I'm Not a Hero

9 We're both broken in our own little ways


Notas iniciais
O CAPÍTULO MAIS ESPERADO DESDE O COMEÇO DA FF! *coro de aleluia ao fundo* Me superei no tempo, pfvr, já podem me amar! heuhauhea Era para eu ter postado o capítulo ontem, quando o acabei, mas eu estava tão cansada... e ainda tive que revisar (e revisei mal, pq tô com sono, portanto desculpem qualquer erro, eu vejo amanhã)... mas ainda assim, foi bem rápido, não foi? Esse capítulo praticamente se escreveu sozinho. Baixou o Chico Xavier em mim e quando eu vi já tinha terminado. Obrigaaada à NathaliaKamargo, Karou Morgenstern e luuchie hyuuga pelas recomendações! Meninas, vocês me fizeram muito feliz. *-* Obs: Vocês viram a nova capa? O que acharam? Eu resolvi mudar porque a fic está entrando em uma nova fase. Bem, sem mais enrolação. Boa leitura~ e nos vemos nas notas finais.

And there will come a time, you'll see, with no more tears...

And love will not break your heart, but dismiss your fears...

Mumford and Sons.


Duas semanas depois...

Fez seu caminho sem pressa. Passava pelos habitantes os cumprimentando, e vez ou outra parando para perguntar para tal pessoa como ela estava se saindo. A maioria já estava recuperada fisicamente, mas mentalmente... bem, aquilo ainda demoraria um pouco mais. Mas eles se recuperariam. Eles sempre se recuperavam.

Ela olhou ao redor. Havia tendas por todos os lados; era onde todos estavam morando naqueles dias, já que ainda não haviam construído casas o suficiente. Ainda assim, não eram muitas, não se comparasse a tempos passados, como depois do ataque de Pain à vila, onde eles tiveram que passar pela mesma situação. Sakura suspirou.

Milhares de habitantes reduzidos a pouco mais de uma centena e meia, e a maioria sequer era ninja! Como defenderiam a vila de outros ataques daquele jeito? Masao ainda estava vivo, e nada o impedia de voltar lá e terminar o trabalho.

Como conseguiriam sequer manter a vila? Ainda não tinham um líder (e o país do Fogo também precisava de um daimyo, já que Masao matara o anterior), e possuíam apenas o apoio de Suna, o que não era muito, porque o país do Vento tinha seus próprios problemas para lidar também.

Os outros países não haviam respondido à carta que o Kazekage mandara. Não sabiam se ocorrera algum problema e eles não receberam os pergaminhos, ou se simplesmente optaram por não se pronunciar a respeito... Bem, a Haruno duvidava seriamente que eles não tivessem recebido o comunicado, então só restava a segunda opção: eles não queriam ajudar. E isso porque ainda tinham uma aliança. Heh. Sakura imaginava o que aconteceria se não tivessem. Provavelmente algum deles já teria nos atacado também.

Mas aquilo não a surpreendia tanto, porém. Desde que Naruto fora exilado e dado como nukenin... as coisas nunca mais foram as mesmas. Tanto em Konoha, como no resto do mundo shinobi. Gaara os contara, nos dois dias que ainda permanecera ali, ajudando-os, o que havia acontecido naqueles dois anos em que eles ficaram isolados em Konoha.

A fé dos shinobis e mesmo dos Kages fora abalada com a notícia sobre Naruto. Ele havia sido o salvador, o herói, todos haviam confiado suas vidas a ele... e então aquilo aconteceu. Ele libertara o monstro dentro de si, sem ser capaz de controlá-lo. A reviravolta era surpreendente e tristemente irônica: Naruto era um perigo para o mundo que uma vez salvara.

A paz, então, era agora apenas uma palavra pequena e sem significado; é claro que não havia surgido nenhum grande inimigo que realmente abalasse aquele frágil estado de tranquilidade em que o mundo ninja se encontrava (até aquele momento, pelo menos), mas pequenos crimes ainda aconteciam, e ainda havia derramamento de sangue, dor e morte. Como sempre havia sido.

Parou, observando o monte Hokage. Tinha sido a primeira coisa que eles haviam reconstruído. Era para lembrar-lhes daqueles que mais lutaram por aquela vila. Para lembrar-lhes que Konohagakure ainda estava ali para eles, e mesmo se ela fosse quebrada, queimada, destruída cem vezes... continuaria sendo Konoha. Sua casa. Seu lar.

Sakura não soube por quanto tempo ficou ali, encarando os hokages, principalmente sua mestra. Sentia tanta falta de Tsunade que doía. Se ela estivesse ali, com toda certeza conseguiria acalmar o coração desordenado da kunoichi com algumas palavras... ou talvez um cascudo. De qualquer forma, sabia que conseguiria ficar mais tranquila depois de vê-la.

Mas a Senju estava morta, e agora sequer tinha um túmulo onde Sakura pudesse ir visitá-la. O cemitério de Konoha virara cinzas como o resto da vila, e aquela parte eles nunca poderiam reconstruir, e nem tinham certeza se queriam, também. Talvez fosse algo até bom. Significava que dali em diante era um recomeço.

Pelo menos Sakura torcia para que não houvesse túmulos para criar tão cedo...

Voltou a andar, suspirando. Gaara havia voltado dias atrás para sua vila; muitos ninjas seus haviam morrido, mas ainda assim ele deixou três dezenas de shinobis para trás para ajudarem na reconstrução da vila. Sakura e os outros agradeciam imensamente por isso, porque seus ninjas eram escassos e a maioria tinha Katon como seu único elemento. Eles não precisavam de mais fogo naquela vila.

