Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês seus lindos, agradecida pelos comentários e quem favoritou. Enfim boa leitura.

O vento bagunçava levemente os fios negros, as mãos brancas e firmes apertavam as rédeas conduzindo o maravilhoso cavalo em um galopar elegante e silencioso. Regina não conseguia parar de sorrir, o sentimento de liberdade que Rocinante lhe proporcionava, era incrível. Sentir o vento em seu rosto, seus lábios secarem, seus cabelos adejarem, eram coisas que ela mais gostava quando se tratava de cavalgar e montar em seu cavalo lhe permitia ter todas essas sensações e muito mais. Dividir aquilo com seu filho estava sendo uma grande honra, ele lhe abraçava a cintura e gargalhava cada vez que o cavalo trotava.

– Mãe! — Gritou Henry, inclinando levemente a cabeça para trás buscando um par de olhos verdes que estavam em cima de um luxuoso cavalo branco.

O perfume do longo cabelo loiro se misturava com o ar enquanto os mesmos voavam com o vento, o sorriso nos lábios de Emma era radiante. As roupas apropriadas para montar à deixava com um toque suntuoso. Alcançou o majestoso Rocinante, segurando a mão de Henry, enquanto ambos os cavalos diminuíam o ritmo de galope a trote. As duas mulheres pararam mediante a uma grande ponte sob um rio dentro da enorme floresta encantada. Era outono, e as grandes árvores perdiam suas folhas amareladas que caíam suavemente rumo ao chão, liberando aquele cheiro de natureza que agradava a todos os narizes ali presentes. O sol brilhava no céu azul, porém clima já gelado obrigava a loira e a morena a usarem capas que lhe cobriam os ombros. Os olhos da prefeita brilhavam, seus lábios não abandonavam um sorriso magnífico, e particularmente a xerife estava encantada com o estado esfuziante que Regina aparentava, e ela poderia afirmar que a morena estava feliz. Bom, ambas estavam, e não só por estarem compartilhando esses pequenos momentos juntas mas também por estarem com o pequeno Henry, ele era a razão da felicidade de ambas. Emma desceu do seu cavalo alisando meigamente sua crina, rodeou-o e parou em frente ao outro animal.

– Hey Kid, venha. – Chamou a loira, fazendo com que o garoto pulasse em seu colo, ela abraçou-o sorrindo e seu olhar encontrou com o da morena que abriu um sorriso tímido, ela colocou Henry no chão e se virou para Regina. – Quer ajuda para descer? – Perguntou já erguendo os braços para a mesma que aceitou de prontidão. Emma envolveu a cintura da mulher que com um impulso desceu do cavalo. Os pés de Regina tocaram o chão suavemente, seus olhos vidrados nos lindos olhos verdes, sua boca entre aberta, ambas as respirações turvas. Emma podia sentir o hálito quente de Regina em seu rosto, e seus lábios vermelhos eram um tanto quanto convidativos.

– Mães olhem, tem uma cachoeira aqui. – Elas se afastaram surpresas. Emma pigarreou desviando o olhar dos expressivos olhos castanhos, e ambas se ruborizaram. – Quem gostaria de nadar? – A excitação em sua voz era evidente e suas expressões de criança quando quer algum doce convenceria qualquer um.

– Henry, está um vento gelado, não acho que seja uma boa ideia. E se você pegar um resfriado? – Tentou convencer o menino de que aquilo realmente não era uma boa ideia, a temperatura da água deveria estar baixa. Recebeu um olhar triste do garoto. — Não faça essa carinha meu amor. — Um riso rouco ouve-se da garganta de Regina. – Vem, vamos. – O poder de persuasão do pequeno era incrível, Regina poderia dizer facilmente que ele puxara a loira.

Ela tratou logo e entrelaçar sua mão na do garoto, e caminhar sob a ponte rumo a queda d’água, Emma acompanhava ambos.

