Part. Penny

Acordei com Alex me beliscando. Ela parecia fazer isso há horas. Annie tentava acordar Percy.

– Finalmente! – Suspirou Alex. – Demorou.

– Hã?

Sacudi a cabeça tentando clareá-la.

– Do que você está falando? O que demorou?

– Ah. Você demorou a acordar. Mike tentou, Grover tentou, Annie tentou, mas só eu consegui.

Os outros sorriam. Grover acordou Percy do outro lado.

- Que horas são? – Perguntou ele, todo babado.

– 7 da manhã. – Disse Annie.

– MELSDELSES! – Berrou Percy.

– Vamos sair daqui quando, então? – Perguntei.

– Vamos sair logo, mas hoje está muito perigoso, Grover e Mike dizem que lá fora estava fedendo hoje mais cedo. Mas agora disseram que passou.

– Devia ser cocô de algum animal. – Disse eu.

– Não, não, não. Fedor de monstros, Cabeça de Peixe.

– Ah. – Falei, sentindo o rosto queimar.

– Não se preocupe. Alex pensou isso também. – Disse Annie, sorrindo.

– Ah, muito obrigada pelo incentivo. – Falei, fingindo estar desanimada.

– Eu sou tão ruim assim? – Perguntou Alex fazendo cara de infeliz, e ainda estava sentada na pedra.

– Não! Não foi isso que eu quis dizer.

Terminamos de arrumar as coisas e saímos.

– Alex... – Disse Annie.

– Pode deixar. – Respondeu ela, olhando fixamente para o buraco. Então, terra começou a flutuar e tapou o buraco direitinho, como se nada tivesse acontecido.

– Pronto. Agora podemos ir. – Disse Grover. Ele parecia nervoso. Mike parecia apreensivo

– O que foi? – Perguntou Annie.

– Nada. Por quê? – Perguntou Mike. Ele parecia um pouco mais firme do que Grover, que agora suava frio.

– Vocês pareciam nervosos.

– Ah, que nada. Vamos logo.

Os primeiros 10 minutos de caminhada foram tranquilos. Grover estava começando a ficar calmo, quando do nada começou a espirrar.

– O que foi? – Perguntou Alex.

– O cheiro por aqui está forte... Atchim! Béééeé!

– Não sinto cheiro de nada. – Falei puxando o ar com muita força.

– Ah não. – Gemeu Annie.

– O que? – Perguntou Percy.

– Monstros. – Disse Annie.

– Qual é? O monstro? – Perguntei.

– Não conheço o cheiro. Mas é grande. – Disse Mike, estalando os dedos sem parar.

– Abra o mapa. – Disse Annie. O mapa estava na mochila de Alex.

– Espera aí... Achei!

– Me dá aqui.

– Toma.

– Caramba. – Disse Annie, olhando para o mapa.

– O que foi? – Perguntou Grover, de olhos fechados.

– Lembram-se do que o pai de vocês disse sobre as pedras? – Perguntou Annie, virando para mim e Percy.

– Lembramos.

– Além das nossas pedrinhas, tem uma preta aqui a uns 100 metros de onde estamos eu acho. Deve ser o monstro. Acho que Poseidon não sabia disso. E tem mais. Na legenda diz que o monstro é um Basilisco.

– O QUÊ?

– Uma cobra gigante. O rei das serpentes. Não se sabe se ele tem algo a ver com Equidna, tipo irmão da...

– Hidra. – Disse Percy.

– Não se sabe ao certo...

– Ah, vamos logo. – Reclamou ele.

– Está bem. Lá vem outro desafio. – disse Alex.

Andamos em silêncio durante alguns minutos. Cada um pensava em como fazer para derrotar um monstro tão grande.

– Opa. – Disse Alex, acordando todos de seus pensamentos.

– O que foi? – Perguntou Annie.

Alex apontou para frente. Lá estava o rei das serpentes, talvez filho de Equidna, virado de costas, sibilando.

– Não olhem diretamente nos olhos dele. Pensem nele como se fosse a Medusa, só que pior. – Disse Annie.

– Por que ele não percebeu que estamos aqui? – Perguntou Percy.

– Parece que ele está olhando para aquilo que está caído ali no chão. Mas não sei o que é aquilo. – Disse Annie. – Conseguem sentir o cheiro? – Perguntou ela a Mike e Grover.

– Não. O cheiro dele é muito forte. – Disse Grover.

– Ótimo. Talvez se passarmos despercebidos ele não nos veja. – Disse Annie, que parecia tentar se convencer.

– Ok. Vamos. – Disse Alex.

– Estávamos no quinto passo,quando Alex tropeçou em uma pedra e caiu em cima de Grover, que deu uma cambalhota, batendo nos meus pés, me fazendo cair de cara no chão, mas não bastou isso, me segurei nos pés de Annie, que se apoiou em Percy, que caiu também. Isso fez um barulho que ecoou dez mil vezes na estrada vazia, ás 8 da manhã.

