I'm Not a Hero

13 The boys are back in town


Notas iniciais
Capítulo meio curtinho (na verdade é porque a leitura está bem fluída... pelo menos eu achei heuhahea), mas em compensação, todos vocês estavam ansiosos por ele e eu fui bem rápida. Já podem me amar (mas se quiser me mandar uns chocolates eu não vou reclamar)! s2 Boa leitura. (e leiam as notas finais~)

“Naruto, o que lhe resta nessa realidade? Você não possui pai ou mãe, seu mestre Jiraiya está morto, e enquanto continuar lutando continuará a perder seus amigos, um por um. Não sobrará ninguém para reconhecer sua existência nesse mundo... A luz no final desse túnel é aquilo que você temeu sua vida inteira: solidão!”

Obito.



O ar estava denso, quase sufocante e, além de tudo, silencioso. Os olhos estavam fixos nos dois refugiados, os dois nukenins; naquele que um dia abandonou Konoha e no outro que fora expulso dela.

O silêncio foi quebrado por um soluço. Sakura deu um passo trêmulo até eles; Shikamaru tentou segurá-la, mas não foi rápido o suficiente. Por um momento, o olhar dela se esbarrou com o de Sasuke, então ela desviou e, com os olhos úmidos, tentando se fixar apenas em Naruto, deu outro passo, então mais um e o abraçou. Naruto mal se mexeu, enquanto ela chorava em seu ombro.

— Você está vivo... está realmente vivo... — soluçava. — Eu senti tanto sua falta, Naruto... Por favor, por favor, me perdoe por tudo, me perdoe...

— Oh, está tudo bem, Sakura-chan. — ele sorria, mas não a abraçou de volta em nenhum momento. Sakura se afastou, com seus olhos verdes cheios com a esperança de ser absolvida. — Não há nada a perdoar.

Sasuke estreitou minimamente os olhos. Perguntava-se que infernos Naruto estava pensando. Nada de bom, com toda a certeza.

— De fato — e Naruto moveu os olhos para todos os presentes, com uma expressão muito séria. —, eu... eu pensei muito todos esses anos e... — ele pausou e baixou a cabeça, envergonhado.

Hinata olhava para tudo aquilo com o cenho franzido; confusa, abismada. Ela tinha visto aquele sorriso de momentos antes. Aquele sorriso não era bom, mas agora Naruto estava... estava como se fosse o velho Naruto, aquele de antes de tudo acontecer. E aquilo definitivamente não estava certo. Afinal... não tinha como ele ter se arrependido em tão pouco tempo. E que negócio era aquele de “eu pensei muito em todos esses anos”? O que estava acontecendo ali?

— Eu não sabia como me controlar na época. — Naruto admitiu, embaraçado. — Eu destruí Konoha e eu... eu sinto tanto por isso.

E ele fez algo que chocou a todos: abaixou-se lentamente e, por fim, ajoelhou-se, encostando a testa no chão, suplicando por um perdão que não deveria pedir.

— Me perdoem, por favor. — implorou. — Nunca foi minha intenção causar aquilo. Eu amava Konoha mais do que tudo. Tudo!

— Nós sabemos. — Sakura disse com a voz chorosa, pegando-o pelo braço e o levantando, odiando vê-lo fazendo aquilo. Deveriam ser eles a se ajoelharem, não Naruto. — Nós sabemos! Não há por que se desculpar, Naruto!

Konohamaru limpou as lágrimas que caíam de seus olhos, saiu de seu lugar, e também foi abraçar Naruto — aquele que um dia fora sua maior inspiração. Que ainda era.

— Ei... Você está crescido, Konohamaru. — o Uzumaki comentou com um brilhante sorriso, dando-lhe tapas nas costas.

— Eu... eu... — o garoto respirou fundo. — Que bom que você está vivo, nii-chan. — foi tudo o que conseguiu dizer, antes de se afastar para novamente limpar as lágrimas.

Ino riu excitadamente, enquanto Tenten sorria.

— Nós finalmente vamos vencer Masao, hein? — a Yamanaka brincou.

A voz de Shikamaru cortou toda a alegria:

— Naruto.

— Shikamaru. — deu um pequeno sorriso, saudando-o.

— Você... veio nos ajudar com Masao?

