I'm The Daughter Of Poseidon
5 A Hidra
Seguimos andando pela estrada até o meio-dia e paramos para almoçar. Todos estavam suados e com fome. Logo depois voltamos para a estrada.
– Ei, o que vocês acham de ir ali à praia? – Perguntamos Percy e eu ao mesmo tempo. Já estávamos nos acostumando.
– Vamos. Nem temos limite de tempo para chegar ao acampamento. – Disse Grover.
– Concordo. – Disse Mike.
– Concordo. – Disse Alex.
Paramos em uma praia pequena e muito bonita. Grover e Mike não ficavam muito felizes em nadar, então ficaram descansando na areia e se enterrando. Alex preferiu ficar na parte rasa. Eu fui nadando cada vez mais fundo, sem perceber. E, do nada, Percy aparece do meu lado.
“Oi.” Pensou ele. “Estamos muito embaixo da água”
Olhei para cima. Não estava mais vendo nem o Sol.
“Estou lendo seus pensamentos.” pensei. “Uau.”
“Também me assustei.” Ele sorriu. “Vamos afundar mais e dar uma olhada por aí?”
“Está bem.”
Passamos por uma cidade maravilhosa. Cheia de corais, frutinhas e casinhas de peixes.
“Me sinto estranha. Parece que estou em casa.” Pensei.
“Também tenho essa sensação.” Disse a voz de Percy, na minha cabeça. “Você tem poderes com água, né? Como eu.”
“Sério?” Perguntei.
“Sério. Sério mesmo.”
“Pode me mostrar?”
“Quando voltarmos eu te mostro.”
“Tudo bem.”
“Você é uma garota legal, Penny.”
“Você também é muito legal, Percy.” Então lembrei-me dos garotos lá em cima. “Vamos voltar logo, senão Mike, Grover e Alex vão pensar que morremos afogados.”
“É.” Respondeu ele.
Voltamos para a superfície.
– Oii! – Gritou Percy, totalmente seco. Ao olhar para baixo, percebi que também estava seca.
– Estamos secos!
– É. Gostei disso.
– Estávamos procurando vocês! – Gritou Alex.
– Em todos os lugares! – Gritou Mike.
– E vocês não apareciam. – Disse Grover.
– Pensávamos que vocês tinham sido engolidos por um tubarão ou coisa assim. – Disse Alex.
– Ah! Falando nisso. Vem cá, Penny. – Disse Percy.
– O que foi?
– Vou te mostrar.
– Ah é! Mostre.
Ele ficou de frente para a água e quando veio uma onda gigante (o que demorou), ela subiu e tomou a forma do nome: Penny.
– Que fofo! – Gritou Alex. Eu senti o rosto queimar.
– Agora deixe eu te mostrar. – Fui para o lugar dele e, quando veio outra onda gigante (o que demorou mais ainda) , eu a fiz tomar a forma de uma caveira (não sei por quê, talvez por causa de Alex) com uma palavra na testa: “Percy.”
– Amei! – Gritou Alex.
– É. Você é melhor do que eu em arte das ondas. – Disse Percy e caiu na risada. Mike, eu e Alex também.
– Deb... Debochado – Resmunguei, engasgando com as risadas.
– Muito obrigado. – Agradeceu ele, embora eu não soubesse por que.
– De... De nada.
– Você está confusa, não é?
– Não, não estou.
Alex olhava de mim para Percy como se esperasse que Percy cometesse um ato heroico e que eu me atirasse nos braços dele e dissesse: “Oh, herói Perseu! Tão corajoso!”.
– O que foi Alex? – Perguntei.
– Nada. Só estava pensando: Por que vocês ficaram tanto tempo lá embaixo?
– Ah, lá vai você pensar besteiras.
– Não. Sério, fala?
– Mergulhando.
– Você está seca.
– Eu sei! Incrível, não?
– Como você fez isso?
– Não sei! Eu não queria me molhar e plim! Não me molhei.
– Uau. Sinistro. Sinistro mesmo.
– Vamos, gente? – Perguntou Grover. Ele parecia preocupado. Mike também.
