Imagine
10 Afogando as mágoas, prefeita?
Notas iniciais
Mãe, o melãozinho se mexeu quando eu coloquei a mão na barriga da minha mãe! Vai lá ver.
–Agora não, Henry. Estou terminando o molho da carne.
–Ah mãe, vai lá. O melãozinho está dando piruetas dentro da barriga, é engraçado!
–Já disse que estou ocupada agora, Henry.
–Mãe, a Emma vai ir embora quando o bebê nascer?
Essa era a pergunta que Regina se fazia todos os dias. Será que Emma iria embora e levaria a criança? Regina deu uma longa respirada.
–Se ela quiser ir, ela vai, meu filho.
–Isso quer dizer que se ela quiser ficar, ela pode? -Perguntou o garoto animado.
–É claro que pode, meu amor. Ela e o bebê podem ficar o quanto quiserem aqui, afinal, essa casa é grande o suficiente, não é?
Henry mal esperou Regina terminar de falar e saiu correndo para, provavelmente, contar para Emma o que a mãe havia acabado de dizer.
Regina desligou o fogo e correu atrás do garoto para tentar escutar a conversa dos dois. Sem que eles notassem sua presença, se esgueirou atrás da coluna da sala de jantar e conseguiu ouvir claramente a risada de Emma atrás dela, ecoando na sala de TV.
–Vem moleque, sente isso agora! Wow!!
–Caraca, mãe! O melãozinho está animado mesmo!
–É sim, ele fica assim com chocolate. Descobri esses dias, ele ficou um tempão me chutando e eu achei que ele estivesse com raiva de mim porque eu havia brigado com a sua mãe. Dai eu li que eles ficavam agitados com chocolate e então, me lembrei que eu havia tomado chocolate quente aquele dia.
Emma continuava a comer porcarias escondido de Regina. De que adiantava a prefeita mandar um lanche saudável e equilibrismo para a loira, se ela iria comer no Granny's de qualquer maneira? Fez uma anotação mental para reforçar o lanche de Emma.
–Por que você brigou com a minha mãe?
–Nem me lembro mais, garoto! Eu ando esquecida ultimamente. E sua mãe briga comigo por tudo. Eu já nem sei mais.
Regina não gostou de saber que Emma a culpava pelas discussões que elas tinham. Como se Regina discutisse sozinha. A morena escutou Henry dar risada do comentário da mãe.
–Mas vocês estão bem, né? Quer dizer, você ainda gosta dela, né?
–Claro que sim, Henry. Eu sempre gostei da sua mãe, ela que não gostava de mim. Lembra quando eu cheguei aqui, todos os dias ela me mandava para cadeia? Tive um trabalhão para poder me livrar daquela chateação.
–Mas acho que agora ela gosta mesmo de você. Posso te contar uma coisa e você jura que não vai contar nada para ela?
–Ah não, Henry. Eu prometi para ela que não iria esconder mais nada dela, estamos numa política sem segredos. Não me peça para esconder alguma coisa dela novamente.
–Não é esse tipo de segredo, mãe. Eu acho que minha mãe gosta gosta de você.
–Como assim, gosta gosta?
Regina estava em pânico escondida atrás do pilar da sala. Ela havia entendido muito bem o que seu filho queria dizer ao utilizar duas vezes a palavra gosta. Não teve dúvidas do que deveria fazer. Sem pensar muito saiu dali de trás e apareceu no meio da sala.
–Pronto, também quero sentir o melãozinho dando piruetas!
–Ah, Regina, ele parou agorinha mesmo. Mas se você quiser esperar, basta sentar aqui do meu lado e conversar com ele que logo ele começa tudo de novo.
–Henry, você não tem tarefa para fazer? -Perguntou Regina ao notar que o filho não sairia dali enquanto não terminasse de contar o que quer que fosse para Emma.
–Não mãe, já terminei tudo hoje.
–E banho? O senhor já tomou banho hoje, Henry?
–Já. Cheirosinho. Quer cheirar meu pé?- Perguntou levantando os pés para cima na cara de Regina. Emma começou a rir.
–Claro que não, Henry! Tira esses pés daqui. E por acaso, o senhor já escovou os dentes?
–Eu ainda nem jantei, mãe!
–Mas vá escovar os dentes antes de jantar e depois de jantar, escovar os dentes nunca é demais, filho.
–Não mãe, eu vou escovar depois de jantar!
–Estou mandando você ir escovar agora, Henry! Faça o que eu mandei.
Henry pareceu completamente frustrado.