— Sim. — respondeu com seriedade. — Eu e Sasuke treinamos muito esses anos. Eu aprendi a me controlar e estou mais forte. Podemos ajudar, realmente podemos.

Os olhos do Nara moveram-se a sombra ao lado de Naruto.

— Uchiha Sasuke. — ele chamou. Todas as atenções voltaram-se ao moreno, que até aquele momento apenas observava a tudo. Sasuke levantou os olhos e esses se fixaram apenas no Nara, ignorando todos os outros. — Você realmente está disposto a ajudar Konoha?

Ele encarou Naruto de lado. Bem, que tudo fosse para o inferno, não dava mais para voltar atrás. O que quer que o companheiro estivesse planejando, Sasuke teria que descobrir depois.

— Sim.

— Está ciente de que é um nukenin?

— Assim como Naruto, mas ele foi recebido com muito carinho. — sorriu com ironia.

Shikamaru suspirou. Naruto parecia mesmo o velho Naruto, e o velho Naruto tinha sido seu amigo. E ele e Sasuke sempre foram melhores amigos, então se o Uzumaki e ele estavam juntos, provavelmente poderia confiar nele... Todas as perspectivas eram favoráveis à volta deles. E, por todos os deuses — se existisse algum —, eles precisavam muito de ajuda...

— Sejam bem vindos de volta.

Sakura, Konohamaru, Ino e Tenten comemoraram alto, e Naruto sorriu, sendo abraçado por todos mais uma vez. Hinata obsevou a tudo de longe, sua cabeça rodando com vários pensamentos, até que os olhos de Naruto encontraram os seus. E o sorriso que ele deu, sem que ninguém mais visse, fez um arrepio subir por sua espinha.

•••

Ela arrumava suas coisas no pequeno quarto da casinha que Neji e outros ninjas haviam construído — onde antes havia sido o nobre distrito Hyuuga —, quando bateram na porta. Neji, obviamente. Murmurou para que entrasse. Ele entrou, fechando a porta de correr atrás de si.

— Hinata-sama, podemos conversar?

— É claro, nii-san...

— O que Naruto e Sasuke realmente vieram fazer aqui?

Ela não parou de mexer nas coisas.

— O que quer dizer? Eles vieram ajudar.

— Hinata-sama, Naruto parecia... mudado. E desde quando Uchiha Sasuke tem interesse em Konoha?

— Eles vieram ajudar. — repetiu mais alto, quase como se estivesse tentando convencer a si mesma.

— Hinata-sama, olhe para mim.

Ela olhou para as roupas jogadas em sua cama, suspirou e então se virou para o primo. Ele a encarava com seriedade.

— O que eles lhe disseram quando os encontrou?

Os olhos dela moveram-se inquietos pelo quarto, até voltarem para Neji.

— Masao é tanto nosso inimigo quanto é deles. Uchiha-san me disse que os dois não eram páreos para ele e que, sendo assim, toda ajuda seria bem vinda. Então eu concordei em trazê-los até aqui.

— E Naruto? — perguntou confuso.

— Nós não... nós não conversamos direito.

— Hinata-sama, por que está mentindo para mim?

— Eu não sei o que ele está pensando! — explodiu, soltando as palavras que há muito rondavam sua mente. — Ele não é o mesmo Naruto-kun de antes, ele sequer... — ela balançou a cabeça. — Nós brigamos. Tudo o que fizemos foi brigar desde que o encontrei. Ele não se importa mais com Konoha, mas... mas quando chegou aqui, era outro Naruto-kun; o que se importava. Eu não sei o que ele está pensando. — repetiu numa voz mais baixa.

Neji não sabia o que responder, tampouco. Por isso, apenas ofereceu o braço a ela.

— Vamos. Shikamaru convocou todos novamente. Descobrimos algumas coisas enquanto você esteve fora.

Aquilo fizera Hinata se lembrar do ninja que havia aparecido para ela, Naruto e Sasuke.

— Sim. Também há algo que nós descobrimos.

Neji assentiu e ambos saíram do quarto, então da casa e rumaram em direção à tenda. Alguns habitantes os saudavam pelo caminho.

