I'm Nothing Without Your Love
20 Oh god, what is this?
Notas iniciais
Desde o quase incidente no dia da cavalgada, Regina evitava todas as formas falar com Emma, só quando era estritamente necessário. A morena se afundou no trabalho, pois só assim conseguia não pensar na loira e em seus olhos verdes convidativos, e seus finos lábios entre abertos. Mas que porra é essa Regina? Porque você está fantasiando desse jeito? Seu subconsciente gritava a todo o momento em que ela pensava em Emma Swan. O afastamento repentino da morena deu uma pequena brecha para a loba aproximar-se de Emma, e a loira apesar de não querer nada com a mesma se deixava cortejar pelo simples fato de Ruby a fazer rir e apesar de sentir uma saudade inexplicável da prefeita, tão inexplicável que nem Swan era capaz de admitir a si mesma, ela agradecia por Regina não ver senhorita Lucas rastejando no chão que a xerife pisava, pois assim todos evitavam confusão, afinal Emma não entendia toda essa implicância de Regina com Ruby e vice versa, a loira chegou até a pensar em ciúmes, porém seria muito improvável, então tratou de tirar esses pensamentos de sua mente.
A semana havia passado devagar demais, o que fez a morena se cansar muito fácil, porém a mesma estava vibrante por dentro por finalmente ser noite de sexta feira. E como todas as sextas, Henry ia dormir com Emma, e Regina tinha a casa toda livre para si. O relógio marcava exatamente 18h e a morena abriu um leve sorriso, ela tinha um plano perfeito para relaxar, se dirigiu até sua adega particular e vasculhou aquele local até encontrar sua bebida preferida, Cidra de Maçã. Serviu-se de uma pequena taça e levando consigo o resto do conteúdo que havia ficado naquela garrafa. Nunca deixando a classe e a elegância de lado a rainha subiu aquelas maravilhosas escadas bebericando suavemente daquele líquido, apreciando o gosto do mesmo ao seu paladar. Adentrou sua suíte, passando direto para o banheiro, abriu aquelas portas de madeira branca lentamente e colocou sua garrafa, juntamente com sua taça no suporte ao lado da banheira, ligando-a. Despiu-se suavemente, entrando naquela banheira com sais, relaxando-se com sua bebida e aquele banho que tirava todo o estresse de seu corpo.
***
– Vamos lá. – Seu sorriso apenas aumentava enquanto a loira abaixava a cabeça, tentando não demonstrar o sorriso que se instalava em seus lábios. – Eu disse que você ia perder. – A gargalhada do garoto ecoava por toda a sala enquanto o mesmo comemorava.
– Você roubou! – Exasperou a loira fingindo indignação. – Sou a rainha desse jogo, você claramente roubou. – O menino gargalhou alto, deixando de lado o controle do vídeo game, e pulando no colo da loira.
– Eu sou o rei desse jogo e eu não roubei. Ganhei de forma extremamente justa, você quem não sabe jogá-lo. – Ele olhou sério para a loira que revirou os olhos.
– É muita convivência com Regina Mills não é mesmo, ela afetou esse seu comportamento superior. – A loira abraçou o garoto, fingindo que o papo era sério enquanto o mesmo a olhou estreitando os olhos.
– E olha que sou seu filho, mas.. – Fez uma pausa. – Ela fala a mesma coisa sobre você. – Comentou baixo, arrancando da loira uma expressão um tanto engraçada.
– Ah ela diz? – Desafiou a loira, enquanto Henry já se preparava pra descer. – E o que mais ela diz em Kid? – Henry desceu enquanto Emma subiu as mãos no ar na mesma altura do tronco, o garoto já prevendo o que viria a seguir começou a dar pequenos passos para trás.
– Na-Nada. – Gaguejou levemente já não conseguindo conter o riso. – Ela não diz nada mãe!
Emma avançou sobre o garoto que tentava correr da mesma, em vão. Ela o alcançou afundando os dedos na costela do mesmo, fazendo-o perder até o fôlego. Henry amava os momentos em que dividia essa alegria toda com sua mãe, principalmente quando juntava ambas as mães, o que não acontecia com muita frequência e quando acontecia o garoto tentava aproveitar o máximo. Recuperou o fôlego, respirou fundo e o resquício de sua risada ainda ecoava, Emma respirava pesado tentando controlar sua própria respiração. Ambos sentaram-se lado a lado naquele enorme sofá.
– Não deixe ela saber que eu te contei que ela comenta sobre você. – O tom de suplica arrancou uma gargalhada da loira. – O que foi? – O garoto olhou-a com uma expressão confusa, fazendo os risos de Swan demorarem a cessar. – Eu falo sério, ela me mataria.
