Part. Penny

Logo depois de me sujar toda de lama e passar vergonha, continuamos a viagem. Eu não estava mais tão suja assim, por que estávamos em uma parte da estrada coberta por árvores, e lá o vento estava tão bom que afastava a lama de mim e eu já estava meio limpa quando senti uma queimação no rosto.

– Ah, não! De volta ao sol! – Exclamou Annabeth. – E ainda esquecemos de almoçar!

– Claro! Isso foi como um ar-condicionado. E nesse calor, acho que um não faria falta... – Disse Alex.

E assim, fomos andando mais uma vez no Sol forte.

– Tem água? – Perguntei.

– Tem. – Disse Annabeth, pegando uma garrafinha.

– Obrigada, Annie. Posso te chamar assim?

– Pode. – Disse ela.

Bebi a água e joguei um pouco no rosto. Isso foi como se eu tomasse um energético. Dei um pulo para frente.

– Opa. – Falei, enquanto minhas roupas se limpavam, meus joelhos ganhavam força, e a fome passava, como se eu tivesse engolido uma pizza inteira.

– Ei, quero essa água também, você nem está pálida! Que é que tem nessa água? – Perguntou Percy, pegando a garrafa.

– Cabeça de Alga! Você e ela são filhos do deus dos mares, então você devia saber que a água te dá um tipo de energia, entendeu?

Ele não podia falar, por que estava tendo um choque como o meu. Ele realmente pareceu ter mais cor depois de tomar a água e se molhar um pouco.

– Ele entendeu... Eu acho. – Falei.

– Bom, pelo menos eu expliquei, não é, Cabeça de Peixe? – Perguntou Annabeth, virando para mim.

– Quem? Eu? – Perguntei.

– Claro. Você é irmã do Cabeça de Alga e filha do Barbas de Craca! Tem que ter um apeli... – Ela parou de falar e ficou olhando para frente. Pensei que fosse um monstro, mas quando olhei, não era nada.

– Annie, você está bem? – Perguntei.

– Annie? Acorda, Annie! – Disse Alex.

– Annabeth! – Falei.

Ela parecia não ouvir. Recomeçou a andar. Parecia em transe. Fui para frente dela e fiquei ali até ela chegar. Ela parou na minha frente. Piscou os olhos e franziu a testa.

– Vai lutar comigo? – Disse ela, com uma voz diferente. Não muito diferente da dela, só um pouco mais grossa.

Não respondi. Ela puxou a faca. Passei a mão no colar e percebi: Era o tridente o pingente que eu tocava e a espada aparecia.

– E então? Não vai responder? Então eu respondo: Sim.

Começamos a lutar. Graças à água que eu tinha acabado de beber, estava com energia o bastante para lutar, já Annabeth, ou o corpo dela, não. Annabeth não estava tão rápida como devia ser, mas ainda assim lutava bem.

Os outros estavam também estavam tentando, mas estavam exaustos e ela era realmente boa.

– Percy, joga água nela! – Falei, enquanto desviava um golpe da faca dela com a minha espada.

– Agora eu não posso! – Respondeu ele, se abaixando, pois Annie quase o tinha decapitado.

– Ei! – Gritou Alex, tentando chamar atenção.

Ela deu uma risada malvada, dando um giro no ar passando a faca por todos nós. Se não tivéssemos desviado, estaríamos mortos. Então ela disse, ferozmente: – Me deixe... Chegar... Ao Museu... Da Grécia Antiga!

– Aquilo não é um museu. Não tem nada ali! Espera aí... Miragem! Percy! Joga água nela!

– Está bem, está bem! – Disse ele, abaixou-se e pegou a água dentro da mochila em suas costas.

Então foi por trás de Annie e jogou toda a água.

Imediatamente, Annie caiu sentada no chão. Corremos até ela. Parecia ter acabado de acordar.

– O quê? Onde? Como? Quando? Quem? – Perguntou ela, tentando se levantar.

– Bem... – Disse Alex, respondendo as perguntas dela. – Miragem. Aqui. Não sei. Agora. Você.

– Não, não. Olha, Annie. Você queria chegar até um museu. Eu não deixei. Você ficou com a voz mais grossa, lutou como uma filha de Ares contra todos nós. Percy te jogou água e você acordou. – Expliquei.

– Deuses! Eles sabem onde estamos. Temos que sair daqui agora.

– Quem?

– Os monstros! Disse Ela. – Não foi o Sol que projetou a sua miragem! Nem a minha. Eles sabem onde estamos e estão plantando imagens do que gostamos em nossas mentes, para que tenhamos uma luta e poderia até nos separar! Você não atacou ninguém, por que ninguém te impediu de ir até a poça de lama. Pensávamos que estava brincando.

– Temos que ir.

