I'm Not a Hero
10 There is no peace here... War is never cheap, dear.
Notas iniciais
“A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero.”
— Victor Hugo.
Havia se passado quase dois dias desde o nada bem vindo encontro. Já era quase manhã quando eles pararam de correr. E Hinata ainda não tinha acordado. Com certeza exausta demais para fazê-lo.
Estavam agora além da fronteira do país dos Rios com outro país menor, em uma vila qualquer do tal país. Naruto gostaria de poder continuar a correr o resto da madrugada, mas mesmo que dormir fosse a pior parte do dia para si, continuava a ser uma necessidade. Ainda não tinha se tornado um Gaara da vida.
Pensar em Gaara subitamente lhe fez pensar em sua antiga vida, e pensando nisso olhou para a Hyuuga, que Sasuke depositava agora na grama, sem muita delicadeza. Já tinha a trazido nas costas todo aquele percurso, o que já era bem impressionante por parte dele. Ela suspirou, se remexeu e então abriu os olhos. Fitou primeiro o Uchiha, que estava a sua frente.
— Finalmente. — ele disse, logo depois olhando para Naruto e tornando a olhar a Hyuuga.
Piscando, Hinata ainda o encarou por alguns segundos, antes de também olhar para o lado e ver Naruto, e aparentemente lembrar-se de tudo. Ela sentou-se em um pulo.
— O que estou fazendo aqui? O q... — já tinha levantado da grama a esse ponto, olhando atordoada de um para o outro. Talvez pensasse que Naruto tivesse mudado de ideia e agora eles estavam indo em direção a Konoha.
Oh, Naruto odiaria estragar as esperanças dela...
Sorriu-lhe cinicamente.
— Sasuke — e frisou bem o nome. — achou que você seria útil. Contra Masao.
A expressão atordoada se transformou lentamente em desapontamento (novamente aquele olhar) e, logo depois, em raiva.
— Bem, Uchiha-san — disse dirigindo-se apenas a ele, em uma educada frieza. —, você pensou errado.
E, sem mais nem menos, ela preparou-se para sair dali. Sasuke a agarrou pelo braço, e só aí foi que Naruto notou que ela tremia. O Uchiha notou também, já que a largou.
— Não... — ela respirou fundo, em uma voz baixa, mais baixa do que já era de seu feitio. — Não ficarei no mesmo lugar que ele. Não pode me obrigar.
O Uzumaki apertou os punhos que estavam dentro dos bolsos da calça, o tom de desprezo dela o enojando mais do que qualquer coisa. Era o mesmo tom com que havia crescido toda sua vida. Você com certeza orgulha Konoha, Hinata.
— Só deixe-a ir. — resmungou para o amigo. Sasuke o ignorou.
— Você quer matar Masao, não quer? — ela ficou em silêncio. — Não vai matá-lo sozinha, Hyuuga.
— Sei disso. — o encarou com frieza. — Para isso eu tenho meus amigos, mas não acho que qualquer um dos dois saiba o que significa tal coisa.
Naruto soltou o ar pela boca, quase puxando os cabelos de irritação.
— Amigos. — debochou o loiro. — Amigos não te expulsam da sua própria vila e te tratam feito lixo.
— Ninguém quis — ela começou, mas Sasuke a interrompeu.
— Naruto, quer calar a boca? — e ignorou também o olhar indignado que ele lhe lançou. Virou-se para Hinata. — Nenhum de vocês é páreo para Masao. Konoha precisa de ajuda.
— E está dizendo que irá ajudar?
— Não. — ele rebateu de maneira simples. Hinata abriu a boca para dizer algo, embravecida, mas o Uchiha tornou a falar. — Não da maneira que você quer. Não ajudaremos a reconstruir a maldita vila ou qualquer coisa assim, mas também temos contas a acertar com Masao, e nosso último encontro não foi lá muito agradável. — deu um olhar de esguelha para Naruto, e tornou a encarar a garota. — O mais sábio seria juntarmos qualquer coisa que tivermos contra ele.
Hinata se afastou um pouco, o fitando. Suspirou por um momento e deu uma breve olhada para o Uzumaki, de braços cruzados e calado, apenas observando a conversa. Desviou rapidamente o olhar. Seu coração disparava de agonia e, mesmo sendo ridículo, também disparava por ele. Simplesmente por ele. Mesmo com toda a desilusão e raiva e desprezo. Ainda disparava por causa dele.