– Apesar de ser tão temida Evil Queen, sua mãe te ama garoto. – Ainda sorrindo se esborrachando no sofá, enquanto seus dedos hábeis tateavam os botões do controle remoto procurando algum canal que agradava a ambos. – Ela nunca te machucaria. – Olhou o mesmo, dando um sorriso de canto. – Mas.. Você ainda não me contou o que ela fala de mim?
– Talvez em outra ocasião. – O garoto levantou deixando a loira totalmente curiosa tentando disfarçar e prestar atenção num canal de culinária.
Henry direcionou-se até seu quarto, afinal ele fitou o relógio e já se passava das 22h30 da noite e se Regina soubesse que ele estava acordado há essa hora, ela não mataria só ele como Emma também, e a ultima coisa que ele queria era que ambas suas mães brigassem. O garoto sabia que todo aquele lance de sonho fosse loucura, e de repente ele teve um insight, abriu o armário e retirou seu livro de conto de fadas toso empoeirado passando a mão pela capa do mesmo tentando retirar o excesso da poeira instalada ali.
A porta do apartamento foi aberta assustando a loira que estava perdida em devaneios ainda esparramada no sofá, Charming e Snow de mãos dadas adentraram aquele local. Emma encarou o relógio e semicerrou os olhos para seus pais, que se direcionavam pra ela.
– Posso saber onde os pombinhos estavam até essa hora?
Emma fingiu uma cara séria, deixando Snow corada. David alternou os olhares entre sua mulher e a loira. Como contar para sua própria filha que passou a tarde inteira e boa parte da noite aproveitando de sua mãe? Negou levemente com a cabeça, indo em direção à cozinha enquanto gargalhava pra não demonstrar nervosismo.
– David, não me deixe aqui. – Mary correu atrás do seu marido enquanto Emma que não é criança nem nada entendeu o que aqueles risos nervos queriam dizer.
– Eca! – Fez cara de nojo, tendo uma crise de risos. – Não está mais aqui quem perguntou. – Recuperou comentando enquanto Snow e Charming cochichavam lá da cozinha.
– Nunca é tarde pra traumatizarmos nossa pequena. – A mulher deu um riso frouxo, abraçando David pela cintura enquanto o mesmo beijava-lhe o topo da cabeça e acariciava seus braços.
– Pequena que de pequena não tem nada né Mary, ela já é uma mulher. – Ambos os olhos foram parar na loira nutrindo todo amor e admiração que pais poderiam ter para com seus filhos.
– Emma? – A voz do garoto que até então seus avós não tinham percebido que estava ali, ecoou dentro do quarto. – Mãe? – Henry abaixou o tom de voz aproximando-se daquela reuniãozinha de família.
– Henry meu amor, não sabia que estava aí. – A morena abaixou-se abraçando o garoto e afagando seus cabelos com os dedos pálidos e gélidos.
– É sexta feira vó, esqueceu? – O garoto perguntou incrédulo. – Você anda muito esquecida Snow White.
– É a idade. – Comentou a loira se aproximando da cozinha arrancando risada de ambos e uma expressão de repreensão da morena.
– Emma. – Seu tom era quase sentido.
– Eu estou brincando, desculpe-me. Você está maravilhosa. – Bajulou a loira arrancando um sorriso da mesma.
– E eu campeão, não ganho um abraço do meu neto? – O homem perguntou enquanto Henry se jogava em seus braços e rodeava seu pescoço com os braços. Descendo logo em seguida, o garoto estica lhe a mão para um Hi Five. – Bom garoto.
– Mas me contem o que estavam fazendo?
– Estávamos jogando vó, e por sinal minha mãe é uma péssima jogadora. – Encaminhou-se até o sofá passando do lado da loira, e fazendo uma cara sínica para a mesma.
– Você me paga garoto, volte aqui. – Repreendeu a loira enquanto corria atrás do mesmo, ambos se espatifaram no sofá e Emma lhe distribuía vários beijos.
– Mãaaae, para. – O garoto estava com as bochechas doendo de tanto sorrir. – Preciso falar contigo.
– Diga meu pequeno príncipe. – A loira parou de imediato prestando atenção no que Henry tinha pra falar.
– Eu.. É.. – Fez uma pequena pausa enrubescendo. – Isso é constrangedor. – Sorriu. – Estou com uma mania muito feia, tenho a praticado sem ver. – A loira fitou-o. – Eu não consigo dormir mais sem minha coberta, e eu a esqueci na mansão. – O garoto abaixou o olhar. Tinha medo de que o superpoder de Emma funcionasse ali e ela soubesse que o mesmo estava tramando pra que a loira e a Rainha se encontrassem.
