I'm Nothing Without Your Love
10 Please, don't look at me now.
Notas iniciais
– O que diabos está acontecendo aqui? – Fingiu tom sério, tentando parecer bastante surpresa.
Os arbustos se mexeram, assustando ambas as mulheres que estavam tão focadas naquele beijo que nem perceberam a presença de uma terceira pessoa. Regina pigarreou separando-se de Emma imediatamente, uma silhueta se fez presente por de trás de todo aquele verde. O eco daquela voz firme passou, deixando para trás apenas o silêncio constrangedor.
– Não é o que você está pensando. – Regina se adiantou, recebendo um olhar de repreensão da loira que respirava tranquilamente diante da situação.
– Regina. – Emma pronunciou pausadamente aquele nome que tanto lhe seduzia. – Não adianta negarmos. – Um riso frouxo escapou das cordas vocais de Swan, enquanto Regina a olhava intrigada. – E eu sei que você não quer negar que está comigo, ou, seja lá o que isso .. — A voz da xerife soou um pouco mais provocante do que ela imaginou que seria, aproximou-se levemente de Regina apontando para o pequeno espaço entre ambas. – Isso o que está acontecendo conosco for. – Roubou um selinho da morena fazendo-a rir.
– Tem firmamento o teu argumento Ms. Swan, mas mesmo assim, não gosto de ficar compartilhando minha intimidade com as pessoas. – Olhou diretamente nos olhos que a observavam com um divertimento, deixando a prefeita desconfiada, fazendo-a arquear uma sobrancelha. Emma não olhava pra morena, temia que não conseguisse segurar o riso que estava preso em sua garganta. Regina direcionava seu olhar para ambas ali presentes, quando num clique .. – Você... Você já sabia disso tudo! – O olhar penetrante da antiga prefeita perfurou os órgãos internos de Ruby como um atirador de pregos, mas a outra morena não parecia se importar muito com aquilo muito menos se sentir ameaçada.
– Você comanda o lugar por magia Regina e eu, bom, eu conquisto tudo com meu carisma. – Ruby deu de ombros como se aquilo fosse óbvio. Emma arregalou os olhos, segurando um riso extremamente alto que poderia sair de sua garganta, já Mills apenas ouvia aquele insulto. – E eu sou conhecida por guardar bem segredos, tanto que você nunca notou que eu soubesse de um mínimo detalhe sobre isso. – Completou checando levemente as unhas recém feitas.
A garota caminhou gentilmente com a pose de uma dama, segurando seu belo vestido vermelho para que não se arrastasse pelo chão e quando parou, encostou-se a uma coluna de madeira que se situava próxima a rainha e ajeitou à touca da capa vermelha a cabeça para que seus cabelos não se bagunçassem com o vento.
– Eu sabia muito antes de Emma descobrir, tanto que quando estávamos em Storybrooke os olhares que vocês duas trocavam eram perceptíveis demais por todos. E toda essa tensão sexual que rola entre vocês não é normal de duas amigas, só vocês ingênuas não enxergaram logo.
Swan cruzou os braços abaixo dos seios e deu um passo para perto de Regina que já não estava mais bufante como no início daquela conversa toda. A rainha estava começando a se sentir mais aberta a toda aquela situação, ela sabia que o que a loba dizia era a mais pura verdade, a prefeita não conseguia manter seus olhos longes da xerife que por sua vez se desmontava toda a cada olhar.
– Tenha em sã consciência de que eu nunca abriria a boca para nada, até porque eu tenho coisas muito melhores a fazer do que contar aos belos príncipes e princesas desses contos de fadas, que a Evil Queen uma vilã se apaixonou pela salvadora, filha de Snow White e Príncipe Charming. – Seu tom era de um suave deboche, o que irritou Regina.
– Você deveria poupar sua saliva, Chapeuzinho, juntamente com sua língua já que pode precisar dela depois e não tê-la disponível dentro da boca!
– Ei, vocês duas, tentem por um segundo sequer não se provocarem, o que menos precisamos aqui é de confusões, okay? – Com toda aquela pose de segurança, Swan se pôs entre aquelas duas morenas que cuspiam palavras ácidas uma em direção a outra.
A expressão emburrada e infantil que Regina tinha na face, fez à loira se derreter. Emma não entendia como alguém podia mudar tão facilmente suas expressões, a verdade é que a morena era muito intensa em tudo o que ela sentia e isso era uma das coisas que Emma mais admirava na morena.
– Vou voltar para o castelo.
