I'm Nothing Without Your Love
9 Close your eyes and feel it.
Notas iniciais
Quantos beijos um olhar pode dar? Regina repetia essa pergunta em sua cabeça a todo segundo em que as orbes verdes encontravam as suas, ela não conseguia ficar com a mente desocupada, estava buscando sempre algo para fazer, pois com os pensamentos vazios entravam os pensamentos da boca delineada de uma certa loira capturando a sua, num sugar envolvente de lábios, as mãos firmes da xerife a segurando pela cintura e encostando ambos os corpos, tão quentes que poderiam entrar em estado de ebulição. A verdade é que desde o momento em que Hook as interrompeu Regina quis beijar Emma novamente, sentir aquele delicioso perfume que a loira emanava e sentir aquele calor a invadindo a alma, porém elas ainda não tiveram a oportunidade de ficarem sozinha para discutir sobre o assunto e quem sabe repeti-lo, fato que a prefeita estava disposta a reverter. A morena não sabia dizer o que estava sentindo, todos esses sentimentos avassaladores que lhe atingiam o corpo e a mente, ela sempre se via confusa. Ela nunca se imaginou tendo uma relação com outra mulher, ainda mais Emma que era a filha da mulher que sempre foi inimiga número um da rainha e agora a Evil Queen alimenta um doce sentimento pela loira. São borboletas no estômago descontroladas, passadas de mão pela roupa em sinal de nervosismo e as mesmas suadas. Essa era uma sensação que nem Robin foi capaz de proporcionar a Regina, quando a mesma via Emma seu corpo se extasiava. E todo esse sentimento era recíproco pela loira, o que assustava a morena ainda mais.
Os primeiros raios de sol entraram sorrateiramente pela janela do quarto escuro, buscando aquele corpo pelo quarto, refletindo sua luz diretamente no rosto da morena. Um incomodo se fez presente a partir do momento em que a mesma despertou, abriu ou olhos lentamente espreguiçando-se naquela cama enorme. Tateou o criado mudo à procura de algo que lhe informasse as horas, 7h. O hábito de acordar cedo não era muito presente naquela família, então ela supôs que todos ainda estivessem dormindo, uma ideia maluca passou pela cabeça da prefeita, descobriu lentamente seu corpo acostumando-se com a temperatura ambiente, afinal embaixo das cobertas estava absurdamente quente, a rainha vestia um pijama de cetim cinza, o mesmo era comprido e largo o que não acentuava nenhuma curva do seu corpo, porém por baixo daquele fino tecido gelado não havia nada, Regina estava completamente nua. Sentou-se na beirada da cama, ainda sonolenta bocejou diversas vezes, seus pés alcançaram o chão gelado, e um arrepio subiu por aquelas maravilhosas pernas, enlaçou logo seus pés nas havaianas coloridas posicionadas perto da cama. A prefeita apertou levemente suas mãos na borda do colchão tomando impulso necessário para levantar o corpo, abriu suavemente à porta de seu quarto olhando para os dois lados do corredor para ver se não tinha ninguém ali, Regina parecia uma adolescente que evitava fazer qualquer tipo de barulho que a denunciasse porque estava com medo de ser pega. Parou na porta do quarto de Emma, girando lentamente a maçaneta e torcendo internamente para que a loira não a tivesse trancado. Abriu. A porta se abriu e um ranger se fez presente, fazendo a rainha prender a respiração e fechar os olhos, soltou um risinho logo em seguida junto com o ar de seus pulmões, esgueirou seu corpo através do buraco da porta adentrando os aposentos da loira. E mais uma vez Regina estava agindo sob efeito de seus impulsos impensados e desejos mais profundos, ficou velando o sonho da loira por alguns minutos, ela parecia uma garotinha dormindo, com o corpo esparramado pelo colchão e os cabelos loiros bagunçados. Aproximou-se da mulher afastando alguns fios de cabelo que lhe cobriam o rosto, Regina respirava pesado, ter a loira perto a causava inúmeras sensações. Abaixou-se perto da mesma, inspirando o perfume que saltava de seus fios e tocou seu rosto com as costas da mão, acariciando ali, roçou seus lábios suavemente nos da loira fazendo-a despertar. Os olhos verdes se abriram lentamente, capturando a imagem daquela morena maravilhosa, Emma achou que estava sonhando, piscou varias vezes tentando constatar de verdade que Regina estava ali.