–Eu hein?! Se você queria ficar sozinha com a minha mãe era melhor pedir do que fazer tudo isso. -Levantou do sofá irritado deixando Regina completamente sem jeito.
Assim que Henry saiu da sala, Emma olhou para Regina com um sorriso safado no rosto.
–É, se o seu desejo era ficar sozinha comigo, era só ter me pedido pois eu jamais negaria um pedido da rainha. -Disse baixinho no ouvido de Regina.
Regina sentiu seu corpo inteiro arrepiar antes que Emma se levantasse em direção a cozinha.
*******
Emma estava cansada da mesmice de todos os dias na delegacia.
Parecia que nada acontecia em Storybrook. Seguramente seu pai estava tentando poupá-la de qualquer agitação. O celular da loira não tocava quando ele fazia ronda, David acumulava papéis em cima de sua mesa, certamente, ele vinha acumulando o trabalho de semanas e a prefeita deveria estar furiosa com ele por isso, toda vez que estava no escritório, não parava de andar para lá e para cá com o rádio no ouvido. Emma concluiu que ela estava assumindo todo o trabalho e aquilo, além de não ser justo, deixava a loira entediada. Se ela estava lá na delegacia, que fosse para trabalhar.
Finalmente um alerta na central solicitando a presença dela em algum lugar. Antes de sair, Emma checou o endereço e viu que se tratava de um chamado da prefeitura. A loira quase caiu da cadeira com o susto que levou e a única coisa que pensou foi em Regina.
Pegou seu distintivo jogado no fundo da gaveta e sua arma em cima da mesa e saiu em disparada rumo à prefeitura.
No caminho, não deixou de notar a semelhança de um cavalo parado em frente ao Habbit Role com o animal desaparecido alguns meses atrás. Mas agora Emma não tinha tempo de parar e verificar mais de perto o animal. Mas Emma sabia, era o cavalo sumido.
Emma entrou como um furacão dentro da propriedade, assustando Regina.
–Emma! O que você está fazendo?
–Eu recebi um chamado daqui, o que está acontecendo?
–Abaixe essa arma, pelo amor de Deus! Onde está David?
–Foi fazer ronda. Regina, o que está acontecendo?
–Eu já pedi que abaixasse a arma. Não está acontecendo nada.
Emma notou a porta da sala de Regina fechada e não teve dúvidas, havia alguém ali dentro.
–Quem está na sua sala, Regina?
–Emma... Você não pode trabalhar desse jeito. Precisa pegar leve agora.
–Quem está aí dentro? -Repetiu Emma.
A loira se aproximava, ainda com a arma em punhos, atenta a qualquer movimento estranho.
–Eu não estou brincando, Regina! Quem está aí?
–Ninguém está lá, Emma. Quer dizer, ninguém que vá fazer alguma coisa.
Emma não teve dúvidas, meteu um chute com a maior força que tinha até derrubar a porta totalmente no chão
–Você enlouqueceu? Bastava abrir, não estava trancada! Não precisava ter feito esse estrago todo.
Emma então entrou na sala de Regina, ignorando completamente o que a prefeita dizia.
Se deparou com Robin sentado em um sofá ao lado de Zelena, que tinha a barriga um pouco maior do que a dela agora.
–Olá, Emma. -Disse Zelena.
–O que eles estão fazendo aqui, Regina? Por que você chamou a polícia?
Regina caminhou até Emma e ela mesma abaixou a arma que a loira apontava para Robin e Zelena, numa tentativa de mostrar a Emma que estava tudo bem.
–Robin veio até a prefeitura outro dia e me pediu que soltasse Zelena. -Confessou.
–Continue. -Pediu Emma enquanto encarava o casal.
–E bem, eu não vejo por que Zelena continuar presa se ela quer estar com Robin e ele quer estar com ela também.
Os dois confirmaram com a cabeça o que Regina dizia.
–E você está de acordo com isso, Regina? -Perguntou Emma.
–Eu não vejo motivos para descordar. Acredito que eles se amam e estejam preparados para se tornar uma família.
–Hum. Entendi. E por que você chamou a polícia? Algum desses indelinquentes tentou te ferir? -Perguntou enquanto analisava o corpo da prefeita para checar se a morena tinha algum machucado aparente.
–Emma, Robin não é deliquente. Tenha calma!
–Se está com ela -Apontou para Zelena. -É deliquente sim. Me responda se algum deles te feriu, Regina!
