I'm here with you.
11 Troca de olhares.
Notas iniciais
Emma P.O.V:
Já haviam se passado duas semanas desde a última vez que vi Regina e mesmo assim ela não saía de meus pensamentos, a morena assombrava minhas noites de sono e eu não tinha um minuto de descanso porque durante o dia tudo que eu fazia era pensar nela. Eu a magoei mas não pensei que demoraria tanto tempo para nos vermos de novo.
Eu estava deitada no sofá da casa de meus pais enquanto assistia um filme qualquer na televisão, não queria sair e nem fazer absolutamente nada. Eu sentia um vazio enorme em meu peito e sabia que aquilo só seria preenchido com uma certa morena dona dos olhos mais intensos que eu já havia visto.
Não entendia meus sentimentos por Regina ainda, tinha dias que eu sentia raiva da mulher porém tinham outros que eu simplesmente a queria perto de mim e hoje era um desses dias. Meu coração batia apertado em meu peito quando eu pensava nela e em tudo que já havíamos passado. Eu sabia que precisava ligar para ela, Regina era cabeça dura e não viria até a mim, ela era orgulhosa demais, nossa reaproximação teria que partir do meu lado mas eu tinha medo dela me rejeitar e aquele medo me fazia ficar sentada lamentando a falta da morena sem ter coragem de ir atrás dela.
Quando contei que havia beijado Killian eu não esperava aquela reação dela. Achei que ela iria me matar e antes matar o coitado mas ela reagiu de uma forma tão inesperada. Ainda consigo ver seus olhos cheios de lágrimas enquanto me encaravam de forma magoada, eu havia a machucado e aquilo fazia com que eu sentisse mais medo ainda de tentar me reaproximar.
Henry mesmo sem saber o que realmente estava acontecendo me disse para dar um tempo a ela, ele falou que se ela estava chateada então era melhor a deixar sozinha para pensar e que quando ela se sentisse pronta viria até a mim. No momento aquele conselho daquela criança parecia a coisa certa mas haviam se passado duas semanas e Regina ainda não tinha tentado nenhum contato comigo. Mesmo com o meu trabalho de xerife eu não havia encontrado a mulher uma única vez em Storybrooke então com certeza ela estava me evitando.
Estava tão pensativa que não notei quando Mary Margaret se aproximou com o pequeno Neal no colo.
"- Não me diga que você não vai na festa do seu próprio irmão, Emma" Ela me olhava com certa reprovação enquanto balançava o pequeno em seu colo.
"- Me desculpe mas isso não é uma festa, não estamos na floresta encantada para Neal ser apresentado para todo o reino" Respondi enquanto dava risada e esticava os braços para pegar meu irmão no colo.
"- Não importa, você vai de qualquer jeito. Até Regina vai então porque a..."
Não a deixei continuar a frase e com os olhos arregalados perguntei para ter total certeza:
"- Regina vai?" Minha voz não passava de um sussurro.
"- Sim, Emma. Eu a convidei, agora vá se arrumar e depois esteja no Granny's, se você não chegar em meia hora pedirei para o seu pai vir te buscar" Mandou como se eu fosse uma criança de dez anos enquanto apontava para as escadas e pegava Neal de meus braços.
Saber que Regina estaria lá acendeu algo dentro de mim, agora eu precisava ir. Precisava ver a mulher e ainda não pareceria desesperada já que não fui eu que corri atrás dela. Não sabia ainda se iríamos nos aproximar durante a festa, não sabia nem como iria começar algum assunto com ela mas apenas o fato de a encontrar já estava enchendo meu coração de felicidade.
Então correndo subi as escadas e entrei no banheiro, tomaria um banho e me arrumaria o mais rápido possível.
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Regina P.O.V:
"- Vamos Henry, desse jeito chegaremos atrasados" Disse alto o suficiente do andar de baixo para que meu filho me escutasse do quarto dele.
