I'm Nothing Without Your Love
21 Is real or Isn't?
Notas iniciais
O sino foi tocado anunciando a chegada da morena naquela loja de antiguidades, aparentemente ninguém estava presente ali, até que a figura de um homem saiu do meio de todas aquelas velharias. Seu sorriso sarcástico, seus cabelos grisalhos e seu sotaque do qual a morena não podia identificar de onde era, era tudo o que compunha o característico daquele homem de caráter duvidoso. Regina estava nervosa, o embrulho em mãos ainda tentando entender o que todas aquelas coisas significavam, porque a mesma tentou puxar de sua memória lembrança de que aqueles momentos haviam de fato acontecidos, porém a mesma não sabia dizer se eles eram reais ou fruto de alguma magia negra. E quem de fato iria querer que ela e Emma vissem aquelas fotos?
– Será que você poderia me dizer que porra é essa aqui? – O nervosismo da morena era evidente e nem a mesma entendia o porquê. Pegou o embrulho e as fotos que tinham lá dentro e depositou um tanto quanto indelicadamente em cima do balcão.
– Bom dia para você também Madam Mayor. – A ironia gritava em cada palavra que o mesmo pronunciava. – Porque eu saberia o que é isso?
– Porque isso só pode ser algum tipo de magia. – Ou assim Regina queria acreditar. – Magia negra, e qual é a única pessoa dessa cidade que faz isso além de mim? – Ela o olhou como se fosse óbvio e ele apenas sorria sarcasticamente.
– Porque você necessita tanto que isso não seja real Regina? Algum problema nessa versão de família estampada nesses retratos? – Ele perguntou desafiando-a, ela semicerrou os olhos.
– Isso não é real, isso não é real, isso não é real. – Ela continuava sussurrando pra si mesma, enquanto seu corpo não parava de movimentar-se dentro daquela loja.
– Isso não é real ou você não quer que seja real? – Ele provocou-a mais uma vez, a instigando a ficar totalmente confusa com tudo aquilo.
– Cala a boca! Isso não é real. — A morena gritou, estava nervosa, aquilo não podia ser real.
Pegou o embrulho de cima do balcão e saiu daquela loja o mais rápido que pode. Ela precisava ficar sozinha, pensar, mas havia saído tão correndo de casa que nem fez o desjejum, então a rainha decidiu passar no grannys pra comprar um café. Os neurônios da mesma funcionavam a mil por hora, ela não conseguia parar de pensar em toda aquela situação e cada vez mais que ela parava pra analisar tudo, mas um nó se formava em sua garganta e ela sentia vontade de chorar. Chorar como garotinha, que necessitava de colo e consolo e como em um passe de mágica sua mente pousou em todos os sonhos que a rainha anda tendo com a salvadora nesses últimos tempos, ela se perguntava a todo o momento o porquê daquilo tudo. A prefeita precisou parar um pouco e respirar fundo e secar uma lágrima teimosa que insistia em cair por entre as bochechas rosadas de andar rápido. Olhou para o céu, puxou todo o ar para seus pulmões, ajeitou a postura de rainha e continuou a caminhar em direção a lanchonete.
Sentou-se em um dos banquinhos de frente ao balcão enquanto esperava Ruby que trazia seu pedido, já havia se passado 10 minutos que a mesma o fizera e ela já estava um pouco impaciente, e demonstrava isso mexendo constantemente no cabelo. Tentava se distrair a todo custo, até que avistou Ruby saindo de dentro daquela cozinha um tanto quanto sorridente o que irritou um pouco mais Regina. A garçonete depositou um café e uma caixinha de biscoitos no balcão e um papelzinho com o preço dos alimentos, em cima do balcão. Regina analisava todos os movimentos que a mesma fazia.
– Achei que não viesse mais com o meu pedido. – Esbravejou a morena depositando o dinheiro no balcão e pegando os embrulhos, Ruby a olhou com desdém, a loba estava com um ótimo humor e não seria Regina que estragaria isso.
– Mas ele está aqui, então obrigada Majestade, passar bem e volte sempre! – Tentou ser cordial, mas a implicância da rainha com a mesma a estava irritando. E a mesma tinha quase que a certeza de que era por causa de uma certa xerife loira, mas naquele específico dia ela decidiu ignorar.