– Regina? O que esta fazendo aqui? – O tom da loira era confuso e surpreso, não que a mesma não estivesse gostado de ter a morena ali. Recolheu as pernas dando espaço para que a prefeita sentasse na beirada da cama.
– Eu não pude esperar que ficássemos sozinhas de novo. – Suspirou, fazendo aquela pausa dramática enquanto os olhos verdes prestam atenção em todas as palavras que saíam daquela boca sensual. – Eu preciso disso..
Apoderou-se fervorosamente dos lábios da loira, ato que a pegou totalmente de surpresa. Surpresa que a loira não recusou e sim aceitou de bom grado, enlaçando sua mão nos fios castanhos causando um arrepio na coluna da outra, mais uma vez seus corpos poderiam fundir-se e elas não ligavam para tal fato. Emma apressadamente puxou Regina para si, fazendo-a cair no colchão macio, deixando que seu corpo instantaneamente ficasse sobre o dela sem quebrar o contato daquele beijo urgente. A loira tinha um joelho no meio das pernas da morena e ambas as mãos apoiadas ao lado da cintura da mesma, sua boca contornava a linha do maxilar da outra enquanto seu joelho pressionava levemente o centro da mulher, fazendo-a contorcer em baixo de Emma. Regina arqueou levemente o pescoço dando passagem para os beijos molhados que Emma distribuía por toda aquela região que a morena considerava perigosa, a xerife levou a mão na barriga da prefeita acariciando aquela pele macia que a fazia delirar. A salvadora soltou um gemido rouco contra a boca da rainha, o que fez a mesma retomar consciência do que estavam fazendo, ela segurou gentilmente o punho de Emma parando as caricias dela.
– Emma. – Chamou baixinho, num fio de voz. Seus olhos ainda permaneciam fechados. – Acho que estamos indo muito depressa. – Emma parou, olhando-a diretamente nos olhos.
– Tudo bem. – Seu tom era baixo. – Eu respeito seu tempo.
Por mais que ela soubesse ao certo o que ela queria, tudo isso era novo para ambas e ela sabia bem como o novo podia assustar. Não queria que a prefeita se sentisse pressionada ou algo do tipo. Emma sabia que involuntariamente agora só existia as duas e elas teriam tempo para desfrutar desse novo amor. Selou seus lábios aos da morena, retirando seu corpo logo em seguida deitando ao lado dela, Regina aninhou-se no peito da xerife que passou o braço por baixo do pescoço dela. Um silêncio confortável se instalou no ambiente, elas estavam ali deitadas uma no abraço da outra apenas curtindo, palavras não seriam capazes de descrever tal momento. Regina teve vontade de adormecer de novo, enquanto Emma aspirava o cheiro do perfume da mesma. “Ela é incrivelmente linda mesmo pela manhã.” Esse pensamento rondava a mente de Swan fazendo o coração dela acelerar.
– Regina. – A voz doce de Swan ecoou pelo ambiente chamando a atenção da outra para si. – Queria te pedir uma coisa. – Confessou.
– Peça e se tiver ao meu alcance, atenderei. – Seus olhos capturaram os verdes que brilhavam intensamente.
– Me ensina magia? – Seu tom era divertido, seu rosto mostrava ansiedade pela resposta.
– Acha mesmo que quer aprender sobre magia Ms. Swan? – Acariciou levemente o rosto da loira enquanto ela assentia com um sorriso nos lábios. – Magia pode ser perigosa.
– Eu sei disso, mas sei também que do seu lado estou em segurança. – Piscou para a outra roubando um selinho dos lábios da morena que gargalhou.
– Primeira lição Swan. Toda magia vem com um preço, esteja disposta a pagá-lo. – Imitou o ato que a loira tinha feito mais cedo, só que ao invés de roubar um selinho ela aprofundou o beijo. Finalizando-o com uma mordida sensual no lábio inferior da loira. – Vou pro meu quarto, me encontre no começo da floresta em 2 horas. – Completou levantando se da cama, não dando a loira outra opção que não seja deixa-la ir.
Girou novamente a maçaneta, um sorriso doce não saía de seus lábios, assim que abriu a porta o mesmo sorriso desapareceu por completo, dando lugar a uma expressão desesperada. Um frio percorreu todo o corpo da mesma.
– Regina? – Seu tom era de incredulidade. – O que faz de pijamas no quarto da Emma?
– Eu.. É.. – Sua voz estava falha, ela foi pega totalmente de surpresa por aquela morena baixinha.
