Depois de Mike sair do estado de choque, resolvemos pedir logo para descer do ônibus e acampar. Fui falar com o motorista.

– Olá. Eu e meus amigos vamos sair aqui. Poderia parar o ônibus?

– Claro! Podem descer.

Pegamos nossas mochilas e saímos.

– E agora? — Perguntou Alex.

– Vamos ir acampando. Ou melhor: "Dormindo em hotéis vagabundos de beira de estrada". Eles mentiram. Que eu saiba, não tem nenhum hotel por aqui.

– Eu tenho uma barraca. — Disse Alex.

– É? Mas acho que vamos ter que entrar um pouco mais na mata para podermos montá-la.

– Certo. — Disse Mike.

– Vamos. — Disse Alex.

Entramos um pouquinho no mato só para esconder a barraca, pois estava de noite e, como Mike disse que o cheiro do mato lá fora estava muito forte e isso disfarçava o nosso.

Logo ao amanhecer, saímos andando, por que Mike disse que era bom sairmos cedo, por que a estrada estava menos cheia.

Depois de andarmos mais ou menos uma hora, Mike disse:

– Sátiro.

– O quê? — Perguntamos eu e Alex ao mesmo tempo.

– Sinto cheiro de sátiro e meio-sangue. Não muito longe. Também sinto cheiro de monstro. Benevolente.

– Vamos lá. — Concluiu Alex.

– Correndo! — Falei.

Saímos correndo. Depois de 5 minutos, avistamos a morcegona e duas figuras menores.

– Lá! Vamos. — Falei apontando para frente.

Logo chegamos lá.

– Ei! Morcegona! Deixe-os em paz! — Então vi que era a Sra. Spield. — Oii! Professora!

Imediatamente ela virou-se para mim e veio me atacar. Um dos garotos, o meio-sangue, veio silenciosamente atrás dela enquanto ela avançava lentamente na minha direção.

Coloquei a palma na mão sobre todos os pingentes do colar e esperei. Ele sumiu. No lugar dele, havia uma espada presa ao lado da minha calça. Soltei-a.

– Lembra-se dela, Sra. Spield? — Perguntei, mostrando a espada, que brilhou à luz do amanhecer. Ela hesitou e tentou atacar. Preparei-me e ataquei, transpassando a espada pela cintura dela e...

PÉÉÉÉÉM

O garoto meio-sangue tinha tido a mesma ideia que eu. A Fúria se transformou em pó, mas nossas espadas se chocaram e uma luz brilhou. Ele foi pela direita e eu pela esquerda.

Todos pararam para olhar. Ainda estávamos parados, espada contra espada.

– Uau. — Disse ele.

– Sua espada é igual a minha. — Dissemos ao mesmo tempo.

– Terrormarinho? — Perguntou ele.

– Contracorrente? — Perguntei, ao mesmo tempo. Nós sorrimos. O sorriso dele era igual ao meu, assim como os olhos e os cabelos, que tinham o mesmo tom escuro.

– No que a sua se transforma quando está normal? — Perguntamos ao mesmo tempo.

– Colar. — Respondi ao mesmo tempo em que ele dizia:

– Caneta.

– Quê? — Perguntamos.

– Você primeiro. — Outra vez ao mesmo tempo.

– Eu, então. — Falamos de novo ao mesmo tempo.

– Eu apresento vocês! — Gritou Alex. Minha espada ainda estava grudada na dele. — Olha, essa espada é a Terrormarinho, que se transforma em um colar do símbolo de todos os deuses quando ela encosta o cabo da espada no pescoço. — Explicou ela lentamente. — Agora você fala. — Disse apontando para o garoto.

– Legal. Bem... Essa é a Contracorrente, e ela se transforma em caneta esferográfica quando eu encosto a tampa na ponta.

– Okay, agora vocês podem, por favor, voltarem ao normal? Está tão estranho vocês assim, espada X espada. — Disse ela.

– Não consigo... Soltar essa... Espada! — Falei, puxando Terrormarinho com força.

– Você puxa, eu puxo! Vamos no três. 1... 2... 3! — Disse ele. Nós puxamos, puxamos e nada.

– Já sei! Encosta a tampa na sua que eu toco a cabo da minha no pescoço! No 3. — Falei. Ele assentiu. — 1... 2... 3!

Quase deu certo. Quase. Terrormarinho virou colar e Contracorrente virou caneta. O problema é: Elas estavam entrelaçadas. Como no caduceu de Hermes.

– Nossa. — Disse o amigo dele.

– Nem me apresentei. Oi, sou Percy Jackson. — Disse ele, ao mesmo tempo em que eu dizia:

– Nem me apresentei. Oi, sou Penny Jackson.

– Como? – Perguntamos um ao outro. Sorrimos outra vez.

– Perseu Jackson. — Disse ele, enquanto eu dizia:

– Penélope Jackson.

– Perseu, o herói? — Perguntei e ele:

– Penélope, a heroína?

– É. — Dissemos.

– Okay, isso está começando a ficar estranho. — Disseram Alex, o amigo dele e Mike. — Viram o que fizeram? Isso é contagioso! — Exclamaram.

Não prestamos atenção.

– Jackson?– Perguntamos. — É. — Respondemos.

– Chega. — Falei. — Ufa, está muito estranho.

– É. — Concordou ele.

– Não me apresentei. Sou Grover. — Disse Grover a mim, Alex e Mike.

– Sou Mike.

– Sou Alex.

– Se ninguém percebeu, ainda estamos colados. — Disse Percy.

– Já sei. Tire a tampa da caneta. — Falei, enquanto colocava a mão em cima dos símbolos. Eles brilharam e se transformaram em espadas. — Puxe. — Puxamos e elas descolaram. Senti uma onda de calor por todo o corpo, como um choque. Ele parecia ter sentido o mesmo.

– Parece que elas estavam... — Começou ele.

– Interligadas. — Terminei.

– Sinistro. — Murmurou Alex, me tirando do transe.

– Querem seguir com a gente até o Acampamento? — Perguntou Mike.

– Queremos. — Disse Grover.

Notas finais
Gêmeos.....