Chegaram lá quase ao mesmo tempo em que Sasuke e Naruto, que haviam ido colocar seus pertences em uma das casinhas já construídas, e que seria sua moradia temporária. Os quatro entraram na tenda, saudaram os que já estavam lá (alguns ninjas de Suna e outros ninjas de Konoha, além do conselho, estavam presentes) e sentaram-se à mesa.

— Quando estavam fora, eu finalmente recebi um pergaminho do Raikage, me informando a situação dos outros países. — Shikamaru começou. — Um dia depois de Masao ter queimado Konoha, Kumogakure e Iwagakure foram atacadas. Dois dias depois, Amegakure também foi atacada. — Naruto e Sasuke trocaram um olhar breve. — Nenhuma das vilas foi tão destruída quanto a nossa, mas eles sofreram muitas baixas. E ninguém sabe quem foi. Alguns ninjas relataram ter visto dois encapuzados em Kumo e Iwa, e em Ame apenas um, mas não conseguiram ver seus rostos.

— Provavelmente... Provavelmente eles fazem parte da organização de Masao. — Hinata falou, antes de uma explosão de burburinhos acontecer. Shikamaru aquietou todos e virou-se para ela.

— Organização? Masao faz parte de uma o... Como sabe disso?

— Fomos abordados. — foi Sasuke quem respondeu. — Ele não disse seu nome nem o da organização, falou que ela era muito secreta e enfim. Disse que não tinha vindo lutar.

— É, mas jogou uma kunai que por pouco não me mata. — Naruto resmungou. O Uchiha prosseguiu, ignorando a dramaticidade do loiro.

— Só mandou um aviso: “Rendam-se antes que sejam retaliados”.

Shikamaru suspirou alto.

— Não é o pior de tudo. — Hinata retomou, torcendo as mãos no colo, ansiosa. As atenções voltaram-se a ela. — Há uma... uma classificação dentro da organização. Do mais fraco até o mais forte, cada um deles têm um número. Não sabemos quantos deles há, mas o que nos abordou era o número sete... o antigo número de Masao. Ele usava um anel com o número.

— Sim, eu lembro. — Ino murmurou pensativa. — Mas pensei que aquilo fosse apenas um acessório.

— Não tinha como saber que não era. — Tenten disse franzindo o cenho. — Mas se o ninja que abordou vocês era o número sete, o antigo número de Masao...

— Qual o número dele agora? — perguntou um apreensivo Neji.

— Mas é óbvio que ele deve estar em prim... — Konohamaru ia dizendo, mas Sasuke o interrompeu, sem paciência para aquilo.

— Quarto. — a expressão de todos devia ser a mesma que ele, Naruto e a Hyuuga tiveram quando ouviram aquilo pela primeira vez. — O que significa que há três ninjas mais fortes que ele por aí, e todos estão ao lado do Shimura.

— Eles querem guerra — Naruto murmurou com os olhos fixos na mesa de madeira, perdido em alguma lembrança. — e não descansarão até vencer. Temos que estar preparados.

Shikamaru levantou-se.

— Mandarei pergaminhos para os líderes de cada país. Precisamos nos unir novamente, só assim teremos uma chance.

— Bem, nada pode ser pior que Uchiha Madara... — tentou Sakura, então olhou para todos e hesitou. — Não é?

•••

Já era tarde da noite quando todos finalmente saíram da barraca. Passaram o dia todo discutindo as informações que tinham, bolando planos e estratégias, debatendo teorias, organizando-se da melhor maneira possível. Quanto mais soubessem sobre os inimigos, mais chances tinham de derrotá-los. Infelizmente, as informações não podiam ser mais escassas. A organização da qual Masao fazia parte realmente prezava a discrição.

Todos se separaram e estavam se dirigindo a suas casas, mas Naruto parou Sasuke no meio do caminho.

— O que foi?

— Não vou dormir agora, preciso fazer algo antes.

O Uchiha lhe encarou com suspeita.

— Qual é Sasuke! Você sabe que eu não vou conseguir dormir direito de qualquer forma. Vou para a floresta espairecer um pouco.

O amigo suspirou.

— Faça o que quiser. — e foi embora.

Naruto esperou até que ele estivesse fora de vista, viu se ninguém estava por perto, então rumou à direção contrária à floresta. Seguiu o caminho por onde Sakura tinha ido. Por sorte, ela ainda não tinha ido muito longe e ele conseguiu alcançá-la.