– Eu a chamei aqui. — A voz de Emma soou e Regina suspirou, a salvadora estava salvando a morena daquele embaraço total. Aproximou-se da mesma olhando por cima dos ombros dela. – Queria a ajuda dela em uma coisa. – Tentou soar o mais normal possível e olhou para a morena. – Obrigado pela ajuda.
– Por nada. – Sorriu fraco, porém seu olhar era cúmplice. – Agora vou pro meu quarto. – Saiu o mais depressa que pode, deixando pra trás uma Snow confusa e os olhares apaixonados de Emma. Antes de adentrar seu quarto olhou novamente para a loira que estava parada na porta, balançou levemente a cabeça em sinal de reprovação e entrou rindo no seu aposento.
Uma hora e meia havia se passado desde que Snow e Regina tinham saído do quarto da loira, quanto mais os minutos passavam mais ansiosa ela ficava, não sabia o que vestir, suas roupas estavam todas espalhadas pela cama. Optou por não usar jaqueta já que o sol estava radiando lá fora, porém não abandonou suas inseparáveis botas de couro. Desceu apressadamente as escadarias, seus cabelos esvoaçavam, seus pés pulavam alguns degraus. Emma não teria tempo de comer, conferiu o relógio; 10 minutos, ela se atrasaria se tomasse seu café regular e ela sabia o quando Regina gostava de pontualidade e se irritava quando alguém se atrasava, e Emma, bom, ela não queria dar motivos para que a mesma se irritasse. Maçã, essa foi à fruta que Emma escolheu para saciar parcialmente sua fome.
Avistou Regina de costas apalpando algo no tronco da enorme árvore, a morena usava calças de couro bem apertadas que marcavam suas nádegas, o que não passou despercebido pela loira, uma camiseta cinza e um colete preto por cima, os cabelos levemente amarrados em um rabo bagunçado o que a deixava com um ar mais sensual do que a mesma já tinha por natureza. Emma aproximou-se lentamente, pregando nas costas da morena, enlaçando seus braços na mesma que se assustou.
– Oi. – O timbre da xerife era zombeteiro ao pé do ouvido da outra. – Desculpe-me pelo susto. – Sorriu depositando um beijo nas bochechas rosadas de Regina.
– Aqui não Ms. Swan, alguém pode ver. – Afastou-se da loira a encarando. – Deixe pra me agarrar quando tivermos sozinhas. – Sorriu antes que Emma ficasse triste ou algo do tipo. – Venha.
Pegou a mão da loira, conduzindo-a para o estábulo, onde pegaram seus cavalos e saíram num cavalgar calmo até uma parte afastada da floresta. A salvadora reparava em cada árvore que ambas ultrapassavam, encantada com toda aquela paisagem. Regina parou Rocinante, indicando para que a loira fizesse o mesmo, amarrou-o em uma árvore e esperou Emma, até que a mesma a alcançou e ambas entraram no meio de alguns arbustos parando logo em seguida no que parecia ser um tipo de acampamento, porém sem as barracas.
– Segunda lição Swan, magia é sobre sentir, deixe que suas emoções te conduzam. –Sorriu. — Eu quero que acenda essa fogueira para mim.
Emma assentiu, esforçando sua mão em direção ao local indicado, nada. Regina vendo a dificuldade da loira aproximou-se dela por trás. Sussurrou um “Feche os olhos e sinta.” Bem próximo ao ouvido da loira que obedeceu imediatamente, a morena pousou sua mão sobre as costas da mão da loira apontando as palmas para a pilha de madeira. Beijou suavemente o pescoço da loira, fazendo-a arrepiar e fortuitamente uma faísca sai das mãos da loira queimando aquela madeira.
– Olhe. – Pediu a morena, afastando-se. – Foi você quem fez isso. – Sorriu.
– Mas como.. – Indagou a loira olhando para as próprias mãos.
– O que eu lhe disse sobre magia? Ela é sobre sentir, controlar suas emoções e a canalizar para algo que você quer que aconteça.
– Você faz tudo parecer mais fácil. Fico pensando.. – Fez uma pequena pausa aproximando-se da morena que apesar da expressão de apreensão carregava um sorriso sincero nos lábios. – Eu não poderia ter uma professora melhor.
Apanhou os lábios carnudos, sorvendo cada parte daquela boca e sendo retribuída pela morena. Emma nunca imaginaria que vim para a Floresta Encantada a surpreenderia de tal forma. O que ambas não sabiam é que alguém de longe, observava toda aquela cena e troca exacerbada de carinho.
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