sim, você tem razão, são ótimas mesmo. Mas saiba que eu me esforço muito para que elas andem na linha, ou você pensa que é fácil dar aulas de magia para a criança branca? Amelia parece já saber de tudo antes mesmo de eu dizer. -Confessou Regina.
–Eu tenho certeza que você está fazendo um ótimo trabalho com as nossas filhas, mas e Emerald, como está se saindo com as aulas?
Regina suspirou se recordando dos momentos que passava se dedicando exclusivamente a ensinar suas filhas sobre o poder que elas têm e especialmente como e quando devem usá-los.
–Emerald é mais difícil, você sabe... Conter a magia negra dela não é uma tarefa nada simples porém, ela é extremamente habilidosa e interessada, diferente de Amelia que só pensa em fazer bagunça, não sei quem ela puxou! -Cutucou.
–Eu também não sei! -Respondeu Emma num tom divertido. -Mas você sabe Regina, Amelia e Emerald...
–Claro que sei... Elas são almas conectadas, ying e yang, bem e mal, preto e branco, que sejam, eu sei o quanto elas precisam uma da outra!
–Eu não gosto de "bem e mal", elas são só crianças, minhas crianças, e você não deveria definí-las desse jeito. -Resmungou Emma.
–Eu também não gosto de ter que dizer isso, mas é assim que é Emma, e, se eu não fosse tão presente na vida delas para poder guiá-las no caminho certo, sabe-se lá o que seria dessas meninas...
–Ninguém disse que seria fácil criar filhos, vossa alteza!
–Mas você parece fazer isso de forma tão natural e fácil, por que eu não consigo?
–Porque somos opostas, se lembra? Você deve me completar e eu a você, e é assim que é. -Respondeu Emma de forma apaixonada olhando para a morena.
–As vezes, me arrepio só de pensar o que seria de Emerald se ela estivesse sendo criada por Zelena...-Mencionou Regina.
–Provavelmente estaria furtando cavalos de outros reinos por si somente usando aqueles dedinhos mágicos, sem nem precisar sair de seu quarto. Seguramente, Emerald teria se apropriado de muitos pôneis cor de rosa por aí.
–Emma! -Repreendeu Regina de forma superprotetora. -Não fale assim da nossa menina!Emerald jamais roubaria alguém!
Emma a olhou de forma desconfiada e não precisou dizer nada sobre a desconfiança que tinha em relação ao futuro da filha se ela fosse mesmo criança por Zelena e Robin.
–Tudo bem, talvez ela fizesse algumas coisinhas desse tipo mesmo... -Admitiu Regina.
–Você se lembra quando foi exatamente que nós nos demos conta que Emerald tinha que ficar conosco? Porque, para mim, parece que ela sempre esteve aqui, eu a amo tanto que chega até a doer, sabia?
–Eu sei como se sente, Emma, pois eu me sinto da mesma forma em relação a elas duas. Juntamente com Henry, são as melhores coisas que eu poderia ter.
–E quanto a mim? Não sobrou nenhum elogio para esta rainha aqui? -Perguntou Emma sobre si mesma.
–Veremos se você merece algum elogio depois que você conversar com as suas filhas sobre transformações mágicas em seres vivos, estou esperando o momento em que teremos cobras aladas voando em cima de nossas cabeças só porque Emerald acha que elas deveriam nascer com asas! -Resmungou Regina.
–Tudo bem, eu vou, mas você me promete que depois de irmos jantar com meus pais você me deixa abrir seu espartilho com a boca?
–Srta Swan, já chegamos ao sexto mês?
–Sim, por que? -Perguntou Emma sem entender o que a morena estava dizendo.
–Porque nós fizemos amor por duas horas hoje de manhã e eu me lembro bem, há oito anos atrás, como ficam seus hormônios nesse período.
–Eu não me lembro de você reclamar...
Emma puxou a morena e a agarrou num beijo cheio de desejo, suas mãos deslizavam por baixo da saia longa que Regina vestia tateando suavemente a sua pele macia. Emma podia sentir os pelos da morena eriçarem com o seu toque a fazendo desejar aprofundar aquele beijo e carícias ainda mais, até que Regina interrompeu o beijo.
–Mas deve se lembrar que foi exatamente assim que nós criamos um bebê que ninguém acreditava que poderia existir!
–E você acha que podemos tentar de novo com essa aqui? -Perguntou divertida acariciando a barriga que já começava a aparecer nas roupas.
–De jeito nenhum! Essa será uma criança sem magia ou você acha que eu pretendo passar o resto da minha vida ensinando crianças a usar magia? Aqui é a Floresta Encantada e não Hogwards, meu bem! -Respondeu Regina.
Emma resolveu descer e conversar com as suas meninas, elas não podiam desobedecer a rainha daquela forma, apesar da loira achar divertido ver que as únicas pessoas que não temiam levar uma bronca de Regina eram suas próprias filhas.
Amelia era genial, extremamente inteligente, doce e meiga, a morena sempre sabia o que dizer para dobrar as suas mães e, normalmente, jogava a culpa de suas travessuras em Emerald. A ruiva, por outro lado, era engraçada e divertida, habilidosa com seus poderes, quase nunca errava os feitiços que se propunha a fazer, Emerald não se importava em levar a culpa no lugar da irmã, ela sabia que suas mães jamais lhe fariam algum mal.