Você nunca vai aprender, vai? Perguntou a si mesma. Neji estava certo, afinal. Aquele maldito sentimento só continuava a destruí-la. “Como sempre fez.”
Lembrou-se de um tempo distante, e ouviu-se dizer a sua pequena irmã que amar era a coisa mais maravilhosa existente. Ela estava errada.
— E o que pretende? — murmurou em resposta a Sasuke. Quantos dias fazia desde que deixara Konoha? Cinco? Já devia estar lá. Egoísta, acusou a si mesma, eles precisam de ajuda e você veio atrás de um Naruto de anos atrás por causa desse amor egoísta. Era tão patética.
Sasuke suspirou, enfezado. Parecia impaciente. Talvez porque já tivesse falado mais do que sua política antissocial permitisse.
— Como eu disse, não vamos ajudar a vila. Mas podemos ajudar você e os seus amiguinhos, se eles servirem para algo. Nos juntamos contra Masao, derrotamos o bastardo, e acabou. Cada um segue seu caminho.
— E como espera que eles consigam lutar junto dele, sabendo que ele não liga para nenhum de nós? — ela perguntou angustiada, pensando em Sakura. Oh, Deus, Sakura. Como ela reagiria? Como Konohamaru, que tanto admirara e aspirara ser como Naruto, reagiria?
— Eles descobririam algum dia. — Naruto deu de ombros, indiferente. — Vamos logo acabar com isso. Vocês não podem derrotá-lo sozinhos. Nós... — revirou os olhos, e continuou, com desagrado. — nós também não. Mas ainda somos mais fortes que todos os seus ninjas juntos. Aceita ou não, Hinata?
Ela mordeu o lábio. Viera ali para conversar e pedir ajuda, afinal, não viera? Ela e os amigos definitivamente não eram páreos para Masao, sabia, assim como eles também sabiam. Mas a decisão não cabia só a ela... E quando Naruto surgisse... Quanto desapontamento causaria? Eles haviam sido seus amigos, eles haviam confiado nele, eles choraram sobre seu corpo quando acharam que ele tinha morrido. Quanta dor ele traria ao rejeitá-los, ao mostrar o tanto que tinha mudado?
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, porém, uma kunai passou a milímetros de seu rosto, tão rápida que ela mal pôde ver. A kunai seguiu seu trajeto, acertando o braço de Naruto por alguns centímetros, causando um corte lá, e o estrago só não fora maior porque o loiro conseguira se desviar a tempo.
— Mas que infernos? — ele e Sasuke trocaram olhares, antes de ambos focarem a vista em algum ponto atrás de Hinata, entre as árvores. Em um segundo, eles estavam a sua frente, e no outro, estavam em cima de uma árvore, a katana de Sasuke apontada para o pescoço do inimigo, enquanto Naruto prendia seus braços atrás das costas.
Hinata, que antes estava paralisada pelo susto, virou-se rapidamente para os três. Quem havia jogado a kunai parecia apenas alguns anos mais velho que os jovens; seus cabelos batiam no ombro e eram da cor do fogo, e ele tinha uma cicatriz em cada bochecha.
— Fale antes que eu perfure sua garganta. — Sasuke ordenou.
Eles ouviram palmas do outro lado da floresta. Hinata foi a primeira a virar-se. Alguns metros longe, o mesmo cara os observava com um sorriso no rosto. O cara que Naruto e Sasuke seguravam acabou derretendo e desapareceu. Um bushin.
Os dois desceram até onde Hinata estava, ficando um pouco a frente dela, e os três ficaram em posição de ataque, mas o ruivo riu e abanou a mão, e a Hyuuga notou que ele usava um estranho anel. Olhou de esguelha para o lado e constatou que Sasuke também havia notado. Naruto estava ocupado demais olhando com raiva para o inimigo.
— Agora, calma, calma. Eu não vim aqui para lutar. — disse ele.
— Ah, não? — o loiro debochou, mostrando o braço, cujo corte já tinha sarado graças ao chackra de Kurama, mas a marca continuava ali. — E o que foi isso?