– Mas você já tem 14 anos filho, já é quase um homem. – A loira olhou-o desconfiada, nunca viu Henry com coberta alguma.
– Eu sei, mas eu não consigo controlar. Você não percebeu, da ultima vez eu estava com ela aqui. – A loira negou com a cabeça, ele estava ficando sem saídas, tinha que apelar pra chantagem emocional. – Por favor, mãe, vai. Não vai demorar nada.
– Tudo bem, vamos. — Emma negou com a cabeça estreitando os olhos pro menino que sorriu largamente, levantando-se do sofá e dando a mão pro garoto, pegou sua jaqueta de couro e fez o sinal para que ele fizesse o mesmo.
– Mãe, pai. – A xerife chamou atenção do casal que conversava algo animadamente que a mesma não fez nem questão de prestar atenção. – Vou levar Henry na mansão rapidinho e já voltamos.
– Aconteceu alguma coisa Emma? – David perguntou preocupado.
– Aparentemente ele esqueceu a coberta preferida. – Os três se olharam simultaneamente, Henry estava aprontando e todos sabiam.
***
– Porque estamos batendo na porta? – O garoto perguntou confuso depois que a loira deu três médias batidas na porta, já que ali era a casa dele.
– Porque já se passam das onze da noite, e se conheço Regina Mills o suficiente, ela já vai me matar por você estar acordado até essa hora e nos mataria mais ainda se entrássemos sem permissão na casa dela. Será que ela está acordada? – Pergunta à loira, recuperando o fôlego depois do pequeno monólogo.
– Hoje é sexta feira, hoje é dia de Regina Mills. Ela não dorme cedo.
Foi o suficiente para ambos verem a luz do hall se acender. A porta foi aberta lentamente, e Emma simplesmente não encontrou palavras para descrever o que seus olhos estavam vendo.
– Henry? – Aquela voz rouca e sensual, entrou nos tímpanos da loira causando-lhe um arrepio.
– Mãe! – O garoto abraçou-lhe a cintura, e a morena fechou os olhos aproveitando o momento com seu filho. Seus olhos abriram e foram diretamente de encontro aos olhos verdes.
– Ms. Swan. – Cumprimentou lhe a morena. – Você já reparou as horas? O que Henry faz acordado há essa hora?
– Não brigue com ela mãe, a culpa foi minha. Eu esqueci meu cobertor. — A loira foi abrir a boca pra responder, Henry interrompeu-a.
O garoto adiantou-se, porém Regina cravava seus olhos em Swan que ruborizava, ela sentia vontade de encarar aquele corpo esculpido maravilhosamente e que estava coberto apenas por uma camisola de seda e um robe preto, porém havia algo no olhar da morena que fazia os orbes verdes se perderem. Ele passou pela morena, correndo por aquelas escadas.
– Não corra Henry! – Pediu a morena elevando a voz. E virando-se para a loira que ainda estava ruborizada, e percebendo o olhar da mesma sobre seu corpo, decidiu provocar-lhe um pouco. – Gostaria de entrar Ms. Swan? Beber alguma coisa, ou só esperar o garoto.
Aquele timbre, o tom rouco apenas eriçavam os pelos de todo o corpo branco da loira, que teve voz, confirmou apenas com o olhar vacilante. Regina sorriu, virando-se e dando espaço para que a mesma entrasse pela porta da frente. Assim que Swan entrou, e deu mais alguns passos, a porta foi-se fechada, e Regina a alcançou, porém passou majestosamente por ela, rebolando. Ela sabia que involuntariamente a xerife olharia pra ela. Uma crise de consciência atingiu a morena, no segundo em que ofereceu algo pra Swan beber. O que diabos estou fazendo? Porque estou tentando seduzir essa loira? Estou ficando extremamente louca só pode.
– Regina? – A loira chamou-lhe a atenção. A rainha a encarou e a mesma estava com o sorriso maroto estampado no rosto.
– O que foi Ms. Swan? Será que não posso aproveitar da minha bebida em paz? – Perguntou Regina, bebericando e sentando-se no divã posicionado ali naquela sala. Cruzando as pernas propositalmente, deixando-as expostas para a visão de Swan, pois só havia mais um assento na sua frente.
– Claro que pode Regina. – Seguiu a morena, sentando-se. Capturou logo aquelas esguias pernas com os olhos, mas tratou de disfarçar, por sabia que se olhasse muito ela era capaz de fazer coisa que nem ela mesma imaginava. – É que tu estavas fazendo uma cara engraçada enquanto estava servindo as bebidas. – Regina estreitou os olhos.
– Mãe! Pronto, peguei. – Interrompeu o garoto descendo aquelas escadas correndo. Abraçado a uma coberta de bichinhos. – Vamos?