Emerald fôra adotada por Emma e Regina poucos meses após seu nascimento. Robin voltou a prisão e, dessa vez, não poderia sair tão cedo, já que, durante o processo do roubo do cavalo, descobriu-se inúmeros furtos de sua autoria. Zelena pode ficar poucos dias com a sua filha antes de retornar ao hospital psiquiátrico e, sem Robin para ajuda-l a criar Emerald, a ruiva a entregou para que Regina criasse, com a promessa de que jamais voltaria atrás de sua decisão.
Em pouco tempo, Regina percebeu que havia algo errado com Amelia e começou a ser muito difícil controlar a criança que, aparentemente, deveria ser equilibrada, então a morena se dedicou a estudar cada vez mais sobre a Lenda Branca e descobriu que a própria filha também precisava encontrar a alma oposta a ela para atingir sua naturalidade, caso contrário, Amelia seria um caso perdido. Depois de descobrir o mais importante, não demorou para que Regina notasse que Emerald era a alma oposta de Amelia mas convencer Emma de que a ideia de adotar a filha de seu ex namorado era a resposta para os problemas que estavam tendo não foi nada fácil, Emma não queria Emerald perto de Amelia ou de Henry, mas assim que conheceu a ruivinha, seu coração não conseguiu negar, a loira se apaixonou pela criança e soube que era a coisa certa a se fazer, ela jamais conseguiria deixar Emerald num orfanato, mesmo que não fosse por Amelia, Emma adotaria Emerald e a chegada da nova criança as tornou uma família ainda mais completa. Era como se sem Emerald faltasse alguma coisa.
–Amelia, Emerald? -Chamou Emma.
As duas meninas, que ainda brincavam com o coelho cor de rosa, vieram em direção a Emma trazendo o animal pelas orelhas em suas mãos.
–Olha mamãe, ele está cor de rosa! -Mostrou Emerald orgulhosa.
–Eu estou vendo! Por que vocês escolheram cor de rosa? Eu preferia que ele fosse azul!
–Tá bom, veja o que eu ensinei para Amelia. Vamos Amelia, faça!
Antes que a morena pudesse se exibir com o novo truque que a irmã a ensinou para a mãe, Emma interrompeu o movimento rápido daquelas mãozinhas arteiras.
–Não! Não precisa, garota! Que tal se deixarmos ele de volta branco, então?
–Ah, mamãe. Branco é sem graça, esses bichos fofinhos deveriam ser coloridos e não brancos.-Respondeu Amelia fazendo biquinho.
–O que a mamãe ensinou para vocês sobre mudar os animais? -Questionou Emma.
As duas garotinhas abaixaram as cabeças, elas sabiam que não deveriam estar brincando com aquilo pois estavam desobedecendo uma das regras mais importantes que Regina havia lhes imposto durante as aulas, e então, Amelia soltou o animal, ainda cor de rosa, para correr livre no jardim do castelo onde brincavam. Emma mirou no animal e torceu seu pulso tornando-o branco novamente. As duas ficaram olhando de boca aberta a atitude de Emma, que não tinha o costume de usar sua magia.
–O que foi? Acham que só a mamãe sabe fazer isso? Pois eu sei também!
–Mas a mamãe é muito mais poderosa que você, não é? -Desafiou Emerald.
–Se você está dizendo... Você concorda com a sua irmã, Amelia?
A morena balançou a cabeça afirmativamente. -Ninguém é melhor que a mamãe!
–Então vamos fazer um trato, eu posso vir ensinar vocês uma vez na semana e provar que eu posso ser tão boa quanto ela, mas vocês duas tem que prometer que vão obedecer todas as regras da sua mãe daqui para frente, combinado?
As duas abriram um sorriso largo e abraçaram a loira na altura da cintura, apertando Emma com tanta força que ela mal conseguiu respirar no meio do abraço, se sentindo sufocada por alguns instantes. que ela se sentiu sufocada por alguns instantes.
–Ei, vocês querem matar seu irmão aqui, é?! -Perguntou apontando para a barriga.
–Já sei! Podemos colocar uma calda nele também quando ele nascer? -Pediu Emerald.
–É, acho que sua mãe tem razão, vocês vão precisar tomar uns tapas nesses bumbuns se continuarem assim... -Disse em tom de brincadeira, ameaçando correr atrás das duas. -Voltem aqui que eu vou colocar uma calda em cada uma para vocês verem como é bom! -Ameaçou enquanto corria em círculos atrás das duas garotas que fugiam dela rindo alto.
No segundo andar do castelo, da sacada de seu quarto, Regina observava sua família brincando alegremente ao lado de sua macieira e decidiu se juntar a elas.
–O que foi que eu estava pensando quando aceitei me casar com você? Você parece ter a mesma idade das nossas filhas, sabia? -Disse Regina puxando Emma para um beijo.
–Você foi quem pediu para casar comigo, esqueceu? Quase implorou por isso, na verdade.