–Não Emma, está tudo bem. Eu só chamei David porque Zelena e
Robin foram avisados que Zelena seria solta mas viveria sob custódia da delegacia, ou seja, ela precisa colocar a tornozeleira para rastreamento e os braceletes para impedí-la de usar magia.
–Certo. Só uma pergunta para o senhor.
–Claro, Emma. -Disse o ex ladrão sorridente.
–Como é que você veio até aqui?
–Eu não entendi!?
–Você não tem carro, certo? Muito menos Zelena. Em Storybrook não existe taxi e os ônibus quase nunca passam. Como foi que vocês vieram até aqui?
–Eu vim a cavalo. Por que?
–Por que eu não estou vendo seu cavalo amarrado em nenhum lugar por aqui.
Emma estava de frente para a janela, procurando na rua, em frente à delegacia, algum cavalo amarrado em algum lugar por ali.
Regina estava confusa e não sabia onde Emma queria chegar com aquilo.
–Ah sim, eu parei alguns quarteirões daqui e viemos a pé.- Robin começou a ficar inquieto e coçar a testa em sinal de preocupação.
–Sim, você parou no Habbit Role, em frente ao hospital onde encontrou com Zelena, não é?
–Emma, o que você está fazendo? -Perguntou Regina.
–Deixa comigo. E por que não veio de cavalo até aqui?
–Por que com Zelena grávida, achei que pudesse ser perigoso.
Emma, o que está acontecendo aqui? Isso é algum tipo de interrogatório? Porque veja bem...
–Não fale mais nada, senhor Robin. O senhor está preso!
Emma tirou as algemas do bolso da calça e as passou nas mãos de Robin. Zelena parecia abismada e Regina completamente confusa.
–Preso? Mas o que Robin fez? Isso só pode ser coisa da Regina querendo destruir mais uma vez a minha vida! — Assumiu Zelena.
–Acredite, desta vez eu realmente não sei o que se trata, irmãzinha. E se dependesse de mim, quem estaria presa era você. -Respondeu Regina.
–Regina não tem nada a ver com isso, Zelena. O ladrãozinho aqui, roubou um cavalo e eu estou há meses procurando o responsável. Mas tinha certeza que uma hora ou outra o próprio ladrão se entregaria ao dar as caras por aí em cima do cavalo.
Robin encarou Zelena e pediu desculpas pelo que fez.
–E agora, o que será de Zelena, Regina? -Perguntou Robin antes que Emma o levasse dali.
–Bom Robin, acredito que se você não puder assinar a documentação assumindo a responsabilidade por ela, ela deve voltar para o hospital psiquiátrico. Sinto muito!
–Não! -Gritou Zelena! -Você ainda me paga, Regina! E você também. -Apontou Emma. -Não pensem que eu vou deixar quieto, quando Robin vier me buscar, eu vou acabar com as duas!
–Tudo bem, Zelena. Agora vamos, te dou uma carona até o hospital!
Emma deu uma piscadela para Regina antes de deixar a prefeitura. A morena sorriu de volta para Emma. Ela tinha que admitir que a loira havia sido muito esperta e que entre tantas outras qualidades, Regina adorava quando Emma desempenhava o papel de xerife com tanta maestria.
A prefeita deu por encerrado o seu dia, não tinha cabeça para continuar trabalhando depois de levar Roland para que a madre superior cuidasse dele. Blue seria a guardiã do garoto, já que o pai estava atrás das grades e a mãe morta. Regina estava triste por Roland, mas não havia nada que ela pudesse fazer para amenizar a situação.
Cansada decidiu parar para tomar alguma coisa no Granny's e depois seguiria direto para sua casa.
*****
Regina se sentou no balcão mesmo. Não estava a fim de fazer hora lá, iria apenas pedir sua bebida e ir embora dali. Na verdade, a prefeita detestava o ambiente do Granny's, mas além do Habbit Role, que era frequentado apenas pelo pessoal do reino das maravilhas e Regina não fazia a menor questão de vê-los e eles também não a recebiam muito bem, Granny's era o único lugar onde se podia tomar alguma coisa fora de casa.
–Srta Lucas, eu gostaria de um whisky duplo, caubói, por favor.
–É para já, prefeita.
A garçonete passou a bebida para a prefeita e Regina começou a prestar a atenção na morena. Ela nunca havia reparado que Ruby ia trabalhar com um short tão curto. Era bonita. Mas vulgar demais para o gosto de Regina. Pensou que se estivesse bêbada talvez encarasse uma noite de sexo com Ruby também. É, definitivamente, ela encararia uma noite de sexo com Ruby e não precisava estar tão bêbada assim, conclui quando a morena se abaixou para recolher o pano que estava no chão.
