I'm here with you.
10 Revelações.
Notas iniciais
Emma P.O.V:
Ver Henry no chão caído fez com que toda raiva que eu sentia no momento desaparecesse. Meu filho era a coisa mais importante no mundo pra mim e era óbvio que eu não queria que nada de mal acontecesse com ele. A única pessoa que era ainda mais super protetora com Henry era Regina e quando olhei em seus olhos percebi como ela estava apavorada então eu precisava mostrar para ela que estávamos juntas para ajudá-lo.
Henry não tinha se machucado gravemente mas teria que ir ao hospital para termos certeza se o corte não precisaria de pontos. Já Regina como sempre discordava de mim, e mais uma vez uma discussão começou:
"- Não seja exagerada Swan, todos sabem que a boca é um lugar sensível e sangra bastante mas isso não quer dizer que Henry precise de pontos" Ela dizia gesticulando enquanto apontava para o garoto que segurava um saco de gelo contra o lábio.
"- Eu não estou sendo exagerada, Regina. Olha como esse corte está fundo" Rebati também apontando para Henry "- Eu vou levar ele para o hospital, você gostando ou não" Continuei decidida enquanto batia um pé no chão.
"- As coisas não funcionam dessa maneira, você não vai levar o meu filho para o hospital sem o meu consentimento" Regina respondeu enquanto apontava o dedo para o meu rosto.
"- ELE É MEU FILHO TAMBÉM!" Dei um grito enquanto empurrava o dedo dela para longe de mim.
"- Meu Deus, qual é o problema com vocês duas?" Henry se levantou ficando no nosso meio "- Estava tudo bem essa tarde e agora parece que vocês voltaram a se odiar" Ele continuou enquanto olhava para nós.
"- Ou talvez nunca deixamos de nos odiar" Regina disse baixo porém pude ouvir suas palavras claramente e Henry também.
Aquela frase me pegou completamente de surpresa e eu senti minha garganta fechar. Aquilo não deveria me afetar do jeito que afetou mas eu me sentia mal, o que Regina disse tinha sido como uma facada direto no meu peito. Eu não conseguia acreditar que ela havia falado aquilo depois de tudo que passamos.
"- É, talvez" Respondi dando de ombros e desviando o olhar da mulher a minha frente. Não queria demonstrar fraqueza e ela não merecia saber como eu estava me sentindo.
Um silêncio constrangedor se instalou no ambiente, Henry estava de cabeça baixa e Regina olhava para todos os lugares menos pra mim. Parecia que ela estava se sentindo mal com suas próprias palavras e eu me perguntava porque ela tinha as dito então. Regina era muito cabeça dura e falava as coisas sem pensar, eu sabia disso. Mas aquilo depois de um momento tão íntimo e delicado foi mais do que passar dos limites.
Depois de um tempo de silêncio Henry apenas soltou o ar pela boca fazendo um barulho de desaprovação e disse:
"- Nada do que é bom parece durar nessa família" Então deu de ombros e nos olhou com um ar de desapontamento.
"- Henry, me desculpe. Eu falei da boca pra fora. Não odeio sua mãe" Regina disse sincera enquanto me encarava "- Ela só me irrita as vezes" Terminou com a expressão mais relaxada.
"- As vezes eu acho que essa raiva toda de vocês uma pela outra no final de tudo não passa de amor" Henry disse como se aquelas palavras não fossem nada de mais.
Meus olhos instantaneamente se arregalaram depois daquela afirmação. Em minha mente só vinham cenas do meu beijo com Regina e um medo súbito me invadiu ao pensar que talvez Henry teria visto aquilo. A morena a minha frente também se assustou pois sua respiração estava pesada e ela encarava o garoto enquanto abria e fechava a boca.
"- O que você quer dizer com isso, Henry?" Fui obrigada a perguntar, o medo me fazendo ficar cada vez mais nervosa. Podia sentir as palmas de minhas mãos começando a transpirar com aquele clima pesado.