– O que houve? – Perguntei.
– Cheiro de monstro. – Disseram Mike e Grover.
– Putz. – Reclamei.
– Vamos logo, então. – Disse Percy.
Seguimos caminhando. Grover parava de 5 em 5 segundos para farejar o ar.
– Calma Grover. – Disse Percy.
Grover pareceu não ouvir. Continuou torcendo as mãos e farejando o ar. Percy revirou os olhos.
– Hidra. – Disse Mike.
– É isso. – Murmurou Grover.
– Quê? – Perguntou Alex.
– Uma Hidra. Ali na frente. – Disse Mike.
E então eu vi. Um monstro do tamanho de um rinoceronte, com sete cabeças e pele de réptil andava em círculos, como se nos esperasse.
– Ainda dá para nos escondermos. – Disse Grover.
– Já sei. Devagar, vamos para o meio do mato. – Falei.
– Como? Ele vai nos ouvir. Se é que já não sentiu o cheiro... – Murmurou Alex.
– A maioria dos monstros é cega e surda. – Murmurei.
– Você está certa! – Exclamou Mike, percebendo o plano.
– Está bem. Quando ele virar... – Falei, esperando a Hidra dar a volta. – Já!
Fomos seguindo, mas Mike pisou em um graveto e esse barulhinho ecoou fortemente na estrada vazia e silenciosa. A Hidra escutou. Todos nós ficamos parados como estátuas. Ela estava se preparando para atacar.
A Hidra atacou. Todos nós nos separamos. Percy destampou Contracorrente, que brilhou na luz do Sol e desviou a atenção que a Hidra tinha em todos nós para atacar apenas Percy.
– Parabéns, Percy! – Gritei.
Agora a Hidra cuspia uma gosma nojenta que derretia tudo: Árvores, grama, asfalto e outras coisas. Passei a mão em cima do colar e puxei a espada que apareceu em seu lugar. Iria tentar distrair a Hidra.
Aconteceu exatamente o que eu queria: A Hidra parou de cuspir gosma para virar todas as cabeças em minha direção. Alex havia acabado de puxar uma espada decorada com caveirinhas e animes. Perguntei a ela:
– Tem algum tipo de fogo aí?
– Tem fósforo na minha mochila. Serve?
– Serve. Acho que serve. Pode ir buscar? Eu distraio a Hidra.
A Hidra já corria (Corria, não. Rastejava) em minha direção. Fiquei rodando a espada para que brilhasse mais.
Ela estava chegando perto, quando escuto um barulho de espada cortando o ar. Percy tinha cortado não uma, mas seis de todas as cabeças da Hidra.
– Você enlouqueceu?
– Quê? Acabei de salvar sua vida.
– Não. Você si vai tornar minha morte duas vezes mais dolorosa.
– Por quê?
– Olhe para trás.
Ele olhou e soltou uma exclamação de susto. Havia 12 cabeças na Hidra.
– Esqueceu ou não aprendeu que quando você corta a cabeça de uma Hidra ela renasce e ainda nasce uma a mais?
– Ah, é!
– Que “Ah, é!” Que nada. Me ajuda a cercá-la de fósforos. ALEX, MIKE, GROVER! AJUDEM AQUI!
Alex, Mike e Grover vieram correndo. Alex com uma caixinha de fósforos em uma das mãos.
– Aqui. Mike fique ali. – Apontei para o lado direito da Hidra e lhe dei um fósforo. – Percy, atrás, por favor. – E entreguei o fósforo a ele. – Grover, ao lado de Percy. – Dei um fósforo a Grover. – E Alex, você comigo na frente. – Dei um fósforo a ela e peguei o outro. – Pronto. No já... JÁ!
Deu tudo errado.
Primeiro: Grover e Mike erraram o alvo. Segundo: Alex começou a gritar com eles. Terceiro: Percy entrou na briga. E quarto, a Hidra começou a rastejar atrás de mim.
– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! — Gritei, enquanto desviava de um dos cuspes ácidos da Hidra. O problema é que ela atirava doze de uma vez, então ficava difícil. — Alguém pode parar de brigar pra ajudar aqui?! — Gritei, mas eles gritavam tão alto que nem me escutavam. — Tudo bem — Murmurei para mim mesma enquanto saltava para os lados. -, Preciso cortar todas as cabeças. Como? Como? Como?! Já sei! Só preciso distraí-la. Mas como...
A bola de gosma ácida que a Hidra jogou enquanto eu pensava passou tão perto que deixou um rasguinho na minha calça jeans.
– Maravilha. Ai! Está queimando minha perna... — Olhei para baixo. Havia um rasgo horizontal em minha calça, como se uma garra o tivesse feito. Olhei mais para baixo e vi uma pedra.
– Hum... Já sei o que fazer. — Murmurei. Peguei a pedra e joguei longe, atrás da Hidra. Ela virou e rastejou lentamente para o lugar em que a pedra caiu. Fui devagar atrás dela, e quando achei seguro, cortei as doze cabeças. O corpo dela se dissolveu e virou pó. Sete das doze cabeças também. Ela não estava morta. Iria se regenerar, eu sabia disso.
– Maravilha! – Gritou Mike, que parara de gritar para olhar.
– Gostei. – Disse Grover.
– Você deu uma surra nela! – Disse Alex.
– Boa ideia, Penny. – Disse Percy.
– Ai! — Gritei. Estava sentindo uma queimação na perna direita, onde a gosma passou. Contei a eles o que aconteceu.
– Caramba! — Exclamou Mike.
– Foi sua culpa, Alex. — Disse Percy.
– Ah! Agora vão jogar a culpa em mim! — Reclamou ela. Depois ela olhou para mim e disse: — Molha essa perna. Anda!
– Pra quê? — Perguntei.
– Ah, não sei. Alguma coisa me diz que é melhor.
Grover pegou uma garrafinha de água e virou um pouco em cima do machucado. A queimação parou. Mas não foi só ela. O machucado que avia ficado na minha perna estava cicatrizando bem rápido.
– Vamos seguindo, gente? – Perguntou Grover.
– Vamos. – Dissemos todos, em tom cansado.
Andamos até o anoitecer, entramos no mato e montamos a barraca. Não pudemos fazer uma fogueira por que chamaria atenção.
– Putz! Tá escuro aqui! Acende! – Resmungava Percy. – Não vejo nada.
– Confesso! Eu tenho uma lanterna. – Disse Alex. – Pensei que fosse precisar. – Ela me entregou a lanterna.
– Por que você não disse? – Perguntou Percy, com a voz estressada.
– Por que queria ouvir seu choro. Você é muito resmungão.
– Obrigado. – Disse ele.
– Idiota. – Disse ela.
– Parem o namoro esquisito aí! Estou tentando ligar a lanterna.
– É só apertar... – Disse Alex.
– Como? Não vejo nada. Por isso o namoro de vocês está me atrapalhando.
– Não estamos namorando! – Disseram os dois, com a voz irritada.
– Está bem, não estão. Não estão. Parei, parei.
Depois das brincadeirinhas e xingamentos pararam, finalmente conseguimos dormir.
De manhã cedo acordamos e continuamos andando.
– Eu acho estranho... Não conseguimos chegar naquele posto em que encontramos os Stoll. – Disse Mike.
– Você tem razão. – Falei.
– Mas deve estar logo ali. Andamos bastante. – Disse Alex.
Finalmente, depois de andar uns 20 minutos, vimos uma casa, parecia um hotel. Alex, eu, Mike, Grover e Percy tínhamos dinheiro nas mochilas. Ao todo eram setecentos reais. Resolvemos almoçar e dormir mais um pouco no hotel.
Entramos. Por dentro era tudo enfeitadinho, mas com decorações horrendas, como desenhos de guerras gregas. Provavelmente era um hotel para deuses e semideuses, pois também tinha vidros com Ambrosia e copinhos de Milk-shake com a palavra “Néctar”.
Comemos e dormimos um pouco e então estávamos nos arrumando para ir embora.
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