— Foi só uma forma de chamar atenção. — respondeu de forma tranquila. — Eu estava procurando vocês há um bom tempo e, oh, olhe minha sorte! A garota Hyuuga também está aqui! Masao deve ter me dito uma ou duas coisas sobre seu clã. — piscou para Hinata, que imediatamente ficou tensa.
— Masao? — ela repetiu. — Conhece Masao?
— Bem, é claro, depois de anos na mesma organização, se eu não o conhecesse seria algo muito estranho, não é mesmo? — riu como se tivesse contado uma boa piada, mas nenhum dos três a sua frente retribuiu o sorriso. O ar subitamente parecia pesado demais.
— Organização? — foi Sasuke quem perguntou, analisando cada mínimo movimento do ruivo. — Que organização?
— Ah, sim... não somos muito conhecidos. Preferimos ficar nas sombras, sabe, afinal, um ninja deve ser discreto. Masao, no entanto... — suspirou, balançando a cabeça. — Aquele idiota sempre quis reconhecimento, poder. Sempre quis ter mais do que poderia. Se bem que, depois de ver o estrago que ele fez a Konoha, acho que ele talvez tenha chances. — sorriu. Hinata apertou os punhos.
— O que sua organização faz? Qual o nome dela? O que você quer?
— Calma garotinha... — disse estranhamente calmo. — Tudo em seu tempo... Não fique irritada com o que eu disse sobre sua vila. A organização não aceitou muito bem o fato de Masao ter tomado Konoha anos atrás, se expondo tanto... mas há algumas semanas, depois do show que ele fez, até mesmo subiu de rank.
— Rank? — Naruto estreitou os olhos.
— Sim, sim. — abanou a mão novamente, e dessa vez o anel capturou a atenção do loiro. — Vê isso? Todos nós temos um. — em seu anel havia o número sete, todos puderam ver claramente. Hinata lembrava-se de ter visto Masao usando um anel idêntico. — É como uma hierarquia. Masao era o número sete, mas depois de tudo, ele meio que subiu de cargo.
— E que posição ele ocupa agora? — Naruto tornou a falar, imaginando que aquele bastardo devesse estar em primeiro lugar.
— Oh — o ruivo sorriu. —, ele é o número quatro.
•••
— Cadê o saquê? — um dos bêbados gritou quando ela passou, e deu uma palmada em seu traseiro. A garota respirou fundo, rangendo os dentes. Todo dia a mesma coisa. Todo dia aqueles nojentos iam para o maldito prostíbulo no qual ela trabalhava apenas como garçonete, gritavam obscenidades, faziam obscenidades, e a metiam no meio. Todo. Maldito. Dia.
— Continue trabalhando, menina. — a dona do estabelecimento, Madame Hook, murmurara quando passara por ela.
A garota tinha vontade de simplesmente largar aquele estúpido emprego, sair daquela estúpida vila, e... e o quê? Não sabia seu próprio nome. Madame Hook a acolhera em seu bordel barato após encontrá-la desacordada, flutuando em um rio. Era um milagre que ainda estivesse viva.
Não lembrava nada de sua vida anterior. Nada, absolutamente nada. Às vezes, e apenas às vezes, conseguia ouvir alguém chamando seu nome, em seus sonhos. Era uma voz doce, que acalorava o coração da garota. Nunca conseguira entender o nome que a voz chamava, mesmo que se esforçasse.
Madame Hook lhe dera um nome quando dissera não saber o seu; era agora Nana, apenas Nana, garçonete de um prostíbulo qualquer. Sem sobrenome, idade ou história. Só Nana, com uma cicatriz nas costas que parecia ter sido feita por algo muito afiado. Uma lâmina, talvez. Nunca saberia.
— Mais saquê! — os clientes gritavam, por meio dos risinhos falsos das prostitutas e dos barulhos que vinham do andar de cima, lugar onde ficavam os quartos onde as garotas de Madame Hook trabalhavam.
Ela tossiu ao passar por uma mesa onde tinham acendido um cigarro. O lugar estava todo fechado, sem nenhuma ventilação, e aqueles idiotas ainda fumavam.
Quando saiu do lugar, fedia a álcool e fumaça e já era madrugada. Apertou o sobretudo no corpo, tremendo de frio. Morava em um minúsculo apartamento, dividido com mais cinco garotas que não davam a mínima para ela, a algumas ruas dali.
