Seoul.

O ar gélido do amanhecer se infiltrava em meu corpo através do casaco grosso e grande que cobre até a ponta dos meus dedos. Discretamente abri os olhos para a imensidão dessa cidade ao qual já estou tão habituada. Uma multidão de pessoas começa a tomar as ruas, os sons da manhã foram abafados pelo som proveniente dos meus fones de ouvido. O céu a maior parte do tempo é cinza, nostálgico, frio. Apesar dos pesares, mesmo a quilômetros e quilômetros de distância do meu país, sinto como se esta fosse minha casa agora, como se Seoul tivesse se tornado uma parte de mim.

A língua é diferente, a cultura, a aparência, mas os sentimentos são os mesmos, as almas são as mesmas. Aonde quer que eu vá, em cada canto desse mundo, embora não entenda de início uma única palavra daquele povo, o que temos por dentro, é igual.

A pequena parte do terraço da empresa que fica aberto tem a melhor vista da cidade, meus olhos podem vagar livremente por todos os lados, em cada um deles miro uma multidão de prédios ou de neblina querendo atrapalhar a vista. Talvez, eles façam parte dela. Dia ou noite, manhã ou madrugada quando temos que passar a noite aqui mesmo, esse é o meu lugar preferido, seja para um simples telefonema, a finalização de algum projeto da faculdade ou até uma mínima respirada ao longo do dia quando não só quero, mas, preciso ficar pelo menos 5 minutos sozinha.

Logo o expediente começa, hoje o grupo fará um photoshoot para as capas do novo álbum antes da turnê. O dia será cheio, sei que me cansarei bastante só restando ao seu final a louca vontade de me jogar na cama e quem sabe não acordar mais, porém, ainda tenho uma apresentação oral na Seul University.

O alarme tocou as 6h50.

Guardei a cópia já finalizada e revisada para mais tarde de " Um conto de duas cidades " de Charles Dickens, e saí da minha playlist lotada de músicas dele, não só as que escrevia, como também as que ele cantava, principalmente as que ele cantava. Sei que devo parar com isso, que esse hábito pouco a pouco me sufoca quanto mais nos conhecemos, só que falar é bem mais fácil do que fazer. Retirei os fones e levantei da cadeira especial que mantenho escondida só para sentar quando fugo do caos lá debaixo, e assim que me virei, lá estava ele.

Kim Nam-joon.

Seus braços se cruzam em frente ao corpo encostado em uma das pilastras da passagem, ele usa um dos casacos da Neighborhood e o boné escuro com argolinhas que já passou e até hoje passa por todos eles.

Há quanto tempo ele está parado ali?

Pelo jeito esse foi só mais um dia em que passou a noite no estúdio ao invés de voltar para o dormitório, ele sempre se esforça em dobro, as vezes em triplo.

— Oi. — disse quebrando o silêncio que nossos olhos mantinham.

— Oi. — razão do meu coração bater estranho.

Ele se aproximou, eu apressei minha retirada em busca de sair o mais rápido possível, antes que alguém nos visse juntos e sozinhos.

— Eden, você não precisa sair só porque eu estou aqui. — suspirou cansado.

Segundo o meu contrato bem especifica e também todos os managers com os quais lido há quase seis meses, eu preciso sim.

— Você sabe que não é verdade. — respondi pondo a bolsa nos ombros e suprimindo meu próprio suspiro ao encarar suas covinhas contrariadas que mesmo inconscientemente ele mostrava. — Eu preciso desse emprego e não quero me meter em problemas.

Desci as escadas do terraço em tempo record, indo em direção ao elevador para mais um dia como staff do Bangtan Sonyeondan.