— Sakura-chan! — chamou. A garota se virou e seu rosto se iluminou em um sorriso quando ele se pôs ao seu lado.

— Naruto! O que houve? Está tudo bem?

— Claro que sim. — ele riu pelo nariz. — Por que está tão preocupada?

— Eu não sei. — ela suspirou, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. — Acho que ainda não caiu a ficha de que você está mesmo aqui e que está vivo e que está bem...

— Calma! Calma. — ele colocou as mãos em seus ombros, sorrindo. Sakura relaxou ao ver o sorriso do amigo. Ele continuava tão sorridente quanto antes e aquilo aqueceu seu coração. Pelo menos um de nós não mudou. — Você precisa relaxar mais, Sakura-chan.

— Eu sei, eu sei, desculpe.

— Vamos — disse oferecendo o braço a ela. —, eu te acompanho até sua casa.

Sakura não entendeu o porquê de ele querer acompanhá-la, sua casa não ficava assim tão longe, e não tinha nenhum perigo. Não dentro da vila. Não ainda. Mas deu de ombros; talvez ele quisesse passar algum tempo junto dela. Fazia tanto tempo que não se viam!

— Tudo bem, obrigada. — sorriu e os dois começaram a caminhar.

— Ei, Sakura-chan.

— Hum? — ela o olhou.

— Eu cumpri minha promessa.

— Promessa? — ela repetiu confusa.

— Eu trouxe Sasuke de volta, como disse que faria.

À mera menção daquele nome, o coração de Sakura começou a bater mais rápido. Sim, ele tinha voltado. Não conseguia parar de pensar aquilo desde que o vira. Ele e Naruto tinham voltado, e ela não teria mais pesadelos onde os perdia de novo e de novo, porque eles estavam ali.

Quando a emoção da volta de Naruto passou, entretanto, ela só conseguia pensar nele. Em Sasuke. Por quanto tempo não desejara vê-lo novamente, voltando à vila, se redimindo de tudo o que havia feito? Tempo demais. Sentira tanta vontade de abraçá-lo também; de tocá-lo, de ter a certeza de que ele estava mesmo ali. Mas não fizera. Por que faria? Para ele rejeitá-la e humilhá-la como sempre havia sido? Além do mais, na última vez que haviam se visto, anos atrás, não fora um reencontro lá muito amigável.

— S-sim, você o trouxe... Você sempre cumpre suas promessas, Naruto. Obrigada. E... e falando nele... — ela pigarreou, corada. Estava tão curiosa. — Como ele está?

Naruto parou e virou o rosto para ela. Tinha um sorriso estranho em seu rosto.

— Sempre o Sasuke, não é Sakura-chan?

— O quê? — ela piscou. Naruto virou-se completamente, livrando-se da mão dela em seu braço.

— É sempre Sasuke quem está na sua mente. Você só se importa com ele, não importa o que ele faça, não importa quem ele traia ou mate ou o quanto ele te machuque. É sempre ele em quem você pensa primeiro.

— I-isso não é verdade, Naruto!

— Diga — ele se aproximou e ela recuou um passo, por puro reflexo. —, se eu e ele tivéssemos lutado até a morte anos atrás... Se fosse eu a morrer você ficaria aliviada, não ficaria?

— Mas é claro que não! — rebateu, perguntando-se o que estava acontecendo ali. — Pare de dizer besteiras!

Naruto sorriu de lado.

— Ah, não? Se tivesse sido Sasuke a destruir Konoha quatro anos atrás, você o trataria como me tratou? — havia rancor em sua voz e Sakura arregalou os olhos.

— Naruto... — tentou tocá-lo, mas ele segurou sua mão com força, olhando bem em seus olhos.

— O que foi mesmo que você disse? “Não tente fingir Naruto, você parecia saber muito bem o que estava fazendo!”, acho que foi algo assim. — ele riu sem humor. — Depois de tudo o que eu fiz pela vila, depois de tudo o que eu fiz por você, e foi assim que me tratou. Ninguém sequer me deu uma chance de explicar.