Nos arrumamos e demos um pouco de Ambrosia e Néctar para fortalecer Annabeth e ela poder andar.

Depois, saímos andando, mais uma vez.

Depois de alguns minutos andando, Alex perguntou:

– Como vamos fazer?

– Eu ainda não sei. Preciso pensar. – Respondeu Annie.

Enquanto isso, eu tentava imaginar como o cérebro de Annie funcionava: Se tinha máquinas dentro ou homenzinhos martelando ideias em sua cabeça (Na de Annie, não na sua).

– Livros. – Disse Annie, do nada.

– Quê? – Perguntamos todos juntos, pensando que que ela estava tendo uma ideia.

– Preciso ler um livro. – Disse ela, e o ânimo de todos se foi. – Que foi?

– Nada.

Annie fez uma careta e abriu a mochila. Tirou de lá um livro de mais ou menos 600 páginas e abriu-o. Começou a ler. Parecia ser de Arquitetura e estava escrito em grego antigo. Eu não lia muito, por que era difícil com palavras flutuando e se mexendo na minha frente.

Depois que Annie começou a ler o livro, estávamos assim:

Grover roía as unhas.

Mike estalava os dedos, fazendo um barulhinho, que tinha o ritmo da música "We Will Rock You".

Percy olhava para a frente com cara de bobo. Parecia até estar babando. Eu poderia jurar que ele estava dormindo, mas ele estava andando, então é impossível.

Alex tinha cara de quem quer entrar embaixo de um chuveiro.

Eu tirava e colocava as mãos no bolso da minha calça.

Então Annie disse:

– Gente! – Todos pulamos de susto e, ao mesmo tempo, de alegria. – Não podemos parar. Não podemos pegar ônibus. Não podemos dormir e precisamos tomar banho. E temos que evitar o sol.

Todos estávamos felizes e saltitantes. Mas a ideia de Annie, a solução, não era novidade, ma fazer o que?

– Então o que podemos fazer? – Perguntou Alex.

– Andar. – Disse Annie, com cara de riso. – Que é que você acha?

– É só que eu preciso de um banho urgente! Vou desmaiar de calor... – Disse ela, e do nada começou a ficar pálida.

– Você tá bem? – Perguntei.

– Sim. Por quê? – Perguntou ela, que agora estava na maior energia.

– Você disse que queria tomar banho.

– Banho? Não me lembro... Perdi alguma coisa? – Ela ainda estava com energia. – Dormi um pouco. Desculpem.

Todos olhavam para ela.

– Quê? – Perguntou ela, inocentemente.

– Nada não. Vamos. – Falei.

– Vou assistir animes.

Todos pararam para olhar para ela com cara de: “Assistir animes?!” Ela respondeu com uma de: “O que eu fiz de errado?”Sacudimos a cabeça e continuamos andando.

De vez em quando, Alex murmurava coisas, incentivava os animes. Se eles choravam, ela chorava. Se davam risadas, ela ria. Era muito engraçado.

Foi anoitecendo, anoitecendo. Annie disse que achava que não era bom pararmos, a não ser que fosse em um buraco escondido no mato, onde deveria ser mais seguro. Quando disse isso, ela deu uma olhada em Alex, como se soubesse de alguma coisa de que nem fazíamos ideia.

– Mudei de ideia. – Disse Annie, quando já estava quase tudo escuro, a não ser pelos postes de luz, e muitos estavam com a luz queimada.

– Sobre o quê? – Perguntou Percy, desanimado.

– Podemos dormir. Vamos para o mato.

Alguns fizeram careta de desentendidos, mas foram.

Antes de irmos, vi Annie jogando uma pedra bem grande lá no meio do mato.

Depois que andamos bastante, Annie murmurou: “Graças aos deuses!” Mas não sei se alguém além de mim ouviu.

Um pouco depois, Alex, que estava um pouco na frente, tropeçou e teve uma queda feia. Abriu um enorme buraco na terra.

Corremos para ajudar.

– Você está bem? – Perguntou Grover, junto com Annie.

– Sim! – Disse ela.

Annie murmurou algo como: “Eu sabia” ou “Pensei que fosse”.

– Perfeito! Entrem nesse buraco. – Disse Annie.

– Quê?

– VÃO! –Disse ela.

Pulamos no buraco. Era grande o bastante para seis. Era fresquinho e confortável, pois tinha um chão liso.

– Então, Annie? Por que nos fez entrar aqui? – Perguntou Percy.

– Eu me sinto muito bem aqui. – Disse Alex levemente incomodada.

– Bom, Cabeça de Alga, aqui é um bom esconderijo. Grover e Mike concordam, certo?

– Sim. – Disseram os dois, juntos.

– Disfarça o cheiro de vocês... E o nosso também. – Disse Mike.

– Ele disse tudo. – Disse Grover.