O Basilisco se virou para nós e estava vindo na nossa direção, sibilando ameaçadoramente.

– Vamos nos separar! Rápido! – Disse Annie.

Passei a mão sobre o colar e a pulseira e corri, já com o escudo e Terrormarinho nas mãos. Percy também estava com o escudo e Contracorrente. Annie havia tirado do bolso um boné dos Yankees e desaparecido em baixo dele. Alex também estava invisível com seu Elmo. Grover e Mike pegavam lixo (latinhas, miolos de maça, etc.)de dentro da mochila e jogavam no monstro, mesmo que não tivesse nenhum efeito.

O Basilisco lutava com Annie, provavelmente, pois investia contra alguém invisível, rápido e estratégico. Ouvi a voz de Alex no meu ouvido.

– Ela luta bem, não?

– É. Se ele continuar distraído, posso tentar atacá-lo.

Mas não deu certo. O Basilisco começava a perder o interesse na Annie. Depois de alguns segundos, ele vinha na minha direção. Ele já ia atacar, quando ouvi alguém gritar:

–Não! – Era Percy. Ele fez uma coisa incrível e esquisita. Correu e pulou sobre a cabeça do monstro, e estava agarrado ao seu pescoço. O monstro sacudia a cabeça para lá e para cá e eu gritava:

– Percy, não! Percy!

Percy parecia enjoado. Mas estava agarrado tão forte no Basilisco que parecia ter cola nos dedos. Os dedos dele começavam a escorregar, deixando riscos inúteis e enormes no Basilisco. Mas ele parecia que ia dormir e eu continuei a gritar:

– Percy! Percy! Percy!

Part. Percy

Eu não ia aguentar muito mais tempo. Meus dedos estavam doendo pelo esforço e eu não sentia meus braços.

Estava me dando vontade de soltar, mas era perigoso. Mas a esta altura eu estava perdendo os sentidos.

E então, não sei como, soltei.

Part. Penny

Percy tinha acabado de soltar e estava caindo perto daquela outra coisa que ainda não havíamos descoberto o que era.

– EU NÃO ACREDITO! PERCY! PERCY! EU VOU TE MATAR, SEU BASILISCO MALDITO!

Corri em direção ao Basilisco com o escudo e imitei Percy. Pulei em seu pescoço. Contracorrente estava caída no lugar onde Percy estava antes de pular. Na raiva, ele havia esquecido tudo, até o escudo, e eu quase fiz o mesmo, mas puxei a espada. O Basilisco balançava muito, para os lados, para cima, para baixo. Ele parecia ter acabado de atingir Annie com a imensa cauda, pois o boné estava no chão e Annie do outro lado da estrada, desmaiada.

– Alex! Ataque!

– Eu não consigo! – Respondeu ela.

– Consegue, sim! Tente! TENTE!

– Eu não...

– AGORA!

Alex atacava o monstro no meio do corpo, até onde conseguia, mas o Basilisco não sentia nada.

– Assim não vai dar certo... – Murmurei, e tive uma ideia. – O OLHO!

– QUÊ?

– ATINGE ELE NO OLHO! VAI!

– ESTÁ BEM! – Disse Alex, e deu um salto de olhos fechados, e usou a terra para se sustentar. Golpeou o Basilisco em várias áreas do rosto, e acertou-o nos dois olhos. De algum jeito, também conseguiu arrancá-los, mas isso não o matou, apenas deixou-o mais zangado.

– Pode abrir os olhos! – Gritei. Ela se assustou com o rosto do monstro e deixou a terra voltar para o seu buraco, fazendo-a cair. Tentei puxar água de qualquer lugar, e o pouco que eu consegui, foi o suficiente para salvar ela de um desmaio.

– Dê ambrosia e néctar para eles, que eu vou tentar matar esse troço!

– OK!

– Nós ajudamos! – Disseram Grover e Mike, saindo do mato.

Eles se dividiram para enfiar pedaços de ambrosia e pingavam gotas de néctar nos desmaiados.

Usei a mesma água para ficar cara a cara com o Basilisco. Peguei Terrormarinho e parti o rosto dele ao meio, mas antes que os pedaços chegassem ao chão, ele virou pó.

Desci levemente e levei a água até Percy e soltei-a em cima dele. Ele começou a pegar cor, mas não acordou. A testa dele sangrava.

– Vamos? – Perguntou Alex. – Eles estão acordando.

– Acho que não vai ter jeito. Vamos ter que ficar aqui. – Fui até Percy e notei uma coisa. — Alex, Grover, Mike!

Eles vieram correndo.

- Isso é um Meio-sangue! – Falei. – Ainda tem ambrosia?

– Tem. – Disse Mike. – Vou pegar.

– De quem será que ele é filho?

– Deve ser de Apolo… — Suspirou ela.

– ALEX!

– Digo… digo… Deve ser de algum deus por aí…

– Me ajude a levá-los para o mato.

Alex me ajudou e fez um outro buraco para colocarmos os feridos.

Acabamos dormindo também

Notas finais
Boa noite...