I'm Nothing Without Your Love
14 If you lost, you can look and you'll find me.
Notas iniciais
O cavalo branco pulava obstáculos que surgiam do nada transformando aquele simples caminho de terra num pesadelo para Swan; a mesma achava que se houvesse mais algum pulo qualquer ela iria desmaiar, suas nádegas sofriam assim como sua coluna. A floresta se transformou num mero campo com folhagens bem secas e uma grama baixa facilitava a visão da mulher que implorava para que seu destino chegasse logo. Se não fosse pela sela dura, Emma se sentiria bem confortável já que trajava sua famosa roupa adorada de couro: uma calça preta exageradamente colada com botas num tom castanho, enquanto possuía um corpete de mesma cor da calça, entretanto era detalhado em vermelho e se acomodava bem em seu corpo esbelto, exaltando aqueles belos e incríveis seios.
Estava à procura da grande caverna a pedido de seu pai, que orgulhosamente protestou contra cavaleiros vangloriosos, tentando encontrar um modo de fazer sua querida filha se divertir naquele lugar onde o tédio reinava sobre as paredes; Emma Swan necessitava de ação em sua vida e estava disposta a qualquer serviço, contudo aquele que fora lhe dado era quase uma condenação pela garota estar sofrendo tantas dores causadas pelo equino. A viagem não deveria ser tão longa, o que a deixava realmente frustrada era aquela troca de vegetação que acontecia de minuto em minuto, a mulher não parecia estar cavalgando tão rápido, aquilo só podia ser magia, deveria ser um daqueles truques impostos pelos magos guardiões.
Posicionou seu pé direito no estribo e com um impulso já estava no chão, com seus pulmões mostrando vitalidade e virilidade absoluta. Observou sua traseira e teve a certeza de que estava sendo enganada, já que conseguiu vislumbrar uma quase cabana, ou seria um monte de terra amontoada formando um pequeno túnel? Ela iria descobrir, afinal, aquilo tudo estava muito estranho, toda aquela mudança de paisagem, a demora pra achar uma simples caverna.
– Droga pai, onde você foi me meter? — Acariciou o chanfro do cavalo com bastante cuidado e prendeu o animal a uma árvore. — Você fica aqui, amigão.
Retirou seu objeto pontudo do porta-espada em sua cintura e se preparou para o pior, andava em posição de defesa com passos extremamente leves. Cuidadosamente se aproximou da entrada daquele local horripilante, encheu aqueles dois órgãos preciosos de ar puro e adentrou. Surpreendeu-se com tochas iluminando o caminho como se alguém a estivesse esperando, em resposta seu sistema nervoso a fez apertar a espada com firmeza e posicioná-la próxima ao tórax em posição de defesa. O silêncio regia sobre o local com maestria, somente se ouvia os passos firmes da loira pisando em folhas secas as quebrando.
Aquela maravilha era quase um Oscar. Posicionava-se em cima de uma pedra de mármore e parecia uma celebridade, o líquido roxo quase brilhava com a importância que fora lhe dado; era um frasco bem pequeninho de vidro, jogado a mercê com uma acessibilidade tão abundante que quase parecia banal, fácil demais, algo estava errado. Os olhos de Swan correram por todo o chão batido de terra vermelha a procura de alguma válvula que acionasse um dispositivo prontamente dito à sua morte, no entanto encontrou apenas alguns pedaços de gravetos dispostos ao chão sem nenhum sentido. Deslocou-se serenamente com a ponta dos pés guiada pelo fulgor do alcatruz na superfície do pedestal, puxava o ar para os pulmões com dificuldade por causa do nervosismo que a atacava e se preocupava com alguém conseguir ouvir seus batimentos fortes e aterrorizados. O receio se tornou maior ao esticar sua mão esquerda para pegar o objeto já que a direita estava ocupada com aquela arma branca.
– Gostaria muito de saber para que a senhorita vá utilizar disto.
Num movimento absurdamente rápido Swan capturou e frasco e girou o punhal e este quase fora introduzido na jugular da voz masculina que se apropinquou nas costas de Swan por um momento de reflexo da mulher e como estava afiado, qualquer movimento brusco da loira seria fatal.