–Acho que eu devo ter esquecido. -Mentiu Regina sem deixar o orgulho de lado.
–E você me ama tanto, mas tanto, que o seu amor nós trouxe de volta para Floresta Encantada...
–Só o meu amor? Que eu saiba a única magia capaz de transcender reinos é a do amor verdadeiro e, caso não tenha percebido, você também precisou me amar igualmente para chegarmos até aqui!
Emma caminhou alguns passos levando Regina consigo e apoiou as costas da morena na macieira atrás dela mas antes que pudesse tomá-la para si, sua filha a interrompeu, a fazendo voltar a posição original.
–Mamãe, olha quem chegou! -Avisou Amelia. -Henry!- Correu para abraçá-lo.
–Amelia! Como você está grande menina, te deram algum tipo de poção para que crescesse em dois dias?! -Perguntou Henry antes de ser atacado por um pulo de Emerald diretamente em suas costas, quase o levando diretamente ao chão. -Emerald! Você também cresceu, ouch! Essa doeu, maninha!
O garoto abraçou forte suas irmãs para cumprimentá-las e caminhou em direção a macieira que estavam suas mães.
–Mães! Que bom vê-las em casa, estava com saudades!
–Meu Cavaleiro! Nós também estávamos com saudade de você, meu filho! Como foi a viagem?-Perguntou Regina.
–O trivial, mãe. Treinamos com dragões, trolls, elfos, todo o tipo de coisa... Mas e por aqui? Como está meu irmãozinho, mãe?-Perguntou para Emma lhe acariciando a barriga.
–Está bem, garoto! Está crescendo cada dia que passa.
Naquela altura da gestação de Emma, todos sabiam que ela esperava mais um menino, apesar da loira não ter interesse em saber o sexo, Amelia não se conteve e contou em alto e bom tom na mesa de jantar, a moreninha já havia sentido que seria um menino e, mesmo que não confessasse com medo de levar uma bronca, ela mesmo havia escolhido esse irmãozinho. Não foi uma surpresa para as duas mulheres que Emma engravidou novamente, afinal, numa terra mágica como era a Floresta Encantada, tudo pode acontecer.
–Henry, me conte tudo sobre ser um cavaleiro, porque quando eu crescer quero ir em aventuras distantes para salvar reinos, quero uma espada de ouro igual a sua e do vovô para lutar contra os seres mais malvados, quero ser igual a você, Henry! -Emerald disse. -Eu posso, mãe? -Pediu ansiosa.
–Você pode ser o que quiser, meu amor! -Respondeu Regina. -Você também quer ser um Cavaleiro Branco, Amelia, igual seus irmãos?
–Não! Eu quero ser uma rainha, igual a você!
Regina ficou emocionada com a declaração da filha e seu coração pareceu dar um salto de alegria dentro de seu peito. Por muitas vezes, a morena acreditou não estar fazendo um bom trabalho sendo mãe e governando todo o reino, em diversos momentos se sentiu insegura para tomar decisões que poderiam afetar sua família, mas sempre optou por seguir o que seu coração dizia mesmo com o medo de que estivesse falhando em alguma das áreas de sua vida. Ouvir a declaração de Amelia foi a confirmação que Regina precisava receber de que ela estava cumprindo sua missão de fazer a coisa certa, sua filha a admirava e se espelhava em suas atitudes.
–Eu tenho certeza que você será uma ótima rainha, garota! -Disse Emma. -Mas não conheço nenhuma rainha fedida, então acho que está na hora de irem todos tomar banho para jantarmos na vovó! -Declarou.
Amelia riu de forma travessa para sua mãe enquanto Emerald tampava o nariz fingindo que a irmã estava realmente fedida.
–Eu levo elas, mães, não se preocupem! -Disse Henry dando uma piscada para as duas. -Quem quer ver uma foto do maior troll que eu vi nesse final de semana?
–Eu! -As duas responderam em coro e seguindo Henry para dentro do castelo.
–Henry, não assuste suas irmãs! -Pediu Regina antes que eles sumissem de vista no jardim.
–Onde nós paramos mesmo, Majestade? -Perguntou Emma de forma sensual, pressionando seu corpo contra o da morena até que ele encontrasse novamente a árvore atrás dela. -Você me pediu que eu falasse com as nossas filhas e eu falei, agora é a hora que eu recebi a minha parte!
–Nem pensar! Estão todos acordados em casa, mas depois do jantar com seus pais eu prometo que darei um jeito nesses seus hormônios e darei a você que quiser! -Disse Regina com a testa colada com a da loira.
Emma, de frente para a árvore, sentiu seu sexo latejando de desejo pela esposa a sua frente e, sem querer, passou sua mão sobre o corte no tronco da árvore, que ela mesma havia feito anos antes com uma serra elétrica para provocar a antiga prefeita. Sorriu de lado com as lembranças que lhe saltaram à mente e, finalmente, encarou sua esposa nos olhos para lhe responder sobre a noite que teriam mais tarde.
–Você não sabe o que eu sou capaz de fazer!
Apoiada com as costas em sua macieira, Regina finalizou :
–Você não sabe o que eu sou capaz, Srta Swan!
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