I'm here with you.
12 Sem definição.
Notas iniciais
Emma P.O.V:
Ver Regina com meu pequeno irmão nos braços, se esforçando para acalmar o bebê que chorava descontrolado, foi uma das cenas mais lindas que já vi na vida. A mulher que durante tanto tempo nutriu ódio por toda a minha família estava ali sozinha cuidando de meu irmão. Eu não sabia o porquê ela estava com ele, mas meu coração se encheu de alegria ao pensar que minha mãe talvez tivesse dado o pequeno para Regina por um tempo. Mary Margaret, assim como eu, realmente confiava que Regina havia mudado pois a morena estava sozinha com Neal nos braços enquanto tentava de todo o jeito o acalmar.
Então quando ela o enrolou em seu casaco e uma melodia linda começou a sair de sua boca meu coração parecia desmanchar, ela cantava uma música de ninar enquanto balançava o pequeno de um lado para o outro delicadamente, e eu não consegui sair do lugar. Fiquei encarando aquela cena até Neal pegar no sono e Regina se virar em minha direção.
Quando nossos olhares se encontraram novamente um sorriso automaticamente nasceu em meus lábios e eu senti minhas bochechas corarem, estava com vergonha pois tinha sido pega no flagra a encarando. Mas sem pensar duas vezes, tentando ignorar meu nervosismo, me encaminhei e sentei no banco ao seu lado. Senti Regina ficar tensa com a minha aproximação, e sem querer uma risada baixa saiu de minha boca. A mulher ao meu lado me encarou de forma curiosa e deixou um pequeno sorriso aparecer em seus lábios.
Eu queria dizer algo mas Regina estava tão linda que eu não conseguia parar de olhá-la. Nossos olhos pareciam travar uma batalha enquanto nos encarávamos, eu queria estudar e decorar todo seu rosto pois faziam dias que eu não a olhava e apenas lembrava em meus pensamentos de cada traço delicado e expressão.
Regina não desviou o olhar nenhuma vez mas eu sabia que ela estava incomodada e com vergonha, podia notar isso pela maneira como suas bochechas estavam vermelhas e ela mordia o lábio inferior, além de suas sobrancelhas estarem juntas e curvadas deixando seu olhar com um ar de curioso e confuso.
"- Parece que ele gosta de você" Falei a primeira coisa que passou em minha mente. Aquele silêncio iria se instalar para sempre se eu não tomasse uma iniciativa.
"- Não parecia isso a alguns minutos atrás" Ela respondeu rindo enquanto olhava Neal em seus braços.
"- Porque você está sozinha com ele aqui fora?" Resolvi perguntar porque aquilo realmente estava me deixando curiosa.
"- Sua mãe o entregou para mim e disse que precisava resolver algo, então aqui estou eu" Deu de ombros enquanto falava olhando em meus olhos.
"- Você parece tão confortável com um bebê no colo" Eu disse sem pensar e só me dei conta de minhas palavras quando Regina me olhou confusa "- É... quer dizer, você parece lidar bem com essa situação" Continuei enquanto passava uma mão pelos meus cabelos "- Ele até parece um acessório de tão bem que fica em seus braços" Falei novamente sem pensar em como aquilo soava idiota e sem sentido.
Regina simplesmente me olhou e começou a rir, aquilo me deixou ainda mais nervosa mas o sorriso da mulher era tão encantador que eu não consegui ficar sem rir junto com ela. Rimos por um bom tempo, sem realmente entender o motivo. Até Regina olhar para mim com o rosto vermelho e dizer:
"- Posso ver que você está nervosa, Emma" Pude notar um sorrisinho em seu rosto conforme ela disse aquilo.
"- Óbvio que eu estou nervosa, Regina. Quinze dias é muito tempo" Respondi sincera enquanto encarava minhas próprias mãos.
"- É, eu sei. Achei que você..." Ela ia dizer algo mas uma voz vinda da porta a cortou.
"- Ai está você, Regina. Quase morri de preocupação" Mary Margaret veio rápido em nossa direção enquanto nos encarava.
"- Se você não morresse de preocupação eu iria te matar por ter me deixado sozinha com seu filho" Regina respondeu séria mas podia sentir um tom de brincadeira em sua voz.
"- Obrigada por ter ficado com ele" Minha mãe respondeu enquanto pegava o bebê dos braços da mulher ao meu lado "- Emma, que bom que você veio" Falou diretamente para mim e começou a andar em direção ao restaurante "- Não demorem para entrar, ta bom?" Foi sua última frase antes de fechar a porta de entrada do Granny's.