– Hook? – Emma forçou o olhar para distinguir o rosto, tendo a concepção do pirata e então retirando o aço da garganta do homem. – Está me perseguindo agora, é isso?
– Eu senti que algo perigoso aconteceria com você, então a segui para certificar que tivesse sucesso em sua missão e que nada lhe machucasse. – O olhar complacente de Killian parecia sincero, porém era algo que não conquistava mais o coração da mulher dos olhos esverdeados reluzentes. – Me explique o que você está fazendo num lugar como esse, tão afastado?
– Este antídoto... – A frase só continua após ela olhar para sua mão e encarar o frasco entre os dedos. – Pode realizar qualquer desejo, desde que tenha um coração puro. Meu pai mandou que eu o pegasse para levar ao August, parece que ele se decidiu em virar garoto novamente.
Swan dá um passo para frente e acaba por acionar a alavanca que ativa uma armadilha. Um machado acorrentado se desprende da parede de pedra e balança até a loira, o mesmo não se passa despercebido pelo pirata que acaba por perder o gancho quando empurra a mulher tentando afastá-la da situação de risco. A peça de metal se desprende do lugar e rola pelo chão, provocando um estrondo dentro da caverna. De supetão, são pegos desprevenidos quando um barulho idêntico a o de uma chave de granada se desprendendo ecoa pelo ar e a emboscada é acionada toda ao mesmo tempo. Killian se agarra a aquela parte artificial de seu corpo caída ao chão e empurra Swan para que corresse para fora do lugar antes que aquilo desmoronasse. No fim das contas a poeira já havia consumido a difícil respiração da loira e os dois estavam jogados ao chão da entrada do que antes parecia um lugar inofensivo. Swan tinha julgado mal a calmaria do local.
– Mais que droga. – A voz da loira saiu entre os dentes, ela estava totalmente irritada com aquela situação. Levantou-se rapidamente do chão, bateu levemente a mão pelas coxas limpando o excesso de poeira que cobria sua calça.
– Você esta bem Love? – Seu timbre preocupado. – Você não se machucou?
– Eu estou bem Hook. – Exprimiu tais palavras de forma rude, demonstrando toda sua exaltação. O rapaz arregalou os olhos azuis fixando-os nos esverdeados, fazendo-a perceber o equivoco, afinal, ele a tinha salvado. – Desculpe-me, estou alterada. Essa caverna não apresentava perigo nenhum há poucos minutos atrás.
– Esta tudo bem Swan, eu te perdoo. – Seu sorriso galanteador foi disposto em seus finos lábios curvado.
A loira conseguiria sentir um pouco de afeição pelo rapaz, que aproveitou a brecha aberta por ela e se aproximou intensificando seu olhar sobre a mesma. Seus passos em direção à salvadora eram lentos, Emma queria se mexer queria sair dali, porém ela estava imóvel, não conseguia mover um músculo nem se ela quisesse, parecia que seus pés estavam colados ao chão, à loira mal conseguia respirar. Hook aproximou-se o suficiente para agarrar-lhe a cintura e ficarem centímetros de distância de sua boca, enquanto o olhar assustado da loira demonstrava o quanto ela queria que ele sumisse.
– O que diabos você acha que está fazendo Killian? – Sua respiração entre cortava com as palavras, seus braços queriam mover-se e empurrar aquele homem que tinha a mão firme em sua cintura.
– Porque você terminou comigo Swan, eu sou seu true Love! – Sua voz máscula entre sussurros entrou pelos ouvidos da mesma, arrepiando-a.
– Não. – Um grito estridente foi-se ouvido. – Você não é.
Seus olhos estavam semicerrados encarando aquele mar azul que era os olhos do rapaz que cada vez ia se aproximando mais. A loira podia sentir seu hálito quente em seu rosto enquanto os olhos do mesmo percorria entre o caminho dos olhos verdes até a boca rosada da loira. Killian levou uma mão até a nuca de Swan, entrelaçando seus dedos firmes nos cachos ali presentes, sua boca entre abriu-se levemente, e ambos os lábios estavam quase se tocando. Emma fechou os olhos com força querendo que aquilo fosse um pesadelo, e que aquele cheiro inebriante de rum que saltava do pirata desaparecesse junto com o mesmo.