Suspirando, pôs-se a andar. As ruas não eram muito diferentes do lugar onde trabalhava; fediam a mijo e esgoto, e ratos perambulavam por ali. Após dobrar uma esquina, acabou se topando com alguns caras. Eram três, e eles sorriram quando a viram. Mas não era um sorriso bom.
Considerou recuar, voltar para o bordel, mas desistiu. Talvez só estivesse sendo muito desconfiada. Afastou-se deles e continuou a caminhar, mas então sentiu a aproximação. Não soube como fez o que fez logo em seguida, mas antes que um deles, ainda com o sorriso nojento na cara, a puxasse com brutalidade, seu punho o acertou bem na cara.
O homem recuou, gemendo, com a mão no nariz, chocado demais com a reação tão rápida dela. Mesmo Nana estava chocada. Nunca soubera ter reflexos tão rápidos, mas... tinha. Seus reflexos eram muito bons, e mesmo nunca tendo entrado em uma briga antes, seu soco também.
Quando os outros dois aproximaram-se, tentando cercá-la, a garota se esquivou. Sentia-se quase enferrujada, como se devesse ser mais rápida e mais forte do que estava sendo, como se tivesse treinado para aquilo alguma vez antes em sua vida.
Um dos homens tentou puxar seus cabelos, mas ela acertou seu estômago com o cotovelo antes, pegando a garrafa de cerveja que ele segurava em uma das mãos e acertando-a na cabeça do outro, que tentava agarrá-la. Ele desmaiou com o impacto, e o que tinha o nariz sangrando por causa de seu soco já tinha fugido dali. O terceiro, vendo que estava sozinho, acabou desistindo e correu.
Ofegante, ela piscou várias vezes antes de entender que realmente tinha lutado com caras muito maiores e mais fortes, e tinha vencido. E era uma sensação tão, tão nostálgica... Como se já houvesse feito aquilo antes. Como se já tivesse lutado e vencido mais vezes do que conseguiria contar. Aquela sensação de orgulho lhe parecia deveras conhecida.
Uma palavra ecoou em sua mente, com um estalo, e então ela sabia, sabia finalmente o que era. Não era Nana, a garota que trabalhava em um bordel. A voz em sua mente, a voz de seus raros sonhos, tornou-se subitamente muito clara, e a garota conseguiu finalmente entender o que ela bradava.
Lembrava agora qual era seu nome, e lembrava o que era, apesar de ainda não conseguir lembrar sua história e o porquê de estar ali... Bem, supunha que aquilo podia ficar para depois.
Ainda ofegante, olhou para as próprias mãos, delicadas e ao mesmo tempo ásperas. E sorriu. Porque não era nenhuma maldita garçonete. Era uma maldita ninja.
•••
A barraca parecia bem menor do que realmente era com tanta gente nela. O conselho e os ninjas de Suna estavam todos reunidos ali, a pedido de Shikamaru. O conselho, disposto ao redor da mesa; os sunas, em pé, ao redor deles.
Shikamaru parecia terrivelmente estressado. Infernos, ele estava terrivelmente estressado. Gostaria de poder parar por um momento e descansar... Pena que descanso era algo que aparentemente ele não teria tão cedo.
— Por que nos chamou aqui? — Tenten foi a primeira a se pronunciar, ansiosa. — É por causa da Hinata?
Shikamaru suspirou.
— Não.
— Como não? — Tenten aprumou-se em sua cadeira, visivelmente preocupada com a amiga. Neji, ao seu lado, não demonstrou qualquer expressão. — Já faz cinco dias desde que...
— Eu sei quanto tempo faz — a interrompeu. —, mas Hinata não é minha prioridade agora! Infernos, eu gostaria de poder me preocupar com ela, mas não posso sequer me dar ao luxo disso. — jogou o pergaminho que carregava na mesa, enfadado. Todos olharam para o papel, e logo depois de volta para ele.
— O que é isso? — Sakura perguntou receosa, já sabendo que não era nenhuma boa notícia apenas pelo olhar no rosto do Nara.
Shikamaru demorou um pouco para responder. Seus olhos estavam perdidos no pergaminho que recebera naquela infeliz manhã.
— É uma carta do Raikage. — ele esfregou os olhos; inquieto, frustrado.
— Do Raikage? — Konohamaru arregalou os olhos. — E o que diz? Eles vão mandar ajuda?
Shikamaru riu sem humor.
