I'm Nothing Without Your Love
17 Just a dream, a good dream.
Notas iniciais
Os olhos castanhos se abriram lentamente, acostumando-se com a claridade do local. Regina respirou fundo, puxando todo o ar pelos seus pulmões e levantou-se levemente até sentar-se naquela enorme cama. Passou suavemente as mãos pelos pequenos fios negros que caíam sobre seus ombros, ela se sentia fortalecida, um sentimento gostoso se aflorava em sua alma. Regina não sabia dizer qual foi à última vez em que ela dormira tão bem daquele jeito. Levantou-se colocando seu robe de cetim por cima do pijama, ela se permitiu espreguiçar-se, aproximou-se do enorme espelho que ficava em seu quarto, olhando seu próprio reflexo através do mesmo, seus lábios curvavam-se formando um magnífico sorriso.
– Mãe, acorda! – Henry entrou exasperado no quarto, assustando a prefeita que levou a mão levemente ao tórax.
– Deus Henry, você me assustou. – Repreendeu o garoto ainda sorrindo, enquanto o mesmo a abraçava pela cintura. – Porque toda essa gritaria?
– Onde está Emma? Precisamos contar a ela mãe. – A empolgação na voz do garoto era perceptível. Ele estava agitado, Regina o segurou pelos ombros.
– Do que você está falando príncipe? – Seu semblante era totalmente confuso. – Como vou saber onde a senhorita Swan está se eu acabei de acordar? – Henry a encarou analisando-a.
– Mas eu achei que.. Mãe, onde estávamos ontem? – A mulher lhe olhou como se aquela pergunta fosse a mais óbvia possível.
– Amor, o que está acontecendo? Não saímos de casa, não saímos de Storybrooke.
O queixo do garoto foi ao chão, como sua mãe não lembrava? Eles haviam ido dormir na floresta encantada e acordaram em Storybrooke. Aquela situação toda não estava certa, sua mãe Regina poderia não se lembrar, mas talvez Emma se lembrasse ou Mary, tudo estava extremamente confuso.
– Merda! – Sussurrou batendo levemente os braços pela lateral do corpo, porém foi extremamente audível para a morena que fechou a cara no mesmo instante.
– Olha a boca mocinho, onde é que aprendeu isso? – As duas mãos da mulher foram dispostas na cintura. Henry levou a mão na boca, se martirizando mentalmente por ter dito aquilo alto, ele sabia o quanto sua mãe era rígida com educação. – Aposto que anda aprendendo isso com certa xerife. – Esbravejou.
– Me desculpe mãe, prometo não falar mais nada do tipo. – Gargalhou levando aquela situação na brincadeira, enquanto Regina não tirava o semblante sério do rosto. – Eu te amo mãe, porém preciso ir. – Aproximou-se da morena depositando um beijo casto em sua bochecha.
– Não pense que você irá fugir do castigo não mocinho. – Sorriu com o beijo do filho. – Posso saber aonde meu príncipe vai?
– Preciso falar com Emma mãe. – Ele a olhou e um sorrisinho de canto se formou após ele pronunciar o nome da loira, o que não passou despercebido, porém a mesma tratou de disfarçar. – Ou tem algo muito sério acontecendo ou, eu sonhei. Era muito real pra ser um sonho.
O garoto já se afastava, enquanto Regina já mais relaxada permanecia em seus devaneios o observando.
– Depois eu quero saber de tudo, Henry. Volte logo, você tem escola hoje.
Alterou o tom para que o mesmo a ouvisse, enquanto o garoto descia as escadas daquela mansão. Ela não podia acreditar em o quanto aquele garoto havia crescido, o seu garotinho estava se tornando um rapaz, um riso frouxo desprendeu de sua garganta enquanto a mesma fazia exatamente o mesmo percurso que ele fizera, porém ela ia pra cozinha. Regina desjejuou calmamente, aproveitando o sabor de sua salada de frutas vermelhas, era sua preferida. Vez ou outra ela se pegava pensando sobre o que Henry estava falando, e chegava à conclusão de havia sido apenas um sonho bobo do mesmo.
Após o término do seu café da manhã se dirigiu para seu quarto, tomando um rápido banho. A toalha felpuda estava envolta daquele corpo esbelto, deslizando levemente por ele. Olhou de relance para o relógio que ficava em seu criado mudo, assustou-se. Faltava apenas 20 minutos para que seu dia de trabalho na prefeitura começasse. Abriu aquele enorme closet, e escolheu seu terninho cinza de sempre, o vestindo rapidamente, passou as mãos suavemente pelo cumprimento das mexas negras, alinhando os fios. Pegou seu inseparável batom vermelho vivo, deslizando-o pelos lábios carnudos, dando a eles cor e os realçando. Regina era totalmente beijável, uma mistura de elegância e sensualidade, ninguém conseguia resistir aos encantos da prefeita, o que era totalmente compreensível.
Desceu cautelosamente aquelas escadas com seu salto agulha, distraída revirando sua bolsa trás das chaves da sua Mercedes. Os números 108 prateados e detalhados foras vistos assim que a prefeita fechou a porta daquela enorme mansão, ao longe a prefeita avistou certa loira e seu filho.