– Olhe para seu anel Swan e veja como ele brilha pela minha presença. – Seu sorriso era cínico e sarcástico, aquilo embrulhava o estômago da mesma.
Parecia que o braço da loira havia ganhado vida própria. Ela fitou aquela pedra de imensurável valor e por segundos ela achou que estava realmente brilhando pro pirata, um fio de luz reluzia daquele acessório, sua respiração se tornou turva, seu coração batia descompassado. Ela não queria acreditar de depois de tudo o que passou com Regina seu anel tenha se enganado. Uma brisa correu pelo seu rosto, tornando aquela singela lágrima que escorria pelo seu rosto gelada. Hook retomando de onde parou, aproximou-se mais uma vez de Swan, seus lábios quase roçavam nos lábios finos da garota.
– Que inferno. – Aquela voz rouca gritou do fundo, tomando a atenção daqueles dois corpos. – Tire sua mão da minha mulher, seu pirata imundo. — As mãos da rainha foram impulsionadas para frente, projetando uma forte luz da direção do pirata arremessando-o para longe da loira fazendo-o desacordar, que mal continha o sorriso.
A expressão extremamente forte da morena causou um arrepio na espinha da loira, que conseguiu sair daquela espécie de feitiço que a deixava imóvel. Swan correu em direção a mesma, agarrando-a pelo pescoço e capturando-lhe os lábios. Beijo e abraço que foi prontamente retribuído pela morena, que tinha ânsia pela boca da outra, esquecendo por breves segundos do pirata.
– Você está bem? Ele te machucou? Ele te beijou? Ele tentou algo com você? O que diabos vocês estavam fazendo aqui? – Swan sorriu pela preocupação da morena que lhe analisava dos pés a cabeça se certificando de que a mesma não tinha sofrido nenhum dano. Swan calou-se por um momento, olhando para seu anel, sua luz era tão forte que quase a cegava.
– Eu tinha certeza que era você. – Seus olhos fitaram os da rainha, enquanto as mãos de Emma foram para em ambos os lados daquele magnífico rosto, roubando-lhe um selinho. Trocaram sorrisos. – Não precisa se preocupar meu amor, eu estou bem . E o que ele .. – Apontou para o corpo desacordado do pirata no chão. – Estava fazendo aqui eu não sei, mas eu vim pegar isso.. – Mostrou-lhe o pequeno frasco todo detalhado, com um pouco daquele liquido roxo agitado dentro do mesmo. – A pedido de David.
– Charming irresponsável. – Esbaforiu. – Como ele me manda a princesa numa missão sozinha? E no meio da floresta? – Seu tom era indignando.
– Não se preocupa Majestade, eu sei me defender sozinha, mas..
Sua linha de raciocínio foi interrompida por uma voz da qual ela conhecia bem e já sentia horrores.
– Ora, ora, ora. Olha só se a Evil Queen não veio salvar sua donzela do perigo eminente. – O pirata exasperou-se chamando a atenção de ambas com aquela provocação explícita para a rainha. – Já pensou o que dirá Snow White e Prince Charming quando souberem que a Majestosa Madam Mayor desvirtuou sua preciosíssima filhinha? – Dispôs de seu sorriso mais irônico.
– Isso não é problema seu. – A loira rebateu em alto e bom tom, arrancando uma gargalhada do mesmo.
– Claro que não é problema meu, mas o problema será de ambas quando todos souberem por mim, que a Rainha Má e a Salvadora mantém um tipo de relacionamento.
– Você não irá fazer nada!
Exclamou a morena já levantando sua mão no ar, tirando brevemente o fôlego do rapaz, que tinha sua mão em torno do próprio pescoço. Uma névoa roxa apareceu encobrindo o corpo do pirata e pegando-as totalmente de surpresa fazendo Regina solta-lo. Quando a mesma se dissipou a imagem impotente de Cora se mostrou. A rainha de copas segura um precioso coração pulsante.
– Mother. – O instinto protetor de Regina falou mais alto, e ela colocou seu corpo na frente do de Emma que agarrou seu braço levemente. – O que você faz aqui? – Seu timbre era totalmente rude.
