I'm Nothing Without Your Love
16 Well, you don't know me .. but I know you.
Notas iniciais
– Mães!
Aquela voz ofegante do menino foi ouvida do começo do hall castelo fazendo Emma e Regina descerem apressadas em direção ao garoto que estava suado, sujo e cansado. Os gritos atraíram todos que estavam naquele palácio, todos foram de encontro ao menino, porém dando privacidade para que as mulheres o recebesse.
– Henry, meu amor. – A morena o abraçou deixando que as lágrimas escorressem livres pelo rosto, apertando o pequeno em seus braços enquanto a loira os abraços também com os orbes marejadas. – Quem estava contigo? Machucaram-te? Você esta bem? – Regina interrogava preocupada o pequeno, enquanto analisava-o pra ver se o mesmo não apresentava nenhum arranhão.
– Eu não a conheço mãe, mas fique calma, eu estou bem. – Pedia vagarosamente limpando algumas lágrimas que escorriam dos olhos castanhos deixando-os vermelhos. – Ela não me machucou e eu consegui fugir em um momento de distração dela.
– Nós vamos encontrá-la, e a faremos pagar por ter tirado você de nós. – A loira passou singelamente a mão pelo braço da morena que a olhava com ternura. Os três se abraçaram. – Agora vem pequeno, tomar um banho. Queremos que nos conte exatamente tudo o que aconteceu para que possamos encontrar essa mulher que lhe fez isso.
Henry enlaçou seus dedos nas mãos da loira e da morena, andando lado a lado com as mesmas. Snow e Charming que estavam na floresta à procura de Henry chegaram e presenciaram o toque, os olhares, e a dinâmica entre os três. David não pode deixar de sorrir e Mary o observava de canto de olho, a morena pegou sua mão arrastando-o pra longe daquele pequeno aglomerado de pessoas.
– O que está acontecendo entre Emma e Regina, David? – Sua expressão era um misto de curiosidade e incredulidade. – Recentemente eu as vejo trocando olhares e não vejo mais Regina com aquele humor ácido que ela tinha, e eu sei que você sabe de algo, está sempre rindo para as duas. – Olhou-o nos olhos tentando intimidá-lo.
– Quando chegar a hora certa, sua filha irá te contar Snow. Não se preocupe, apenas saiba que ela está feliz. – O homem acarinhou a face da mulher aproximando-se dela, Snow que antes tinha uma expressão carrancuda e desconfiada, passou a ser serena. David capturou lhe os lábios, beijando-a calmamente.
As escadarias de mármore foram subidas suavemente pelas mulheres, risadas eram ouvidas. Todos ali estavam maravilhosamente felizes e aliviados pelo pequeno, mas uma coisa ninguém entendia, quem era aquele ser que havia o sequestrado e como o mesmo havia fugido? A resposta pra primeira pergunta só o tempo diria, já como Henry fugiu, ele mesmo poderia contar.
O cheiro que o menino exalava era uma mistura de maça e canela, uma combinação perfeita de Emma e Regina. A morena o deixou todo pomposo, sentando-se com ele, Emma, Snow, David e Ruby naquela sala enorme esperando o garoto relatar tudo o que acontecera nesse ultimo dia que o mesmo ficou sumido.
Flashback on
Os saltos finos daquele luxuoso sapato preto batiam contra a madeira causando um ruído. Barulho que fazia Henry arrepiar e seus neurônios se atiçarem a cada segundo que o mesmo ia se aproximando. O cômodo era escuro e não daria visibilidade nenhuma ao menino se não fosse um pequeno feixe na janela por onde entrava um fio de luz, ele não saberia dizer quanto tempo estava ali e tinha quase certeza de que a mulher o fizera desmaiar depois do mesmo presenciar o beijo de suas mães, estava tudo tão confuso na pequena cabeça do garoto e apesar da pouca idade ele entendia o conceito de felicidade, e ele sabia que depois de ter voltado pra Floresta Encantada, ambas as suas mães estavam mais felizes e se o destino às quisesse juntas, Henry entenderia e as apoiaria.
– Quem é você? – O receio na voz do garoto fez eco por aquele cômodo e uma risada foi se ouvida. – O que você quer comigo? – A cada novo questionamento, a risada aumentava e o pequeno se encolhia abraçando os joelhos.
– Não tenha medo little boy, eu não machucarei você. – A mulher se aproximou, abaixando-se e apertando-o pelas bochechas as deixando rosadas. – Única coisa que eu quero é que sua mamãezinha Regina sofra. – Seu sussurro perto do rosto do garoto saiu cheio de ódio. – Eu tirarei dela toda a felicidade que ela conquistou. – Colocou um pouco mais de força nos dedos, fazendo-o fechar os olhos pela dor.
– Por quê? – Sua voz era embargada pelo choro que insistia em cair. – Porque querer prejudicar minha mãe?