— Por favor, Naruto, você não entende... — ela sentia sua garganta fechada, mas obrigou-se a falar mesmo assim. — Eu e Kiba e os outros não podíamos fazer nada, Tsunade-sama estava morrendo, e os conselheiros não paravam de pressionar, você seria preso em alguma cela se continuasse aqui.

— Pare com o teatrinho! — ele rosnou, apertando ainda mais sua mão.

— Ah! O que está fazendo? V-você está me machucando!

— Que peninha. Sakura-chan é tão sensível, Sakura-chan é tão frágil. Sakura-chan é o centro do universo e não pode ser machucada. — ele riu sombriamente. Sakura fixou o olhar em seu rosto e não reconheceu o Naruto que viu.

— Eu pensei que você tinha nos perdoado. — sussurrou chorosa.

— Você realmente acreditou naquilo? Depois de toda essa maldita vila virar as costas para mim, você realmente acreditou que eu viria, me ajoelharia e pediria perdão a vocês? Konoha me dá nojo — rosnou. — e eu só vim para cá porque Masao me enoja mais. Mas quer saber, Sa-ku-ra-chan? — ele sorriu com estranha gentileza. Seus olhos estavam mais escuros do que ela se lembrava. — Vocês estavam certos. Eu sou um monstro.

Ele jogou-a longe. Sakura rolou pela grama e mal deu tempo de se levantar antes que Naruto a pegasse e segurasse pelo pescoço.

— P-pare Naruto! — pediu, em busca de ar, agarrando a mão dele com as suas, tentando fazê-lo diminuir o aperto. Tentou chutá-lo, mas seu corpo não a obedecia e infelizmente Naruto era forte demais para ela. — Pa... re! A-a Kyuubi está... tentando... contro... lar... v-você!

— Kurama? — ele zombou. — Oh, pobre, inocente Sakura-chan... Eu aprendi a controlar a raposa há muito tempo. — aproximou o rosto do dela, fazendo-a olhar bem em seus olhos. Não são os olhos dele. — Sou eu que quero você morta.

Sakura sentiu uma lágrima rolar por seu rosto. Quem era aquele Naruto? Ela não o conhecia. Não podia ser o mesmo Naruto que um dia fora seu melhor amigo; o Naruto que sempre sorria e nunca desistia de nada. O Naruto persistente, companheiro, o que nunca quebrava suas promessas. O Naruto que aguentara o ódio contra si por tanto tempo, que superara a solidão; que um dia salvara aquele mundo. Não podia ser ele.

Sentiu a inconsciência lentamente lhe puxar. Suas mãos, ao redor da mão de Naruto em seu pescoço, começaram a enfraquecer.

— Ah não, não agora. Assim você estraga a brincadeira, Sakura-chan. Vamos, acorde, não seja chata. — podia ouvir a voz divertida dele ao longe. Quem é você? Teve vontade de gritar, mas sua garganta estava fechada demais e já não havia mais ar e ela estava sufocando.

— Você... não... é... o N-Naruto... — conseguiu sussurrar com as últimas forças. Não pode ser você.

Subitamente tudo voltou ao normal. Sakura caiu ao chão, tossindo em busca de ar. Levou as mãos à garganta; seus olhos estavam úmidos e sua cabeça doía. Começou rapidamente a curar a garganta e então levantou o olhar e observou Naruto, parado a sua frente. Ele a olhava com surpresa, como se estivesse se perguntando como aquilo tinha acabado daquele jeito.

Ele tentou dar um passo até ela, mas não pôde, já que Sasuke o jogou para longe. O Uchiha virou-se para Sakura e ela pôde ver que seu sharingan estava ativado.

— Você está bem?

A pergunta, tanto como a súbita aparição do ninja, a pegou de surpresa, e mesmo que nada estivesse bem, ela assentiu mesmo assim. Ele deu as costas a ela e seguiu até Naruto, que se levantava do chão. Segurou-o pela camisa.

— No que estava pensando? — gritou para ele. — Iria mesmo matá-la?

Alguns habitantes (tanto da Folha como da Areia) já começavam a chegar ao local, assustados com os gritos, com medo de que outra invasão estivesse acontecendo. Todos paravam ao reconhecer Uchiha Sasuke e Uzumaki Naruto. “Quando eles voltaram?”, “O que estão fazendo?”, “Ninguém irá pará-los?” alguns murmuravam.

