Im Just A Fallen Angel...

5 A Brand New World - part I


A ideia de me retirar no Mosteiro era indiferente para mim, tanto dentro como fora daquele lugar eu ainda tinha a minha morte à porta... É um sentimento irritante, viver a vida sabendo que após um certo prazo a perderá. Como os humanos eu preferia não saber qual era o tempo restante...

O meu rosto se recompôs inexplicavelmente no mesmo dia em que desfez e as feridas cicatrizaram uma semana depois, o que pasmou algumas pessoas devido à gravidade delas. Suponho que deveria me sentir melhor...Mas eu não me sinto.

Juntei alguns pertences meus que foram oferecidos por pessoas dentro do Mosteiro, eram poucas coisas pois eu cheguei naquele mundo sem nada. Levei a sacola às costas e segui meu caminho pelos vários corredores, quase enigmáticos, até a saída. Era ali onde eu deveria aguardar o dito rapaz com o ''coração de ouro'', quem iria cuidar de mim...sim, pois eu era um recém nascido ali.

Ninguém foi se despedir de mim, a não ser as duas crianças que apenas falaram comigo uma vez.

- Alex, porque está indo embora?- a pequena dizia enquanto continha o choro.

- Porque...- eu procurava uma razão concreta para que uma criança de 6 anos pudesse entender.- ...eu preciso me lembrar do mundo.

- Mas se você for embora a Ariel vai chorar. Não pode ficar aqui?- o rapaz disse com um certo tom de paternidade, eram gêmeos mas sem dúvida o rapaz era quem tomava conta da irmã.

- ...Não posso.- Mal eu disse isso a menina começou a soluçar. Ela escondia o rosto no ombro do irmão.

Porque estava escondendo as lágrimas? Seria algo comum entre os humanos escondê-las? Aquelas lágrimas pareciam tristes e eu sabia que a tristeza não era uma coisa boa, mesmo não a conhecendo. Eu me ajoelhei em frente aos dois e pousei a sacola no chão, ambos carregavam um colar nos pescoços com os seus nomes.

- Ariel.- chamei-a. Ela se aproximou com o rosto cabisbaixo e eu pedi para que olhasse para minha mão. Dela surgiu uma pequena orbe azul pálida que prendi em seu colar como um pingente.

- Woah!...- o rapaz olhava atento, sem notar que no seu colar havia uma igual também. — Eu também tenho!! Como fez isso?

- É segredo, mas não conte a ninguém.- me levantei. Eles concordaram e as lágrimas da garotinha haviam secado já, seus olhos estavam com a atenção toda para o novo presente que ganhou.

Senti algo pela primeira vez, não sei ao certo o que era. Ao ver que tinha conseguido parar o choro dela me senti...leve (?).

- Alex? — uma voz nova pronunciou meu nome. Uma voz calma, masculina. Virei-me e me deparei com alguém que por momentos achei que fosse um ser do conselho.

Era um rapaz alto, porém mais baixo que eu. Seus cabelos médios eram loiros, completamente dourados que refletiam a luz de uma forma que eu nunca vi antes em humanos. Os olhos era azuis bem claros que eu achava que pudessem brilhar no escuro. As roupas em um tom claro e casuais. Seria um anjo...?

- Elliot Scarlsson, muito prazer! Ouvi falar muito de você pelo meu tio.- me cumprimentou erguendo um dos braços, sorrindo abertamente. Eu olhei para ele, procurando entender ao certo de quem se tratava...tinha um nome estranho, o qual eu nunca tinha ouvido falar antes.

- Elliot...?-

- Ah, suponho que meu tio não chegou a falar muito de mim, ahah! Eu sou sobrinho do Padre Heitor e serei eu quem vai cuidar de você durante os próximos meses.- explicou sem abdicar do sorriso no rosto.

Ah, era ele o tal rapaz com coração de ouro. Olhando assim não era muito difícil de imaginar que houvesse um pedaço de ouro no lugar do coração, a bondade que ele exalava como se fosse um perfume era tanta que quase me enjoava... Mas seria interessante observá-lo.

- Vamos? O carro está lá fora.-

Carro...? Eu ainda não tinha saído do lugar e já começava a ouvir expressões que nunca pensei ouvir antes. Segui-o até a saída e pela primeira vez dei um passo fora do Mosteiro. Olhei em minha volta, havia um campo bem grande com vários pinheiros cercando. O céu estava bem azul e as nuvens brilhantes, não havia como não ficar admirado com aquilo. Eu não tinha reparado que eu tinha sido deixado para trás, enquanto Elliot andava falando sozinho. Acelerei o meu passo e consegui alcançá-lo.

- ...vai gostar. Tenho certeza.- ele continuava falando, sem notar que eu não tinha ouvido nada.

Apenas concordei com a cabeça e continuei calado, observando as coisas ao meu redor. Olhei para trás e vi que o Mosteiro se tornava cada vez mais pequeno, aquele velho edifício que me abrigou depois da minha ''morte'' parecia insignificante por fora...

- Alex...? Está me ouvindo?- Elliot parou, chamando a minha atenção.

- Hum?-

- Está aéreo já? Ainda nem deixámos o Mosteiro, tem muito para ver lá fora ainda! — riu, voltando a andar.

Ainda estávamos dentro do Mosteiro? O que me estava aguardando lá fora? Eu não sabia...Mas estava curioso para descobrir...

Subi no carro, que vim a saber que era um veículo que os humanos usavam para se locomover a longas distâncias...Engraçado, eles não foram dotados de asas mas no entanto arrumaram alternativas para isso... Queria eu que houvesse alternativas para meu coração de cinzas...

O loiro falava muito, durante a viagem toda ele caracterizava a cidade para onde íamos, falava de prédios, metrôs, pessoas de um lado para o outro... Eu não parecia muito interessado, mas no entanto eu estava curioso para ver como seria aquilo ao vivo.

Por breves momentos eu me esqueci da minha morte.