Regina tentou manter a pose séria depois de ver Emma a olhar tão profundamente que a mesma achava que estava quase nua. Ela sorria internamente, estava preparando uma surpresa pra loirinha. Ela fez o caminho de volta todo em silêncio, andou na frente das outras duas mulheres o tempo todo, arquitetando seu plano e ouvindo ambas tagarelarem sobre assuntos aleatórios. Emma precisava achar que Regina estava brava com ela, para o plano da morena dar certo assim a mesma assumiu tal postura séria. Os passos da morena eram largos e confiantes, ela se sustentava sobre aquela bota de couro magnífica, que subia sobre sua calça também de couro, acintosamente justa de modo que delineava toda a sua estrutura corporal, juntamente com seu sobretudo vermelho todo detalhado, ela estava fastuosa como sempre, seria impossível para alguém não desejá-la e Emma era a prova disso.
O hall principal do castelo parecia continuar em festa, apesar de se fazer apenas alguns dias, era como se o baile ainda não tivesse sido desmontado e as pessoas pedissem por mais momentos alegres como aqueles. Pelo grande número de súditos, a passagem das três mulheres começou a se tornar árdua já que todos aparentavam querer tocar nas divindades e o nariz esnobe de Regina já se levantava em sinal de desdém, como se a presença daqueles camponeses e seres inferiores lhe infectassem com a pobreza.
– Aí estão às três mosqueteiras. – David pulou do degrau que se encontrava, assustando-as sem necessidade.
– Jesus! – Emma levou a mão direita até o peito que subia e descia em decorrência do susto, enquanto Ruby gargalhava com a reação da loira.
– Três mosqueteiras? – Questionou Regina com um olhar desafiador, elevando levemente seu queixo e arrumando suas vestes. – Acho que mereço um pouco mais do que isso.
– Você merece as Tartarugas Ninjas, Madam Mayor. – Tentando ridicularizar a rainha, a loba soltou o insulto sem pensar e retirou inúmeras gargalhadas, até mesmo de Swan que não conseguiu se segurar no momento, recebendo olhares reprovadores da morena que não havia gostado da tal piada.
– Eu estava te procurando, minha filha... – Proferiu o príncipe, tomando a atenção das três para si. Uma pausa na voz de Charming foi feita para que ele pudesse formular um sorriso encantador no canto dos lábios. — Tenho uma coisa para lhe entregar, venha comigo.
Então, o homem ofereceu o braço para que a mulher loira pudesse acompanha-lo e assim as outras duas simplesmente se olharam, questionando entre si se devessem segui-los ou simplesmente esperar por eles. Acabaram por decidir não perder Emma de vista e andaram por aqueles corredores um tanto quanto desconhecidos já que aquele lado do castelo ainda não havia sido explorado pelas mesmas.
Uma portinhola foi aberta com uma chave que parecia sido forjada propriamente a mesma, pois duvidavam que qualquer outra tivésse o mesmo formato. Era um símbolo que parecia mais um brasão de família real, um leão esculpido com muitos detalhes. Ao adentrar o local uma enorme surpresa tomou conta tanto do peito das mulheres quanto dos olhos, estes que reluziam estonteantes, já que lá estava guardado todo o ouro que pertencia ao reino, todas as preciosidades foram escondidas lá para não serem saqueadas e era um lugar bem provável que ninguém nunca encontraria. Regina sabia daquele lugar, só não sabia exatamente em qual parte do castelo aquele quarto ficava.
– David, o que é este lugar? – Emma referiu-se ao pai, que vislumbrava todas aquelas posses como se nunca estivesse entrado no local.
– Este quarto é onde guardam todo o ouro e as riquezas adquiridas. – Regina adiantou-se, argumentando de forma explicativa enquanto seus olhos passeavam por toda extensão do cômodo.
– Isso tudo será seu, um dia. – Ele proclamou, Regina sentiu pontadas no estômago, mas continuou mantendo aquela sua pose confiante e elegante. – Mas isso... – Mais uma pausa foi feita e nesta a respiração do homem estava um pouco ofegante. – Isto será seu, hoje!