Percebendo tardiamente que deveria estar atrasada, amaldiçoou-se por ter se distraído tanto e apressou o passo. Hinata, no dia anterior, havia chamado a todos para uma reunião. A Hyuuga andava dispersa naqueles dias. Sakura havia a visto apenas duas vezes naquelas duas semanas, e naquelas duas vezes, fora apenas porque Hinata estava ajudando a criar lagos e cachoeiras, e voltando a reconstruir as termas de Konoha com outros ninjas de Suiton (com uma participação dos que usavam Katon).

Não era difícil adivinhar onde o pequeno conselho de Konoha (que Shikamaru, Ino, os Hyuugas, Tenten, Konohamaru e ela constituíam) se reunia: no centro de toda aquela bagunça, na maior e melhor tenda.

Sakura adentrou o local. Todos já estavam ali, menos Neji e a própria Hinata. Sentou-se entre Konohamaru, que possuía algumas faixas ao redor do corpo, já que ainda estava em recuperação, e Ino. A perna de Tenten ainda estava se recuperando também, mas os outros já estavam bem.

Segundos depois os Hyuugas chegaram.

— Desculpem o atraso. — Hinata disse, curvando-se polidamente, sem nunca olhá-los. Neji sentou-se de frente para a Haruno, ao lado de Tenten. Ele parecia irritado, algo bastante raro, e aquilo não passou despercebido a ninguém.

— Bem... Por que nos chamou aqui? — foi Shikamaru quem perguntou, tentando quebrar aquele silêncio desconfortável que havia se propagado pelo local.

— Eu... — a Hyuuga torceu as mãos nervosamente, e por um momento ela parecia ter voltado a ser a menininha tímida de anos atrás. Então, como se também percebesse isso, Hinata levantou a cabeça e os encarou. — Estou indo embora.

— O quê? — Ino foi a primeira a sair do estupor que as palavras causaram. Exceto Neji, todos estavam surpresos e confusos.

— Temporariamente! — ela deixou claro, antes que mais alguém se exaltasse. — Eu só... eu preciso de um tempo, sozinha. — pelo menos isso não é mentira, Hinata pensou. Realmente precisava daquele tempo.

— Tem certeza disso? Para onde você vai? — Shikamaru perguntou muito sério.

— Eu não sei exatamente. — era verdade também. Todas as noites desde que vira Naruto e Sasuke, quando sabia que ninguém estava vendo, Hinata esgueirava-se pela floresta para seguir o rastro deles. Mas eles eram rápidos demais, e obviamente cuidadosos, e ela havia perdido o rastro dias atrás. — Eu só preciso de um tempo, não irei demorar muito. Talvez cinco dias, no máximo.

— Mas Hina... — Tenten começou.

— Isso não está em discussão. — interrompeu-a, olhando apenas para Shikamaru, o líder do conselho, em um tom diplomático que havia visto seu pai usar muitas vezes antes. — Eu só achei que era importante avisá-los. Esperei todo esse tempo porque estava ajudando no que podia na reconstrução da vila, mas já acabei o que tinha de fazer. Parto hoje à noite. Com licença. — curvou-se uma última vez, antes de sair da tenda, deixando apenas o silêncio para trás.

[...]

Sakura saiu de uma das tendas, suspirando. Mesmo já tendo se passado duas semanas desde a destruição da vila, ainda havia alguns habitantes feridos. Felizmente, ela, Ino e dois ou três iryou-nins ainda estavam vivos para ajudar.

Já havia falado com Shikamaru e os outros sobre reconstruir o hospital (ou pelo menos algum local próprio, onde poderiam curar todos de forma mais eficiente) e treinar qualquer um com algum mínimo domínio em chakra nas artes médicas; seria terrivelmente difícil, é claro, eles deveriam ter um controle de chakra perfeito e se isso já era difícil com ninjas experientes, imagine com os que estavam começando nessa vida agora... Mas bem, desde que eles soubessem fechar um ferimento, estancar um sangramento, curar parcialmente uma ferida profunda... aquilo já os garantiria algum tempo, o que poderia salvá-los de uma provável morte.

A noite já havia caído. Os dias pareciam ter voltado ao habitual; não eram mais terrivelmente nublados, ou chuvosos, ou horrivelmente frios, ainda que não fosse inverno. E agora a lua conseguia brilhar sem nuvens tentando cobri-la. O clima parecia ter voltado ao normal desde que Masao fora embora.

Não querendo voltar para sua tenda, Sakura começou a caminhar pelas ruas, perdida em pensamentos. Quando se deu conta, já estava quase na floresta ao redor de Konoha, então notou algo estranho.

Sentada em um dos galhos de uma das maiores árvores, encontrava-se Ino, observando Konoha de lá de cima.

A Haruno pulou e sentou-se ao seu lado.

— O que faz aqui sozinha?

Ino não se deu ao trabalho de encará-la, os olhos fixos em algum ponto vazio de Konoha.

— Hoje seria o aniversário dele. — ela murmurou, e Sakura soube quase imediatamente de quem ela falava. — Kiba iria fazer vinte e um anos, se ele estivesse vivo... — deu um sorriso melancólico, perdida em lembranças, porque agora lembranças eram tudo o que restavam dele. — Ele costumava me dizer que quando esse dia chegasse, faria uma enorme festa cheia de saquê e convidaria todo mundo, menos a Tsunade-sama, porque aí não teria saquê o suficiente. — ela riu baixinho, limpando o canto de um dos olhos úmidos.

A melhor amiga a encarou com pesar. Lembrou-se da época em que ela e Ino eram apenas crianças, e em como a loira a defendia das garotas malvadas que a maltratavam, fazendo-a ter mais autoestima e confiança em si mesma. Cresci por sua causa, Ino. Tornei-me forte porque queria ser como você. Lembrou-se de como ela era histérica, mas tão sábia para a pequena idade. Ino tinha um dos sorrisos mais brilhantes que Sakura já havia visto. Tinha. Hoje em dia, mesmo que ainda fosse a que mais sorrisse dentre todos, tais sorrisos não chegavam aos seus olhos. Não lhe aqueciam a alma, ou o coração. Eram vazios, como ela.