Regina saiu bufando daquela lanchonete, odiava ficar por baixo de alguém e ela sabia o quanto isso era ruim, porém não conseguia controlar seus sentimentos. Bebeu um gole de seu café, lambendo os lábios em seguida sentindo o gosto do creme que ficara resquícios ali. A rainha caminhou em direção ao único lugar que ela sabia que ninguém iria encontrá-la. Não costumava ir muito aquele lugar, apesar do mesmo trazer para si uma paz interior incrível, usava aquele lugar somente para quando precisava pensar e por sua cabeça no lugar. Tirou os saltos e dobrou a barra da calça social que compunha seu look, era simplesmente libertador sentir a areia quente em seus pés e as ondas batendo contra as mesmas. Apesar de ser ainda nove horas da manhã, os raios do sol já brilhavam forte no céu azulado de Storybrooke, esquentando assim a areia. A praia estava totalmente vazia, também pudera, era sábado de manhã, os que não trabalhavam aproveitavam o dia pra dormir até mais tarde e os que trabalhavam já estavam encaminhados para o mesmo. Regina escolheu sentar-se perto de um rochedo, bem de frente ao mar, ouvindo as estrondosas ondas, a vista era maravilhosa, água até onde a vista pudesse alcançar, apesar de gostar sempre de bons modos a morena não se importou de depositar seu corpo naquela areia, cruzou as pernas e colocou os saltos de lado. O papel vermelho daquele embrulho caiu sobre seu colo enquanto ela depositava sua caixa de biscoitos aberta do seu lado, beliscando vez ou outro um deles, Regina encarou o mesmo por mais alguns segundos, até abri-lo novamente. Encarava aquelas fotos profundamente, ela não sabia o que pensar ou o que sentir. Sua cabeça estava totalmente confusa e a rainha se recriminava a todo segundo em que a mesma gostaria que aquilo fosse pelo menos uma parcela de verdade.
Havia quatro fotos, todas elas a rainha estava presente em suas vestes de Evil Queen e havia também a Salvadora em todas elas. Elas estavam na Floresta Encantada, e digamos que em momentos bastante íntimos. Uma daquelas fotos fez o olho castanho queimar e marejar, de longe era a foto que ela mais queria que fosse real. Henry estava com suas duas mães, os três sentados no chão do que parecia ser a biblioteca, o garoto estava sentado sobre as pernas da loira que olhava profundamente para a morena que parecia uma índinha desajeitada sentada de frente a eles, o sorriso do trio não cabia em suas faces, a felicidade estampada nos rostos, apesar de ser uma mentira, aquecia o coração da morena que achou que não conheceria a felicidade novamente.
– Não tem jeito. – Suspirou. – Isso tudo é uma mentira. – Ela sussurrava a si mesma balançando a cabeça para trás.
Uma lágrima solitária insistiu em cair quando a mesma pegou uma segunda foto, que parecia mais um flagra. A morena estava segurando possessivamente a cintura da loira que continha os braços depositados no pescoço da rainha, enquanto seus olhares penetrantes comiam uma a outra, suas bocas quase se encontravam. Regina não entendia o porquê estava se sentindo assim em relação à loira, não sabia o porquê se sentia tão incomodada com o fato de Ruby estar cortejando-a descaradamente, e aquela aproximação exacerbada da mesma quando Emma segurou-a. A rainha podia jurar que sentiu uma enorme vontade de capturar os finos lábios da loira pra si e se deliciar naquele hálito de chocolate com canela.
– Mas e se.. – Um riso frouxo desprendeu de suas cordas vocais. Não havia maneira de ela estar cogitando a possibilidade daquele sonho do Henry ser verdade.
Flash Back on
– O que diabos é isso? – A morena vociferou, analisando cada item daquela caixa.
– Regina? – A loira a chamou, a mesma aproximou-se dela, entregando a ela todas aquelas fotos. O queixo da loira simplesmente foi ao chão, ela não sabia o que falar, e um calor diferente subir por seu corpo. – Eu não acredito nisso, mas.. – Ela balançou a cabeça negativamente, andando de um lado pro outro passando vagarosamente as fotos.
– Mães? – O garoto chamou-as sendo totalmente ignorado por uma loira extremamente nervosa e uma morena que a acompanhava.
– Quando? Onde? Como? – Continuou a loira fazendo inúmeras perguntas retóricas.