– Vamos lá Henry, do que diabos você está falando? — A loira não havia acordado com um bom humor hoje e nem estava com muita paciência e, o garoto só parecia piorar a situação dela.
– Quando a gente chegar eu te explico. – O garoto não queria ter que contar toda aquela história ali, no meio da rua.
Bebericou do seu café sem paciência alguma, ela não sabia muito bem onde estava indo, apenas andando, porém aquele caminho daria no Granny’s e ela já imaginava que Henry não havia feito o desjejum ainda. Sorriu ao comprovar que estava completamente certa.
A porta do local foi aberta, acionando os sinos que se localizavam nela, chamando a atenção de todos para a loira e o garoto que entrava. Suas bodas de couro preto estalaram no chão, o que fez Ruby seguir com o olhar, primeiro as botas, depois a calça jeans extremamente colada, a regata branca, a jaqueta de couro vermelha, os fios loiros caídos pelo ombro até quase a cintura e por último, os inexpressivos olhos esmeraldas. O sorriso lascivo que Ruby lhe lançara deixara Emma enjoada, tratou logo se sair da vista da morena e sentou-se em uma mesa afastada, o que não deu muito certo, pois a mulher de mechas vermelhas a seguira.
– Bom dia loirinha. – Olhou a loira que apenas forçou um sorriso, tentando ser simpática. Emma acordara com a pá virada e nem ela própria saberia explicar o por que. – Garoto, o que vão querer?
– Dois chocolates com canela, e uma porção de donuts gelado. – Henry adiantou. – Obrigado Ruby! – Alterou o tom, vendo a moça se afastar.
– Então Henry, me explica isso direito. – A atenção toda da loira foi direcionada ao menino.
– Eu não sei, pareceu tão real. Estávamos na floresta encantada, todos nós morando no castelo, felizes sem brigas, sem piratas e ladrões para atrapalhar nossa felicidade. – Emma estreitou os olhos o encarando, o mesmo gargalhou. – Deus, se foi só um sonho, foi um dos melhores que já tive.
– O que aconteceu de tão bom assim Henry? – Ela o olhou, curiosa.
– Nós mãe, nós acontecemos. Minha mãe, você e eu éramos uma família.
– Você quer dizer que.. – Ela o olhou nos olhos, enquanto o mesmo afirmava com a cabeça sorrindo. – Eu e Regina? – A loira perguntou incrédula. Enquanto o garoto apenas afirmava. – The Saviour e a Evil Queen? – Emma ficou nervosa de repente, não que ela estivesse pensando nessa possibilidade, ou ela estava?
– Desculpe interromper, aqui estão os chocolates e o donuts. – Ruby aproximou-se depositando os pedidos em cima da mesa. – Aproveitem. – Piscou levemente para a loira, que sorriu ruborizada.
– Ela esta dando em cima de você descaradamente mãe, mas prefiro você com minha mãe. A salvadora e a Rainha Má fazem um casal lindo. – Piscou para a mulher imitando o que a garçonete acabara de fazer.
– Henry! – Repreendeu o garoto sorrindo. – Isso é coisa que se diga pra sua mãe?
– O que foi? É sério o que estou falando. – Ambos gargalharam, mas Henry pode perceber o quão nervoso aquele riso parecia e, constante esfregação das mãos nas coxas. Talvez aquele fosse um sinal de que pelo menos Emma estava cogitando a possibilidade, mas o garoto sabia que ela nunca admitiria isso pra ninguém muito menos a si mesma. – Mãe? – cutucou a loira que parecia ter entrado em devaneio. – Mãe? – Alterou a voz.
– Oi kid, perdão. Estava com a cabeça em outro lugar. – Levou sua xicara a boca tomando uma golada do chocolate.
– Ou outro alguém. – Henry sussurrou, enquanto mastigava um donut.
– O que foi que disse? – O olhar desconfiado da loira fez o garoto rir.
– Nada mãe. – Seu sorriso sínico não convenceu à loira, porém ela preferiu deixar pra lá. – Apenas, que me recordei algo a mais. Por algum acaso você conhece uma moça ruiva, olhos verdes? Muito bonita por sinal.. – Emma negou com a cabeça, enquanto sua boca se deliciava com o gosto daquele donut maravilhoso. – Eu não consigo lembrar o nome dela.
– Não faço a mínima ideia garoto. – Emma olhou pro Relógio. – Merda kid, tu tem escola, e se você perder já sabe né?! Teremos que enfrentar a fera chamada Regina Mills.
Ele gargalhou levantando e direcionando-se para a porta, Emma parou para pagar enquanto Ruby não tirava os olhos dela. A lanchonete não ficava muito longe da mansão, e a loira sabia que há essa hora Regina estaria na prefeitura, e daqui a pouco viria para leva-lo até a escola.
– Até depois príncipe. – Emma depositou um beijo na testa do garoto.