Você merecia mais, Ino.

— Já faz três anos. — foi o que disse bem baixinho. — Você precisa esquecê-lo...

— Você esqueceu Sasuke, mesmo depois de ele ter virado às costas para todos? — rebateu, sem encará-la, mas seu tom era amargurado. — Mesmo depois de ter tentando te matar? Mesmo depois de todos esses anos, seu coração o esqueceu, Sakura?

A garota ficou em silêncio, olhando para as pernas. Não, não havia o esquecido, e tinha certeza disso, porque após Hinata contar-lhes que Naruto e Sasuke estavam lutando contra Masao, tudo pareceu girar. Não esquecera Naruto, tampouco, mas com Naruto sempre fora diferente. Ele havia ficado ao seu lado todo o tempo, sendo seu suporte, sendo o irmão que ela nunca tivera, e Sakura nem conseguia definir o tamanho de gratidão e amor que sentia por ele.

Mas sempre fora Sasuke em seu coração. Mesmo que ela não quisesse, mesmo que ela tivesse tentado esquecer tantas vezes, ele continuava lá, escondido, em uma parte dentro de si que ela preferia ignorar. A parte estúpida e ingênua.

Não havia motivo para tentar mentir para Ino. Ela sabia, afinal. Talvez soubesse por que, do mesmo jeito, nunca conseguiria esquecer Kiba. E quando ela lembrasse momentos felizes, em uma época feliz, dentre todas as pessoas, seria ele a estar em seus pensamentos.

Então, ao invés de responder, a puxou para um abraço, onde Ino deitou a cabeça em seu ombro.

— Por que ele teve que morrer? — ela apertou o tecido da roupa de Sakura. — Por que eles tiveram que ir tão cedo?

— Eu não sei. — respondeu fazendo todo o possível para a voz não sair embargada, não obtendo sucesso. Apertou-a contra si, e agora as duas consolavam uma a outra. Sakura tinha perdido muita gente também.

— Nós sobrevivemos a uma guerra, Sakura! — soluçou. — Sobrevivemos a uma maldita guerra, onde meu pai e tantos outros morreram para que o resto vivesse. Mas do que adiantou? — descontrolou-se. Devia ser a primeira vez que a Haruno a via daquele jeito, depois de muito tempo. Ino não ficara assim desde que Masao cortara a cabeça de Kiba e o cachorro, e ambas rolaram até seus pés. — Do que adiantou ganharmos a guerra, se perdemos todo o resto?

Então a Yamanaka chorou, com suas lágrimas molhando o tecido vermelho da roupa que Sakura usava, e esta pranteou também, suas lágrimas caindo no cabelo loiro da Yamanaka, que um dia havia sido tão brilhante, mas que hoje tinha um tom sujo e morto. Como ela. Como todos.

— Do que adiantou Sakura? — repetiu, como se a garota pudesse ter uma resposta. Infelizmente, ela não tinha.

— Eu não sei Ino. Perdão, mas eu não sei... Eu não sei...

E, naquela noite, enquanto chorava e ao mesmo tempo tentava consolar a amiga em seus braços, Sakura perguntou-se se algum dia qualquer um deles voltaria a ficar inteiro novamente.

Não tinha resposta para aquilo também.

•••

Ela ajeitou a pequena mochila em suas costas, onde não carregava mais do que o estritamente necessário: água, um pouco de comida, um saco de dormir e uma única muda de roupa. As armas ninjas estavam dispostas na bolsa ninja que sempre carregava ao redor da cintura.

Suspirou, olhando para a tenda que ela e Neji dividiam, e lembrando-se da discussão que tiveram mais cedo.

— Se tiver que ir atrás deles, todos deveriam ir também! — ele dissera em um tom repreensor. — É perigoso, e... Eles têm o direito, Hinata-sama. Sakura tem o direito. Eram os companheiros de time dela.

Hinata sabia, e sentia tanto por aquilo! Sabia que Sakura merecia vê-los mais do que qualquer um, mas, mesmo assim, não iria desistir do plano.

— Ela não iria aguentar outra decepção. — sussurrou, dando-lhe as costas.

— E você iria? — pegou-a pelo braço, fazendo-a virar-se para ele. Neji encarou-a com perspicácia. — Você já sabe Hinata-sama. Sabe que ele não é o mesmo de antes.

— Nenhum de nós é, nii-san. — disse afastando-se dele. — Eu preciso... preciso conversar com ele. Precisamos de toda a ajuda possível contra Masao...

— Se Naruto quisesse nos ajudar, ele já estaria aqui! — replicou, sabendo que suas palavras eram duras demais e que estava magoando Hinata, mas ela tinha que entender que, fazendo aquilo, só iria se machucar ainda mais, e ele não suportaria vê-la ainda mais quebrada. — Os outros logo perceberão isso também, quando tivermos que lutar novamente contra Masao, e Naruto não estiver ao nosso lado.

— Não se eu puder impedir! — ela disse desesperada. — S-são os amigos dele, e Naruto-kun nunca abandonaria os amigos, ele sempre os valorizou e...

Neji a interrompeu, agarrando-a pelos ombros e forçando-a a encará-la nos olhos, coisa que assustou Hinata. Ele nunca havia sido tão rude desde o Exame Chunnin onde lutaram.

— Ouça o que está dizendo! — sacudiu-a, tentando fazê-la perceber como aquilo tudo soava ridículo. — Ele nunca abandonaria os amigos, mas isso foi antes de todos o abandonarem primeiro, Hinata-sama! Esse seu estúpido amor por ele só a destruirá ainda mais, como sempre fez!