— Shikamaru, pelo amor de Kami, diz logo o que tem nesse pergaminho! — Ino pediu já agoniada.
— Um dia após Masao explodir Konoha — começou ele, olhando para todos ali. —, Kumogakure e Iwagakure foram atacadas. Dois dias depois, Amegakure também foi atacada.
Levou um tempo para todos compreenderem o que aquilo queria dizer.
— Foi Masao? — Tenten perguntou antes que os outros pudessem.
— Aí é que está. — Shika suspirou. — Eles simplesmente não sabem quem foi. Relatos de alguns ninjas de Iwa e Kumo dizem que viram dois encapuzados em cada vila, e Ame apenas um, mas não há como ter certeza, porque a maioria dos que lutaram foram... mortos. E os outros ainda estavam perturbados demais quando o Raikage me enviou o pergaminho. — ele balançou a cabeça. — Nenhuma das vilas foi destruída como a nossa, mas eles foram muito abalados.
— E Suna? — um dos ninjas da vila da Areia adiantou-se, apreensivo. — Suna também foi atacada?
— Não. Não que saibamos. — completou, soltando outro suspiro. — Mas, se tivesse, provavelmente já teríamos recebido alguma informação, portanto relaxem.
Os sunas assentiram, apesar de ainda estarem claramente nervosos.
— Se os relatos estiverem certos... — Neji murmurou, e depois levantou a voz, para que todos ouvissem. — Se Kumo e Iwa foram atacadas no mesmo dia, por dois ninjas diferentes em cada vila... Isso quer dizer que Masao tem, no mínimo, mais quatro aliados extremamente poderosos, por terem se arriscado ao ponto de atacarem vilas tão poderosas.
— Mais quatro filhos da puta... Tudo o que nós precisávamos! — Ino rosnou.
— O pior é que pode haver ainda mais, mas não temos como saber. — Sakura fechou os olhos, pensando. — O que mais o Raikage disse, Shikamaru?
O rapaz subiu os olhos escuros e tensos para os ninjas, a garganta subitamente seca. Podiam lidar com um só ninja poderoso... mas um time inteiro?
— Ele teme que estejamos enfrentando uma nova Akatsuki.
•••
Quarto. Masao era o quarto em uma maldita hierarquia dentro de uma maldita organização que ninguém sabia sequer o nome; Masao, que ninguém de Konoha, nem Sasuke, pôde derrotar. Masao, que havia incendiado Konoha e queimado vários shinobis de Suna sem ao menos suar. Em quarto lugar. O que significava... o que significava que ainda havia três malditos ninjas a frente deles. Três ninjas mais fortes que ele.
Hinata mal conseguia respirar, e os olhares que Naruto e Sasuke trocaram eram perturbados, nervosos e, mais do que tudo, preocupados.
— Oh, não fiquem assim. — o ruivo tornou a falar, notando a reação deles. — Somos muito fortes, realmente, mas se acalmem. Não vim lutar.
— Você é o sétimo. — Sasuke disse. — Até que número vai?
— Vocês não acham mesmo que eu vou sair dando informações sobre minha organização secreta assim, não é mesmo?
— Não é mais secreta desde o momento em que nos contou sobre ela! — Hinata rebateu.
O ruivo suspirou.
— Eu já disse — retomou, com paciência. — que não vim lutar, portanto, acalmem-se.
— Sim, claro. E o que veio fazer aqui, então? — Naruto estreitou os olhos. — Disse que nos procurava.
— De fato. — concordou. — Vim entregar um comunicado a vocês e seus aliados. Veja bem, Masao pode ser um tolo, mas ainda faz parte da organização. Somos uma grande família, cheia de amor. — seu sorriso era cínico.
— O que quer dizer?
— Eles estão do lado dele. — foi Hinata quem respondeu, com a voz carregada. — Do lado de Masao.
— Garota esperta. Sim, estamos do lado dele, o que significa que qualquer coisa que ameaçá-lo... — ele não completou, mas não precisava. Os três já tinham entendido.
— Qual é o comunicado? — Sasuke perguntou sem qualquer emoção em sua voz.
O homem sorriu.
— “Rendam-se” — disse. —, “antes que sejam retaliados.”