Naruto apenas encarou o Uchiha de forma vazia. Iria. Iria matar Sakura se não tivesse se segurado ao máximo. Porque voltar a Konoha havia despertado as piores coisas dentro dele: o ódio, a dor, as terríveis recordações... Iria matar Sakura mesmo que não fosse aquilo que realmente quisesse. Iria matá-la porque algo em sua mente gritava por sangue e ele era fraco demais para resistir.

Ele abriu a boca e todos acabaram com os sussurros, ansiosos para ouvir o que ele iria falar, curiosos para saber o que estava se passando ali.

— Sim. — não passou de um murmúrio, mas no súbito silêncio da noite, Sakura conseguiu ouvir. Ela baixou o olhar para o chão e prendeu o choro. Levantou-se ainda meio trêmula, a tempo de ver Sasuke jogar Naruto no chão e começar a socá-lo sem parar.

Konohamaru, Ino e Tenten chegaram ao local e a cena os surpreendeu tanto que eles apenas ficaram parados, observando, por um momento. No outro, Konohamaru deu um passo para parar Sasuke, mas um dos habitantes, um velho, o parou. “É coisa deles”, disse-lhe.

— O que está fazendo consigo mesmo, Naruto? — seu urro fez os pássaros ali perto voarem para longe, assustados. O socou outra vez, e de novo, de novo e de novo. Naruto nem se defendia. Aquilo o enraivecia mais do que tudo; tinha sido do mesmo jeito após a luta contra Masao. — Acorde! ASSUMA O CONTROLE! LUTE! — ele levantou o punho para socá-lo outra vez, mas a mão de Sakura o segurou.

— Por favor, Sasuke-kun, já chega. — ela sussurrou com a voz rouca. Por que aquilo sempre acontecia? Por que em cada reencontro deles tinha que ter uma luta, ou um tentando matar o outro? O que tinha acontecido com Naruto? — Não o machuque mais.

Sasuke a encarou por um momento antes de abaixar o punho e levantar-se, colocando Naruto de pé também. Seu rosto estava todo machucado e ensanguentado, mas ele ainda estava consciente. Seus olhos, agora em sua cor normal, encontraram os de Sakura por um mísero segundo. Então ele os desviou, parecendo quase envergonhado.

— O que está acontecendo aqui? — ouviram a voz de Shikamaru entre a multidão. Os Hyuugas estavam logo atrás dele. Hinata olhou para o rosto de Naruto e sentiu o coração apertar. Ia dando um passo inconsciente até ele, mas Neji a parou.

Naruto desvencilhou-se de Sasuke e, sem olhar para ninguém, disse, numa voz alta para que todos pudessem ouvir:

— Salvei essa vila mais vezes do que posso lembrar e o que recebi em troca foi um apelido: “Naruto, o demônio desertor”. Eu olho para essa vila, vejo os rostos dos Hokages e tudo o que posso pensar é em como amei esse lugar mais do que a mim mesmo, e nada de bom isso me trouxe. Eu não me importo mais. Nem com Konoha, nem com ninguém daqui. Vamos nos unir e derrotar Masao e os outros filhos da puta, mas depois disso, eu vou embora. Toda aquela cena de hoje de manhã não passou de um teatro. Esqueçam o Naruto que um dia existiu. Aquele Naruto está morto e não vai mais voltar. — e, ainda sem olhar para ninguém, ele lentamente caminhou para longe. As pessoas se afastaram para lhe dar espaço. Parou ao lado de Shikamaru e murmurou para que apenas ele e os Hyuugas ouvissem.

— Eu não consigo me controlar às vezes. — disse simplesmente, sem dar mais detalhes. Por um segundo, ele levantou o olhar e o focou em Hinata. Havia uma preocupação no olhar dela que ele gostaria de não ter visto. Gostaria não ter que sentir que estava decepcionando a si mesmo e a todos os outros. Gostaria de livrar-se daquele sentimento de culpa. — Mantenha todos afastados de mim ou não serei responsável por meus atos. Vou treinar sozinho. Se quiserem compartilhar alguma informação, falem com Sasuke e ele me dirá o que for.

E seguiu seu rumo, até a casa em que ele e Sasuke tinham se hospedado.