Hinata baixou a cabeça, fazendo com que a franja cobrisse parcialmente seus olhos, e saiu do aperto do primo. Ele a olhou, arrependido do que havia dito, mas tivera um motivo para dizê-lo. Afinal, era sempre Neji a estar lá quando o amor por Naruto a magoava de formas alarmantes, e era sempre em seu ombro que ela chorava.

Não sabia se ela suportaria qualquer outra dor. Já tivera dores demais a vida inteira.

— Saia daqui. — ela murmurou, dando as costas para ele, e mantendo-se mais afastada possível.

— Hinata-sama...

— Onegai, vá embora.

E ele foi, e os dois não tornaram a se falar mais naquele dia.

Hinata apertou os punhos e fechou os olhos por um momento, sentindo-se como se estivesse a ponto de sufocar. Precisava sair urgentemente dali, daquela vila, daquele ar que tinha cheiro de sangue e morte. Precisava ver Naruto, ficar frente a frente com ele, ouvir sua voz. Neji não entendia isso, mas cada dia longe, sabendo que ele estava afastando-se cada vez mais, já estava a matando por dentro.

Portanto, Hinata simplesmente precisava vê-lo.

Saiu da tenda e deu de cara com Neji, a esperando. Os dois apenas se encararam por um momento.

— Eu sinto muito por ter dito aquelas coisas. — disse, curvando-se totalmente para ela. — Prometi ao seu pai protegê-la, não machucá-la.

— Meu otou-san está morto. — ela respondeu. — Não deve mais nada a ele.

— É minha prima, Hinata. — disse muito sério. — A única família que me restou. Se pensa que eu não morreria sem pensar duas vezes para salvá-la, então deveria pensar de novo.

Ela apertou as alças da mochila por um instante, antes de se aproximar e abraçá-lo.

— Então me deixará ir?

— Você é teimosa demais para se convencer. — deu-lhe um beijo na testa, gesto que a fez sorrir. — Só prometa voltar viva. E bem.

Ela deu um pequeno sorriso, quase triste.

— Prometo voltar viva.

Então ela se foi. Neji observou-a afastar-se, até sair de seu campo de visão.

— Já pode sair daí, Shikamaru...

O Nara saiu das sombras que uma das tendas fazia, e recostou-se a ela, cruzando os braços.

— Não devia tê-la deixado ir. — disse ele. — Com a notícia de que Konoha está quebrada se espalhando por todo o mundo shinobi, o perigo para nós só cresceu.

— Hinata-sama sabe se cuidar. E de qualquer forma, você seria capaz de impedi-la? — o silêncio de Shikamaru foi a resposta que teve.

[...]

Quatro dias depois...

— Me explica de novo por que diabos eu estou aqui há horas, e não em alguma vila comendo uma garota qualquer.

— Por mais que me doa muito te afastar de pegar alguma doença, Naruto — Sasuke debochou, sentando-se de frente para ele, em cima da água. —, para derrotar Masao você tem que estar com a cabeça cem por cento inteira, o que não obviamente não é o caso atual. — o loiro deu-lhe um olhar irritado. — Precisamos te livrar desse... seu lado sedento de sangue e cheio de ódio.

— Sem ofensas, Sasuke, mas você não é a pessoa mais recomendada pra me ajudar nisso, é? — rebateu com um sorriso cínico.

— Atualmente, qualquer um é melhor do que você nesse quesito. — replicou no mesmo tom, fazendo Naruto bufar.

— Yare, yare. Como vai me ajudar, então? Me mandando sentar em um lago e pensar na minha maravilhosa vida? Bela ajuda. — resmungou.

Sasuke desviou o olhar para a água onde eles estavam sentados. Havia pensado em uma forma de ajudar Naruto em todos aqueles dias em que eles estiveram viajando; atualmente, eles se encontravam em uma floresta, em algum lugar do país dos Rios, Kawa no Kuni. Era um país pequeno, perto do país do Vento, que não possuía ninjas e que provavelmente não reconheceria os shinobis mais procurados de todo o mundo.

Observando a água, Sasuke lembrou-se de por que fizera Naruto ficar ali, sentado durante horas. Sua mãe costumava dizer que a água, sendo pura como era, expurgava os corpos impuros e os ajudava a lavar todo o mal dentro de si. O Uchiha não acreditava em uma só palavra, mas precisavam de um lugar tranquilo para ficar, e o barulho das águas era relaxante, portanto achou que seria mais fácil para Naruto se concentrar.

Havia o mandado pensar em toda sua vida até ali, as coisas boas e ruins que haviam lhe acontecido, e depois pediu para ele limpar a mente de qualquer pensamento – coisa que o idiota obviamente não havia conseguido.

— Naruto, eu não sou um maldito gênio em mentes perturbadas, então se você pudesse parar de reclamar por um segundo, seria ótimo. — o loiro revirou os olhos e se calou. — Finalmente. Agora, quero que pense na sua infância.

— Por quê? — olhou-o desconfiado.

— Porque foi uma das piores partes da bosta da sua vida, e eu quero ver como o segundo Naruto reage a ela, agora quer parar de fazer perguntas?

O Uzumaki fechou os olhos, bufando ruidosamente. Aquilo tudo era ridículo, pensava. Como se, de alguma forma, pensar naquela época fosse ajudá-lo. Apesar disso começou a pensar e lembrar, e as imagens iam formando-se em sua cabeça como se nunca tivessem saído de lá.

Quatro anos. Era um dia ensolarado, os seus preferidos. Correndo pelas ruas de Konoha como qualquer criança normal fazia, ele ria e perseguia um inseto qualquer. A diferença entre Naruto e as crianças normais, no entanto, era que elas corriam e brincavam em grupos. Naruto sempre estava sozinho.