Demorou um segundo para que o ruivo tivesse sua resposta. Ambos os rapazes sorriram com o mesmo cinismo do ruivo a sua frente, e mesmo que Hinata fosse mais baixa que qualquer um ali, seu queixo estava levantado e seus olhos faiscavam com desprezo.
— Render-nos? — Sasuke repetiu, e seu tom não poderia ser mais arrogante.
— Se quiserem viver. — o inimigo suspirou. Naruto riu de sua cara, o que o fez estreitar os olhos. Sim, o jinchuuriki da Kyuubi. Haviam lhe informado sobre ele, e o homem conseguiu então compreender por que disseram que ele era complexo, quando olhou em seus olhos.
— Se é uma guerra que querem, uma guerra é o que terão. — o loiro disse lentamente, e seus olhos avermelhados pediam, suplicavam por sangue. Sorriu. — Pode vir com tudo o que tem, idiota.
— Irão se arrepender. — disse entre dentes. Seriam aqueles três assim tão idiotas? Balançou a cabeça, quase triste. — Logo entraremos em contato. Acho bom se prepararem. — ele deu alguns passos para trás e sorriu. — A hora está chegando, crianças. Vocês morrerão logo.
E desapareceu em uma nuvem de fumaça. As expressões que os três sustentavam se dissolveram quase imediatamente. Menos os olhos de Naruto. Mesmo que eles tivessem voltado a coloração normal, ainda havia um pedido de sangue implícito ali.
— Maldição! — Sasuke exclamou, guardando a espada na bainha, frustrado.
Naruto passou as mãos pelos cabelos. Agora tudo o que conseguia pensar era que tinham que ficar mais fortes. Muito, muito mais fortes. Travou o maxilar, irritado, e subitamente virou-se para Hinata, que parecia perdida em pensamentos, mas assustou-se com o movimento repentino dele.
— Vamos, Hinata. Você ainda não respondeu. — disse de maneira impaciente, encarando-a diretamente nos olhos. — Aceita ou não aceita a droga da ajuda?
— Não é ajuda quando ambos os lados são beneficiados. — ela murmurou quase inconscientemente.
— Certo. — ele revirou os olhos. — Aceita ou não a parceria?
Ela ficou em silêncio, encarando seus profundos olhos azuis, como se tentasse ver qualquer coisa ali além de indiferença. Impaciente, ele a puxou pelos braços, e ainda assim ela não recuou, mesmo com o olhar feroz que ele lhe lançou.
— Aceita ou não aceita? — repetiu. Ela não respondeu. — Mas que droga, Hyuuga! Aceita ou não? Aceita ou não?
Havia ali algo além de apatia, ela notou. Dor. Dor, apenas dor, mais forte do que qualquer outro sentimento que o Uzumaki tivesse. O que houve com você, Naruto-kun?
Deve ter transparecido alguma coisa em seu olhar, algo que o desagradou, porque o aperto dele em seus braços se tornou maior, chegando a machucá-la. Imaginava o que ele teria visto dentro de suas pérolas. Decepção? Indignação? Raiva?... Não. Talvez ele só tivesse visto a mesma coisa que ela via em seus olhos azuis. Dor.
Não eram tão diferentes assim, afinal de contas. E aquilo certamente o atingia.
— ACEITA OU NÃO?
— Aceito. — não passou de um sussurro, mas foi o suficiente para que tanto ele quanto Sasuke ouvissem. O próprio Uchiha se surpreendeu; do jeito que o idiota do Uzumaki estava a tratando, imaginava que ela sairia correndo dali (depois de gritar com ele), não que aceitasse a proposta. Olhou para ambos, pensando por um milésimo de segundo se a Hyuuga tinha aceitado aquilo pelos motivos certos (ajudar Konoha), mas por fim desviou o olhar, como se aquilo pudesse lhes dar alguma privacidade.
“Eu continuarei torcendo por você, de onde quer que eu esteja”, ela tinha lhe dito, muito tempo atrás. E, com os olhos fixos nos dele, Hinata decidiu que continuava a torcer. Mas dessa vez, dessa vez era diferente. Dessa vez ela não só torceria, ela estaria ao seu lado. Você não precisa ser solitário, Naruto-kun.
Ele a largou.
— Ótimo. — os dois continuaram a se encarar intensamente. Tanta coisa subentendida, escondida naqueles olhares, e nenhuma revelada. — Temos trabalho a fazer. Nos leve até Konoha.
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