– Não, isso não é real, deve ser magia. – A morena comentou fazendo a oira olhá-la.
– Mães? – Tentou mais uma vez o menino.
– Só pode ser isso! – Um pingo de esperança formou-se do coração da loira de que aquilo tudo fosse magia, pois só assim a mesma não teria que lidar com o fato de ter começado a ver Regina de uma maneira diferente e toda a avalanche de sentimentos que a invadia. – Mas quem poderia fazer isso? – Indagou à loira.
– Isso não é obvio? – Questionou a prefeita, sorrindo nervosamente, era como se estivesse na cara o autor daquela palhaçada. A loira a olhava confusa, não conseguia pensar em quem poderia ter feito tal atrocidade. – Gold, Ms Swan.
– Mas é claro, o único que utiliza de magia negra e ainda tem a capacidade de fazer tal coisa. – A loira bateu levemente a mão na testa, se achando ridícula por não ter pensado nisso antes, abriu meio sorriso pra morena que tentava não encarar os olhos verdes, depois daquelas fotos, Regina não conseguia encarar os orbes verdes normalmente.
– Mães! – Henry gritou, atraindo a atenção de ambas as mulheres que o olharam assustadas. – Não são simples fotos, nós a tiramos, eu me lembro delas. – Emma abriu a boca pra interromper o mesmo, e ele negou com a cabeça. – Do meu sonho.
– Henry.. – Chamou a morena aproximando-se do garoto e ajoelhando na frente dele. – Já conversamos sobre isso meu pequeno príncipe, foi apenas um sonho.
– Não. – Esbravejou o garoto. – Vocês não entendem, não pode ser apenas um sonho. Era muito real pra ser um sonho. Éramos uma família.
Os olhos do menino brilhavam e ficavam marejados. O coração de Emma apertou-se ao ver seu filho naquele estado, ela odiava vê-lo daquela maneira, a morena aproximou-se dele e o abraçou, e a xerife fez o mesmo pelas costas do garoto, e consequentemente abraçou Regina também. Os rostos quase se encontraram, e elas ficaram se encarando sentindo a respiração uma da outra, até que a loira fechou os olhos curtindo aquele abraço. Uma onde de calor invadiu os corpos das duas mulheres que rapidamente fecharam os olhos, flashes de memórias, lembranças passavam a todo custo pela mente das mesmas.
"– Eu, Emma Swan, estou perdidamente, loucamente, incontrolavelmente apaixonada por Regina Mills.
A loira articulava cada palavra em voz alta, como se não acreditasse no que dizia. Ela estava apaixonada pela morena, isso era evidente Emma não podia negar que seu corpo clamava pela outra, suas pernas fraquejavam e ela perdia o ar. Seus lábios finos eram atraídos pelos grossos e avermelhados da morena, e aqueles castanhos que tanto a chamava, aquela voz que pronunciava seu nome tão melodicamente. Emma estava apaixonada pela morena, e cada detalhe da mesma.
O rosto banhado em lágrimas, o coração acelerado, seus olhos levemente arregalados. Sua expressão era totalmente indecifrável, se alguém a visse agora e perguntasse se estava tudo bem ela não saberia responder. Esse era o estado de Regina após ouvir a confissão da loira, que estava sentada do outro lado da macieira."
Os olhos castanhos se abriram lentamente ainda se acostumando com a luz, os olhos expressivos e marejados da Xerife a encaravam, a prefeita suspirou. Não saberia dizer o que estava passando em sua cabeça nesse momento, seu corpo todo se arrepiou. E se Henry tivesse razão? E se nada naquilo fosse um sonho? Porque ela ficava tendo flashes de memória em momentos íntimos com Emma? E se aquilo realmente aconteceu, o que elas fariam? Seriam um casal? Pensar na possibilidade de ter algo com a loira, fazia o coração da morena acelerar e ela nem sabia o porque ou ela queria não saber. Será que ela é apaixonada por mim? Será que sou apaixonada por ela? Eram inúmeras as questões que se passaram na cabeça da morena, e ela preferiu esquecer todas elas e concentrar-se nos mar verde.
– Emma? – Sua voz saiu vacilante, ela queria curtir mais o momento, mas sentiu uma enorme necessidade de mostrar para a outra que independente de tudo ela estava ali. Emma apenas negou com a cabeça, pedindo que a mesma ficasse em silêncio.