Regina ao meu lado esticou os braços os alongando e depois fez o mesmo com seu pescoço, provavelmente estava dolorida por ter ficado segurando o bebê na mesma posição por um tempo. Fiquei a observando até ela parar de se alongar e sentar direito no banco.
Um silêncio se instalou a nossa volta e eu não sabia o que dizer. A verdade era que eu tinha tanta coisa para falar a ela, gostaria de dizer como eu senti sua falta em todos aqueles dias mas não tinha coragem. Não sabia como ela iria reagir por isso resolvi guardar aquelas palavras para mim.
"- Como você passou esses dias?" Perguntei já que não tinha mais nada a dizer.
"- Bem e você, Emma?" Ela respondeu e eu pude notar em sua voz que ela queria dizer mais algumas coisas. Talvez ela não tivesse coragem assim como eu.
"- Bem também" Falei baixo enquanto dava de ombros "- Mas eu fiquei pensando em tanta coisa, Regina. Acho que deveríamos..." Comecei a falar, finalmente tomando coragem mas uma voz interrompeu me impedindo de continuar.
"- Mãe, mãe? O que vocês estão fazendo aqui?" Henry perguntou enquanto se encaminhou até a nossa frente "- A festa é lá dentro" Continuou com uma risadinha na voz.
"- Só estamos conversando, querido" Regina respondeu, enquanto segurava em uma de suas mãos. "- Daqui a pouco vamos entrar, tudo bem?"
"- Claro, então até daqui a pouco" Henry respondeu rindo enquanto caminhava para dentro do restaurante de novo.
Mais uma vez o silêncio se instalou. Parecia que o mundo estava conspirando para que não conseguíssemos conversar e resolver as coisas, sempre que começávamos a falar alguém aparecia e nos interrompia e eu estava me sentindo frustrada com tudo aquilo. Encarei Regina e a mulher ao meu lado também não estava feliz com aquela situação, podia notar em seus olhos isso.
"- Regina, acho que precisamos conversar" Eu finalmente disse depois de tomar coragem.
"- Sim, Emma. Eu concordo com você" Ela respondeu com sinceridade enquanto soltava um suspiro.
"- Então, sobre aquele dia" Respirei fundo antes de continuar "- Eu me senti tão confusa, e quando a gente se beijou eu..."
"- Emma?" Novamente alguém nos interrompeu "- Emma, Regina, não demorem para entrar, daqui a pouco vamos cortar o bolo" David falou da porta do restaurante e logo em seguida entrou novamente.
Eu respirei fundo e soltei o ar com força, querendo demonstrar como tudo aquilo estava me deixando sem paciência. Eu queria conversar com Regina, queria resolver tudo, mas sempre que tentava alguém aparecia e acabava com o momento.
"- Desse jeito não vamos conversar sobre nada" Me virei para ela enquanto falei com um sorriso frustrado nos lábios.
Regina nada disse mas levantou as mãos e de repente uma fumaça roxa nos rodeou, quando eu abri os olhos de novo estávamos sentadas no sofá de sua casa e ela me olhava com um sorriso tímido.
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Eu não aguentava mais Emma tentar falar comigo e alguém aparecer bem na hora para nos interromper então simplesmente usei magia para irmos para um lugar mais silencioso e distante de todos. Se iríamos finalmente ter aquela conversa então nada poderia nos atrapalhar.
Emma me olhava confusa enquanto uma risada abafada saia de seus lábios.
"- Desculpe, Emma. Mas estava claro que não íamos conseguir conversar naquele lugar" Eu expliquei dando de ombros.
"- Tudo bem" Ela riu enquanto se ajeitava em meu sofá "- Mas com certeza irão começar a nos procurar quando sentirem nossa falta, principalmente Henry"
"- Você tem razão. Talvez não tenha sido uma boa ideia" Respondi com sinceridade "- Eu não pensei na hora, e é a festa do seu irmão. Não devia ter te tirado de lá" Continuei enquanto batia com a palma da mão de leve em minha testa.
"- Não Regina, está tudo bem" Emma respondeu rapidamente enquanto segurava em meu pulso e afastava minha mão de meu rosto "- Eu quero conversar com você" Continuou enquanto olhava fundo em meus olhos.