"- Oras, é o que todo mundo diz. As vezes quando duas pessoas se amam e não sabem demonstrar elas acabam demonstrando ódio no lugar" Continuou sem dar muita importância "- Vocês brigam por tudo, não dá pra ter outra explicação" Terminou com um sorrisinho no rosto.
O que Henry tinha acabado de falar não fazia sentido algum. Eu não amava Regina, uma coisa dessas seria impossível.
"- Você quer dizer que a vontade de matar sua mãe que eu sinto praticamente todos os dias é amor?" Regina perguntou ao garoto enquanto tentava quebrar o clima que tinha se instalado no ar. Ela conhecia Henry e sabia que ele notaria algo estranho se aquele silêncio continuasse por muito tempo e logo ele afirmaria que estava certo. Agradeci Regina mentalmente por aquilo.
"- Ei garoto, como está a boca?" Perguntei enquanto me aproximava dele e tentava mudar de assunto.
"- Não está mais sangrando, apenas dói um pouquinho" Henry me respondeu enquanto tirava o gelo da frente e tentava dar um sorrisinho.
"- Mas isso eu posso resolver em um segundo" Regina disse quanto prontamente se aproximava de Henry com um sorriso no rosto.
A morena levantou sua mão direita e usando magia fez o corte do garoto desaparecer em alguns segundos. Henry sem acreditar passou os dedos pelos lábios e sorriu em agradecimento, logo em seguida abraçou sua mãe e Regina depositou um beijo carinhoso no topo de sua cabeça.
Os dois tinham construído um relacionamento muito bonito desde a minha chegada em Storybrooke e eu apreciava isso. Regina sempre amou Henry e ao crescer e perceber isso o garoto passou a amá-la de volta, como ela merecia. A relação dos dois era uma coisa bonita de se ver e enchia meu coração de felicidade.
Mesmo sem entender, mesmo sentindo raiva de Regina naquele momento, eu apenas sabia que dependendo de mim nada nunca destruiria o amor que aqueles dois tinham construído.
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Regina P.O.V:
Enquanto eu abraçava Henry pude notar os olhos de Emma praticamente brilhando em nossa direção. Quando a loira chegou em Storybrooke meu relacionamento com meu filho não era nada bom, ele sabia que eu era a Rainha Má e por isso não gostava da minha presença e jurava que eu faria mal até a ele. Emma foi a maior responsável em ter mudado esses pensamentos dele, ela mostrou que acreditava em mim mesmo quando todos estavam contra e que apesar de tudo eu era mãe dele. Por mais que eu não quisesse assumir, a loira tinha mudado a minha vida. Talvez mais do que eu pudesse imaginar.
"- Henry, agora você pode voltar para a cama. Já está muito tarde e não pense que irá faltar na escola" Falei querendo cortar meus pensamentos enquanto ria e bagunçava os cabelos de meu filho.
"- Tudo bem, mãe. Eu já vou" Ele me respondeu prontamente pois sabia que eu era rigorosa quando se tratava de seus estudos, e logo em seguida foi em direção a Emma dando um abraço apertado na loira "- Mas só se vocês prometerem não brigar de novo, por favor" Pediu com sinceridade enquanto nos encarava.
"- Pode ir tranquilo, garoto. Não vamos brigar" Emma respondeu sincera enquanto me encarava, esperando eu dar minha resposta.
"- O máximo que pode acontecer é eu enforcar sua mãe aqui no meio da nossa sala" Disse enquanto levantava uma sobrancelha fazendo cara de má.
Henry e Emma arregalaram os olhos e ficaram me encarando. Logo eu comecei a rir pois as feições deles estavam hilárias além de idênticas. Percebendo que tudo não se passava de uma brincadeira minha os dois riram também e dando de ombros Henry subiu as escadas em direção ao seu quarto, me deixando sozinha com Emma pela terceira vez.
A verdade era que eu estava curiosa para saber o que a loira queria comigo no meio da madrugada e porque era tão urgente ao ponto dela aparecer em minha casa gritando descontrolada.