A morena se levantou e percebeu que Regina a olhava e então sorriu para prefeita. Regina sorriu de volta, sem graça. Então Ruby piscou para Regina.
A prefeita ficou sem jeito e desviou o olhar para a bebida a sua frente. Deu mais um gole e quando voltou a olhar atrás do balcão, Ruby não estava mais ali.
A mulher colocou as duas mãos, uma de cada lado, na cintura de Regina a fazendo saltar do banco com o susto.
–Quer mais? -Perguntou Ruby, ao ver o copo da prefeita vazio.
–Sim, por favor, Srta Lucas. -Respondeu educadamente.
A morena de cabelos longos deu a volta no balcão e encheu o copo da prefeita novamente com o melhor whisky que tinha.
–Afogando as mágoas, prefeita? -Perguntou em tom provocativo.
–Não. Apenas relaxando. -Respondeu Regina.
–Sei. Hoje é sexta feira. Você vai para algum lugar?
–Não, vou direto para casa.
–Acho que você deveria se divertir um pouco, Prefeita. Sabe, não faria mal.
Aquilo incomodou Regina, por que todo mundo achava que ela deveria se divertir? Por acaso, as pessoas presumiam que sua vida era um tédio e que ela não fazia nada além de trabalhar? Muito pelo contrário, Regina se divertia muito com Henry, quando o garoto estava em casa, ela passava horas vendo ele jogar videogame. Agora tinha Emma também, elas conversavam muito durante o jantar, iam ao parque nos finais de semana... Ah, se as pessoas soubessem que Regina também fazia sexo casual, com certeza parariam de achar que sua vida era monótona! Sim. Regina acreditava que tinha uma vida agitada fora da prefeitura.
–Se quiser, te deixo alguns convites para o Habbit Role. Vai até ter banda ao vivo!
–Não Srta Lucas, agradeço, mas aquele não é o tipo de local que eu frequento. Só por curiosidade, quem, em Storybrook, tem uma banda?
–Se você quiser matar sua curiosidade, vai ter que ir até lá e descobrir!
Regina teve a sensação de que a mulher estava flertando com ela. Se não já bastasse toda a confusão que ela estava medida, agora outras mulheres em Storybrook também começariam a dar em cima dela? Ela pensou que, talvez, após o envolvimento com Emma, as pessoas começaram a perceber que ela estava diferente. Que ela pudesse, também, gostar de mulheres.
Não que a prefeita não gostasse de ser alvo de cantadas, especialmente quando vinham de alguém que a prefeita achasse atraente, mas ela era fraca demais para pensar em se envolver com alguém que não fosse Emma. Ela lamentou por isso. Ruby provavelmente seria fantástica na cama.
–Sinto muito, Ruby. Eu não vou, além do mais, estou cansada.
–Poxa, é uma pena. Fique com os convites, caso mude de ideia.
Ruby estava sendo gentil e Regina não queria ser desagradável em recusar o convite, mas ela realmente não sentia a menor vontade de sair de casa quando tudo que ela mais queria estava lá, Emma.
–Não me leve a mal. Eu não vou deixar Emma sozinha, o bebê pode precisar de alguma coisa.
–É. Eu fiquei sabendo... Grávida, né? Aposto que não foi você que fez, quem é o pai?
–Pelo jeito, a Srta continua igual, não é mesmo?
–Vamos lá, Regina, me conta, é de Hook.
–Mas é claro que sim.
–Que pena. Por um momento achei que você tinha recuperado sua magia e quem sabe, feito esse bebê com as próprias mãos.
–Srta Lucas! -A prefeita gritou. -Eu não lhe dei essa intimidade, e além do mais, se quiser saber qualquer outra coisa sobre o bebê, pergunte você mesmo para Emma.
–Eu já perguntei, por isso achei que poderia ser seu.
Mas que raios Emma disse aquela mulher? A loira não teria falado nada para a garçonete insolente. É claro que o acordo de sexo casual ficou explícito que Henry não poderia saber de nada, mas era óbvio que Emma não poderia sair falando por ai. Regina era a prefeita, tinha uma imagem a zelar. A veia da testa da morena saltou com a irritação que a atingiu ao se dar conta que Ruby poderia saber de alguma coisa.
–Então a Srta Swan anda contando mentiras para se vangloriar.
Ruby começou a gargalhar.
–Qual a graça?
–Nada. É que você está com uma cara de quem viu um fantasma.
Eu estou só brincando com você Regina, eu não falei nada com Emma.