Corria por entre as pessoas, desviando habilmente delas. Era um hábito ao qual se acostumara, já que sempre que se topava com alguém, tal pessoa o olhava com repulsa e afastava-se imediatamente. Tinha se acostumado com aquilo também. Naruto, em sua tenra idade, não entendia por que o olhavam daquele jeito; talvez os adultos olhassem para todas as crianças assim, pensava ele.

Acabou perdendo o inseto de vista. Suspirando, parou de correr. Ouviu gritos e risadas e, curioso, viu que havia um parquinho cheio de crianças ali perto. Os olhos azuis brilharam. Correu para o local e misturou-se entre as crianças. Nenhuma delas lhe lançou um olhar feio, ou se afastou. Algumas até o chamaram para brincar. Começaram todos a correr uns atrás dos outros. Um dos garotos acabou caindo, e todo o resto parou de correr, rindo.

— Quando crescer eu vou ser um ninja! — ele subitamente disse, sentando-se na areia. Não parecia ter se chateado por rirem dele. — Como meu pai! E aí serei o ninja mais veloz de todos!

— Um ninja? — Naruto repetiu.

— Sim, ué! — uma das garotas disse. — Você não sabe o que é? — quando Naruto negou com a cabeça, a menina aproximou-se mais. — Mamãe disse que eles são heróis que protegem a vila de todo o mal.

— Isso mesmo! — o garoto anterior confirmou, enquanto todos se sentavam em uma roda para poderem ouvir. — Eles são muito, muito fortes. O Hokage é um ninja também!

— Aquele velhote? — Naruto fez uma careta. O Sandaime visitava a casa de Naruto de vez em quando, e até o comprava comida e roupas, e pagava o aluguel do apartamento onde vivia. Era um velho legal, o único que não lhe dava aquele olhar de desprezo, mas não tinha cara de ser forte.

— Hai. — outro garoto respondeu, parecendo ser mais velho que os outros. — O Hokage é o líder supremo, e todos o respeitam e admiram!

— Haiki! O que está fazendo? — as crianças viraram-se e viram uma mulher correndo até eles. Ela pegou Haiki pela mão, o garoto que dissera que queria ser ninja, lançando olhares para Naruto enquanto se afastava. — Eu já não disse para não falar com aquele garoto?

— Mas okaa-san...

— Não quero vê-lo nunca mais perto daquele monstro, ouviu bem? — sussurrava irritada, mas Naruto podia ouvi-la muito bem. Baixou os olhos para as mãos.

—... Sim, okaa-san...

Então outros pais chegaram, e todos levaram os filhos para longe. Não das outras crianças, nem do parquinho, mas dele. Porque todos se afastavam do garoto. Ninguém nunca permanecia ao seu lado.

Então, talvez tenha sido ali, aos quatro anos de idade, que Naruto inconscientemente fixara o pensamento de que todos o deixariam um dia.

Cinco anos. “O Hokage é o líder supremo, e todos o respeitam e admiram”, as palavras ecoavam na mente do loiro. Se ele se tornasse Hokage, talvez o respeitassem. Talvez não se afastassem mais de si, ou o olhassem com aqueles olhos, ou gritassem ou batessem nele.

O respeitariam. O admirariam.

Estava sentado sobre a cabeça do Yondaime, no monumento Hokage, seu lugar predileto. De lá podia ver toda Konoha, e ninguém o veria. Ninguém se incomodaria com ele, como sempre faziam.

O velho Sandaime o contara sobre o Yondaime. Ele salvara a vila da terrível besta de nove caudas, salvando muitas vidas, mas perdendo a sua no processo. Ele havia sido o maior herói de Konoha.

Naruto decidiu que queria ser como ele. Não, não como ele. Ele iria ser melhor; melhor do que qualquer Hokage que a vila havia tido, então ninguém nunca mais ousaria lhe tratar mal, e todos o reconheceriam como Uzumaki Naruto...

— O maior herói de Konoha! — disse, sorrindo sozinho.

Eclipsed

Sete anos. Ele corria, corria e corria, mas ainda podia ouvir os passos o perseguindo. Droga, porque estavam fazendo aquilo? Ele só tropeçara e derrubara um garoto, mas pedira desculpas, como o Sandaime o ensinara a fazer! Então por quê? Por que corriam atrás dele?

Suas pernas eram mais curtas e mais lentas, e o garoto que derrubara e seus dois amigos o alcançaram. O garoto o puxou e foi a vez de Naruto ser derrubado.

— Olha só, é aquele menino que todo mundo diz pra ficar longe! — um deles apontou. — Acho melhor a gente deixar ele em paz, Haru.

— Qual é Aiko, tá com medo? — Haru, o que parecia ser o líder, riu dele e tornou a encarar o loiro, que tentava se levantar do chão. — Ei, onde pensa que vai? — pôs um pé nas costas de Naruto, o forçando a voltar ao solo. — Não vai sair daqui até aprender a não mexer com os mais velhos.

Haru não deveria ter mais de doze anos, portanto não era assim tão mais velho que o loiro.

— Me deixa em paz... — o menino pediu, tentando levantar, mas o garoto era muito mais forte.

— Tá com medo, é? Vai chorar? O menininho vai gritar pela mamãe? — Haru debochou, fazendo os outros dois rirem.

Mas Naruto não tinha mãe, e nem ninguém para gritar por ajuda, por isso pegou uma pedra enterrada na terra e a jogou na cara do menino. A pedra atingiu sua testa, fazendo Haru gritar e afastar-se.

— Meu rosto! — disse, levando uma mão a testa. A pedra havia aberto um corte lá, que agora sangrava e escorria por seu olho direito e sua bochecha. — Pega ele! — berrou para os outros dois, ao ver que Naruto começara a correr.