Lentamente, os habitantes começaram a se dispersar e ir para suas casas, ainda comentando o que haviam visto. Naruto, o demônio desertor — todos o conheciam. Crianças, jovens, idosos. Não havia ninguém que não soubesse quem era ou quem havia sido Uzumaki Naruto; fora o jovem que salvara Konoha e o mundo. Também fora o jovem que deixara a raposa escapar e que destruíra Konoha. Mesmo assim, muitos ainda o admiravam e muitos outros — em sua maioria, as crianças que haviam nascido depois da destruição — também pensavam que não era culpa dele. Ele havia sido um herói e não importava o que tivesse feito ou quanto tempo passasse; aquilo não mudaria.

Shikamaru aproximou-se de Sasuke e Sakura, e Tenten, Konohamaru e Ino também o fizeram.

— O que houve aqui?

— Ela pode explicar. — Sasuke murmurou olhando para a Haruno, antes de se afastar e seguir o mesmo caminho que Naruto. Sakura olhou para baixo. Como dizer aquilo?

— Ele tentou me matar. — disse de forma fraca. — Era como se algo o estivesse controlando, como se ele não tivesse controle sobre o próprio corpo, mas... mas ao mesmo tempo era mesmo o Naruto e ele... ele tentou me matar... — ela balançou a cabeça, prendendo as lágrimas que queriam tanto lhe escapar. Ino a puxou para um abraço, mesmo que ainda estivesse em choque, assim como todos os outros.

Ele tinha mudado tanto. E como não mudaria? Sakura pensou com tristeza, lembrando-se de um Uchiha e um Uzumaki crianças, tendo briguinhas bobas por nenhum motivo em especial. Aquilo tinha sido muito tempo atrás, quando Sasuke não havia sido corrompido pelo poder e Naruto era só uma criança ingênua... Antes da guerra, do segundo ataque da Kyuubi, antes de Masao. Nem mesmo você poderia ser bom para sempre, não é, Naruto?

Hinata olhou para Neji. Não soube o que ele viu em seu olhar: talvez desespero, ansiedade, preocupação — provavelmente tudo junto —, mas ele simplesmente murmurou . E ela foi. Virou-se e correu pelo caminho por onde Naruto e Sasuke haviam seguido e conseguiu alcançar o Uchiha.

— O que você quer Hyuuga?

— Quero vê-lo. — suplicou. — Quero saber o que aconteceu com ele, saber se ele está bem.

— É claro que não está. — balançou a cabeça, então parou e virou-se para ela. — Ele não quer ajuda, Hyuuga. Não importa o que você faça ou o quanto você tente, ele nunca voltará a ser o Naruto de antes, e agora sequer pode ser o Naruto que ele quer ser porque há algo dentro dele que o impede.

— O quê? — ela murmurou ansiosa para descobrir o que tanto Naruto escondia, ansiosa para saber o que havia acontecido para ele chegar aonde chegou.

— Ele mesmo. — replicou, observando Hinata. Quando eles eram crianças ela sempre observava e ajudava o Uzumaki, e Sasuke e ele já tiveram uma conversa sobre a Hyuuga, muito tempo atrás, quando a parte negra dele ainda não havia se manifestado totalmente. Quando ainda havia algo em Naruto que não era só rancor ou ódio ou amargura.

Mas mesmo que não tivessem tido tal conversa, dava para notar nos olhos da Hyuuga. Ela amava Naruto. Sasuke hesitou por um segundo, então mandou tudo para o inferno. Precisava de toda a ajuda que conseguisse.

Naruto nunca desistira dele, mesmo que por vezes a ideia tivesse passado por sua mente. Mas ele nunca desistiu. Estava na hora de Sasuke fazer o mesmo por ele.

O amigo talvez o matasse por aquilo, mas que se danasse também. Contou tudo a Hinata. Falou sobre a outra parte do Uzumaki, a parte que o consumia e corrompia cada dia mais. Contou como tudo começou, com todos aqueles sentimentos negativos que ele sempre guardou dentro de si e que, com a ajuda de Masao, explodiram. Explicou como sempre ficava pior na parte da noite, contou como Naruto sentia vontade de matar a cada maldito segundo. Disse a ela como a voz na cabeça dele clamava por sangue, como ele não conseguia dormir direito com medo de que a outra parte tomasse conta de si enquanto estivesse inconsciente, como um dia já tinha feito, na época da destruição de Konoha pela raposa. Contou tudo o que Masao havia dito a eles.