– Garota estúpida, achei que você já tivesse aprendido Regina. – Aproximou-se da morena enquanto falava, nunca largando o coração que a mesma deduziu ser do pirata. Ficando cara a cara com sua filha a mais velha abriu um sorriso genuíno, com aqueles finos lábios preenchidos de vermelho sangue. Agora Emma sabia de onde Regina tinha herdado o gosto por batons vermelhos. – Love is weakness.
Cora soltou uma gargalhada, enfiando sem dó a mão no peito de Regina, fazendo-a arfar de dor e a olhar totalmente assustada. Sua mão deslizou completamente para fora do peito da morena carregando aquele órgão que pulsava freneticamente. Regina tocou levemente o lugar por onde aquele coração havia passado e quase que em câmera lenta ela caiu de joelhos. Sua visão tornou-se distorcida, ela não conseguia focalizar no que acontecia a sua volta, ela podia ouvir Emma chamando pelo seu nome e Cora gargalhando.
– Regina? – Emma estava totalmente assustada e desesperada, chamava por ela e a mesma não respondia, parecia estar alheia a tudo o que acontecia envolta a ela.
Cora deu o primeiro apertão naquele monumento vermelho, seus olhos eras sádicos fixados em cada reação que o corpo da morena dava. Emma chorava descontroladamente gritando o nome da morena que se contorcia a cada apertão vindo das mãos de sua mãe. Sua própria mãe que teve coragem de lhe arrancar o coração e esmaga-lo vagarosamente, vendo-a agonizar no chão daquela terra marrom. Um ultimo esmagar, Emma gritou um não estridente chamando atenção de Cora pra si, enquanto a mesma espalhava por aquele chão sujo o coração de Regina reduzido a cinzas. Emma olhou para o corpo de sua amada estirado no chão, imóvel.
Olhou novamente para Cora, que tinha um sorriso doentio nos lábios, levantou-se numa pressa absurda pegando sua espada e indo em direção àquela mulher doentia.
– Eu disse querida, amor é fraqueza. – Foram as últimas palavras da rainha dos corações acompanhada de uma gargalhada monstruosa, antes da mesma se dispersa novamente naquela névoa roxa e densa tão conhecida da loira.
A loira olhou novamente o corpo da morena, e correu de encontro a ele. Chacoalhando-a, chamando-a e nada, abaixou-se lhe dando um último beijo misturados com as lágrimas que não paravam de cair sobre seu rosto.
– Eu te amo Regina. — Foram as ultimas palavras de Swan antes de a mesma aconchegar-se no corpo da morena e fechar seus olhos.
Seus olhos se abriram rapidamente, sua respiração estava totalmente descompassada, seu coração aceleradíssimo, seu suor e algumas tímidas lágrimas escorriam pelo seu rosto, puxou o ar para os pulmões a fim de controlar aquela respiração. Sentou-se na cama, esfregando as costas da mão sobre os olhos, aquilo tinha sido o pior pesadelo que Swan já tivera. O aroma de maçã invadiu seu olfato, fazendo-a abrir um sorriso de canto, enxugou as lágrimas que insistiam em cair, passou os olhos por todo o quarto, não viu nem sinal da morena. Levantou-se andando por todo o aposento, parando em frente aquela janela enorme, absorta em pensamentos enquanto olhava aquela macieira, mal sentiu quando alguém lhe abraçou pelas costas.
– Regina.
Sua voz suave sussurrou algo desconexo no ouvido da loira, que se virou rapidamente capturando-a pelos lábios, o beijo era extremamente urgente, porém sem luxúria. As mãos da morena se encaixavam perfeitamente na cintura da loira.
– Ual. – Separaram-se assim que o ar se fez necessário, colando ambas as testas ainda de olhos fechados. – Se eu soubesse que eu acordaria todos os dias com um beijo assim, eu juro que teria lhe procurado antes Swan. – A loira gargalhou, roubando diversos selar de lábios da outra.
– Eu te amo meu amor. – Seu tom meigo derreteu o coração da morena.
– É recíproco meu amor. – Beijou-lhe mais uma vez.
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