A sensação de alívio tomou conta da prefeita.
–Mas eu pergunto hoje a noite para ela. -Provocou Ruby.
–Hoje a noite? Devo esperá-la em minha casa?
–Não. Emma não te contou? Ela vai no Habbit Role!
A prefeita se levantou e saiu furiosa da lanchonete e nem se deu o trabalho de resmungar com Ruby, que continuava a gargalhar da sua irritação. Não sabia se estava mais irritada com o fato de Emma sair para um lugar deplorável ou se era porque Emma não a convidou. Mas o fato era que Regina não queria ver ou falar com Emma tão cedo.
Tudo bem estar apaixonada é atender todos os desejos da loira, mas, em troca, ela esperava que a loira a convidasse também para uma saída entre amigas. Ou para isso, ela não era necessária? Emma só a procurava quando queria alguma coisa e Regina sempre esteve ali. Se sentia idiota, traída de todas as formas.
Assim que colocou as chaves no carro, foi abordada por Emma na rua.
–Oi Regina! Para onde você vai?
–Não é da sua conta, Swan.
–O que foi agora, Regina? — Perguntou Emma cansada.
–Nada. Me solte!
–Eu falo sério. Você bebeu? Eu sinto cheiro de whisky em você.
–O que isso te interessa, Emma?
–Porque eu estou sendo um ser humano normal aqui que conversa como um ser humano normal, sem berrar com a outra pessoa, e só queria saber onde você estava indo...
–Pois eu não quero dizer, estamos entendidas, Srta Swan! Agora saia da minha frente e me deixe abrir o carro.
–Pois bem, entre nesse carro e eu a levo diretamente à delegacia.
– E posso saber por qual motivo a Srta vai me prender?
–Dirigir alcoolizada!
Regina bufava. Emma estava certa, ela não podia dirigir depois de tanto whisky que tomou. Maldita hora que a loira apareceu e a encontrou! Regina apoiou-se no carro e cruzou os braços. Emma a encarava curiosa.
–Pois bem, você quer conversar? Então vamos conversar. Do que você quer falar?
–Eu só queria saber se está tudo bem com você.
–Não, não está tudo bem comigo!
–O que houve, Regina?
–Todos nessa cidade acham que minha vida é um tédio, acham que eu sou tédio! Incapaz de sair de casa e me divertir, de ter amigos, de ter uma vida normal. Estou de saco cheio!
–Por que você acha que as pessoas pensam isso de você?
–Porque elas pensam. Eu sei que pensam. Eu não sou idiota, sei o que falam de mim por aí...
–Eu não penso assim de você e o melãozinho definitivamente não acha você um tédio.
Emma sorria e acariciava a barriga. Regina a observava, quase com o coração derretido, mais uma vez.
–Você acha isso também.
–Melãozinho, a prefeita bebeu um pouquinho hoje e não sabe mais o que fala!
Emma conversava com aquela criança de uma forma adorável. Ela tinha os olhos brilhando e um sorriso bobo, exclusivo para quando ela falasse com o melãozinho dela. A loira também segurava a barriga e a acariciava de uma forma única. Regina babava quando Emma estava tendo um de seus momentos com o bebê.
–Eu sei que acha, não adianta negar, Swan!
–Por que isso agora?
Regina tirou da bolsa os convites da festa que Ruby a entregou, mostrando eles a Emma.
–Porque eu gostaria que você tivesse me convidado.
A prefeita estava se esforçando para ter uma relação com menos barreiras com Emma. Era difícil deixar o orgulho de lado e tentar expor algum sentimento para a loira. Mas ela fazia o melhor que conseguia.
Emma a olhou com um sorriso divertido no rosto. Pegou os dois convites que Regina tinha nas mãos e olhou para ver do que se tratava.
–Eu nunca imaginei que você quisesse ir!
–Tá vendo? Você não me acha divertida!
–Não é nada disso, Regina. Eu conheço você, eu sei das suas questões com o Habbit Role. Por isso não te convidei. Nem eu sabia se iria, como eu poderia te convidar?
Regina desviou o olhar.
–Não que eu quisesse ir... Eu só queria ter sido convidada.
–Mas agora você vai! Quer dizer, nós vamos!
–Ah, mas eu não vou de jeito nenhum nesse lugar!
–Claro que você vai. Te encontro as 9 na sala de casa. E até lá, favor, não se meta em encrencas dirigindo bêbada por aí.- Disse devolvendo a chave do carro de Regina.
A prefeita abriu um sorriso largo e satisfeito.
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