Aiko e o outro o alcançaram e o derrubaram no chão.

— Você vai ver pirralho! — Haru disse subindo em cima dele e começando a socá-lo com toda a força que tinha.

Não era a primeira vez que alguém o espancava, pra falar a verdade. Naruto só tinha uma única pergunta: por quê? Por que era sempre ele que tinha que passar por aquilo? Por que era sempre ele o rejeitado, maltratado e excluído? Por que tinha de ser tão fraco?

Se fosse forte... se fosse forte aqueles garotos não bateriam nele. Haru tinha pegado uma pedra, e agora batia em Naruto com ela também. Doía, doía muito. Se ele fosse forte, não doeria. Se ele fosse forte, não teria que passar por aquilo.

Estava tão cansado de ser fraco... de passar por aquilo quase todos os dias... Todas as outras crianças eram felizes. Todas as outras crianças tinham pais que cuidavam delas e as amavam. Por que Naruto era a única exceção?

— Haru, eu acho que já chega... — ouviu uma voz receosa, bem distante de si, já que começava a perder a consciência.

— Não, esse moleque merece apanhar mais pra aprender a me respeitar!

Você pode se livrar deles... A voz agora era bem mais nítida, e parecia bem próxima de si. Você pode acabar com isso... Nós podemos acabar com isso...

Outro soco. Você os odeia, não odeia? Outra pedrada. Você quer que eles sofram a mesma dor que você está sofrendo. Ouviu uma risada distante, a risada de Haru. Por que é você que está no chão e não eles? O que eles têm de especiais? Por que só você tem que sofrer?

— Já vai desistir, garotinho? — ouviu o sussurro distante de Haru.

— É um fracote. — um de seus amigos, o que não era Aiko, respondeu.

Você os odeia? A voz repetiu. Você os odeia? Você os odeia?

Odiava. Os odiava e odiava toda a vila com todas as suas forças. O Sandaime lhe dizia para ter paciência e ser gentil, mas não era justo. Não era ele que sofria aqueles abusos todos os dias. Não era ele a ser maltratado e xingado e provocado de todas as maneiras.

Quer acabar com isso, não quer?

Queria. Queria desesperadamente.

Libere-a, a voz sombria, ao mesmo tempo em que parecida com a sua própria, sussurrou, como se estivesse sorrindo. Libere a raposa.

A explosão de chakra que se seguiu mandou Haru e os amigos para longe. Quando Naruto abriu os olhos, eles estavam vermelho-sangue e havia riscos no lugar da pupila, como os olhos de um felino.

Uma voz diferente, muito mais profunda e tenebrosa, soou dentro de si. A voz da raposa. É isso mesmo que quer... moleque?

Sim. Sim, era aquilo que queria.

A voz tenebrosa riu maliciosamente. Não vá se arrepender depois.

Seus ferimentos foram se curando, e chakra vermelho cercava seu corpo, mas Naruto não notou nada daquilo. Seus olhos estavam focados em Haru, caído no chão.

— O q... o que é você? — o menino sussurrou, tremendo.

Naruto avançou contra ele, de forma quase inconsciente. A primeira voz tornou a falar. Quer vê-lo sofrer também, não quer? Queria. Queria que ele provasse de toda a dor sufocada dentro de si. Gostaria de ver se Haru choraria e suplicaria por sua mãe. Então faça. Mate-o.

Suas unhas haviam crescido e virado garras, e Naruto avançou contra o garoto, subindo em cima dele. Um dos amigos dele tinha fugido, mas o outro permanecia ali, alguns metros longe, assistindo a tudo muito assustado para se mexer.

Levantou a mão direita, enquanto que com a esquerda, segurava a gola da camisa de Haru, impedindo que ele fugisse. Faça-o sofrer a mesma dor. Haru chorava e implorava por perdão. Tarde demais. Faça. A mão de Naruto desceu até a garganta do garoto.

O sangue respingou no rosto e na roupa do Uzumaki, manchando suas mãos, e o amigo de Haru gritou.

— O QUE VOCÊ FEZ? MONSTRO! MONSTRO! — ele berrava, e quando o Uzumaki o encarou, o garoto pôs-se a correr, chorando e gritando.

Naruto piscou e afastou-se do corpo, seus olhos lentamente voltando à tonalidade normal. Olhou para o corpo inerte a sua frente, e logo após para suas próprias mãos, tingidas com o sangue dele. Monstro, o grito ecoou.

Naruto arregalou os olhos, afastando-se apressado do garoto. Tropeçou nos pés e caiu, tremendo. Haru não se mexia.

Você o matou, a voz lhe disse, logo após dando uma risada. A sensação do sangue sujando suas mãos é boa, não é, Naruto?

Por um momento, o loiro pensou que sim. O poder que sentia dentro de si era bom. Não doía mais.

Mas então, enterrou as mãos nos cabelos, balançando a cabeça de um lado para outro. Matar era errado. Errado, errado, errado.

Mas você gostou de matar.

— CALA A BOCA! — berrou, mas a voz apenas riu.

Não sou um monstro, pensou ele. Estão todos errados. Não sou um monstro. O Sandaime sempre lhe dizia para ser bom. Não podia sentir ódio, rancor ou qualquer sentimento ruim. Tinha que ser um bom menino. Não sou um monstro, não sou um monstro, não sou um monstro.

Não adianta lutar contra. Eu sou o verdadeiro você, e nunca vai conseguir se livrar de mim. Todo mundo sente ódio. Não há nada de errado nisso.

Não! Aquela voz estava mentindo! Não queria ser chamado de monstro de novo. Tinha que provar para todos que eles estavam errados. Tinha que ser um bom menino, um bom menino, um bom menino...

A voz dentro de si se calou, porque Naruto a trancara no mesmo lugar onde passaria a trancar todo o ódio, a dor e a solidão que sentia dentro de si, porque aqueles eram sentimentos de um mau garoto. Eu não sou mau.