– Este é um lugar especial para mim. Depois de longas cavalgadas com Rocinante, eu costumava vim aqui sentar sobre essa ponte, e admirar a vista. Na verdade eu tentava enrolar o máximo que podia, para não ter que enfrentar Cora e sua fúria. Nunca tinha reparado que havia uma cachoeira aqui.– Um sorriso triste apareceu nos lábios da morena. A menção do nome de sua mãe sempre a deixava com um sentimento ruim no peito. Henry apertou sua mão levemente.

– Hey mãe, não precisa ficar triste pela Cora. Já passou, ela não pode mais lhe fazer nenhum mal. – O sorriso cúmplice do garoto era de se derreter.

– Tem como não amar esse meu filho? – Perguntou Regina divertida pegando o garoto no colo que entrelaçou seus braços no pescoço da mesma. Recebeu um olhar de protesto da loira.

– Nosso filho, muito obrigada! – A loira se emburrou ao levar um tapinha no ombro da morena que sorria divertida.

– Okay Miss Swan, nosso filho. – Frisou a palavra nosso gargalhando, e colocando Henry no chão.

Emma esbugalhou seus olhos verdes levemente, deixando sobressair sua surpresa ao ouvir tais palavras já que estava acostumada com o individualismo da mulher dos lábios provocantes a seu lado. Fitou aquele rosto perfeito, que olhava ao redor. Aproximaram-se vagarosamente daquela cachoeira, saia fumaça daquelas águas cristalinas, fumaça que se misturava com os ares tornando agradável a ideia de um banho vespertino. Seus olhos se cruzaram e um consentimento de ambas as partes se fez presente. Elas iriam usufruiu das divinas águas termais.

– Mãe... – Henry puxou sem dó a jaqueta de Swan numa tentativa de chamar a atenção da mulher. Arrancando um riso fácil dos lábios da loira, que voltou sua atenção inteiramente ao garoto. – Eu me esqueci do meu livro em cima da sua cama, será que eu poderia voltar com Rocinante e pegá-lo?

Aquele olhar de piedade como um cachorro pedindo por um petisco não rendeu a loira negação, buscou assentimento nos olhos castanhos que lhe sorriu, acenou um sim com a cabeça e visualizou seu filho partir, galopando feito um homem crescido em direção ao grande castelo. De repente, seus instintos pediram para que ela se virasse e então ela o fez; Regina tentava não se aproximar muito da margem, e, de costas, retirou sua capa com delicadeza logo após largando a mesma a grama perto de suas botas recém tiradas. Emma vislumbrava as belas curvas acentuadas, marcadas por aquela calça de couro colada com as barras dobradas, tais imagens ainda serviam como inspirações para seus pensamentos mais profundos e fantasiosos. Não conseguia, de forma alguma, piscar e pensar que poderia perder qualquer milésimo de segundo sem a divindade parada a sua frente, qualquer momento desperdiçado seria devidamente importante mais tarde. Estava totalmente atônita e se perguntava mentalmente como alguém podia ser tão linda, sua língua deslizou levemente por entre seus lábios, devido a respiração descompassada eles haviam secado.

A morena colocou vagarosamente seus finos pés naquela água quente, um arrepio subiu pelo seu corpo. Depositou seus braços atrás do corpo apoiando-se nos pulsos, olhou levemente para Emma, a convidando para sentar do seu lado. A xerife repetiu o processo que a morena fez, retirou suas botas, dobrou as barras da calça, retirou sua capa depositando junto com a da rainha.

– Acha que foi uma boa ideia deixar Henry ir sozinho? Por mais que eu confie no meu cavalo, pode ser que algo aconteça Emma! – Sua voz era carregada de pesar. Fazia apenas poucos minutos que o garoto havia saído dali.

– Não se preocupe, já que ele está de volta. Nosso filho está crescendo, e se vamos viver aqui, ele tem que aprender. – O tom da loira era carinhoso e tranquilizante.