O pequeno portão foi aberto, enquanto ela via o mesmo correr pelo jardim Emma não tirava o sorriso do rosto. Decidiu passar reto pra delegacia, já estava um tanto quanto atrasada, porém Storybrooke estava calmo demais, o que a loira não precisava se preocupar. A vantagem de se morar em um lugar pequeno é que tudo é perto de tudo, então ela simplesmente caminhou até a delegacia. Deixou seu fusca amarelo na casa de seus pais, ela adorava caminhar, deixar que o vento balançasse seus cabelos e, o resquício de raios solares que ainda iluminavam a cidade batesse em seus olhos realçando o maravilhoso brilho que os mesmo têm.
Entrou calmamente por aquela delegacia silenciosa, passou por diversas salas desocupadas até chegar a sua sala. David estava entretido com alguns papéis e não percebeu a chegada da loira que parou na porta para encará-lo.
– Eu também adoro ficar encarando ele. – Alguém sussurrou em seu ouvido a assustando, fazendo-a virar de imediato chamando atenção do loiro que estava tão compenetrado.
– Que susto mãe. – Sua respiração estava entre cortada. – Não faça isso com uma xerife nunca mais, posso sacar minha arma e só Deus sabe o que pode acontecer em seguida.
– Pare de falar bobagens minha menina. – A morena baixinha a abraçou enquanto David aproximava das duas, ele aproveitou e as abraçou também.
– Mulheres da minha vida. – Deu um pequeno selinho na sua mulher e um beijo nas bochechas de Emma. – A que devo a honra?
– Bom, eu trabalho aqui. – A loira adiantou-se. – Ela. – Apontou para sua mãe. – Ela eu não sei, veio me assustar! – Gargalhou sentando-se em sua cadeira, girando a mesma.
– Eu vim ver meu marido lindo e charmoso. – Aproximou-se de David capturando os lábios do mesmo.
– Eca! Vou prender vocês por atentado ao pudor em locais públicos. – Emma tapou os olhos com as mãos enquanto risos divertidos saltavam de suas cordas vocais.
– Emma filha, nós também te amamos. – O casal maravilha riu, enquanto Emma fez uma cara de “tô falando sério” logo em seguida caindo na risada também. – Espero que dê conta do movimento de Storybrooke.
– Pode deixar David. – Abanou a mão para eles, enquanto Mary lhe mandava um beijo no ar. – Cuidarei dessa cidade movimentadíssima. – Riu de sua própria ironia.
O dia transcorreu absurdamente calmo e tedioso, ora Emma mexia no celular ora no computador e as horas não passavam de maneira nenhuma. Olhou para o relógio e faltavam exatamente 30 minutos para o final do expediente, e como a mesma sabia que nada aconteceria, principalmente pela calmaria do lugar, decidiu que sairia mais cedo para correr um pouco. Passou em casa correndo e agradeceu mentalmente por ela estar vazia, trocou seus trajes com roupas de ginastica mais confortáveis, pegou seu fone e direcionou-se a orla da praia.
O dia estava perfeito para uma caminhada, o sol já havia dado lugar para a enorme lua cheia e as estrelas, ao longe Emma viu uma sombra caminhando em sua direção. Havia poucas pessoas que gostavam de se exercitar ali naquela cidade, então tudo era extremamente calmo. O borrão preto ia ganhando forma a cada passo que Emma dava, quando se aproximou o suficiente Emma pode ver quem era, a ultima pessoa que ela gostaria de ver.
– Loirinha você por aqui? — “Um pouco sínica? Talvez” pensou a loira.
– Resolvi sair pra caminhar, aproveitar o clima ameno.
Respondeu enquanto a mesma se aproximava, o olhar de Ruby sobre Emma era totalmente sexy, a morena usava um mini shorts e uma blusa de mangas longa, enquanto seu cabelo amarrado formando um rabo de cavalo todo bagunçado.
– Emma, eu estava pensando.. — Analisou a loira por uns segundos, talvez tomando coragem. – Será que, sei lá, qualquer dia desses, você não quer dar um volta? Ou algo do tipo? – Mordeu levemente os lábios dando pequenos passos em direção a mesma.
– Ahn.. Hmm.. – A loira não conseguia responder com a aproximação exacerbada da morena, ambas estavam a centímetros de distância. – Ruby, eu..
– O que diabos está acontecendo aqui?
Aquela voz totalmente conhecida por ambas assustou as mulheres, fazendo-as se desgrudarem. Ruby esbravejou, era sempre assim, toda vez que ela tentava algo com Emma, a poderosa Regina Mills interrompia ou atrapalhava. Emma estava totalmente sem graça e apenas encarava o chão.
– Porque diabos você esta se metendo onde não é chamada? – Emma sussurrou pensando que ninguém a ouviria, pura ilusão. A prefeita a ouviu em alto e bom som.
– O que você disse? – Enfrentou-a.
– Nada Madam Mayor. – Pela primeira vez, os olhos verdes se encontraram com os castanhos escuros que brilhavam de raiva. – Vamos Ruby. – Emma pegou a mão da mulher, arrastando-a pra longe da autoridade maior de Storybrooke.
Fale com o autor