I'm Yours
1 Warrior
Notas iniciais
Beijos, boa leitura e até o próximo.
Tobias
Era quarta feira e eu estava no restaurante com os meus amigos, como era de costume. Nós nos encontrávamos para almoçar todas as quartas, independente se fossemos sair no fim de semana pra encher a cara ou qualquer coisa assim, e esse era um costume de anos.
Nós fazíamos isso desde o fim do ensino médio, já que cada um de nós tinha escolhido uma faculdade diferente e agora trabalhávamos em áreas diferentes, tínhamos até amigos diferentes, mas nós, seríamos melhores amigos pra sempre e eu tinha certeza disso.
Só faltava Shauna chegar. Era bem capaz de ela ter ficado presa em alguma sessão fotográfica e não conseguir chegar. O resto de nós escutávamos uma das histórias loucas e desajuizadas de Uriah, que era o bicho grilo professor de história. Ele sempre tinha as histórias mais divertidas para contar, fosse sobre experiências próprias ou casos de alunos ou outros professores.
Shauna entra no restaurante minutos depois. Ela era uma das fotógrafas mais badaladas do momento, capturando em suas lentes modelos famosas que posavam para marcas famosas.
— Boa tarde, meus amores — Ela diz, sorridente, abraçando e beijando cada um de nós. Ela era espontânea e de fácil convivência. Geralmente era quem apartava as brigas que surgiam. Exceto quando a briga era entre ela e Zeke. Aí não tinha quem conseguisse apartar.
— Já chega babando nas pessoas — Zeke resmunga, nos fazendo rir e arrancando uma careta dela — Esse pessoal que vive com a cara enfurnado no mundo da moda não te ensinou que não é elegante babar nas pessoas? — Ele continua a provocação.
— Foi mal, Ezekiel — Ela diz, se sentando na cadeira ao lado de Marlene — Achei que era o modo correto de se cumprimentar um cachorro — Ela diz, dando de ombros e fazendo o pessoal gargalhar. Os dois vivam em pé de guerra, para a nossa imensa alegria. Eles sempre protagonizavam as melhores discussões que alguém podia imaginar.
— O que você está fotografando agora, Shau? — Christina pergunta, depois de pedir as bebidas para o garçom. Nós vinhamos tanto aqui que eles já até sabiam o gosto de cada um.
— Versace — Ela diz sorrindo — E eu devo dizer que a coleção de inverno está simplesmente fantástica.
— Fantástico pra quem gosta de andar na rua parecendo a Lady Gaga ou pra nós, pobres mortais que não podemos arcar com as coisas absurdamente bregas e caras que o mundo da moda produz? — Zeke pergunta, fazendo Shauna revirar os olhos.
— Fantástico para qualquer um que tenha mais bom gosto do que você — Ela responde, revirando os olhos novante e fazendo uma careta pra ele em seguida — Aliás, falando em bom gosto, convidei uma amiga para almoçar com a gente, espero que vocês não se importem — Ela diz, sorrindo pra nós.
— Amiga sua é amiga nossa, Shau — Eu digo, rindo.
— Ela tinha uma coisa pra fazer, mas já deve estar chegando — Shauna nos informa e depois resmunga que está com fome.
Lynn pede uma grande entrada de petiscos, para que nós pudéssemos ir beliscando até a amiga de Shauna chegar.
— E aí, Tobias, como está a firma? — Ela me pergunta. Eu e Zeke tínhamos nos formado juntos em Harvard, em direito, e tínhamos aberto uma firma de advocacia no anos passado. Nós estávamos no começo, mas já estava dando um bom dinheiro e nós estávamos começando a ganhar bastante fama, principalmente por causa do nosso mais recente caso.
— Nós estamos quase lá — Eu respondo, rindo. Nós brincávamos que um dia a Eaton & Pedrad seria a maior firma de advocacia de Chicago.
Amah começa a contar um caso extremamente intrigante que ele tinha visto na obra que ele estava comandando. Ele era engenheiro e tinha herdado uma empresa monstruosamente grande do pai, que havia se aposentado recentemente.
Minutos depois uma pessoa se aproxima da nossa mesa. Ela usava shorts curto, uma blusinha branca e um casaco por cima. A sandália de salto era bem alta. Ela usava um óculos de sol enorme no rosto e o cabelo loiro estava jogado de lado, como era a marca registrada dela. Cabelos para o lado, com a impressão de estarem meio bagunçados, mas que era extremamente bonito e charmoso nela.
— Tris, querida — Shauna diz, se levantando da cadeira e dando um abraço na moça. Beatrice Prior, a queridinha das câmeras e das passarelas. Ela era um ou dois anos mais nova que eu e provavelmente tinha uma fortuna maior do que eu um dia chegaria a ter. Ela era a modelo do momento — Amores, essa é Tris. Tris, esses são os amigos de quem eu te falei. Marlene, Lynn, Christina, Tobias, Zeke, embora esse não conte como amigo e sim como estorvo, Uriah, Amah e Will.
Ela tira o óculos de sol e nos cumprimenta, com um sorriso deslumbrante. Era era realmente linda. Shauna aponta a cadeira vaga ao seu lado para que ela se sentasse. Ela o faz.
— E aí, querida, como está? — Shauna pergunta. A mesa estava em silêncio e todos nós prestávamos atenção na conversa delas. Ninguém parecia acreditar que ia almoçar com Beatrice Prior — Senti sua falta hoje de manhã.