– Porque ela sempre teve tudo o que quis, e nunca deu valor, então chegou a hora de ela não ter mais nada. – Levantou-se bruscamente, andando em círculos. Falar sobre a quão sortuda era Regina por ter tudo e não estar satisfeita, como ela queria estar no lugar da Rainha.
– Eu não entendo, como você sabe de tudo o que minha mãe tem? – Fez uma pausa. – O que você tem haver com ela, porque ela? – O garoto conseguiu arrancar outra gargalhada da mulher.
– Você vai entender mais tarde garoto, somente mais tarde. — A mulher girou suas mãos levemente e uma névoa apareceu perto do menino se dissipando logo em seguida e dando lugar a um copo de leite com biscoitos. – Caso esteja com fome.
Direcionou a Henry um último sorriso e virou-se majestosamente saindo dali. Os mesmos tilintar de saltos que ele ouvira mais cedo estava se tornando cada vez mais longe, Henry desfez da posição de proteção, levantando-se e olhando em volta, ele precisava encontrar uma maneira de sair daquele local e voltar pra casa, porém ele não fazia ideia de onde estava. O local era quase um quarto de luxo, Henry poderia jurar que alguém dormia ali, afinal, estava tudo tão arrumado. Correu os olhos por toda a extensão do cômodo, e apesar da pouca luz viu uma porta num canto do mesmo, aproximou-se dela e abriu-a vagarosamente, esperava não fazer barulho pra não atrair a atenção daquela mulher, afinal, ele não sabia direito o que a mesma queria e do que ela era capaz para alcançar.
A maçaneta foi-se girada lentamente e a porta aberta, havia ali um pequeno banheiro, e uma janela cerrada que dava a ele a visão de uma boa parte da floresta. Talvez Henry não tivesse idade o suficiente pra fazer o que ele estava planejando e se Regina soubesse o comeria vivo, afinal, preocupação de mãe nunca é demais. Havia um objeto cilíndrico no canto do banheiro, ele serviria perfeitamente para o garoto quebrar a janela, e esgueirar-se para dentro da floresta e correr até o palácio. Ele o pegou e fez menção de quebrar diversas vezes, porém estava com medo de que a mulher o ouvisse e o seguisse, o que Henry não sabia é que isso tudo faz parte do plano da mulher para se encontrar com Regina.
Um estalo foi se ouvido e diversos cacos foram parar no chão, a mulher que tinha tudo isso em mente sorriu ao ouvir o barulho, ela sabia o quanto o garoto era esperto. Por ser pequeno ainda, o mesmo coube pela fresta da janela, conseguindo assim correr floresta adentro. Sua respiração estava totalmente descompassada, e seu colo subia e descia conforme ele ia puxando o ar pelas vias aéreas. Seu fôlego apenas aumentou quando o mesmo conseguiu ver de longe o enorme palácio do qual ele sabia suas mães estavam o esperando.
Flashback off
– Mães, vocês estão bem? – O garoto pergunta preocupado vendo a expressão séria no rosto da loira e a morena parecia querer chorar. Elas se entreolharam, e sabiam muito bem o que aquilo queria dizer. – Não vão brigar comigo ou algo assim né? – Ele parecia preocupado.
– Nós podemos conversar a sós com Henry pessoal? – A loira olhou a todos que estavam envolta ao menino, que concordaram de prontidão. Todos se levantaram, e começaram a sair daquela sala.
– Pega leve com o garoto loirinha, ele está são e salvo. – A loba piscou pra Emma e logo em seguida olhou pra Regina, que tinha a cara emburrada. Ruby riu o que deixou Regina mais furiosa ainda, a morena odiava o fato da outra se direcionar a Emma daquela maneira. Aproximou-se da morena, sussurrando pra que só a mesma ouvisse. – Não precisa ficar com ciúmes e querer esmagar meu coração Evil Queen, a loirinha é todinha sua e ela se orgulha disso. – Afastou-se da mesma rindo, aquela atitude um tanto quanto infantil irritava a Rainha, porém ela sorriu de canto com o comentário da loba.
– Regina? – A loira chamou-a, a tirando de seu devaneio. – Junte-se a nós. – Bateu a mão no estofado aveludado do sofá, convidando-a a sentar-se.
– Henry. – A morena pronunciou-se primeiro, fazendo uma pausa após sibilar o nome de seu filho, pegou levemente as mãos delicadas do menino acariciando o local. – No seu relato, você disse que antes de desmaiar ela lhe obrigou a ver algumas coisas das quais você não entrou em detalhes. – Fez outra pausa, agora acariciando as próprias mãos em sinal de nervosismo, recebendo um olhar encorajador da loira ao seu lado.
– Mãe, vá direto ao ponto e pergunte o que quer saber. – Sorriu de forma doce a ela, que entendeu o recado.
– O que exatamente você viu? – Dessa vez foi Emma quem proferiu a pergunta tão esperada.