– Henry meu amor. – Aquela cena que pareceu-lhes uma eternidade, durou apenas segundos, o garoto buscou os olhos de sua mãe que havia lhe chamado. Emma sorriu para o mesmo, olhou para Regina que olhava admirada seu filho e a mãe dele, a xerife pegou na mão da prefeita, e na mão do pequeno encarou todos os dois. – Nós somos e sempre seremos uma família.
Aquela frase foi o suficiente para que Emma derramasse uma lágrima e beijasse o topo da cabeça do menino enquanto era assistida por uma Regina um tanto quanto emocionada. A morena repetiu os mesmos movimentos da loira, e mais uma vez os três se abraçaram.
– Agora mocinho, acho que já está na hora de ir dormir não acha não? – O garoto concordou com a cabeça abrindo a boca em sinal de sono. – Você quer ficar por aqui mesmo ou acompanhará Ms. Swan?
– Eu vou com Emma mãe, hoje é nossa noite! – Sorriu o garoto fazendo com que ambas sorrissem também.
– Então vamos campeão. – Fez um pequeno Hi-5 com o garoto. – Vá despedir de sua mãe! – Ordenou a loira, seu olhos foram pousar intencionalmente nas pernas torneadas da morena. Emma engoliu em seco quando olhou para a face da mesma e viu que ela lhe encarava divertida.
– Boa noite meu príncipe, durma bem! Mamãe te ama! – Abraçou o garoto mais uma vez. – Acompanharei vocês a porta. – Avisou a mesma quando se desfez do abraço do menino.
O trio atravessou em silêncio aquela sala, até chegar àquela enorme porta de madeira branca. Emma levou a mão à fechadura, abrindo-a levemente. Henry jogou no ar um beijo para sua mãe, gesticulando um Eu te amo, arrancando-a um magnífico sorriso da mesma e passou pela porta, mas antes de fechá-la completamente a loira, aproximou-se demasiadamente da morena, fitou aqueles olhos, respirou fundo.
– Se não fosse muito tarde e o garoto fosse dormir aqui eu juro que eu ficaria para conversarmos, mas tu sabes que não da, então amanhã irei te procurar, tudo bem? – Sussurrou bem perto dos lábios carnudos e pintados com o indispensável batom vermelho. Aquela aproximação repentina arrepiou todo o corpo da morena que apenas assentiu e viu a xerife e seu filho desaparecer naquela lata velha que Emma insistia em chamar de carro.
Flash Back Off
O vento forte bagunçava os cabelos negros, Regina levou um biscoito à boca e deu um gole em seu café. Sentiu seu celular vibrar, pegou-o no bolso do blazer, era uma mensagem de uma pessoa um pouco improvável, Snow.
Regina, Emma está lhe procurando por todos os lugares, faça um favor de aparecer. Obrigada Snow.
Regina revirou os olhos relendo mais uma vez aquelas caracteres. A rainha tentava manter-se firme ali, sem pensar muito em tudo o que acontecera naquela pequena parte da manhã e boa parte da noite. Seu corpo estava cansado a mesma não havia pregado os olhos, não conseguiu para de pensar em todo, e ela confessou a sim mesma que havia feito um bolo na linha de seus neurônios. Correu os olhos mais uma vez por aquelas fotos.
– E se.. – Repetiu mais uma vez a si mesma e em voz alta já que estava sozinha, ou assim ela pensava até uma voz extremamente sexy e que a mesma conhecia a interrompeu.
– O sonho do nosso filho for realmente verdade? – Regina assustou-se, olhou rapidamente a loira que se sentava ao lado da mesma, nunca tirando os olhos dela.
– Você me assustou Emma. – Confessou Regina corando um pouco.
– Desculpe-me não foi minha intenção, te procurei em todos os lugares possíveis dessa cidade, e quando desisti, quis vim clarear as ideias em um dos meus lugares preferidos e bom, aqui está você! – Cuspiu as palavras em Regina. A loira estava nervosa por estar ali, não sabia o que falar. – Precisamos conversar Regina. – Confessou a loira pegando um dos biscoitos que a morena lhe oferecera.
– Sim Miss Swan, nós precisamos. — Suspirou por fim a morena.
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