Suas palavras foram tão sinceras que me deixaram paralisada, eu não sabia o que dizer. Fiquei esperando todos os dias por essa conversa, esperava que Emma tivesse vindo falar comigo mais cedo mas não aconteceu e agora eu estava nervosa. Não sabia o que dizer, nem por onde começar. Estava confusa com tudo, meus sentimentos por Emma eram uma confusão dentro da minha cabeça.
"- Olha, Regina" Emma suspirou antes de começar a falar "- Eu realmente não sei o que aconteceu naquele dia, aquele beijo me deixou completamente confusa e eu não sei o que pensar" Enquanto dizia olhava fundo em meus olhos.
"- Eu te entendo, sinto a mesma coisa" Simplesmente disse enquanto soltava o ar que nem sabia que estava prendendo.
"- Não, Regina. Você não sente a mesma coisa" Emma continuou com um pouco de tristeza na voz "- Você não sente o que eu sinto. Esses quinze dias foram horríveis para mim. Eu não consegui parar de pensar em você durante todos eles" Sua voz estava um pouco esganiçada, provavelmente porque Emma estava se segurando para não chorar, mas mesmo assim ela continuou "- Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas você não sai da minha cabeça. Ter você em meus braços naquele dia pareceu tão certo, como se fosse destinado a acontecer" Continuou enquanto gesticulava, mostrando como estava nervosa "- E depois ficar todos esses dias sem te ver ou saber de você foram como a pior tortura" Terminou com o olhar vago para o chão.
Aquilo me quebrou, Emma estava se abrindo comigo de uma maneira surpreendente e eu estava completamente sem fala. Tudo que a mulher a minha frente disse era um reflexo do que eu mesma tinha sentido durante essas duas semanas.
"- Emma" Chamei esperando que ela fosse olhar para mim, mas ela não se mexeu então eu decidi colocar minha mão embaixo de seu queixo para que ela me olhasse. Seus olhos estavam, cheios de lágrimas e ao ver aquela cena meu coração começou a bater como um louco dentro do meu peito. "- Eu não quero ficar tanto tempo longe de você mais uma vez" Disse por fim me livrando do peso que aquelas palavras estavam fazendo em minhas costas. Eu precisava ser sincera e essa era a hora para isso.
"- Eu não sei definir em palavras o que eu sinto por você, mas é maior que tudo que eu já senti antes" A loira a minha frente disse enquanto se aproximava mais de mim.
"- Eu acho que é por isso que eu me afastei. Fiquei com medo de tudo isso" Falei como se completasse sua fala.
"- Exatamente isso, e então eu beijei Killian" Ela respondeu com um pouco de timidez na voz.
Ao lembrar daquilo um incômodo se instalou no meu estômago e eu me mexi inquieta no sofá, aquela lembrança não era nada agradável e eu sentia meu coração bater ainda mais forte. Acho que Emma notou meu olhar de decepção e apenas colocou uma mão em cima da minha e apertou antes de continuar:
"- Mas eu só fiz aquilo porque queria provar a mim mesma que tudo que senti quando nos beijamos não passava de uma ilusão. Mas ai eu realmente senti alguma coisa enquanto o beijava" Ela disse fazendo com que eu arqueasse as sobrancelhas, não esperava por aquele final. Mas ela simplesmente apertou ainda mais minha mão e entrelaçou com a dela "- Enquanto eu o beijava eu pensei em você, no nosso beijo e em como eu me senti naquela hora. Eu nunca havia sentido nada parecido beijando outras pessoas, Regina e..."
"- Poderíamos falar de outra coisa que não envolva você beijando outras pessoas? Principalmente aquele pirata bêbado e cafajeste" A cortei enquanto relaxava um pouco e sorria.
"- Será que isso é ciúmes?" Emma provocou com um sorriso ainda maior que o meu.
"- Não me provoque, querida. Sabe que minha paciência se esgota rápido" Respondi enquanto arqueava uma sobrancelha e piscava para ela.
"- Mas é sério, Regina. O que tudo aquilo significou?" Emma perguntou voltando ao clima sério que estávamos a pouco tempo.
"- Eu não sei, Emma. Não sei se posso definir o que significou ou o que eu sinto" Respondi sincera enquanto acariciava sua mão.
"- Talvez não devêssemos tentar definir então" Ela deu de ombros enquanto chegava naquela conclusão.
E talvez Emma realmente estivesse certa, às vezes seria melhor apenas viver sem uma definição do que perder uma grande parte da vida tentando definir algo. Talvez era aquilo que precisávamos no momento, apenas viver e esquecer do resto. E quando tivéssemos certeza ai sim poderíamos conversar e resolver tudo.
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