Mas ele deveria saber que ninguém pode sufocar tanta coisa dentro de si. Você vai explodir Naruto, a voz murmurou pela última vez, e quando isso acontecer, eu voltarei... e voltarei dez vezes pior...

— NARUTO!

Ofegante, ele abriu os olhos. Sasuke o encarava com o sharingan ativado, e o loiro só entendeu o motivo ao ver que havia liberado quatro caudas da Kyuubi.

Idiota, a raposa rosnou. Pare de se deixar levar! Isso foi muito tempo atrás. Não perca o controle, moleque!

As quatro caudas desapareceram do mesmo jeito que haviam aparecido: de repente. Mas o chackra de Kurama ainda rodeava seu corpo.

Naruto afastou-se de um salto, enquanto Sasuke desativava seu doujutsu.

Perturbado, percebeu que não lembrava aquele momento de sua infância até agora.

É claro que não lembrava, Kurama disse. O Sandaime mandou a Divisão de Inteligência apagar suas memórias, mas elas sempre estiveram aí, dentro de você, esperando para serem recordadas.

Sim. Lembrava-se de tudo agora. Hiruzen havia o encontrado pouco depois, apenas ele e o corpo de Haru na floresta, e Naruto balançava-se de um lado para o outro, sussurrando coisas consigo mesmo. O terceiro hokage não deixara a notícia vazar, e deu uma desculpa aos pais do menino. Mandou apagarem a memória de Naruto, dizendo que o garoto não era culpado de nada, e sim a raposa dentro de si, que ele ainda não sabia controlar.

Mas não fora culpa de Kurama. Não fora ela que o induzira àquilo, ela só emprestara o seu poder para que ele completasse.

Então foi isso, ele pensou cansado, enquanto ouvia o suspiro de Kurama, a única espectadora. Tentei tanto ser bom que acabei me tornando... isso.

Sentia vontade de rir. Pelos deuses, a ironia chegava a ser quase engraçada. Como se a vida gostasse de rir na sua cara, repetidamente.

Olhou para Sasuke. Antes que o Uchiha fizesse qualquer pergunta, ambos sentiram. Olharam para as árvores atrás deles.

Tinha alguém se aproximando.

[...]

What Lies Beneath

Já fazia quase cinco dias em que ela tentava encontrá-los. O rastro se perdera há três dias, e agora ela simplesmente se baseava no instinto. Suspirou. Dissera para os outros que deveria estar de volta a Konoha dentro de cinco dias, mas seu tempo estava se esgotando.

Suspirou novamente. Já corria há muito tempo sem uma parada para descanso. Ativou o byakugan, procurando alguma clareira onde pudesse descansar por alguns minutos, mas algo acabou fazendo com que Hinata parasse de correr: um chakra. Um chakra enorme e poderoso, que lançou uma explosão de vento que fez todas as árvores ao seu redor balançarem.

Ela conhecia aquela mistura de chakra. Como poderia esquecer? Seu coração bateu mais forte, e ela tornou a correr, agora muito mais apressada. O byakugan focalizou a ele e Sasuke, em pé sobre um lago, parecendo lutar, mas Naruto afastou-se de repente.

Ela estava chegando ainda mais perto. Tão perto, que não precisava mais do doujutsu para vê-los com clareza. Tão perto... Em um segundo estava correndo pelos galhos e, no outro, Naruto estava a sua frente. Ela conseguiu parar antes que se trombasse com o loiro, mas, de qualquer forma, eles estavam muito próximos.

Tão próximos que podia sentir a respiração dele em seu rosto, e o calor que seu corpo emanava, mas era um calor anormal. Então notou. O chackra da raposa ainda circulava ao seu redor, vermelho, não dourado e brilhante como ela havia visto na guerra. Depois de uns segundos, no entanto, o chackra desapareceu.

Sasuke estava ao lado dele, muito embora fosse claro que preferisse não estar.

Mas Hinata não se ligou em nada daquilo, porém. Sequer conseguia raciocinar direito, porque lá estava ele, a sua frente, em carne e osso, quente e respirando...

— Vivo. — murmurou, como se ainda não pudesse acreditar em seus próprios olhos. Talvez tivesse desmaiado em algum lugar daquela floresta e agora estivesse apenas sonhando. — Você... você está vivo. Pensávamos que estava... Masao mostrou seu corpo frio a todos...

Vivo? Ele ecoou em seus pensamentos, encarando-a. Então por que me sinto tão morto?

— Bem, agora que já confirmou o estado em que eu me encontro, já pode voltar para a sua vila. — o modo que ele falava era distante. Frio.

Não faça isso, ela pensou, o encarando, entendendo.

— É a sua vila também. — replicou quase no mesmo instante, ansiosa.

— É? — ele retorquiu, com um quase sorriso. — Porque da última vez que eu vi, eles tinham me expulsado de lá. Se bem que foi até merecido, não foi? Eu destruí a vila, afinal.

— Não foi você! — ela apressou-se em dizer. Sentia-se como se tivesse quinze anos novamente, mas não era uma sensação boa. — F-foi a raposa!

— Mas quem deveria estar controlando a raposa, Hinata? — dessa vez ele realmente sorriu, mas era algo mordaz, e não havia resquício de humor por trás. — Não perca seu tempo. Volte pra sua vila queimada.

E ele lhe deu as costas, conseguindo afastar-se um ou dois passos antes que a voz dela o parasse.

— O que houve com você? — quase gritou, olhando-o alarmada. — São seus amigos!