Contou sobre às vezes em que ele acordara com Naruto pressionando uma kunai contra seu pescoço, porque “precisava matar alguém antes que enlouquecesse”. Contou a ela sobre o pacto que eles tinham feito, anos antes, de que se Naruto chegasse a um estado irremediável, Sasuke o mataria. Naruto o fizera prometer aquilo e, desde então, Sasuke temia o dia em que tivesse que fazer aquilo.

E, ao final de tudo, Hinata ainda estava lá. Não tinha fugido ou se assustado ou demonstrado qualquer emoção. Simplesmente ouviu, absorveu todas as palavras de Sasuke e assentiu quando era preciso.

— Ele não está lutando mais. — Sasuke continuou, olhando para a casa onde o Uzumaki deveria estar, há poucos metros deles. — Não está mais resistindo. Está deixando a outra parte o consumir. Às vezes... muitas vezes eu penso que Naruto quer simplesmente morrer e acabar logo com isso.

Tentando acalmar o turbilhão de pensamentos que lhe invadia a mente, Hinata respirou fundo.

— Mas nós vamos ajudá-lo. Ele não pode suportar tudo isso sozinho, ele não precisa suportar tudo sozinho. Todos irão entender, todos tentarão ajudar, é só...

— Hyuuga — a cortou. —, você não entende. Naruto clama que é um monstro e eu não vou mentir: ele está lentamente se tornando em algo perto de um. — ele desviou o olhar, pensando no que teria acontecido a Sakura se Naruto não tivesse hesitado no último instante. — Ele não quer ajuda e, enquanto ele não quiser se ajudar, não há nada que possamos fazer.

— Então o quê? Ficaremos parados o vendo lentamente perder o controle? — ela o olhou com indignação.

— Você está mesmo disposta a ajudá-lo? — arqueou uma sobrancelha. — Mesmo que ele não queira sua ajuda, mesmo que ele não se importe mais com Konoha... Mesmo que em algum momento ele vá se descontrolar – e, acredite em mim, ele vai –, apesar de tudo isso, ainda estará disposta a ajudá-lo?

— Uchiha-san, eu sempre estarei lá por ele. — ela rebateu sem pestanejar.

— Então bem-vinda ao clube, Hyuuga.

Notas finais
Nesse capítulo eu destaquei mais a parte do Sasuke em relação a amizade dele com o Naruto; já estava mais do que na hora, também. A amizade deles é meio *cof cof* estranha, mas ainda assim fofinha. Os laços que eles construíram são antigos e muitas vezes, apesar dos apesares, se mostraram indestrutíveis. Sasuke fará de tudo para salvar Naruto da escuridão, como em outrora Naruto fez por ele. E essa possível aliança entre Sasuke e Hinata? ehehe EHEHEHE EHEHEHEHEHEHEH ai, parei, parei. Bem, vamos falar do Naruto~ Infelizmente, ele quase matou Sakura. Felizmente, não era exatamente ELE. A parte dark dele está o consumindo cada vez mais (como eu disse antes, ele só está piorando...). Naruto se sente cansado, como eu destaquei tantas vezes nesse capítulo. Imaginem como deve ser lutar contra algo 24h por dia, não dormir direito com medo de que esse algo tome conta de você (Gaara feelings), se sentir culpado cada vez que se deixa fragilizar e a outra parte o consume. Agora imaginem como deve ser fazer isso por anos. Em uma hora você acaba cansando. A parte sobre o Naruto sentir vontade de morrer... Bem, na cabeça dele, seria mais fácil desse jeito. Não teria mais dor ou sofrimento, ele não machucaria ninguém e nem seria machucado. Tudo acabaria. Mas não é assim tão fácil, Narutinho. Desistir de viver não é o melhor caminho. E você tem gente que se importa e que te ama. RENATA E SASQUE AO RESGATE (cúmplices de um resgate /ba dum tss) (nossa, essa foi podre). Go, go team SOS Uzumaki! Amo vocês. sz