– Henry, o que já lhe falei sobre descer essas escadas correndo? É perigoso, e se você cair? – A morena repreendeu-o.
– Desculpe-me mamãe! – Olhou pra Regina que mantinha toda a pose séria, e depois olhou pra Emma suplicando ajuda.
– Desculpa Kid, não te salvarei de sermão dessa vez. – Emma forçou um sorriso. – Sua mãe está certa, você pode se machucar. – Chamou-o para abraça-la. – Não fique triste, apenas não queremos que se machuque. Nós nos preocupamos com você.
– Eu sei mãe, eu amo vocês por isso, mas.. – Revezou o olhar entre ambas as mulheres. – Não gosto de receber xingos.
– Mas é pro seu bem meu pequeno príncipe. – Regina abraçou-o. – Agora vá, que já está tarde e Ms. Swan sabe o quanto eu amo que você vai dormir tarde. – Henry soltou um risinho e Emma revirou os olhos, pegando na mão do menino.
– Vamos kid, antes que sua mãe acabe dando mais um sermão em nós dois.
Caminharam em silêncio em direção a porta, Regina passou na frente de ambos, girando lentamente a maçaneta de prata. Parou por um segundo encarando o chão. Havia depositado ali um embrulho vermelho e um cartão em cima do mesmo.
– Regina? – A xerife que estava atrás da mesma, aproximou-se e olhou para o embrulho por cima dos ombros da mesma que sentiu a respiração da loira em sua orelha e instantaneamente fechou os olhos e suspirou sentindo um arrepio percorrer por toda sua espinha. – Regina? O que diabos é isso? – A loira chamou-a mais uma vez, enquanto a mesma abaixava-se, pegou o cartão e o embrulho e fechou a porta atrás de si analisando o mesmo.
– Eu não sei Emma. – Olhou o cartão, estava endereçado a The Queen and The Saviour., seus olhos piscaram e seus olhos encararam os orbes verdes que estavam tão espantadas quanto ela. – Mas que porra.. Emma? Você tem noção de quem tenha deixado isso aqui? – A loira negou com a cabeça. – Você viu se alguém te seguiu ou alguma coisa do tipo? – Negou mais uma vez.
Seus olhos piscaram, e Regina sentou-se naquele divã aveludado enquanto o embrulho estava depositado em seu colo, Emma e Henry aguardavam silenciosos a mesma desembrulhar o cartão e lê-lo.
– Uma pequena ajuda para as mamães entenderem tudo o que se passa em ambas as mentes e ambos os corações, queridas. – Regina olhou para Emma e Henry, o garoto continha um sorrisinho de canto nos lábios, ele não fazia ideia de quem havia deixado aquilo ali, porém estava adorando.
– Abra logo Regina, quero saber o que tem aí dentro. – Esticou a mão com intenção de pegar o embrulho, porém a rainha foi mais rápida e deu um leve tapa na mão pálida da loira, que recuou fazendo uma careta. – Ai! Não precisava disso.
– Paciência é uma virtude Swan!
A morena exclamou enquanto a salvadora e seu filho fizeram uma careta quase idêntica e totalmente engraçada. Ambos estavam totalmente curiosos para saber o que havia no embrulho e principalmente quem havia o mandado. Regina pegou-o, levando a mão para o feixo dele e deslizando-a no ar, e uma fumacinha branca envolveu-o e quando a mesma se dissipou ele estava do mesmo modo.
– O que está fazendo Regina?
– Estou tentando ver se consigo descobrir quem mandou essa palhaçada com magia. – Ela respondeu meio de qualquer jeito, às vezes as perguntas da loira deveriam ser totalmente retóricas, porque era meio óbvio o que a mesma está fazendo.
– Abra logo e descubra o que tem nele. – O tom da loira era de pura curiosidade e um misto de empolgação. – Quem sabe descobrimos quem mandou. Vamos Regina, estou curiosa.
– Percebe-se miss Swan. – Respondeu revirando os olhos.
– Vamos mãe! Também quero saber. – Incentivou o garoto bem mais empolgado que suas mães!
A morena chacoalhou o embrulho pra ver se o mesmo fazia algum barulho, sem sucesso. Respirou fundo abrindo-o lentamente, revelando uma pequena caixa, olhou para a xerife que acenava positivamente incentivando a mesma a continuar a abrir. Finalmente suas mãos passaram sobre o feixe da caixa, abrindo-a. Os olhos dos três ali presentes se arregalaram, o sorriso de Henry se alargou. Emma olhou para Regina que continha uma expressão indecifrável.
– O que diabos é isso? – A morena vociferou, analisando cada item daquela caixa.
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