— Eles me viraram as costas! — rosnou, virando-se para ela. Sasuke olhou de um para o outro e, como se decidisse que aquilo não terminaria tão cedo, simplesmente sumiu dali. — Quando estava tudo desmoronando, nenhum deles estava lá! Sabe quem estava? Kiba, me chamando de monstro, e Shino, me atacando, e Sakura... — ele se interrompeu, com o maxilar travado. — Você também não estava lá, Hinata!

— Estava! — dessa vez ela gritou, e pôde ver a surpresa passar em seus olhos. — Sim, eu estava lá, gritando por você, gritando para que não fosse embora... mas você foi mesmo assim. Não me viu ou ouviu, simplesmente foi embora. — soluçou, balançando a cabeça de um lado para o outro. — Não sabe o que todos passaram depois que você foi embora!

— Oh, vocês perderam seu precioso herói? — ele rosnou, cheio de rancor. — Sinto muito não ter estado lá para protegê-los de Masao. Por que para salvá-los eu sirvo, não é? Para arriscar a porra da minha vida para um “bem maior”, EU SIRVO!

— Não! — ela balançou a cabeça novamente, a voz quebrando. Desolada. — Não, não precisamos de um herói, você não entende? Você os dava... nos dava esperança! Precisamos do nosso amigo de volta, não de alguém que nos salve! Como não consegue ver isso?

Naruto riu pelo nariz.

— Quem te enviou? Shikamaru, talvez? É ele o novo Hokage? Não importa. Não importa o que qualquer um de vocês pense, eu não vou voltar a ser o pobre Naruto de antes, que se ajoelhava e fazia toda maldita coisa que o pedissem sem reclamar. Não vou ser o cachorrinho de Konoha. Não de novo.

— Meu Deus. — ela murmurou, a constatação lhe atingindo como uma faca. Recuou um passo. — Meu Deus, você realmente não se importa. Konoha queimou, e todos podem morrer, e você não se importa.

Sentiu-se tonta demais de repente. Estava em pé há muito tempo, sem nenhum descanso, sem nenhuma comida no estômago, e, maldição, a dor... ela cambaleou para trás, ofegante. Por reflexo, talvez instinto, Naruto aproximou-se, como se fosse ajudá-la.

Por puro reflexo, também, ela estapeou sua mão para longe, mas o olhar que lhe lançou... Foi a vez dele de recuar. Ela lhe dava aquele olhar de desprezo que sempre lhe dirigiam quando era criança, muito embora houvesse, mais do que tudo, decepção nas pérolas da Hyuuga.

Seu próprio olhar endureceu. Já fazia muito tempo que Naruto não recebia aquele olhar.

— Não me olhe assim! — disse transtornado. Não você. Não ela, a garota que o dissera amar tantas vezes antes. Mas ao mesmo tempo, que outro olhar ela poderia lhe dar? Ele estava lhe dando as costas, também. Percebeu que não deveria se importar com isso.

— Você mudou tanto... — sussurrou fracamente, mas ele conseguiu ouvir. Ela encostou-se ao tronco de uma árvore. Sentiu as lágrimas invadindo seus olhos, mas não permitiu-se chorar.

— Mudei. — concordou. — Parei de ser tão idiota.

— Não. Você só se tornou mais um. Mais um sem esperança, coração ou alma. — balançou a cabeça negativamente, olhando-o desolada. — Você não foi o único a sofrer, Naruto-kun.

Seu nome sussurrado nos lábios dela o fez voltar a época onde tinham quinze anos.

— Não, não fui. Mas por que eu deveria me importar com a dor dos outros? — deu às costas a ela. — Ninguém se importou com a minha.

O corpo de Hinata deslizou pelo tronco e ela cairia de lá de cima se Sasuke não a houvesse pegado. Naruto não virou-se para olhá-los.

— Pensei que tivesse saído.

— E saí — ele respondeu, no mesmo tom impassível. —, mas já voltei. Quer mesmo deixá-la aqui?

— O que, está realmente considerando a ideia de levá-la conosco? — o Uchiha não podia ver, mas sabia que Naruto sorria, claramente desprezando a ideia.

— Ela pode ser útil. — deu de ombros. — Dar informações relevantes sobre Masao. E além do mais, também pode te ajudar.

— Quê? — ele virou um pouco o rosto para encarar o moreno. — Como assim me ajudar?

O meio sorriso de Sasuke não agradou Naruto.

— Ela te desperta algum ódio, Uzumaki?

— Eu... — franziu o cenho. Qualquer coisa parecia despertar seu ódio, mas, pensando bem, Hinata não havia feito aquilo. Ele não sentira vontade de estrangulá-la até a morte, pelo menos. — Não.

— E por que será?

Deuses, como odiava aquele tom arrogante de Sasuke. Gostaria de estrangular ele.

— Não sei. Por quê?

O idiota deu de ombros.

— Vai ter que descobrir sozinho, senão não teria graça. — colocou a Hyuuga nas costas e pulou para longe dali. Bufando, Naruto pôs-se a segui-lo, desejando que a garota não acordasse tão cedo e ele tivesse que ouvir suas estúpidas palavras e ver seu maldito olhar de decepção. Como se ele devesse algo a ela ou a qualquer outro!

Então, subitamente, o motivo para que ela não despertasse seu ódio como Sasuke fazia, por exemplo, lhe veio a mente.

Era porque Hinata havia sido a única a nunca tê-lo, de forma alguma, decepcionado.

Notas finais
Ai, eu nem sei o que dizer. heuhauhea Então, me sinto meio má, porque a parte NaruHina tão esperada foi muito pequena. But well, não se preocupem, porque isso foi só o começo. Hinata meio que agora está viajando com eles, não é? Na-da de bom vai sair disso... N-a-d-a! Só prevejo mais brigas e decepção... ai, esses dois me matam. Não tenho muito o que comentar. Isso fica por conta de vocês. oaisoais Até o próximo (que talvez demore, desculpem). :3