Ele se aproximou de um baú e pediu para que Swan o abrisse e retirasse lá de dentro uma pequena caixinha dourada. A loira então caminhou até um baú que fora aberto com bastante agilidade, avistando de primeira a caixa que seu pai mencionara no meio de algumas outras coisas que ela ditou “sem valor”. Ela era incrível, parecia ter feito à mão era cheia de detalhes e um pequeno cisne estava estampado em sua tampa. A mulher estava receosa de abri-la, correu seus olhos por todos ali presentes, recebendo de volta olhares curiosos. Abriu-a com certa avidez imaginando assim que conseguiria ter uma visão melhor daquilo que seria dado a ela. Seus olhos foram ofuscados por uma luz forte que provinha daquele objeto banhado a ouro puro, entretanto logo que a luz se abaixou ela pode focalizar seu olhar naquele objeto sem medo. Depositado dentro daquele recipiente continha um anel que englobava uma pequena pedra azul redonda, para Emma aquilo se parecia com algo de outro mundo e não porque demonstrava ser valioso demais, simplesmente porque era lindo, brilhante, parecia ter luz própria, parecia estar vivo, encantado.
– É feito com a pedra mais preciosa de todo o reino, porém foi banhado a ouro para dar um ar menos rústico. – Então, com a palma da mão aberta ele colocou no dedo anelar de sua filha. – Diz à lenda que quando seu amor verdadeiro estiver próximo, ela brilhará como um cometa. – Sorriu deixando a mostra toda aquela dentição branca como mármore.
Os pulmões da loira precisavam de ar ou ela iria desmaiar ali mesmo, assim como os de Regina. Ruby continuava intacta, não conseguia retirar seus olhos daquela pedra incrivelmente maravilhosa. O medo tomou conta do interior de Emma, pois ela simplesmente não conseguia se mover, já que havia percebido que aquela joia brilhava intensamente como seu par de olhos.
– É lindo. – Deixando um pouco de lado o receio de olhar pra Regina e revelar ao seu pai seu segredo, Emma se deixou admirar aquele polimento que estava em seu dedo. – Obrigada.
Ela apenas sorriu assentindo com a loira, aquele momento não exigia grandes agradecimentos, afinal, Emma estava simplesmente embasbacada com a magnitude da pedra. Regina estava imersa em devaneios, seus pensamentos estavam conflituosos, ora gostaria que Emma se aproximasse, pois queria saber se a tal pedra do amor verdadeiro brilharia para ela e ora pedia internamente que a loira não a olhasse, porque caso a pedra brilhasse Charming saberia.
– Então loirinha, não vai exibir para nós essa belezura?
Foi aí que os corpos da Salvadora e da Rainha entraram em sintonia, ambos arrepiaram e ficaram arredios ao mesmo tempo. Emma que até então estava de frente para David, girou seu corpo encarando as duas morenas. Os olhos de Regina encontraram os verdes de Emma e depois abaixou seu olhar para a pedra que brilhava como uma estrela na imensidão do céu azul. Ambos os corações se aceleraram, precisavam encontrar uma saída antes de o príncipe percebesse o quão aquele anel brilhava.
– Ruby, me lembrei, preciso de uma ajudinha. – Regina encarou Emma que agradeceu mentalmente e agarrou o pulso da loba, saindo daquele quarto que estava mais abafado do que ela imaginou.
– Ai rainha, calma aí. Isso doí. – Reclamou a mulher depois que já estavam para fora, fazendo Regina soltar seu pulso.
– Me desculpe. – Sorriu um pouco sem graça, soltando o ar dos pulmões tentando recuperar a respiração falha. – Precisava sair daquele lugar.
– Por quê? – A loba se fingiu de inocente, recebendo o olhar de reprovação da morena.
– Não seja sínica. – Deu alguns passos a frente da loba, indo em direção à ala de entrada do castelo. – Mas eu realmente preciso da sua ajuda.
– Quem diria Regina Mills a imponente Evil Queen, precisa de ajuda. – Regina deu de ombros com o comentário enquanto Ruby se divertia com as provocações direcionadas a outrem. – O que precisa da minha humilde pessoa?
– Preciso que fique com Henry esse resto de noite, que o distraia e o mais importante, não deixe que ele procure nem por Swan e nem por mim. Planejo uma noite especial com Emma. – Era raro as vezes que a rainha pedia ajuda, mas naquele momento o tal pedido era vitalício. Ruby assentiu logo a mesma sorria maliciosa, enquanto Regina fingia que não via, mas por dentro estava sorrindo igualmente. Ambas sumiram de vista após virarem vários corredores daquele vasto castelo.
Após muitos agradecimentos de ambas as partes, David preferiu deixar Emma a sós com seus devaneios.
– Espero que faça bom proveito, meu bebê.
Então, Charming se pôs a levantar, aplicou um leve beijo na testa de sua filha e saiu com um tipo diferente de sorriso nos lábios; ele estava irônico, porém descontraído, como se soubesse de alguma coisa.
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