Não sabia o que estava acontecendo comigo. Quando Mary Margaret me convidou para a festa eu tinha certeza que não iria por um simples motivo: Emma Swan estaria lá. Faz quinze dias que nós não nos vemos e ela não veio atrás de mim nenhuma vez. Claro que eu não facilitei também, já que mal sai de casa todos os dias mas eu realmente esperava certa insistência da loira. Aquilo me desapontou um pouco.
Eu sentia sua falta. Demorei alguns dias para assumir aquilo mas era verdade, meu relacionamento com ela nunca foi fácil e mesmo depois de termos parado com as brigas e discussões continuou sendo complicado e então nos beijamos. Desde o último dia que a vi venho tentando esquecer e apagar esse momento da minha memória mas é impossível, quando eu consigo passar um dia inteiro sem relembrar como me senti quando ela me tocou ou que meu coração estava partido desde a última vez que nos encontramos, ela aparece em meus sonhos.
Henry não tem uma casa fixa já que cada dia decide que quer dormir em um lugar diferente e como a casa de Mary Margaret é extremamente pequena suas roupas acabaram ficando a maioria em minha casa por isso ele estava aqui hoje, veio se arrumar para irmos na festa.
Mesmo com Henry vindo praticamente a cada dois dias até aqui, Emma não havia trazido ele nenhuma vez. Eu tinha certeza que a loira iria fazer aquilo, ela era insistente e a qualquer brecha tentaria uma reaproximação, mas quando Henry apareceu sozinho em minha porta da primeira vez eu fiquei totalmente desapontada. Talvez ela não sentisse minha falta como claramente eu sentia a dela mas não tinha coragem de assumir.
"- Henry, você quer perder a festa do seu tio?" Disse impaciente enquanto batia um pé no chão.
Não sabia porque estava tão ansiosa mas eu queria ir para essa festa o mais rápido possível, só em pensar meu coração disparava e minhas mãos começavam a transpirar mas eu precisava ficar calma. Não podia aparentar esse nervosismo todo.
"- Pronto mãe, podemos ir" Henry finalmente apareceu e disse enquanto descia as escadas.
"- Você está lindo, filho" Respondi com a voz carregada de orgulho.
"- Não precisa ficar nervosa mãe, vai dar tudo certo" Henry disse com simplicidade enquanto piscava pra mim e andava em direção à porta.
Aquilo me pegou completamente de surpresa e eu precisava saber como ele sabia que eu estava nervosa já que eu não havia dito nada em relação a isso.
"- Quem te disse que eu estou nervosa com algo?" Perguntei enquanto passava um braço envolta de seus ombros.
"- Você não precisa dizer, mãe" Ele riu enquanto balançava a cabeça "- Você me chamou umas dez vezes em menos de cinco minutos, eu te conheço" Continuou enquanto dava de ombros.
Eu tinha certeza que meu filho não sabia tudo que tinha acontecido entre Emma e eu, mas ele certamente sabia de alguma coisa.
Assim que chegamos perto do Granny's podíamos ouvir barulho de gente conversando da calçada e aquilo me deixou mais nervosa ainda. Meu coração disparou no meu peito e automaticamente passei as mãos pelo meu vestido preto para deixá-lo arrumado. Henry me encarava com uma sobrancelha levantada e sem dizer nada simplesmente saiu correndo e entrou no restaurante. Agora todos sabiam que havíamos chegado e o nervosismo começou tomar conta de meu corpo, nem eu mesma entendia o que estava acontecendo comigo e depois de respirar fundo algumas vezes decidi entrar no local.
A festa já estava cheia e eu conseguia encontrar alguns rostos mais conhecidos no meio de todos, menos quem eu estava procurando. Emma não estava em lugar nenhum e aquilo me desapontou um pouco, talvez a loira não viesse justamente porque sabia da minha presença.