Emma colocou levemente sua mão sobre as pernas de Regina acariciando o local, a morena pousou os olhos sob aquele gesto e levou sua mão sob a da mulher, devolvendo a carícia. Seus olhos se encontraram. Cada segundo que os olhos castanhos se fixavam nos verdes, eles se tornavam mais escuros, ambas se aproximaram suavemente. E a xerife não se controlando, desceu seus olhos e os colocou em cima dos lábios da morena, que deu um sorrisinho provocador ao sentir os verdes fuzilantes.

– Regina. E-eu .. – Emma se embolava nas palavras, era difícil se concentrar perante aquela mulher.

– Shh! – Os dedos da morena tocaram os lábios da outra, pedindo silêncio. – Vamos apenas apreciarmo-nos desse momento.

A mão de Regina se entrelaçou com as frias mãos da morena. Uma pequena corrente elétrica passou por ambos os corpos permitindo que elas tivessem diversas sensações correndo pelos seus corpos. Levantaram-se ainda de mãos dadas e olhos grudados, a distância entre ambos os torsos ia ficando nula a cada segundo. Bocas entre abertas, respirações curtas e pesadas, suspiros involuntários emanavam daquelas duas mulheres que se queriam com uma tamanha vontade, que mal conseguiram pensar em o que lhes esperavam no castelo. Suas testas se colaram, Regina mordeu seu lábio inferior delicadamente analisando cada expressão e reação que o talhe a sua frente lhe mostrava, sua mão antes entrelaçada com a de Swan agora apertava a cintura da mesma, fazendo pressão de cada lado do corpo daquela que lhe arrancava o ar, a mulher levou os dedos até o pescoço da prefeita, entrelaçando-os naqueles fios negros.

Seus olhos cerraram graciosamente e seus lábios se pressionaram, era urgente e calmo ao mesmo tempo, era possessivo e necessitado. Ambas ansiavam por aquele momento desde que pisaram naquele mundo de conto de fadas, talvez até antes porém ignoraram. A medida que o beijo ia aprofundando, ambos os corpos se aproximavam, se fosse possível fundir-se com a morena Emma assim faria. A boca entre aberta de Emma, implorava pela passagem da língua da que assim concebeu seu desejo. Mãos viajavam e buscavam conhecer com profundidade aquele “território” até então inexplorado para elas. O tórax de Regina descia e subia em sinal de falta de fôlego e assim que oxigênio se fez necessário elas se separaram, e o mundo pareceu se calar diante das carícias a beira da cachoeira.

– Mãe.

O grito de Henry ecoou, assustando uma loira que acordou num pulo. Ela estava se sentindo nua, por ter sido pega no flagra. Ela havia sonhado com a Rainha, e aquele não era o primeiro sonho que ela tivera com a mulher. O suor da loira grudava pequenos fios em sua testa, obrigando-a a levar o braço afim de enxugar o locar. Sua respiração antes turva se pacificava lentamente dentro de suas vias respiratórias.

– Você me assustou garoto. – Advertiu a loira. – Mais cuidado da próxima se não quiser ser órfão de uma mãe só. Agora vem aqui me dar um beijo de bom dia. – O garoto sorriu e pulou em seu colo.

– Vovó fez chocolate quente com canela pra gente. Vem, não se atrase. Agora vou chamar minha outra mãe. — O garoto soltou da mulher caminhando em direção a porta.

Ao escutar a mesma se fechar, a loira se jogou novamente na cama. Puxou o ar pros seus pulmões o máximo que conseguiu. “Droga Emma, de novo? O que está acontecendo com você?”. Já se fazia um mês que todos haviam se instalado na terra encantada, e aqueles sonhos estavam se tornando mais frequentes do que a loira gostaria. E isso indicava apenas uma coisa, que a mesma continuava a negar a si própria.

Notas finais
E aí gente, o que acharam ? Aceito sugestões, críticas e principalmente elogios, haha, até o próximo amores