"- Porque você veio até aqui?" Perguntei suavemente querendo mostrar que não queria mais brigar, apenas conversar.
Emma passou as mãos pelo rosto e cabelo antes de caminhar até o meu sofá e sentar, pude notar em seus olhos certa agonia, parecia que nem mesmo ela sabia o motivo de sua aparição.
"- Regina, eu não sei" Ela simplesmente me disse enquanto dava de ombros exatamente como Henry fazia, tirando um pequeno sorriso de meu rosto.
"- Você quer conversar?" Fiz outra pergunta enquanto me juntava a ela no sofá e a olhava.
"- Eu não posso conversar sobre uma coisa que nem eu mesma entendo" Pude sentir a tristeza em sua voz, que era praticamente palpável.
Sem saber o que fazer eu apenas concordei com a cabeça e encarei minhas próprias mãos que estavam pousadas no meu colo. Emma estava confusa assim como eu, nenhuma de nós conseguia entender o que tudo aquilo que havia acontecido significava, e quanto mais a gente pensava mais as coisas se complicavam. Aquilo estava me matando pois nunca fui mulher de fazer algo sem pensar, por impulso, mas parecia que Emma tinha mudado isso em mim.
Depois de longos minutos em silêncio, as duas de cabeça baixa, a loira com um grande suspiro resolveu dizer:
"- Eu beijei Killian hoje"
Suas palavras atingiram meu peito em cheio e a dor que eu senti naquele momento era absurda. Tive que fechar os olhos e desviar o rosto de seu olhar para ela não notar as lágrimas que formavam nos cantos dos meus olhos.
"- Eu precisava sentir Regina, precisava sentir a mesma coisa quando te beijei"
Quanto mais ela falava mais meu coração doía. Eu não estava sentindo ciúmes, estava ferida. Ela havia beijado aquele pirata no mesmo dia, apenas algumas horas depois, que me beijou e aquilo me feriu por dentro. Eu não conseguia a encarar mas pude sentir ela chegando cada vez mais perto de mim e assim que sua mão tocou a minha com um pulo eu levantei do sofá, seu toque pareceu me queimar e eu precisava fugir daquele contato imediatamente.
"- Mas eu não senti nada" Ela continuou, sua voz era triste "- Beijar ele não significou nada" Enquanto dizia se levantou e começou a andar em minha direção.
Eu estava de costas mas sabia que ela estava perto, podia sentir sua respiração atrás de mim e mesmo sem querer admitir minha vontade no momento era virar e abraçar aquela mulher. Mas eu sentia dor, meu peito doía e eu não podia agir por impulso outra vez. Não me entregaria para ela e derrubaria meus muros depois dela ter beijado o pirata.
Então simplesmente andei até a porta da frente e sem dizer nada a abri. Emma me encarava sem entender e não saiu do lugar, nossos olhos travavam uma luta e com certeza eu não perderia daquela vez. Sabia que se ela ficasse mais alguns minutos perto de mim, dizendo tudo o que estava dizendo, eu não aguentaria e eu precisava aguentar. Precisava que ela fosse embora naquele exato momento.
"- Você quer que eu vá embora, é isso?" Ela finalmente perguntou com dor na voz "- Regina você não entende que..."
"- Por favor, vá embora" A cortei, não podia ouvir mais nada. Ela precisava ir.
"- Regina você precisa me ouvir..." Sua voz estava pesada, parecia que a qualquer momento ela desmancharia assim como eu.
"- Por favor" Tive forças para falar apenas aquilo. Tudo em mim doía e eu estava magoada.
Emma ao passar por mim me encarou fundo nos olhos por alguns segundos até eu virar a cabeça e desviar nossos olhares. Então a loira foi embora, me deixando sozinha.
Meus sentimentos por ela cada vez eram mais claros para mim, mas eu não queria acreditar, queria que tudo não se passasse de um engano e faria de tudo para esquecer o que havia acontecido entre nós.
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