"- Olá Regina, boa noite. Fico feliz que você veio" Mary Margaret disse enquanto andava em minha direção "- Está tudo bem?" Perguntou com um ar de curiosidade enquanto me encarava, devia ter notado minha cara de frustração.
"- Sim, está" Respirei fundo para me recompor antes de continuar "- Obrigada pelo convite" Disse sincera enquanto passava os dedos pelos pequenos fios de cabelo na cabeça de Neal que estava em seu colo.
"- Regina, você poderia segurar ele um pouco?" Perguntou enquanto já colocava a criança praticamente em meus braços "- Eu preciso resolver uma coisa rápida" Disse e saiu andando para o meio de todos que estavam ali.
Meus olhos se arregalaram quando Neal em meu colo começou a chorar pela falta de sua mãe e rapidamente comecei a tentar procurá-la no meio de todos, eu nunca gostei muito de crianças e a única que eu amava desde neném era Henry então não pretendia ficar com aquele bebê em meus braços por muito tempo.
Quando me virei em direção à porta uma descarga de energia invadiu todo o meu corpo quando nossos olhos se encontraram. Ela estava linda, com uma calça jeans escura e colada, uma camisa social e em seus pés um sapato de salto. Aquilo me fez sorrir um pouco pois todos sabiam que Emma Swan nunca usava sapatos de salto, mas por algum motivo hoje ela havia resolvido usar e eu acreditava que ela havia se arrumado assim para chamar atenção de alguém, e esse pensamento fez um pequeno sorriso surgir em meus lábios.
Quando nossos olhos se encontraram de novo ela também sorria tímida em minha direção, gostaria tanto de poder saber o que ela estava pensando naquele momento e nesses quinze dias que ficamos longe uma da outra.
A verdade é que não parece que se passaram duas semanas, naquele momento enquanto nos olhávamos parecia que não tinham se passado nem alguns segundos e meu coração batia forte dentro do meu peito. Mas o choro de Neal em meu colo chamou minha atenção, eu o encarei enquanto o balançava de um lado para o outro e quando levantei meu olhar para onde a loira estava parada segundos atrás não havia mais ninguém.
Como o bebê não parava de chorar por nada decidi que seria melhor ir lá fora com ele, aonde o barulho não era tanto e eu podia tentar o acalmar. Minha vontade era matar Mary Margaret por ter me dado seu filho sem nem me deixar dizer que não queria o segurar. E com isso em mente me encaminhei para fora do restaurante.
A noite não estava tão fria porém não estava muito agradável para um bebê, o encarei mais uma vez e notei que ele estava vermelho de tanto que chorava e aquilo estava me deixando completamente incomodada. Estava claro que ele não gostava de mim e não pararia de chorar enquanto sua mãe não o pegasse dos meus braços, mas como isso parecia que ia demorar um pouco eu decidi que tinha que fazer algo.
Olhei para o bebê mais uma vez antes de enrolá-lo dentro de meu casaco e aperta-lo de encontro ao meu peito. Sentei em um banco qualquer em frente ao restaurante e comecei a cantar uma música de ninar que estava acostumada a cantar para Henry quando ele era bebê e logo Neal começou a se acalmar em meu colo, quando me dei conta a criança já estava dormindo e eu soltei um suspiro de alívio.
Me virei em direção ao restaurante para ver se Mary Margaret aparecia e me surpreendi com Emma a alguns metros de distância me encarando com um sorriso maravilhoso nos lábios. Por quanto tempo ela estava parada ali? Minhas bochechas ficaram vermelhas de vergonha ao imaginar que ela tinha visto toda a cena com Neal enquanto eu o fazia dormir e me senti mais envergonhada ainda quando ela começou a andar em minha direção.
Meu coração batia como louco dentro do peito e eu estava ansiosa. Finalmente iríamos nos falar desde aquele último dia em minha casa e eu não podia contar nos dedos o tanto que pensei naquela conversa, e esperei por isso.
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