– O que eu vi? – Repetiu a pergunta tentando buscar palavras que expressasse o que ele queria dizer. – Eu vi uma prova de amor, uma troca de caricias feita excepcionalmente pelos dois amores da minha vida e eu não poderia estar mais feliz com isso. Gostaria de dizer que entendo o motivo pelo qual vocês não me contaram e apoio a decisão de manter em segredo, pelo menos por enquanto, mas gostaria que vocês soubessem que eu sou o filho de vocês e nada me deixa mais feliz do que ver minhas duas mães felizes e, além de tudo, juntas.
Palavras cessaram naquele momento e um abraço coletivo foi-se dado, lágrimas tímidas escorriam pelo rosto da morena, ela nunca imaginou que seu pequeno príncipe agiria com tanta maturidade perante o assunto, esse gesto a alegrou e muito. Separaram-se e Emma pegou os dois lados do rosto do menino e beijou-lhe a testa.
– Eu amo você Henry. – Sorriu para ele e logo em seguida correu seus olhos pelos castanhos que pareciam mais claros diante das lágrimas. – Nós te amamos filho.
– Eu sei disso mães, e eu amo muito vocês. – Abraçou-as mais uma vez, separando-se logo em seguida. Seu olhar para as mulheres era animado e divertido. – Agora um beijo pra comemorar a volta do príncipe de vocês. – Sussurrou baixinho todo animado, fazendo ambas as mulheres ruborizarem.
–Henry. — Regina advertiu-o repreensiva arrancando uma gargalhada dele e de Swan. — Cadê seus modos garoto? — Sua expressão carrancuda não durou por muito tempo, logo a mesma a desfez com um sorriso, um daqueles que tirava o fôlego de qualquer um que a olhasse e a fizesse sorrir.
– Que momento em família maravilhoso, seria uma pena se alguém atrapalhasse. — Uma voz diferente ecoou por toda aquela sala, atraindo a atenção de ambos ali presentes. — Tem um detalhe sobre sua sequestradora que você não contou garoto. – Seus lábios se curvaram em um sorriso magnífico mostrando aqueles maravilhosos dentes brancos. –Você não contou para as suas incríveis mamães o quão maravilhosa eu sou. – Aquela risada espalhou-se pelo local.
Regina levantou-se rapidamente do sofá se posicionando na frente do garoto suspendendo sua mão do ar formando a sua conhecida bola de fogo, sendo acompanhada por Emma que ficou ao lado da morena.
– Quem é você? – O timbre da loira era rude, severo. – O que você quer com minha família?
– Eu não ligo pra você ou seu filho Emma Swan, a única pessoa que eu queria atingir era você. – Girou suas mãos ao ar, imobilizando Emma e Henry, o corpo da rainha vacilou levemente, mas ela não deixaria que a outra visse esse deslize. A mulher aproximou-se levemente das mulheres apontando pra Regina e abrindo um sorriso. — Your Majesty. – Seu tom era incrivelmente irônico, o que fez com que a morena desse um passo a frente e sorrisse pra ela também, ela teria que entrar no jogo.
Os olhos castanhos se misturavam aos olhos verdes, e aquele sorriso de satisfação não saia do lábio de ambas, era um prazer para as duas partes.
– E eu poderia saber o motivo pelo qual você quer tanto me atingir? – O tom provocativo que a Rainha usava irritava levemente a outra mulher. – O que eu tenho que você tanto quer?
– Tudo! – A mulher se exaltou. – Pretendo tirar de você tudo o que você tem e que não da um pingo de valor. – Seu timbre raivoso, fez Regina se questionar o porquê daquilo.
– Do que você está falando? Quem é você de fato? – Indagou a olhando fixamente.
– Cora nunca lhe contou não é mesmo? – A ruiva rebateu. – Eu sou sua irmã Regina, e eu irei destruir e tirar de você, tudo aquilo que você conseguiu e não merece ter.
– Irmã? – Regina não pode conter a surpresa em sua voz.
– Bom meia irmã, mas isso é só um detalhe. – A mulher não conseguia desfazer o sorriso.
– Você pode ficar com o que você quiser desde que, deixe Emma e Henry de fora disso. – A Rainha se aproximou estreitando os olhos, e vociferando entre os dentes.
– Se você ficar com sua mulher e seu filhinho você será feliz do mesmo jeito, então, minha resposta é não. Não os deixarei em paz. – A ruiva não conseguia controlar o riso, Regina agia tão “boa” quando se tratava de seu filho e Emma.
– NÃÃO! – Gritou. – Você não irá relar a mão neles.
A morena estendeu a mão no ar, jogando na mulher uma bola de fogo, que a mesma não teve dificuldades quase nenhuma de neutralizar.
– Você tem sorte Majestade. Porque o que é seu, virá.
– Bring it, Greenie.
Zelena se dissipou em meio à névoa verde, fazendo com que Emma e Henry voltassem ao normal e corressem para abraçar Regina.
Fale com o autor