— Eu… Eu estou bem — Ela diz, dando um sorriso mais fraco. Eu fito seus olhos. Eu sabia, assim como o resto do mundo, que ela estava passando por um momento difícil. Ela tinha acabado de perder o namorado de uns três anos em um assalto a mão armada, onde os assaltantes tinham atirado nele, mesmo sem ele ter tentado reagir, e ainda não tinham sido encontrados.
Hoje estava fazendo um mês. Eu podia imaginar o que era ver o vídeo de uma pessoa que você se importava sendo assassinado, vezes e mais vezes na TV. Vejo os olhos dela se enchendo de lágrimas e a minha vontade era abracá-la e reconfortá-la. Ela não usava maquiagem nenhuma e provavelmente era a pessoa mais linda que eu já tinha visto.
— Me disseram que você ligou avisando que não ia hoje de manhã — Shauna diz, apertando a mão dela levemente.
— Eu não consegui sair da cama — Tris responde, me parecendo respirar fundo em seguida — Shau, eu… Eu preciso de um minuto — Ela se levanta da cadeira rapidamente e anda até o outro lado do restaurante. O andar dela era impressionante, como se o mundo fosse uma passarela a parte para ela.
— Ela tá bem, Shau? — Lynn pergunta.
— Ela vai ficar — Shauna diz — Só é muito recente tudo que aconteceu. Ela tá tentando, tá voltando a trabalhar, mas nunca é fácil. Na verdade, ela tá se entupindo de trabalho, pra ter com o que preencher o vazio.
— Ela é o rosto da Versace? — Marlene pergunta.
— É sim — Shauna responde — Ela já estava com o contrato assinado antes de tudo isso acontecer. Eles conversaram com ela depois da morte do Peter e ela disse que manteria a campanha. Eles estão dando um pouco de espaço pra ela quando ela precisa — Shauna faz uma pausa — Mas ela ainda tem a campanha de perfumes da Hugo Boss pra estrelar, a semana de moda em Nova York pela Tommy Hilfiger e pela Calvin Klein e a nova coleção da Chanel.
— Ela vai ter um colapso nervoso qualquer hora dessas — Christina comenta.
— Não sei vocês, mas a minha vontade é guardar a loira num potinho e não deixar nada acontecer com ela — Amah diz, sorrindo — Ela é fofa demais. Parece uma boneca.
— E é um amor de pessoa — Shauna diz — Não está num momento muito bom, mas é linda por dentro e por fora — Ela faz uma pausa, fitando a porta do restaurante. Eu olho pra lá também e vejo umas pessoas com câmeras — E os repórteres e os paparazzi estão enlouquecendo ela. Eles a seguem o dia todo, tiram fotos o dia todo e vivem pedindo declaração, como se fosse fácil falar sobre uma coisa dessa.
— Eu tenho a impressão que essa midiatização é a pior coisa — Will diz — Eles continuam abrindo a ferida.
— Nos estúdios das campanhas, foi pedido pra ninguém perguntar nada sobre isso pra ela — Shauna conta — Por respeito.
Vejo Tris saindo do banheiro e alerto os outros. Nós mudamos de assunto e começamos a falar de coisas amenas e que não machucariam ninguém. Ela se senta na cadeira e também adere a conversa. O almoço segue agradável e sem problemas nenhum.
Eu consigo enxergar a imensidão de pensamentos e sentimentos por trás dos olhos azuis dela. Era parte do charme que tinha conquistado as câmeras. Ela parecia ser um mistério para a humanidade e era isso que fazia dela um fenômeno, com milhões de seguidores nas redes sociais e contratos que valiam milhões. É fácil perceber qual o encanto, mas não é nada fácil compreender. Era quase que como um desafio. Tris era uma pessoa muito discreta, apesar de toda a fama, o que a tornava mais interessante ainda.
Ela pergunta um pouco mais sobre nós e conta que Shauna falava muito da gente e contava nossas velhas e loucas histórias. Eu tinha 25 anos e não imaginava a minha vida sem essas pessoas. Nós havíamos crescido juntos.
— Pronta pra mais uma? — Shauna pergunta à Tris, assim que a gente acerta a conta do almoço e começamos a nos preparar para ir embora.
— Até duas — A modelo responde, sorrindo.
Nós caminhamos todos juntos até a calçada, rindo e brincando, onde somos surpreendidos pelo tanto de câmeras e microfones. Tris reage imediatamente. Ela coloca o capuz estilizado do casaco que ela usava, coloca os óculos de sol e abaixa a cabeça, afim de se esconder das câmeras. O resto de nós fica sem saber o que fazer. Nós sabíamos que as câmeras não estavam endereçadas a nós, mas nós entrávamos na conta de toda forma. Estava difícil de passar para chegar nos carros.
Eu tomo a iniciativa. Entro na frente de Tris e digo simplesmente que se eles não nos dessem licença, eu entraria com um processo de invasão de privacidade contra todos eles. Zeke parece entender a ideia e começa a fazer o mesmo. Tris segura o meu braço e nós caminhamos para o carro, ainda com dificuldade por conta do alto número de pessoas, mas com um pouco mais de espaço. Ela se mantém com a cabeça baixa a todo instante e murmura um muito obrigada pra mim, junto com um tchau.
E a assisto dar partida e acelerar o carro.
Fale com o autor